Celebração da Disciplina o caminho do Crescimento Espiritual



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7. A Disciplina da Solitude


Aquieta-te em solitude e encontrarás o Senhor em ti mesmo.” - Teresa de Ávila

Jesus chama-nos da solidão para a solitude. O medo de ficarem sozinhas petrifica as pessoas. Uma criança que muda para uma nova vizinhança diz, em soluços, à sua mãe: “Ninguém brinca comigo.” Uma caloura na faculdade suspira pelos dias de ginásio quando era o centro de atenção: “Agora, sou uma figura apagada.” Um executivo abatido em seu escritório, poderoso, não obstante, sozinho. Uma senhora idosa reside em um lar de velhos aguardando a hora de ir para o “Lar”.

Nosso medo de ficar sozinhos impulsiona-nos para o barulho e para as multidões.

Conservamos uma constante torrente de palavras mesmo que sejam ocas. Compramos rádios que prendemos ao nosso pulso ou ajustamos aos nossos ouvidos de sorte que, se não houver ninguém por perto, pelo menos não estamos condenados ao silêncio. T. S. Eliot analisou muito bem nossa cultura quando disse: “Onde deve ser encontrado o mundo em que ressoará a palavra? Aqui não, pois não há silêncio suficiente.”

Mas a solidão ou o barulho não são nossas únicas alternativas. Podemos cultivar uma solitude em silêncio interiores que nos livram da solidão e do medo. Solidão é vazio interior. Solitude é realização interior. Solitude não é, antes de tudo, um lugar, mas um estado da mente e do coração.

Há uma solitude do coração que pode ser mantida em todas as ocasiões. As multidões, ou a sua ausência, têm pouco que ver com este estado atentivo interior. É perfeitamente possível ser um eremita e viver no deserto e nunca experimentar a solitude. Mas se possuirmos solitude interior nunca teremos medo de ficar sozinhos, pois sabemos que não estamos sós. Nem tememos estar com outros, pois eles não nos controlam. Em meio ao ruído e confusão encontramos calma num profundo silêncio interior.

A solitude interior há de manifestar-se exteriormente. Haverá a liberdade de estar sozinhos, não para nos afastarmos das pessoas, mas para poder ouvi-las melhor. Jesus viveu em “solitude do coração” interior. Também freqüentemente experimentou solitude exterior.

Ele começou seu ministério passando quarenta dias sozinho no deserto (Mateus 4:1-11).

Antes de escolher os doze, ele passou a noite inteira sozinho no monte deserto (Lucas 6:12).

Quando recebeu a notícia da morte de João Batista, Jesus “retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte” (Mateus 14:13).

Após a alimentação miraculosa dos cinco mil, Jesus mandou que os discípulos partissem; então ele despediu as multidões e “subiu ao monte a fim de orar sozinho...” (Mateus 14:23).

Após uma longa noite de trabalho, “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava” (Marcos 1:35).

Quando os doze retornaram de uma missão de pregação e curas, Jesus os instruiu: “Vinde repousar um pouco, à parte...” (Marcos 6:31).

Depois da cura de um leproso, Jesus “se retirava para lugares solitários, e orava” (Lucas 5:16).

Com três discípulos ele buscou o silêncio de um monte solitário como palco para a transfiguração (Mateus 17:1-9).

Enquanto se preparava para sua mais sublime e mais santa obra, Jesus buscou a solitude do jardim do Getsêmani (Mateus 26:36-46).

Pode-se prosseguir, mas talvez isto seja suficiente para mostrar que a busca de um lugar solitário era uma prática regular de Jesus. Igualmente deve ser conosco.

Em Life Together (Vida Juntos), Dietrich Bonhoeffer deu a um de seus capítulos o título de “O Dia Juntos”, e com percepção intitulou o capítulo seguinte “O Dia Sozinho”. Ambos são fundamentais para o êxito espiritual. Escreveu ele:

Aquele que não pode estar sozinho, tome cuidado com a comunidade. ... Aquele que não está em comunidade, cuidado com o estar sozinho. ... Cada uma dessas situações tem, de si mesma, profundas ciladas e perigos. Quem desejar a comunhão sem solitude mergulha no vazio de palavras e sentimentos, e quem busca a solitude sem comunhão perece no abismo da vaidade, da auto-enfatuação e do desespero.”

Portanto, se desejarmos estar com os outros de modo significativo, devemos buscar o silêncio recriador da solitude. Se desejamos estar sozinhos em segurança, devemos buscar a companhia e a responsabilidade dos outros. Se desejamos viver em obediência, devemos cultivar a ambos.


Solitude e Silêncio


Sem silêncio não há solitude. Muito embora o silêncio às vezes envolva a ausência de linguagem, ele sempre envolve o ato de ouvir. O simples refrear-se de conversar, sem um coração atento à voz de Deus, não é silêncio.

Devemos entender a ligação que há entre solitude interior e silêncio interior.

Os dois são inseparáveis. Todos os mestres da vida interior falam dos dois de um só fôlego. Por exemplo, a Imitação de Cristo, que tem sido a obra-prima incontestável da literatura devocional durante cinco séculos, tem uma seção intitulada “Do amor da solidão e do silêncio”. Dietrich Bonhoeffer faz dos dois um todo inseparável em Vida Juntos, como o faz Thomas Merton em Thoughts in Solitude (Pensamentos em Solitude). Com efeito, lutamos por algum tempo tentando resolver se daríamos a este capítulo o título de Disciplina da solitude ou Disciplina do silêncio, tão estreitamente ligados são os dois em toda a importante literatura devocional. Devemos, pois, necessariamente entender e experimentar o poder transformador do silêncio se desejamos conhecer a solitude.

Diz um antigo provérbio: “O homem que abre a boca, fecha os olhos!” A finalidade do silêncio e da solitude é poder ver e ouvir. O controle, e não a ausência de ruído, é a chave do silêncio. Tiago compreendeu claramente que a pessoa capaz de controlar a língua é perfeita (Tiago 3:1-12). Sob a Disciplina do silêncio e da solitude aprendemos quando falar e quando refrear-nos de falar. A pessoa que considera as Disciplinas como leis, sempre transformará o silêncio em algo absurdo: “Não falarei durante os próximos quarenta dias!” Esta é sempre uma grave tentação para o verdadeiro discípulo que deseja viver em silêncio e solitude. Thomas de Kempis escreveu: “É mais fácil estar totalmente em silêncio do que falar com moderação.” O sábio pregador de Eclesiastes disse que há “tempo de estar calado, e tempo de falar” (Eclesiastes 3:7). O controle é a chave.

As analogias que Tiago faz do leme e dos freios, sugerem que a língua tanto guia como controla. Ela guia nosso curso de muitas formas. Se contamos uma mentira, somos levados a contar mais mentiras para encobrir a primeira. Logo somos forçados a comportar-nos de modo a darmos crédito à mentira. Não admira que Tiago tenha dito: “a língua é fogo” (Tiago 3:6).

A pessoa disciplinada é a que pode fazer o que precisa ser feito quando precisa ser feito. O que caracteriza uma equipe de basquetebol num campeonato é ser ela capaz de marcar pontos quando necessários. Muitos de nós podemos encestar a bola, mas não o fazemos quando necessário. Do mesmo modo, uma pessoa que está sob Disciplina do silêncio é a que pode dizer o que necessita ser dito no momento em que precisa ser dito. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Provérbios 25:11). Se ficamos calados quando deveríamos falar, não estamos vivendo na Disciplina do silêncio. Se falamos quando deveríamos estar calados, novamente erramos o alvo.



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