Celebração da Disciplina o caminho do Crescimento Espiritual



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5. A Disciplina do Estudo


Quem estuda somente os homens, adquire o corpo do conhecimento sem a alma; e quem estuda somente os livros, a alma sem o corpo. Quem adiciona a observação àquilo que vê, e reflexão àquilo que lê, está no caminho certo do conhecimento, contanto que ao sondar os corações dos outros, não negligencie o seu próprio.” - Caleb Colton

O propósito das Disciplinas Espirituais é a total transformação da pessoa. Elas visam a substituir os velhos e destruidores hábitos de pensamento por novos hábitos vivificadores. Em parte alguma este propósito é visto mais claramente do que na Disciplina do estudo. O apóstolo Paulo diz que o modo de sermos transformados é mediante a renovação da mente (Romanos 12:2). A mente é renovada aplicando-se a ela as coisas que a transformarão. “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8). A Disciplina do estudo é o veículo básico que nos leva a ocupar o pensamento. Assim, devemos regozijar-nos pois não estamos por conta de nossos próprios inventos, mas recebemos este recurso da graça de Deus para a transformação de nossa disposição interior.

Muitos cristãos permanecem em sujeição a temores e ansiedades simplesmente porque não se beneficiam da Disciplina do estudo. Talvez sejam fiéis em sua freqüência à igreja e desejosos de cumprir seus deveres religiosos, mas ainda não estão sendo transformados. Não estou aqui falando dos que manifestam meras formas religiosas, mas dos que verdadeiramente buscam adorar e obedecer a Jesus Cristo como Senhor e Mestre. Talvez cantem com prazer, orem no Espírito, vivam tão obedientemente quanto sabem, até mesmo recebam visões e revelações divinas; não obstante, o tom de suas vidas permanece inalterado. Por quê? Porque nunca se dedicaram a uma das principais formas que Deus usa para mudar-nos: o estudo.

Jesus deixou inconfundivelmente claro que o conhecimento da verdade é que nos liberta. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Os bons sentimentos não nos libertarão. Experiências extáticas não nos libertarão.

Estar “inebriado com Jesus” não nos libertará. Sem o conhecimento da verdade, não seremos libertos.

O princípio é verdadeiro em qualquer área do esforço humano. É verdadeiro em Biologia e em Matemática. É verdadeiro no casamento e em outras relações humanas. Mas é especialmente verdadeiro com referência à vida espiritual.

Muitos estão embaraçados e confusos no andar espiritual por simples ignorância da verdade. Pior ainda, muitos têm sido levados à mais cruel escravidão por ensinamentos falsos. “Rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós” (Mateus 23:15).

Apliquemo-nos, pois, a aprender o que constitui a Disciplina Espiritual do estudo, a fim de identificar suas ciladas, praticá-la com alegria e experimentar o livramento que ela traz.


Que é Estudo?


Estudo é um tipo específico de experiência em que, mediante cuidadosa observação de estruturas objetivas, levamos os processos de pensamento a moverem-se numa determinada direção. Por exemplo, tomemos o estudo de um livro.

Vemo-lo, sentimo-lo. À medida que o estudamos, nossos processos de pensamento assumem uma ordem que se conforma à do livro. Quando feito com concentração, percepção e repetição, formam-se hábitos arraigados de pensamento.

O Antigo Testamento instrui no sentido de as leis serem escritas nas portas e nos umbrais das casas, e atadas aos punhos, de sorte que “estejam por frontal entre vossos olhos” (Deuteronômio 11:18). A finalidade dessa instrução era dirigir a mente de forma repetida e regular a certos modos de pensamento referentes a Deus e às relações humanas. Evidentemente, o Novo Testamento substitui as leis escritas nos umbrais das casas por leis escritas no coração, e nos leva a Jesus, nosso Mestre interior e sempre presente.

Devemos esclarecer, uma vez mais, que os arraigados hábitos de pensamento que se formam, conformar-se-ão à ordem da coisa que está sendo estudada. O que estudamos determina que tipos de hábitos devem ser formados. Por isso é que Paulo insistia em que nos ocupássemos das coisas que são verdadeiras, respeitáveis, justas, amáveis e de boa fama.

O processo que ocorre no estudo deve distinguir-se da meditação. Esta é devocional; o estudo é analítico. A meditação saboreará a palavra; o estudo a explicará.

Embora a meditação e o estudo muitas vezes se superponham e funcionem concorrentemente, constituem duas experiências distintas. O estudo proporciona determinada estrutura objetiva dentro da qual a meditação pode funcionar com êxito.

No estudo há dois “livros” a serem estudados: verbal e não verbal. Livros e preleções constituem, portanto, apenas metade do campo de estudo, talvez menos.

O mundo da natureza e, muitíssimo importante, a observação cuidadosa dos acontecimentos e das ações são os campos básicos do estudo não verbal.

O objetivo principal do estudo é a percepção da realidade de uma determinada situação, encontro, livro, etc. Por exemplo, uma pessoa poderia estar envolvida no escândalo de Watergate sem perceber, mesmo de leve, a verdadeira natureza dessa trágica situação. Mas se uma pessoa observasse e refletisse cuidadosamente sobre o que estava ocorrendo, aprenderia um bocado de coisas.

Quatro Passos


O estudo envolve quatro passos. O primeiro é a repetição. A repetição é uma forma de canalizar a mente de modo regular, numa direção específica, firmando assim hábitos de pensamento. A repetição desfruta, hoje, de certa má fama.

Contudo, é importante reconhecer que a pura repetição, mesmo sem entender o que está sendo repetido, em realidade, afeta a mente interior. Hábitos arraigados de pensamento podem ser formados apenas pela repetição, mudando assim o comportamento. Esse é o princípio lógico central da psicocibernética, que treina o indivíduo para repetir certas afirmações regularmente (por exemplo, amo a mim mesmo incondicionalmente). Nem mesmo é importante que a pessoa creia naquilo que está repetindo; basta que seja repetido. A mente interior é assim treinada, e afinal responderá modificando o comportamento para conformar-se à afirmação. Naturalmente, este princípio tem sido conhecido durante séculos, mas só em anos recentes recebeu confirmação científica.

É por isso que a programação de televisão tem tanta importância. Com inumeráveis crimes cometidos todas as noites no horário nobre da TV, a própria repetição treinará a mente interior em padrões de pensamento destruidor.

A concentração é o segundo passo no estudo. Se além de conduzir a mente repetidas vezes ao assunto em questão a pessoa concentrar-se no que está sendo estudado, a aprendizagem aumenta sobremaneira. A concentração centraliza a mente. Ela prende a atenção na coisa que está sendo estudada. A mente humana tem capacidade incrível de concentrar-se. Ela está a todo instante recebendo milhares de estímulos, cada um dos quais capaz de armazenar-se em seus bancos de memória enquanto se concentra nuns poucos apenas. Esta capacidade natural do cérebro aumenta quando, com unidade de propósito, concentramos nossa atenção num desejado objeto de estudo.

Quando não apenas de maneira repetida canalizamos a mente num determinado sentido, concentrando nossa atenção no assunto, mas entendemos o que estamos estudando, então atingimos um novo nível. A compreensão é, pois, o terceiro passo na Disciplina do estudo; ela leva à introspecção e ao discernimento; também provê a base para uma verdadeira percepção da realidade.

Há necessidade de mais um passo: a reflexão. Embora a compreensão defina o que estamos estudando, a reflexão determina o seu significado. Refletir sobre os acontecimentos de nosso tempo, ruminá-los, são atos que nos levam à realidade interior desses acontecimentos. A reflexão faz-nos ver as coisas da perspectiva de Deus. Na reflexão chegamos a entender, não somente a matéria de nosso estudo, mas a nós mesmos. Jesus falou muitas vezes dos ouvidos que não ouvem e dos olhos que não vêem. Quando ponderamos o significado do que estudamos, chegamos a ouvir e ver as coisas de maneira nova.

Logo se torna óbvio que o estudo demanda humildade. Isto não acontece enquanto não estivermos dispostos a sujeitar-nos à matéria que estudamos. Devemos submeter-nos ao sistema. Devemos vir como aluno, não como professor. O estudo não só depende diretamente da humildade, mas é conducente a ela. Arrogância e espírito dócil excluem-se mutuamente.

Todos nós conhecemos indivíduos que seguiram algum curso de estudo ou alcançaram algum grau acadêmico, que alardeiam seus conhecimentos de modo ofensivo. Devemos sentir profunda tristeza por tais pessoas. Elas não entendem a Disciplina Espiritual do estudo. Confundiram o acúmulo de informações com conhecimento. Equiparam verborragia com sabedoria. Que tragédia! O apóstolo João definiu vida eterna como o conhecimento de Deus. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Mesmo um toque deste conhecimento experimental é suficiente para dar-nos um profundo senso de humildade.

Pois bem, havendo lançado a base, passemos a considerar a realização prática da Disciplina do estudo.

Estudo de Livros


Quando consideramos o estudo é muito natural pensarmos em livros ou outros escritos. Embora constituam apenas metade do campo, conforme afirmei anteriormente, e a metade mais óbvia, eles são muito importantes.

Infelizmente, muitos parecem pensar que estudar um livro é tarefa simples. Não há dúvida de que a atitude petulante explica o motivo dos pobres hábitos de leitura de muitas pessoas. O estudo de um livro é matéria extremamente complexa, de modo especial para o novato. Como no tênis ou na datilografia, quando se aprende a matéria pela primeira vez, parece haver mil detalhes a serem dominados e a pessoa se pergunta como é possível a um pobre mortal conservar tudo em mente ao mesmo tempo. Contudo, uma vez que se adquire proficiência, a mecânica torna-se uma segunda natureza e a pessoa pode concentrar-se no jogo de tênis ou no material a ser datilografado.

A mesma coisa se verifica com o estudo de um livro. O estudo é uma arte exigentíssima que envolve um labirinto de pormenores. O principal obstáculo é convencer as pessoas de que elas devem aprender a estudar. A maioria das pessoas supõe que pelo fato de saberem ler as palavras, sabem por isso mesmo estudar. Esta limitada compreensão da natureza do estudo explica por que tantas pessoas beneficiam-se tão pouco da leitura de livros.

Três regras intrínsecas e três extrínsecas comandam o estudo bem-sucedido de um livro.

As regras intrínsecas podem, no começo, necessitar de três leituras separadas, mas com o tempo elas podem ser feitas simultaneamente. A primeira leitura envolve entender o livro: o que é que o autor está dizendo? A segunda leitura envolve interpretar o livro: o que é que o autor quer dizer? A terceira leitura envolve avaliar o livro: está o autor certo ou errado? A tendência de muitos de nós é no sentido de fazer a terceira leitura e freqüentemente nunca fazer a primeira e a segunda. Fazemos uma análise crítica de um livro antes de entendermos o que ele diz. Julgamos um livro certo ou errado antes de interpretarmos seu significado. O sábio escritor de Eclesiastes disse que há tempo para cada coisa debaixo do céu, e o tempo para a análise crítica de um livro vem depois de cuidadoso entendimento e interpretação.

Todavia, as regras intrínsecas de estudo são, em si mesmas, insuficientes. Para ler com êxito, precisamos dos auxílios extrínsecos da experiência, de outros livros e da discussão ao vivo.

A experiência é o único meio de podermos interpretar o que lemos e de relacionar-nos com o que lemos. A experiência que foi entendida e foi alvo de nossa reflexão, informa e ilumina nosso estudo.

No que se refere a livros, podemos incluir dicionários, comentários e outra literatura interpretativa, porém mais significativos são os livros que precedem ou favorecem o problema que está sendo estudado. É freqüente que os livros tenham significado somente quando lidos em relação com outros livros. Por exemplo, as pessoas acharão quase impossível entender Romanos ou Hebreus sem base na literatura do Antigo Testamento. Os grandes livros que se dedicam aos problemas principais da vida interagem entre si. Não podem ser lidos isoladamente.

A discussão ao vivo refere-se à interação comum que ocorre entre os seres humanos à medida que perseguem um determinado curso de estudo. Interagimos com o autor, interagimos uns com os outros, e assim nascem novas idéias criativas.

O primeiro e mais importante livro que devemos estudar é a Bíblia. O salmista perguntou: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho?” E ele respondeu à sua própria pergunta: “Observando-o segundo a tua palavra”, e acrescentou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar, contra ti” (Salmo 111:9, 11). Provavelmente a “palavra” a que o salmista se refere seja a Torá. Os cristãos, através dos séculos, têm confirmado esta verdade em seu estudo das Escrituras. “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16, 17). Observe que o propósito central não é pureza doutrinária (embora esta, sem dúvida, esteja envolvida) mas a transformação interior. Quando vamos à Escritura vamos para ser transformados, não para acumular informações.

Devemos entender, porém, que existe uma vasta diferença entre o estudo bíblico e a leitura devocional da Bíblia. No estudo bíblico dá-se alta prioridade à interpretação: o que significa. Na leitura devocional, dá-se alta prioridade à aplicação: o que significa para mim. No estudo, não buscamos êxtase espiritual; com efeito, o êxtase pode ser um obstáculo. Quando estudamos um livro da Bíblia, buscamos ser controlados pela intenção do autor. Resolvemos ouvir o que ele diz, e não o que gostaríamos que ele dissesse. Estamos dispostos a pagar o preço de um dia estéril após outro, até que o significado nos seja claro. Este processo revoluciona-nos a vida.

O apóstolo Pedro encontrou algumas coisas nas epí stolas de “nosso amado irmão Paulo” que eram “difíceis de entender” (2 Pedro 3:15,16). Se Pedro pensou assim, nós também pensaremos. Necessitamos de trabalhar no assunto. A leitura devocional diária é, certamente, recomendável, porém ela não é estudo. Quem estiver buscando “uma palavrinha do Senhor para hoje” não está interessado na Disciplina do estudo.

A Escola Dominical para o adulto médio é por demais superficial e devocional para ajudar-nos a estudar a Bíblia, muito embora algumas igrejas creiam suficientemente no estudo a ponto de oferecer cursos sérios sobre a Bíblia.

Talvez você more nas proximidades de um seminário ou de uma universidade onde pode freqüentar cursos como ouvinte. Neste caso, você é feliz, especialmente se encontrar um professor que distribua vida bem como informações. Se, porém, esse não for o caso (e mesmo que o seja), você pode tomar algumas providências para começar o estudo da Bíblia.

Algumas de minhas mais proveitosas experiências de estudo vieram mediante a estruturação de um retiro privado para mim mesmo. Em geral isto leva de dois a três dias. Sem dúvida você objetará que devido ao seu horário, não lhe é possível encontrar o tempo necessário.

Quero que você saiba que não é mais fácil para mim conseguir esse tempo do que para qualquer outra pessoa. Luto e esforço-me por conseguir cada retiro, programando-o em minha agenda com muitas semanas de antecedência. Tenho sugerido esta idéia a grupos, e tenho verificado que os profissionais com horários sobrecarregados, operários com horários rígidos, donas-de-casa com família grandes, e outros, podem, com efeito, encontrar tempo para um retiro de estudo privado. Descobri que o mais difícil problema não é encontrar tempo mas convencer-me de que é muito importante encontrar tempo.

A Bíblia diz que após a maravilhosa ressurreição de Dorcas, Pedro “ficou em Jope muitos dias em casa de um curtidor, chamado Simão” (Atos 9:43). Foi durante essa estada em Jope que o Espírito Santo levou Pedro a compreender (com auxílios visuais, é claro) seu racismo. Que teria acontecido se Pedro, em vez de permanecer aí, tivesse partido para vários lugares a fim de falar sobre a ressurreição de Dorcas? É possível que ele não tivesse compreendido aquela visão esmagadora recebida do Espírito Santo, “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (Atos 10:34, 35)? Ninguém sabe. Mas isto sei: Deus tem para nós vários lugares de “estada” onde ele possa ensinar-nos de um modo especial.

Para muitos, um fim de semana é uma boa oportunidade para tal experiência.

Outros podem arranjar algum tempo no meio da semana. Se apenas um dia for possível, com freqüência o domingo é excelente.

O melhor lugar é o que estiver longe de casa. Deixar a casa não só nos liberta do telefone e das responsabilidades domésticas, mas também dispõe nossa mente para uma atitude de estudo. Alguns locais como hotéis, chalés, cabanas, funcionam bem. Acampar é menos desejável visto que a gente se distrai com outras atividades.

Retiros de grupos quase nunca levam o estudo a sério, por isso você precisará, certamente, de organizar seu próprio retiro. Uma vez que você está sozinho, terá de disciplinar a si mesmo e a seu tempo com cuidado. Se você é novo no assunto, não vai querer exagerar e dessa forma esgotar-se. Com experiência, porém, você pode esperar realizar umas dez a doze horas de bom estudo cada dia.

Que deve você estudar? Isso depende de sua necessidade. Não sei quais são suas necessidades; sei, porém, que uma das grandes necessidades dos cristãos hoje é simplesmente da leitura de grandes porções da Bíblia. Grande parte de nossa leitura bíblica é fragmentada e esporádica. Conheço estudantes que fizeram cursos de Bíblia e nunca leram, nem mesmo como um todo, o livro da Bíblia que estava sendo estudado. Considere pegar um grande livro da Bíblia, como Gênesis ou Jeremias, e lê-lo do começo ao fim. Observe a estrutura e o desenvolvimento do livro. Note áreas de dificuldades e volte a elas mais tarde. Anote os pensamentos e as impressões. Às vezes é bom combinar o estudo da Bíblia com o estudo de algum grande clássico devocional. Essas experiências de retiro podem transformar sua vida.

Outro método de estudar a Bíblia é tomar um livro menor, como Efésios ou 1 João, e lê-lo por inteiro, todos os dias, durante um mês. Mais do que qualquer outro esforço isolado, isto porá em sua mente a estrutura do livro. Leia-o sem tentar encaixá-lo em categorias estabelecidas. Espere ouvir coisas novas em novas formas. Mantenha um diário de suas descobertas. No desenrolar desses estudos, obviamente você desejará fazer uso dos melhores auxílios disponíveis.

Além de estudar a Bíblia, não se esqueça de estudar alguns dos clássicos experienciais da literatura cristã. Comece com as Confissões de Sto. Agostinho. A seguir, volte-se para a Imitação de Cristo, de Thomas de Kempis. Não negligencie The Practice of the Presence of God (Prática da Presença de Deus), do Irmão Lawrence. Para maior prazer, leia The Little Flowers of St. Francis (As Florezinhas de S. Francisco), pelo Irmão Ugolino. Talvez, a seguir, você desejasse algo um pouco mais pesado, como os Pensamentos, de Pascal. Desfrute de Table Talks (Conversas à Mesa), de Martinho Lutero, antes de entrar na Instituição da Religião Cristã, de Calvino. Considere a leitura do pioneiro na escrita de diário religioso, The Journal of George Fox (Diário de George Fox), ou talvez o mais conhecido Diário de João Wesley. Leia com atenção A Serious Call to a Devout and Holy Life (Apelo a uma Vida Devota e Santa), de William Law (as palavras dessa obra trazem um tom contemporâneo). De autores do século vinte, leia A Testament of Devotion (Testamento de Devoção), por Thomas Kelly; The Cost of Discipleship (O Custo do Discipulado), por Dietrich Bonhoeffer, e A Essência do Cristianismo Autêntico, de C. S. Lewis.

Cabe aqui uma palavra de advertência. Não se deixe vencer nem desanimar pela quantia dos livros que não tenha lido. É provável que você não leu todos os que aqui arrolamos, mas, sem dúvida, leu outros que não mencionamos. Os que foram arrolados, foram-no com o intuito de dar ânimo ao leitor, demonstrando, também, a excelente quantidade de literatura que temos à nossa disposição para guiar-nos na caminhada espiritual. Muitos outros têm percorrido o mesmo caminho e têm deixado marcos. Lembre-se de que a chave da Disciplina do estudo não é ler muitos livros, mas ter experiência daquilo que lemos.

Estudo de “Livros não Verbais”


Chegamos ao menos reconhecido mas talvez o mais importante campo de estudo: a observação da realidade nas coisas, nos acontecimentos e nas ações. O ponto mais fácil por onde começar é a natureza. Não é difícil ver que a ordem criada tem algo para ensinar-nos.

Isaías diz que “... os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas” (Isaías 55:12). A obra das mãos do Criador pode falar a nós e ensinar-nos, se estivermos dispostos a ouvir. Martin Buber conta a história do rabino que ia a uma lagoa todos os dias ao amanhecer a fim de aprender “o hino que as rãs entoam em louvor a Deus”.

Começamos o estudo da natureza prestando atenção. Vemos flores ou pássaros.

Observamo-los cuidadosa e reverentemente. André Gide descreve a ocasião em que, durante uma aula, observou uma mariposa que saía de sua crisálida. Ele se encheu de maravilha, espanto e alegria em face desta metamorfose, desta ressurreição. Todo entusiasmado ele mostrou-a ao professor que respondeu com uma nota de desaprovação: “Grande coisa! Não sabia você que a crisálida é o envoltório da borboleta? Toda borboleta que você vê surgiu de uma crisálida. É perfeitamente natural.” Desiludido, Gide escreveu: “Sim, de fato, eu conhecia História Natural também, talvez melhor do que ele... Mas, pelo fato de ser natural, não podia ele ver que era maravilhoso? Pobre criatura! A partir desse dia, senti pena dele e aversão a suas lições.” Quem não sentiria? O professor de Gide havia apenas acumulado informações; ele não havia estudado. Por isso, o primeiro passo no estudo da natureza é a observação reverente. Uma folha pode falar de ordem e variedade, de complexidade e de simetria. Evelyn Underhill escreveu:

Concentre-se, como os exercícios de recordar ensinaram-lhe a fazê-lo. Depois, com atenção e, não mais disperso entre os pequenos acidentes e interesses de sua vida pessoal, mas equilibrado, ereto, pronto para o trabalho que você demandará desse mister, procure alcançar, por um distinto ato de amor uma das miríades de manifestações da vida que o circunda, as quais, de uma forma costumeira, dificilmente você nota, a menos que aconteça você necessitar delas.

Lance-se a ele; não atraia a imagem dele ara você. Atenção deliberada - mais ata, apaixonada - uma atenção que logo transcende a consciência de si mesmo, como separada da coisa vista e a esta assistindo; esta é a condição do êxito.

Quanto ao objeto de contemplação, pouco importa. Dos Alpes ao inseto, tudo é válido, contanto que sua atitude seja reta; pois todas as coisas neste mundo que você deseja alcançar estão ligadas umas às outras, e uma delas verdadeiramente apreendida será a porta para as restantes.”

O passo seguinte é fazer-se amigo das flores, das árvores e das pequenas criaturas que rastejam pela terra. Como o Dr. Doolittle da fábula, converse com os animais. Está claro que não podemos, em realidade, conversar com eles... ou será que podemos? Há, por certo, uma comunicação que ultrapassa as palavras - os animais, até mesmo as plantas, parecem responder à nossa amizade e compaixão. Sei disto porque já fiz experiências neste sentido, e também o fizeram alguns cientistas de primeira, e temos verificado que é verdadeiro.

Talvez as histórias a respeito de S. Francisco de Assis domesticando o lobo de Gubbio e pregando aos pássaros não sejam improváveis. Disto podemos estar certos: se amarmos a criação, aprenderemos com ela. Em Os irmãos Karamazov, Dostoievski aconselhou:

“Ame toda a criação de Deus, o todo e cada grão de areia que nela há. Ame cada folha, cada raio de luz de Deus. Ame os animais, ame as plantas, ame tudo. Se você amar tudo, perceberá o mistério divino nas coisas. Percebido o mistério, você poderá compreendê-lo melhor cada dia.”

Há, naturalmente, além da natureza muitos outros “livros” que deveríamos estudar. Se você observar as relações que ocorrem entre os seres humanos, receberá uma educação de nível pós-graduação. Veja, por exemplo, quanto do que falamos visa a justificar nossas ações. Achamos quase impossível agir e deixar que o ato fale por si mesmo. Não; devemos explicá-lo, justificá-lo, demonstrar sua justeza. Por que sentimos esta compulsão de explicar tudo direitinho? Por causa do orgulho e do medo. Nossa reputação está em jogo!

Esse traço é particularmente fácil de observar entre vendedores, escritores, pregadores, professores - todos quantos ganham a vida fazendo bom uso das palavras. Se porém, fizermos de nós mesmos um dos principais assuntos de estudo, aos poucos nos livraremos da arrogância. Seremos incapazes de orar como o fariseu: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens...” (Lucas 18:11).

Atente bem para os relacionamentos comuns que você encontra durante o dia: em casa, no trabalho, na escola. Note as coisas que controlam as pessoas.

Lembre-se: você não está tentando condenar ou julgar ninguém; você está apenas procurando aprender.

Conforme mencionei acima, nós mesmos deveríamos conhecer as coisas que nos controlam. Observe seus sentimentos interiores e variações de ânimo. Que é que controla seus ânimos? Que é que você pode aprender daí a respeito de si mesmo?

Ao fazer tudo isto, não estamos tentando tomar-nos psicólogos ou sociólogos amadores. Nem estamos obsecados por excessiva introspecção. Estudamos essas matérias com espírito de humildade e tendo necessidade de uma grande dose de graça. Desejamos apenas seguir a máxima de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo.” E mediante o bendito Espírito Santo esperamos que Jesus seja nosso Mestre vivo e sempre presente.

Faríamos bem em estudar instituições e culturas, bem como as forças que as modelam. Deveríamos, também, ponderar sobre os acontecimentos de nosso tempo - notando primeiro, com espírito de discernimento, o que nossa cultura pensa ser ou não ser um “grande acontecimento”. Examine os sistemas de valor de uma cultura - não o que as pessoas dizem ser, mas o que realmente são. E um dos mais nítidos meios de ver os valores de nossa cultura é observar os comerciais de televisão.

Faça perguntas. De que se constituem o ativo e o passivo de uma sociedade tecnológica? Por que achamos difícil, em nossa cultura, encontrar tempo para desenvolver relacionamentos? É o individualismo Ocidental valioso ou destruidor? Que elementos, em nossa cultura, estão alinhados com o evangelho, e quais estão em desacordo? Uma das mais importantes funções dos profetas cristãos de nossos dias é perceber as conseqüências de várias invenções e de outras forças culturais e formular juízos de valor a respeito delas.

O estudo produz alegria. Como todo novato, acharemos difícil trabalhar no começo. Mas quanto maior nossa proficiência, tanto maior nossa alegria.

Alexander Pope disse: “Não há estudo que não seja capaz de deleitar-nos depois de uma pequena aplicação a ele.” O estudo é digno de nosso mais sério esforço.



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