Ciclos Econômicos: Teoria e Evidência 1 Introdução


- Os Estudos Empíricos e as Vertentes Teóricas



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3 - Os Estudos Empíricos e as Vertentes Teóricas

Conforme Galbraith (1989), uma característica singular e significativa do sistema clássico é a ausência de uma teoria das depressões, pois as causas relevantes eram excluídas pela sua própria natureza. O equilíbrio ao qual a economia estava adaptada era o equilíbrio com pleno emprego – o fim ao qual todas as oscilações de preços e salários inevitavelmente levavam. E havia a Lei de Say, que claramente especificava que não poderia existir uma escassez de demanda. Ora, uma depressão é uma ocasião em que as mercadorias se acumulam por falta de compradores. Assim, dentro do arcabouço teórico em que prevalecia a Lei de Say, havia pouco espaço para o estudo dos ciclos e, conseqüentemente, das depressões. Isso não significa dizer que nos anos precedentes à Grande Depressão o ciclo econômico não fosse estudado. Era. Porém, o seu estudo não constituía parte do cerne do pensamento econômico. E não havia também um acordo quanto às causas dessas flutuações. Assim, estudos importantes sobre os ciclos econômicos eram realizados por Mitchell. Ele não possuía qualquer laço clássico, concluindo que todo ciclo econômico era uma série única de acontecimentos cuja explicação era também única.

Desde os primeiros trabalhos sobre os ciclos econômicos, os estudiosos podem ser classificados em dois grupos, dependendo da natureza do trabalho executado. Por um lado, havia os estatísticos econômicos, normalmente membros de alguma instituição dedicada ao acompanhamento de conjuntura, com a função de descrever flutuações efetivamente observadas. Burns e Mitchell, juntamente com o NBER, são as referências mais conhecidas, mas havia instituições similares na Inglaterra, Polônia e Rússia. Para estes economistas, as teorias dos ciclos eram importantes apenas na medida em que pudessem resultar na identificação de novas fontes de dados a serem investigados.

Por outro lado, existiam os economistas que se preocupavam com o estudo dos ciclos econômicos de forma puramente teórica. Essas teorias objetivavam identificar o princípio dos fenômenos cíclicos, buscando origem e causa para os ciclos econômicos. Despontaram assim duas abordagens fundamentais sobre a natureza dos ciclos econômicos. A primeira trabalha com o conceito de que os ciclos são oscilações intrínsecas a uma economia capitalista, como uma série de fenômenos que seguem uma determinada ordem. Estas oscilações nasceram com o capitalismo, não podendo ser eliminadas sem que o próprio sistema passe por mudanças profundas, sendo uma forma da evolução natural da economia capitalista. A economia encontra-se em constante mudança, em que as crises não podem ser consideradas de forma ocasional. O estado “normal” da economia é esperar que ultrapassada a fase de crise, cada ciclo se renove através de fases sucessivas de depressão, reanimação e auge, que irá acarretar a crise seguinte, a partir da qual se origina novo ciclo.

Os modelos teóricos que representam essa visão são aqueles conhecidos como de acelerador/multiplicador. Há muitas variações desses modelos, em que se pode citar como o melhor representante dessa corrente teórica, o mecanismo que enfatiza a interação do multiplicador/acelerador (Samuelson, 1939). Esse mecanismo vê apenas os fatores reais como responsáveis pelas flutuações, entre eles a demanda agregada e principalmente a instabilidade dos investimentos privados.

Conforme Burns (1952), outro modelo importante para explicar as flutuações no produto real, foi aquele desenvolvido por Hicks em 1950, em que ele usou efetivamente o princípio do multiplicador e do acelerador. O modelo é fundado inteiramente em termos reais: gasto com consumo é função da renda real e investimento é função da taxa de variação da renda real. A moeda desempenha um papel puramente passivo, a circulação monetária automaticamente aumenta durante as expansões e automaticamente contrai durante o período de queda do ciclo. Entretanto, as depressões são consideradas intensificadas pelos fatores monetários, enquanto nos períodos de expansão dos ciclos geralmente estes fatores têm atuado de forma mais branda. O mecanismo multiplicador foi estabelecido através dos movimentos no consumo, enquanto o mecanismo acelerador foi estabelecido através dos movimentos no investimento - exceto certa parte autônoma. Portanto, a teoria do multiplicador e a teoria do acelerador são duas concepções da teoria das flutuações.

Pode-se citar como outro representante desses modelos acelerador/multiplicador, o modelo de Kaldor (1940), em que o princípio básico do multiplicador pode ser entendido como a propensão marginal a consumir menor do que a unidade, e, o princípio do acelerador pautando-se na hipótese de que a demanda por bens de capital é função da taxa de variação do nível de atividade, e não simplesmente do nível de atividade. Essa teoria é essencialmente similar a outras que explicam os ciclos econômicos como um resultado de operações combinadas de forças conhecidas como multiplicadoras e da função demanda por investimento. O princípio básico sob essas teorias está centrado na proposição de que a atividade econômica tende em direção a um nível em que poupança e investimento se equivalem. Dessa forma, esses modelos acelerador/multiplicador não podem conferir nenhum papel essencial à expectativa ou à tomada de decisão. Qualquer papel deste tipo romperia a regularidade que é proposta como principal aspecto do ciclo.

A outra abordagem fundamental sobre a natureza dos ciclos econômicos está postulada nos modelos de propagação. Em contraste aos modelos precedentes, cada ciclo é visto como único, começando quando um estado de repouso na economia sofre perturbações advindas de choques exógenos. E, a absorção desses choques exógenos seria determinante para a caracterização do fenômeno cíclico de forma ondular.

Segundo Carvalho (1988), os modelos de propagação podem explicar a regularidade dos estágios de um ciclo específico, mas não a periodicidade de um processo cíclico. Para explicar uma cadeia de ciclos sucessivos seria necessária uma teoria adicional que explicasse a fonte dos choques e por qual motivo eles se repetiriam de uma maneira não regular. Na ausência dessa teoria adicional, resta a possibilidade de que entre o fim de um ciclo e o início do seguinte decorra um período de espera indefinidamente longo, diminuindo o poder de previsão desses modelos. Desse modo, do ponto de vista de uma rigorosa acepção de processos cíclicos, modelos de propagação seriam incompletos por não serem capazes de explicar a periodicidade dos ciclos.

A versão mais influente da teoria dos ciclos por propagação deve-se a Schumpeter (1939). Em sua teoria, a perturbação exógena é dada por uma inovação, que por definição envolve expectativa incerta, a qual impacta uma economia que se encontra supostamente em um estado de repouso, ou, em um estado de equilíbrio geral, em que os movimentos cíclicos repousam necessariamente entre as vizinhanças do equilíbrio. Assim, qualquer perturbação pode ter o poder de gerar oscilações. O curso normal dos acontecimentos apresenta um quadro de incerteza e irregularidade que pode ser interpretado do ponto de vista da busca de um novo equilíbrio, ou da adaptação a uma situação geral que mudou de maneira relativamente rápida e considerável.

Há outros modelos de propagação da mesma natureza do modelo de Schumpeter. Praticamente todas as teorias monetárias dos ciclos são teorias de propagação. Friedman & Schwartz (1963) e Lucas (1975) concebem os ciclos como a forma pela qual a economia busca se adaptar a choques monetários exógenos. Também Slutzky (1937) fez uma tentativa de explorar as propriedades formais de modelos econômicos que geravam padrões oscilatórios de adaptação a choques exógenos. Segundo ele, como as ondas do mar não se repetiam de maneira exatamente igual, os ciclos econômicos também não se repetem de maneira exatamente igual em duração e amplitude. Mais recentemente, pode-se considerar os trabalhos sobre os ciclos reais de negócios de Kydland & Prescott (1982) e Long & Plosser (1983); e os trabalhos novo-Keynesianos de Akerlof & Yellen (1985) e Mankiw (1985).


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