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EDUCAÇÃO CONFESSIONAL BATISTA NO BRASIL

Prof. Dr. Almiro Schulz

Centro Universitário do Triângulo - UNITRI – Uberlândia/MG


Ao receber o convite para participar do painel sobre a contribuição da educação confessional protestante à sociedade brasileira, inicialmente fiquei em dúvida se devia aceitar, considerando que atualmente não estou envolvido diretamente em projeto de pesquisa sobre a temática, porém, me senti atraído, uma vez que o assunto é instigante.

A título de introdução, faço primeiro uma referência ao assunto proposto para este painel: “Educação Protestante: contribuição à sociedade brasileira”. A temática é pertinente, e entendo que ainda não se têm objetivamente quais foram as contribuições, considero que não foram ainda suficientemente mensuradas, se é que podem. Diante disso, somos desafiados para o desenvolvimento de pesquisas sobre este assunto.

Entendo que as pesquisas realizadas sobre a educação protestante ainda estão muito no entorno: sobre as origens, a evolução, as políticas, mas pouco se pesquisou especificamente sobre suas contribuições para a sociedade.

Com isso não estou dizendo que não houve ou há contribuição, pois só o fato de existir centenas de escolas e colégios, bem como dezenas de instituições de educação superior, com mais de um milhão de estudantes, não poderia ser indiferente. Mas, entendo que ainda não está claro qual é o impacto e qual a diferença que fez e faz a educação, quando considerada e classificada como confessional protestante.

Entendo que a expectativa em relação a minha participação é a abordagem do assunto a partir da contribuição da educação confessional batista no Brasil. É importante esclarecer que existem vários ramos batistas, como por exemplo, a Convenção Batista Pioneira, originária de imigrantes alemães; Convenção Batista Independente, de origem sueca, Orebromissionen, hoje InterAct, cuja implantação se deu a partir de l912; Igreja Batista Regular, da Geral Association of Regular Baptist, a Shurches e Conservative Baptist Assoicatione, mas a que desenvolveu maior ação educacional foi a Convenção Batista Brasileira, com mais de 100 escolas e colégios importantes.

A primeira presença batista se verifica com a imigração de americanos para o Brasil após a guerra civil dos Estados Unidos, vindos na década de sessenta, mais especificamente entre os anos l865 a l870. Estabeleceram-se principalmente na região de Santa Barbara d’Oeste, São Paulo, sem objetivos missionários.

A partir de l88l, tem início a missão batista, por meio do envio de missionários, da junta de missões, “Foreign Mission Board”da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos. Essa inserção dos batistas coincidiu com o contexto em que o protestantismo foi implantado, também por meio das outras missões norte-americanas: pela Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos; pelas duas Juntas de Missões Presbiterianas dos Estado Unidos, a de Nashville e a de Nova Iorque, além dos Episcopais e outras.

Constata-se que os batistas centraram sua atenção principalmente e quase exclusivamente na educação fundamental e média. Sobre essas ações já foram desenvolvidas pesquisas, entre elas, quero lembrar os estudos feitos pelo Prof. José Nemésio Machado.

Minha pesquisa sobre o ato educativo batista foi parte de um projeto maior, sobre a educação superior protestante no Brasil. Como base e referência à minha participação e contribuição em relação a educação batista, faço então um corte, para reproduzir aspectos que estão no texto já publicado (SCHULZ, 2003).

A pesquisa teve como objeto a Educação Superior da Convenção Batista Brasileira e, como problema, o ideal e as iniciativas em torno da realização de seu projeto de Universidade no Brasil.

O objetivo da pesquisa foi constatar a existência ou não desse ideal no seu projeto educacional desde sua inserção no Brasil e quais foram as iniciativas e ações em torno de sua implantação.

A pesquisa foi realizada com base em fontes bibliográficas e documentais, pesquisas já realizadas e publicadas sobre a educação batista no Brasil. Como fonte especial, usou-se o “O Jornal Batista”, órgão oficial da denominação e em circulação desde 1901. A pesquisa realizou-se junto aos vários arquivos existentes e em especial, o da Imprensa Batista Brasileira, localizado no Rio de Janeiro.

Os documentos e fontes pesquisadas revelam que os batistas trouxeram no seu projeto educacional a visão e o ideal de uma universidade. Vários foram os momentos de sua ênfase e de iniciativas para sua fundação. Esse ideal pode ser constatado desde o início do século XX até nossos dias.

Os missionários vindos dos Estados Unidos, traziam a concepção de educação em nível superior, mesmo que essa não tenha sido o primeiro objetivo das missões, porém, ela subjazia no seu pensamento. Um dos primeiros missionários, Z. C. Taylor, no seu diário, publicado em O Jornal Batista, em l901, fala da “Educação Acadêmica”, sobre as universidades nos diferentes países, o que mostra sua preocupação com a educação superior (O Jornal Batista, 1901, p.2).

A primeira referência ao ensino superior e à universidade pode ser encontrada a partir de l907, com a vinda e atuação do educador, Dr. J. W. Shepard. Nesse ano, os batistas se preparavam para se organizar e se constituir em Convenção. No mesmo jornal, onde a comissão de programa orienta as igrejas sobre os preparativos, Dr. Shepard escreve sobre o “Parecer sobre a Educação”, apresentando o plano educacional a ser discutido na Assembléia nos dias 23 a 30 de junho de l908, e faz referência à fundação de uma grande Academia-Seminário no Rio de Janeiro. Diz ele:


Felizmente o plano para a fundação de uma grande Academia-Seminário no Rio de Janeiro está prestes a realizar-se. Na Bahia esperamos organizar uma Diretoria composta tanto de missionários como de irmãos brasileiros cuja obrigação será apresentar um plano definitivo para a realização d’ este systema educativo (O Jornal Batista, 11/04/1907, p.4).
Nesse mesmo ano, outros artigos são escritos sobre a educação; no jornal do mês de agosto Sr. Shepard escreve um artigo sobre o “System Educacional” (O Jornal batista, 01/08/1907, p.2).

A partir desta data, l907 até l930, pode-se dizer que o ideal da universidade está presente, a chamada época “Shepard”. Vários artigos são escritos sobre a educação e neles aparece o ideal do ensino superior. Já no final da década de 20, em 1929, Dr. Shepard escreve sobre as aspirações educacionais da América Latina, e num dos itens fala sobre as “Aspirações na Esphera de Educação Universitária”, diz:


Há, porém, vários elementos de valor na situação das universidades. Entre os bons elementos são: a separação do Estado da igreja, a democracia crescente, os cursos amplos, e as tendências para maiores iniciativas da parte dos estudantes. O Evangelho vem não para destruir estes elementos, mas para cumprir, preenchendo as lacunas e trazendo o complemento (O Jornal Batista, 07/11/1929, p.12}.
A fundação do Colégio Batista do Rio de Janeiro e o Seminário foi o início do projeto da universidade que se pretendia. Daniel do Carmo, referindo-se ao Colégio Batista, diz: “o Colégio Batista, embrião das futuras faculdades superiores batistas... (O Jornal Batista, 08/05/1941, p.5). Vários artigos fazem referência ao ideal e sonho de Dr. Sheperd em fundar uma universidade. Anselmo Paschoa afirma:
Se há um belo sonho digno de ser transformado em adorável realidade, é este da Universidade Batista...Estão de parabéns os batistas do Brasil com o ressurgimento da idéia que foi sonho fagueiro do grande educador que é J. W. Shepard (O Jornal Batista, 26/06/1941, p.2).
Ebenezer Soares Ferreira lembra que Dr. Shepard
Adquirira as propriedades onde hoje se localizam o Colégio Batista Shepard e o Seminário Batista do Sul do Brasil, com o fito de nelas instalar a sua sonhada universidade... O Dr. Shepard sempre dizia que o seminário é uma das faculdades da universidade (Revista Teológica, s.d. p.43).
Entre os anos 30 a 40, anos de muitas mudanças na sociedade brasileira, há um certo silêncio sobre a fundação da Universidade Batista. Aparecem com mais ênfase outras preocupações, principalmente, a relação entre Igreja e Estado e a educação religiosa no ensino público. Vários artigos são escritos e publicados sobre o assunto. Há uma ênfase na necessidade de investimento na educação fundamental e média, contudo o historiador batista, A N. Mesquita, escreve um artigo sobre a educação onde diz:
Devemos também promover a educação superior. A educação científica médica, legal, etc.; não é de somenos importância. Devemos dar ao Brasil juizes christãos, médicos christãos, não por amor da posição, mas por amor do povo”...Falar de culltura superior é falar do que mais toca o coração dos Baptistas... (O Jornal Batista, 22/08/1932, p.8).
Na década de 40, o assunto toma mais vulto, principalmente no ano de 1941, quando vários artigos são escritos sobre o tema: “Fundação da Universidade Batista”. O Jornal Batista abre um espaço para que o assunto fosse debatido: O redator do O JORNAL BATISTA, de boa mente, ofereceu as colunas de nosso órgão denominacional para que expressemos nossa idéia, favorável ou não, à organização da Universidade Batista ( O Jornal Batista, 08/05/1941, p.5).
É formada uma comissão para estudar o assunto, elaborar um plano, para que fosse apresentado na Assembléia Geral Nacional, da Convenção Nacional, no ano seguinte:
Finalmente foi escolhida uma comissão de sete pessoas incluso o próprio iniciador do movimento, irmão professor Daniel do Carmo, para proceder às investigações em torno da idéia, promover outras reuniões que sejam necessárias, e finalmente levar o caso à apreciação e decisão da convenção Batista Brasileira

( O Jornal Batista, 19/06/1941, p.2).


O local continuou, ainda, sendo o Colégio Batista do Rio de Janeiro.

Após um certo silêncio, na década de 50, o assunto renasce, com mais ênfase, em l959. Nesse período, há uma preocupação novamente forte quanto à relação Igreja e Estado e também o ensino religioso nas escolas públicas. Num artigo sobre o planejamento da obra educacional batista no Brasil, argumenta-se sobre a impossibilidade da implantação de uma universidade pelos batistas: Acho que a idéia de uma universidade Batista deve ficar, pelo menos por enquanto, fora dos nossos propósitos ( O Jornal Batista, 19/06/1941, p.2). Segue então o artigo com as justificativas e sugestões, entre elas: Instituir imediatamente, urgentemente, sem mais delongas (e nisso a responsabilidade do C. B. S. é viável) a Faculdade de Filosofia para a formação do nosso professorado (O Jornal Batista, 24/08/50, p.8).


Nesse período se dá certo debate entre o desejo e o poder, entre o querer e as possibilidades. Por ocasião da posse do novo diretor do Colégio Batista do Rio, em l952, quando são apontados os ideais do colégio, reaparece o ideal da universidade: E por que não se pensar em nossa futura Universidade Batista? (O Jornal Batista, 02/10/52, p.12). No relatório da comissão do Conselho Batista de Educação, encarregada do tema “Planejamento da Educação Batista”, o item f diz:
No que diz respeito aos demais ramos de ensino superior, apesar de reconhecer a sua importância para a elevação progressiva do nível cultural do nosso povo batista, somos forçados a reconhecer igualmente que o ônus que acarretaria a orientação de nós mesmos instalarmos as escolas superiores necessárias não ficaria em proporção com o proveito obtido, em termos de formação espiritual da mocidade. As Escolas e Universidades oficiais podem ministrar o ensino em melhores condições do que nós o poderíamos fazer ( O Jornal Batista, 27/10/55, p.4).
Contudo, na ocasião da comemoração do cinqüentenário de fundação do Colégio Batista do Rio de janeiro, em l958, novamente o ideal da universidade é manifestado: A visão que Sheperd tinha da obra educativa batista no Brasil só em parte foi realizada, porque o seu ideal era o de uma Universidade Batista ( O Jornal Batista, 15/05/58, p.1).
É, porém, em l959 que o assunto volta, e agora com bastante ênfase. Há um novo fator: a fundação de Brasília como Capital Federal, e seus olhos se voltam para lá:

Ao estudar as possibilidades para a fundação da Universidade Batista do Brasil, muita atenção se deu, pelos que haviam de doar terras para este fim. , à questão da localidade. Os vários fatores que influenciaram na escolha do lugar foram o futuro desenvolvimento do país, a importância sempre crescente do movimento para o oeste... (O Jornal Batista, 17/09/59, p.5).
É adquirida uma área para a implantação da universidade, chega-se a lançar a pedra fundamental:
A área comprada para o projeto universitário se acha à beira desse Cinturão Verde e oferece duas vantagens, a de ser livre para o desenvolvimento batista e a de ter a mínima aproximação a Brasília possível a uma cidade independente (O Jornal Batista, 17/09/59, p.5).
O jornal traz uma foto, onde, num clichê, diz “Cidade Universitária Batista de Nova Providência”. Ainda no mesmo ano é lançado um concurso para escolha do nome da futura cidade Universitária Batista no Brasil:
A Universidade projetada para essa área será dos batistas do Brasil e representará um esforço deles para a implantação dos princípios neo-testamentários e batistas em todo o país. Para isso, resolveu-se promover o GRANDE CONCURSO, a fim de que eles mesmos escolham um nome representativo e apropriado para a futura cidade Universitária e é aberto um concurso pelo Jornal Batista, sobre o nome da futura Universidade (O Jornal Batista, 24/09/59, p.6).
Para conseguir os recursos para a realização do projeto, receberam o apoio de três instituições batistas: Junta Executiva da Convenção Batista Brasileira, Sociedade Administrativa Batista de Economias e Junta Patrimonial Batista do Sul do Brasil ( O Jornal Batista, 06/06/1961, p.1).

Durante a década de sessenta, a Convenção Batista Brasileira passa por duas preocupações, uma interna, a do movimento de renovação espiritual, que dá origem à Convenção Batista Nacional, e a outra tem a ver com o contexto externo, político social após a revolução de 64, diante da qual lançam uma campanha nacional, denominada: “Cristo a Única Esperança”. Ainda em l965, há um debate sobre a viabilidade da fundação da Universidade Batista, quando se levantam várias dificuldades; Moysés Silveira diz:


Irmãos batistas, uma universidade exige grandes capitais, que uma comunidade religiosa que não gosta de contribuir para educação e não quer receber subvenções não pode pensar em criar. E criar uma universidade sem recursos será uma vergonha... (O Jornal batista, 31/01/65, p.5).
Em 1968, ano do movimento estudantil, da chamada reforma universitária, os batistas novamente fazem o lançamento da pedra fundamental, de sua futura universidade. Abandonam a idéia de construí-la em Brasília e voltam para o Rio de Janeiro. No dia do lançamento da pedra fundamental, o representante do Sr. Ministro da Educação e outras autoridades estiveram presentes. Numa foto no O Jornal Batista, abaixo está escrito:
Convidados especiais no dia do lançamento da pedra fundamental no novo edifício do Colégio Batista, visando à futura Universidade: à esquerda, o Dr. Tarso Coimbra, representante do Sr. Ministro da”. Educação; ao centro, o Embaixador Pascoal Carlos Magno, vendo-se ainda outras autoridades (O Jornal Batista, 30/06/1968, p.4).
Beny Pitrowsky escreve dizendo:

Ao que parece, pois, a realização da Universidade Batista é irreversível”...Assim pensou-se preliminarmente nas seguintes: Escola de Educação, dando-se preferência aos cursos de Orientadores Educacionais e Professores de Curso Normal: Faculdade de Economia, dando-se preferência ao Curso de Administração; Faculdade de Direito... (O Jornal Batista, 30/06/1968, p.4)

Ainda no mesmo ano, na agenda do planejamento da I Conferência Batista de Educação, a se realizar em 21 a 23 de maio de l970, consta na pauta o assunto Universidade Batista.

Na década de 70 e, principalmente, no início de 80, o debate continua, vários artigos apontam para o interesse e também a manifestação dos contrários, apesar de que os defensores sempre ocuparam mais espaço por meio do jornal. Em 1971, é escrito um texto sobre o “Desafio da Universidade Batista”, falando de sua importância e sobre as dificuldades ((O Jornal Batista, 14/02/1971, p.5); um outro artigo, intitulado” Por que uma Universidade Batista”, argumentando contra sua fundação (O Jornal batista, 02/05/1971, p.8). Em meio a esse debate e embate, que já vinha por alguns anos, um pastor Batista, Souza Marques, resolve fundar seu núcleo de ensino superior. Na Assembléia da Convenção em Recife, em 1964, fez a seguinte declaração: vou fundar a minha universidade. Os batistas não quiseram fundar a sua. Então, eu decidi que a minha sairia... (O Jornal Batista, 30/07/1995, p.8).
Um outro Pastor, José de Souza Herdy, em 1972 também resolveu tomar a iniciativa de fundar um núcleo de ensino superior na Baixada Fluminense, transformando-o em universidade em 1978, a AFE.

Após um espaço de silêncio, no início de 80 “O Jornal Batista”, novamente abre um debate, quando então vários artigos são publicados, tanto dos que defendiam a idéia quanto dos que se opunham. Dr. Cerqueira Bastos diz:Voltamos ao assunto - o que, não é do nosso gosto - em face do revigoramento da idéia de se fundar uma Universidade Batista no Rio de Janeiro... (O Jornal Batista, 25/05/1980, p.2).


Esse debate visava à preparação do assunto a ser decidido em Assembléia, na Convenção Nacional que viria a se realizar em Belém do Pará:
Um debate salutar, travado em alto nível, para o qual chamamos a atenção de todos os interessados no assunto. Entrementes nos chega do Amazonas a notícia de que já vão adiantados os estudos para a instalação no excelente Colégio Ida Nelson, de umas Faculdade de Turismo, primeiro passo para a formação de uma Universidade Batista do Amazonas (O Jornal Batista, 20/07/1980, p.3).
Um outro texto diz: Preparamo-nos para um encontro em Belém do Pará durante a próxima Assembléia Convencional (O Jornal Batista, 20/07/1980, p.4).

Após um certo silêncio sobre o assunto, ele renasce novamente no início da década de 90 e o Colégio Batista do Rio de Janeiro, funda a Faculdade Batista Carioca, abrindo os cursos: Licenciatura em Filosofia (cuja primeira formatura se realizou em 17 de agosto de 1996), Administração, com especialização em Comércio Exterior e várias especializações. Também foi encaminhado para o Conselho Federal de Educação o pedido de autorização de mais cinco cursos: Enfermagem, Sistema de Informação, Direito, Fisioterapia e Comunicação Social (O Jornal Batista, 30/07/1995, p.8). Em nível da Convenção Nacional, foi criado um Grupo de Trabalho, pela 76a Assembléia Anual da CBB, composto por educadores e lideranças batistas, a fim de que estudem e elaborem um plano para a fundação da Universidade Batista, a ser apresentado à Assembléia Nacional da Convenção Batista Brasileira, em janeiro de 1997, em Salvador/BA, onde diz:SOMOS DE PARECER favorável sobre a viabilização da criação de uma universidade batista brasileira (GT, 1996).

Por ocasião da pesquisa, existiam vários projetos na tentativa de implantar cursos de nível superior. Na Primeira Igreja Batista de Salvador, o Centro Evangélico Unificado, implantou três cursos de 3o grau: Pedagogia, Música e Filosofia. O Colégio Americano Batista de Recife encaminhou um projeto que em 1989 foi indeferido e posteriormente reelaborado, porém, diante de novas exigências, o processo foi arquivado para um estudo posterior. O Colégio Batista Mineiro estava com um projeto para implantação de dois cursos: Administração e Filosofia; o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo, desde 1990 elaborou um projeto para a implantação de cursos de 3O grau. Seu primeiro curso foi implantado e teve início em 1999.

O Colégio Americano Batista de Vitória, da Convenção Batista Capixaba, implantou, recentemente, com autorização do Ministério da Educação e Cultura, duas faculdades: Administração de Empresas e Comércio Exterior. A secretária geral da ANEB orienta:


O ingresso de instituições batistas no ensino superior é um sonho acalentado há anos, e pouco a pouco estamos vendo esse objetivo sendo alcançado.... precisamos remir o tempo que, como denominação, temos deixado passar (O Jornal Batista, 16/03/1998, p.7).

À luz das fontes e dados obtidos, pode-se concluir que os batistas tinham um projeto e um ideal de universidade e várias foram as iniciativas dadas. Mas também haviam divergências. Os opositores, eram mais vinculados às comunidades de fé, às bases. Sua visão e oposição ao projeto de universidade estavam vinculados à compreensão da missão da igreja na perspectiva espiritual (conversionista), e como se a educação em nível do 3o grau não possibilitasse uma influência evangelizadora, antes poria em risco a própria Igreja, com sua missão prioritariamente espiritual. Dr. Cerqueira Bastos escreve dizendo:


As igrejas batistas são a razão de ser da denominação batista.

Não consta da missão da Igreja do Novo Testamento o ensino secular. Os apóstolos eram homens sem letra... o uso de textos bíblicos na defesa da tese de uma universidade batista, nos parece uma atitude imprópria... A História está aí com os exemplos negativos a respeito de escolas organizadas e mantidas por igrejas. Voltamos a alertar a liderança e as igrejas do perigo que nos espreita... (O Jornal batista, 25/05/1980, p.2).
Num outro texto se diz:
porque, na idade dos universitários, é difícil inculcar novos hábitos e novas mentalidades, sendo por isso, mais ou menos inútil os esforços que se fizerem para lhes dar formação intelectual e de caráter... (O Jornal Batista, 24/08/1950, p8).
Os idealizadores das universidades se depararam com algumas dificuldades no contexto de sua denominação, entre elas, as de ordem prática, quanto as possibilidades concretas da execução e levar adiante os projetos, como também dificuldades de ordem teórica, com as diferentes concepções e divergências em torno da ação da Igreja e sua missão.

Cabem pois, estudos, pesquisas, para saber quais os resultados específicos da educação batista à sociedade brasileira, para não ficar nas generalizações.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-O JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 7, 1991, p.2.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 18, 11/04/1907, p.4.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 28, 01/08/1907, p.2.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 45, 07/11/1929, p.12.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 19, 08/05/1941, p.5.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº26, 26/06/1941, p.2.

-O JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, 22/12/1932, p.8.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 19, 08/05/1941, p.5.

-O JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 25, 19/06/1941, p.2.

-Ibid, p.2.

-O JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 43, 24/08/1950, p.8.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº4, 02/10/1052, p.12.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº43, 27/10/55, p.4.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 20, 15/05/1958, p.1

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº38, 17/09/59, p.5.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº38, 17/09/1959, p.5.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 39, 24/09/1959, p.6.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 27, 06/-6/1961, p.1.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 26, 30/06/1968, p.4.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 07, 14/02/1971, p.5.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº18, 02/05/1971, p.8.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, 30/07/1995, p.8.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº21, 25/05/1980-, p .2.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 29, 20/07/19809, p.3.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção batista Brasileira, n º 31, 30/07/1995, p.8.

-O JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro: Convenção batista Brasileira, nº 16, 22/03/1998, p.7.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 21, 25/05/1980, p.2.

-Idem. Rio de Janeiro: Convenção Batista Brasileira, nº 34, 24/08/1950, p.8.

-PARECER DO GT. Universidade Batista, 1996 (mimeografado).

-REVISTA TEOLÓGICA. Rio de Janeiro: Seminário do Sul, Ano X, nº 14, s.d., p.43.

-SCHULZ, Almiro. Educação superior protestante no Brasil. Engenheiro Coelho/SP: Imprensa Universitária Adventista, 2003.





ABIEE – I ENCONTRO PARA HISTORIADORES 2004

PIRACICABA/SP




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