Charles berlitz



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A PONTE ATRAVÉS DO TEMPO


A palavra "Atlântida" por muito tempo valeu como senha para os sonhos. Ela traz à mente lembranças vagamente pressentidas de um verdejante continente perdido no mar, outrora sede de um poderoso império do Atlântico que enviava frotas para explorar e colonizar um mundo primitivo, milhares de anos antes da época em que, para nós, a história "oficialmente" começou.

Para alguém de pé nos rochedos ou nas praias ao redor do Atlântico, é fácil imaginar a visão, parcialmente encoberta por nuvens no horizonte, de cidades com telhados de ouro situadas numa terra fértil circundada por altas montanhas. Isso é ainda mais fácil em dias de neblina, quando os nevoeiros do Atlântico como que se abrem por um momento, deixando entrever formações que lembram torres, ou fantasmas de torres, que uma vez se elevaram sobre as hoje submersas terras do Atlântico. Sente-se que, se o mar pudesse refluir da costa, úmidas ruínas de pedra voltariam a se expor à luz do dia. Sêneca, o dramaturgo romano e tutor de Nero, sentiu isso, há 2 mil anos, quando escreveu: "Quando o oceano se desprender... e o mar revelar novos continentes."

As lendas sobre terras e cidades perdidas ao largo de várias costas formam como que um grande círculo em torno das praias do Atlântico Norte: os sinos de lendárias catedrais submersas ao largo da Bretanha ainda ressoam para os que procuram escutá-los; os nomes das remotas terras de Ys, ao largo da Bretanha, e Lyonesse, para além da costa sudoeste da Inglaterra, lembram, segundo James Bramwell (Lost Atlantis, 1938), o chiar do refluxo de ondas após quebrarem na praia; a reminiscência da última viagem do rei Arthur a Avalon é revivida como o pôr-do-sol sobre o Atlântico; os irlandeses, voltados para o oceano ocidental, rememoram as torres douradas e os castelos de Tirna-n'oge. E, enquanto sobrevoamos ou por vezes singramos o Atlântico, geralmente nos perguntamos se realmente existiu um continente submerso quilômetros a nossos pés, inacessível e perdido no tempo, mas do qual parecemos instintivamente nos lembrar.

Contudo, num plano mais realista, mais que reminiscências sugerem e atestam a existência de terras perdidas sob o mar, já que se encontraram vestígios de civilizações perdidas ao largo em diferentes locais da costa do Atlântico e de mares adjacentes. As estradas de pedras de Iucatã e as avenidas de dólmens e menires da Bretanha, as quais se dirigem à beira do mar, prosseguindo depois no seu fundo e as estradas ou muros de pedras de Bimini, lances de escada e estradas cortados na pedra nos planaltos submarinos do Caribe e das montanhas marinhas do Atlântico, tudo parece indicar ruínas mais extensas em pontos longínquos do oceano.

Numa insólita ocasião, no começo da década de 1970, o oceano ao largo da costa da Bretanha realmente refluiu para bem longe da costa durante uma excepcional maré vazante. Como tal ocorrência fora meteorologicamente prevista, a região ficou cheia de observadores à espera de ver o oceano revelar cidades em ruínas, que, segundo lendas (e pescadores), existiam no fundo. Infelizmente, aquilo que pareciam pilhas de ruínas de pedras encharcadas estava tão longe da costa que não poderia ser visitado antes do rápido retorno dá maré.

A costa sudoeste da Espanha é legendária e até mesmo historicamente próxima de uma civilização desaparecida — a de Tartessos. Investigações levadas hoje a efeito por mergulhadores espanhóis e de outras nacionalidades poderão futuramente provar que Tartessos não era um posto avançado, no Oeste, da civilização ocidental, mas, ao contrário, uma colônia da própria Atlântida, de onde a influência atlante se estendeu para o Leste, Mediterrâneo adentro.

O Mediterrâneo contém uma variedade de locais que jazem submersos em águas relativamente profundas — a uma profundidade de 60 a 90 metros ou até mais. A imersão desses locais pré-históricos não é resultado de um rebaixamento gradual, à maneira do que ocorreu com portos de períodos clássicos, como Cartago, Tiro, Léptis Magna, Baias, cidade romana perto de Nápoles, e Kenchreai, o porto de Corinto. Esses outros locais demonstram que pertencem a uma era muito mais recuada no tempo do que se pode atualmente avaliar.

Fora do Mediterrâneo, diante de Marselha, as passagens de rochedos submarinos revelaram uma série de poços de minas e instalações de fundição, presumivelmente estabelecidos num período em que a humanidade se encontrava no chamado nível do "homem da caverna". Jim Thorne, mergulhador e arqueólogo, ao realizar um mergulho de grande profundidade nas proximidades da ilha de Meios, no mar Egeu, percebeu que não se encontrava no verdadeiro fundo do mar, mas sim de pé entre as colunas de uma antiga acrópole de cujo centro outras estradas seguiam ainda mais profundamente, mergulhando na escuridão abaixo. O capitão Jacques Cousteau conta ter descoberto uma estrada ao longo do fundo do mar Mediterrâneo, que ele acompanhou até esgotar seu suprimento de ar. Essa estrada não possuía indicação de onde começava, nem para onde se dirigia, caso semelhante ao de outras estradas sob mares e oceanos, incluindo uma longa e larga estrada ao largo da costa do Estado norte-americano da Geórgia, no Atlântico.

Há crescentes evidências de que o Mediterrâneo foi um mar interior muito menor no Holoceno, e sustentando uma população civilizada no que hoje está no fundo do mar, e de que o oceano Atlântico irrompeu através do estreito de Gibraltar, inundando e enchendo a bacia do Mediterrâneo, cerca de 11 ou 12 mil anos atrás.

Segundo narram antigas lendas, a terra e o mar freqüentemente trocaram de lugar. Sabemos que existem vestígios de vida marinha no deserto, esqueletos de baleias perto do cume de altas montanhas, e que ruínas de grandes cidades estão submersas sob o mar. Os contornos dessas cidades nem sempre são evidentes e, como os destroços de antigos navios, só são divisados com certa dificuldade sob o coral que cresce acima delas. Sua própria existência é combatida por grande número de cientistas de diferentes especialidades que deveriam acolher, em vez de denegrir, descobertas submarinas cuja importância se tem tornado mais evidente nos últimos 20 anos.

Podemos, é claro, compreender a recalcitrância científica a qualquer menção da possível existência da Atlântida, bem como a relutância do establishment científico em tirá-la do domínio de dragões, gnomos e fantasmas. Ê desagradável ser forçado reescrever a história e modificar teorias arcaicas sobre a origem da civilização. Entretanto, o conhecimento científico tem sido modificado, por reexame, nestes últimos 100 anos por que não a história?

As descobertas submarinas e as primeiras providências para o preenchimento das lacunas históricas começam a recuar nossas fronteiras do tempo até um mundo primitivo, com o qual talvez ainda sintamos forte ligação emocional. Ainda existe, apesar dos milhares de anos de permeio, uma ponte entre nosso mundo presente e o mundo perdido. Ela pode ser acompanhada externamente a partir das linhas costeiras do Atlântico, através de observação aérea e exploração submarina, primeiro nas costas rasas, em seguida nas extremidades das ilhas e montanhas marinhas e por fim, por meio de submersíveis de grande profundidade, com capacidade de descer vários quilômetros, até onde ainda jazem as ruínas do oitavo continente.

É provável que provas conclusivas sobre a Atlântida sejam encontradas, ou já o tenham sido, por exploradores que não a estejam procurando, como a tripulação de submarinos atômicos navegando pelo fundo do mar para investigar e lotar o curso de outros submarinos do mesmo tipo durante a guerra fria, ou por sondas comerciais de prospecção de petróleo, gás ou minérios.

Outros elos de ligação com a história antes da história poderão um dia ser encontrados entre os milhares de antigos documentos gravados em barro cozido, esculpidos em pedras, pintados em madeira ou escritos em papiros, milhares dos quais ainda não foram traduzidos. Eles existem no museu do Vaticano e no British Museum, de Londres, e em Museus dos Estados Unidos, Rússia, França e Alemanha, como também em inúmeros museus menores e em coleções particulares. A busca da Atlântida e de seus registros poderá conduzir-nos por estranhas passagens cortadas sob os Andes, às cidades perdidas na selva amazônica, aos registros dos mosteiros do Himalaia, às cidades destruídas em segundos na índia, às sofisticadas pinturas rupestres da Europa e da África do Norte, e a descobertas sob as areias do Egito e do Oriente Médio e sob o gelo da Antártida.

Mas além de todos os conhecimentos e registros que se perderam ou ainda permanecem escondidos, a tradição do antigo conhecimento científico herdado de um mundo primitivo foi preservada por certos grupos na Europa durante a Idade Média. Era geralmente camuflado sob a capa de magia ou astrologia e praticado por astrólogos independentes e também por irmandades ou grupos secretos, uma vez que um interesse demasiado em relação a essa ciência poderia resultar em morte na fogueira.

Essa tradição, herdada e recopiada, como o foram os antigos mapas-múndi por causa de sua utilidade, foi responsável, ao se tornar novamente respeitável durante o Renascimento, pelo posterior desenvolvimento da Era Atômica. A teoria das partes componentes da matéria era conhecida e freqüentemente foi objeto de discussões na Grécia e na índia antigas, e sem dúvida alguma, em outros lugares por nós ainda desconhecidos. Os astrólogos e magos medievais (os cientistas da Idade Média) isolaram um sem-número de elementos que mais tarde veio a fornecer a base para o Quadro Periódico de Mendeleyev (e outros) — certamente uma das mais importantes descobertas da ciência. Muitas vezes, astrólogos e magos usavam suas poções para isolarem as substâncias atômicas com o propósito de transformar metais comuns em ouro para o enriquecimento próprio ou de seus protetores. Embora agissem por pura cupidez, devemos observar que os trabalhos dos alquimistas eram muito menos perigosos para o mundo que as experiências bem-sucedidas realizadas com o átomo, em 1945, por seus descendentes cientistas.

Lendas sobre viagens espaciais e explorações cósmicas parecem ter sido comuns nos períodos mais remotos da civilização conhecida. Existem referências a vôos e veículos espaciais, e descrições muito precisas sobre como a Terra aparecia vista do espaço, mais uma vez tendo a ver com deuses e heróis sobrenaturais. Seria normal, é claro, para os povos primitivos imaginar vôos através dos ares, embora inúmeros detalhes das lendas sejam curiosamente iguais às teorias e realizações de nossa atual era espacial.

Algumas das antigas referências que parecem relacionar-se com a guerra moderna, especialmente as dos clássicos indianos, tais como a bomba atômica, chamada no Mahabharata "raio de ferro", que "explode com a força de 10 mil sóis", e uma aparente arma química de guerra chamada "seta da inconsciência", são conhecidas nossas. Descrições em escrita indiana sobre aviões poderosos, ataques aéreos a cidades, detecção de aviões inimigos através do radar, bem como sobre a forma de se evitar ser detectado pelo inimigo, seriam quase inacreditáveis se não tivessem sido escritas muitos séculos antes de suas modernas cópias entrarem em ação.

Referências à exploração cósmica não são menos surpreendentes — e igualmente familiares. Embora esses relatos falem de ações divinas e heróis sobrenaturais, na verdade descrevem, com alguns detalhes, foguetes e vôos espaciais.

Na mitologia dos caldeus, existe um rei sumério chamado Etana que foi levado ao Cosmo e, ao retornar, descreveu como a Terra se parecia vista do espaço. Enquanto subia, a Terra como que sumia a seus pés. Primeiro as montanhas se tornaram pequenas colinas, e o mar pareceu a água de uma banheira. Então a Terra se tornou como um sulco no campo, e o imenso oceano ficou da largura de um cesto de pão.


Finalmente, a terra e o mar "deixaram de existir" e o globo terrestre se tornou do tamanho das outras estrelas.

Foguetes espaciais tripulados são discutidos em detalhe na Samarangana Sutradhara da índia, até mesmo quanto à sua forma de propulsão. Especifica-se que o motor a jato de mercúrio era necessário para liberar o poder latente desse mineral, que "punha o turbilhão de vento em movimento", fazendo a vimana "elevar-se aos céus como uma pérola", acompanhada de um "rugido de leão", adequada descrição do lançamento de um foguete. O que é mais estranho ainda é que essa narrativa também comente que "pode-se construir um", especificando "quatro tanques de mercúrio aquecido por fogo controlado de tanques de ferro com juntas adequadamente soldadas...", e forneça outras informações pertinentes, como se a construção de vimanas fosse ocorrência corriqueira na pré-história.

Não podemos saber se os antigos escritores tinham ou não base para tão estranhas descrições ou se simplesmente deixavam sua fértil imaginação à solta. Mesmo assim, com o passar do tempo, todas essas atividades se tornaram realidade, devendo ser, portanto, consideradas simplesmente etapas do desenvolvimento da tecnologia. Talvez qualquer raça, dados tempo e impulso suficientes, em oito a 10 milhares de anos, pudesse alcançar, como nós, o progresso e o perigo, chegando até mesmo ao ponto de decidir seu próprio destino — escolha que confronta toda a humanidade hoje em dia.

A humanidade pode ter percorrido o mesmo caminho antes através da utilização de outras forças inerentes à própria Terra. Pode ter sido exatamente o uso ou, no fim, mau uso dessas forças (segundo a maioria das lendas antigas) que provocou o cataclismo que varreu do mundo uma civilização, deixando aos confusos sobreviventes, nossos remotos antepassados, a tarefa de retomar a íngreme subida, com freqüentes retornos, nos últimos 6 a 10 mil anos.

O caminho pelo tempo de volta à Atlântida está ficando mais claro, marcado por grandes ruínas de pedras espalhadas pelo mundo, ainda inexplicáveis, mas que talvez fossem marcos das estações, do tempo, e luzes de sinalização para o espaço — o Sol, a Lua e as estrelas. Os elementos místicos dessas ruínas chegaram até nós através das lendas mais antigas do homem, e também de suas religiões, que constituem sua mais antiga história.

Foi aventado que as enormes ruínas pré-históricas nas diversas partes do mundo tinham objetivo especial que não apenas servirem como templos, túmulos, fortalezas ou observatórios primitivos. É claro que somos capazes de classificar todas as relíquias da Antigüidade em relação ao que nos é familiar em nossa própria história, sem considerar que durante um período de muitos milhares de anos uma civilização anterior à nossa se teria desenvolvido de outra forma e empregado, para seus próprios objetivos, fontes de energia diferentes das nossas. Uma forma fácil e muito usada de derrubar a noção de uma presumível civilização na Atlântida é enfatizar a ausência de peças "civilizadas" datadas de um período pré-histórico. Mas se essas peças ou mecanismos fossem feitos de ferro, aço ou madeira, já teriam há muito desaparecido. Dos materiais de construção, apenas a pedra teria perdurado. Enormes montes de terra e longos muros, embora tivessem perdido um pouco da altura, seriam visíveis em algumas regiões, e ainda estão sendo descobertos do ar pelos sinais contrastantes que deixaram na Terra. Alguns investigadores do passado propuseram que os enigmáticos movimentos ciclópicos, os montes de terra e um sistema de estradas e caminhos pouco perceptíveis talvez detenham a chave do segredo de uma fonte de energia comum a uma remota civilização; uma fonte de energia cujo emprego ainda não foi redescoberto.

Sabemos que a Terra é um gigantesco ímã carregado de força eletromagnética. Diversos autores ingleses teorizaram que muitas das ruínas pré-históricas de prédios, muros e estradas das ilhas britânicas um dia fizeram parte de um enorme "instrumento" planejado que se estendia por outras regiões do mundo, como também pela Grã-Bretanha. Essa explicação foi mais claramente expressa por John Mitchell (The View Over Atlantis), que se refere a esse "instrumento" como um meio de marcar e canalizar as linhas de força magnética através de todo o globo. Segundo ele, as ruínas ciclópicas nas diferentes partes do mundo talvez pertencessem a uma mesma cultura mundial, e o objetivo dos povos que as construíram não foi apenas demarcar as linhas de energia do magnetismo do mundo, mas usá-las; enfim, controlar o campo magnético da Terra. Segundo Mitchell, "...o magnetismo natural da Terra [era] conhecido na pré-história [e] fornecia uma energia à qual estava ligada toda a sua civilização".

Suas observações mais cuidadosas, da Inglaterra em particular, baseadas parcialmente em observações de outros cobrindo um período de centenas de anos, revelou uma rede de antigas estradas e caminhos retos que pareciam interligar cidades não-conhecidas. A esse sistema de estabelecer linhas retas por caminhos, grandes pedras, torrões e montanhas modificadas ele denominou linhas "ley", de vez que essa palavra aparece em inúmeros dos caminhos indicados. As grandes demarcações circulares de terra e os caminhos ainda existentes, não importando a utilidade que possuíssem ainda podem ser vistos de helicóptero sobrevoando-se partes da Inglaterra e Irlanda ocidentais, Noroeste da França e as muitas regiões por todo o mundo pré-histórico que agora vemos como muito maiores do que se imaginava, com o ponto-chave da rede ainda submerso no mar.

Se essas linhas de força magnética correm por toda a superfície da Terra (assertiva que não é ilógica, uma vez que a própria Terra é um enorme ímã), não é de surpreender que os chineses tivessem conhecimento desse fenômeno, desde os seus mais remotos registros. Eles as chamavam "caminhos de dragão", e até há bem pouco tempo observavam um sistema de geomancia para estabelecer a localização de casas, templos, cidades e até portões nas muralhas destas, com referência especial a tais linhas de força ou energia. A tradição chinesa não só achava que essas linhas e centros de energia se estendiam sobre toda a Terra, como também as incluía dentro do corpo humano, como se a Terra viva e o corpo vivo do homem operassem em conexão com essas mesmas forças. (Esse conceito de linhas de força especiais dentro do corpo é a base da acupuntura, uma das poucas crenças tradicionais ainda encorajadas pelos atuais dirigentes chineses, principalmente porque parece funcionar.)

A teoria de uma antiga identificação e controle das forças magnéticas da Terra talvez seja a razão para a variada e estranha localização das demarcações pré-históricas em partes do mundo vastamente distantes. Ela tenderia a explicar os ciclópicos complexos de Avebury, Glastonbury e Stonehenge, na Grã-Bretanha, as linhas cuidadosamente demarcadas que não levam a lugar algum, as grandes pedras da França e os montículos da Europa central, as estradas retas pré-dinásticas da Pérsia, as estradas elevadas de Iucatã, hoje submersas, as estradas retas pré-incaicas da costa ocidental da América do Sul e os retos "caminhos do dragão" através da China. Também podem ter alguma relação com as miríades de linhas do vale de Nazca, no Peru, outrora chamadas "estradas incas" e, mais tarde, "campos de pouso", assim como o mesmo tipo de linhas no deserto Atacama, do Chile, e no deserto Mojave, na Califórnia.

Teria algo a ver com a mudança que o homem fez em grandes colinas, até mesmo montanhas, como nas montanhas artificialmente modificadas do planalto Marcahuasi, no Peru, as colinas e penhascos aparentemente artificiais do vale do Amazonas, no Brasil, e em TepozHán, no México. Em Quito, Equador, o que outrora tinha sido considerado uma montanha natural (El Panecillo) comprovou ser objeto artificial, construído entre montanhas naturais por motivos desconhecidos. Em inúmeras ilhotas do Pacífico, existem enormes estátuas, ruínas ciclópicas e montanhas que foram talhadas na forma de degraus de pirâmide. Para desenvolver ainda mais a teoria da demarcação, poderíamos sugerir o próprio cinturão de pirâmides que envolve o mundo, o qual consiste em ruínas de antigas demarcações ou cópias feitas por povos que se seguiram e que esqueceram a razão pela qual elas foram construídas.

Talvez o transporte das imensas pedras da pré-história, há tanto tempo um enigma arqueológico, fosse realizado pelo emprego dessa energia magnética, contrastando pólos negativos e positivos para erguer grandes rochas sobre áreas extensas e através de profundos vales, além da drenagem e canalização da energia da própria Terra para recortar os contornos das montanhas. Com o tempo, as forças magnéticas, e talvez as forças gravitacionais ligadas, puderam ser canalizadas e usadas para uma variedade de fins — construção, transporte e, como geralmente acontece no desenvolvimento de uma forma de energia — destruição.

A destruição da Terra, repetidas vezes narrada nas velhas lendas do mundo, pode ter sido resultado direto da concentração e do controle da energia magnética do planeta, quase como se a própria Terra, como entidade sensível, tivesse sacudido as forças armazenadas pelo homem que estariam canalizando e obstruindo sua energia natural. Alguma coisa semelhante a essa rejeição tem ocorrido nos tempos modernos, quando terremotos atingem com freqüência regiões onde dejetos atômicos estão enterrados, ou quando explosões nucleares subterrâneas parecem provocar terremotos quase simultâneos a centenas de quilômetros de distância.

Nos tempos modernos, a idéia de uma rede eletromagnética espalhada sobre a superfície da Terra tem sido considerada não somente por escritores de ficção científica, mas também por alguns cientistas. Nikola Tesla, o gênio que inventou a corrente alternada e deu nome à espiral Tesla, talvez estivesse seguindo uma linha semelhante de investigação em suas experiências com a eletricidade sem fio e a relação entre o som harmônico e a energia. Durante suas experiências com eletrônica e sons harmônicos em seu laboratório de Manhattan, Tesla atraiu tão violentas tempestades de raios e trovões a sua vizinhança que os moradores locais exigiram que a polícia interrompesse aquelas perturbadoras experiências. Em outra ocasião, as vibrações harmônicas que aparentemente ele havia provocado sacudiram toda a vizinhança como um terremoto. Esse mesmo eminente pesquisador declarou certa vez que a obtenção de uma freqüência harmônica adequada poderia destruir a Terra.

Isso nos lembra algumas lendas segundo as quais, num passado distante, o eixo da Terra mudou, disso resultando uma série de catástrofes mundiais.

Um piloto da Nova Zelândia, Bruce Crathie (Harmonics 33), esboçou uma rede magnética que, segundo ele, outrora se estendia sobre a Terra, mas foi partida durante uma alteração polar. (O que lembra, entre outras lendas, a narrativa hopi sobre os Gêmeos, cada qual respectivamente guardião dos eixos Norte e Sul da Terra, que, quando obrigados a abandonarem seus postos, ocasionaram o fim do segundo mundo.) Crathie é de opinião que a rede desde então foi reconhecida, atualmente está sendo consertada, e a passagem de supostos objetos voadores não-identificados ao longo de suas linhas é indício de novamente estar em uso.

Num mundo em que a ciência, à medida que avança, muda constantemente seus conceitos de espaço, matéria, energia, e mesmo tempo, não deveríamos negar a possibilidade de que, em algum momento no passado, se tenham feito descobertas que se realizarão novamente no futuro. Como Einstein observou, o tempo pode ser curvado, e os acontecimentos no tempo, bem como ele próprio, poderão ocorrer novamente — aparente impossibilidade, embora não mais ilógica ou inexplicável que o próprio tempo. Em nossos dias, podemos estar testemunhando o final deste ciclo cósmico.

A lenda da Atlântida, agora se tornando realidade identificável, é de grande importância para o mundo moderno. Menos de meio século atrás, seria incrível que a humanidade fosse capaz de efetivamente destruir a si mesma e talvez o próprio planeta. No entanto, essa é a possibilidade imediata que enfrentamos a cada momento. A possibilidade de que uma catástrofe geral tenha ocorrido há milhares de anos devido a uma explosão termonuclear, ou à descoberta e uso incorreto de forças latentes no planeta, encontra base em mitos e lendas de todo o mundo, e também na evidência geofísica obtida em terra e, especialmente, no mar.

É nas montanhas, mesetas, vales e abismos do oceano que os grandes centros da civilização atlante aguardam ser descobertos. Podemos esperar que no processo da moderna exploração do fundo do mar para fins militares e comerciais por navios de pesquisa, DSRVs de profundidade e submarinos atômicos, as diversas nações rivais possam vivenciar a crescente reminiscência do destruído mundo atlante, assim como a consciência de que estamos todos, de certa forma, relacionados uns aos outros pela descendência comum em relação a essa antiga cultura. Um crescente conhecimento da realidade e destino da Atlântida, mesmo que signifique uma reavaliação dos primórdios da história, poderá ter o efeito de unir espiritualmente os povos do mundo em razão de nossas raízes culturais comuns deitadas na civilização do Oitavo Continente, assim como intelectualmente, ao se tornar mais evidente, com o correr dos anos e até das semanas, que, se o mundo não atingir logo uma razoável unidade, ele se destruirá a si mesmo. Talvez a lembrança e o conhecimento de um mundo mais remoto, enquanto aprendemos mais e mais sobre ele e o que com ele ocorreu, possam contribuir para a preservação do mundo atual — uma contribuição final do antigo Império do Mar a seus descendentes.

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