Ciclos Econômicos: Teoria e Evidência 1 Introdução



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7 - Conclusões

Ainda hoje, existem duas vertentes teóricas sobre as causas das flutuações econômicas. A primeira delas considera as flutuações cíclicas como inerentes ao modo de produção das economias de mercado. A outra considera as flutuações como desvios do produto em relação à sua tendência de longo prazo, referentes a choques externos de demanda e de oferta. Dentro dessas correntes teóricas inúmeras variáveis podem ser responsabilizadas diretamente pelos ciclos econômicos. Distúrbios de todos os tipos, monetários ou reais, ou a interação de ambos podem produzir flutuações na atividade econômica. Conforme monetaristas, os fatores monetários desempenham um papel importante na instabilidade econômica. Entretanto, grande parte da moderna teoria dos ciclos tem negligenciado os fatores monetários e superestimado os fatores reais. Investimento é o elemento chave para alguns economistas. Para outros, o progresso tecnológico é a variável central. Existem proposições de que não se pode existir depressão na economia, sem que haja colapso no sistema financeiro. Há ainda, os estudos sobre os ciclos políticos.

Mitchell, mesmo não pretendendo propor especificamente nenhuma abordagem teórica, definiu os ciclos econômicos como expansões e contrações ocorrendo simultaneamente e interdependentemente em diversos setores da economia. Como há comprovação empírica pelas diversas correntes teóricas de que vários fatores econômicos podem ser a causa principal dos fenômenos cíclicos, provavelmente não se pode considerar uma única variável ou um único fator como causadores dos ciclos, corroborando Mitchell. Ele ressaltava ainda, a importância do contexto histórico e institucional para o estudo do fenômeno das flutuações cíclicas na economia.

A importância do contexto histórico é fundamental para Marx, que construiu a sua teoria mostrando que a evolução das economias de mercado está condicionada e determinada pelo contexto histórico e que este, por sua vez, é influenciado pelas diferentes fases evolutivas das economias. Assim, os ciclos e as crises econômicas são explicados de forma abrangente.

A partir dessa breve revisão teórica verifica-se que a vertente de que as flutuações econômicas são intrínsecas às economias de mercado tem como principais expoentes Marx e mais recentemente Kalecki. Enquanto, por outro lado, a vertente que acredita que as principais causas dos ciclos econômicos são os fatores exógenos encontra fundamental defesa na teoria de Schumpeter e, mais recentemente, na teoria dos ciclos reais de negócios e nas teorias novo-Keynesianas. Conclui-se ainda, a partir das observações das diferentes teorias abordadas aqui sobre os ciclos econômicos, que eles podem ser explicados não a partir de uma cisão entre estas duas vertentes teóricas, mas sim, a partir de uma junção entre elas. Dessa forma, entendemos os ciclos como inerentes às economias de mercado, e que, vez por outra são intensificados por fatores exógenos de demanda e de oferta.
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1 Segundo Marx, o subconsumo na economia capitalista existe em estado crônico, uma vez que a exploração da mais-valia impossibilita ao operário a aquisição do produto de seu trabalho no mercado.

2 A análise estática, por outro lado, era principalmente confinada ao campo da microeconomia, como na teoria do valor.

3 Na realidade, o conceito de causação circular (cumulativa) é anterior. Wicksell, já o utilizava em um contexto econômico - no livro Juros e Preços, de 1898 (Metzler, 1941).

4 O impacto do choque sobre o produto possui uma influência permanente, não se mostrando como estacionário de tendência ou de reversão de tendência.

5 Paradoxalmente, o argumento de que a oferta de moeda é endógena é uma das principais proposições da escola pós- Keynesiana.

6 Para Keynes, “animal spirits” pode ser entendido como um componente psicológico das expectativas que são refletidas de forma relativamente autônoma pelos agentes econômicos.


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