Charles berlitz



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RUÍNAS SUBMARINAS NO TRIÂNGULO DAS BERMUDAS


A parte ocidental do oceano Atlântico conhecida como o Triângulo das Bermudas possui várias formações estranhas em zonas do fundo raso do mar à altura dos bancos das Bermudas. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, algumas dessas formações foram avistadas por pilotos que sobrevoavam essas ilhas e águas vizinhas em missões de busca com a finalidade de encontrar sinais de navios ou aviões dados como perdidos na área. Alguns pilotos, em vôos de carreira normal ou charter, têm observado formações semelhantes a muros ou estradas submarinas, enquanto outros, voando a baixa altitude, sugeriram que algumas dessas formações talvez fossem a parte superior de construções submersas no leito do mar.

Essas supostas estruturas, localizadas nos bancos das Bermudas ou ao largo da plataforma continental, foram ignoradas durante séculos, muito embora devam ter sido avistadas algumas vezes por pescadores e mergulhadores. Há, no entanto, várias razões para as mesmas não terem sido detectadas anteriormente. Primitivamente, as tripulações dos navios com tesouros e os piratas que geralmente os perseguiam não tinham outro interesse a não ser o tesouro negociável. O que pareceram ser estruturas de pedra vistas por pescadores e oceanógrafos mais recentemente eram consideradas formações naturais ou lastros de naufrágios. A composição evidentemente artificial de tais estruturas não é evidente a partir do nível do mar, mas é geralmente bem visível do alto, de onde se podem mais claramente divisar, no fundo, linhas retas e ângulos geométricos. Por fim, não havia interesse algum nos instrumentos de construção feitos pelo homem no Atlântico ocidental, de vez que não havia razão para se suspeitar da existência, ali, de cidades submarinas. Caso existissem, elas teriam de ter sido construídas cerca de 12 mil anos antes de nossa era, tempo aproximado em que a elevação do nível do mar cobriu vastas partes da costa e ilhas do oceano. Do ponto de vista arqueológico corrente, seria historicamente impossível — 7 mil anos cedo demais — que o homem construísse cidades nessa época.

A não mais de um quarto de milha das praias das ilhas Bimini, uma série de extensas paredes de pedra — ou estradas, como são às vezes designadas — é hoje em dia fácil de encontrar e tem sido examinada por mergulhadores e arqueólogos decididos a defender ou destruir os conceitos de história e idade da civilização anteriormente sustentados. Com o prosseguimento da pesquisa e o alargamento do campo de investigação, está se tornando bem mais difícil, contudo, afirmar que essas construções de pedra sejam pedaços de rochas de praia que, por acaso e a esmo, acabaram se amontoando para formar um muro.

Vários outros exemplos prolongam-se água adentro nos bancos das Baamas; às vezes formam grandes círculos de pedra, como em Stonehenge, na Inglaterra; às vezes ligam ilhas existentes por meio de estradas ou muros submarinos; às vezes consistem em muros circulares construídos em torno de fontes de água doce muito abaixo da superfície; geralmente através de uma série de linhas retas e entrecortadas prolongando o fundo do mar como as linhas entrecortadas do vale de Nazca, no Peru, e geralmente grandes formas retangulares identificáveis de formas distintas por variações da vegetação submarina, possível perfil de uma grande construção ou plataforma que tenha afundado no leito oceânico.

Essas provas bastante convincentes de antigas construções nos bancos das Baamas têm sido investigadas por várias pessoas e especialmente pelo Dr. Manson Valentine, paleontólogo, geólogo e arqueólogo submarino de Miami, que vem estudando a região subaquática dos bancos das Baamas há 25 anos. Além de sua capacitação científica, e talvez igualmente condizente com suas descobertas, o Dr. Valentine é também emérito espeleólogo, piloto de avião e mergulhador de garrafão e de capacete metálico.

O Dr. Valentine está convencido de que existiram civilizações pré-cataclísmicas (e pré-diluvianas), graças a conclusões tiradas de suas próprias explorações em cavernas de Iucatã. Essas enormes cavernas contêm gigantescas pedras gravadas com formas de animais que demonstram longa imersão no mar, além da fauna oceânica nelas ainda aderentes. Parece óbvio que essas cavernas, hoje em dia bem acima do nível do mar, submergiram e emergiram em periódicas elevações e rebaixamentos de áreas de terra firme por toda a costa do Atlântico... e do mundo.

O Dr. Valentine assim descreveu suas descobertas nos bancos das Baamas:
Toda a região dos bancos das Baamas ficava acima do nível do mar durante a última glaciação, sendo encoberta com a subseqüente elevação do nível do mar. Eu quis testar a proposição geológica que afirma: "Se os grandes planaltos submersos das Baamas foram terra seca num passado relativamente próximo, como parece certo, então suas águas rasas poderiam muito bem fornecer sinais de ocupação por parte dos homem primitivo."

Comecei a trabalhar em 1958, tirando fotos em pequenos aviões. Desde então, localizamos mais de 30 áreas onde existem provavelmente ruínas de trabalho humano, seja no fundo do mar, seja abaixo dele. Por exemplo, entre Diamond Point e Tongue of the Ocean, encontra-se uma rede de linhas retas modulares entrecruzando-se em ângulos retos, obtusos e agudos. Lembra um plano arquitetônico para um complexo desenvolvimento urbano com ainda mais linhas a distância que eu chamaria de "módulos fantasmas", de vez que são os vagos perfis de outras estruturas excessivamente submersas para serem acompanhadas em detalhe.



Onde o senhor começou a investigação?

Entre os recifes Orange e as ilhas Bimini. Vi uma série de retângulos enormes ao longo do fundo do mar ligados por linhas retas.



Por que acreditou tratar-se de ruínas?

Considerei-as feitas pelo homem por serem linhas retas que corriam ao longo do fundo do mar exatamente até o ponto máximo de rebaixamento da plataforma continental. O que se encontra abaixo dessas linhas influencia a ecologia das algas de superfície e o resultado é um desenho decorativo. Nos penedos Riding, grande quantidade de água rasa está dividida em quadrados. Nos recifes Orange, ao sul das Bimini, há um retângulo absolutamente ininterrupto da forma de um campo de futebol. Em todo o caminho até as Bimini, há uma sucessão de planos arquitetônicos, quadrados e retangulares, mostrando o tamanho e a forma do que se encontra abaixo. Tudo isso me sugeriu a presença anterior de povos primitivos.



O senhor viu outros padrões primitivos iguais a esse no mar ou em terra?

No deserto de Nazca, no Peru, vi em terra a mesma prova evidente de ocupação, inclusive figuras geométricas de diversas formas, algumas comparáveis às encontradas nos bancos das Baamas.



Quando o senhor encontrou a estrada ou muro das Bimini?

Quando voltava de barco de um mergulho nos recifes Paradise, no Dia do Trabalho de 1968. Eu estava procurando uma montanha marinha perto desses recifes enormes, vindos de uma profundidade de 915 metros até chegarem a 15 metros abaixo do nível do mar. Acompanhavam-me os mergulhadores Jacques Mayol, Chip Climo e o famoso pescador das Bimini Bonefish Sam. Na volta, pedi a Bonefish que me levasse a um local onde eu pudesse obervar os peixes e ele me disse saber de um rochedo a oeste das Bimini diante de Rockwell Point. Ao chegarmos lá, Chip passou para o outro lado e eu o segui.

Quando vi a disposição regular dessas pedras enormes, fiquei tão surpreso que perdi o cinto de chumbo, o qual ainda deve estar por lá. Mal podia acreditar; parecia um sonho. Ocorreu-me que talvez fosse o Sacbé — a estrada branca cerimonial dos maias —, pois se parecia com a que eu tinha visto em Iucatã. Acompanhei-a por uns 90 metros até chegar às grandes pedras que desaparecem debaixo da areia. Percebi então que tínhamos alguma coisa de concreto.

O senhor relacionou isso com a profecia de Edgar Cayce sobre a Atlântida?

Eu não conhecia a profecia naquela ocasião, mas quando mais tarde soube que 28 anos antes de eu descobrir aquela estrada ele havia dito que a Atlântida emergiria outra vez, tendo acrescentado "...por volta de 68 ou 69, não muito mais depois"... e então quando soube que ele ainda havia dito que ela seria descoberta próximo das Bimini, devo confessar que fiquei assombrado.



Que o senhor acha do ceticismo por parte da comunidade científica, dando a entender que a estrada não é obra do homem, mas apenas pedras de praia?

Pode me acreditar, elas não são quadrados de pedras dispostos pela natureza em perfeitas fileiras para engambelar tolos arqueólogos submarinos. Muitas dessas pedras são de micrita dura como calhau, diferentes, portanto, da macia pedra de praia. As fileiras de pedras muito bem encaixadas são retas, paralelas entre si, e terminam em pedras angulares. A avenida de pedra é reta, não segue a linha de pedras da praia, em curva, acompanhando o contorno da ilha. A longa avenida contém grandes pedras achatadas escoradas nos seus cantos por grandes pedras aprumadas como os dólmens da costa ocidental européia. Retângulos perfeitos, ângulos retos e contornos retilíneos são inexplicáveis numa formação natural. Uma extremidade do complexo volteia num canto lindamente recurvo antes de desaparecer sob a areia. Ainda não escavaram abaixo dele, de modo que não se sabe até onde essas pedras descem.



Na sua opinião, o que é essa ruína?

Acho que é uma estrada cerimonial que conduz a um lugar especial. Após a curva, a pedra se abre, de duas, em três fileiras. Uma parte da estrada cerimonial maia, a Sacbé, passa por baixo da água em Iucatã e continua por mais um quarto de milha mar adentro até desaparecer. Como o Sacbé foi erigido como estrada elevada, acho que escavações sob as pedras e junto delas revelariam construções. Mas a maioria dos arqueólogos parece alérgica à água — eles acham que, como a linha costeira provavelmente sempre foi a mesma, qual a necessidade de procurar sob o mar ruínas arqueológicas de edificações e estradas?



O senhor não acha que esse tipo de enfoque está se modificando?

Não de todo. Acho que a razão pela qual os cientistas hesitam em examinar essas ruínas e outras inexplicáveis é que receiam o surgimento de alguma coisa que venha derrubar suas claras explicações. É um velho preconceito e tem suas raízes nas opiniões anticataclísmicas. Tais pesquisadores não querem encontrar coisa alguma que tenha a ver com mudanças radicais. Preferem considerar inúmeras ruínas e estátuas como caprichos da natureza. Contudo, diante de novas e inesperadas descobertas, algumas brechas estão se abrindo aqui e ali entre as comunidades pseudocientíficas. Tenho, portanto, esperança no futuro.



Que raça, em sua opinião, foi responsável pela construção dessas estradas e paredes?

Os povos que fizeram as grandes esferas da América Central, as cabeças de pedra de Tehuantepec, as imensas formações de Baalbec no Líbano, de Malta no Mediterrâneo, de Stonehenge na Inglaterra, os muros de Sacsahuaman e Ollantaytambo no Peru, as avenidas de pedras verticais na Bretanha, as colossais ruínas de Tiahuanaco na Bolívia e as estátuas da Islândia oriental — era uma raça pré-histórica que conseguia transportar e posicionar pedras ciclópicas de uma forma que até hoje permanece um mistério para nós.


O Dr. Valentine aqui se refere a lugares pessoalmente investigados por ele em sua longa carreira de explorador e arqueólogo. Os desenhos mostram a semelhança entre duas dessas estruturas antigas ainda eretas e a disposição das pedras na estrada ou muro das Bimini. Se a edificação submarina das Bimini é uma estrada elevada, as pedras de sustentação devem ainda estar abaixo do solo marinho, da mesma forma que o centro cerimonial (ou centros) para onde essa estrada se dirigia. Se for um muro, talvez tenha caído para o lado possivelmente durante um movimento sísmico.

Edgar Cayce, clarividente contemporâneo cujas surpreendentes profecias, muitas das quais exatamente realizadas, deram-lhe renome mundial, predisse, em 1940, a descoberta de ruínas submarinas relacionadas com a lendária Atlântida de Posídon. Eis aqui a transcrição dessa profecia: "...e Posídia estará entre as primeiras partes da Atlântida a se erguer outra vez, por volta de 68 ou 69 — não muito depois." E acrescentou: "Uma parte do templo [da Atlântida] poderá ainda ser descoberta sob o limo de antigas algas, perto do que se denomina ilhas Bimini, ao largo da costa da Flórida."


Desenho linear de parte do muro de Bimini, vendo-se o encaixe perfeito de alguns dos blocos de pedra maiores. A separação no meio do desenho pode ter sido resultado do desmoronamento lateral, durante um abalo sísmico.



Desenho de um túmulo ou templo pré-histórico em Malta, no qual se pode notar o uso de blocos de pedra cuidadosamente encaixados, sem argamassa. Essas construções assemelham-se a outras estruturas pré-históricas em várias partes do mundo, como por exemplo no Peru, Bolívia, Sul da Espanha, Baalbec no Líbano, e as ruínas submersas dos dois lados do Atlântico.



Desenho dos muros colossais em Sacsahuaman, onde pedras que pesam até 250 toneladas estão encaixadas com precisão, e que se assemelham notavelmente aos templos pré-históricos de Malta e aos muros submersos do Atlântico.


Sob o impulso dessa profecia, vários pilotos, como Bob Brush, Trig Adams, Jim Richardson e o piloto e explorador submarino francês Dimitri Rebikoff começaram a observar de perto os bancos das Bimini, enquanto as sobrevoavam, e, exatamente em 1969, relataram uma série adicional de imagens ao largo da ilha Andros e das ilhas Berry e Bimini.

Duas expedições de barco até a área das Bimini, sob a direção do Dr. David Zink, historiador, mergulhador e escritor (The Stones of Atlantis), permaneceram ancoradas acima do muro ou estrada por meses a fio, tempo suficiente para explorar detalhadamente as grandes pedras e seus arredores. Zink é de opinião que as rochas não representam pedras de praia espalhadas a esmo, não só por sua composição, mas porque uma rachadura no solo marinho de rocha calcária abriu e mudou a posição da sólida rocha calcária ao redor e sob o muro, mas não afetou o alinhamento do próprio muro. Um bloco de pedra entalhada foi içado durante a expedição, assim como uma "cabeça estilizada" de peso estimado entre 90 e 130 quilos, possivelmente a cabeça de um animal — um felino gigante, talvez um jaguar.

O Dr. Zink observa que as pedras duras da parede são diferentes das pedras de praia comuns que, "sob certas condições, se formam rapidamente, conforme pode ser evidenciado por garrafas de cerveja encontradas solidamente presas no interior delas". Essas garrafas são, é claro, consideravelmente mais recentes que outros restos de vidro no leito marinho, como por exemplo, as garrafas de rum encontradas na cidade submersa de Port Royal, que num breve instante submergiu até onde se encontra agora, levando junto seus habitantes consumidores dessa bebida.

Uma expedição dirigida em 1982 por Herbert Sawinski, explorador, mergulhador e presidente do Museu de Ciência e Arqueologia de Fort Lauderdale, investigou outra parte menos conhecida do Triângulo das Bermudas: os bancos submersos com afloramentos de terra em vários locais entre 25° 50' a 23° 30' N e 80° 30' a 79° 40' O. Extensas calçadas de pedra foram localizadas e fotografadas a uma profundidade de 7,6m, assim como outros muros separados com vestígios de uma calçada que corria ao longo do topo. O muro principal continua por uns 400 metros mar adentro, onde desaparece subitamente numa profundidade de 750 metros.

Parte desse muro, ou estrada elevada, bifurca-se perto da praia e continua sob a água, seguindo em parte a linha costeira do que resta atualmente daquilo que outrora foi uma grande ilha, agora submersa no oceano. Em outro ponto sobre esse planalto submarino, os mergulhadores seguiram por uma passagem sob pedras submersas e descobriram uma pedreira afundada repleta de blocos de pedras de forma definida. Tentativas de fotografar a pedreira falharam devido às violentas ondas da superfície, à baixa visibilidade e às fortes correntes submarinas.

Todo o planalto submarino onde existem as ruínas dessas edificações tem por volta de 96.500 metros de cada lado de um triângulo desajeitado entre os estreitos da Flórida e os canais S. Nicolau e Santarém. Esse planalto aflora à superfície apenas ao redor de suas extremidades, estabelecendo, grosso modo, os limites do que foi um dia uma grande ilha, talvez comportando muitos habitantes. Embora não haja água doce na estreita faixa de terra, existem várias fontes de água doce no oceano, exatamente como nos Açores.

Dentro dessa área existem diversos e estranhos buracos azuis — não propriamente cavernas em paredões submarinos de pedra calcárea, mas buracos circulares de 800 metros de diâmetro que descem em linha reta até a profundidade de 305 metros, embora o fundo marinho ao redor de tais buracos só alcance a profundidade de alguns metros. Esses buracos no oceano podem ser comparados em forma com os cenotes, os enormes poços descobertos de Chichen Itza, nos quais os maias costumavam atirar jade, ouro e virgens como sacrifícios aos deuses.

Foi exatamente nessa área que pescadores e pilotos deram origem a notícias sobre uma grande pirâmide, ou várias, ao largo dos bancos das Baamas, elevando-se do leito oceânico. Noticiou-se em 1977 que, a sudoeste do banco Sal, a sonda acústica de um barco teria captado os contornos de imensa pirâmide durante uma expedição de pesca submarina. Desde então fez-se grande número de sondagens e mergulhos, ainda com resultados inconclusos, na mesma formação piramidal ou outras semelhantes, localizadas nas águas profundas dessa região. Eugene Shinn, geólogo do Departamento Geológico dos Estados Unidos, foi citado pela imprensa como tendo declarado que uma "pirâmide" perto do banco Sal é uma formação natural, apesar de seu perfil piramidal. Alguns mergulhadores declaram ter notado divisões ou rachaduras naturais ao longo do lado de uma pirâmide submarina, o que seria explicável caso a referida pirâmide fosse composta de grandes blocos de pedra. O assunto tornou-se ainda mais complicado diante da probabilidade da existência de mais de uma formação piramidal em toda a área, assim como há vários — entre 50 e 60 — e inexplicáveis muros, estradas e círculos de pedra por toda a região do Caribe e das Baamas, no Atlântico ocidental.

Em 1978, Ari Marshall, industrial grego interessado na velha lenda da Atlântida, organizou uma expedição para encontrar a pretensa pirâmide nas proximidades do banco Sal. Essa expedição realmente filmou em circuito fechado de televisão, no comprimento total, uma formação piramidal ao longo do banco Sal a uma profundidade de mais de 280 metros. Ari Marshall lembra alguns detalhes:
A primeira coisa que vimos ao nos aproximarmos da área foi que todas as bússolas se desgovernaram. Passamos oito horas gravando em vídeo-teipe, começando a uma profundidade de 213 metros até atingir 457 metros. Seguimos depois durante uma milha, depois demos uma volta de 90 graus e retornamos. Finalmente eu a vi aparecer na tela do sonar. Disse ao capitão que parasse as máquinas e, então, prosseguisse lentamente. Estávamos bem acima da pirâmide. O topo parecia estar cerca de 45 metros a partir da superfície, sendo a profundidade total cerca de 200 metros. Baixamos a câmara e as luzes de alta intensidade abaixo do lado da massa e, de repente, demos com uma abertura. Lampejos de luz ou brilhantes objetos brancos estavam sendo varridos para dentro da abertura pela turbulência. Pode ser que se tratasse de gás ou de alguma espécie de cristais energéticos. Mais abaixo, o mesmo ocorreu no sentido contrário: eles saíam a um nível mais baixo. O surpreendente nessa profundidade era a água ser verde e não negra próximo da pirâmide, mesmo à noite.
Os mergulhadores não desceram à profundidade de 105 metros ou mais nessa expedição. O vídeo-teipe obtido não foi concludente por causa do campo limitado das lentes do vídeo. Embora a "pirâmide" parecesse revelar um muro inclinado, não era evidente se o mesmo era ou não de pedra. Mas a inesperada fotografia dos grandes buracos no lado do maciço objeto, através dos quais passavam partículas brilhantes e aparentemente carregadas de eletricidade, é um surpreendente indício das muitas anomalias eletrônicas geralmente detectadas no Triângulo das Bermudas.

É claro que haveria profundidade mais que suficiente para conter uma grande pirâmide no profundo oceano ao largo do banco Sal e, considerando-se as ruínas de calçadas, muros e estradas de pedras já evidentes em várias partes da área das Baamas, a construção de pirâmides ou templos piramidais seria lógica, assim como foi em Iucatã, relativamente perto, na Mesopotâmia e no Egito.

Uma pirâmide submarina seria difícil de mapear, em parte por causa do mutável fundo do mar e em parte por causa da pequena área do topo. Os mapas da Marinha americana, assim como os do Almirantado britânico, mostram o que talvez seja uma montanha marinha ou uma pirâmide feita pelo homem nas coordenadas 23° 26' N e 79° 43' O ao largo do banco em 504 metros de água que se eleva repentinamente à baixa profundidade de uns 13 metros. Mas outra elevação repentina só aparece nos mapas do almirantado inglês nas coordenadas 23° 34' N e 80° O numa profundidade de 540 metros que se eleva a 11 metros. Na profundidade de 540 metros, é compreensível a possibilidade de haver grandes objetos no fundo que poderiam ter escapado a uma observação anterior a menos que estivessem sendo especificamente procurados.

Medições mais exatas no solo oceânico acabarão estabelecendo se essas elevações são montanhas marinhas ou pirâmides feitas pelo homem. Vários anos atrás, um submarino norte-americano colidiu de repente num obstáculo subaquático em local próximo a essa área, embora não houvesse montanhas marinhas ou algum barco naufragado indicado nas cartas. Não houve avarias, visto que o submarino estava equipado para quebrar o gelo ártico, e, após a colisão com o que talvez fosse um monumento de 12 mil anos, ele seguiu seu curso.

Vislumbres das pirâmides submarinas têm algumas vezes sido comunicados por pessoas que sobrevoam ou mesmo visitam certas áreas do Triângulo das Bermudas por ocasião de excepcional turbulência marítima. Tal turbulência pode advir de vagas subaquáticas, maremotos, furacões localizados, erosão da camada superior do fundo do mar por ação de tempestades ou mudanças de maré provocadas por ondas seiche,* originadas, talvez, bem distante do local e que, subitamente, arrastam a água para longe da terra e, depois, encapelam-se perto das ilhas, ou por outras ocorrências endêmicas ao Triângulo que ainda não compreendemos.

*Oscilação repentina e ocasional da água de um lago, baía, estuário etc, causando flutuação do nível da água, e provocada por vento, terremotos, alterações na pressão atmosférica etc. (N. da E.)


Uma mudança no nível do mar que revelou surpreendente visão do fundo foi presenciada por Ed Wilson, ex-candidato a prefeito de Orlando, na Flórida, a 7 de junho de 1978. Pilotando um Waco aberto com um motor Continental equipado para vôos de 12 horas, ele procurava tesouros marinhos no fundo do baixio.
Eu estava cerca de 73 milhas a noroeste de Miami, voando cerca de 75 metros acima do nível do mar, quando fui atingido por uma sibilante e violenta corrente de ar ascendente que abalou o avião. Fiz o aparelho subir para cerca de 300 metros. Ora, já fui atingido por correntes ascendentes e descendentes, mas nada semelhante a isso. Depois de voltar para a altitude mais ou menos normal, notei que a água havia se tornado brilhante e prateada. Reparei em algo grande sob a água e pensei ser um navio afundado. Aquilo não estava muito longe da superfície. Alguma coisa fazia a água correr por ela a grande velocidade, encapelando-a e formando um profundo canal. O oceano parecia estar se abrindo. Nesse momento, eu estava voando mais baixo sobre uma espécie de canal na água com os dois lados dele encostando nas pontas das asas.

De repente percebi que o que estava olhando não era de modo algum um navio mas uma imensa edificação bem fundo na água. Essa parecia ficar mais rasa ao seu redor. Eu podia ver um lado inclinado da edificação que parecia uma montanha. Eu estava cerca de 15 metros abaixo da superfície e pude vê-la na água. Contornei-a mais ou menos por um minuto e meio. Dava até para ver cracas por cima dela e a água correndo por seu topo. De meu ângulo e de minha posição, podia ver claramente que se tratava de uma construção gigantesca. O sol brilhava de tal maneira que, graças a seus raios, eu conseguia distinguir perfeitamente bem a enorme edificação sob a água. Pensei ver outras a seu redor, mas não muito bem. O que eu via mesmo deveria ter uns 30 a 45 metros de altura, segundo meus cálculos.

Comecei a me preparar para obter as indicações do local quando, nesse claro dia, outra coisa estranha ocorreu: todos os instrumentos magnéticos acusavam zero. Então uma estranha coloração me envolveu todo. A uns 180 metros acima da água, no ar, aquela forte coloração carmesim simplesmente me desconcertou!

O motor Continental de 240 H.P. tornou-se a mais louca máquina que já dirigi. Parou de vez, apesar de toda a minha luta com o afogador e as bombas injetoras de gasolina. Então o avião planou bem suavemente uns três quilômetros e tanto. E, de repente, o motor simplesmente pegou por si mesmo. Eu não podia baixar mais porque já estava praticamente em cima da água. Foi quando percebi que alguma força estava impelindo o aparelho rumo oeste.

Ora, depois de tudo isso, consegui por fim voltar ao aeroporto berrando pelo meu Bendix apesar de não obter resposta em nenhuma faixa de freqüência. Após aterrissar e ter feito a verificação no equipamento de radiocomunicação, verifiquei que todos os equipamentos tinham queimado devido a um curto provocado por algum choque de corrente eletrônica de alta freqüência. A explicação que me deram foi de que talvez eu tivesse penetrado num cinturão magnético ou coisa parecida.

Nestes últimos anos, voltei lá várias vezes, mas nunca mais vi aquilo. Alguns detestáveis conterrâneos caçoam de minha história. Mas sei que tenho razão. Vocês alcançaram com o sonar a mesma coisa de que falei exatamente na mesma região.


Uma experiência de mergulho nas águas das Baamas narrada pelo Dr. Ray Brown, mergulhador e conferencista de Mesa, no Arizona, demonstra como o fundo do mar pode mudar em conseqüência de violenta tempestade. Dentro do Triângulo das Bermudas, uma tempestade assim pode, às vezes, revelar ruínas por curto lapso de tempo antes que sejam novamente enterradas sob o solo oceânico.

O Dr. Brown, que conhecia bem as ilhas Berry das Baamas, onde estivera anteriormente procurando galeras espanholas, voltou àquele lugar em 1970. Ele detalhou sua experiência numa entrevista com o autor.


Quando voltamos ao local onde tínhamos estado antes procurando galeões afundados, fomos surpreendidos por violenta borrasca. Ondas de dois a dois metros e meio nos assolaram, ocasionando a perda da maior parte de nosso equipamento.

Na manhã seguinte, vimos que as bússolas estavam girando e os magnômetros não estavam fornecendo informações. Afastamo-nos ao largo da parte noroeste da ilha. Estava muito escuro, mas, de repente, pudemos ver perfis de edificações submersas. Parecia uma grande área exposta de uma cidade submersa. Éramos cinco mergulhadores e nos atiramos na água mergulhando fundo para descobrir do que se tratava.

Enquanto nadávamos, a água foi ficando mais clara. Eu estava perto do fundo, a 40 metros, tentando acompanhar um mergulhador à minha frente. Voltei-me em direção ao sol e, através da água escura, divisei a forma de uma pirâmide brilhando como um espelho. A cerca de 10 ou 12 metros do topo, havia uma abertura. Relutei a princípio, mas acabei entrando. A abertura era como um poço que abria para um aposento interno. Vi algo brilhando. Era um cristal sustentado por duas mãos metálicas. Eu estava de luvas e tentei arrancá-lo, o que consegui. Mas, assim que o agarrei, percebi que estava na hora de sair e não mais voltar.

Não sou a única pessoa que viu essas ruínas — outros as viram de aviões e dizem que elas têm oito quilômetros de largura, com extensão um pouco maior.


Não se puderam obter relatórios dos outros mergulhadores que estiveram com o Dr. Brown, de vez que três deles morreram ou desapareceram ao mergulharem no Triângulo das Bermudas. O Dr. Brown ainda tem o cristal, que às vezes apresenta em suas conferências. Dentro do cristal redondo, pode-se ver uma série de formas piramidais. Quando alguém segura o cristal, sente na mão algo como que uma pulsação — seja por auto-sugestão ou por alguma qualidade inerente ao objeto.

O Dr. Brown não emite qualquer opinião quanto à identidade do local que visitou, exceto por afirmar que se trata de uma pirâmide submersa cercada de edificações em ruínas. Ele acredita que a pirâmide e as outras edificações se estendam bem abaixo do solo oceânico, com apenas as partes superiores visíveis. Brown não revela as coordenadas da pirâmide que, se localizada perto das ilhas Berry, não é definitivamente a mesma procurada pela expedição de Ari Marshall. Mergulhadores e capitães de pequenas embarcações que viram ruínas submersas mostram-se naturalmente pouco inclinados a facilitar a localização de suas descobertas. Isso se aplica também à localização de navios com tesouros, onde grupos rivais de mergulhadores têm travado entre si combates sob as águas, na melhor tradição de James Bond.

Se a pirâmide não voltou a submergir sob o solo oceânico, deveria poder ser vista do ar em condições ideais de visibilidade, já que o topo da mesma estaria a 14 metros da superfície. Conquanto futuros mergulhadores não possam provavelmente esperar recuperar cristais de canais interiores, a recompensa por encontrar uma obra arquitetônica como a pirâmide já seria o bastante.

Os mergulhadores que procuram tesouros representam um perigo para os sítios de valor arqueológico e para os objetos encontrados sob o mar, assim como gerações de caçadores de tesouros em terra comprometeram ruínas soterradas de antigas cidades, carregando peças para serem vendidas a museus e coleções particulares. Alguns desses mergulhadores têm sugerido que certas ruínas no Triângulo sejam dinamitadas para que se descubra o que existe por baixo. Por essa razão, mergulhadores e exploradores arqueológicos submarinos deveriam usar de cautela em suas pesquisas, verificando a recuperação de peças junto aos governos que controlam as águas visitadas. Os americanos são aconselhados a se manterem a 26 milhas da costa de Cuba, apesar das cidades submersas que ali dizem existir, ainda não exploradas, pois nunca ocorreu a ninguém, até bem pouco tempo atrás, que talvez uma parte importante do antigo mundo civilizado (colônias ou mesmo partes da Atlântida) pudesse ser encontrada sob o Atlântico e o mar das Caraíbas.

Pode não ser mais que mera coincidência o fato de a área em que ocorreu a maioria das descobertas submarinas do Atlântico ocidental estar dentro do Triângulo das Bermudas — uma parte do Atlântico mais ou menos localizada entre as Bermudas, o Sul da Flórida e um ponto além das Antilhas na longitude 60° Oeste —, onde centenas de navios e aviões, com respectivas tripulações e passageiros, desapareceram sem deixar vestígios nos últimos 50 anos e, antes disso, desde que a região foi pela primeira vez cruzada por navios de comércio costeiro ou transatlânticos de recreio. Embora a incidência de desaparecimentos seja relativamente pequena em comparação com o número de vôos e passeios de barco diários por todo o Triângulo, a indagação sobre a causa de tais desaparecimentos e o que acontece com as vítimas ainda permanece sem resposta.

Nos tempos modernos, desde que o fenômeno passou a ser investigado mais de perto, as últimas mensagens de navios e aviões, assim como os relatórios de embarcações que se encontraram em condições estranhas nessa zona de perigo, conseguindo afinal escapar, acabaram por formar um quadro mais nítido do que poderia ter acontecido em diversos casos de desaparecimentos insolúveis, e de alguns com sobreviventes. Certos indícios são comuns a todos: bússolas descontroladas, repentina falta de força, mau funcionamento do equipamento de navegação, pane no radar indicador de vôo, falha eletrônica, incapacidade de controle da altitude de aviões, ligeiras anomalias vistas à noite no ar e abaixo da superfície do mar, repentino aparecimento de envolvente — às vezes, brilhante — névoa acima de uma pequena área ao nível do mar, ou de uma nuvem no céu (testemunhas, por vezes às centenas, viram aviões desaparecerem em meio a tais fenômenos, não mais retornando), tensão nos metais e nas partes de madeira de aviões e embarcações, e forte atração magnética puxando aviões e embarcações de superfície para o mar e abaixo dele. Essas ocorrências relatadas não parecem estar ligadas a repentinas tempestades, mas sim relacionadas com forças eletromagnéticas ou tensões que emanam do próprio mar. De acordo com os relatórios, essas forças, em certas ocasiões, chegaram a afetar a mente de pessoas que atravessavam a área, fazendo com que tivessem visões ou mudassem de procedimento, daí resultando perigo ou morte para elas próprias ou para os outros.


Comparação entre as elevações e abismos no fundo do mar, na parte ocidental da área, geralmente conhecida pelo nome não-oficial de Triângulo das Bermudas. Essa área caracteriza-se pelo clima estranho e pelos fenômenos marítimos; pelo comportamento irregular das bússolas, e dos aparelhos de direção e comunicação de navios e aviões que por ali passam. É notável, sobretudo, pelo desaparecimento misterioso de navios e aviões, com seus passageiros. Flórida, Cuba e outras grandes massas terrestres são indicadas em branco, e as ilhas menores, em preto. Outras áreas brancas contíguas à terra eram áreas terrestres há cerca de 12 mil anos. A escala vertical da subida das águas foi acentuada, para a apresentação diagramática. O leito do mar no Triângulo apresenta grandes variações, indo de profundezas abissais a extensos bancos rasos que cobrem milhares de quilômetros quadrados, de sistemas de cavernas submersas até o Sargaço cheio de algas, um "mar" no meio do oceano.

Uma teoria recente sugere uma explicação insólita para o desaparecimento de aviões e navios no Triângulo das Bermudas: aberturas ou rupturas dentro de montículos de gás nas planícies abissais e nas plataformas continentais do Triângulo, onde sedimentos quase congelados, contendo gás na forma de camadas de hidrato, fazem grandes nuvens de gás hidrocarbônico emanarem dessas rupturas. Quando esse gás atinge a superfície, vira bolhas de espuma, diminuindo a concentração de água e fazendo com que os navios baixem e afundem. Os aviões, no caso de voarem a baixa altitude, encontrariam repentinos vácuos de gás que interfeririam com o motor e o funcionamento do avião, fazendo o piloto perder o senso de orientação. Essa teoria, englobando o mistério do desaparecimento de navios e de aviões em vôo baixo, também enfatiza as constantes mudanças e tensões do solo marinho, que podem ter causado ou sido o resultado da catástrofe que atingiu a Atlântida. Pode-se especular que a razão para o desaparecimento da Atlântida seja finalmente encontrada nos abismos, valões e declives continentais do solo oceânico no Triângulo das Bermudas.

Foi também especulado por alguns pesquisadores que um formidável bólido magnético que atingiu a Terra no último milênio pode ainda estar no fundo do Triângulo e ser a causa de anomalias magnéticas e de comunicação. Egerton Sykes, famoso pesquisador britânico da Atlântida, acha que tão gigantesco asteróide que tenha caído no mar talvez seja reconhecido nos registros e lendas de povos de ambos os lados do Atlântico, especialmente os maias, os mais próximos da área, que se referiram no Popul Vuh a uma catástrofe semelhante. Sykes observa: "Não é freqüente esse tipo de colisão. Mas ocorreu muitas vezes no passado. Talvez o Triângulo das Bermudas devesse ser chamado a Cratera das Bermudas. Um meteoro maciço, mergulhando 16 a 19 quilômetros sob a superfície da Terra, poderia, através dos anos, estar causando tais anomalias."

Há lendas sobre extraordinários poderes e magia (ou tecnologia) desenvolvidos por antigas civilizações tidas como verdadeiramente existentes antes da era histórica por tribos antigas e primitivas e por alguns historiadores modernos. Os hopi, os maias e outros povos ameríndios falam de uma guerra aérea, da destruição de grandes cidades em explosões, de continentes afundados e do recomeço da vida civilizada depois de catástrofes. Livros sobre a antiga índia, transcritos de lendas revividas através de milhares de anos, descrevem foguetes e a destruição de exércitos inteiros num só resplandecente átimo cósmico, em termos que, após 1945, são perfeitamente compreensíveis ao leitor moderno. No campo psíquico, Edgar Cayce, o "profeta adormecido", refere-se em suas leituras mediúnicas ao uso e abuso de grandes fontes de energia pelos primitivos atlantes. Durante suas leituras de vidas e experiências passadas de pessoas em transe, Cayce falou do desenvolvimento, na Atlântida, de cristais como fontes de poder e destruição. Descreveu em linguagem não-científica e perfeitamente compreensível os trabalhos do laser e do maser — a imensa energia de luz controlada — muitos anos antes de o laser se tornar realidade ou mesmo teoria expressa.

A partir desse pano de fundo de lenda histórica e fenômenos psíquicos até agora inexplicáveis, desenvolveu-se uma teoria que sugere que as estranhas ocorrências no Triângulo das Bermudas possam ser ocasionadas por antigas fontes de força preservadas dentro de pirâmides ou outras edificações, ainda parcialmente operando, de maneira intermitente, com suficiente força eletromagnética, ou outra forma de energia, para alterar a operação de navios e aviões que, milhares de anos depois, passem acima de suas posições.

Mensurações magnéticas controladas sobre a região, e explorações submarinas, especialmente nas profundezas ao largo dos bancos das Baamas, talvez pudessem estabelecer se os navios de superfície e aviões modernos ainda estão sendo influenciados por instrumentos científicos de uma antiga civilização perdida, de uma época em que acreditamos não ter existido a ciência tal qual a conhecemos.

Mas, na medida em que nossa própria tecnologia científica se desenvolveu, tornamo-nos capazes de examinar partes inexploradas da Terra, a partir tanto do espaço quanto do ar, de medir e mapear os mares e oceanos do mundo através de aperfeiçoadas fotografias a grande profundidade, varreduras laterais com o sonar e DSRVs (deep submerged research ves-sels, navios de pesquisa de grande profundidade). Podemos hoje determinar com razoável precisão, através de uma série de técnicas de datação, a idade de artefatos encontrados, assim como chegar a uma melhor compreensão de seu provável emprego — o que nem sempre acontecia anteriormente.

No momento em que nos encontramos no limiar da exploração cósmica, de certa forma aturdidos com nosso próprio potencial tecnológico de autodestruição, estamos também começando a reavaliar a extensão e o desenvolvimento de uma antiga civilização num mundo do passado, onde as regiões de terra e de água deveriam ser consideravelmente diferentes daquelas em que vivemos hoje em dia.

9

DOS CÉUS E DO ESPAÇO, INESPERADAS DESCOBERTAS


Já se disse algumas vezes que a Muralha da China seria a única estrutura feita pelo homem na Terra com possibilidade de ser vista da Lua. Ainda não se tentou fotografá-la de lá, pois os visitantes temporários da Lua têm andado ocupados com outras coisas. Não obstante, outras fotografias da Terra feitas do espaço a distâncias consideravelmente mais próximas pelos ERTS (Earth research technical satellites, satélites de pesquisa técnica da Terra) poderiam ter fixado em filme, completamente por acaso, antigas edificações terrestres perdidas durante milhares de anos.

Os satélites ERTS são lançados pela NASA e destinados a fotografar, para fins de pesquisa, a topografia, os recursos, os potenciais agrícolas e a cobertura de floresta e água do planeta. As informações assim obtidas estão ao alcance de todas as nações. Os vários satélites têm órbitas fixas, mas ampla cobertura fotográfica, de vez que a Terra gira abaixo dos mesmos, oferecendo constantemente novas áreas para seus campos de observação. Esses satélites possuem diferentes faixas que são usadas para as mesmas fotos e, quando misturadas, auxiliam na interpretação das informações recebidas.

Em suas trajetórias acima de florestas, desertos e áreas geladas de difícil acesso do mundo, esses satélites, dependendo da ausência de nuvens, poderiam revelar indicações anteriormente insuspeitadas de locais e estruturas muito antigas. Na verdade, alguns já podem ter feito isso. Locais antiqüíssimos ainda não descobertos devem existir, relativamente imperturbados, apenas no coração das florestas, ou abaixo do fundo do mar, ou sob a calota polar. Caso contrário, durante todos estes milhares de anos, a maioria teria sido destruída ou incorporada a outras estruturas construídas acima deles. Ou eles poderiam ser tão grandes que seriam considerados montanhas naturais e reconhecidos como edificações apenas quando seus formatos ou alinhamentos uniformes fossem vistos de posição bastante afastada para oferecer uma perspectiva útil.

A 30 de dezembro de 1975, o Landsat II, um satélite ERTS, tirou, no seu curso normal de atividades, uma série de fotografias a cerca de 13° S de latitude e 71° 30' O de longitude, por sobre as selvas do Sudeste do Peru, a uma distância de 880 a 930 quilômetros no espaço. Uma das fotografias mostrava uma série de oito "pontos" inexplicáveis, que mais tarde pareceram protuberâncias sombreadas, alinhadas em duas fileiras dispostas em linhas retas, estruturas e fileiras eqüidistantes entre si. Quando esse curioso alinhamento foi examinado, aventou-se que, por causa da área sombreada das elevações geometricamente regulares, não se tratava de elevações, e sim de lagoas — um rio é mostrado perto —, mas nas fotos infravermelhas elas aparecem brancas como montanhas, sinal de que eram feitas de pedra. Estavam todas bem no interior das selvas, a quilômetros de uma montanha rochosa próxima que assinala a extremidade do altiplano andino. Os cálculos feitos pelo Instituto Andino de Arqueologia de Lima avaliaram, a partir das fotografias do Landsat, que cada ponto representava uma estrutura apenas um pouco menor em altura que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.

Realizaram-se investigações mais minuciosas sobre essa série de oito estruturas através de aviões de vôo baixo. Observou-se que elas pareciam pirâmides cobertas de árvores, e não oito, mas 12, uma vez que quatro outras menores, também dispostas em duas fileiras, não apareciam nas fotos do Landsat. Foram feitas diversas tentativas para se chegar à região por terra, mas isso se tornou complicado diante das difíceis condições da selva, que resultaram na morte e no desaparecimento de alguns dos exploradores. Entre tais dificuldades podemos citar cobras venenosas, insetos e índios particularmente hostis, que resistem aos intrusos com silenciosas zarabatanas ou longas flechas e que acreditam ser a área uma cidade sagrada dos "antigos".

Diversos exploradores americanos, incluindo Herb Sawinski e Phillip Miller, ambos de Fort Lauderdale, na Flórida, sobrevoaram as "pirâmides" em pequenos aviões e tiraram fotografias delas. Sawinski, que as sobrevoou a 60 metros de altitude, comenta a respeito de sua forma ou construção regular:


Parecem estruturas cobertas de vegetação. São alinhadas simetricamente entre si. Várias apresentam um desgaste próximo do topo, que indicaria terem sido feitas, ou melhor, erigidas pelo homem. A diferença na cor da vegetação mostra que são feitas de material diferente do encontrado no solo das florestas circunvizinhas.

Há duas outras enormes formações retangulares atualmente cobertas de árvores e duas semicirculares, não tão altas quanto as pirâmides. Elas estão localizadas ao sul, mas fazem parte do complexo. Há também altas cristas semicirculares em cada extremidade do complexo que talvez sejam muros.



O senhor acha que sejam realmente pirâmides?

Certamente é o que parece. Mandamos um pedido ao Instituto Ambiental de Michigan e lá sugeriram que as pirâmides talvez fossem cristas truncadas, como o Devil's Backbone do Colorado. Mas isso não explicaria as outras estruturas. Acho possível que todo o complexo seja as ruínas de uma antiga cidade construída por algum povo milhares de anos antes dos incas.


A possibilidade da existência de pirâmides de pedra suficientemente grandes para serem vistas do espaço e localizadas em plena região de densa floresta do Peru oriental, lembra a firme crença do coronel P.H. Fawcett — que lhe custou a própria vida — de que grandes cidades de pedra existiram outrora na que é hoje a região florestal mais densa da América do Sul (Lost Trails, Lost Cities, 1953). Segundo o coronel, essas cidades precederam a cultura incaica da costa oriental e seus construtores vieram originalmente do leste, refugiados de terras que tinham submergido no mar.

Fawcett, coronel do exército britânico que devotou anos à exploração e reconhecimento de limites no centro amplamente inexplorado da floresta sul-americana, acreditava que essas grandes cidades tivessem milhares de anos e que "a ligação da Atlântida com regiões do que hoje é o Brasil... propicia explicações para muitos problemas que, de outra forma, são mistérios insolúveis".

A presença de povos não-indígenas na América Central e do Sul foi estabelecida em épocas anteriores por membros de expedições espanholas e portuguesas, que descreveram encontros com tribos de homens brancos (uma delas vivendo numa cidade chamada Atlán), e também de negros guerreiros. Em suas próprias expedições, Fawcett ouviu de diversas tribos que homens brancos, muitas gerações atrás, haviam construído grandes cidades que ainda existiriam nas profundas florestas úmidas e que suas altas casas de pedras e ruas do mesmo material eram ainda iluminadas à noite por uma fixa e brilhante luminescências de origem desconhecida. Alguns índios disseram-lhe que existia um grande tesouro nessas remotas cidades (subterfúgio muito útil às vezes empregado pelos índios para persuadir os brancos a saírem da região atrás de outros lugares, o mais distante possível de sua aldeia).

Outros índios informaram a Fawcett que algumas das cidades em ruínas eram ainda habitadas por descendentes dos construtores originais, e que certas tribos indígenas selvagens formavam uma barreira protetora contra os intrusos. O coronel Fawcett, procurando anos a fio essas cidades misteriosas, encontrou casualmente sobreviventes de expedições que buscavam tesouros e cujos membros haviam morrido ou desaparecido nas selvas. O próprio Fawcett desapareceu também na selva amazônica, perto do rio Xingu, em 1925.

Suas palavras antes da derradeira e fatal expedição poderiam servir-lhe de epitáfio:
Quer consigamos atravessar a selva e retornar, quer deixemos nossos ossos apodrecerem lá dentro, uma coisa é certa: a resposta ao enigma da primitiva América do Sul — e talvez do mundo pré-histórico — pode ser encontrada quando aquelas cidades forem abertas à pesquisa científica. Que as cidades existem, isso eu sei.
Se tais cidades existem na bacia Amazônica, elas poderão ser algum dia descobertas por intermédio de fotografias dos satélites, embora a floresta úmida da América do Sul seja tão densa que freqüentemente a designam pela expressão "o mar verde", e seja muitas vezes protegida da observação pela cobertura de nuvens sobre grande parte de sua área. Novas técnicas de fotografia, contudo, iniciadas em locais tão díspares como o planeta Vênus e a Guatemala, talvez venham a solucionar esse problema.

Um permanente mistério do Novo Mundo pré-colombiano relaciona-se com a densidade demográfica das antigas terras maias existentes sob as florestas da América Central. É muito difícil avaliar a enorme população que teria sido necessária para construir as grandes cidades-templos dos maias, com seus supostos métodos agrícolas — isto é, desbastar e queimar a folhagem da selva, plantar e colher uma safra e, em seguida, mudar-se para outra área, como ainda é feito por seus descendentes. Antigos relatórios sobre remotas e muito grandes concentrações populacionais, conforme o padre missionário Bartolomeu de Las Casas apresentou ao rei após a conquista espanhola, num esforço no sentido de proteger os índios do genocídio, foram em geral considerados então, e até agora, extremamente exagerados.

Quando se sobrevoam as terras maias, normalmente se vê apenas uma cobertura de árvores. Recentemente, porém, um novo tipo de radar — radar de abertura sintética — desenvolvido pela NASA para uso na penetração das nuvens de Vênus durante a viagem exploratória da Pioneer, e para outros usos de natureza militar, foi também empregado sobre as selvas da Guatemala e de Belize, em 1977, durante um levantamento geodésico. Estudos contínuos de fotografias revelaram a presença evidente de extenso sistema de canais sob a cobertura da floresta. Verificações subseqüentes realizadas por uma expedição terrestre sob a direção do Dr. T. Culburt, da Universidade do Arizona, e do Dr. E. Adams, da Universidade do Texas, mostraram que os maias possuíam avançado sistema de irrigação e drenagem que lhes permitia a crescente obtenção de colheitas suficientes para alimentar os milhões de habitantes de suas grandes cidades e colônias circunvizinhas.

Muitas das civilizações primitivas do mundo desenvolveram-se em torno de sistemas de irrigação ligados a rios, a partir dos quais cresceram as grandes cidades antigas, com muralhas, pirâmides e altos templos construídos em pedra, ou pirâmides de tijolos com patamares em degraus. Essas civilizações partilhavam uma dedicação comum à astronomia — várias torres e estruturas piramidais eram usadas como observatórios — e desenvolveram sofisticado conhecimento das estrelas, dos planetas e da aferição do tempo que, com o correr dos séculos, se perdeu.

A medida que essas culturas e seus sistemas de irrigação foram sendo destruídos por guerras e outras catástrofes, a maioria delas desapareceu, embora deixando vestígios cada vez mais identificáveis através de observação aérea sobre os desertos, sob o mar e florestas adentro.

Uma cultura com pirâmides e sistemas de irrigação semelhantes parece seguir um caminho bem regular através do mundo: do México central e Iucatã até a África do Norte e o Egito; o Crescente Fértil do Oriente Médio, o Irã e o subcontinente indiano. Essas regiões localizavam-se, em geral, numa linha ao longo da latitude de 30° N, área freqüentemente chamada de "cinto de pirâmides" da Terra. Esse cinto envolvente de pirâmides, ao longo do qual a civilização, onde quer que esta tenha primeiro surgido, parece ter caminhado para leste e oeste e somente mais tarde para o norte e para o sul, antes de retomar seu caminho, "salta" o oceano Atlântico.

Mas, no passado, talvez não tenha ocorrido isso. Tenha-se em mente que a ilha continental no Atlântico, conforme descrita por Platão e outros, se caracterizava por imenso sistema circular de irrigação e grandes cidades de elevadas torres de onde se podiam observar os planetas e as estrelas. Além do mais, a hipotética localização da Atlântida, hoje teoricamente descrita como um enorme planalto submarino e uma série de cordilheiras submersas, também é atravessada pela latitude 30° N, correndo através do seu centro aproximado.

Antiqüíssimas lendas egípcias acerca de terras extensas e bem irrigadas, hoje desérticas, a centenas de quilômetros a oeste do Nilo, estendendo-se bem além, a penetrar nos áridos desertos do Sudão e, mais longe, para o oeste, até a Líbia, ganharam confirmação incomum a partir de fotografias de radar tiradas recentemente pela nave espacial Columbia.

Em novembro de 1981, o radar da espaçonave Columbia esquadrinhou o Sudão e o Sudoeste do Egito a uma altitude de 200km, cobrindo uma extensão de cerca de 50km. Esse exame foi mais tarde aperfeiçoado por técnicas de computação e apresentou surpreendentes resultados. Enquanto as fotografias comuns mostravam o deserto normal, as do radar acusavam a presença de leitos de rios enterrados, alguns tão grandes quanto o Nilo, mas com indícios de terem fluído para o sul e o oeste. Todos esses rios mostravam sinais de vários tributários e riachos, o que significa que mil anos antes essa extensa área teria contido florestas e pastos para animais e, caso o homem existisse, terras de cultivo propiciando um desenvolvimento agrícola e social organizado.

John McCauley, do Departamento Geológico dos Estados Unidos, após examinar as fotografias do radar, sugeriu que "é possível que [os rios] desaguassem todos numa enorme bacia de drenagem interior, tão grande como é atualmente o mar Cáspio". Ao comentar o uso da técnica empregada, ele declarou: "Fomos capazes de perceber isso, usando o radar como uma máquina do tempo."

Essa descoberta é ainda mais um indício das importantes mudanças na terra, no mar e no clima que ocorreram em milênios comparativamente recentes. Avalia-se que a última vez que essa região do Saara, incluindo partes da Líbia, do Chade, do Sudão, do Egito e muito provavelmente da Tunísia e da Argélia, teve chuva e água suficientes para abastecer populações humanas e animais foi cerca de 10 mil anos atrás. Tal fato coincidiu com o período dos primórdios da civilização egípcia, que, segundo as lendas herdadas pelos coptas, foi trazida à região por deuses das terras do Ocidente.

Entalhadas nas montanhas Tassili da Argélia, atualmente região totalmente árida, existem representações de homens e animais vivendo numa terra amena, cheia de florestas, planícies e rios. Muitos desses desenhos são exemplos de uma arte avançada e requintada, geralmente desfigurados ou riscados em cima por artistas posteriores, mais primitivos, como se aqueles que tivessem feito originariamente as pinturas não mais existissem.

Essas representações pictóricas de como era o deserto primitivamente foram descobertas por oficiais franceses no século XX, embora nunca se pudesse compreender como a terra pôde ter sido tão fértil e produtiva, até que a nave espacial Columbia redescobriu os primitivos leitos de rios, invisíveis a observadores em terra ou no ar.

Mas, em diferentes pontos abaixo do solo do Saara, alguns desses rios subterrâneos talvez ainda estejam fluindo. Existe até, entre os tuaregues, um grupo especializado de marabus do deserto (homens sagrados islamitas) chamados "os homens da sabedoria da água", a quem se legou o conhecimento dos percursos que esses rios subterrâneos ainda seguem. Esses descobridores de água têm a fama de serem capazes de localizar água nas partes mais áridas do deserto, talento herdado ou desenvolvido a partir de origens perdidas na remota Antigüidade.

O desaparecimento dos rios do deserto do Saara a oeste do Nilo e a aridez da região que eles outrora banhavam é mais uma prova das mudanças climáticas mundiais que ocorreram no final do último período glacial — época igualmente correspondente ao período em que, segundo a lenda, foi destruída a Atlân-tida.

Um surpreendente exemplo das complicadas estruturas deixadas por antigos construtores, de motivação ainda obscura, ocorre no vale de Nazca, no Peru. Aviadores contratados para localizar reservas de água no Peru fotografaram misteriosas linhas desenhadas na terra, cruzando cadeias montanhosas e continuando do outro lado, às vezes até o topo de montanhas com cumes nivelados artificialmente, tudo no vale de Nazca e nas montanhas ao redor. De mistura com uma série de linhas retas, paralelogramos, retângulos, triângulos e enormes esboços de formas de animais com dezenas de metros de comprimento, partes dessas representações possuem surpreendente semelhança com campos de pouso. Os padrões das linhas geométricas, as formas de animais e os "campos de pouso" são evidentes apenas do ar. Para que servem, não sabemos. Talvez para delinear o curso de estrelas ainda não identificadas ou, como já foi aventado, como sinais a serem vistos por antigos visitantes vindos do espaço. De qualquer forma, não foram percebidos durante séculos, até que novos visitantes vindos do céu, pilotos que voavam num projeto de pesquisa hidrográfica, os observaram no início da década de 1930. O Dr. Paul Kosak, arqueólogo americano que primeiro lhes observou a verdadeira extensão e importância em 1930, mais tarde concluiu que talvez constituíssem "o maior livro de astronomia do mundo". A Dra. Maria Reich, estudante alemã de arqueologia que visitou o Peru em 1932, interessou-se de tal maneira pelas linhas de Nazca que, em 1946, estabeleceu residência por perto, fazendo das linhas objeto de constante estudo até sua morte, em 1983. Ela as considerava "o mais importante monumento arqueológico do Peru, e talvez do mundo". Observou "seu tamanho descomunal aliado à perfeita proporção" e tentou imaginar principalmente como os antigos artífices conseguiam desenhar em terreno desértico as gigantescas formas de animais, com suas curvas bem distribuídas e dimensões equilibradas", tarefa incrivelmente difícil de realizar, "a não ser que os antigos peruanos fossem capazes de voar". (A idéia de antigas aeronaves peruanas foi lucrativamente aproveitada pela companhia aérea nacional, AeroPerú, que usou como publicidade a frase: "Apresentando a AeroPerú, a mais nova linha aérea — e talvez a mais antiga — do mundo.")

Fotografias tiradas dos céus conseguiram descobrir uma cidade inteira perdida no Norte da Itália, escondida séculos a fio sob água e lama. Espina era uma grande cidade dos misteriosos etruscos, os senhores da maior parte da Itália antes de ser conquistada pelos romanos. Sua origem e história antiga são desconhecidas e sua língua, indecifrável. A região da Itália por eles dominada chamava-se Tirrênia, especificamente citada por Platão no Crítias, quando ele afirmava que "a ilha da Atlântida [tinha] vencido as partes da Líbia contidas entre as Colunas de Hércules até o Egito e da Europa até a Tirrênia".

Pouco se conhece dos etruscos, a não ser seus objetos funerários, sinal de que pareciam levar uma vida diária civilizada e sofisticada. As sepulturas foram localizadas por detetores de metal e, mais recentemente, por fotografias infravermelhas de grande altitude que delineiam claramente inequívocos círculos das tumbas subterrâneas.



Figura feita de pedra vulcânica, desenterrada em Chinique, Guatemala, com rosto pouco comum, barbado e bastante diferente das características faciais dos ameríndios. Essas descobertas, indicando visitas, nos tempos antigos, de estrangeiros caucasianos, semitas ou camitas, não são raras nas Américas Central e do Sul. (Fotografia de Herbert Sawinski.)

Palavras, expressões, melodias, costumes e até mesmo jogos têm percorrido o mundo desde os tempos antigos. O gamão da Pérsia e da índia cruzou o oceano, de alguma forma, antes de Colombo, e era jogado pelos astecas, com o nome de patolli. As emanações que saem da boca dos jogadores são invocações aos deuses para conseguir êxito. (Cortesia de Timothy Kendall.)



Busto antigo encontrado no Sudeste da Espanha (a Dama de Elche), há muito considerado o exemplo mais importante da arte pré-histórica naquele país. Também se acredita que ela seja uma sacerdotisa da Atlântida, da época do contato do continente desaparecido com a Espanha. O penteado peculiar, se comparado ao de uma estátua da índia antiga, revela inesperada ligação cultural. (Cortesia da Sociedade Hispânica da América e Eyra Marcano.)
Ruínas ciclópicas não-identificadas perto de Niebla, na Espanha, que podem ter sido parte do Reino de Tartessos, localizado outrora na costa ocidental espanhola e que se presume tenha sido um porto da Atlântida.

As três pedras usadas nas bases do templo de Baalbec são consideradas os maiores blocos de pedra de construção jamais trabalhados e parecem ser arquitetonicamente independentes das construções romanas que estão sobre eles e lhes são posteriores. O uso habitual e a fixação de enormes pedras em tempos muito antigos e em diferentes partes do mundo constitui mistério ainda não-resolvido: como foram extraídas, transportadas e colocadas no lugar? (Departamento de Turismo do Líbano.)



Stonehenge ê, sem dúvida, o monumento pré-histórico mais famoso da Europa. Partidários de diferentes teorias atribuem sua construção aos antigos druidas, aos celtas nativos com ajuda de cretenses, egípcios ou atlantes. Um machado duplo cretense foi percebido num dos pilares, mas isso pode ser resultado de visitas posteriores. (Fotografia de Ivan Lee.)




Forte de pedra nas ilhas Aran, ao largo do litoral ocidental da Irlanda. 0 trabalho de cantaria e o método de ajustar as pedras cortadas, para que durassem séculos, assemelham-se muito às construções em Zimbabwe e Kuelap, quase como se tivessem sido planejadas e construídas pela mesma raça desconhecida. Os fortes nas ilhas irlandesa e escocesa foram construídos, segundo a lenda, para proteção contra o "povo do mar", referindo-se ao Oceano Atlântico Ocidental.


Muralha de Kuelap, no Peru. Não se sabe que raça construiu esse complexo de edificações, mas sua semelhança com o Zimbabwe até mesmo no cimo ornamental da muralha, é notável. (Foto de Wonders of the Past.)



As velhas muralhas do Zimbabwe, a misteriosa ruína que deu nome à nova nação, o que talvez tenha sido o mais sincero cumprimento prestado a um monumento arqueológico. As altas muralhas desse sítio arqueológico e o método de construção têm notável semelhança com outras ruínas não-identificadas, de ambos os lados do Atlântico.




Foto feita pelo satélite Landsat II, a uma altitude de mais de 8 mil metros, mostrando oito configurações semelhantes a estruturas, simétricas, às margens da floresta amazônica. Exames mais detalhados, realizados posteriormente por helicópteros e aviões pequenos, mostraram tratar-se de uma série de oito pirâmides gigantescas e quatro outras menores, quase que totalmente cobertas pelas selvas.



Vista mais detalhada das pirâmides, tomada de um helicóptero. Há várias clareiras, resultado da impossibilidade de as árvores deitarem ali raízes firmes, mais uma indicação de sua construção artificial. A exploração dessas pirâmides é difícil, devido à necessidade de se atravessar uma selva densa, a partir do rio Pini Pini, parte do sistema tributário do Amazonas, e também devido à presença ameaçadora dos índios da tribo Machiguenga, que se consideram os guardiães tradicionais desses ' 'lugares sagrados''. (Fotografia de Jim Kinsrud.)


Formação simétrica, de topo achatado, com 45 a 60 metros de altura, na área das pirâmides, em foto tomada de um helicóptero a uma altitude de cerca de 1.200 metros. Outras formações circulares e semicirculares, cobertas pela selva mas que se supõe serem maciças, estão próximas, sugerindo uma grande cidade, sem relação com as civilizações sul-americanas já conhecidas. (Fotografia de Jim Kinsrud.)


Unhas retangulares em Nazca, algumas das quais foram mencionadas como 'pistas de aterrissagem'' para aeronaves pré-históricas. (Fotografia do Servicio Aerofotográfíco Nacional del Peru.)

A cidade de Espina foi durante muitos séculos considerada uma lenda, de vez que dela não se pôde encontrar vestígio algum. Nem ruínas em terra ou mesmo nas águas costeiras, como ocorreu com muitas cidades portuárias do Mediterrâneo. No entanto, fotografias de grande altitude revelaram uma série de contornos ocasionados por diferentes sombreados submarinos, indicando muralhas, ruas, blocos de habitações, grandes edificações, praças e portos, dos quais só restam perfis sombreados no que se tornou um extenso pântano em que todo o complexo metropolitano afundou, sendo esquecido pela história.

Existe um artefato primitivo que certamente não foi esquecido, e que tem sido procurado — e, de acordo com várias fontes, visitado — há vários séculos. Sua existência foi em geral aceita até recentemente, mas, nos últimos 150 anos, vem sendo considerada fantasia pela comunidade científica.

No entanto, a Arca de Noé ainda está sendo procurada por pilotos, alpinistas, exploradores e grupos religiosos nas "montanhas do Ararat", segundo citação da Bíblia. Sua existência, se pudesse ser satisfatoriamente estabelecida, mostraria que uma civilização anterior à história foi realidade, tendo sido destruída por uma combinação de cataclismos que provocaram tremendas inundações mundo afora, cujas ondas deixaram pelo menos um navio cheio de refugiados sobre uma montanha de 4.500 metros de altura, montanha essa que mostra sinais de ação das ondas, além de depósitos marinhos em suas encostas.

Embora seja verdade que cada povo primitivo tenha sua própria versão de tal catástrofe e um nome específico para um heróico Noé, seu meio de salvação e o local de desembarque foi a Arca no monte Ararat que conquistou a imaginação popular por milhares de anos.

Tem havido pretensas viagens e visitas à Arca de Noé através dos séculos, passando pelas duas últimas guerras mundiais. Pilotos russos, na Primeira Guerra Mundial, disseram tê-la visto num lago de montanha, mais tarde visitado por uma expedição cujos registros se perderam. Durante a Segunda Guerra Mundial, não só pilotos russos, mas também americanos, declararam ter visto e fotografado a Arca, embora nenhuma fotografia autenticada o tenha comprovado até o momento.

Segundo boatos correntes entre aviadores americanos baseados na Turquia durante a guerra fria, pilotos de U-2 tiraram fotos da Arca de Noé durante missões de reconhecimento a grande altitude sobre a União Soviética, embora elas nunca tivessem sido exibidas em público.

Em 1974, contudo, uma fotografia ERTS tirada a cerca de 800km do monte Ararat mostrou um estranho objeto próximo do cume, o qual já alcançou uma fama que podemos considerar duradoura, pois foi visto e discutido numa sessão do Congresso dos Estados Unidos e registrado nas atas da Casa. O senador Frank Moss, então presidente da Comissão Espacial, ao comentar o objeto, observou que possuía "aproximadamente o tamanho e o formato da Arca".

Entre os que estiveram recentemente procurando a Arca de Noé sobre o monte Ararat, na Turquia oriental, encontra-se o coronel James Irwin, astronauta da Apolo 15, que dirigiu o veículo Lunar Rover em sua missão sobre a superfície de nosso satélite. Seria interessante especular se o interesse do coronel Irwin pela sobrevivência da Arca foi despertado enquanto ele cruzava o Oriente Médio em vôos orbitais sobre a Terra, antes de sua visita à Lua, e talvez perguntasse a si mesmo se a Arca na verdade ainda se encontrava escondida no alto do Grande ou do Pequeno Ararat, ou mais abaixo.

De qualquer maneira, a dedicação do coronel ao projeto da Arca de Noé constitui interessante ligação entre uma história muito antiga e a era espacial de hoje e de amanhã.

Fotografias da Terra continuamente tiradas do espaço revelarão, sem dúvida, outras informações surpreendentes sobre o passado das civilizações e do próprio planeta. Talvez se consiga obter resultado semelhante fotografando outros planetas a partir do espaço, não só no nosso sistema como eventualmente em outros. Talvez isso já tenha sido obtido, embora a maioria dos astrônomos, preocupados, compreensivelmente, com suas reputações profissionais, prefira examinar certas curiosas formações sobre Marte, fotografadas pela Mariner 9, como simples rochas ou penhascos na agora árida superfície do planeta, apesar de sua estranha semelhança com a forma com que as antigas ruínas da Terra são vistas do espaço, especialmente pela Viking Orbiter 1. No entanto, há exceções. Antônio Ribera, escritor e conferencista espanhol, chama nossa atenção para uma foto bem nítida da extremidade da depressão Corprates na superfície da Lua:
A disposição dos aparentes muros forma uma série de retângulos que não são encontrados na natureza. Sabemos através de fotografias espaciais já tiradas que a superfície de Marte foi outrora cruzada por rios e riachos tributários. Conseqüentemente, uma depressão à qual os antigos rios fluíam era mais provavelmente um mar. As estruturas ou edificações poderiam ser as ruínas de antigo porto num oceano agora seco. Em outros lugares mais "para o interior" desse antigo porto, parecem existir enormes pirâmides de quatro lados, típicas de todos os povos primitivos que construíam para a eternidade.
Perguntado se achava que uma Terra remota poderia ter sido colonizada por Marte quando esse planeta começou a secar e a perder sua atmosfera, forçando seus habitantes a procurarem um mundo mais tolerável, o Dr. Ribera replicou: "Isso, é claro, não podemos saber agora. No entanto, acho que é uma interessante possibilidade."




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