Ciclos Econômicos: Teoria e Evidência 1 Introdução


- Os Ciclos e as Escolas Econômicas



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5 - Os Ciclos e as Escolas Econômicas

Existem diversas explicações para as flutuações cíclicas na atividade econômica, fatores monetários, fatores reais ou a sua interação. Explicações puramente monetárias assumem que o sistema econômico real é inerentemente estável e que a instabilidade é introduzida pela má administração do controle de moeda. Expoentes dessa teoria são Irving Fisher e R.G. Hawtrey. Antes da grande depressão era comumente aceito interpretar os ciclos econômicos essencialmente como um fenômeno monetário, "a dance of the dollar", como Fisher (1923) descreveu. Fisher defendia que a instabilidade cíclica é introduzida pela instabilidade monetária que se pauta nas variações do poder de compra da moeda. Hawtrey acreditava que o mecanismo dinâmico da economia consiste nas interações defasadas da circulação de moeda, política creditícia dos bancos e mudanças de curto prazo na taxa de juros induzindo alterações nos investimentos.

Segundo Friedman (1959), durante os ciclos econômicos nos EUA, para o período de 1870 a 1954, o estoque de moeda geralmente aumenta durante as expansões a uma taxa abaixo da renda monetária e, durante as contrações, cai a uma taxa abaixo da renda monetária. Por sua vez, a velocidade da moeda aumenta durante as expansões cíclicas assim como a renda real aumenta; e cai, durante as contrações cíclicas como a renda real cai - precisamente o oposto da relação temporal entre renda e velocidade. Para reconciliar o procedimento cíclico e temporal da velocidade de circulação da moeda, ele concentrou a explicação em outras variáveis, como a taxa de juros ou a taxa de variação dos preços. A mensuração da velocidade possui um componente cíclico padrão em sincronismo com os ciclos econômicos, tendendo a aumentar quando a fase do ciclo é expansiva, do vale para o pico; e, tendendo a cair quando o ciclo está em sua fase de retração, do pico para o vale. Porém, quando esse comportamento padrão é corrigido pelo desvio da mensuração da renda em relação à renda permanente, esse movimento residual é bastante diferente, sendo necessária a sua explicação.

Friedman & Schwartz (1963) procuraram estabelecer um papel independente para a moeda, comparando as taxas de crescimento monetário e os pontos de reversão do nível de atividade econômica para os EUA. Computando os ciclos desde 1867 até 1960, não provenientes de guerras, eles encontraram que os picos e os vales da taxa de variação da oferta de moeda precediam os picos e os vales do nível de atividade econômica em média de 12 a 16 meses, concluindo que existem fortes evidências de uma influência causal da moeda para os ciclos econômicos. Apesar de sofrerem algumas críticas como: mudanças monetárias e cíclicas podem ser resultado de outras forças que exercem influência sobre a moeda e mais especificamente sobre a atividade cíclica; e, segundo Culbertson (1960 e 1961), não existe uniformidade entre defasagens e antecedências das mudanças monetárias sobre as mudanças no nível da atividade econômica. Esses autores, estudando as circunstâncias históricas que norteiam as alterações ocorridas na oferta de moeda, argüiram que as mudanças monetárias podem ser vistas como uma causa e não como uma conseqüência das maiores recessões na economia americana.

Outras escolas, Sueca e Austríaca, que explicam o ciclo por fatores monetários começam com a distinção de Wicksell sobre a taxa de juros de mercado e a taxa natural de equilíbrio. Entretanto, ao discutir o ciclo econômico propriamente dito, ele excluiu a influência dos sistemas monetários e de crédito sobre as crises. Wicksell não desenvolveu uma teoria puramente monetária do ciclo, mas influenciou outros economistas como Mises e Hayek, que acreditavam que a causa inicial do ciclo está fundada no lado monetário, especificamente na oferta de moeda, onde um excesso de oferta de crédito deprime a taxa de juros de mercado abaixo do nível de equilíbrio, desencadeando o processo cumulativo Wickselliano que necessariamente termina em crise e depressão.

As interpretações para os ciclos de negócios, de acordo com a hipótese da estabilidade implícita, estão embasadas em dois grupos principais, em que o primeiro assume que a economia se encontra em equilíbrio instável e o segundo assume que as relações de mercado são estáveis. Proponentes do primeiro grupo admitem os movimentos cíclicos como uma conseqüência de um distúrbio inicial que movimenta o processo cumulativo até certos limites estabilizadores que revertem a direção do movimento cumulativo. A análise Wickselliana para taxa de juros é considerada um exemplo desse grupo. Para o segundo grupo, por outro lado, movimentos no produto e emprego representam um processo de adaptação às mudanças cíclicas nos parâmetros do sistema que são considerados estáveis (Metzler, 1941).

Entre os representantes da escola Sueca, Wicksell foi o primeiro a mostrar que a influência exercida pela moeda sobre os preços atua através da taxa de juros e, dessa maneira, sobre o restante da economia. A teoria de Wicksell repousa sobre as relações entre a moeda, a taxa natural de juros e o movimento do nível geral dos preços, sendo estabelecida uma diferença entre a taxa natural e a taxa efetiva de juros. Essa taxa natural se identifica ao lucro antecipado resultante do uso de um empréstimo monetário e representa o rendimento monetário que os empreendedores acreditam obter do investimento. Quanto à taxa efetiva – ou taxa de mercado ou bancária – é aquela recebida pelos credores institucionais.

Quando os bancos ou credores emprestam a taxas superiores ou inferiores à taxa natural, o equilíbrio econômico é destruído. Somente sendo restabelecido quando o seguinte mecanismo atuar: quando a taxa de juros efetiva for inferior à taxa natural, haverá diminuição de poupança, os empreendedores aumentarão a produção, o que acarretará um aumento do capital de investimento. Essas despesas de capital aumentadas provocam uma elevação do nível dos preços. O processo inverso ocorre no caso de uma elevação da taxa de juros efetiva superior à taxa natural. Nesse caso, os empreendedores não estão dispostos a investir, pois a produtividade do capital seria inferior ao seu custo, resultando perdas. Assim, sempre existe uma taxa média de juros, fazendo com que o nível geral de preços tenha uma tendência à alta ou à baixa. Portanto, para Wicksell, o equilíbrio monetário provém da igualdade entre a taxa natural e a taxa efetiva de juros.

Myrdal, outro expoente da escola Sueca, propôs a renovação e complementação do conceito de equilíbrio monetário Wickselliano, empenhando-se em revelar as tendências da atividade econômica orientadas para a alta ou para a baixa. A contribuição original de Myrdal está essencialmente na inclusão das antecipações no sistema monetário, introduzindo os conceitos de ex-ante e ex-post, para distinguir, na análise de um processo econômico delimitado no tempo, as ações projetadas no início do período daquelas adotadas no fim, reconhecendo implicitamente que uma economia monetária é uma economia onde a variação das idéias sobre o futuro, especialmente a variação das expectativas de preços, pode influir no volume atual do emprego. Dessa forma, chega a uma definição dinâmica da igualdade keynesiana entre poupança e investimento, introduzindo de forma indireta o elemento das expectativas na análise econômica.

Este autor apresentou de forma sistematizada o processo da causalidade circular e cumulativa3, em que uma unidade territorial, seja região ou nação, rica e desenvolvida, exerce sobre as outras unidades territoriais duas espécies de efeitos: 1) efeitos de propagação, que tendem a se propagar dos centros em expansão para as outras unidades, incitando o progresso técnico; 2) efeitos de perturbação – pelos quais movimentos de população, de capitais, de comércio e outros são aspirados pelas unidades vizinhas em crescimento, constituindo, entre as unidades estagnadas, elementos de perturbação. Assim, sustenta-se a tese das disparidades crescentes entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, em que a interdependência é expressiva entre os fatores sociais e econômicos, onde uma modificação em qualquer fator terá efeito sobre os outros, podendo ocasionar as flutuações cíclicas da economia.

A escola Austríaca concentra a explicação para os ciclos econômicos na moeda, na estrutura do capital e nas falhas de coordenação. Mises (1943) acreditava que a expansão de crédito é um dos fatores fundamentais para a determinação dos ciclos, mas não pode ser considerado o único. Segundo ele, não é concebível considerar uma economia em um estágio de prosperidade duradoura, pois qualquer evento, mesmo que não seja um fenômeno de crédito ou puramente monetário, pode alterar essa fase de expansão econômica.

Garrison (1999) considera os ciclos econômicos como parte inerente do processo de mercado. Tanto os pontos de reversão do vale para o pico, quanto do pico para o vale podem ser vistos como endógenos concebendo os ciclos como econômico-rítmicos e podem ser vistos como exógenos ao serem concebidos como desequilíbrios monetários. As teorias dos ciclos econômicos são categorizadas sob as bases da exogeneidade (X) ou endogeneidade (N). No total podem ser observadas quatro categorias que podem ser simbolizadas da seguinte forma: X/X, X/N, N/X e N/N, em que X/X são as teorias do desequilíbrio monetário e N/N, as teorias econômico-rítmicas. A teoria Austríaca dos ciclos econômicos pode ser enquadrada dentro da categoria X/N. A exogeneidade do ponto de reversão do vale para o pico é claramente reconhecida como um distúrbio imposto ao processo, constituindo um aspecto inevitável das economias de mercado. A endogeneidade dos pontos de reversão do pico para o vale é dada pela ciclicidade dos movimentos nos preços e quantidades macroeconômicas. Portanto, a visão Austríaca dos ciclos econômicos está pautada nos econômico-rítmicos e mais ainda no desequilíbrio monetário de preços. Essa integração da teoria monetária com a teoria do capital envolvendo seqüências dos estágios de produção coordenados intertemporalmente pelo mecanismo de mercado provê um aspecto teórico e uma relevante base histórica para o entendimento dos ciclos econômicos.

Durante e até muitos anos após a grande depressão de 1929/33, muitos economistas estavam ativamente engajados na pesquisa dos ciclos econômicos. Entretanto uma das importantes conseqüências da revolução Keynesiana foi o direcionamento da pesquisa macroeconômica para questões referentes ao nível de produto em um dado período de tempo, relegando a segundo plano a evolução dinâmica da economia ao longo do tempo. O principal problema da teoria dos ciclos econômicos passou a ser como encontrar uma solução que permitisse incorporar o fenômeno cíclico dentro de um sistema teórico de equilíbrio econômico. Enquanto economistas Keynesianos argumentavam que uma teoria dos ciclos econômicos era inatingível, Lucas (1975) conseguiu demonstrar que havia possibilidade de desenvolver um equilíbrio considerando a instabilidade agregada.

Conforme Lucas (1975), a hipótese de assimetria de informação explica as flutuações no produto e no emprego. Os choques aleatórios de demanda agregada não antecipados, resultantes principalmente de variações não antecipadas na oferta de moeda, afetam a economia causando erros. Esses erros ocorrem devido aos trabalhadores e às empresas possuírem informação imperfeita do mercado, confundindo mudanças nos preços gerais com mudanças nos preços relativos e reagindo com alterações na oferta de trabalho e produto, respectivamente. A hipótese de expectativas racionais implica que esses erros expectáveis serão essencialmente aleatórios. Tem-se ainda que a combinação da hipótese de expectativas racionais com alterações não antecipadas na oferta de moeda implica que produto e emprego flutuam de forma aleatória em torno de seus níveis naturais. Portanto, os ciclos em Lucas são monetários e decorrentes de erros de percepção por parte dos agentes econômicos.

A escola novo-clássica, cujo autor pioneiro é Robert Lucas, inclui entre os seus principais adeptos Thomas Sargent, Robert Barro, Edward Prescott. Inicialmente a macroeconomia novo-clássica era vista como uma variante do monetarismo combinada com a noção de que os mercados de trabalho e de capital possuem pleno ajustamento. Entretanto, mais recentemente verifica-se uma associação com o pensamento predominante dos teóricos dos ciclos reais de negócios, em que os fatores reais do lado da oferta (em detrimento dos fatores monetários) são os elementos que explicam a instabilidade agregada, provocando as flutuações cíclicas. A visão prevalecente aceita que os ciclos econômicos emergem devido a erros aleatórios nas expectativas de lucro dos investidores ou devido a mudanças exógenas tecnológicas que geram flutuações no emprego, ou ainda, devido a choques de demanda inesperados, administrados por políticas governamentais ou externas.

Assim, autores como Lucas e Prescott foram responsáveis por uma renovação do interesse dos estudos sobre os ciclos econômicos, além de enfatizarem a necessidade da utilização de modelos de equilíbrio geral como ferramenta para seu estudo. Uma crítica de Lucas aos modelos econométricos que vinham sendo usados para estudar os ciclos residia no fato de que, apesar de possuírem boa aderência aos dados, as regras de decisão obtidas por esses modelos não eram alheias às alterações de políticas econômicas que esses mesmos modelos eram utilizados para avaliar. Dessa forma, modelos econômicos que partissem de padrões tecnológicos com fundamentos micro – nos quais o comportamento dos indivíduos e firmas fosse derivado de um comportamento maximizador – deveriam apresentar melhores resultados em relação àqueles em que o comportamento dos agentes fosse feito de acordo com políticas macroeconômicas.

Durante a década de 1970, com o ressurgimento do interesse pela pesquisa dos ciclos econômicos, houve uma preocupação com o estudo das propriedades estatísticas das séries temporais. Um dos principais problemas referente a esses estudos era a separação entre tendência e ciclo. Entretanto, economistas Keynesianos, monetaristas e novo-clássicos aceitavam um consenso a respeito da macroeconomia: as flutuações no produto agregado eram vistas como desvios temporários em torno da tendência de crescimento da economia; a instabilidade agregada na forma de ciclos econômicos era assumida como socialmente indesejável, pois reduziam o bem estar econômico; a taxa de crescimento da oferta de moeda produz efeitos reais sobre a economia e desempenha um importante papel na explicação das flutuações do produto.

Mesmo havendo uma concordância sobre vários aspectos dos ciclos econômicos entre essas correntes teóricas, não há convergência sobre a maneira como essa instabilidade pode ser reduzida. Assim, referente à política de estabilização da economia, Keynesianos defendem que desvios severos e prolongados4 justificam a necessidade de uma ação corretiva por parte do governo, enquanto monetaristas e principalmente novo-clássicos rejeitam uma política de estabilização ativa em confiança no poder de equilíbrio das forças de mercado.

A transição da explicação dos ciclos econômicos através de fatores monetários para fatores reais foi estimulada por dois importantes acontecimentos. Os choques de oferta associados aos dois aumentos excessivos do preço do petróleo, durante a década de 1970, promovidos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), levaram os economistas a dar maior ênfase aos fatores do lado da oferta para explicarem a instabilidade econômica. A falha aparente dos modelos Keynesianos, orientados pela demanda, para explicar adequadamente o aumento do desemprego acompanhado pelo processo de aceleração da inflação. Esses acontecimentos desencadearam um esforço em pesquisas para a construção de teorias econômicas que priorizassem o lado da oferta (teoria dos ciclos reais de negócios) e que explicassem a macroeconomia através de micro-fundamentos, teoria novo-clássica e mais recentemente, teoria novo-Keynesiana.

Assim, desde o início da década de 1980 até mesmo a explicação novo-clássica para a instabilidade da atividade econômica passou a priorizar fatores reais em detrimento dos choques exógenos monetários. O resultado desses estudos sobre as flutuações cíclicas culminou com a teoria dos ciclos reais de negócios.

Kydland & Prescott (1982) apresentaram um modelo de equilíbrio geral dinâmico com o objetivo de estudar os ciclos econômicos, considerando que os choques de produtividade seriam responsáveis pela geração do ciclo. Esses choques seriam propagados para o restante das variáveis econômicas por regras de decisão, obtidas através do comportamento maximizador das famílias e das firmas. Entretanto, para Lucas, como os ciclos afetam praticamente a maioria dos setores econômicos, uma escolha lógica para o fato gerador do ciclo seria um choque que atingisse todos os setores. Dessa forma, era descartada a hipótese de que os ciclos econômicos fossem causados somente por choques tecnológicos. Segundo ele, esse tipo de choque influenciaria positivamente algumas firmas e negativamente outras, sendo improvável que ocorresse um efeito agregado relevante.

Segundo Eichenbaum (1991), a teoria dos ciclos reais de negócios pode ser considerada como falácia e conhecimento. É falácia no sentido de que o papel singular que os choques tecnológicos representam nas flutuações cíclicas da economia é contestável empírica e teoricamente. É conhecimento na medida em que se pode utilizar vários de seus modelos, em que os choques tecnológicos desempenham algum papel na determinação dos ciclos econômicos, para quantificá-los de forma a obter bons resultados.

Mesmo sendo alvo de várias críticas teóricas, a escola dos ciclos reais de negócios proliferou e atualmente há inúmeros modelos macroeconômicos fundamentados em suas premissas básicas. Os trabalhos pioneiros podem ser considerados os de Kydland & Prescott (1982) e Long & Plosser (1983). A teoria dos ciclos reais de negócios, buscando uma aproximação entre crescimento e flutuações econômicas, baseia-se na hipótese de que existem distúrbios aleatórios na taxa do progresso tecnológico, considerando que essas flutuações são respostas Pareto eficientes aos choques que afetam a função de produção, resultantes de mudanças tecnológicas. Esses choques determinam flutuações no produto agregado e emprego, tal como indivíduos racionais respondem à alteração na estrutura de preços relativos devido a mudanças na oferta de trabalho e decisões de consumo. Assim, essa teoria postula que mesmo que não aja assimetria de informação capaz de produzir os ciclos monetários, os choques reais garantem o ciclo.

Os teóricos dos ciclos reais de negócios distinguem entre mecanismos de impulso e de propagação. O mecanismo de impulso corresponde ao choque inicial que desvia a variável de sua tendência de longo prazo. O mecanismo de propagação consiste na força que faz com que os efeitos gerados pelo choque persistam ao longo do tempo. Assim, flutuações no produto agregado e emprego são influenciadas por alterações aleatórias na tecnologia disponível, sendo que os mecanismos de propagação conduzem o impacto inicial do impulso (Kydland & Prescott, 1982).

Outro trabalho seminal relacionado à teoria dos ciclos reais de negócios foi o de Nelson & Plosser (1982), no qual sugeriram que os choques reais são mais importantes que os choques monetários para explicar o caminho do produto agregado ao longo do tempo. Esses autores defenderam que a evidência empírica é consistente com a proposição de que o produto segue um caminho que pode ser descrito de forma melhor como random walk. Concluíram que os modelos macroeconômicos, que enfatizam os distúrbios monetários como a origem das flutuações puramente transitórias do produto, não conseguem obter êxito em explicar uma larga fração da variação no produto. Ademais, argumentaram que a variação estocástica devida a fatores reais deve constituir um elemento essencial de todo modelo de flutuações macroeconômicas.

Embora os modelos mais antigos de ciclos reais de negócios não incluam o setor monetário, King & Plosser (1984) explicaram a associação histórica entre moeda e produto como um reflexo da resposta endógena da moeda em relação ao produto, rejeitando a interpretação monetarista de causalidade da moeda para o produto. No modelo construído por esses autores, os fatores monetários são vistos como bens intermediários cujas quantidades aumentam ou diminuem, de acordo com o desenvolvimento da atividade econômica real. Assumindo que o estoque de depósitos é proporcional ao fluxo de serviços transacionados na economia, o modelo implica que o volume de depósitos bancários é positivamente correlacionado com o produto e altamente coincidente no tempo com este. Dessa forma, apenas em algumas fases dos ciclos econômicos pode ser considerado, conforme análises tradicionais monetaristas, como um indicador antecedente dos ciclos econômicos.

Assim, existe uma correspondência com as evidências empíricas apresentadas por Friedman, entretanto as perspectivas são inteiramente diferentes. Enquanto na teoria monetarista, mudanças exógenas na quantidade de moeda desempenham um papel importante como causadoras dos movimentos cíclicos do produto, King e Plosser enfatizam a resposta endógena5 dos fatores monetários em relação às alterações no produto.

Outra corrente teórica que tem se dedicado ao estudo dos ciclos econômicos é aquela formada pelos novos Keynesianos. Alguns de seus maiores expoentes são George Akerlof, Janet Yellen, Olivier Blanchard, Gregory Mankiw, Edmund Phelps, David Romer, Joseph Stiglitz e Ben Bernanke.

Estes economistas, simpatizantes da visão Keynesiana de que os ciclos econômicos podem ser causados por flutuações na demanda agregada, voltaram a sua atenção para a rigidez nominal no mercado de bens. Assim, a economia novo-Keynesiana surgiu na metade da década de 1980, como uma descrição das novas teorias que procuravam prover micro-fundamentos mais sólidos para o fenômeno da rigidez nominal de preços. Com as firmas operando em um mercado de competição imperfeita, o lucro de uma firma pode variar substancialmente com as mudanças no seu próprio preço. Redução de preços por determinada firma poderá ocasionar aumento das vendas, mas também pode resultar em uma receita menor por unidade vendida. Em algumas circunstâncias, as divergências do preço em relação ao valor ótimo apenas produzirão redução dos lucros. Portanto, a presença de pequenos custos para a efetivação do ajustamento de preços pode gerar considerável rigidez agregada dos preços nominais (Akerlof & Yellen, 1985) e (Mankiw, 1985).

Os custos privados que provocam a rigidez nominal em cada empresa, considerados individualmente, são insignificantes para acarretarem a rigidez macroeconômica. Portanto, a chave para o entendimento dessa rigidez macro é a presença de barreiras ao ajustamento de preços, conhecidos como custos de menu. Estes custos de menu incluem os custos físicos de alteração dos preços, como por exemplo, a emissão de novas listas de preços e catálogos, bem como o excessivo gasto administrativo com a supervisão e renegociação dos contratos de compra e venda.

Conforme esses autores supracitados, pequenos custos de menu e o procedimento dos agentes próximo ao racional acarretam rigidez nominal de preços, em que choques na demanda agregada nominal podem causar grandes flutuações no produto e no bem estar geral. Claramente, se os salários nominais são rígidos devido aos contratos, a curva de custo marginal é fixa, reforçando o impacto dos custos de menu na produção da rigidez de preços. Dessa forma, como as flutuações geram ineficiência e reduzem o bem estar da economia, esses autores indicam que uma política econômica de estabilização é desejável.

As flutuações na demanda agregada de curto prazo podem conduzir a efeitos reais devido à rigidez nominal de preços e salários. Dessa forma, se os mercados não se ajustam rapidamente e o mundo é caracterizado por distúrbios da oferta e demanda agregadas, as flutuações observadas consistem em tendência estocástica em torno do produto, cujos desvios são resultantes de choques de demanda. As flutuações no produto e emprego são devidas a dois tipos de distúrbios: os que produzem um efeito permanente sobre o produto e aqueles que geram apenas efeitos transitórios. Os primeiros podem ser interpretados como distúrbios de oferta e os segundos, como distúrbios de demanda. Claramente o papel da política de estabilização no mundo caracterizado dessa forma é complicado, principalmente porque, empiricamente, pode-se concluir que os choques de demanda desempenham papel fundamental nas flutuações do produto no curto e médio prazo, entretanto, as respectivas contribuições dos distúrbios de demanda e de oferta não puderam ser precisamente quantificadas (Blanchard & Quah, 1989).

Considerando outras influências teóricas, os novos Keynesianos também examinam as conseqüências das imperfeições no mercado de crédito que levam os ofertantes de crédito com aversão ao risco responder às recessões com mudanças no seu portifólio em direção a ativos mais livres de risco. Esse comportamento pode converter uma recessão em uma depressão, principalmente quando o financiamento de crédito torna-se cada vez mais difícil e dispendioso, gerando insolvências e falências na economia. Como as altas taxas de juros podem aumentar a probabilidade de inadimplência, as instituições financeiras para não incorrerem em altos riscos recorrem à política de racionamento de crédito. Bernanke (1983) argumentou que a Grande Depressão da década de 1930 atingiu tamanha severidade devido à interrupção das facilidades do sistema financeiro de crédito, em comparação à causa referente ao declínio da oferta de moeda.

Stiglitz é uma das principais referências novo-Keynesianas sobre estruturas financeiras e flutuações econômicas, desenvolvendo seus argumentos em um arcabouço de equilíbrio geral, de agentes representativos com expectativas racionais e comportamento maximizador. No longo prazo, trabalhou com a possibilidade de desemprego involuntário e estagnação. Diferentemente dos modelos novo-Keynesianos centrados na rigidez de preços, considera que a flexibilidade de salários e preços nominais pode exacerbar a instabilidade do sistema econômico. Ele vê a presença generalizada de assimetria de informações nos mercados de capitais, com suas implicações sobre os comportamentos de aversão a riscos dos agentes, uma das responsabilidades pelas flutuações tanto nas decisões de investimento das firmas, como na oferta de fundos para financiá-los. Desse modo, o modelo de ciclos econômicos de Stiglitz (1984) está baseado em sua explicação de como as assimetrias de informações afetam os mercados de ações e de crédito, em outras palavras, como os racionamentos nos mercados de capitais exercem impacto sobre as expectativas dos administradores das empresas quanto a arcar com os riscos decorrentes dos processos de produção e investimento.

Segundo Basu & Taylor (1999) outro fator que pode ser considerado um importante determinante das flutuações cíclicas na economia é a alteração na mobilidade de capital. O foco sobre os choques no mercado de capitais discute o impacto da economia global sobre as crises ou depressões das economias locais. Entretanto, não se pode entender os determinantes dos ciclos econômicos sem procurar explicar porque suas características têm mudado significativamente ao longo do século. Assim deve-se dispensar maior atenção ao contexto histórico e institucional para encontrar um entendimento mais amplo das flutuações econômicas.

Outros teóricos que estudam os ciclos econômicos defendem que a ação interna dos políticos é fundamental para a explicação das flutuações econômicas. Eles argumentam que essas ações ocorrem em resposta ao descontentamento da população contra o aumento das taxas de inflação. Recessões são causadas para “quebrar” o ciclo de expectativas inflacionárias e permitir redirecionar o crescimento econômico com baixas taxas de inflação. Modelos de ciclos econômicos políticos baseiam-se na hipótese de que os governantes promovem uma recessão imediatamente após a sua eleição para que consigam desencadear um período de expansão econômica, anterior ao próximo período eleitoral.

Nordhaus (1975) analisou um modelo de escolha pública intertemporal do governo, em que foi analisado o problema particular da determinação entre inflação e desemprego, pois este conflito é bastante controverso em decisões políticas. Investigações empíricas mostraram que os eleitores são sensíveis ao comportamento dessas duas variáveis no processo eleitoral. Os resultados indicaram que uma coincidência entre os ciclos políticos e econômicos, para países como Austrália, Canadá, Japão e Inglaterra, foi considerada implausível. Alguma evidência foi comprovada para França e Suécia. Entretanto, para os períodos analisados, três países – Alemanha, Nova Zelândia e EUA – apresentaram uma perfeita coincidência entre os ciclos econômicos e políticos.

Alesina & Sachs (1988) concluíram que as administrações Democratas nos EUA estão mais preocupadas em atingir metas para o produto ao invés de atingir metas para a inflação. Os resultados encontrados, para o período de 1948 a 1984, também sugeriram que a teoria partidária em relação à política econômica contribui para explicar as flutuações macroeconômicas. Alesina & Rosenthal (1989) desenvolveram um modelo para captar alguns aspectos críticos dos sistemas políticos modernos. O lado econômico do modelo utiliza a noção de que os agentes econômicos agem rotineiramente de forma ingênua em relação ao governo. Entretanto, com expectativas racionais, esforços antecipados de manipulação da economia não surtem efeito sobre o nível real de produto. Os autores concluíram que a polarização política e incerteza geram flutuações econômicas e que os eleitores utilizam o poder que dispõem diante das urnas para tentarem atenuar essa oscilação engendrada pela polarização.

A escola pós-Keynesiana está inspirada principalmente nos escritos de Joan Robinson, Nicholas Kaldor, Michal Kalecki, George Shackle, Piero Sraffa e do próprio Keynes. Essa teoria referente aos ciclos econômicos está baseada na evidência de que flutuações no investimento, ocasionadas por mudanças nas expectativas de longo prazo e condições financeiras, explicam grande parte da dinâmica inerente do capitalismo e juntamente com a separação da economia em setores de bens de consumo e bens de capital, podem explicar a natureza pró-cíclica de inúmeros agregados econômicos. A pró-ciclicidade do investimento e dos bens de capital podem ser explicados pelo período do início da recuperação econômica, em que são observados novos investimentos e novas plantas. A pró-ciclicidade da produtividade deve-se também ao incremento da capacidade produtiva. Assim, na análise pós-Keynesiana, as recessões podem servir ao propósito de permitir a renovação da capacidade produtiva da economia.

Na teoria Keynesiana, quatro são os principais motivos que explicam a preferência pela liquidez: transação, precaução, especulação e motivo finance. Transação: os homens são levados a conservar seu dinheiro sob a forma líquida para atender às necessidades das compras habituais. Precaução: desejo de segurança, em que o dinheiro é conservado sob a forma líquida para suprir despesas imprevistas. Especulação: constitui, segundo Keynes, o mais importante dos estímulos, estando diretamente ligado às futuras variações da taxa de juros. A preferência pela liquidez deriva da expectativa de uma elevação da taxa de juros. Sendo, em dado momento, a taxa de juros muito baixa e os custos bastante elevados, os especuladores conservam o dinheiro sob a forma líquida, com a esperança de utilizá-lo em oportunidades mais lucrativas. Motivo finance: constituindo a demanda por moeda para financiar despesas não-discricionárias e vultosas, referindo-se à quantidade de dinheiro necessária para dar início a um projeto de investimento.

Segundo Davidson (1991), preferência pela liquidez e animal spirits6 são as forças que movem a análise Keynesiana do equilíbrio com desemprego no longo prazo em uma economia em que os preços são flexíveis. Nem as probabilidades objetivas e subjetivas são suficientes para entender o papel da moeda não neutra e da política monetária na análise do equilíbrio com desemprego. Assim, para Keynes e para os pós-Keynesianos, desemprego involuntário e as recorrentes flutuações econômicas podem ser explicados sem recorrer a rigidez de preços, informação assimétrica, ou qualquer outra imperfeição de mercado cuja análise possa envolver maximização das escolhas dos agentes, limitada pelas restrições de um mundo probabilístico. Portanto, não é surpreendente que o desemprego continue a ser um dos grandes problemas do século XX, pois é tratado no domínio das preferências dos agentes em um pequeno mundo analítico e não de forma mais abrangente, como parte da política macroeconômica.

Modelos de ciclos econômicos desenvolvidos pelos pós-Keynesianos são consistentes com a concepção da economia como um sistema aberto, em que se trabalha concomitantemente com a cadeia de expectativas que fundamentam a incerteza e com a oferta de moeda respondendo endogenamente pela demanda de crédito das empresas engajadas no processo de produção. Consideram que as expectativas de curto prazo podem se tornar frustradas; as expectativas de longo prazo são variáveis; e, as expectativas de curto e longo prazo são independentes. A taxa de juros comercial é determinada por um markup sobre a taxa de desconto do Banco Central e as decisões de investimento são determinadas pela taxa de juros comercial e pelo animal spirits dos empresários.

Conforme Setterfield (2000), de acordo com o cenário descrito acima, cada período envolve mudanças nos planos de produção e demanda de consumo, que são forças de convergência dentro do modelo, acompanhadas por forças de mudança estrutural que se manifestam na revisão do estado das expectativas de longo prazo, através de seu impacto sobre gasto com investimento alterando a posição de equilíbrio. Os procedimentos e decisões das empresas e do Banco Central são considerados simétricos para que a oferta e a demanda agregada se igualem. Entretanto, essa simetria não elimina a possibilidade de um procedimento cíclico na economia, mas sugere que as flutuações ocorrem como uma posterior expansão positiva sobre a tendência da renda nominal, resultando em um modelo de crescimento e ciclos. Assim, alterações na renda nominal podem ser marcadas por mudanças na política monetária que pode acarretar cumulativas expansões e contrações na atividade econômica, possibilitando o aparecimento de ciclos na renda nominal, embora essas flutuações não sejam periódicas e não possuam amplitude fixa, devido aos fatores responsáveis pela evolução cíclica da economia – revisões no estado das expectativas de longo prazo e alterações na taxa de desconto.

Minsky (1957) utiliza o processo acelerador-multiplicador linear como um instrumental flexível de análise econômica de crescimento e ciclos. A hipótese fundamental é que esse aparato pode ser usado para representar geração intertemporal de demanda agregada. Em particular, o processo é capaz de gerar simultaneamente tendência e ciclos da economia, em que uma séria depressão ocorre se o período de contração vem acompanhado por uma crise financeira ou se o período de aquecimento está associado com um relativo pequeno aumento ou um decréscimo na posição dos ativos líquidos dos indivíduos e firmas.

Minsky (1982) considerando as flutuações cíclicas e outros problemas, como recessões e depressões, evidenciados pela economia americana a partir da metade da década de 1960, faz a seguinte conclusão geral. Esses problemas não são devidos a déficits orçamentários ou a erros gerados pelo controle de oferta de moeda: os problemas refletem o curso normal da economia. É necessário reformar as estruturas econômicas para que a instabilidade proveniente da estrutura financeira seja consideravelmente diminuída. O ciclo em Minsky é financeiro e inerente ao sistema.
6 – Desenvolvimentos Recentes Sobre a Teoria dos Ciclos Econômicos
Os ciclos econômicos foi uma das linhas teóricas da macroeconomia largamente debatida ao longo do século XX, principalmente em suas duas primeiras e três últimas décadas. A tentativa de procurar entender as causas da forte queda do produto e do alto desemprego, bem como, a busca de soluções que possam evitar a ocorrência de novas crises deu forte impulso aos estudos sobre as origens e causas das flutuações. Conforme Romer (2001), os principais fatos que delinearam o estudo dos ciclos de negócios estão relacionados às evidências de que as flutuações não exibem um padrão de comportamento regular e são distribuídos de forma desigual através dos diversos componentes do produto. Dessa forma, mantém-se clara a controvérsia sobre as causas dessas flutuações dentro das duas correntes dominantes na literatura sobre os ciclos.

Dijik e Franses (2005) salientam que apesar da vasta literatura teórica e empírica nessa área, ainda existem várias questões que merecem uma explicação e um consenso econômico, como: definição e mensuração do ciclo; a existência de choques exógenos e a maneira como eles se propagam na economia; a existência dos ciclos comuns entre diversas variáveis macroeconômicas importantes para a teoria das flutuações; a convergência destas flutuações; e, por último, mas não menos importante, a não linearidade dos ciclos econômicos. Desta forma, recentemente, vêm sendo desenvolvidos estudos que buscam verificar uma dinâmica não linear dos ciclos de negócios, ressaltando a existência de um comportamento assimétrico das flutuações do produto.

Hamilton (2005) critica fortemente a teoria moderna sobre as flutuações, a teoria dos Ciclos Econômicos Reais, baseado em que esta teoria não faz associações entre as variáveis reais e as variáveis monetárias, assim como, salienta a necessidade de explorar assimetricamente os ciclos, através de modelos não lineares, que consigam quantificar a queda e a ascensão do nível de emprego. E, segundo conclusões desse autor, os elementos desse padrão assimétrico estão relacionados ao comportamento cíclico das taxas de juros.

Dessa forma, ele entende que um movimento assimétrico possa ser descrito, em linhas gerais, pela presença de comportamentos dinâmicos endógenos, distintos entre si e fortemente ligados aos períodos de contração e expansão do nível de atividade econômica. Juntamente, insere-se a utilização de modelos que tenham a concepção das mudanças de regimes ou fases, como os modelos STAR (Smooth Threshold Autoregressive), que possuem grande aplicabilidade no estudo da dinâmica dos ciclos de negócios, pois, além de captarem as bruscas quedas e recuperações acentuadas do produto, possibilitam melhores estimativas e melhor adequação às séries, em contrapartida aos modelos lineares.



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