Circolo trentino de rio dos cedros



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PESQUISA HISTÓRICA E

GEOGRÁFICA


RIO DOS CEDROS

E ATUAÇÃO DO

CIRCOLO TRENTINO

DE RIO DOS CEDROS.





2ª Edição – Revisada e Atualizada

2009

PESQUISA ORGANIZADA POR



ANDREY JOSÉ TAFFNER FRAGA

Membro da diretoria do Circolo Trentino di Rio dos Cedros

Coordenador-Fundador do Gruppo Giovane Tosarami

Representante de Rio dos Cedros no Gruppo Giovani Trentini Brasiliani - Centro

PESQUISA ORGANIZADA POR



ANDREY JOSÉ TAFFNER FRAGA

Membro da Diretoria do Circolo Trentino di Rio dos Cedros

Coordenador e Fundador do Gruppo Giovane Tosarami

Representante de Rio dos Cedros no Gruppo Giovani Trentini Brasiliani - Centro
Nome do círculo: Circolo Trentino de Rio dos Cedros

Cidade: Rio dos Cedros

País: Brasil

Continente: América do Sul

Ano da Fundação: 03 de dezembro de 1975

Eventuais nomes dos sócios fundadores: Olívio Taffner; Maurício Pedrelli; Helmuth Jansen; Walmor Busarello; Tarcisio José Moser; Arno Facchini; Antonio Mattedi; Armelino Scoz; Dário Tomaselli; Alfredo Berri; Cornélia Floriani; Anita Berri; Altemiro Lenzi; Felix Facchini; Ângelo Alves Nicollodeli; Mercedes Nicollodeli; Tibério Floriani; João Pedro Pereira; Mario Dalmonico; Fiorelo Floriani; Pe. Victor Vicenzi; Osmari Volani.
Realidade na qual o círculo opera: notícias geográficas, históricas, econômicas, culturais, sociais em geral.

1 - descrição geográfica do local (planície, colina, montanha) e do clima

2 - primeiros assentamentos humanos, eventuais civilizações antigas, eventuais guerras ou conquistas, notícias da história mais recente

3 - recursos econômicos fundamentais da região e situação de trabalho (nível de vida, desemprego, etc...)

4 - situação de escolaridade

5 - situação de saúde e da assistência social em geral

1)

Rio dos Cedros é um município pertencente ao Estado de Santa Catarina, na Região Sul do Brasil. Dentro de Santa Catarina, está inserido na região sócio-econômica chamada Vale do Itajaí. Essa região é subdividida em Alto Vale, Médio Vale, Vale do Itapocu, Vale do Tijucas e Litoral, sendo que Rio dos Cedros esta incluída no Médio Vale, também conhecido como Vale Europeu, devido a grande concentração de descendentes europeus no local.

Rio dos Cedros possuí uma área de 556Km2, sendo 18km2 de área urbana 538km2 de área rural. Conta com uma população de aproximadamente 10.000 pessoas. É dividido politicamente em área urbana (Centro) e comunidades (Rio dos Cedros não possuí bairros). A parte formada por planícies, que compreende a área urbana é densamente povoada, já a parte formada por planalto (a grande maioria) ainda conserva muitas características de mata virgem, apesar da população avançar também naquela direção, principalmente por causa do potencial turístico. As altitudes variam entre 75 (planícies) e 1037 (planalto) metros acima do nível do mar. Toda a topografia municipal é forte e ondulada.

O clima, segundo Köeppen, é do tipo úmido, com temperatura média de 22º C. Possui uma precipitação média anual de 1800mm.

A hidrografia é composta pelo rio principal, o rio dos Cedros (que deu nome ao município, lembrando que a denominação de rio dos Cedros surgiu devido a grande quantidade de Cedro, madeira de lei existente nas margens do rio) que nos primeiros 15 quilômetros tem rumo de 30º Sudoeste, passando para 60º Sudoeste em cerca de 30 quilômetros, para depois se dirigir ao Rio Benedito. Seu curso é cheio de saltos e corredeiras até as imediações da cidade de Rio dos Cedros, o que forma belíssimas cachoeiras e propicia a construção de usinas hidrelétricas. Hoje o município conta com uma hidrelétrica instalada no rio dos Cedros, com potencial de 7,60 MW e uma área inundada de 2,94Km2. O rio dos Cedros ainda recebe importantes afluentes quando passa pela região do planalto, que são os rios Ada, Milanês, Esperança, Palmeiras, Bonito, São Bernardo e Cunha. Além dos rios, Rio dos Cedros possuí dois belíssimos lagos, o que levou a cidade a ter a alcunha turística de Paraíso dos Lagos. O primeiro lago é formado pela barragem do Pinhal, e está localizado na comunidade de Alto Cedros, é o mais extenso, possuindo 14km e 18 milhões de metros cúbicos de água. O outro lago é formado pela barragem do Rio Bonito, e está localizado na comunidade de Palmeiras, possuí 9km de comprimento e 32 milhões de metros cúbicos de água. Ambas as barragens foram criadas na década de cinqüenta, com a intenção de abastecer as usinas hidrelétricas da CELESC (Centrais Elétrica de Santa Catarina). Atualmente a região constitui um dos mais encantadores centros turísticos, atraindo diversos visitantes.
2)

Os primeiros assentamentos humanos são compostos pelos índios Kaigang, Xoklengs, Coroados, etc. bem como alguns remanescentes das populações indígenas litorâneas catarinense (os Carijós) que foram “empurrados” pelos colonizadores açorianos para o interior. A maioria dos índios encontrados pelos primeiros imigrantes eram chamados de botocudos (i botocudi), devido ao botoque que utilizavam no lábio inferior. Grandes choques ocorreram entre os imigrantes e os povos indígenas, ocasionando graves perdas por ambos os lados. Em 1875 chegaram os imigrantes trentinos. Naquela época as terras, onde hoje se encontra a cidade de Rio dos Cedros, pertenciam a colônia Blumenau. Em 1916, essa região foi elevada a categoria de distrito de Blumenau, recebendo o nome de Encruzilhada. Em 1934 foi criado o município de Timbó (que foi desmembrado de Blumenau), sendo então que o atual município de Rio dos Cedros passou a ser distrito de Timbó, tendo seu nome mudado, em 1942, para Arrozeira. Finalmente, em 19 de dezembro de 1961, foi criado o município, adotando o nome original de Rio dos Cedros.


3)

Rio dos Cedros conta com 131 empresas comerciais, 324 indústrias e 311 empresas prestadoras de serviços (dados de 2004). A cidade tem PIB (Produto Interno Bruto) total de 79,5, PIB per capita de 8814,08 (Ano 2002). Possui IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 0,817 (Ano 2000), considerado alto, e índice GINI de 0,46.

A cidade possui uma vocação agrícola histórica (apesar de que grande parte da mão-de-obra dos descendestes migrou para o segundo e terceiro setor econômico). Hoje em dia, Rio dos Cedros se destaca em dois campos agrícolas: a cultura da banana e do arroz. Na cultura da banana (bananicultura) Rio dos Cedros tem apresentado importantes avanços, principalmente no que se refere ao aprimoramento de técnicas e o aumento de qualidade do produto. Na cultura do arroz, entretanto, é que Rio dos Cedros se destaca, principalmente na área da cultura do arroz irrigado, apresentando a maior área plantada e a maior produtividade do Vale do Itajaí, utilizando o sistema de sementes pré-germinadas. Foi em Rio dos Cedros, através da união dos pequenos produtores, que surgiram as primeiras máquinas colheitadeiras de arroz. Rio dos Cedros também é o berço da Estação Agronômica e Veterinária, em Santa Catarina, (que posteriormente se mudou para a atual região de Coqueiros, Florianópolis). A cidade é produtora de sementes de arroz irrigado, utilizando-se de alta tecnologia reconhecida pelos órgãos competentes. Atualmente 180 famílias trabalham no cultivo do arroz irrigado. Com toda essa vocação para o cultivo do arroz, torna-se claro porque a cidade, na época em que era distrito de Timbó, recebeu o nome de Arrozeira.

Outra grande atividade econômica de destaque em Rio dos Cedros é o Artesanato em Vime. A atividade é desenvolvida principalmente na comunidade de Rio Milanês, onde cerca de 109 (das 120 famílias existentes na comunidade) trabalham com vime. A atividade faz girar cerca de R$ 31 milhões anualmente no município, que é considerado o maior produtor catarinense na área.

Por fim, uma área que vem se desenvolvendo principalmente nos últimos anos, mas que já apresenta resultados promissores é a turística. A Região dos Lagos oferece aos turistas a oportunidade de praticar esportes aquáticos em uma natureza quase intocada, ao mesmo tempo em que conta com sofisticados hotéis. A região serrana da cidade de um modo geral oferece boas áreas para camping, rappel, pesca, trilhas ecológicas, cavalgadas etc. Além da parte natural, a cidade passa a ser procurada por aqueles que buscam atrativos culturais, pois Rio dos Cedros ainda conserva belíssimos casarões colônias, bem como o dialeto italiano, falado por grande parte da população, o que leva o turista a uma verdadeira viagem no tempo. Além disso, a cidade ainda oferece festas como a Festa Trentina, onde o turista conhece toda a história, economia e cultura da cidade.

4)

Rio dos Cedros conta com seis estabelecimentos de ensino, tendo matriculado 1262 alunos no ensino fundamental e 400 no ensino médio. A cidade ainda conta com os seguintes programas educacionais: Transporte Escolar, Bolsa Escola, Merenda Escolar, Alfabetização para Adultos (BB Educar), APAE, CEJA (Centro de Educação para Jovens e Adultos) e APOIA (Aviso por Infrequência de Aluno). Além desses, ainda possuí os seguintes projetos: Informatização de Todas as Escolas, Jogos Esportivos de Primavera (JEEP), Seminário do Educador Riocedrence (SER).


5)

Rio dos Cedros possui: 1 Hospital, 4 postos de saúde, 41 leitos, 3 farmácias, 2 ambulâncias, 2 clínicas médicas, 1 pronto socorro, 3 clínicas odontológicas, 6 dentistas. São desenvolvidos os seguintes programas de saúde no município: preventivos, saúde bucal, vacinação, pré-natal e outros. A cidade conta também com vários projetos na área social, dos quais se cita: Programa de Apoio Sócio-Familiar e Sócio-Educativo, Programa Morar Melhor, Clube de Mães, Grupos de Terceira Idade, Agentes Multiplicadores, Atenção a Criança Carente, Pastoral da Criança e Bolsa Família. O município tem observado a Lei Orgânica da Assistência Social, de forma que a qualidade de vida da população vem aumentando, e o êxodo deixando de existir.



História da emigração

1 - período histórico no qual foi verificado

2 - zonas de origem dos emigrantes trentinos

3 - os emigrantes encontraram aquilo que lhes foi prometido ou o que esperavam?

4 - os problemas encontrados para se adaptar ao novo ambiente

5 - poderiam contar a experiência direta de alguém ou qualquer história transmitida pelos mais velhos? (IMPORTANTE)

6 - no caso de círculo formado recentemente, poderiam contar como algum de vocês descobriu as próprias origens, se teve de visitar Trentino e quais as sensações ou emoções sentiu neste encontro com as próprias raízes? (IMPORTANTE)
1, 2)

A colonização do vale do Itajaí teve início com a vinda do Dr. Blumenau e os imigrantes alemães, em 1850. Apenas em 1875 chegaram os primeiros imigrantes trentinos, todos provenientes do antigo Tirol austríaco, ao qual a região Trentina pertencia.

A denominação Rio dos Cedros foi dada pelo desbravador August Wunderwald em 1863, em uma de suas expedições pelo rio Itajaí-Açu. O nome surgiu devido a grande quantidade da árvore de madeira de lei Cedro, existentes a margem do rio na época

A colonização de Rio dos Cedros tem início com um grupo de imigrantes provenientes de Mattarello (TN, Itália), que deixaram sua cidade natal em 1875. Esse grupo foi o primeiro contingente de imigrantes trentinos da cidade e também de todo Estado de Santa Catarina (sendo também um dos primeiros, senão os primeiros de todo o Brasil). O grupo embarcou no porto de Trieste em 1874, chegando a Rio dos Cedros em princípios de 1875; era formado pelas famílias Bertoldi, Bonatti, Carlini, Filipi, Marchetti, Nardelli, Perini, Piseta, Tafner, Uber, Slomp, Tomasini, Baldessari, Moratelli, Dalmonico, Lenzi, Bendotti e Sevegnani.



Esse grupo pioneiro se fixou onde atualmente existe a comunidade de Santo Antonio, antigamente era chamada de Mattarei, em homenagem a terra natal dos imigrantes. O inicio foi extremamente árduo, após a chegada e a recepção no centro da colônia de Blumenau (a qual rio dos Cedros pertencia na época) os imigrantes foram encaminhados por tifas floresta adentro até chegaram às terras da região de Pomeranos, em alemão “pommernstrasse” (nome devido a anterior colonização alemã, vinda da região da Pomerânia, norte da Alemanha). Toda essa região de Pomeranos foi a primeira via de colonização trentina na cidade, até hoje é possível encontrar diversos e belíssimos casarões coloniais dos tempos iniciais da cidade.
O segundo grupo de imigrantes seguiu pelo mesmo caminho dos imigrantes anteriores, a região de Pomeranos, fixando-se na atual Crosera (encruzilhada). Eram imigrantes vindos de Centa, Valda, Albiano, Segonzano, entre outras comunidades (TN, Itália) no ano de 1875, composta das seguintes famílias: Stinghen, Dalpiaz, Bardin, Negri, Vicenzi, Furlani, Leitempergher, Girardi, Bortolini, Zatler, Mattedi, Odorizzi, Campregher, Tecila, Trentini, Dematè, Pradi, Demarchi, Giovanella, Piazzera.
O terceiro grupo de imigrantes continuou pela região de Pomeranos, seguindo mais adiante até pomeranos-médio ou central, fixando-se onde hoje existe a tradicional comunidade de Caravaggio. Era um grupo que também deixou o Trentino no ano de 1875, a maioria proveniente de Samone (TN, Itália), por isso a comunidade de Caravaggio foi por vários anos chamada de “Samon” e seus habitantes de Samonati. Foi fundada pelas seguintes famílias; Lenzi, Tais, Paoletto, Mengarda, Giampicollo, Anesi, Tomaselli, Molinari, Pedrei, Trisotto, Dall´Agnolo, Fattore, Campestrini, Zanghellini e Nicollodelli.
O quarto grupo de imigrantes seguiu até o final da região de Pomeranos, fixando-se onde hoje existe a comunidade da Glória, também chamada de “busa” (Buraco). Eram imigrantes provenientes de Cavedine (TN, Itália), entre outras cidades, que deixaram o Trentino em 1876; o grupo era composto pelas seguintes famílias: Cattoni, Berti, Anesi, Bagatoli, Recchia, Demarchi, Berlanda, Moltrea, Gadotti, Bridarolli, Brighenti e Zani.
Quando o quinto grupo de imigrantes chegou a região de Pomeranos já estava totalmente povoada, então eles seguiram pelos leitos do rio dos Cedros até chegar na confluência com o rio São Bernardo, instalando-se onde hoje é o centro (sede) da cidade. Eram imigrantes vindos de diversas cidades trentinas; Volano, Ospedaletto, Strigno, Torcegno, Fornace, Mattarello, Centa, entre outras. O grupo era composto das seguintes famílias: Rafaelli, Dallabrida, Pedrelli, Agostini, Volani, Dorigatti, Zanella, Bertoldi, Nasato, Floriani, Vasselai, Voltolini, Ropelatto, Osti, Campestrini, Murara, Prade, Largura, Schuster, Busarello, Trisotto, Purin, Agostini, Berti, Paternolli, Sandri, Bona, Longo, Rikter, Corrente, Giacomozzi, Menestrina, Paterno, Valandro, Leitempergher, Trentini, Bassani, Demarchi.

Esse quinto grupo veio em levas sucessivas e desordenadas a partir de 1876, ocuparam diversos caminhos e tifas que hoje compõe a região central da cidade. Em 1901 foi inaugurada a primeira igreja da comunidade, que ficava na colina onde hoje se situa o Centro de Formação, era um edifício de rara beleza e que foi demolida em 1972, devido a construção da atual matriz da cidade. A perda causada por essa demolição, em termos arquitetônicos e históricos foi imensa.


O sexto grupo de imigrantes colonizou a atual Estrada dos Tiroleses, que parte do centro de Rio dos Cedros até chegar ao município de Timbó. O nome Estrada dos Tiroleses foi dada por que seus imigrantes eram provenientes do Tirol, estado do antigo império Austro Húngaro ao qual a região trentina pertenceu até o ano de 1918, quando foi anexada à Itália. Estrada dos Tiroleses foi um nome genérico, pois todas as outras comunidades até aqui citadas também foram colonizadas por imigrantes tiroleses (trentinos). O grupo foi composto pelas seguintes famílias; Carlini, Ossemer, Chigna, Zanluca, Cechini, Bartanone, Dematè, Conti, Nones, Cristofoletti, Mazzi, Pasquali, Dallabona, Zanghelini, Coratti, Moser, Trentini, Oberziner, Gretter, Tomasini, Pellin, Darui, Salvatore, Valcanaia, Devigigli, Mastelotto, Chiste, Schiochet, Spalanzani, Bertofa, Tiso, Nazatto e Zanella.
A partir desse sexto grupo, a colonização da cidade não pode mais ser divida em levas. Diversos outros imigrantes vieram, e os que já estavam na cidade passaram a se mudar internamente fundando outros povoados na atual região serrana de Rio dos Cedros. A atual comunidade de São Bernardo foi fundada por imigrantes provenientes de Belluno, da região do Vêneto (Itália). É uma das poucas comunidades fundadas por italianos não-trentinos. Foram as famílias Schiochet, Brancher, Feltrin, Largura, Andreazza, Lazzarini, entre outras.
Rio fortuna foi a última comunidade fundada por imigrantes trentinos, composta pelas famílias Furlan, Zanghelini, Ossemer, Tamaninis, Odorizzi, Gretter, entre outras. As demais comunidades na região serrana de Rio dos Cedros foram fundadas por filhos de imigrantes, ou imigrantes que se deslocavam para outros lotes. Também contribuíram para o acréscimo populacional nessas comunidades os imigrantes alemães e poloneses, que chegaram à cidade.
O início foi bastante árduo para todos aqueles imigrantes. Os lotes de terra estavam cobertos pelo mato, a maioria das promessas feitas pelos agentes da colonização não foram cumpridas, e para piorar, o clima e a floresta eram muito diferentes daqueles que eles conheciam da Europa. Com todas as adversidades, vê-se que foi apenas com o trabalho incansável, o suor, o sangue e a fé inabalável dos pioneiros que fez brotar uma bela cidade.

Em 1916 a pequena comunidade foi elevada a categoria de Distrito de Blumenau, sob o nome de Encruzilhada. Em 1934 foi criado o município de Timbó, que foi desmembrado de Blumenau. Rio dos Cedros, então, passou a ser Distrito de Timbó, adotando em 1942 o nome de Arrozeira, devido à inauguração de um canal de irrigação para as arrozeiras do local.

Finalmente, em 19 de dezembro de 1961, pelo Decreto-Lei Estadual nº 793, foi criado o município, adotando o nome original de Rio dos Cedros.
Atualmente, Rio dos Cedros é uma cidade próspera, belíssima e com grande potencial turístico, especialmente na Região dos Lagos. Além disso, o município tem grande destaque por ter preservado sua cultura, através do dialeto (tão falado na cidade), da culinária, dos casarões colônias e das festas.
3)

Ao chegarem aos locais delimitados para sua habitação, os imigrantes trentinos tiveram uma grande decepção. Em suas províncias de origem, haviam-lhes prometido terras onde poderiam enriquecer em pouco tempo. O sonho da maioria era, inclusive, de enriquecer e voltar para sua terra natal para desfrutar a fartura.

Todos esses imigrantes esperavam encontrar nas terras brasileiras a terra de la cucagna, a terra da fartura, onde nada faltaria, onde eles poderiam viver longe dos signore del tirol que, segundo relatos, tanto importunavam suas vidas nas terras trentinas.

Chegando a seus lotes colônias não encontraram nada além de mata fechada e muito, mas muito trabalho a ser feito. A maioria logo compreendeu que seus sonhos de enriquecer depressa e retornar para a Europa eram totalmente inviáveis.


4)

Não foram poucos os problemas de adaptação encontrados pelos imigrantes nas terras brasileiras. A região era ocupada por uma floresta muito diferente das que eles conheciam na Europa. Era uma floresta fechada, abafada e cheia de animais selvagens e insetos. Diversos colonos tiveram que enfrentar onças e tigres nos primeiros tempos, principalmente porque esses imigrantes foram instalados nas áreas mais periféricas da colônia de Blumenau, o que de certa forma os deixava mais vulneráveis.

Além do ataque de animais, também ocorreram diversos confrontos com os indígenas que habitavam a região. Esses povos estranhavam os novos moradores que chegavam tomando posse de uma terra que eles (os índios) já habitavam há diversas gerações. Muitas mortes por ambos os lados ocorreram, acarretando em incalculáveis prejuízos.

Outro fator que muito atrapalhou a adaptação foi a falta de boas estradas (a maioria delas não passava de “picadas” no meio da mata), o que causou grande isolamento desses imigrantes trentinos, e trouxe dificuldades posteriores para se engajarem economicamente. Os imigrantes também tiveram grandes problemas devido ao descumprimento das promessas feitas, sendo que não contaram com o devido apoio (material, instrutivo) para iniciar suas novas vidas. Por fim, pode-se dizer que eles também sentiram muita falta de apoio religioso, afinal, no princípio não havia nem padres nem igrejas, ao contrário do que tinha sido prometido em suas terras de origem. Passaram longos anos sem a visita de um padre, fato que muito entristeceu os devotos imigrantes.


5)

Depoimento concedido pelo nono Lino Vicenzi, morador da comunidade do Caravaggio em Rio dos Cedros. Conta com 85 anos de idade e é dono de uma avantajada memória. Fez parte da Força Expedicionária Brasileira que combateu na Segunda Guerra Mundial.

O seguinte depoimento irá nos contar sobre como era a vida na colônia (quando o entrevistado era criança) e sobre histórias mais antigas, transmitidas pela mãe do depoente.
“Quando eles (os imigrantes) chegaram aqui onde hoje é a comunidade de Caravaggio, chamaram de Samone (que era o nome do paesello de origem) e quem morava aqui era chamado de samonatti. Eram vinte e duas famílias que chegaram, mandadas pelo Dr. Blumenau1. Vieram de Timbó2 pela Rua Pomeranos, subindo por uma picada, até aqui, daí seguiram para frente. Essas famílias chegaram no meio da mata virgem, através de uma picada de Timbó, imagina a dificuldade! O governo deu o título de terreno para cada uma, mas de cada família, um era obrigado a trabalhar quinze dias para o governo abrindo picadas, até pagar o terreno. Naquele tempo o terreno era barato. De qualquer forma, um tinha que trabalhar. As casas, coitados, eram feitas de folhas da mata para cobrir o teto e pau roliço no lugar das taboas, tudo isso no meio do mato, faziam uma rocinha, abriam o mato e faziam aquela casinha simples. Muitos, minha mãe sempre falava, faziam um pequeno andar em cima para poder dormir a noite mais tranqüilos por causa dos tigres e leões. E muitos utilizavam a madeira cortada para fazer fogo a noite.

Antes dos de Samone, vieram os de Mattarello, que se instalaram onde hoje fica a comunidade de Santo Antônio. Os colonos chamavam lá de Mattarello.

Quando vieram da Itália, trouxeram a imagem de Santa Maria Madalena, fizeram uma igrejinha de pau roliço e lá colocaram a imagem, proclamando-a padroeira. Só em 1889/90 mandaram vir da Itália a imagem Nossa Senhora do Caravaggio. Daí para frente é que aos poucos foram colocando o nome de Caravaggio, mas muitos anos depois, porque já era costume. Até hoje em dia tem alguns que chamam de Samone.

(...)


A vida deles (dos imigrantes) era péssima! A minha mãe me contava às vezes, ela dizia que muitos deles queriam voltar para a Itália, imagina, saiam de uma comunidade formada, para entrar no meio da mata virgem. Eles desanimavam, queriam voltar. A vinda o governo pagava, mas para voltar os colonos tinham que pagar. E com que dinheiro? Sofreram, choraram... Todos achavam que não deveriam ter vindo pra cá, mas já que estavam aqui... Tiveram que começar a vida do nada, no meio do mato, uma casinha simples, enfrentando geadas fortíssimas que hoje são raras... Mais tarde começaram a construir suas casinhas de alvenaria, mas esses tijolos eram feitos à mão, e o barro (argila) amassado com os pés. A vida deles foi muito pesada. Diziam que os italianos viviam muito, mas não é verdade, tinha um ou outro que vivia mais, mas naquele tempo quando se chegava aos 60 já se achava que era velho, meu pai morreu com 68 anos, era velhíssimo! Isso porque os serviços eram muito pesados, sem assistência nenhuma.

(...)


Eles comiam a polenta, plantavam uma roça de milho, e com esse milho iam na tafona em Timbó, botavam 20 ou 30 quilos nas costas e iam até Timbó pela picada a pé, depois voltavam com o fubá para fazer a polenta. Meu pai e minha mãe eram carroceiros, iam com duas carroças levar o tabaco para Blumenau (quase todos os colonos produziam tabaco). Haviam trechos de estrada onde era necessário engatar quatro cavalos para puxar a carroça. Tirava-se dois cavalos de uma carroça, botavam na outra, dando quatro cavalos, desatolavam, depois repetiam o processo na outra carroça. Carroça naqueles tempos eram como caminhões hoje em dia! E ainda por cima elas só apareceram tempos depois da chegada dos colonos, bem no inicio nem cavalos haviam.

Meu pai puxou muito arroz também, mas o engenho (o descascador) era aqui em Rio dos Cedros no engenho de arroz do Leopoldo Klug. Tinha o Leopoldo Klug, o Fritz Lorenz de Timbó, e um de Rodeio3, que tinham engenho de arroz. O Klug era o mais perto. Meu pai sempre puxava, com 4 ou 5 cavalos. Esses cavalos estavam sempre bem tratados, porque o milho que era plantado não era para vender, era para ser trocado pelo fubá, e para dar de alimento ao gado. Eles tinham também uns quatro ou cinco porcos, que eram vendidos, porém, um porco era morto todo o mês, porque não tinham açougues naqueles tempos. Uma vez por ano eles matavam o gado, tiravam a carne dos ossos e faziam charque, botavam no sol pra secar. Era, depois, consumido aos poucos. O porco servia para banha para ser usada em casa e com a carne fabricavam a lingüiça com a carne. O resto era usado na fabricação de sabão. Era uma dificuldade que tinham essa gente. Não sei como que não desistiram. Não sei como agüentaram.

(...)

Italiano com alemão não se davam bem4. Depois aos poucos, as coisas foram melhorando, mas no começo não se entendiam. Alemão não dava confiança pra italiano e vice-versa. Brigavam muito. Quando faziam algum baile, era briga sempre. Aqui mesmo, por causa de um baile, um morreu. Se alguém brigava com alguém naquele tempo, ficavam às vezes anos sem se olhar, e até evitavam isso para não terminar em tragédia! Acredito que houve falta de educação, e também por causa de toda situação que viviam, eram um pouco vingativos.



(...)

Pela idade que eu tenho, não posso relatar muito sobre os primeiros tempos da cidade, a não ser pelos relatos que ouvi, principalmente de minha mãe. Quando eu era criança, não havia jardim nem creche. Aos nove ou dez anos as crianças eram enviadas para escola. No meu primeiro dia de aula, tive que ser levado para conhecer o local, porque a gente não saia de casa. Ficávamos sempre em casa, ou jogando bola, que era feita de pano, brincávamos ou íamos caçar, tinha caça naquela época. Passávamos os domingos fora das ruas. Botecos, bar não havia. Ficávamos moços até sair de casa. Trabalhávamos na roça. Às vezes eram formados bailes familiares, que eram feitos em casas, às vezes pra comemorar aniversário.

(...)

Hoje em dia o relacionamento com os pais é muito diferente. Naquela época não se tinha muita liberdade de falar com o pai. Tinha uma ou outra família que os pais eram bonzinhos, mas tinham muitos que eu conheci que eram rigorosos com os filhos, não davam confiança. Meu pai era um deles, não conversava com os filhos. Quando vinha visita, meu pai só dava uma olhada de canto de olho, e os filhos entendiam que não podiam ficar por ali. Acho que eles já vinham com esse estilo rigoroso da Itália. Meu pai era o caçula da família, ficou com sua mãe, portanto. Quando meu pai comprou esse terreno, sua mãe ficou por aqui vinte anos ainda. Quando ela estava para morrer, eu tinha apenas três anos e ainda me lembro das “bengaladas” que ela dava. Ela recebia visitas das mulheres que vinham vê-la. De uma dessas visitas, recebeu balinhas de menta, que foram colocadas em baixo do colchão. Com três anos, eu queria comer as balinhas. Ela estava deitada na cama, velhaca como era, fingiu que estava dormindo. Fui devagarzinho, levantei o colchão, que era de palha de milho, fez barulho. Ela continuou fingindo, até que desceu a bengalada. Gente!!! Ela estava à beira da morte, e mesmo assim ainda dava bengaladas!!! Sorte que num pulo escapei da pancada.



(...)

Eu calcei o primeiro sapato com vinte anos. Naquela época, para não perder um ano no exercito, existia o tiro de guerra. Vinha um sargento do batalhão de Blumenau para dar instruções uma ou duas vezes por semana, para depois ser entregue o certificado de segunda categoria (primeira categoria era para quem serviu o exército). Para freqüentar essas instruções do exército, precisava usar o sapato. Quem fazia o sapato era sempre um sapateiro, aqui tinha o nanetto Tafner que era o sapateiro. Tinha-se que tirar a medida dos pés, e ele fabricava os sapatos. Quando fiz a primeira comunhão, meu pai foi pedir um sapato emprestado! Ele não comprou! Simplesmente não havia dinheiro. Eles não tinham meios de obter esse dinheiro. Para a roupa utilizada no serviço, era comprada uma peça de tecido bem grande, e daí era feito a calça pra toda a família, e num outro tipo de malha era feita a camisa. Uma costureira ou minha mãe costuravam. Não tinha loja. O terno, por exemplo, meus irmãos compraram tecido para depois levar para o alfaiate, que tirava a medida do corpo e fazia o terno. Para conseguir um terno barato, fui até Pomerode5. Um milagre que seria feito um terno! A tintura utilizada no terno era, porém, muito simples. Depois de usar três vezes o terno já estava com outra cor! Tudo era muito difícil!

(...)

Meu pai era quem sempre fazia as compras. O comércio era diferente, tinha-se apenas um balcão onde eram feitos os pedidos. O atendente buscava os pedidos. Não se fazia compras como hoje. Comprava-se o sal, o querosene (o querosene era usado para lamparina, botava-se dentro, acendia-se um pavio, e era a luz que se tinha), um açúcar que vinha de Luiz Alves6, era um açúcar vermelho. Comprava-se um pouco de açúcar branco apenas para receber as visitas. Compravam também soda cáustica, para fazer o sabão caseiro quando se matava o porco. Era uma latinha de um quilo. Pouca coisa se comprava no comércio. Era muita dificuldade, hoje se compra tudo, em grande quantidade, naquele tempo não existia isso.



(...)

Tínhamos alguns parentes em Taió7 e meu pai, naquele tempo, comprou alguns terrenos lá, na parte onde hoje foi construída uma barragem. Não sei bem como fez para comprar, era muito difícil juntar dinheiro para isso. Era um povo muito econômico, não tinham luxos. Calçar sapato apenas com vinte anos, você faz uma idéia... Andávamos sempre descalços, mesmo quem tinha sapato não usava, apenas para ir à missa.

(...)

Meu pai sempre ia aos domingos na missa. Havia duas missas, uma as sete e outra às nove horas da manhã, íamos à das sete. Eu sempre preparava os cavalos. Naquele tempo as missas eram rezadas em latim, o padre ficava virado para o altar, apenas virava para o povo para as palavras finais. Eu era coroinha, também precisava fazer algumas leituras em latim, mesmo sem conhecer a língua. A missa do sétimo dia era feita também em latim, apesar de ninguém entender nada. Só depois da década de 60 é que mudou a forma da missa. Para se fazer o caixão do falecido, era medido o corpo do mesmo com barbante, porque segundo a superstição, quem medisse o morto, morria também. Era depositado um pano preto em cima do caixão, que era então carregado por quatro pessoas até o cemitério. Caso fosse muito longe, era levado de carroça.



(...)

No meu tempo, se tinha as aulas em italiano, estudavam-se as contas (matemática), história, catecismo tudo em italiano. Aprendi o português só mais tarde, principalmente no exército.

(...)

Posso garantir que a vida era muito, muito diferente. As famílias tinham suas pequenas casinhas, sem cercas, nada. Os animais ficavam ao redor da casa, sempre soltos. As porcas, quando tinham os filhotes, fugiam pro mato, lá faziam uma espécie de ninho. Só voltavam para casa dias depois, já com os filhotes grandes. Às vezes voltavam pra se alimentar, mas, muito espertamente, não voltavam para o seu ninho enquanto tivesse alguém observando. Só voltavam sozinhas. Achar esses ninhos no meio do mato era uma dificuldade. O mesmo acontecia com as galinhas, com as vacas...



Era uma vida muito diferente!”
Depoimento dado no dia 28/04/2007, na casa do entrevistado.
Notas:

  1. Dr. Hermman Otto Blumenau, que foi o fundador da colônia alemã que recebeu o seu nome, Blumenau, no ano de 1850. As terras onde hoje se encontra o município de Rio dos Cedros pertenciam a Blumenau na época da imigração italiana (trentina).

  2. Timbó é hoje uma cidade vizinha de Rio dos Cedros, distando aproximadamente 8km.

  3. Cidade próxima de Rio dos Cedros, que também pertencia a Blumenau na época da imigração italiana (trentina).

  4. Italianos e alemães conviveram lado a lado nas antigas colônias, e seus descendentes convivem ainda hoje.

  5. Pomerode é uma cidade vizinha de Rio dos Cedros.

  6. Município do Médio Vale do Itajaí.

  7. Município do Alto Vale do Itajaí.


6)

A (re)descoberta das origens trentinas – italianas ocorreu quando, em 1975, a cidade comemorou os 100 anos da imigração. Naquela ocasião foi preparada uma grande festividade com desfiles, apresentações culturais, etc. Na festa, a cidade de Rio dos Cedros (assim como outras que comemoraram o centenário da imigração) foram agraciadas com a visita de uma ilustre comitiva de autoridades trentinas. Esse encontro fez com que o povo entrasse em contato com representantes da terra de seus avós. Foi, inclusive, naquele mesmo ano (1975) que foi fundado o Círculo Trentino de Rio dos Cedros, com o intuito de não deixar cair no esquecimento as raízes do povo que fez brotar Rio dos Cedros.

Vale lembrar que em 1978 uma comitiva do Vale do Itajaí, formada por representantes das comunidades que comemoraram o centenário, retribuíram a visita, chegando à região trentina e promovendo outro mágico reencontro, como relata esse trecho de reportagem publicada na revista Trentino Nel Mondo, nº 10, outubro de 1978: “ ... O motivo histórico desta visita estava ligado ao convite formulado pelo governo da Província de Trento através do assessor das atividades culturais, Dr. Guido Lorenzi, que havia participado e dirigido as delegações da Província nos festejos do centenário de Nova Trento, Rio dos Cedros e Rodeio em 1975. (...) Foi e é provavelmente a primeira vez que uma comunidade erradicada da sua terra há mais de um século, subsistindo num isolamento por várias centenas de anos, se encontra com as raízes insuprimíveis das suas origens, num retorno histórico do Vale do Itajaí à terra de seus bisavós. (...) Os pedidos de informações, os colóquios e os inúmeros momentos emocionais fizeram com que a delegação voltasse, depois de 20 dias de estrada, à terra catarinense, feliz e maravilhada, pelo povo que encontrou, pelos incomparáveis panoramas da natureza, pela grandiosidade estupenda da Cordilheira dos Alpes, das montanhas e vales de onde vieram os desbravadores italianos que se estabeleceram em Santa Catarina.”


Realidade atual dos emigrados

1 - qual é o grau de integração

2 - quais são as áreas de trabalho nas quais a maioria dos trentinos estão empregados?

3 - ainda sentem ligações com as próprias raízes?

4 - existem pessoas que se destacam nos campos da economia, da cultura, da arte, da política, do esporte ou outro?
1)

O grau de integração dos descendentes trentinos esta em constante aprimoramento, graças aos trabalhos desenvolvidos pelo Circolo Trentino, especialmente na ala jovem.


2)

Inicialmente os descendentes trentinos trabalhavam principalmente na agricultura (atividade ainda muito forte no município). Porém, com o passar dos anos, grande parte dessa mão de obra migrou para a indústria e para a prestação de serviço.


3)

As ligações com as próprias raízes ainda são sentidas pelo povo e vem sendo preservadas pelo Círculo Trentino desde sua criação. Atividades como grupos folclóricos e diversos grupos musicais que se encontram espalhados pela cidade muito ajudam na preservação cultural dos antepassados. A divulgação do livro História da Imigração Italiana de Rio dos Cedros, patrocinado, entre outros, pelo Círculo Trentino também muito ajudou no sentido de mostrar ao povo a história de seus antepassados.

Outro evento de grande importância é a Festa Trentina. É uma festa, que como o nome sugere, busca o resgate das tradições trentinas riocedrences. Acontece sempre na primeira quinzena de setembro, e sua realização acontece através de uma parceria da Prefeitura Municipal com o Círculo Trentino. Nessa festa ocorrem desfiles que recontam a epopéia riocedrence, diversas apresentações culturais de grupos locais e de fora, que apresentam todo o repertório musical tão difundido pela cidade e são oferecidos pratos típicos italianos, apreciados em qualquer lugar do planeta. Nessa festa também acontecem exposições industriais, comercias e culturais onde é mostrado todo o trabalho desenvolvido em Rio dos Cedros.
4)

Rio dos Cedros é denominado Fonte Cultural do Vale (do vale do Itajaí, região sócio econômica que Rio dos Cedros está inserido em Santa Catarina) devido à extraordinária colaboração prestada por muitos de seus filhos em diversas áreas do conhecimento no Brasil e no mundo. Abaixo relataremos alguns desses riocedrences que tanto enchem de orgulho sua cidade:

-José Curi (Membro da Academia Catarinense de Letras, da Academia de Filosofia de SC, do Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina e é académicien correspondant da Academia Belles-Lettres, Sciences et Arts de La Rochelle, França. Possuí diversas publicações de literatura, lingüística, livros didáticos etc.);

-Péricles Prade (jurista, escritor e membro da Academia Catarinense de Letras);

-Pe. Nelo Trisotto (sociólogo, escritor);

-Mário Bonatti (professor, escritor);

-Olivo Pedron (professor, escritor);

-Pe. Giacono Vicenzi (escritor);

-José Valdir Floriani (professor, escritor);
Ainda no campo cultural cabe citar o nome do prof. José Tafner, natural da localidade de Santo Antonio (Rio dos Cedros), que iniciou suas atividades do magistério universitário quando posteriormente fundou a Universidade atualmente denominada Uniasselvi (Centro Universitário Leonardo Da Vinci), com campus em várias cidades e diversos alunos de todo o Vale do Itajaí.

José Tafner já recebeu diversas condecorações no Brasil e no exterior, sendo reconhecido como um revolucionário da educação no Vale do Itajaí.


No campo industrial, o sr. Tercílio Marchetti, natural de Rio dos Cedros e filho de imigrantes trentinos, fundou em 1938 uma pequena ferraria, que depois de muitos anos se tornou o maior bloco industrial do município. Atualmente a empresa denomina-se Molas Marchetti, tem sua sede em Rio dos Cedros e é a maior fornecedora de molas e laminas de reposição do Brasil. Tercílio Marchetti faleceu em 1985 sendo que a empresa permanece até hoje com seus descendentes.

Vida do círculo

1 - quais são as motivações mais importantes que levaram a constituição do seu círculo? Foi fundado pelos imigrantes de primeira geração ou pelos descendentes? Neste caso, como conheceram as suas raízes trentinas?

2 - porque consideram importante participar do círculo e manter o relacionamento com as suas raízes?

3 - atualmente quantos são os sócios do círculo?

4 - poderiam listar as atividades mais importantes que desenvolveram, desenvolvem atualmente e que pensam em desenvolver no futuro?

5 - existe qualquer aspecto do seu círculo e da sua atividade que considerem particularmente importante e/ou interessante a ser conhecido em Trentino e a todos os outros círculos do mundo?
1)

Conforme exposto, a motivação para a criação do Círculo surgiu com as festas de comemoração do centenário da imigração italiana, no ano de 1975, e que o (re)conhecimento de suas raízes ocorreu a partir daquela comemoração e da visita da delegação trentina que ocorreu no mesmo evento. Sua fundação foi realizada por descendentes diretos de trentinos, que se uniram a causa da preservação cultural. Vale ressaltar também que o Círculo de Rio dos Cedros, juntamente com os Círculos de Rodeio e Nova Trento, foram os três primeiros a promover atividades de intercambio cultural, servindo de base e incentivo para a criação dos demais Círculos.


2)

A participação no Círculo Trentino é importante, porque é através dele que a comunidade riocedrence pode manter viva a tradição e cultura de seus antepassados, pois segundo o ditado popular “a cultura, a tradição e os costumes são a vida de um povo”. As diversas iniciativas apoiadas pelo Círculo (lançamento de livros, de CDs de música tradicional, de festas) tornam a história e modo de vida dos antepassados conhecidos a todo o povo riocedrence, e é apenas conhecendo a história que nos tornamos orgulhosos de nossa cidade, apenas conhecendo o trabalho incansável dos nossos avós que enfrentaram a mata virgem podemos dar o devido valor ao que temos hoje.

Por outro lado, o Círculo também serve como elemento agregador, reunindo a comunidade em diversas atividades, o que os torna cidadãos mais engajados, pois o Círculo não visa apenas agregar os que têm origem trentina, mas fazer com que esses descendentes interajam com a sociedade e todas as suas etnias, em atividades sociais que buscam sempre o aprimoramento da cidade.
3)

Atualmente o Círculo conta com 620 pessoas associadas, tanto de Rio dos Cedros como de outras cidades.


4)

O Círculo Trentino, conforme já foi exposto, sempre esteve engajado com as atividades que visam preservar a cultura riocedrence. Podemos destacar as seguintes atividades: Realização, em parceria com a Prefeitura Municipal, da Festa Trentina, que ocorre desde 1989 e tem por objetivo mostrar para todos os visitantes a música, a culinária e a história do povo riocedrence; a Promoção de Jantares Típicos, onde são servidos pratos típicos e ocorre um baile abrilhantado com música italiana; a criação do Gruppo Folklorístico Compagni Trentini, que desde 1975 (na época se chamava Santa Notte) divulga a musica tradicional italiana; a construção de uma casa típica, em um terreno cedido pela prefeitura, recriando o modelo arquitetônico típico dos imigrantes (vale ressaltar que a casa foi construída com base em uma outra existente no município há mais de 110 anos); o apoio a 3ª edição do livro História da Imigração Italiana de Rio dos Cedros, que conta a todo povo a história de seus antepassados; apoio ao lançamento do CD Brasil-Brasiliano, do Grupo Folclórico Colibri, de Rio dos Cedros, que contem músicas italianas tradicionais e contemporâneas, e música brasileira; a estruturação e encaminhamento dos processos de dupla cidadania, atendendo as cidades de Rio dos Cedros, Timbó e Benedito Novo; a realização de intercâmbios com fins profissionais entre trentinos e riocedrences; a ajuda a jovens participantes de atividades culturais como o soggiorno, etc e ajuda a atividades culturais da cidade, como o apoio ao grupo de teatro da Associação Dom Bosco, etc.



Fundação do Grupo de Jovens Trentinos – Gruppo Giovane Tosarami. O grupo jovem, do Circolo Trentino de Rio dos Cedros, surgiu com o intuito de agregar os jovens descendentes para participar de atividades culturais bem como para realizar eventos que enalteçam a cultura trentina de Rio dos Cedros.
Foi oficialmente fundado no dia 10 de novembro de 2007, de uma iniciativa de Andrey Taffner Fraga e Eduardo Osti, que já faziam parte da Diretoria do Circolo Trentino e haviam assumido o compromisso de criar o grupo.
Os jovens integrantes possuem descendência italiana e dominam o dialeto riocedrence. Todavia, o grupo é aberto para qualquer pessoa que queira participar e conhecer um pouco mais da cultura trentina.
O grupo foi batizado com o nome de TOSARAMI (lê-se tojarámi), que no dialeto de Rio dos Cedros (mas também no dialeto da Valsugana - TN) significa meninada, gurizada. Como símbolo, foi criada uma versão filhote da águia trentina, que representa os jovens em relação ao Circolo Trentino.

Além dessas atividades, o Círculo Trentino de Rio dos Cedros já promoveu aulas de italiano, que infelizmente estão paralisadas. Os planos são para que no futuro próximo elas voltem a ocorrer, pois o Círculo entende que a preservação da língua é importantíssima para a preservação cultural.



Patrocínio a gincana dos jovens trentinos, com a realização dos 3º Giochi dei Giovani Trentini Brasiliani, em Rio dos Cedros, durante a Festa Trentina de 2008. Mais de 200 jovens de todo o Estado participaram, sendo que o Circolo di Rio dos Cedros forneceu estadia, alimentação e local para a gincana.

5)

Uma das atividades promovidas pelo Círculo Trentino de Rio dos Cedros, que no nosso entendimento é importante e poderia servir de inspiração para os demais círculos, é a recriação de uma casa típica, baseada em um rancho de madeira, existente no município há mais de 110 anos. A casa está localizada em um terreno cedido pela prefeitura, na área de entrada da cidade, sendo que fica visível para todos os visitantes. É toda de madeira e seu estilo é o colonial, dos primeiros tempos. A preservação desse tipo de construção é importante, pois com o avanço da modernidade elas se tornam vulneráveis, e podem desaparecer por completo. Atualmente a casa típica do Circolo Trentino foi ampliada e faz parte do complexo Villa Nostra, um empreendimento que visa enaltecer a arquitetura colonial da cidade.

Outro ponto forte do Circolo Trentino di Rio dos Cedros foi criação do grupo de jovens – Gruppo Giovane Tosarami, que agregou a juventude ao Circolo, atuando em diversas atividades, inclusive realizando em Rio dos Cedros os 3º Giochi dei Giovani Trentini, com presença de pessoas de todo Estado, ressaltando a qualidade de Rio dos Cedros como grande centro da cultura trentina.

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AGRADECIMENTOS


Essa pesquisa foi realizada graças a ajuda de:

Prof. Olívio Taffner;

Prof. José Curi;

Sr. Lino Vicenzi;

Eduardo Osti;

Dorotéa Moser;

Jair Dallagnolo;

Prefeitura Municipal de Rio dos Cedros;



Paróquia Imaculada Conceição de Rio dos Cedros.


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