Charles berlitz



Baixar 0.71 Mb.
Página8/9
Encontro23.07.2016
Tamanho0.71 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

13

COMETAS, ASTERÓIDES OU GUERRA FINAL


Felizmente para seus habitantes, a Terra é protegida da maioria das colisões meteóricas por seu campo magnético, que os desvia, e por sua camada de ozônio e sua atmosfera, que geralmente os queimam ou lhes reduzem consideravelmente o tamanho. De outra forma, a superfície do planeta seria marcada por enormes crateras meteóricas semelhantes às existentes na superfície da Lua; nas palavras de Immanuel Velikovsky, "um grande cemitério descaracterístico girando em torno da Terra". De qualquer maneira, talvez em épocas de alterações magnéticas, enfraquecimento periódico do campo magnético, ou simplesmente dependendo do tamanho e do curso do objeto cósmico invasor, inúmeros asteróides gigantescos colidiram com a Terra, deixando grandes crateras em sua superfície e, talvez, vastos declives nos leitos de seus mares.

Algumas dessas cicatrizes ainda podem ser vistas: a Meteor Crater, no Arizona, as crateras Curswell, Deep Bay e Maniconagan, no Canadá, esta última medindo 62km de uma ponta à outra. Cratera ainda maior, medindo 125km de diâmetro, foi identificada em 1975 pelo satélite Landsat nas montanhas Turtle, entre Dakota do Norte e Manitoba. Crateras existem pelo mundo afora, incluindo a Siljan, na Suécia, a Ashanti, na África ocidental, a Araguainha, no Brasil, e a Korla, na Sibéria, ao norte do círculo Ártico. O que foi outrora enorme cratera meteórica na Europa central, a Ries Kessel, ficou difícil de reconhecer, por estar coberta de vegetação, bosques, campos e cidades. Na África do Sul, a Vredefort Dome possui também uma circunferência tão grande que por muito tempo não foi reconhecida como tendo sido causada por um gigantesco asteróide. Um conjunto de possíveis crateras meteóricas na Austrália ocidental está agora sendo estudado para que se estabeleça se um núcleo metálico, resíduos de um asteróide original, pode ser detectado sob o terreno perto da cratera. Uma explosão impressionante oriunda do espaço ocorreu na Sibéria, em 1908, e é conhecida como o meteorito Tunguska ou mesmo o "caso" Tunguska, uma vez que, embora a floresta tenha sido arrasada por uma explosão de dimensões cósmicas e a região ainda apresente considerável radioatividade, nenhuma óbvia cratera e nenhum núcleo metálico foram detectados, levando a acreditar numa explosão ocorrida acima do solo.

Considera-se que colisões de meteoros tenham ocorrido em diversas partes do mar (hipótese lógica, visto que o mar cobre 71 % da área do planeta), às vezes deixando buracos no leito marinho e abrindo baías e lagos. Sugeriu-se que a baía de Hudson, o golfo de São Lourenço, o lago Baikal, o mar de Arai, e talvez o golfo do México, foram originalmente grandes crateras abertas por colisões de asteróides com a Terra.

Alguns meteorologistas europeus sugeriram, no começo do século XX, que um enorme meteoro chocou-se com a Terra há milhares de anos, esmagando parte do continente atlante, fazendo-o submergir e deixando apenas as ilhas isoladas ainda existentes no oceano Atlântico.

Recente expositor dessa teoria, o especialista em foguetes Otto Muck (Alies über Atlantis, 1976) oferece-nos um relato detalhado, assim como sugere uma data para a época em que ocorreu tal catástrofe. Sua teoria baseia-se num enorme meteoro que se teria chocado com uma parte da Atlântida situada no Atlântico ocidental. Esse asteróide, conhecido em meteorologia como o meteorito Carolina, estava acompanhado por grande número de pequenos meteoritos que formaram as inúmeras crateras ou baías que caracterizam a costa americana e foram identificadas às dezenas de milhares. Muck pensava que o bólido principal se havia chocado contra a ilha-continente da Atlântida, esmagando parte da mesma sob o mar e causando explosões vulcânicas, ondas de maré e alterações no solo oceânico — conseqüência compreensível do choque cósmico que causaria um grande asteróide (se possuísse 10 km de diâmetro, seria equivalente a 200 mil megatons) explodindo ao contato com a Terra. O Dr. Muck, cuja grande experiência prática durante a Segunda Guerra lhe deu considerável compreensão dos efeitos de explosivos, avaliou que a explosão decorrente equivaleria a 30 mil bombas — número hipotético que ainda excede um pouco a quantidade de bombas possuídas pelas nações oponentes no momento, prontas e com possibilidade de enviá-las para leste ou para oeste do Atlântico, seguindo o percurso do antigo asteróide.

O Dr. Muck sugeriu que uma das primeiras datas — o equivalente a 8498 a.C. — do bastante preciso calendário maia serve para recordar a destruição da Atlântida. Através de uma série de cálculos, também estabeleceu a data do final da Atlântida, segundo nosso atual calendário gregoriano, como tendo ocorrido a 5 de junho, às 13h, hora local ou do Atlântico central (ou Atlântida). Essa data fatal coincidia com a oposição do Sol, Vênus, Lua e Terra, o que abriu caminho, através de uma série de pólos interligados, para que o hipotético "asteróide A" colidisse — segundo Muck — com "uma das mais finas e sensíveis regiões da crosta terrestre". Ele caiu numa zona de fratura pontilhada de vulcões, a que chamamos Cordilheira do Atlântico central. O impacto múltiplo, segundo sua teoria, foi a causa do "campo de crateras da Carolina, dois profundos buracos a sudoeste do Atlântico Norte e no declive mais raso do Caribe oriental".

A força da colisão ativou explosões vulcânicas e terremotos pelo mundo afora e fez com que enormes ondas de maré invadissem a Terra, deixando para toda a humanidade a inesquecível reminiscência do grande Dilúvio.

Parte da região onde Muck disse ter ocorrido a colisão do asteróide fica dentro do Triângulo das Bermudas. Essa região, como a Atlântida, é freqüentemente considerada uma simples lenda, embora o número freqüente de desaparecimentos de navios e aviões dentro de seus incertos limites, assim como de manifestações de outros estranhos fenômenos, a mantenha viva na consciência dos que a atravessam por ar ou por mar. É importante observar que, se um grande asteróide, como o que Muck suspeita ter ocasionado a submersão da Atlântida, jaz realmente no fundo de um declive que ele originou a oeste do mar de Sargaço, a força magnética periódica dessa massa metálica poderia ser responsável por alguns dos estranhos acontecimentos ali ocorridos. Isso poderia explicar a interferência nos sinais de rádio, as bússolas desreguladas e o mau funcionamento de equipamento náutico tão freqüentemente observados por tripulações de navios e aviões que cruzam a área. Os estranhos "esbranquiçamentos", os nevoeiros magnéticos e as luminosas e brilhantes águas ao largo das Baamas também podem resultar do afundamento de um planetóide acompanhado por grande número de meteoritos.

Há mais de 100 mil buracos produzidos por meteoros, na terra e no mar, concentrados ao longo das costas da Geórgia e da Carolina, nos Estados Unidos, embora se estendendo centenas de milhas mais para o norte e para o sul, como provável indicação de que parte de um grande enxame de meteoros certa vez se abateu sobre a região com sua força cósmica.

Um dos mistérios do Triângulo das Bermudas é que o mau funcionamento de bússolas, aparelhos de comunicação e instrumentos não ocorre sempre especificamente na mesma área. A teoria de Muck sobre o múltiplo choque de asteróides, agora submersos no fundo do mar, poderia explicar de que forma é afetado o equipamento magnético dos navios que passam acima de seus núcleos metálicos em várias áreas diferentes.

Embora os cometas venham sendo observados, descritos e temidos desde a mais remota antigüidade, o conceito de meteoritos caindo do céu chegou bem mais tarde à aceitação científica em geral. Até um cientista brilhante como Cuvier afirmou, numa demonstração de certeza dogmática, que pedras "...não podem cair do céu porque no céu não há pedras".

Só depois que uma chuva de meteoros caiu sobre Paris, em 1803, é que os observadores científicos obtiveram uma evidência convincente e em primeira mão. Antes da "prova" dos meteoros, era mais fácil para astrônomos e astrólogos teorizarem que os cometas, passando pela Terra em sua trajetória por vezes irregular, ocasionalmente se aproximavam demais, deixando cair nela resíduos de sua cauda. Outros acreditavam que um cometa simplesmente colidira de frente com a Terra, com conseqüências quase fatais para o planeta. Essa teoria foi pela primeira vez expressa pelo conde Carli e por Joseph de La Lande, há várias centenas de anos, numa tentativa de explicar o que ocorreu na Atlântida. A teoria foi reiterada por inúmeros outros atlantólogos, inclusive Ignatius Donnelly, cujo segundo livro acerca da Atlântida, Ragnarok (antiga referência escandinava ao "Julgamento dos Deuses") examinou as lendas e memórias de todas as raças relativas a um tempo de escuridão e destruição, quando, segundo essa teoria, a Terra atravessou a cauda de um grande cometa, talvez numa visita muito próxima do cometa Halley. Donnelly explicou as camadas de um conglomerado argiloso encontrado em várias partes da Terra como advindas do cometa fatal, com outras mudanças ocorrendo simultaneamente, afogando ou enterrando as civilizações antediluvianas. No entanto, parece agora que os núcleos dos cometas, diferentemente dos meteoros, são mais como gigantescas bolas de neve do que massas sólidas, suposição que poderá ser verificada durante a próxima visita do cometa Halley, em 1986, quando já está programada sua observação por uma nave espacial americana.

A teoria de que a Terra sofreu um cataclismo em conseqüência de choque provocado por um planetóide é apoiada pela existência, neste planeta, de diversas crateras produzidas por meteoros. Há também a presença do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter, onde se sabe existir grande número desses objetos, calculados em mais de 50 mil, de vários tamanhos e órbitas. Alguns desses asteróides têm órbitas excêntricas que, vez por outra, os trazem perigosamente próximo da Terra. É, portanto, concebível que, em condições de alinhamento planetário e solar, um grande asteróide pudesse se aproximar o bastante da Terra para cair em seu campo magnético ou gravitacional. Isso quase aconteceu em 1936, quando o grande asteróide Adônis chegou a cerca de 30 mil km da Terra, e novamente em 1968, quando o asteróide ícaro se aproximou perigosamente deste planeta. Os asteróides, embora não apresentando o mesmo efeito impressionante dos cometas, que assustaram as populações do globo em diversas ocasiões no passado, ainda assim representam perigo tangível para a Terra e seus habitantes.

O cinturão de asteróides e os planetóides e meteoros que o rodeiam representam não só um perigo, mas um mistério singular. Uma fórmula matemática determinando as distâncias progressivas dos planetas e suas órbitas em torno do Sol foi esclarecida pelo astrônomo alemão Johann Bode, no século XVIII, e desde então tem sido confirmada pelo descobrimento de diversos "novos" planetas nos limites exteriores do sistema solar — planetas que eram desconhecidos na época em que Bode formulou sua teoria e, efetivamente, predisse sua descoberta. Contudo, de acordo com a Lei de Bode, como é chamada atualmente essa teoria, deveria existir um planeta entre Marte e Júpiter, onde atualmente circula uma massa de asteróides e meteoros, muitos dos quais desenvolveram órbitas incomuns. Várias possibilidades têm sido sugeridas para explicar o desaparecimento ou decomposição do planeta que, logicamente, deveria estar seguindo seu curso pela órbita do cinturão de asteróides.


1. O planeta outrora existente colidiu com outro planeta ou planetóide, que o fez em pedaços, muitos dos quais continuam seguindo a antiga órbita.

2. O planeta explodiu por motivos desconhecidos, deixando apenas seus restos ainda em órbita.

3. O planeta desaparecido, ao contrário dos outros oito, nunca chegou a formar uma massa planetária.
É interessante que o próprio Bode tenha optado pela segunda explicação, com suas inferências de destruição cósmica.

Um conceito científico revolucionário, ligando lendas e tradições de catástrofe oriundas de várias partes da Terra com uma série de colisões cósmicas entre cometas e planetas dentro do nosso sistema solar, foi desenvolvido por Immanuel Velikovsky e expresso no livro Worlds in Collision (Mundos em colisão), de 1950, e em vários outros que a ele se seguiram. Velikovsky, eminente estudioso, lingüista e astrônomo, provocou comoção na comunidade científica quando expôs sua teoria e a reforçou com antigas tradições e materiais escritos coletados em todas as partes do mundo. Ele relacionou referências a diversas catástrofes que tinham ocorrido no mundo e a grande número de incidentes registrados na história antiga e na Bíblia com o aparecimento de Vênus, que, segundo ele, invadiu nosso sistema planetário como um cometa, causando uma série de colisões e semicolisões que mudaram a história da Terra. Em todos os antigos registros, Vênus, aparentemente um dos últimos membros do sistema solar, era tido como uma estrela com cornos ou barba, o que poderia ser interpretado como referência à cauda de um cometa. Então, esse planeta recém-chegado entrou em estreito contato eletromagnético com a Terra, causando a alteração da órbita terrestre e uma série de fenômenos mundiais, além de fornecer explicação para diversos incidentes narrados na história bíblica: a divisão do mar Vermelho, a parada do Sol nos céus, a destruição dos exércitos sírios de Senagueribe, a transformação da água em sangue e o maná dos céus. Após seu estreito contato com a Terra, Vênus colidiu com Marte e, como resultado, modificou a órbita desse planeta, tornando-a circular. O próprio Vênus passou, por seu lado, a atuar como planeta.

Os registros mais antigos de que dispomos sobre a Mesopotâmia, a América Central e diversas outras partes do mundo não incluem Vênus na contagem original dos planetas, embora, dentro do limite de tempo aproximado descrito por Velikovsky, esses registros não só o incluam como pareçam manter pelo cometa-planeta errante um temor especial, muitas vezes aplacado com sacrifícios humanos à "estrela" ameaçadora, na esperança de impedi-la de tornar a chocar-se com a Terra. Durante a época da invasão de nosso sistema solar por Vênus, tremendas alterações climáticas e geológicas ocorreram sobre e sob a superfície do globo, na medida em que este era sacudido sobre seu eixo, o Sol parecia mudar de posição, as estações se tornavam confusas, a contagem dos dias do ano aumentava para mais cinco e longos períodos de escuridão envolviam a Terra. Grandes ondas de maré varreram ilhas e continentes, deixando entre os povos a difundida tradição do Dilúvio. Fendas abriram-se nas placas tectônicas, resultando na tomada de consideráveis áreas de terra pelo mar.

Após a publicação de Worlds in Collision e, em seguida, de Ages in Chãos (Eras no caos), teorias de Velikovsky foram ridicularizadas e fortemente combatidas pela comunidade científica. Um cientista furioso chegou a classificar Worlds in Collision de "o pior livro escrito desde a invenção do tipo móvel". Houve, no entanto, várias exceções, incluindo Einstein, que, como era de se esperar, mantinha uma mente aberta e inquiridora para os acontecimentos do mundo da ciência.

Não obstante, algumas das revolucionárias teorias astronômicas do Dr. Velikovsky foram confirmadas com o posterior desenvolvimento da exploração espacial. Suas precisas predições sobre Vênus são particularmente estarrecedoras, contrariando a opinião de outros astrônomos, e numa época em que não havia maneira eficaz de se estabelecer a temperatura de Vênus, ele predisse que, quando ela fosse verificada, estaria em torno de 800° Fahrenheit, o que mais tarde veio ser confirmado. A investigação do Mariner 10 mostrou que o planeta ainda apresentava restos de uma cauda de cometa. Vênus, após exame mais detido, também mostrou sua diferença em relação aos outros planetas por girar em sentido contrário, de acordo, exatamente, com as palavras de Velikovsky. Os gases argônio e neônio foram detectados em Marte, como ele previra da mesma forma que se confirmou sua descrição de como seria a superfície desse planeta, bexigosa e cheia de crateras, graças às primeiras fotos tiradas pelo Mariner 9.

É simples e confortável considerar o desenvolvimento posterior da Terra como relativamente suave. Uma era dá lugar a outra, as geleiras aos poucos se derretem, os grandes sáurios convenientemente desaparecem — com algumas exceções, como, por exemplo, os crocodilos — antes do surgimento do homem. Este, por sua vez, também evolui gradativamente de homem-macaco para habitante de cavernas e, mais tarde, para agricultor e habitante de cidades. Durante as Eras Terciária e Quaternária, a Terra se acomoda como planeta calmo, com apenas esporádicas erupções de seu interior em fusão e ligeiras mudanças ocasionais em sua superfície. Esse foi, por longo tempo, o ponto de vista da escola gradualista da ciência, mas o desenvolvimento planetário não é necessariamente assim, como também não o é a própria vida, nem os desenvolvimentos cósmicos ocorrem de forma gradativa e ordenada. O professor D. Nalivkin, da Academia Soviética de Ciência, comentou em Geológica! Catastrophes, de 1958: "As observações de fenômenos catastróficos estão limitadas a um período não superior a 4 mil - 6 mil anos. Para os processos geológicos, esse período é curto, sendo bem possível que algumas das catástrofes mais terríveis não tenham sido registradas nas crônicas da humanidade... Não devemos ajustar dentro de padrões modernos tudo o que ocorreu na Terra através de sua existência."

Mas o compreensível sistema gradualista e suas implicações de que nada parecido com um cataclismo cósmico ocorreu com a Terra nos últimos 50 mil anos, a não ser em escala gradativa, quase imperceptível, anularia, é claro, o conceito de destruição da Atlântida, seja devido à colisão de um meteoro com a Terra, a alterações no eixo terrestre em razão do contato com cometas ou outros planetas, a repentinas mudanças climáticas, ao descongelamento das geleiras ou a outras catástrofes mundiais. De qualquer maneira, ainda existe a confiança difundida de que a ciência está pronta a reverter a exploração destrutiva do planeta e enfrentar tudo o que represente um perigo extraordinário para a Terra.

Quase tudo. Pois nos últimos 40 anos foi essa mesma técnica científica que liberou um espectro nebuloso que representa o terror para a consciência da humanidade e a destruição de seu otimismo natural. Pela primeira vez aperfeiçoamos uma forma eficaz de destruir o planeta.

No passado, houve a destruição de grandes partes da população da Terra, embora a devastação não tenha sido total. A invasão da Ásia central pelos mongóis destruiu milhões de vidas numa região delimitada, sendo que os capitães de Gengis Khan sugeriram-lhe, certa vez, que toda a nação chinesa fosse destruída de modo que os mongóis tivessem um campo de pastagens permanente para seus cavalos. (Ele foi dissuadido desse plano por um conselheiro chinês, Yeh Linchutsai, que pragmaticamente o convenceu de que os chineses seriam mais bem aproveitados vivos, na construção de máquinas de guerra.) Não levando em conta os grandes massacres de populações através da história, somente em nossos dias ocorre uma situação na qual a decisão ou o capricho de um só homem poderia iniciar um processo que varreria a humanidade da face da Terra, e possivelmente explodiria o planeta.

Já ocorreu algumas vezes a estudiosos o que poderíamos chamar de conceito atlante de pré-história, pelo qual certas armas ou formas de controle das forças da natureza podem ter sido desenvolvidas durante eras obscuras no passado da humanidade para serem usadas na guerra. Isso explicaria as estranhas descrições lendárias, herdadas através dos tempos, de que o próprio homem teria causado a destruição e a devastação de grandes regiões colonizadas da Terra, acompanhadas de explosões, inundações e escuridão. A evidência em favor dessa teoria tem vindo, na maior parte das vezes, de lendas e tradições, e apesar de estas parecerem, às vezes, um registro vivo e fantasioso de acontecimentos passados, ocasionalmente se transformam, em especial nos registros da índia e mesmo da América indígena, em surpreendentes profecias projetadas do passado, mas aplicáveis ao presente.

Muitas das surpreendentes invenções do mundo antigo foram feitas por astrólogos ou mágicos que hoje seriam corretamente chamados de cientistas de pesquisa e desenvolvimento voltados para a guerra. Vários relatos quase inacreditáveis chegaram até nós, mesmo das épocas clássicas. Consta que Arquimedes, cientista contratado para a defesa de Siracusa contra os romanos, concentrou raios solares ampliados contra os navios invasores, incendiando-os. Dizem que Aníbal empregou um composto explosivo para rebentar rochas e fazê-las despencar sobre seus inimigos romanos. A queda das muralhas de Jerico poderia ser explicada pela colocação de minas em galerias abertas sob as muralhas, enquanto a atenção dos sitiados se concentrava na procissão que os hebreus realizavam à volta das mesmas, fazendo soar suas trombetas. Bizâncio, a remanescente parte oriental do Império Romano, conseguiu manter-se por mais mil anos principalmente graças ao emprego ofensivo do "fogo grego" — um fogo inextinguível atirado, em granadas ou bombas, contra navios inimigos, resistente à água e que até queimava dentro dela. Embora ninguém saiba a causa física da destruição de Sodoma e Gomorra, a explosão vinda do céu lembra as explosões atômicas dos últimos anos, mesmo em mínimos e curiosos detalhes, como, no caso da mulher de Lot, o perigo de sequer se olhar para a explosão. Na China, a pólvora foi desenvolvida em época muito remota. Além de seu emprego nos fogos de artifício em comemorações e para espantar os dragões e maus espíritos, ela servia como arma ofensiva na forma de foguetes. Durante a invasão da antiga índia por Alexandre, o Grande, há mais de 2 mil anos, seu exército fez frente a foguetes disparados contra os guerreiros a partir das muralhas das cidades indianas, citados pelos escribas de Alexandre como "raios e trovões". É estranho que bom número de nações e tribos tenha preservado lendas sobre um tipo altamente sofisticado de guerra que, por ocasião da formalização das mesmas lendas, dificilmente poderia ser conhecido. Foi o caso, por exemplo, da pequena e primitiva tribo Hopi do Arizona, cujos lendários contos tribais falam de catástrofes que terão destruído o mundo muito tempo atrás. O que é particularmente estranho nas tradições dessa pequena tribo é que elas se estendem por um sem-número de possibilidades destrutivas, demonstrando o conhecimento de progressos sociais e militares fora de sintonia com o panorama da época em que as lendas foram narradas pela primeira vez.

Essas destruições periódicas ocorreram porque os habitantes da Terra não conseguiram levar avante os planos do Criador; às vezes porque guerrearam uns contra os outros; às vezes porque negligenciaram os rituais necessários para manter o mundo e o universo em paz; e às vezes porque se tornaram muito materialistas e gananciosos. De acordo com Frank Waters, ao renarrar as lendas dos hopis, em colaboração com Urso Branco (Book of the Hopi, 1968), quando os homens conseguiram o que queriam, "desejaram mais ainda e as guerras começaram outra vez". Os povos da Terra criaram "grandes cidades, nações, civilizações", e inventaram aviões — patuwvotas —, usados para atacar e destruir as cidades inimigas. A guerra nesse mundo primitivo só acabou quando os continentes afundaram e a Terra e o mar trocaram de lugar, deixando um "terceiro mundo" (anterior ao atual) submerso no fundo do mar, "com todas as altivas cidades, as patuwvotas voadoras e os tesouros mundanos corrompidos pelo mal". Ocorre um estranho lembrete sobre a Atlântida na tradição dos hopis quando a tribo é exortada por Sotuknang, sobrinho do Criador, a olhar para trás, em direção às ilhas do mar, quando seus membros chegavam a seu mundo atual: "Olhem para trás! Essas são as pegadas de sua viagem — os cumes das montanhas do terceiro mundo."

Os hopis acreditam que o "quarto mundo", o atual, também foi "traído pela fragilidade da humanidade" e logo perecerá, destruído por grandes explosões das forças cósmicas — fenômeno facilmente compreensível para os hopis atuais, que vivem bem perto de Alamogordo e dos Campos de Provas de White Sands, no Novo México.

É nos livros da índia antiga, contudo, que encontramos alusões a diferentes aspectos da guerra pré-histórica que fantasmagoricamente cotejam as guerras atuais, assim como as de um futuro próximo (ver C. Berlitz, Mysteries From Forgotten Worlds). Há duas possíveis explicações para isso: ou alguns indianos de mentalidade científica desenvolvida, 6 ou 8 mil anos atrás, deram asas à imaginação e conceberam bombas com força suficiente para destruir a maior parte do mundo, ou talvez todo o conceito tenha sido herdado de uma civilização anterior que havia atingido um estágio de desenvolvimento propício à experimentação ou ao uso do destrutivo poder do átomo.

De qualquer maneira, trechos da literatura tradicional indiana, tais como os Vedas, os Puranas, o Romaiana, o Mahavira e especialmente o Mahabharata, contêm não só repetidas referências, expressas na poética linguagem de sua época, a aviões — vimanas —, foguetes e viagens espaciais, mas também alusões específicas ao que é facilmente reconhecível como aviões de combate, bombardeiros aéreos, radar e outras formas de detecção de aeronaves, artilharia, lançamento de foguetes, balas explosivas, detonação de minas, e bombas de destruição cósmica comparáveis, em efeito, às bombas atômicas de nossa era. Em outros capítulos da literatura científica e filosófica indiana, há menções atestando o conhecimento sobre moléculas e átomos de diferentes elementos, conceito que poderia acabar levando ao emprego do átomo na arte da guerra, exatamente como levou, em nossos dias, num período de tempo relativamente curto. Desde a época em que a teoria atômica foi aceita, de modo geral, por cientistas modernos até a construção da bomba, passaram-se apenas 130 a 150 anos, enquanto uma civilização mundial anterior, cujo período de existência ainda é desconhecido, presumivelmente teria tido tanto ou mais tempo para atingir tal desenvolvimento.

Os hindus que tiveram acesso aos antigos clássicos e puderam lê-los, ou acreditaram que seus ancestrais fossem capazes de produzir as incríveis armas a eles atribuídas ou simplesmente creditaram as referências ao incomensurável poder dos deuses, a quem, naturalmente, tudo era possível. Mas o que parece impossível ao leitor moderno é que a descrição detalhada do efeito dessas armas de milhares de anos se assemelhe de perto à de nossos sofisticados artefatos bélicos.

Quando o Mahabharata ia ser traduzido, na última metade do século XIX, para as línguas modernas — para o inglês, por Protap Changra Roy, e para o alemão, por Man Müller —, as descrições fantasiosas das antigas guerras foram de certa forma deixadas de lado, exceto no caso da artilharia — familiar a todos —, e do avião, então considerado mais leve que o ar. V. R. Ramachandra Dikshitar, em seu livro sobre as antigas guerras indianas (War in Andem índia, 1944), comenta o declínio da artilharia nos tempos medievais, inferindo que ela era mais empregada e mais destrutiva no passado distante. Também defende as detalhadas referências ao avião mais pesado que o ar nas guerras navais e terrestres dos tempos antigos, citando a "vasta literatura do Puranas que [mostra] quão bem e quão maravilhosamente os antigos indianos conquistaram o ar". Já que Dikshitar escrevia durante a Segunda Guerra Mundial, ele, assim como vários oficiais indianos e ingleses servindo na índia, tinha conhecimento de que muitas armas "imaginárias" da antigüidade indiana tinham feito sua aparição (ou reaparição) nas duas guerras mundiais. Durante a Segunda Guerra Mundial, Dikshitar escreveu que o mohanastra, ou "seta da inconsciência", fora considerado, de maneira geral, "coisa de lenda, até ouvirmos falar, outro dia, de bombas que disparavam gases venenosos".

As bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial, embora surpreendentes para os japoneses, não o foram para os estudiosos do Mahabharata, já familiarizados com a descrição de uma fantástica bomba chamada "raio de ferro", capaz de matar centenas de milhares de pessoas com uma só explosão ou, segundo o Ramayana, "tão poderosa que poderia destruir a Terra". Até o tamanho do "raio de ferro" era, de certa forma, comparável em comprimento — "três côvados, por seis pés"* — com as primeiras bombas atômicas. De acordo com o Mahabharata, sua explosão era tão brilhante como o clarão de 10 mil sóis. A nuvem de fumaça que se elevou após sua primeira explosão formou círculos que se expandiam como se fossem a abertura de gigantescos pára-sóis. Outras descrições menos poéticas mencionam a queda de cabelos e unhas dos sobreviventes, a contaminação de alimentos pelos gases e a necessidade de os soldados, nas áreas afetadas, se lavarem, assim como a todo o equipamento, em riachos ou rios.

* Aproximadamente, l,5m por l,8m. (N. da E.)


Uma interdição estranhamente moderna, no Atharva Veda, previne as forças oponentes de que o emprego de tal arma seria permissível somente quando o inimigo "a empregasse antes", dilema moral ainda em debate talvez 8 mil anos após ter sido considerado pela primeira vez. Existe até uma citação do Mausala Parva dando a entender que, em certa ocasião, essa arma "capaz de reduzir a Terra a cinzas" fora destruída por ordem real e "atirada ao mar", outra oportuna sugestão vinda do distante passado da Terra.

Se essa arma lendária chegou a ser usada, ou foi destruída, ou esquecida — menos na literatura indiana —, existem algumas regiões calcinadas em nosso planeta que podem ser o resultado de colisões de meteoros ou mesmo cicatrizes de uma guerra termonuclear. Um desses indícios foi encontrado no Iraque, em 1947, durante uma exploração arqueológica que escavou verticalmente e descobriu diversos níveis de cultura contendo peças reconhecíveis da Babilônia e da Suméria, mais tarde envoltas por uma camada de barro de cerca de uns 40 centímetros, indicando depósitos que se seguiram a uma severa e prolongada inundação. Ultrapassado o nível da inundação, encontrou-se uma camada que se verificou mais tarde tratar-se de vidro fundido — quase do mesmo tipo encontrado no solo desértico de Alamogordo, no Novo México, gretado e queimado após o primeiro teste com a Bomba A.

A estranha descoberta de inúmeros esqueletos sob os níveis de ruas das cidades pré-históricas indianas de Mohenjodaro e Harappa indicou, pelas posições e atitudes, que as pessoas estavam tentando escapar de alguma coisa, como, por exemplo, do "raio de ferro" ou outras armas poderosas descritas nas velhas lendas. O exame dos esqueletos encontrados acusou alto nível de radioatividade.

A teoria de que a Terra, em sua história passada, foi vítima de uma guerra nuclear suficientemente violenta para ter-lhe modificado o clima, derretido as geleiras ou afetado o movimento em torno do eixo, provocando, segundo diz textualmente a lenda, "a mudança da terra e do mar", pareceria pertencer ao domínio da ficção científica. Mas o limite entre a ficção e a realidade científicas tem-se tornado cada vez mais tênue, quase como se a primeira fosse uma introdução à segunda. Notável exemplo é uma história em quadrinhos — Buck Rogers — anterior à Segunda Guerra Mundial, que se ocupava repetidamente de bombas atômicas e de seu uso contra invasores espaciais. Seus produtores foram ameaçados de intervenção pelo Governo americano no caso de deixarem escapar menção a bombas atômicas, pelo fato, desconhecido de todos em geral, de que a verdadeira bomba A estava sendo então desenvolvida.

Uma guerra nuclear no passado é simplesmente uma das várias causas possíveis para o desaparecimento de antigas culturas sobre a Terra. Não há prova da sua ocorrência; apenas alguns escritos que se mantiveram incompreensíveis durante muitos séculos, até a humanidade alcançar o desenvolvimento atômico atingido por seus remotos antepassados, pelo menos na imaginação, há milhares de anos. Como também não há prova de que um planeta vizinho tenha explodido e que um de seus muitos pedaços possa ter colidido com a Terra. No entanto, os enormes asteróides que ainda seguem uma órbita planetária entre Marte e Júpiter podem, por si mesmos, constituir prova visível de um planeta que foi destruído.

Mas o avanço do desenvolvimento científico nos últimos 100 anos, as descobertas relativas ao espaço interior nos últimos 50 anos e a arremetida da Terra rumo ao restante do como nos últimos 25 anos abalaram e mudaram nosso conceito de tempo, espaço, energia e matéria. Estamos, como as civilizações antigas, diante de novos mistérios e de informações aparentemente inacreditáveis. E foi a própria técnica da ciência moderna que nos trouxe de volta à Era dos Milagres.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal