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CAPÍTULO III


“A CHAVE DO TAMANHO: REPENSANDO A LEITURA NA ESCOLA”




3.1 Literatura e Literatura Infantil

A história da Literatura Infantil é relativamente recente. Os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII e durante o século XVIII. Antes dessa época não se escrevia para elas porque não existia a “infância”.

Somente na metade da Idade Moderna surge a concepção de uma faixa etária diferenciada, com necessidades e interesses próprios, precisando de uma formação específica. Esta mudança surgiu a partir da emergência de uma nova estrutura da família, centrada não mais em amplas relações de parentesco, mas num núcleo unicelular, preocupado em assegurar a sua privacidade e estimular o afeto entre os seus membros.

Antes da constituição deste modelo familiar burguês não havia uma consideração especial para com a infância. Esta faixa etária não era considerada como um tempo diferente, nem o mundo da criança como um espaço diferenciado.

A valorização da infância como faixa etária diferenciada é uma das principais características deste modelo familiar doméstico. Inicialmente considera a criança um tipo de indivíduo que merece atenção especial. Colocada no centro da organização da família, esta última se torna a principal responsável pelo crescimento saudável (evitando sua morte precoce) e maduro (buscando sua formação intelectual) dos filhos.

Desta maneira, a infância, enquanto etapa etária imobilizada num conceito fechado, acabou sendo idealizada. Surgiram tratados de pedagogia que estabeleceram a singularidade infantil em sua fragilidade biológica em relação ao adulto. Um fator de ordem fisiológica e transitória, portanto, é que origina a teoria da dependência da criança, legitimando o estreito vínculo desta com os mais velhos. Sua falta de experiência existencial transforma-se no sintoma de sua inocência natural que a todo custo tem de ser preservada.

Na verdade, a infância corporifica, a partir desse momento, dois sonhos dos adultos. Primeiramente, encarna o ideal da permanência do primitivo, pois a criança é o bom selvagem, cuja naturalidade é necessário conservar e, em segundo lugar, possibilita a expansão do desejo de superioridade por parte do adulto, que mantém sobre os pequenos um jugo inquestionável (ZILBERMAN, 1987).

Nada mais contraditório que esta concepção de infância que o adulto construiu depois de passar por tal período. Identificada por um idealismo que ignora as circunstâncias presentes na vida infantil, seu caráter utópico foi anunciado e difundido pelos poetas românticos, que a cantaram como o período por excelência da vida humana. Dessa forma, foi elaborada uma série de atributos que qualificam os pequenos e reproduzem ideologicamente sua diminuição social: a menoridade, a fragilidade física e moral, a imaturidade intelectual e afetiva. É o que leva todo pequeno, que vivencia diariamente essa inferioridade, a querer suplantar esta fase e todo adulto a almejar sua recuperação (ZILBERMAN, 1982).

Paralelamente, a criança é levada a se identificar com esta imagem construída pelo adulto, como descreve Bernard Charlot

Se a imagem da criança é contraditória, é precisamente porque o adulto e a sociedade nela projetam, ao mesmo tempo, suas aspirações e repulsas. A imagem da criança é, assim, o reflexo do que o adulto e a sociedade pensam de si mesmos. Mas este reflexo não é ilusão; tende, ao contrário, a tornar-se realidade. (...) A criança é, portanto, o reflexo do que o adulto e a sociedade querem que ela seja e temem que ela se torne, isto é, do que o adulto e a sociedade querem, eles próprios, ser e temem tornar-se (apud ZILBERMAN, 1982: 17).


Essas características são próprias de um período, não tão longínquo, em que as instituições educacionais projetavam e propagavam esta imagem da infância. A escola, encarregada de introduzir a criança na vida adulta e de protegê-la das agressões do mundo exterior, identificava-se com as contradições, refletindo-as de modo visível. Acentuava a separação entre o indivíduo e a sociedade, ao retirar o aluno da família e da coletividade, colocando-o numa sala de aula onde tudo contrariava o que até então vivera. Ao invés de uma hierarquia social, vivia numa comunidade em que todos eram igualados na impotência, em que todos estavam despojados de qualquer poder; em vez de proporcionar um convívio social múltiplo, reunia um grupo homogeneizado pela mesma idade, impedindo que se organizasse uma vida comunitária, pois todos eram obrigados a ficar de costas uns para os outros, de frente apenas para alguém investido de autoridade – o professor.

A escola negava o social, para introduzir, em seu lugar, o normativo – o fato real era substituído pelas normas e valores da classe dominante transmitidos aos estudantes. Por omitir o social, a escola converteu-se num dos veículos mais bem sucedidos da educação burguesa – e é nesse momento que a educação perde sua inocência e a escola sua neutralidade, na medida em que garante o funcionamento do Estado e da sociedade.

Não é por acaso que a burguesia ascendente dos séculos XVIII e XIX foi a patrocinadora da expansão e aperfeiçoamento desse sistema escolar. Retirando o direito de expressão dos menores, habilitava-se à transmissão do conhecimento segundo o ponto de vista do adulto, postulando como imprescindível a posse de um tipo de saber que a criança não possui, o que ainda lhe garante mais razão e poder (SANDRONI e MACHADO, 1991).

A literatura infantil, nesse contexto, foi um dos instrumentos que serviu à multiplicação da norma em vigor. Transmitindo um ensinamento conforme a visão adulta de mundo, ela se comprometia com padrões que não são do interesse das crianças. Pode substituir o adulto, até com maior sucesso, quando os meninos entregam-se à fantasia e ao lazer. Nesse caso, o livro infantil, de forma sutil e subliminar, pode reproduzir o mundo adulto: através da atuação de um narrador que bloqueia ou censura a ação de suas personagens infantis; através da veiculação de conceitos e padrões comportamentais que estejam de acordo com os valores sociais aceitos; pela utilização de uma norma lingüística ainda não atingida pelo seu leitor. Os fatores estruturais de um texto de ficção – narrador, visão de mundo, linguagem – podem transformar-se em meio através do qual o adulto intervém na realidade imaginária, usando-a para incutir sua ideologia.

A escola e a literatura começaram a resgatar sua utilidade quando se tornaram um espaço para a criança refletir com liberdade sobre sua condição pessoal. Se sua dominação procede do gesto do adulto, os elementos de sua emancipação podem estar em uma nova aliança entre estes dois sujeitos.

Fica evidente a estreita ligação da Literatura Infantil com a Pedagogia quando analisamos o caminho percorrido em busca de uma literatura adequada para a infância e juventude em que foram feitas adaptações dos clássicos e do folclore, bem como com a apropriação dos contos de fadas, inicialmente não voltados especificamente para a criança. Perrault e depois os irmãos Grimm, colecionadores dessas histórias folclóricas, estão ligados à gênese da Literatura Infantil. Em cada país, além dessa literatura considerada universal, surgem novas obras como as de H. C. Andersen, Carlo Collodi, Amicis, Lewis Carroll, J. M. Barrie, Mark Twain , Charles Dickens, Ferenc Molnar. No Brasil, a Literatura Infantil tem início com obras pedagógicas, adaptadas de produções portuguesas, mostrando a dependência típica das colônias. Essa fase embrionária da Literatura Infantil brasileira é representada principalmente por Alexina de Magalhães Pinto, Júlia Lopes de Almeida, Carlos Jansen, Alberto Figueiredo Pimentel, Coelho Neto, Olavo Bilac e Tales de Andrade.

Observamos que o passado recente de nosso país traz à lembrança a vida tranqüila e previsível que existia, a casa onde todos se reuniam em volta da mesa ao menos uma vez no dia, a presença do pai e da mãe, e todos sabendo o que devia ser feito. Num curto espaço de tempo isto tudo se modifica. Inverte-se a relação entre população rural e urbana, as cidades incham, as relações econômicas se alteram e, sobretudo, a mulher ingressa no mercado de trabalho. A estrutura social e a organização familiar transformam-se radicalmente e pais e filhos passam a se encontrar de forma menos freqüente. É, contudo, visível, na sociedade atual uma saudável preocupação com as crianças. Protegidas especialmente por leis, talvez como nunca no passado, a infância seja vista hoje pelo adulto como o principal elo entre ele e o futuro. Esta grande relevância dada ao papel infantil em nossa sociedade vem se traduzindo na elaboração de uma literatura para crianças cada vez mais elaborada e de qualidade.

3.2 Função da Literatura Infantil
Foi a Psicologia Infantil que assegurou a teoria da formação da criança. À pedagogia coube a aplicação desta teoria no campo didático. Ocorreu ainda uma ressonância no campo artístico, através do aparecimento da Literatura Infantil.

Nesse contexto, parece vital colocar a questão da Literatura Infantil além da Sociologia da criança, tomando por base a vivência que esta tem do mundo, no nível propriamente existencial. K. W. Peukert (apud ZILBERMAN, 1982, p.13), estabelecendo um fundamento antropológico para o livro infantil – estando ele centrado na criança – caracteriza o mundo interior desta como um “espaço vazio” e explica: “o ‘espaço vazio” não é vazio, porque as crianças ainda não viveram, mas porque não podem ordenar as vivências “.

Se a criança se vê privada de um meio interior para a experimentação do mundo, ela vai necessitar de um suporte fora de si que lhe dê apoio. É este o lugar que a Literatura Infantil preenche de modo especial porque ela lida com dois elementos que são especialmente adequados para a compreensão do real: a historia e a linguagem.

A literatura infantil tem ainda muito a oferecer à criança se examinada em relação a sua construção propriamente literária. Zilbermann (1987) assinala uma importante particularidade artística do gênero: o fato de não conhecer fronteiras. O livro infantil desconhece um tema específico (como o romance policial), não é condicionado em uma determinada forma (verso ou prosa, novela ou conto) e, ainda, passa livremente da realidade para o maravilhoso. Incorpora, ainda, ao texto, a ilustração e admite modalidades próprias, como o conto de fadas ou a história com animais.

A associação com o fantástico inicia quando Charles Perrault, no século XVII, e os irmãos Grimm, no início do século XIX, se apropriam dos contos de fadas. Estes relatos apresentam uma ação de procedência mágica, resultante da presença de um auxiliar com propriedades extraordinárias, que se coloca a serviço do herói: uma fada, um duende, um animal encantado. Explicando a discrepância entre o estado de penúria econômica, afetiva ou intelectual do narrador e a onipotência do ajudante mágico, Dieter Richter e Johannes Merkel (ZILBERMAN, 1982) aludem à origem sociológica destes contos. Somente pela intervenção de uma força sobrenatural, a situação poderia ser superada já que estes heróis, mesmo revoltados, nada podiam fazer para modificá-la por seus próprios meios. A fantasia, segundo estes autores, tem um nítido sentido compensatório, legítimo, caso se admita que decorre de uma situação de absoluta impossibilidade de mudar o sistema. A fantasia, de um lado, é um importante subsídio para a compreensão de mundo por parte da criança e, de outro, ela pode tomar a configuração do sonho, enquanto um desejo insatisfeito e que se realiza apenas de modo reparatório. O ente maravilhoso pode representar o adulto onipotente, aliado e bom, que soluciona o problema do herói de modo que este se sujeita à dominação do outro, sem se perguntar de onde vem seu poder ou quem o delegou a ele.

O dilema realismo x fantasia deve ser proposto no bojo do conflito entre a Literatura Infantil trilhar o caminho do didatismo e as suas possibilidades infinitas de criação, resultantes da natureza ainda maleável do leitor, o que pode conduzir a um experimentalismo inovador, ou à expansão das técnicas literárias e das vias narrativas. O conflito básico vivido pela Literatura Infantil é ela ser considerada ou não literatura, reflexão essa que tem de ser ampliada e aprofundada porque, além de ser um tema fascinante e controvertido, traz um enriquecimento fantástico ao gênero e a todos aos que a ele se dedicam. E que na atualidade, não são poucos.

A respeito da Literatura Infantil, nos diz Carlos Drummond de Andrade:

O gênero ‘literatura infantil’ tem, a meu ver, existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se dirige ao espírito do adulto? (...) Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção preconceituosa se desfaz. Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância? (Apud CUNHA, 1988, p. 21).

Muitos escritores relutam em afirmar que escrevem seus livros para crianças, preferem dizer que os escrevem simplesmente sem destinatário, apenas colocam na folha de papel seus sonhos, seus sentimentos, suas experiências, seus pensamentos e que, na hora de escrever, não sabem se o futuro leitor tem oito ou oitenta anos; outros, entretanto, dizem que, ao imaginarem a obra, já a destinam para crianças ou não.

Escrever para crianças exige sempre algo mais, por exemplo, o vocabulário tem de ser adequado para quem está iniciando a ler, o tema precisa ser do interesse do jovem leitor, as ilustrações, as cores, a beleza da capa, o tamanho do livro e das letras e assim por diante.

Cunha (1988), a respeito da literatura infantil ser um gênero transitório (na medida em que a sociedade pode mudar sua relação com a criança ou esta se tornar adulta), diz que não parece provável, tendo em vista que vários gêneros literários são característicos de determinadas épocas e de específicas faixas etárias e seus representantes não têm sua existência posta em dúvida.

Este gênero literário não pode estar a serviço da pedagogia na medida em que a redução da criança, principalmente pela facilitação artística (puerilidade) e pelo tom moralizador, identifica uma pretensa literatura infantil, exatamente como acontece dentro da produção literária para adultos, onde existem maus romances, maus poemas, maus contos. E não se invalida a literatura por isso (CUNHA, 1988).

Na opinião de Lajolo e Zilberman (1985), o que parece fundamental é definir pontos de contato e de afastamento entre a literatura para crianças e para adultos. Se o afastamento se der na essência do fenômeno literário então não haverá literatura infantil, pois não podemos admitir literatura sem arte. Na medida em que tivermos uma obra de arte, realizada através de palavras, ela se caracterizará pela abertura, pela possibilidade de vários níveis de leitura, pelo grau de atenção e consciência a que nos obriga, pelo fato de ser única, imprevisível, original em seu conteúdo e forma. Enquanto manifestação artística, ainda que escrita pelo adulto para a criança, seu texto abrirá horizontes, proporá reflexão e recriação, estabelecerá a divergência, apresentará possibilidades de diversas interpretações da vida. Oferecido à criança o mundo da arte e da literatura, que ela seja livre para escolher e estabelecer suas relações consigo mesma, com os outros e com a sua comunidade.

Convém ainda lembrar que muitos livros escritos para adultos foram adotados pela infância como as Aventuras de Robinson Crusoé e as Viagens de Gulliver. É certo também que a verdadeira literatura infantil agrada aos adultos. Quem não se enternece com a história do Patinho Feio? Qual o adulto que não se diverte com as traquinagens da Emília?

Na verdade toda obra literária destinada às crianças pode ser lida pelo adulto. A literatura para adultos, ao contrário, apenas destina-se a eles. Nesse sentido ela é menos abrangente que a infantil.

A concepção da literatura como jogo recua à estética idealista do século XVIII e liga-se ao nome de E. Kant, que considera os fenômenos estéticos como “finalidade em si mesmo”. Dessa forma, a literatura, como uma dessas especificações, está voltada exclusivamente a estimular o prazer estético.

Esta visão foi criticada especialmente por Zola e pelos naturalistas do século XIX, mas foi revalorizada pelas vanguardas européias como os simbolistas e seu prestígio não diminuiu. J. Huizinga, com o seu livro Homo Ludens, contribuiu para a sua revitalização na medida em que se destaca nessa obra a valorização do fenômeno estético e, portanto, literário – que produz prazer em si, por sua beleza interna (ZILBERMAN, 1987).

A literatura infantil estaria incluída nesse conceito já que ela não apenas desperta o gosto para a leitura, como também revela um universo harmonioso e sem conflitos, onde a criança tem a possibilidade de experimentar uma realidade sublimada pela fantasia. Assim sendo, até mesmo a crítica ao conteúdo escapista imputado a esta teoria perderia sua razão de ser na medida em que esta produção literária estaria adaptada ao gosto infantil.

A concepção da literatura como evasão tem origem em Aristóteles quando, na Poética, atribuiu à tragédia uma função catártica. Dessa maneira, a arte possibilitaria ao espectador atenuar seus conflitos interiores, ao vê-los corporificados em um personagem. Com esta visão foi atribuído um importante papel social à arte, auxiliando a sociedade a funcionar harmoniosamente, já que problemas pessoais, e até coletivos, eram colocados e elaborados num tablado teatral. Com o passar do tempo essa visão foi se modificando; no Romantismo por exemplo, o artista, dedicando-se à sua criação, fugia de uma realidade circunstancial que o oprimia e o leitor era convidado a participar desta aventura através da negação de seu mundo; e os simbolistas, por sua vez, erigindo a imagem da torre de marfim, levaram esse posicionamento às últimas conseqüências (ZILBERMAN, 1987).

Em pleno positivismo este paradigma acabou sendo valorizado por Freud, que, admitindo a criação literária como a sublimação dos complexos pessoais, via na fantasia o repositório dos desejos insatisfeitos. Freud afirmou até sua morte que o inconsciente revela, indiscriminadamente, nos sonhos, na arte, nos atos falhos, as suas aspirações mais secretas.

Em nenhum outro gênero a fantasia desempenha um papel mais importante que na literatura infantil, sendo considerada muitas vezes como o veículo de superação de carências. Foi por essa razão que inicialmente a Psicologia e a Psicanálise valorizaram a infância e, por conseqüência, as produções das e para as crianças. Nesse sentido catártico entende-se melhor porque conteúdos educativos infiltram-se com tanta freqüência na literatura infantil, sendo utilizados, como na tragédia grega, como excelentes instrumentos de controle social.

Na medida em que se admite que a literatura educa o leitor e que a educação é algo que acontece desde cedo, o valor utilitário da produção infantil é evidente e importante. Nas três acepções há lugar para a existência e compreensão da literatura infantil e descrição de suas características inerentes. Fica também evidente que todo fenômeno literário participa do processo do conhecimento, transmitindo conceitos sobre a realidade, estimulando a fantasia ou colaborando na evasão/compreensão dos problemas pessoais e coletivos.



3.3 A contribuição de Monteiro Lobato
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