Centro de Ciências Biológicas e da Saúde



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Universidade Federal de Viçosa

Centro de Ciências Biológicas e da Saúde


Departamento de Nutrição e Saúde

NUT 642 – Epidemiologia Nutricional




Professor: Adelson Luiz Araújo Tinoco

Aluna: Ana Augusta Monteiro Cavalcante
RESUMO DO ARTIGO “UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE A NATUREZA, AS CAUSAS E O TRATAMENTO DO ESCORBUTO”:

Autor: James Lind, 1753.

PREFÁCIO:

O tema tratado neste artigo foi de grande importância para a Inglaterra do Século VIII, cuja frota era considerada a mais poderosa do mundo e o comércio, o mais pungente. O autor chama a atenção para o fato das guerras não terem dizimado mais homens pela espada do que pela doença escorbútica, cuja história natural foi descrita pela primeira vez por Sir Peter (Richard) Hawkins, 150 anos antes, em suas observações durante uma travessia pelos mares do sul. Sir Richard considerou a enfermidade uma pestilência na época, devido a grande quantidade de marinheiros por ela dezimados.


AS CAUSAS DO ESCORBUTO:

Durante dois cruzeiros realizados no Canal da Mancha, em 1746 e 1747 respectivamente, a bordo do Navio Salisbury da frota Real Inglesa, James Lind pode observar como se desencadeava violentamente a Doença Escorbútica.

Particularmente naquele cruzeiro, Dr. Lind, como oficial médico do navio fez suas observações como um epidemiologista (MÉTODO DE OBSERVAÇÃO): A água de provisão era potável; a qualidade dos produtos alimentícios era boa; as pessoas que adoeceram de escorbuto foram bem alimentadas com alimentos frescos (caldos de cordeiro, aves e carne bovina). Assim mesmo ao chegarem ao porto de Plymounth, dos 350 homens a bordo, 80 tinham adquirido o Escorbuto.

Outra observação feita foi que ambos os cruzeiros tinham sido realizados durante os meses de abril, maio e junho, meses em que o tempo no Canal da Mancha era frio, chuvoso e nebuloso.



Dr. Lind em suas observações atribuiu as causas ao escorbuto:

Como causa primária do escorbuto o fator umidade, especialmente porque os marinheiros pioravam após tormentas de chuvas no mar, quando tinham que se deitar em camas molhadas e permanecer com suas vestimentas úmidas.

Como causa secundária da doença ele atribuiu ao fato da umidade exercer uma maior influência sobre aqueles marinheiros de temperamento mais melancólico, muito debilitados por enfermidades prévias, sem exercer atividades físicas que estavam mais susceptíveis a ficarem doentes.

Concluiu que a prolongada permanência deste mau tempo, raramente deixaria de ocasionar o aparecimento do escorbuto no mar.

Observou também que todos aqueles marinheiros, uma vez afetados pela doença, tornavam-se mais susceptíveis ao escorbuto que os demais.
Dr. Lind iniciou uma nova fase da investigação (MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO). Começou a investigar a dieta que os marinheiros eram obrigados a comer em alto mar e concluiu que sua composição era totalmente inadequada, consistente de farinhas doces não fermentadas, carnes ou pescados (secos ou conservados em salmouras).
PREVENÇÃO DO ESCORBUTO:

Nesta fase Dr. Lind já podia mostrar algumas conclusões sobre como prevenir o aparecimento do Escorbuto nos marinheiros. E o fez através de experimentos utilizando um Delineamento Experimental para Testar Hipótese através de um Ensaio Clínico Controlado e Randomizado:



  • Amostra: 12 enfermos recebidos a bordo do Navio Salisbury em alto mar, com sinais e sintomas similares de Escorbuto.

  • Dieta: todos os enfermos receberam uma dieta básica com bananas, caldo de cordeiro fresco, pudins, bolachas cozidas com açúcar, cevada, passas de Corinto, arroz e passas, sagu e vinho.

  • Dieta + Intervenção terapêutica: A amostra foi repartida em 6 sub-amostras, cada qual recebeu a Dieta Básica + Intervenção terapêutica diferente.

    1. Dois enfermos receberam além desta dieta: ¼ de garrafa de sidra.

    2. Outros dois tomavam além da dieta: 25 gotas de elixir com o estômago vazio e faziam gargarejos com este elixir.

    3. Outros dois além da dieta tomavam 2 colheradas de vinagre, 3 x dia com o estômago vazio, suas comidas eram bem temperadas com vinagre e ainda faziam gargarejos com solução de vinagre.

    4. Dois enfermos em pior estado foram submetidos a regime com água do mar.

    5. Outros dois recebiam 2 laranjas e 1 limão por dia, que comiam com o estômago vazio.

    6. Outros dois recebiam diariamente sementes de noz moscada 3 x dia + mistura de ingredientes secos.


Resultados obtidos:

Após 6 dias, os efeitos mais repentinos e visivelmente bons, foi na sub-amostra que consumiu laranjas e limões. Os 2 marinheiros estavam curados e já em condições de retornar ao trabalho.


Conclusões:

O Dr. Lind considerou que, no mar, laranjas + limões eram o tratamento mais efetivo da enfermidade sscorbuto.


COMO PROCEDERIA ATUALMENTE?

Após a fase em que o Dr. Lind testou várias dietas e fez minuciosa observação do fenômeno, proporia um Delineamento Observacional para Geração ou Teste de Hipóteses, através de um Estudo de Casos e Controles, onde o grupo de casos seria o claramente identificado para ser estudado (marinheiros acometidos da doença Escorbuto) e, obedecendo ao critério da OMS (Organização Mundial da Saúde), aumentaria a amostra para 200 marinheiros, distribuídos em 6 amostras + 20% (caso perdesse algum indivíduo da amostra por morte). Cada grupo a ser estudado seria repartido em casos (ter a doença de interesse) e controles (não ter a doença de interesse). Toda a amostra receberia uma dieta básica (grupo dos controles que tinham sido expostos ao risco) e os grupos de casos receberiam a dieta + intervenções terapêuticas diferentes. No 1º grupo os casos receberiam a dieta básica + frutas cítricas e os controles receberiam a dieta básica tradicional. No 2º grupo os casos receberiam a dieta básica + medicamento natural à base de mistura de ervas e os controles receberiam a dieta tradicional. No 3º grupo os casos receberiam a dieta básica + elixir e os controles receberiam a dieta básica tradicional. No 4º grupo os casos receberiam a dieta básica + sidra e os controles receberiam a dieta tradicional. No 5º grupo os casos receberiam a dieta básica + sementes de noz moscadas maceradas com ingredientes secos e os controles a dieta tradicional. No 6º grupo os casos receberiam a dieta básica + vinagre e os controles apenas a dieta tradicional. Em seguida compararia os resultados dos testes das hipóteses em cada grupo, analisaria o grupo em que a intervenção terapêutica tinha dado resultados significativos e partiria para um Estudo Analítico para comprovar a hipótese obtida.





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