Classe de aceleraçÃO: diferentes visões de alunos egressos e professores



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CLASSE DE ACELERAÇÃO: DIFERENTES VISÕES DE ALUNOS EGRESSOS E PROFESSORES

Aline Maria M. R. Reali

Daniela Donato

Juliana Fogaça

Lenise Maria Ribeiro Ortega

Luciana Vanessa de Al. Buranello Faria

Poliana Castro Bruno

Universidade Federal de São Carlos - UFSCar


Introdução
Considerando a necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre os projetos desenvolvidos no âmbito das políticas públicas brasileiras contemporâneas, a disciplina Tópicos Especiais em Metodologia de Ensino II: Políticas públicas e sala de aula do PPGE-UFSCar, procurou ampliar o conhecimento sobre diferentes medidas educacionais para se combater o fracasso escolar. Dentre elas, destacou-se a discussão sobre a política de correção de fluxo, destinada a enfrentar a defasagem idade/série e considerada como relevante medida para a efetiva educação pública inclusiva.

O trabalho apresenta o relato de uma investigação realizada pelas alunas do curso de Pós-Graduação em Educação, área de concentração em Metodologia de Ensino, sobre uma das políticas públicas implementadas na década de 90 - a "Classe de Aceleração" ou "Correção de Fluxo".

Dados do MEC do ano de 1996 indicam que no Brasil o aluno leva, em média, 11 a 12 anos para concluir o Ensino Fundamental, isso quando o conclui, por causa da evasão escolar e reprovação, e que mais de 63% dos alunos brasileiros do Ensino Fundamental estavam fora da faixa etária escolar condizente. Os alunos que estudam em séries atrasadas em relação à sua idade são chamados de defasados. Neste contexto, pode-se observar, ainda hoje, que o Ensino Básico no Brasil é uma meta a ser atingida, devido ao grande número de crianças e jovens, em idade escolar, excluídos do sistema escolar por diferentes motivos.

Diante dessa realidade, muitas propostas foram implementadas em vários Estados e Municípios brasileiros, na intenção de solucionar ou talvez, minimizar a problemática do fracasso escolar. Dentre elas, podemos citar o Programa de Correção de Fluxo Escolar que apresentava como proposta, uma intervenção destinada aos alunos defasados, com histórico de repetências sucessivas, fracassos acumulados e autoconceito fragilizado.

Pensando neles, as redes estaduais e municipais de ensino brasileiro criaram programas de aceleração da aprendizagem, em que o aluno podia cursar até três séries em um só ano. O objetivo da política educacional da Classe de Aceleração era proporcionar melhores condições para a recuperação do aluno em situação de defasagem na aprendizagem e em relação a idade/série, possibilitando-lhe um real avanço escolar. Segundo Sampaio (2000: 61),
“as classes de aceleração podem ser entendidas como rota alternativa e provisória para pôr em marcha as possibilidades desses alunos, alavancar seu processo de aprendizagem e permitir sua reinserção no percurso regular. Em algum ponto eles tropeçaram e têm o direito de retomar seu caminho, tendo acesso aos instrumentos de compreensão de mundo, ao convívio com seus pares de idade, beneficiando-se realmente do trabalho formador de seus educadores.”
No entanto, quando esta política chega nas escolas, aparecem alguns problemas que se evidenciam entre o que foi planejado e o que foi executado. Dentre eles, podemos citar a questão da seleção dos professores para atuarem nesse projeto, o próprio processo de capacitação desses profissionais, além da falta de verbas para adquirir materiais.

A busca de dados – no caso dessa pesquisa – sobre os pontos positivos e negativos e sobre o fato de verificar se as aprendizagens foram significativas para a continuidade dos estudos, sob a perspectiva dos alunos, parece ser relevante porque é uma das formas de se conhecer como as políticas públicas são compreendidas e avaliadas por seus principais atores – os professores e alunos.



Programa de Correção de Fluxo e Projeto Ensinar e Aprender.
A partir do ano de 1995, as Secretarias de Educação de vários Estados, entre elas a de São Paulo, iniciaram uma série de ações, na intenção de combater o fracasso escolar vigente em todo país, instituindo entre estas ações o Programa de Correção de Fluxo, para alunos do Ciclo II do Ensino Fundamental.

O Programa surgiu com o principal objetivo de combater a defasagem idade–série na rede estadual de ensino e ao mesmo tempo fornecer condições para que alunos marcados por uma história de fracasso escolar retomassem o percurso escolar de maneira mais digna.

No ano de 2000 foi proposto o Projeto Ensinar e Aprender: Corrigindo o Fluxo do Ciclo II, que previa a formação de classes com alunos multirrepetentes ou que por outros motivos estavam em desvantagem escolar em relação aos outros alunos com mesma idade. As salas que atenderiam a esses alunos seriam integradas ao Projeto Pedagógico da escola e acompanhada pelo núcleo regional de ensino correspondente.

O Projeto foi implantado em 38 Diretorias de Ensino, entre elas todas as diretorias de São Paulo e da Grande São Paulo.

O critério utilizado para a seleção das escolas que desenvolveriam o Projeto foi à detenção do maior número de alunos com defasagem idade-série, considerando o limite de 10 escolas por Diretoria e que cada uma delas contaria com no máximo três salas de Correção de Fluxo.

Seria analisado também o grau de comprometimento e interesse por parte dos diretores, coordenadores e professores, assim como a existência de espaço físico para a abertura das salas e a disponibilidade de tempo para as capacitações durante o ano letivo.

Quanto à seleção dos alunos, estes deveriam estar freqüentando preferencialmente sextas séries do Ensino Fundamental e estar em condição de defasagem idade-série por no mínimo dois anos em relação à idade prevista para a série na qual deveriam estar matriculados.

Considerando a situação de fracasso escolar em que esses alunos se encontravam, era necessário que, além do redirecionamento da utilização de recursos públicos – almejado por várias administrações do país, em busca da melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem – houvesse toda uma atenção voltada para a Proposta Pedagógica do Projeto Ensinar e Aprender, fundamentada nos pressupostos conceituais e metodológicos das classes de aceleração do ciclo I.

Tendo como base a idéia de resgatar a auto-estima de alunos em situação de fracasso escolar, provenientes de suas condições de vida ou pelo atendimento escolar inadequado, a proposta pedagógica do projeto em questão deveria ser voltada para a concepção de que os alunos estigmatizados pela repetência seriam fracassados por toda sua trajetória escolar considerando que muitos deles acabariam por interrompê-la.

Esta concepção de que os alunos eram incapazes acabava sendo assimilada por eles já que era irradiada por toda a sociedade escolar, fazendo-se urgente, um trabalho que valorizasse a capacidade de aprendizado destes alunos, despertando ao mesmo tempo o prazer pela escola.

Com estas finalidades a intenção era de criar condições favoráveis para que esse trabalho pedagógico fluísse com mais facilidade, proporcionando aos alunos a oportunidade de conviver com professores capacitados, freqüentando salas de aulas menos numerosas, tendo aulas com horários menos fragmentados, possibilitando um atendimento individualizado e diferenciado de que necessitavam.

Para que as intenções se convertessem em ações, seria necessário olhar o processo ensino aprendizagem no qual estes alunos seriam inseridos, como um todo, mas ressaltando o elo de ligação entre as partes: capacitação de professores, prática e proposta pedagógica, currículo e avaliação.

A escola, que passa a ser na vida dos alunos uma possibilidade inovadora de busca e conquista de seu espaço frente a uma sociedade que não os enxergava, deve se apresentar de forma desafiadora e estimulante através de dinâmicas de sala de aula que leve o aluno a conhecer e interagir com o mundo em que vive.

É importante ressaltar que o Projeto Ensinar e Aprender não tinha e ainda não tem a finalidade de expor estes alunos aos conteúdos predominantes das séries as quais já tiveram contato, não se trata de uma recuperação de conteúdos tradicionais e sim de mobilizá-los a conquistar conhecimentos, ampliando assim, suas possibilidades de aprendizagem. Já é sabido que a excessiva repetição de conteúdos desmotiva os alunos.

A seleção dos conteúdos centrou-se em núcleos de assuntos que se caracterizam em eixos essenciais das disciplinas: Matemática, Português, Ciências, Historia e Geografia e que ao mesmo tempo tinham representado obstáculos para que a situação de fracasso escolar desencadeasse na vida escolar dos alunos em questão.

Dentro da disciplina Matemática o Projeto visava desenvolver nos alunos habilidades como leitura, interpretação e produção de textos matemáticos; análise e produção de tabelas e gráficos; capacidade de identificar, formular, ler e resolver problemas; perceber, conceber, analisar e representar objetos geométricos; estabelecer relações entre aritmética e álgebra, assim como outras habilidades fundamentais para a continuidade do trajeto escolar.

As atividades propostas em Língua Portuguesa enfatizavam o desenvolvimento de habilidades como leitura, produção, análise e discussão dos diversos tipos de textos. Um dos pontos marcantes do Projeto Ensinar e Aprender se tratava do olhar muito mais atento que todas as disciplinas deveriam ter para o desenvolvimento de habilidades que até então eram tidas como responsabilidade exclusiva do professor de Português, como por exemplo: leitura, escrita, produção e interpretação de textos.

No que diz respeito à avaliação, o Projeto Ensinar e Aprender sugere que esta seja feita diariamente, acompanhando, diagnosticando o processo aprendizagem e dando assim condições para que os professores repensassem e reorganizassem sua prática no processo ensino-aprendizagem.

É coerente deixar claro que os erros cometidos pelos alunos devem ser entendidos como pistas para que o professor enriqueça seu trabalho e redirecione sua pratica pedagógica facilitando assim o tratamento individualizado e a checagem do cumprimento dos objetivos pré-determinados por ele.

A maneira como estas avaliações seriam realizadas ficaria a critério do professor desde que valorizasse principalmente as produções: individuais, em grupo ou até mesmo da classe. Estas por sua vez fariam parte de um portfólio diagnosticando a situação de aprendizagem a que o aluno foi submetido e como responderam a estas situações.

Constitui-se aí um rico material, cuja finalidade é embasar a tomada de decisões quanto até que ponto os alunos progrediram e se estes conseguiram reverter o quadro de fracasso escolar do qual faziam parte, tendo condições de dar continuidade a trajetória escolar.

É fundamental que todo procedimento de avaliação seja compartilhado, no que diz respeito aos resultados, com os alunos para que adquiram autonomia e consigam perceber seus próprios avanços.

O Projeto Ensinar e Aprender propõe um material diferenciado composto de quatro fascículos, contendo propostas de atividades, textos de orientação pedagógicas, fichas com atividades para os alunos ( individuais ou em grupo), cartazetes, jogos, etc; nas disciplinas de Matemática, Português, Historia, Geografia e Ciências.

O material baseado na proposta dos programas de correção de fluxo e elaborado pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná teve como principal objetivo apoiar o trabalho do professor, para que este desenvolvesse uma atuação pedagógica mais eficaz e facilitasse ao mesmo tempo o tratamento para com os alunos provenientes de séries diferentes. A opção por este material foi conseqüência dos resultados satisfatórios obtidos no referido Estado.

A seleção e a organização das atividades estão vinculadas ás concepções teóricas defendidas pela proposta pedagógica do Projeto Ensinar e Aprender e busca atender alunos nos mais diversos níveis de conhecimento – já que são provenientes de classes diferentes - possibilitando que todos avancem no processo de aprendizagem.


Escola, classes, professores e alunos que se envolveram no Projeto Ensinar e Aprender: corrigindo o Fluxo do Ciclo II.
A escola estadual investigada, Profa. Luiza Maria Bernardes Nory, Diretoria Regional de Ensino de Birigui, localiza-se na cidade de Penápolis, interior do Estado de São Paulo, em um bairro popular e conta com aproximadamente 1430 alunos matriculados, 70 professores efetivos ou Acts, 2 professores coordenadores, uma diretora, uma vice-diretora e 10 funcionários, entre eles auxiliares de serviços gerais, agente escolar e outros.

O projeto Ensinar e Aprender está sendo aplicado na escola em salas de Correção de Fluxo desde o ano de 2001, quando iniciaram-se duas turmas, sendo uma no período da manhã e outra no período da tarde, atendendo em média 27 alunos cada uma delas. A maioria destes alunos estava matriculada e freqüentava a sexta série do ensino fundamental e alguns, com maior defasagem idade-série, freqüentavam a quinta série.

As classes não foram formadas no início do ano letivo, já que a proposta de formá-las chegou à escola depois de alguns dias que as aulas haviam começado o que forçou o remanejamento dos alunos de suas salas regulares para as tais salas de Correção de Fluxo. Este fato gerou reações amplamente desfavoráveis para o desenvolvimento do Projeto, pois reafirmou nos alunos a condição de fracassados, já que entenderam o remanejamento como sendo uma transferência para uma “sala especial”.

Os alunos escolhidos tinham no mínimo dois anos de defasagem idade-série e em sua maioria apresentavam grandes dificuldades de leitura, escrita e interpretação de textos e alguns casos se destacaram por terem sérios problemas de alfabetização, o que dificultou o acesso á aquisição de conhecimentos através do material proposto. Esta condição desencadeou um grave problema de indisciplina em uma das classes, por isso professores e direção mostraram-se inseguros e sós para mudar este quadro.

Os professores demonstraram inicialmente um grande desconforto frente às salas que não haviam escolhido na atribuição de aulas, suas salas simplesmente passaram a ser de Correção de Fluxo, independente da aceitação ou recusa dos mesmos. Além deste fato, as classes geravam comentários pessimistas desde os primeiros boatos de abertura (quanto ao nível de aprendizagem que os alunos estavam, indisciplina, etc.).

As salas acumularam alunos com reações contraditórias em relação às situações de fracasso escolar em que se encontravam e eram visíveis dois extremos, a indisciplina e a apatia com que respondiam ao processo ensino-aprendizagem a que estavam sendo submetidos.

A assiduidade dos alunos envolvidos no Projeto, permeou um sério problema de evasão entre os alunos matriculados nas tais séries e dentre os motivos para que isso tenha ocorrido estão: a localização da escola em um bairro no qual o número de famílias que sobrevivem do plantio e da colheita da cana-de-açúcar é elevado, tirando alguns alunos da escola e levando-os para o trabalho precoce, a indisciplina, a resistência e inadequação da prática pedagógica de alguns professores, a dificuldade de relacionamento entre alunos, professores e direção.

Durante o andamento do Projeto Ensinar e Aprender, a escola passou por um difícil período de transição de direção, gerando divisão de opiniões e priorizando interesses que não eram voltados para o sucesso da política educacional em questão.

Este período foi marcado principalmente pela ausência de momentos de reflexões entre os atores envolvidos. Os professores trabalhavam isoladamente sem terem oportunidades de trocar idéias para a busca de soluções dos problemas que surgiam e se agravavam no cotidiano da escola.

O corpo docente entendeu o Projeto como mais uma política educacional “jogada” de um dia para o outro nas escolas, sem que tivesse dado o devido tempo para que a sociedade escolar analisasse, opinasse e assimilasse o que estava sendo proposto.

Durante o desenvolvimento do projeto, os profissionais envolvidos fizeram parte do programa de capacitação que consistiu em duas etapas: a primeira realizada em três dias reunia os professores por disciplinas e a segunda, que seria o quarto dia, reunia o grupo escola para uma análise mais ampla do que estava acontecendo na escola em geral.

As capacitações foram ministradas por ATPs das diversas disciplinas e apoiadas por supervisores que anteriormente foram submetidos a capacitações em níveis centralizados pelo CENPEC (Centro de Estudos em Educação, Cultura e Ação Comunitária).

Foram abordados durante estas, temas como: proposta pedagógica de um programa de correção de fluxo, propostas de trabalhos específicas dos componentes curriculares, noções e conceitos a serem trabalhados, habilidades a serem desenvolvidas, questões relacionadas ao trabalho coletivo nas escolas e na delegacia de ensino, acompanhamento, avaliação e irradiação do projeto, entre outros.

A questão da alfabetização constituiu um grande obstáculo para o corpo docente que não recebeu formação para trabalhar com alunos que apresentavam grandes dificuldades de leitura e escrita. Em geral, estes alunos eram encaminhados para reforço escolar, não freqüentavam as tais aulas e quando os fazia, os resultados não eram animadores, já que os professores do reforço também não tinham formação condizente para exercer a função de alfabetizadores.

Entre os pontos que mais polemizavam as capacitações estava a dificuldade dos professores em realizarem os registros diários do processo de aprendizagem dos alunos. As classes eram na sua maioria muito trabalhosas e o material proposto ocupava o tempo dos professores na preparação e aplicação das atividades. Houve também a resistência em mudar uma concepção de avaliação que a maioria dos professores adquiriram durante toda uma carreira docente.

A ausência dos tais registros que eram considerados fundamentais para a avaliação continuada, impossibilitou os profissionais da escola de avaliarem os alunos segundo a proposta do Projeto Ensinar e Aprender.

Ao término dos dois anos do programa de correção de fluxo, os alunos foram avaliados pelo grupo escola da mesma forma que os alunos das salas de ensino regular. Os critérios basearam-se na verificação dos 75% de freqüência obrigatórios e o número de matérias em que não atingiram a nota mínima exigida pela escola.

Ao iniciar o Programa de Correção de Fluxo totalizavam-se 54 alunos, dos quais 21 foram promovidos para a primeira série do ensino médio regular, 12 alunos foram retidos seguindo os critérios já citados anteriormente e inseridos em salas de Recuperação de Ciclo, 11 alunos foram considerados evadidos e 10 transferiram-se para outras escolas antes mesmo de acabar o Projeto.

A análise realizada neste trabalho focou os alunos egressos, entre eles os aprovados e os retidos, que freqüentam a mesma escola.

Considerações Finais

Ao nos propormos a estudar a política de correção de fluxo, nosso interesse centrou-se em conhecer as etapas da efetivação dessa proposta, bem como seus resultados. Sendo assim, como foi apontado anteriomente, a investigação focou o Projeto Ensinar e Aprender, desenvolvido na escola Profa. Luiza Maria Bernardes Nory, localizada na cidade de Penápolis/SP e dessa experiência podemos considerar algumas evidências que indicam a real necessidade de se produzir mudanças dentro da escola, considerando-se principalmente as condições favoráveis para se conseguir o progresso do aluno e a chance de descobrir seu potencial.

Os resultados apontam também para aspectos relevantes dessa experiência, sob a perspectiva dos diferentes participantes, bem como para uma análise da adequação dos conteúdos trabalhados tendo em vista a continuidade dos estudos, especialmente sob ótica dos alunos.

Entretanto, Setúbal (2000), refletindo sobre a política de correção de fluxo voltada para o enfrentamento do fracasso escolar e a construção de uma escola democrática e inclusiva, destaca três interessantes considerações:



  • não é possível pensar as políticas educacionais descontextualizadas das realidades global, nacional e regional;

  • a modernização e a articulação do sistema educacional, com vistas a uma educação de qualidade para todos, exige do Estado uma atuação mais ágil e flexível, que possa contar com a contribuição mais efetiva de amplos segmentos da população, tanto na formulação como no acompanhamento das políticas públicas;

  • a escola como um espaço onde as relações entre o local, o nacional e o global, entre o cotidiano e o histórico, tornam-se possíveis, imprescindíveis;

Portanto, sob esse olhar, pode-se destacar que para a concretização de uma proposta pedagógica que caminha nessa direção, se faz necessário fortalecer as escolas como contextos ricos de aprendizagens, articulado com as diferentes faces de seu funcionamento tais como a constituição de um projeto educativo e democrático, suas relações com o meio social, econômico e cultural dos alunos, a organização do espaço-tempo, o currículo, as metodologias de ensino, as rotinas de trabalho, a avaliação, além das condições de trabalho e formação continuada dos professores.

A busca de dados – no caso dessa pesquisa – sobre os pontos positivos e negativos e sobre o fato de verificar se as aprendizagens foram significativas para a continuidade dos estudos, sob a perspectiva dos alunos, bem como o estudo sobre correção de fluxo se mostrou relevante porque é uma das formas de se conhecer como as políticas públicas são realizadas, compreendidas e avaliadas por seus principais atores – os professores e alunos.




Referência Bibliográfica

CHARLOT, B. Relação com o saber e com a escola entre estudantes de periferia. Caderno de Pesquisa, São Paulo, n. 97, maio de 1996, p.47-63.

NUTTI, J. Z. Professores e Especialistas diante do Fracasso Escolar: um estudo no cenário das Classes de Aceleração. Tese de Doutorado. PPGE. UFSCar, 2001;

SETÚBAL, M.A. Os Programas de correção de Fluxo no contexto das políticas educacionais contemporâneas. Em Aberto (Programa de Correção de Fluxo), Brasília, v.17, janeiro de 2000, p.9-19.

SAMPAIO, M. das M. F. Aceleração de Estudos: uma intervenção pedagógica. Em Aberto (Programa de Correção de Fluxo), Brasília, v.17, janeiro de 2000, p.57-73.

SÃO PAULO. Secretaria de Estado da Educação/Coordenadoria de


Estudos e Normas Pedagógicas. Ensinar e Aprender - Volume Impulso Inicial.
São Paulo: S/CENP, 2002




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