China: uma nova história



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LANÇAMENTO

China: uma nova história
de John King Fairbank e Merle Goldman

Tradução de Marisa Motta



Formato: 16x23 520 páginas – R$ 67

ISBN 85-254-1568-5 Código de barras: 9788525415684


Confira entrevista que a autora Merle Goldman concedeu à L&PM




Eleito “Livro notável” pelo The New York Times

China: uma nova história abrange toda a história chinesa e o faz de forma vivaz e dinâmica... Um feito admirável.”



Jonathan Spence, autor de Em busca da China moderna
“Uma empreitada ambiciosa e audaz, que faz jus ao homem que foi o pai dos estudos modernos sobre a China.”

Anne F. Thurston, Boston Globe
“[Este livro] consegue contar turbulentos quatro mil anos de história num só volume sem perder a clareza nem simplificar... Rico e fascinante.”

Arnold R. Isaacs, San Francisco Chronicle
China: uma nova história, em uma narrativa tão acessível quanto instigante, fornece ao leitor o mais completo panorama sobre a China, da pré-história à primeira década do século XXI. Escrito por John King Fairbank e Merle Goldman, dois dos mais renomados sinólogos do Ocidente, o livro analisa – sempre baseado nos fundamentos e na evolução do sistema social, da cultura e do pensamento chinês – a rica e conflituada história deste que foi o primeiro Estado do mundo a ter um funcionalismo burocrático moderno.

Iluminando acontecimentos e paradoxos pouco conhecidos pelo Ocidente, a obra faz jus ao título: trata-se não apenas de uma história da China, mas de uma história da cultura e do pensamento chinês. A abrangência de China: uma nova história reflete a dedicação de Fairbank ao estudo e à difusão dos conhecimentos adquiridos ao longo de uma vida inteira de pesquisa na área da sinologia.

Lançado originalmente em 1992 pela Universidade de Harvard, o livro foi reeditado seis anos depois, em versão ampliada por uma das alunas de Fairbank, Merle Goldman. A professora é responsável pelo último capítulo e pelo epílogo da obra, nos quais aborda o período de reformas pós-Mao de maneira mais aprofundada. Em 2006, foi lançada uma segunda edição revista e ampliada por Goldman, dando conta da China no início do século XXI, e é esta edição completa que a L&PM traz ao leitor; nenhum outro livro disponível nas livrarias brasileiras analisa a formação, a trajetória e os rumos do país em uma perspectiva tão ampla.

A estrutura de China: uma nova história é dividida em quatro grandes partes: “Ascenção e declínio da autocracia imperial”, “O declínio da China Imperial”, “A República da China, 1912-1949” e “A República Popular da China”. Na primeira, são abordados os períodos pré-unificação; os mais de dois mil anos em que a China esteve sob o regime político imperial e que compreenderam mais de dez dinastias; o daoísmo, o budismo e o confucionismo – as três linhas de pensamento conformadoras do espírito chinês –, bem como os fundamentos da organização social e familiar. Na segunda parte, discute-se o declínio do regime imperial e o aumento, sobretudo por meio do comércio, do contato entre a China e o Ocidente – que culminaria nas Guerras do Ópio do século XIX e em um longo período de sujeição dos chineses aos interesses econômicos estrangeiros.

Com a República tem início a terceira seção do livro, que trata também da Revolução Nacionalista, do início do Partido Comunista chinês, da Longa Marcha (1934-1935), da invasão japonesa e da resistência chinesa e, finalmente, do término da guerra civil, em 1949, com a transferência do governo nacionalista mudando-se para Taiwan e a ascensão de Mao ao poder. A quarta parte do livro é dedicada à segunda metade do século XX: a estruturação da máquina do governo comunista, os movimentos arquitetados por Mao, como o Grande Salto para Frente (1958-1960), que culminou na morte de pelo menos trinta milhões de pessoas devido à falência das lavouras, e a Revolução Cultural (1966-1976), quando escolas e universidades foram fechadas e professores torturados e assassinados pelos próprios alunos. É analisado o legado de Deng Xiaoping, comunista de primeira hora que, após a morte do Grande Timoneiro, em 1976, pôs a China nos trilhos do desenvolvimento econômico e que foi também o responsável pelo massacre da Praça da Paz Celestial; e, como encerramento, uma avaliação sobre o governo de Hu Jintao, além dos desafios que se impõem a médio e a longo prazo à nação chinesa, sendo o principal o impasse de como sustentar (ou resolver) a contradição de ser um país economicamente capitalista e politicamente autoritário.

O texto de Fairbank e Goldman é ilustrado por mapas, tabelas, desenhos e fotos que conferem a devida dimensão da história chinesa, mostrando as antigas divisões geográficas do país, a extensão dos impérios, a vida cotidiana do povo, as características topográficas que influíram na configuração atual do país e as principais conseqüências da atuação dos diversos líderes que conduziram a China à condição de potência mundial. A obra conta ainda com uma completa bibliografia sobre o assunto.




John King Fairbank (1907-1991) nasceu nos EUA e foi um dos mais respeitados especialistas do século XX em História chinesa. Formado nas universidades de Harvard e Oxford, viveu na China de 1932 a 1936. Tornou-se professor e diretor do Centro de Estudos Asiáticos de Harvard, publicou vários livros sobre a China e foi editor da monumental publicação The Cambridge History of China. Fundou, em Harvard, o Centro de Pesquisas sobre a Ásia Oriental, rebatizado Centro Fairbank de Pesquisas sobre Ásia Oriental.
Merle Goldman é norte-americana e professora da Universidade de Boston, onde ministra cursos de história chinesa pré-moderna e moderna. Publicou vários livros sobre os impasses da China nos séculos XX e XXI. É pesquisadora associada e membro do comitê executivo do Centro Fairbank de Pesquisas.



Entrevista com Merle Goldman
L&PM – Em China: uma nova história, vê-se claramente que o tradicional estado autocrático chinês foi, durante séculos, financiado por impostos que debilitavam as classes baixas. Em que medida esta tendência para a desigualdade social é um desafio para o crescimento da China?

Merle Goldman – Há duas maneiras diferentes de responder a essa pergunta. Por um lado, o crescimento econômico da China, de mais de 9% durante os últimos 25 anos, foi acompanhado por crescentes desigualdades sociais. Pode-se dizer que isso demonstra que as desigualdades ajudaram, mais do que impediram, o crescimento econômico no final do século XX e início do século XXI. Por outro lado, o crescimento econômico de outras nações pós-confucianas como Coréia do Sul, Taiwan e Japão acarretou uma maior igualdade social nesses países. Se as atuais desigualdades da China continuarem a crescer e a ocasionar tensões, poderão acabar por minar o crescimento chinês em vez de fomentá-lo.


L&PM – Líderes chineses têm, nas últimas décadas, diplomaticamente chamado a atenção para o “crescimento econômico pacífico” da China. Mas os investimentos chineses em tecnologias militares também estão crescendo. Isso, aliado ao forte sentimento nacionalista chinês, pode indicar a possibilidade de a China se tornar uma ameaça às outras nações do mundo, tal como aconteceu com a Alemanha e o Japão em meados do século XX? Por quê?

Goldman – No passado, o desenvolvimento econômico de nações tal como a Inglaterra no século XIX, os Estados Unidos no final do século XIX e Alemanha e Japão nas primeiras décadas do século XX levaram à sua expansão no exterior e em países vizinhos. Este é o medo associado a uma economia em expansão que seja também acompanhada por desenvolvimento militar. A esperança é que a China possa ser integrada à comunidade mundial e a organizações internacionais para que não busque expansões territoriais ou para que uma eventual expansão territorial lhe seja impedida.


L&PM - De acordo com informações que constam do seu epílogo para China: uma nova história, quinze das vinte cidades mais poluídas do mundo ficam na China. Historicamente, o que explica a negligência chinesa em relação ao meio ambiente? O próprio desenvolvimento chinês acabará por forçar o governo e a população a dar atenção a questões ecológicas?

Goldman – A poluição chinesa é conseqüência do ritmo acelerado de sua modernização econômica e do fato de que oficiais locais são julgados e avaliados pelo ritmo do desenvolvimento econômico. Como resultado, no processo de modernizar a economia chinesa e se tornar o fornecedor mundial de bens manufaturados de baixo valor não houve restrições quanto à poluição do ar e da água. Apenas nos primeiros anos do século XXI, depois de duas décadas de rápido crescimento econômico, o governo chinês – em parte como resposta à pressão exercida pela própria população chinesa, que está sofrendo fisicamente por causa dos efeitos nocivos da poluição – iniciou esforços para penalizar indústrias que poluem a água e o ar e impôs penalidades aos poluidores.


L&PM – Você aponta como principal paradoxo da China de hoje o fato de que a economia dinâmica enfraqueceu a autoridade do Partido Comunista chinês. Você também mencionou que os últimos anos viram manifestações oficiais e esforços – até mesmo por parte do atual presidente, Hu Jintao – para reforçar a imagem do partido. Tais esforços podem ser considerados o “canto do cisne” ou o estertor do partido cujas ideologias principais foram abandonadas e nas quais ninguém mais acredita, nem mesmo – aparentemente – os líderes da China?

Goldman – A autoridade do partido comunista chinês, como eu costumo dizer, foi enfraquecida pelo movimento de aproximação da China à economia de mercado e ao mundo exterior, perdendo, assim, seu controle absoluto. Da mesma forma, sua ideologia marxista-leninista expirou por causa da implosão da União Soviética e o fim dos partidos comunistas no mundo ocidental. Entretanto, ao passo que nesses países houve reformas políticas, a China ainda continua a ser governada por um Partido Comunista. A China não é mais um estado totalitário porque o Partido não tem mais controle total sobre a economia e a vida das pessoas. No entanto, a China tem um sistema político autoritário porque ainda é governada por um partido único e não tem um sistema de separação de poderes.

 

L&PM – Após a morte de Mao, em 1976, outros membros do partido, tal como Deng Xiaoping – que haviam sido perseguidos por Mao durante a Revolução Cultural –, iniciaram as reformas sociais e econômicas – embora não as políticas – que abriram o caminho para o desenvolvimento chinês que o mundo ora assiste. Em um exercício de imaginação, como seria a China hoje, se tais mudanças não tivessem sido feitas?

Goldman – Embora a China, com a morte de Mao, não seja mais – devido à perda do seu ditador – um sistema totalitário, seria um sistema autoritário com uma economia pobre. Foi o relaxamento do controle do partido sobre a economia que permitiu milhões de pequenos empreendedores a começarem negócios e a investidores estrangeiros a entrarem na China, o que, por sua vez, disparou o extraordinário crescimento econômico dos últimos 25 anos. Se a China pode continuar nesse ritmo de crescimento econômico é outra questão, mas não há dúvida de que apesar das crescentes desigualdades as reformas econômicas chinesas melhoraram a vida da maioria esmagadora da população.


Para agendar entrevistas com a autora, maiores informações pelo telefone 3225-5777, com Vera Regina Shida (vera@lpm.com.br) e Janine Mogendorff (janine@lpm.com.br).

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