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A

HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL NO RIO GRANDE DO SUL NO SÉCULO PASSADO

Cel CLÁUDIO MOREIRA BENTO


Natural de Canguçu-RS. Historiador Militar e Jornalista, Presidente e Fundador da Federação de Academias de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB), do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS) e da Academia Canguçuense de História (ACANDHIS); sócio benemérito do Instituto de História e Geografia Militar e História Militar do Brasil (IGHMB) e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB); integrou a Comissão de História do Exército do Estado-Maior do Exército (1971/74). Acadêmico e Presidente Emérito fundador das academias Resendense e Itatiaiense de História e sócio dos Institutos Históricos de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, etc. Foi o 3º vice-presidente do Instituto de Estudos Vale-paraibanos (IEV) no seu 13º Encontro em Resende e Itatiaia que coordenou o Simpósio sobre a Presença Militar no Vale do Paraíba, cujas comunicações reuniu em volumes dos quais existe exemplar no acervo da FAHIMTB doado à Academia Militar das Agulhas Negras. Cursou a ECEME (1967/69). Foi instrutor de História Militar na AMAN 1978-80, onde integrou comissões a propósito dos centenários de morte do General Osório - Marques do Herval e do Duque de Caxias.

Artigo digitalizado para ser colocado na Internet em Livros e Plaquetas no site da Federação de Academias de História Militar Terrestre do Brasil www.ahimtb.org.br e cópia impressa no acervo da FAHIMTB doado em Boletim à AMAN e em levantamento para integrá-lo no programa Pergamum de bibliotecas do Exército.



A HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL NO RIO GRANDE DO SUL NO SÉCULO PASSADO

SUMÁRIO

O projeto História do Exército no RGS

Marcos da História Militar Gaúcha 1900-2000

Historiadores militares gaúchos e suas contribuições

A presença marcante da Brigada Militar

A importância do patrimônio cultural militar gaúcho

 O projeto História do Exército no RGS

A civilização do Rio Grande do Sul foi acentuadamente castrense (militar) na interpretação do saudoso mestre Dante de Laytano. A História Militar Terrestre do Brasil teve no Rio Grande do Sul lances marcantes de expressiva projeção na História Militar Terrestre do Brasil, no século XX e na política, como se verá.

Abordamos a mesma no projeto História do Exército no Rio Grande do Sul nos volumes I, II e III da obra História da 3ª Região Militar (Porto Alegre: Ed. Palloti, 1995 e 1999) que focalizaram, respectivamente, os períodos 1807/1889, 1899/1953 e 1953/1999. No volume Comando Militar do Sul - quatro décadas de História 1953-1995 (Porto Alegre: Qualidade, 1995) foram focalizados os comandos da Zona Militar Sul, III Exército e Comando Militar do Sul, denominações sucessivas do grande comando do Exército instalado em Porto Alegre a partir de 1953 e com jurisdição sobre os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

E no prosseguimento do projeto desenvolvemos as histórias da 6ª Divisão do Exército - Divisão Voluntários da Pátria; da Artilharia Divisionária da 6ª DE - AD Marechal Gastão de Orleans, sediadas em Porto Alegre; da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada – Brigada Ten Gen Patrício Corrêa da Câmara, sediada em Bagé e da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada - Brigada Manoel Marques de Souza I, sediada em Pelotas; a seguir, das 1ª e 2ª Brigadas de Cavalaria Mecanizada, da 3ª Divisão de Exército, da AD/3 da 3ª DE, da 6ª Bda Inf Blindada e as Histórias do Casarão da Várzea e das Escolas Militares do Rio Pardo. Biografamos os lideres de batalhas e de combates, o Duque de Caxias, General Osório, Conde de Porto Alegre e Brigadeiro Sampaio. Por último, Hipólito da Costa, o fundador da Imprensa Brasileira, filho, sobrinho, pai e avô de militares.

Histórias que estamos desenvolvendo em parceria com outros estudiosos, sob a égide da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) que fundamos, em 1º de março de 1996 em Resende/RJ, A Cidade dos Cadetes e, cujo braço no Rio Grande do Sul é a Delegacia General Rinaldo Pereira da Câmara, desde 23 de abril de 2011 promovida a AHIMTB/RS e presidida pelo acadêmico benemérito Cel Luiz Ernani Caminha Giorgis.





Foto do conjunto incompleto de obras sobre o Exército no Rio Grande do Sul, constante da capa de nossa plaqueta A PESQUISA EM HISTÓRIA MILITAR. Resende: FAHIMTB, 2012, publicação de conferência ilustrada que proferimos no Encontro de Historiadores Militares em 18/20 de maio de 2012 na Academia Militar das Agulhas Negras, promovida pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, no comando do Gen Bda Julio Cesar de Arruda, nosso ex-comandado, como Aspirante a Oficial em 1982, no 4º Batalhão de Engenharia de Combate em Itajubá-MG.

No conjunto desta obra publicada e em suas referências bibliográficas e hemerográficas já é possível se perceber a História Militar do Rio Grande do Sul desde a fundação portuguesa do Rio Grande do Sul em 1737 e mesmo antes até o presente, bem como a sua grande projeção na História Militar Terrestre do Brasil.

Marcos da História Militar Gaúcha 1900-2000

A História Militar Terrestre do Rio Grande do Sul neste século teve início com as feridas ainda não cicatrizadas da cruel guerra civil 1893-95, a qual, em ligação com a Revolta na Armada 1893-94 ensanguentou e dividiu as famílias da Região Sul.

Guerra Civil marcada por dois massacres, que por ironia do destino ligam-se à cor escura, a cor das trevas, da tristeza, do terror da cegueira e do luto. Ou sejam, os massacres de Rio Negro em Bagé, em Nov 1893, onde parte da Cavalaria Civil Patriota, em apoio aos governos do Estado e Federal, rendida sob garantia de vida, em documento firmado por ambas as partes, foi degolada inerme por mercenários platinos, a serviço de federalistas e no território pátrio. Massacre respondido com o de Boi Preto, em Palmeira das Missões, onde federalistas foram massacrados por imperiais.

Escrevemos sobre o massacre do Rio Negro sob o título "O massacre federalista do Rio Negro em Bagé em 28 Nov 1893" na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (v.154, nº 378, jan/mar 1993, p.55/81). E sobre o massacre do Boi Preto escreveu Mozart Pereira de Souza na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul do ano 2.000.

Por elas o leitor interessado e isento poderá julgar os dois condenáveis eventos que tem sido omitidos, manipulados e varridos para debaixo dos tapetes de ambos os contendores da Guerra Civil 1893-95 e onde, felizmente, permaneceram por quase um século. Foram feridas profundas na alma gaúcha e agravadas com a Guerra de Canudos em 1897, onde tropas gaúchas para lá enviadas e com experiência de combate, tiveram atuação militar destacada para o término daquela carnificina fratricida. Não foram maiores as consequências para ambos os contendores de Canudos, graças à ação do gaúcho de Porto Alegre e Ministro da Guerra Marechal Carlos Machado Bittencourt, consagrado hoje como o Patrono da Intendência do Exército por haver estabelecido uma linha de suprimentos para as isoladas tropas do Governo no sertão baiano, constituídas por combatentes do Exército, de 11 polícias militares e de um batalhão civil baiano usados no combate. Guerra que ao final custou a vida do Marechal Bittencourt, ao colocar-se entre o Presidente Prudente de Morais e o punhal assassino de um fanático militar que tentou matar o presidente em uma chegada ao Rio.

Foi o gaúcho de Bagé, Marechal João Nepomuceno Medeiros Mallet que deu início a Reforma Militar do Exército, na passagem do século XIX para o XX, ao criar o Estado-Maior do Exército e a Fábrica de Pólvora sem fumaça em Piquete/SP, alicerces para o progresso do Exército no século XX. Servindo a um governo em crítica contenção de gastos, o Marechal Mallet, filho do Patrono da Artilharia, mobilizou os cérebros do Exército para elaborarem um Corpo de Doutrina Militar a ser implementado tão logo existissem recursos disponíveis. Portanto não cruzou os braços. Foi criativo!

Estado-Maior do Exército que teve como primeiro chefe o porto-alegrense Marechal José Thomaz Cantuária, veterano artilheiro da Retirada da Laguna, ex -Ministro da Guerra, e o consolidador da Paz de Pelotas celebrada em 1895 e, hoje, o patrono da 6ª Região Militar, na Bahia, por iniciativa do acadêmico da AHIMTB Gen Div João Carlos Rotta, o idealizador do Projeto História do Exército no Rio Grande do Sul como comandante da 3a RM.

A História Militar Terrestre do Brasil no século XX teve como marco inicial a instalação em janeiro de 1900, da Escola de Engenharia no Rio Grande do Sul por iniciativa de professores do Exército lotados na Escola Militar de Porto Alegre no Casarão da Várzea, hoje ocupada pelo CMPA.

Em 1903, o Major de Cavalaria João Cezimbra Jacques fundou no mesmo Casarão da Várzea, com alunos militares e civis o Grêmio Gaúcho, voltado para o culto das tradições gaúchas, o que lhe valeria a sua justa consagração como patrono do Movimento de Tradições Gaúchas, hoje movimento de projeção internacional.

Outro marco na História Militar do Rio Grande do Sul foi o estabe-lecimento, no citado Casarão da Várzea, de 1906-11, da Escola de Guerra de Porto Alegre, local onde foi implementado o Regulamento de Ensino de 1905, transição do bacharelismo militar que vigorou de 1874-1905, para o profissionalismo militar que até hoje se sustenta.

Em 24 de maio de 1913, no 47º aniversário da Batalha de Tuiuti, professores do Exército no Casarão da Várzea fundaram o Grêmio Beneficiente de Oficiais do Exército que em quase todo o século XX teve grande projeção na Previdência Social da Família Militar Gaúcha e Brasileira.

Abordamos pioneiramente a Escola de Guerra de Porto Alegre em Es-colas de Formação de Oficiais das Forças Armadas do Brasil (Rio de Janeiro: FHE-POUPEX, 1987) e em artigo "A Esquecida Escola de Guerra de Porto Alegre no ensino militar acadêmico do Brasil "na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (155(383):423-427, abr/jun 1994).

Assunto que abordamos também na citada História da 3ª RM, v. 2 p. 179. Concorreu para o resgate da projeção da Escola de Guerra a obra de Laudelino Medeiros Escola Militar de Porto Alegre 1852-1911 (Porto Alegre: Ed. Veras, 1992), com apoio que lhe prestamos em suas demoradas e acuradas pesquisas no Arquivo Histórico do Exército que então dirigíamos.

Outro marco da História Militar do Rio Grande do Sul, de projeção nacional expressiva, foi a instalação em Porto Alegre, em 29 Jun 1903, da Carta Geral da República. Mais tarde foi suprimida a palavra República, e substituída por do Brasil. O Rio Grande do Sul foi o maior beneficiário dos levantamentos cartográficos realizados por aquela Comissão, cujos trabalhos tiveram início em 25 Ago 1903, no Morro de Santana, em Porto Alegre, então definido como marco zero.

Em 1906-1908 o Exército ganhou em Porto Alegre o seu Quartel-General, o primeiro ali construído especialmente para este fim e que ainda lá se encontra defronte ao atual Quartel General. O atual só seria ocupado em 1955 e hoje abriga o cérebro operacional e logístico do Exército no Rio Grande do Sul, o CMS, a 3ª RM e o Comando de Artilharia.

O antigo QG defronte ao atual que serviu de sede do Comando Militar e Político do Exército no Rio Grande do Sul, por cerca de meio século, durante a Guerra do Contestado, 1ª Guerra Mundial, Revolução de 23, Revolução de 1924-26, Revolução de 30 (cuja vitória foi decidida em seu interior com a neutralização e prisão do comandante da 3ª RM de então e morte de alguns militares que nele se encontravam conforme se verá), Revolução de 32, Deposição de Flores da Cunha em 1937, do Governo do Rio Grande e 2ª Guerra Mundial 1939-45. QG construído pelos mestres Pellerini e Gentil Rocha e que, ao ser construído, era um dos mais belos e sobretudo singulares edifícios de Porto Alegre.

O Rio Grande do Sul foi pioneiro na idéia colocada em vigor dos Tiros de Guerra. Foi na cidade de Rio Grande que o farmacêutico Antônio Carlos Lopes idealizou o primeiro Tiro de Guerra, iniciativa que traduziu no livro O Tiro Brasileiro. Com apoio nesta idéia, o gaúcho de São Gabriel Marechal Hermes da Fonseca, como Ministro da Guerra (1906-09) conseguiu a aprovação, pela Lei de 5 Set 1906, da Confederação de Tiro Brasileiro, cuja implementação confiou ao riograndino Antônio Carlos Lopes.

Em 1908, ainda o Ministro da Guerra Hermes da Fonseca acelerou a Reforma do Exército com a Criação de Brigadas Estratégicas, de Tiros de Guerra, e aquisição, na Europa, de grande partida de fuzis Mauser, metralhadoras Madsen e canhões Krupp com respectivas fábricas de munições, instaladas na Fábrica do Realengo, mais a construção de modernos quartéis e a criação da Arma de Engenharia.

Construção de quartéis que seria acelerada no início dos anos 20 pelo Ministro da Guerra Pandiá Calógeras, como o 9º BI Mtz em Pelotas, o 19º BI Mtz em São Leopoldo, o 9º RCB em São Gabriel, etc. São construções inconfundíveis as do Tipo Calógeras.

No Rio Grande do Sul, em 1908, as suas unidades passaram por acentuadas reestruturações, fusões e mudanças de denominações que registramos em História da 3ª RM, vol. 2 p. 196-206. Foi o gabrielense Marechal Hermes, agora presidente da República, que de 1910-12 enviou oficiais para estagiarem no Exército da Prússia. Oficiais que ao retornarem iriam fundar a Revista A Defesa Nacional com um grupo de idealistas. Revista pela qual eram transmitidos ao Exército os ensinamentos colhidos na Europa. Dentre seus 13 fundadores 4 eram gaúchos: Capitães Epaminondas Lima e Silva e Amaro de Azambuja Villanova e tenentes Bertoldo Klinger (de Rio Grande) e Francisco de Paula Cidade (de Porto Alegre ).

No Rio Grande do Sul surgira no velho QG, antes, em 1910, sob a égide do gaúcho de Porto Alegre General Manoel Joaquim Godolphim, o construtor do QG em 1906-08, A Revista dos Militares. Segundo o seu colaborador, o porto-alegrense Gen Francisco de Paula Cidade, um dos maiores e mais constantes historiadores do Exército de todos os tempos.

"A Revista dos Militares” durou muitos anos e prestou grandes serviços ao Exército. Ela acompanhou a evolução de nossas Forças Armadas durante a fase preparatória (1912-29) que antecedeu o contrato de Missão Militar Fran-cesa (MMF).

A adoção do Serviço Militar Obrigatório, em 1916, combinado com a extinção da Guarda Nacional, em 1918 e mais o fato de tornar-se a Brigada Militar reserva do Exército, propiciou um grande desenvolvimento do Exército na área do Rio Grande do Sul. A Guarda Nacional no Rio Grande do Sul havia prestado relevantes serviços de guerra ao Brasil desde 1831-70. Depois entrou em decadência acentuada como em todo o Brasil. E a solução foi a sua extinção e substituição pelos CPORs e NPORS para a formação efetiva de oficiais da Reserva do Exército, cujos representantes teriam bom desempenho em nossa FEB.

A Guerra do Contestado, em Santa Catarina e Paraná, foi pacificada pelo gaúcho de Uruguaiana General Setembrino de Carvalho. Forças da 3ª RM lá atuaram como o 7º RI de Santa Maria que hoje tem por patrono o Cel Ernesto Gomes Carneiro, herói da resistência ao cerco federalista da Lapa, no Paraná, em 1893.

Luta no Contestado que revelaria o grande historiador que lá serviu como subtenente, o gaúcho de São Borja e mais tarde General Emílio Fernandes de Souza Docca, ligado à fundação do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.

Em 1922 teve lugar em Saicã uma grande manobra militar sob a coordenação da Missão Militar Francesa e dirigida pelo Gen Gamelin herói do Exército da França na 1ª Guerra Mundial e chefe da mesma.

Estas manobras se repetiriam em 1940, envolvendo toda a tropa do Exército no Rio Grande do Sul. Foram as maiores até hoje realizados no Brasil, guardadas as devidas proporções no tempo, no espaço e nos meios disponíveis.

Na Revolução de 23, o Exército se manteve como espectador e contribuiu expressivamente, através do filho de Uruguaiana, General Setembrino de Carvalho, (constituinte gaúcho de 1891), na qualidade de Ministro da Guerra, para a Paz de Pedras Altas.

Sua ação, a nosso ver, o consagrou como o Pacificador do Século XX, por sua atuação na pacificação da Revolta do Padre Cícero em 1910, no Ceará, na pacificação do Contestado em 1916 e em 1923 na pacificação do Rio Grande do Sul.

Sérgio da Costa Franco julgou competente a atuação militar e diplomática do Gen Setembrino, em 1923 na sua obra: A Pacificação de 1923 (Porto Alegre: UFRGS/EST, 1996) e escreveu:



"Do exame da documentação relativa a pacificação, a personalidade do Marechal Setembrino de Carvalho saiu engrandecida, não se justificando o silêncio que se tem feito no Rio Grande do Sul em torno do papel que desempenhou como conciliador e pacificador. Um mediador imparcial, cheio de espírito público, e cônscio de seus deveres de representante do Presidente da República, no arbitrar uma grave contenda civil. Eis o mínimo que se pode dizer de sua conduta..."

A Revolução de 1923 foi acompanhada pela 3ª RM conforme registramos em História da 3ª RM, v. 2 p. 248-249.

As Revoluções de 1924-26 no Rio Grande do Sul retardaram o desenvolvimento das forças do Exército, com apoio na Missão Militar Francesa (MMF), evento bélico que abordamos na citada obra, p. 268.

Na Revolução de 30 ela foi decidida no Rio Grande do Sul. O início da vitória teve lugar com o bem sucedido ataque revolucionário ao QG da 3ª RM, seguido da neutralização, por morte, de alguns militares que ali se encontravam e da prisão de seu comandante e de seu chefe de Estado-Maior. Fato que mencionamos na citada obra, p. 276-287, e aqui ampliaremos por sua grande projeção na História do Brasil.

Os revolucionários de 30 marcaram como objetivos fundamentais para o êxito da Revolução de 30 o ataque seguido de conquista do QG da 3a RM e do Arsenal de Guerra à sua frente, em diagonal. E o ataque teve o curso a seguir, sem que fosse detectado pelo Comando da 3a RM. Antes haviam sido colocados sob a mira de metralhadoras colocadas na torre da igreja vizinha e no alto do Hotel Majestic ambos com dominância de vistas e de fogos sobre o QG e o Arsenal.

O início da Revolução de 30, com seu QG no Grande Hotel, foi dado às 17:50h de 3 de outubro, por um foguete lançado às 17:30h no Morro Menino Deus. E teve início o ataque do QG da 3ª RM, com 35 homens da Guarda Civil saídos em coluna por dois de seu quartel, na esquina atrás do atual QG da Brigada Militar, e simulando uma passagem de rotina na porta do QG. Os guardas foram armados de revólveres 38 novos e mantidos escondidos sob suas túnicas. E na retaguarda da mesma um grupo revolucionário liderados por Osvaldo Aranha, Flores da Cunha, Barcelos Feio e outros.

Eles atacaram de surpresa o QG depois do expediente. E foram eliminando os militares da guarda e os demais encontrados no QG, que foram mortos em cerca de 15 minutos. Ainda hoje a escada de acesso e as ferragens do elevador guardam sinais de impactos de balas.

O Comandante da 3ª RM recusou entregar-se, o que só fez depois de receber carta de Getúlio Vargas, demonstrando a inutilidade da resistência.

O General Gil de Almeida foi preso em seus aposentos e a seguir no navio Comandante Ripper, onde foram presos outros oficiais, inclusive o então Coronel João Baptista Mascarenhas de Moraes que comandava em Cruz Alta. O General Cândido Mariano Rondon, preso em Marcelino Ramos, pelo General Miguel Costa que comandara a Coluna Miguel Costa/Prestes, foi considerado preso no Grande Hotel, tendo a cidade por menagem.

E com a bem sucedida conquista do QG da 3ª RM e do Arsenal de Guerra e prisão do comandante da 3a RM e de seu chefe do Estado-Maior, a revolução expandiu-se sem reação pelo Rio Grande do Sul e Brasil. O ataque ao QG foi o episódio mais sangrento!

A Revolução de 30 extinguiu a 3ª RM por 15 dias e a substituiu pelo Departamento Pessoal da Guerra, sob a chefia do Ten Cel Horácio Souza. Foi restabelecida a 3ª RM depois da chegada vitoriosa da Revolução no Rio de Janeiro.

Em 27 de outubro de 1930 a 3ª RM, restabelecida, passou a funcionar no mesmo QG, agora tendo como comandante o Coronel João Carlos Bordini (1877-1966), sobrinho-neto do General Osório, com papel de destaque na conspiração vitoriosa, cuja biografia resgatamos na História da 3a RM, v.2.

Em 3 de outubro de 2000, no 70 aniversário da Revolução de 30 que teve início com o vitorioso e mortífero ataque ao QG da 3a RM, foi nele colocada externamente , na rua dos Andradas, a seguinte placa de bronze (já retirada) como justiça na voz da História e traduzida pela seguinte interpretação histórica:

"NESTE LOCAL, NA TARDE DE 3 DE OUTUBRO DE 1930, UM ATAQUE AO QUARTEL GENERAL DA 3a REGIÃO MILITAR, DEFLAGROU O INÍCIO DA REVOLUÇÃO DE 1930. SOB A DIREÇÃO DE GETÚLIO VARGAS, OSVALDO ARANHA, FLORES DA CUNHA, AGENOR BARCELLOS FEIO E OUTROS, O MOVIMENTO DENOMINADO ALIANÇA LIBERAL EMPOLGOU O ESTADO E O PAÍS, ALCANÇANDO A VITÓRIA COM A DEPOSIÇÃO DE WASHINGTON LUIS. A REVOLUÇÃO DE 30 ENCERROU UM CICLO DE LUTAS ANTI-OLIGÁRQUICAS E POR ELEIÇÕES LIMPAS, CONHECIDO POR TENENTISMO, E DESENCADEOU UM PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS SOCIO-ECONÔMICAS NO RUMO DE UMA SOCIEDADE URBANA E INDUSTRIAL".

Uma consequência da Revolução de 30 no campo militar foi a sua promessa concretizada de construção de uma moderna escola militar - a atual Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende. Prometida em Resende em julho de 1932, lançada a sua pedra fundamental em 1938 e inaugurada em 1944, tudo pelo chefe da Revolução de 30 Dr. Getúlio Vargas e viabilizados os recursos para a sua construção pelo Ministro da Fazenda Osvaldo Aranha, o cérebro da Revolução de 30 e um dos comandantes do ataque ao QG da 3a RM.

Mas este ataque bem sucedido ao QG da 3a RM de incontestável grande projeção nos destinos do Brasil, inclusive na adoção do voto feminino, tem uma outra face que não pode ser esquecida dos soldados que juram solenemente ao Brasil, entre outras afirmações relevantes "defender as suas instituições com o sacrifício da própria vida." E no outro lado do vitorioso ataque ao QG da 3a RM existiram militares que foram mortos na crença de estarem defendendo as instituições e o que fizeram com o sacrifício da própria vida. E que não pos-suíam qualquer envolvimento político-ideológico, a não ser o de cumprirem o seu dever militar até a morte.

Circunstância que Péricles, o Pai da Democracia grega assim definiu:



"Aqueles que morrem por sua Pátria fazem mais por ela naquele instante que os demais em todas as suas vidas".

E foi o caso dos seguintes militares do Exército que no ataque ao QG da 3a RM foram mortos, nos seus postos de honra, contra um bem urdido, coordenado e mortífero ataque de surpresa, desfechado depois do término do expediente no QG, também residência de seu comandante com família. Os nomes dos mártires, mortos de modo fulminante e a maioria desarmada ou sem reação, conforme se conclui de excelente estudo do historiador Major Dentista Ref Hélio Ricardo Alves (falecido), sob o título "Ataque ao QG da 3a RM em 3 Out 1930" enviado à Academia de História Militar Terrestre do Brasil e com apoio na interpretação de depoimentos dos irmãos Aranha e Etchegoyen (Alcides e Ciro), Flores da Cunha, 3 guardas civis que participaram do ataque e bibliografia que relacionou ao final.

Os 14 militares do Exército mortos em 1930 em reação ao ataque ao QG da 3a RM e outros locais como no 7º BC: Major Otávio Cardoso (Cmt do CPOR/PA). Capitão Jaime Argolo Ferrão, 1º Ten Atho Correa Franco e 2o Ten Joaquim Gonçalves de Melo; Cabos João Gouveia e Vitor Rodrigues dos Santos e Marinho Borges; Soldados Otávio Guidote, Flávio Guidote, Leonardo Lisboa Mário de Paula, Galdino Soares, Américo Cortes e Vicente dos Santos.

O comandante da 3a RM na ocasião em seu livro: Homens e fatos de uma revolução (Rio de Janeiro: Ed. Calvino, 1943) escreveu a certa altura, 13 anos mais tarde:



"Honra aos oficiais, cabos e soldados mortos no dia 3 de outubro de 1930, no cumprimento do seu dever militar, na defesa dos brios do Exército, na obediência da Lei e no respeito a Pátria sublime".

Acham muitos militares que é ato de justiça na voz da História, a colocação de uma placa alusiva no portão de entrada do velho QG constando o nome dos 14 militares mortos no ataque ao QG e em Porto Alegre em defesa das instituições que juraram defender com o sacrifício da própria vida.

O período revolucionário de 1920-30 revelou grandes vocações de civis gaúchas para a liderança militar.

Entre eles registra-se Osvaldo Aranha, antigo integrante do Esquadrão de Cavalaria do Colégio Militar do Rio de Janeiro e ferido gravemente no combate de Seival, em Lavras do Sul. Getúlio Vargas, antigo aluno da Escola Preparatória e Tática do Rio Pardo e sargento de Infantaria em expedição até Mato Grosso, para atuar no Acre. Flores da Cunha, combatente legal contra revolucionários de 24-26 na sua fronteira e que seria elevado a general honorário do Exército. Gen Zeca Neto, (Antônio de Matos Neto), estudioso de História Militar Grega e Romana no Rio e aluno da Escola Militar do Largo de São Francisco no Rio de Janeiro por um ano e sobrinho do General Antônio Neto. Honório Lemes, o Leão do Caverá, que impressionou os tenentes revolucionários por sua visão tática e capacidade de liderança militar e sobre o qual produzimos artigo sob o título "Honório Lemes - o Tropeiro da Liberdade, já publicado.

Arthur Ferreira Filho, destacado historiador militar civil e veterano do combate à Revolução de 23, focalizou o perfil de outros civis gaúchos que revelaram liderança militar na obra Revoluções e Caudilhos (Porto Alegre: s/ed,sem data). Outros civis que contribuíram expressivamente para a História Militar do Rio Grande, entre outros, foram Fernando Luiz Osório e seu filho homônimo, filho e neto do General Osório. Vale lembrar também a obra voltada para a História Militar do Dr Tarcísio Taborda em Bagé. Em 1930 estaria reservada a Osvaldo Aranha e Flores da Cunha a liderança militar do bem sucedido ataque ao QG da 3ª RM, o maior obstáculo ao sucesso inicial da Revolução de 30.

Com a Revolução de 30, decidida no Rio Grande do Sul e vitoriosa em todo o Brasil ela traria grandes benefícios para o progresso do Exército no período até 1945, circunstância que estudamos em artigo: "Getúlio Vargas e a evolução do Exército” na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (v. 339, abr/jun p. 63/72).

Foram marcos desta evolução no Rio Grande do Sul a construção do monumental Hospital Militar de Área de Porto Alegre, a transferência do Arsenal de Guerra para General Câmara e as Manobras de Saicã de 1940, etc.

Em 1937 o velho QG, atacado em 30, foi o cérebro da deposição do General Honorário do Exército Flores da Cunha, do Governo do Estado e um dos líderes, sete anos antes do bem sucedido ataque ao QG. Foi um fato expressivo que criou as condições militares para a implantação do Estado Novo (1937-45), ao ser eliminada uma possível reação militar. Foi outro fato da História Militar Terrestre no Rio Grande do Sul de grande projeção militar e política no Brasil.

Em 1961, com a renúncia do Presidente Jânio Quadros e reação contra a posse do vice Presidente João Goulart, houve intensa repercussão no Rio Grande do Sul, com o episódio chamado Crise da Legalidade, em que o Governador Leonel Brizola apresentou forte reação militar potencial, com apoio no comandante do 3o Exército o Gen Ex José Machado Lopes, do que resultou um acordo da posse do Dr. Jango Goulart no Sistema Parlamentarista, então aprovado às pressas pelo Congresso e mais tarde desaprovado em Plebiscito.

Em março de 1964, as Forças Armadas com forte apoio popular, caracterizado pela Marcha da Família com Deus e a Liberdade desencadearam um contra revolução Democrática contra uma séria ameaça de comunização do Brasil. Foi tentada uma reação em Porto Alegre contra a deposição do Presidente e a partir do QG do então III Ex, comandado pelo Gen Ex Ladário Pereira Telles, quando dali o Eng Leonel Brizola pretendeu repetir o que havia feito com sucesso em 1961. Mas as tropas do interior marchando unidas e coordenadas sobre Porto Alegre convenceram o Dr. João Goulart da inutilidade da tentativa de resistência e ele seguiu para fora do Brasil. Então três gaúchos militares ocuparam a Presidência da República: o Marechal Arthur da Costa e Silva, filho de Taquari; o General Emílio Garrastazú Médici, filho de Bagé e o General Ernesto Geisel, filho de Bento Gonçalves e que teve como seu vice-presidente o Gen Adalberto Pereira dos Santos, filho de Taquara, e como assessor direto o Cel Golbery do Couto e Silva, filho de Rio Grande.

Foram fatos assinalados na área do Rio Grande do Sul nos anos 70 e 80, a mecanização de brigadas de Cavalaria que substituíram as antigas três Divisões de Cavalaria e a motorização ou blindagem das antigas Infantarias divisionárias transformadas em brigadas de Infantaria motorizada ou blindada; e a criação do 3o Batalhão de Suprimento em Nova Santa Rita, em 1984, em posição estratégica que absorveu as funções de 9 unidades em Porto Alegre e hoje supre 110 unidades no Rio Grande do Sul.

Historiadores militares gaúchos e suas contribuições

Com a vinda da Missão Militar Francesa (MMF) para o nosso Exército ela ensinava que os fundamentos de Tática, da Estratégia e da Logística brasileiras, a constituírem uma desejável Doutrina genuína do Exército Brasileiro, encontravam-se na bem sucedida História Militar Terrestre do Brasil. E esta passou a ser resgatada de forma crítica militar, à luz da Arte do Soldado. Atividade nobre em que se destacaram historiadores gaúchos do Exército a saber:

O filho de Uruguaiana, Gen Valentim Benício, que junto com o samborjense Gen Emílio Fernandes de Souza Docca e o porto-alegrense Gen Francisco de Paula Cidade, haviam se ligado a idealização, fundação, orientação e direção inicial da Biblioteca do Exército Editora, em 1937, a serviço da criação e desenvolvimento de uma corrente do pensamento militar brasileiro e da publicação de livros de militares do Exército, prioritariamente.

Ação precedida da atuação, três anos antes, do historiador gabrielense Cel Jonathas da Costa Rego Monteiro, idealizador e administrador assinalado do Arquivo do Exército, hoje Arquivo Histórico do Exército. Ele procedeu a um resgate profundo da História da Colônia do Sacramento e da Dominação Espanhola do Rio Grande do Sul (1763-76) e mais outros temas inéditos da História Militar no Rio Grande.

Deram grande impulso à História Militar Terrestre do Rio Grande do Sul os historiadores militares: o gabrielense Gen João Borges Fortes, o pelotense Gen Antônio Rocha Almeida, o taquariense Gen Riograndino da Costa e Silva, os porto-alegrenses generais Rinaldo Pereira da Câmara e Morivalde Calvet Fagundes, o riopardense Cel Deoclécio de Paranhos Antunes e o montenegrense Ten Cel Henrique Oscar Wiedersphan. Como historiador militar contemporâneo registro o gabrielense Osório Santana Figueiredo, sub ten reformado com as obras Terra dos Marechais e Caserna de Bravos, etc. Em Uruguaiana registro o 2º sargento da Reseva Carlos Fonttes com trabalhos ligados a História da 1a Brigada de Cavalaria etc.

Tornou-se o maior historiador militar da Fronteira Oeste, o filho de Cruz Alta, Gen Raul Silveira de Mello. E o maior historiador da FEB e o seu comandante, o gabrielense Mar João Baptista Mascarenhas de Morais. Força Expedicionária que entre seus cinco generais três eram gaúchos, o gabrielense Mal Mascarenhas de Moraes, o comandante da FEB e o filho de Jaguarão, Gen Osvaldo Cordeiro de Farias, o comandante da Artilharia da FEB e o porto-alegrense Francisco de Paula Cidade que seguiu como juiz militar.

Em conjunto eles deram continuidade aos trabalhos de história militar do Brasil, do porto-alegrense Marechal José Bernardino Bormann, também fundador do centenário Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e do historiador da Guerra contra Oribe e Rosas 1851-52; da Guerra do Paraguai, da qual foi combatente e da Guerra Civil de 1893-95. Todos estes ilustres historiadores militares citados que deram um grande impulso à História Militar Terrestre do Brasil, foram consagrados patronos de cadeira da Academia de História Militar Terrestre do Brasil a qual fundamos em 1º de março de 1996 em Resende, A Cidade dos Cadetes. Entidade que aos poucos procura se espraiar através de Delegacias e Academias, como a AHIMTB/RS - Academia Gen Rinaldo Pereira da Câmara, autor da mais completa biografia de um militar brasileiro a do gaúcho porto-alegrense Marechal José Antônio Câmara da Câmara .

Todos os citados, à exceção do General Raul Silveira de Mello tiveram suas obras focalizadas por Pedro Leite Villas Boas em seu Dicionário Bibliográfico gaúcho (Porto Alegre: EST, 1991).

Ao General Francisco de Paula Cidade se deve o monumental Síntese de Três séculos de Literatura Militar Brasileira (Rio de Janeiro: BIBLIEX, 1959), fundamental instrumento de trabalho do historiador militar terrestre brasileiro.

Ao gabrielense Marechal João Baptista Mascarenhas de Morais se deve a História da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que ele comandou à vitória final. Vitória assinalada pela rendição alemã em Fornovo, ato em que representou o Brasil o santanense, então Coronel Nelson de Mello, comandante do 6º RI - Regimento Bandeirante, hoje sediado em Lorena/SP.

Como se pode concluir foi expressiva a projeção do Rio Grande do Sul na História Militar Terrestre do Brasil, através de eventos expressivos que nele tiveram lugar, bem como pela atuação de ilustres gaúchos que lideraram estes eventos e dos que escreveram a bela História Militar Terrestre do Brasil.

  A presença marcante da Brigada Militar

Não pode ser olvidada a presença marcante da Brigada Militar neste século em atuação harmônica e complementar do Exército em tempo de guerra, uma solução inteligente para o Brasil dispor de reservas em caso de conflitos. Saga que foi escrita pelo major PMRS Miguel Pereira, patrono de cadeira especial da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Cadeiras ocupadas pelos historiadores da Brigada Militar Cel José Luiz Silveira, veterano do combate de Cerro Alegre, em Piratini, em 20 de setembro de 1932. A outra cadeira destinada à Brigada Militar teve por patrono, em vida, o Coronel PMRS Hélio Moro Mariante e é ocupada pelo Ten Cel PMRS Aroldo Medina, co-autor da obra Museus do Rio Grande do Sul (hoje na Internet na Página do Gaúcho de Roberto Cohen), obra onde ele integra os diversos relicários comunitários que representam a Memória História Gaúcha, na qual a sua Memória Militar, a fonte de suas maiores tradições como sentinela do Brasil no Sul, estão esquecidas ou minimizadas em seu real valor, como ferramenta a serviço da sobrevivência das nações. No caso em tela, o rico patrimônio militar gaúcho acumulado em mais de 250 anos, onde se destaca o desenvolvimento de uma doutrina militar genuína - A Guerra à gaúcha, que foi em grande parte responsável pela definição e manutenção do destino brasileiro do Rio Grande do Sul. Assunto que abordamos na Revista do CIPEL,1996, que abordou o tema Regionalismo.

A importância do patrimônio cultural militar gaúcho

Patrimônio Cultural Militar é fundamental para a sobrevivência da comunidade brasileira no insondável 3o Milênio e assim definida pelo Marechal Ferdinand Foch, o comandante da Vitória Aliada na 1a Guerra Mundial, depois de ter sido de professor de História Militar da Escola Superior de Guerra da França:



"Para alimentar o cérebro de um Exército na paz, para melhor prepará-lo para a eventualidade indesejável de uma guerra, não existe livro mais fecundo em lições e meditações do que o livro da História Militar de um povo".



E esperamos que a Universidade gaúcha não desconheça esta circunstância e se lembre "de que a guerra é uma grande responsabilidade para ser deixada por conta só dos generais" (Segundo o Ministro francês Clemenceau) . Em consequência a semelhança da UNIRIO ministre cursos de História Militar do Brasil a seus alunos. É o que fazem de longa data as universidades das grandes nações, potências e grandes potências mundiais.

Capa do livro sobre a Pacificação do Contestado, onde foi muito expressiva a participação de tropas da 3ª Região Militar ao Comando do General Fernando Setembrino de Carvalho, filho de Uruguaiana, consagrado o Pacificador do Século XX e patrono da Delegacia da FAHIMTB, em Uruguaiana , que tem por delegado o acadêmico Sargento Carlos Fonttes, historiador militar e artista plástico e autor de várias obras onde se destacam as sobre a Retomada de Uruguaiana das tropas paraguaias que a invadiram em 1865. O General Setembrino, como Ministro da Guerra, criou o dia 25 de Agosto como o Dia do Soldado, no aniversário do Duque de Caxias, o Pacificador do século XIX e patrono do Exército e da FAHIMTB



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