Cleice dalla nora



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Departamento de Ciências dos Alimentos

Bacharelado de Química dos Alimentos

Disciplina de Seminários



Erva-mate

Cleice Dalla Nora


Pelotas, 2008.



CLEICE DALLA NORA


ERVA-MATE
Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de Bacharelado em Química de Alimentos da Universidade Federal de Pelotas como requisito parcial da Disciplina de Seminários.
Orientadora: Josiane Freitas Chim

Pelotas, 2008.

DALLA NORA, Cleice. Erva-mate. 2008. 47f. Trabalho acadêmico. Bacharelado de Química de Alimentos. Universidade Federal de Pelotas.

RESUMO

A erva-mate (ilex paraguarienses) é uma planta pertencente a família aquifoleaceae. Possui folhas simples, flores e frutos. É típica da região subtropical da América do Sul, presente no sul do Brasil, norte da Argentina, Paraguai e Uruguai. Seu uso começou através dos indígenas que a tomavam na forma de uma infusão das folhas, costume que ainda é preservado, principalmente na região sul do Brasil, que é a maior consumidora. Além do chimarrão, a erva-mate pode ser bebida na forma de tererê, chá mate além de outras. Corantes e alimentos como sorvetes, gelatinas, chicletes podem conter extratos ou até mesmo a erva-mate. Trabalhos científicos têm revelado que a ingestão de produtos à base de erva-mate pode trazer inúmeros benefícios à saúde, como efeitos hipocolesterolêmico, hepatoprotetivo, estimulante do sistema nervoso central, diurético e antioxidante, mas a literatura científica também traz dados que mostram uma possível associação entre o consumo de bebidas à base de erva-mate e um risco mais elevado de desenvolver alguns tipos de câncer, assim como a comprovada contaminação da erva-mate com HPAs. Por ser um produto alimentar, no processo de preparação da erva-mate são dedicados cuidados para que não haja contaminação, depende deste ainda o rendimento industrial. O Paraná hoje é o principal estado produtor da erva-mate, seguido por Santa Catarina. As exportações do mate brasileiro cancheado e beneficiado destinam-se principalmente para o Uruguai e a Síria, sendo estes nossos principais mercados, sendo que a maioria da erva-mate ofertada provém do processo mecânico.


Palavras-chave: Erva-mate. Produtos. Benefícios. Riscos. Processo. Mercado.


Lista de Figuras
Figura 1 – Folhas da Erva-Mate.............................................................................. 14

Figura 2 – Flores da Erva-Mate............................................................................... 15

Figura 3 – Fruto da Erva-Mate................................................................................ 15

Figura 4 – Distribuição Geográfica da Erva-Mate................................................... 17

Figura 5 – Secadores de Esteira de Erva-Mate...................................................... 30

Figura 6 – Misturadores de Erva-Mate.................................................................... 31

Figura 7 - Fases do Beneficiamento da Erva-mate................................................. 32



Lista de Tabelas
Tabela 1 - Composição média em 100g gramas de erva-mate................................ 22

Tabela 2 - Composição mineral em 100 gramas de erva-mate................................ 22

Tabela 3 - Composição vitamínica em 100 gramas de erva-mate............................ 23

Tabela 4 - Características físico-químicas da erva-mate.......................................... 37



Tabela 5 - Características microscópicas da erva-mate........................................... 38




SUMÁRIO

1 Introdução.............................................................................................................. 08

2 Histórico da Erva-Mate.......................................................................................... 11

3 Características Botânicas da Erva-mate............................................................. 14

3.1 Descrição Botânica..............................................................,............................. 14

3.2 Aspectos Edáficos..............................................................................................16

3.3 Aspectos Climáticos...........................................................................................16

4 Ocorrência da Erva-Mate..................................................................................... 17

5 Aplicações da Erva-Mate...................................................................................... 18

5.1 O Chimarrão....................................................................................................... 19

6 Propriedades da Erva-Mate.................................................................................. 21

6.1 Propriedades Químicas..................................................................................... 21

6.2 Propriedades Terapêuticas.............................................................................. 25

6.3 Contra-Indicações............................................................................................. 26

7 Processamento da Erva-Mate............................................................................ 28

7.1 Fases para o Beneficiamento da Erva-Mate para o chimarrão.................... 28

7.1.1 Colheita........................................................................................................... 28

7.1.2 Sapeco............................................................................................................ 28

7.1.3 Secagem......................................................................................................... 29

7.1.4 Armazenamento............................................................................................. 30

7.1.5 Peneiramento................................................................................................. 30

7.1.6 Preparação do Chá Mate Tostado................................................................ 31

7.2 Erva-Mate in natura............................................................................... ........... 32

7.3 Rendimento Industrial............................................................................ ......... 32

8 Consumo e Exportação da Erva-Mate................................................................ 34

9 Legislação para a Erva-Mate............................................................................... 36

10 Conclusão........................................................................................................... 40

11 Referências......................................................................................................... 41

Anexos..................................................................................................................... 44

Anexo 1.................................................................................................................... 44

Anexo 2.................................................................................................................... 45

Anexo 3.................................................................................................................... 46



1 Introdução
A erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma árvore da família das Aquifoliaceaes, originária da região subtropical da América do Sul, presente no sul do Brasil, norte da Argentina, Paraguai e Uruguai, esta foi classificada pelo naturalista francês August de Saint Hillaire e, do mesmo modo publicada em 1822, nas memórias do Museu de História Natural de Paris. Sua denominação, quanto ao nome científico, Ilex paraguariensis, foi por considerá-la exatamente igual a erva do Paraguai (AMAZÔNIA, 2008; WIKPEDIA, 2008).

A árvore pode atingir 12 metros de altura, possui caule cinza, folhas ovais e fruto pequeno verde a vermelho-arroxeado, sendo as folhas da erva-mate aproveitadas na culinária, de várias formas.

O uso da erva-mate difundiu-se através dos indígenas das nações Guarani e Quíchua que tinham o hábito de beber infusões com suas folhas, para que pudessem cumprir jornadas árduas de trabalho. Hoje, este hábito continua popular, mas com sentido mais cerimonial, consumido como chá quente ou gelado ou como chimarrão principalmente no Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina e tererê especialmente Paraná e Mato Grosso do Sul e Paraguai, podendo ainda apresentar-se para vários fins.

A palavra mate deriva do quíchua ''mati'' que designa a cuia que é o recipiente onde o chá era bebido ou sorvido por um canudo (bomba). O hábito ainda hoje é muito popular em todo o sul da América do Sul, e no Brasil a bebida é popularmente chamada de Chimarrão.

Nomes populares dados a erva-mate incluem mate, erva, erva-mate, são erveira, erva-congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva-verdadeira, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-das-missões, chá-argentino, chá-do-brasil, mate-legítimo, chimarrão, tererê, erva-senhorita. Os índios também possuem um modo próprio de denominar a erva-mate: caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti.

No começo, as plantas nativas reproduziam-se por meio de pássaros da região que ingeriam o pequeno fruto e defecavam sua semente já escarificada. Atualmente existem viveiros que produzem mudas de variedades selecionadas, cujo plantio é feito com técnicas especiais em grandes hortos. Para facilitar a colheita anual dos ramos, a árvore é severamente podada para manter-se a não mais de 3 metros de altura. Dessa forma evitam-se plantas altas que dificultam a colheita das folhas jovens, consideradas nobres na infusão do chá mate.

Outra prática bastante popular no planalto curitibano, um habitat original da erva-mate, é conciliar o plantio da Araucária com o do mate. Técnicas como essa são comuns para um controle ambiental mais rígido, e para evitar o desgaste do solo, assim como fornecer um sombreamento, visto que, a plântula é muito sensível ao sol (WIKPEDIA, 2008).

Pesquisas revelam que a ingestão de produtos à base de erva-mate pode trazer inúmeros benefícios à saúde, como efeitos hipocolesterolêmico, hepatoprotetivo, estimulante do sistema nervoso central, diurético e antioxidante, mas a literatura científica também trás dados que mostram uma possível associação entre o consumo de bebidas à base de erva-mate e um risco mais elevado de desenvolver alguns tipos de câncer, assim como a comprovada contaminação da erva-mate com hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HPAs) (BALLUS, 2008).

Por ser um produto alimentar, no processo de preparação da erva-mate são dedicados cuidados para que não haja contaminação de qualquer fonte. O processo consiste de colheita, sapeco, secagem, armazenamento, peneiramento, preparação do chá-mate-tostado. Dependendo do processamento o rendimento industrial varia (EMBRAPA, 2008).

O Paraná hoje é o principal estado produtor da erva-mate, seguido por Santa Catarina. As exportações do mate brasileiro cancheado e beneficiado destinam-se principalmente para o Uruguai e a Síria, sendo estes nossos principais mercados, sendo que a maioria da erva-mate ofertada provém do processo mecânico, pois este tem se demonstrado mais vantajoso que o manual (BALDO, 2008).

O presente trabalho teve por objetivo estudar o referencial teórico sobre a planta Ilex paraguariensis, matéria-prima para bebida popular na região sul do Brasil (o chimarrão), bem como fornecer informações sobre riscos e benefícios da mesma ao nosso organismo.


2 Histórico da Erva-Mate
O uso desta planta como bebida tônica e estimulante já era conhecido pelos aborígines da América do Sul. Em túmulos pré-colombianos, perto de Lima no Peru, foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos e objetos, demonstrando o seu uso pelos incas e, na ocupação castelhana no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra (governante de 1592-1594), já se observava à utilização da erva mate pelos indígenas.

Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai (posteriormente nas missões) fundaram várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate já era difundido entre os índios guaranis, habitantes da região. Posteriormente observou-se que os indígenas brasileiros, que habitavam as margens do rio Paraná, utilizavam-se igualmente desta Aquifoliácea. Outras tribos não localizadas em regiões de ocorrência natural da essência possuíam o hábito de consumi-la, obtendo-a através de permuta. Estas tribos localizadas no Peru, Chile e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros.

Orientados pelos jesuítas, instalados na Companhia de Jesus do Paraguai (denominação dada no século XVII aos territórios das províncias do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os indígenas iniciaram as plantações de erva mate.

Concomitante a implantação de ervais, os jesuítas aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta, visto que as sementes caídas das erveiras não germinavam naturalmente. Os jesuítas definiram preceitos sobre época de colheita de sementes, do preparo e cultivo da erva mate.

Por mais de um século e meio (1610-1768), quando se deu a saída forçada da Companhia de Jesus, os jesuítas exploraram o comércio e a exportação do mate. O Padre Nicolós Durain observou que os índios tomavam o mate em água quente, muitas vezes, não podendo passar sem ele no trabalho pois era o único sustento.

As bandeiras paulistas, que de 1628 a 1632 percorreram as regiões de Guairá, regressaram trazendo índios guaranis prisioneiros, e com eles o hábito da bebida (AMAZÔNIA, 2008).





3 Características Botânicas da Erva-Mate
3.1 Descrição Botânica
A erva-mate pertence à ordem aquifoliales, família aquifoleaceae do gênero ilex e espécie ilex paraguarienses (AMAZÔNIA, 2008). A árvore da erva-mate é dióica de 4 a 15 m de altura, possui copa densa, tronco curto de 30 a 40 cm de diâmetro, com casca externa de coloração acinzentada. Suas folhas são simples, alternas, de margem crenada, medem de 8 a 10 cm de comprimento por 3 a 5 cm de largura. Possuem base aguda e ápice ligeiramente obtuso, pecíolo relativamente curto, medindo até 1,5 cm de comprimento, e um tanto retorcido (SINDIMATE, 2008). A folha inteira mede de 8 a 10 centímetros de comprimento por quatro ou cinco de largura conforme a Fig. 1 (AMAZÔNIA, 2008).

Figura 1 - Folhas da Erva-Mate. GOOGLE IMAGENS, 2008.

As flores são pequenas e dispostas na axila das folhas superiores (Fig. 2) (SINDIMATE, 2008). Em relação ao comportamento das flores, a erva mate é uma planta dióica, ou seja, têm ambos os sexos (AMAZÔNIA, 2008).

Figura 2 - Flores da Erva-Mate. GOOGLE IMAGENS, 2008.

O fruto é uma baga-dupla globosa muito pequena, medindo de 6 a 8 milímetros de diâmetro, cor vermelho-arroxeado em sua maturidade, conforme Fig.3. Possui 4 sementes pequenas, ásperas e duras. A floração ocorre de setembro a novembro e a frutificação de janeiro de março (SINDIMATE, 2008).



Figura 3 – Fruto da Erva-Mate. GOOGLE IMAGENS, 2008.

3.2 Aspectos Edáficos

A presença de erva-mate é mais freqüente em solos com baixo teor de nutrientes trocáveis e alumínio, por isso é considerada tolerante a solos de baixa fertilidade natural. A textura dos solos na região de ocorrência da erva mate é muito variável, preferindo os solos de texturas médias entre 15 e 35% de argila e argilosa acima de 35%, que mostram equilíbrio na presença de areia, silite e argila (AMAZÔNIA, 2008). Prefere solos medianamente profundos, não ocorrendo ou com ocorrência esparsa em solos rasos, pois estes contêm boa permeabilidade e fertilidade natural de média a alta (AMAZÔNIA, 2008). Solos com menos de um metro de profundidade ocasionam queda no rendimento da erva-mate, acentuada em períodos de déficit hídrico, e reduzem a vida útil das plantas. A cultura não suporta solos compactados e/ou encharcados (EMBRAPA, 2008). Com relação à umidade do solo, a erva-mate prefere os com mais permeabilidade, características dos solos de regiões em que o clima atuante é o clima temperado, denominado Cfb (AMAZÔNIA, 2008).


3.3 Aspectos Climáticos

Na distribuição da erva-mate, dois tipos climáticos são citados: Cfb (clima temperado), ou seja, temperado em estação seca, com temperaturas médias anuais de 15°-17 a 21° C e precipitações médias de 1200 a 1500 mm ao ano e Cfa (clima subtropical), que possui clima úmido, com variações de temperatura do mês mais quente superiores a 22°C com chuvas regulares e distribuídas ao longo do ano e com médias de precipitação em torno de 1500 a 2000 mm. As temperaturas médias anuais variam de 15 a 18ºC na região dos pinhais, e de 17 a 21ºC em Misiones, Argentina. As geadas são freqüentes ou pouco freqüentes, dependendo da altitude, que varia de 500 a 1500 m sobre o nível do mar (EMBRAPA, 2008).





4 Ocorrência da Erva-Mate

A área de dispersão natural de Ilex paraguariensis (erva-mate), abrange aproximadamente 540.000 km2, compreendendo territórios do Brasil, Argentina e Paraguai, podendo ocorrer, em pontos isolados, fora destes limites.


No Brasil a área de ocorrência é de 450.000 Km2 incluindo as regiões centro-norte do Rio Grande do Sul, quase todo o Estado de Santa Catarina, centro-sul e sudoeste do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e manchas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, representando cerca de 5% do território nacional. Ocorre também em regiões subtropicais e temperadas da América do Sul e corresponde a 3% da área. (EMBRAPA, 2008) conforme Fig. 4.

Figura 4 - Distribuição geográfica da erva-mate. EMBRAPA, 2008.



5 Aplicações da Erva-Mate
Entre 1994 e 1995, o consumo da erva mate na apresentação ready-to-drink cresceu 190% no mercado brasileiro.

Existe hoje uma infinidade de usos industriais identificados para a erva mate (BALDO, 2008). A matéria-prima é negociada com o segmento agroindustrial e destina-se às agroindústrias cancheadoras e indústrias cancheadoras e beneficiadoras do alimento erva-mate para chimarrão, tererê, chá mate e compostos diversos. O extrato de folhas, essências e concentrados de erva-mate (DE ALMEIDA, 2008), assim como, a clorofila, os óleos essenciais, a cafeína, os flavonóides e as saponinas podem se transformar em bebidas prontas para beber, como sucos que podem ser bebidos quentes ou gelados (misturada com suco de limão natural e bem gelado, torna-se uma bebida muito refrescante para os dias quentes), refrigerantes e repositores energéticos. A erva-mate ainda pode ser usada em alimentos como sorvetes, gelatinas, chicletes.

Além das tradicionais destinações da erva-mate, começa a crescer a utilização da erva na indústria química podendo ser utilizada como tintas (corantes) e resinas, medicamentos, desinfetantes, material esterilizante, elemento de reciclagem. Perfumes, desodorantes, cosméticos ou sabonetes, ampliam ainda mais as possibilidades de mercado para o produto, apesar de sofrer concorrência de outras matérias-primas.

Os resíduos como goma e pó são componentes básicos de jóias e bijuterias femininas.

Essas novas perspectivas de mercado exigem maiores investimentos em pesquisa, a fim de aprofundar o conhecimento técnico e científico sobre a erva mate e, ao mesmo tempo, evitar a pressão excessiva sobre os ervais nativos, na busca de aumento de produção e produtividade (BALDO, 2008; PARQUE HISTÓRICO DOMATE, 2008).

5.1 O Chimarrão
É o principal produto à base de erva-mate (WIKPEDIA, 2008), estimando-se que 90% do consumo da erva-mate é dado nessa forma, sendo ele, então, responsável pela sustentabilidade do setor ervateiro. O chimarrão é uma bebida característica da cultura do sul da América do Sul, um hábito legado pelas culturas indígenas (quíchua, aymará e guarani). Ainda hoje é hábito fortemente arraigado no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul (principalmente), Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Rondônia, parte da Bolívia e Chile e em todo o Paraguai, Uruguai e Argentina.

A acepção ''mate'' provém da língua espanhola e é utilizada popularmente no Rio Grande do Sul paralelamente com o termo "chimarrão", que deriva do espanhol ''cimarrón''.

O chimarrão é composto por cuia, bomba, erva-mate e água, geralmente servida quente em forma de uma infusão. Tem gosto que mistura doce e amargo, dependendo da qualidade da erva-mate, que, pronta para o uso, consiste em folhas e ramos finos (menos de 1,5 mm) secos e triturados, passados em peneira grossa, de cor verde, havendo uma grande variedade de tipos, uns mais finos outros mais encorpados, vendidos a diversos preços.

Um aparato fundamental para o chimarrão é a cuia, vasilha feita do fruto da cuieira, que pode ser simples ou ornada com metais, com a largura de uma caneca e altura de um copo fundo, no formato de um seio de mulher. Há quem tome chimarrão em outros recipientes, mas a prática é geralmente mal vista.

Indispensável, ainda, é o talher: a bomba, um canudo de cerca de 6 a 9 milímetros de diâmetro, normalmente feito em prata e muitas vezes ornado com pedras preciosas, de cerca de 25 centímetros de comprimento em cuja extremidade inferior há uma pequena peneira do tamanho de uma moeda e na extremidade superior uma piteira, muitas vezes executada em ouro.

O chimarrão pode servir como "bebida comunitária", apesar de que alguns o tomem durante todo o dia, mesmo a sós. Embora seja cotidiano o consumo doméstico, principalmente quando à família se reúne, é quase obrigatório quando chegam visitas ou hóspedes que o chimarrão seja servido, assumindo um ar mais cerimonial, embora sem os rigores.

A água não pode estar em estado fervente, pois isso queima a erva e modifica seu gosto. Deve apenas esquentar o suficiente para "chiar" na chaleira. Enquanto a água esquenta, o dono (ou dona) da casa prepara o chimarrão. Há quem diga que isto acaba estabelecendo a hierarquia social dos presentes, mas é unânime o entendimento de que tomar chimarrão é um ato amistoso e agregador entre os que o fazem. Enquanto você passa o chimarrão para a próxima pessoa bebê-lo, ele vai ficando melhor. Isso é interpretado poeticamente como você desejar algo de bom para a pessoa ao lado e, conseqüentemente, às outras, que também irão beber o chimarrão.

Nesse cenário, o preparador é quem é visto mais altruisticamente. Além de prepará-lo para outras pessoas poderem apreciá-lo, é o primeiro a beber, em sinal de educação, já que o primeiro chimarrão é o pior. Também é de praxe o preparador encher novamente a cuia com água quente (sobre a mesma erva-mate) antes de passar cuia para as mãos de outra pessoa (ou da pessoa mais proeminente presente), que depois de sugar toda a água, deve também renovar a água antes de passar a cuia ao próximo presente.

Não deve esquecer de tomar o chimarrão totalmente, fazendo a "cuia roncar". Pelos costumes, se considera uma situação desagradável quando o chimarrão é passado adiante sem fazer roncá-lo (WIKPEDIA, 2008).




6. Propriedades da Erva-Mate
6.1 Propriedades Químicas
A Ilex paraguariensis pode ser apreciada sob o aspecto químico bromatológico ou como matéria-prima de vários subprodutos. Como foi visto os indígenas a utilizavam por conhecerem suas virtudes (aumentar resistência à fadiga, reduzir a sede e fome).

Os estudos quanto às propriedades químicas relativas à erva mate iniciou-se em 1836, constatando a presença de diversas substâncias resinosas, matéria corante amarela, ácido tânico, etc. A identificação do principal alcalóide, a cafeína, ocorreu em 1843. Em 1848 foi descoberto o ácido do mate, o ácido café-tânico, já conhecido das sementes do café.

Em 1944, foram identificados como constituintes da erva mate os seguintes compostos: água, celulose, gomas, dextrina, mucilagem, glicose, pentose, substâncias graxas, resina aromática (formada por uma mistura de oleína, palmitina, lauro-estearina e um óleo cujas características muito se aproximam da cumarina), legumina, albumina, cafeína, teofilina, cafearina, cafamarina, ácido matetânico, ácido fólico, ácido caféico, ácido virídico, clorofila, colesterina e óleo essencial.

Nas cinzas encontram-se grandes quantidades de potássio, lítio, ácidos fólicos, sulfúrico, carbônico, clorídrico e cítrico, além de magnésio, manganês, ferro, alumínio e traços de arsênico (GEOCITIES, 2008).



A cafeína, teofilina e teobromina são alcalóides, estreitamente relacionados, encontrados na erva mate e são os compostos mais interessantes sob o ponto de vista terapêutico. O teor de cafeína na erva atinge em média 1,60% enquanto que nas infusões o valor médio é de 1,10% (UCS, 2008). As tabelas 1, 2 e 3 apresentam dados da composição centesimal média, de minerais e vitamina em 100 gramas de erva-mate.
Tabela 1 - Composição centesimal média da erva-mate

Composição Média (100 gramas)

Valor médio (g)

Umidade

8,17

Proteínas

10,89

Amido


4,55

Glicose


3,84

Fibras


16,86

Carboidratos

12,04

Fonte: UCS, 2008.
Tabela 2 – Conteúdo de minerais em 100 gramas de erva-mate

Composição Média (100 gramas)

Valor médio (g)

Cinzas


6,91

Cloro


0,116

Enxofre


0,125

Fósforo


0,120

Cálcio

0,668

Magnésio

0,337

Potássio

1,35

Sódio

0,003

Ferro


59,900

Cobre

1,260

Manganês

133,180

Fonte: UCS, 2008.
Tabela 3 - Composição vitamínica da erva-mate.

Composição média (100gramas)


Valor médio (g)

Vitamina A

2,095

Tiamina (vitamina B)

222,7

Riboflavina (vitamina B2)


404,3

Ácido Ascórbico (vitamina C)


11,90

Fonte: UCS, 2008.
Os principais componentes da erva-mate podem ser associados nos seguintes grupos:

Polifenóis – os flavonóides constituem 20-30% da composição da erva mate, são solúveis em água, incolores. Responsáveis pelo gosto adstringente do mate. Sabe-se que a qualidade da erva mate beneficiada é positivamente correlacionada com a concentração de flavonóides; quando este é alto confere excelentes características químicas à erva mate. Os principais flavonóides encontrados na erva mate são a rutina, a quercetina-3 e o canferol-3-rutinosídeo.

Alcalóides: cafeína, teofilina e teobromina são os três alcalóides estreitamente relacionados encontrados na erva mate. São os compostos mais interessantes sob o ponto de vista terapêutico. A riqueza em alcalóides varia com a idade da planta, sendo que quanto maior ela for menor será o conteúdo dessas substâncias.

Taninos: a presença de substâncias tânicas confere adstringência (aroma) da erva mate. Esses compostos são conhecidos desde o final do século. Pode-se encontrar: ácido clorogênico, ácido 3,4 dicafeoilquínico, ácido 3,5 dicafeoilquínico, ácido 4,5 dicafeoilquínico, ácido 3-cafeoilquínico, ácido 4-cafeoilquínico, e ácido 5-cafeoilquínico.

Aminoácidos: os aminoácidos que podem aparecer na erva mate são o ácido aspártico, ácido glutâmico, glicina, alanina, triptofano, cistina, arginina, histidia, lisina, tirosina, valina, leucina, isoleucina, treonina, metionina e asparagina.

Vitaminas: a erva-mate apresenta a vitamina C (ácido ascórbico), a vitamina B1 (tiamina), a vitamina B2 (riboflavina), o ácido nicotínico, a vitamina A, o ácido fólico, e também derivados do ácido pantotênico. Os teores vitamínicos dosados na infusão ficam reduzidos, na melhor das hipóteses, a cerca de 1/30, quando comparado com a erva mate, que não é a porção comestível do produto.

Componentes voláteis estão presentes no óleo volátil, cujo teor já foi relatado por extração pelo método Peckolt, em quantidades reduzidas (0,001 a 0,005%), apresentam coloração amarelada, e tem um cheiro agradável, que traduz o aroma característico do mate. Como constituintes do óleo volátil podemos citar: ácidos graxos, ácido fórmico, ácido acético, ácido propiônico, ácido butírico, ácido valeriânico e ácido capróico. Um total de 196 componentes voláteis foi identificado no óleo volátil, sendo que muitos provavelmente são resultantes da degradação térmica dos carotenóides, ácidos graxos, degradação hidrolítica, ou formados pela reação de Maillard, durante os processos de secagem e torrefação.

Componentes minerais: as concentrações de minerais são específicas não somente para a espécie, idade e tecido, mas dependem também do ambiente. Diversos fatores controlam o teor de minerais nos vegetais, principalmente o genético.

Saponinas: são substâncias glicosídeas com a propriedade de provocar, em soluções aquosas, a formação de espumas. Devido à redução da tensão superficial, apresentam ação detergente e emulsificante. São responsáveis  pelo índice de amargor e de espuma da erva-mate.

Clorofila: é responsável pela coloração da erva-mate durante seu processamento.

Carotenóides: constituem apenas 0,03 a 0,06% da erva-mate, mas são importantes na formação do aroma. Estes compostos incluem: caroteno, luteína, zeaxantina, violaxantina e outros.

Lipídios: a presença de ácidos graxos insaturados derivados dos fosfolípidios é significativa na geração do aroma da erva mate. Os principais ácidos graxos são os ácidos palmítico, oléico, linoléico, esteárico, araquídico e palmitoléico. Pode ser também identificada uma resina aromática no produto, formada por uma mistura de oleína, palmitina, lauro-estearina, e de um óleo cujas características muito se aproximam da cumarina.

Além destes componentes citados à cima ainda podem estar na erva-mate ácidos Orgânicos, proteínas, celulose, lignina e enzimas (GEOCITIES, 2008).
6.2 Propriedades Terapêuticas
Nos últimos anos diversos trabalhos científicos têm revelado que a ingestão de produtos à base de erva-mate pode trazer inúmeros benefícios à saúde, pois sua composição identifica diversas propriedades nutritivas, fisiológicas e medicinais conferindo um grande potencial de aproveitamento. Efeitos hipocolesterolêmico, hepatoprotetivo, estimulante do sistema nervoso central, diurético e antioxidante, já foram reportados, além de benefícios ao sistema cardiovascular e proteção contra a oxidação do DNA. Esse fato se deve principalmente aos fitoquímicos presentes na erva-mate.

Os polifenóis presentes, por exemplo, podem chegar a uma concentração de 92 mg equivalentes de ácido clorogênico por grama de folhas secas, concentração alta que mostrou uma correlação com a capacidade antioxidante total do extrato.

As xantinas presentes na erva-mate são a teofilina, teobromina, cafeína. Essa última é encontrada em maior quantidade (1% a 2% em peso seco). Em relação à ingestão de cafeína, obteve-se uma concentração de 78 mg de cafeína para uma xícara de chá mate, sendo que no método tradicional (chimarrão) a ingestão pode atingir 260 mg ou mais de cafeína. As xantinas são responsáveis pelo poder estimulante da atividade física e mental, beneficiando nervos e músculos conferindo-lhe maior capacidade de resistência a fadiga, melhorando a circulação. Observa-se também que o poder estimulante do mate é mais prolongado que o do café, sem deixar efeitos colaterais ou residuais como a insônia e irritabilidade.

Outra classe de compostos encontrada na erva-mate refere-se aos derivados cafeoil, que incluem o ácido caféico, ácido clorogênico, ácido 3,4-dicafeoilquinico e ácido 4,5-dicafeoilquínico. Esses derivados cafeoil são constituintes primários no que e refere à capacidade antioxidante da erva-mate. A alta concentração desses compostos faz com que erva-mate tenha uma capacidade antioxidante elevada.

As saponinas são compostos amargos e altamente solúveis em água, encontrados em muitos tipos de plantas, e acredita-se que sejam uns dos fatores que atribuem para o flavor diferenciado das bebidas à base de erva-mate. Além disso, as saponinas também possuem propriedades antiinflamatórias e hipocolesterolêmicas. As saponinas já identificadas da erva-mate receberam o nome de matesaponinas 1,2,3,4 e 5.

A erva-mate é rica em ácido pantotênico (vitamina B5), encontrado em menor escala na tão propalada geléia real das abelhas, muito procurada pelas características medicinais que possui.

A erva-mate contém altas proporções de vitamina E, efetiva na regulação das funções sexuais, além de ser um elemento indispensável para a pele.

As análises feitas com as folhas de erva-mate mostram que esta planta possui vitaminas, aparecendo em maior escala as do complexo B; possui também cálcio, magnésio, sódio, ferro e flúor, minerais indispensáveis à vida.

O emprego da infusão aumenta as forças musculares, desenvolve as faculdades mentais, tonifica o sistema nervoso, regulariza e regenera as funções do coração e respiração, facilita a digestão e determina uma sensação de bem estar e vigor no organismo, sem acarretar depressões ou qualquer efeito colateral no organismo, como a insônia, palpitações ou agitações nervosas provocadas por outras bebidas similares, permite como bom alimento (natural) que sejam suportadas as fadigas e a fome (BALLUS, 2008; ERVA-MATE, 2008).
6.3 Contra-Indicações
Segundo Ballus (2008), a literatura científica também traz dados que mostram uma possível associação entre o consumo de bebidas à base de erva-mate e um risco mais elevado de desenvolver alguns tipos de câncer, como o oral, de esôfago, de laringe e de bexiga. Embora não existam evidências conclusivas quanto a esse fato, a comprovada contaminação da erva-mate com hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) pode sugerir uma explicação plausível para as taxas elevadas de câncer entre apreciadores de bebidas à base de erva-mate. Os HPAs são compostos formados pela combustão incompleta de material orgânico, e possuem comprovado potencial carcinogênico em animais experimentais. No caso da erva-mate, eles provêm das etapas de processamento, visto que a mesma é comumente secada sobre o fogo e a fumaça produzida pela queima da madeira entra em contato co as folhas da erva-mate, carregando consigo os HPAs. Além disso, outra possibilidade foi levantada por estudos que mostraram que à ingestão de bebidas muito quentes aumenta o risco de câncer oral em 2 a 4 vezes. Assim, o risco de câncer seria resultado da injúria térmica.

A elevada contaminação, tanto da erva propriamente dita como do chimarrão, pode ser demonstrada, tendo em vista a utilização da madeira como fonte de calor durante os processamentos de sapecagem e secagem, e sugere em trabalho que a utilização de gás liquefeito de petróleo, em substituição à madeira, pois este mostrou contribuir para a minimização da contaminação, em teores abaixo dos limites permitidos pela legislação de outros países (NOLL, 2008).




7 Processamento da erva-mate
7.1 Fases para o beneficiamento da erva-mate para Chimarrão

Considerando-se que o chimarrão é um produto alimentar, temos que dedicar a ele todos os cuidados para que não se contamine a erva-mate. Devem-se ainda evitar sujidades, sejam elas da colheita ou por insetos. Enfim, deve-se cuidar da higiene em todo o processo de preparação que consiste de colheita, sapeco, secagem, armazenamento, peneiramento, preparação do chá-mate-tostado. A depender do processamento o rendimento industrial pode variar (EMBRAPA, 2008).


7.1.1 Colheita
O Corte é feito a partir de março até agosto, época em que a diminuição do calor retarda o movimento da seiva; os galhos da árvore são cortados e empilhados no local onde será feita à preparação (BALDO, 2008).
7.1.2 Sapeco
É o processo em que as folhas recebem um choque térmico, através de chama direta, onde ocorre a inativação das enzimas oxidantes, ou seja, aquelas que tornam as folhas enegrecidas (EMBRAPA, 2008).

O mate entra em fermentação espontânea devido às enzimas oxidase e peroxidase nele presentes. A erva comercial é preparada de modo a se evitar a fermentação das folhas mediante flambagem das mesmas logo após o colhimento


A peroxidase é o catalisador essencial dos sistemas de oxidação dos vegetais. Ela torna a oxidase capaz de oxidar as substâncias fenólicas. Assim, as duas enzimas só são úteis juntas. Com um correto processamento da erva, obtém-se um produto de propriedades nutritivas e terapêuticas superiores, considerando-se as enzimas nele contidas, porém, as propriedades gustativas do mate são alteradas (ESMELINDRO, et al, 2002).

Nesse processo além da pré-secagem ocorre o fracionamento inicial da erva-mate e inicia no máximo 24 horas após a colheita, pois a folha, após ser retirada da planta, continua consumindo oxigênio e açúcar.

A erva-mate tem grande capacidade de adquirir os odores das madeiras utilizadas no sapecador, portanto essa fase é um ponto crítico para a boa qualidade da erva, sendo o foguista, o ponto crucial e não a lenha, pois uma lenha seca ou verde pode fazer um fogo adequado. Um mal sapeco pode dar origem a produtos cancerígenos originários da má combustão (EMBRAPA, 2008).
7.1.3 Secagem
O processo de secagem é aquele através do qual, por fogo indireto, se retira o restante da umidade do produto obtendo-se a erva-mate triturada e seca que é denominada de erva-mate cancheada, na maioria das vezes a erva-mate entra diretamente em contato com a fumaça, exceto em sistemas de secagem mais modernos. Durante esse processo a erva-mate folha sofre uma desidratação que ocasiona uma perda de peso da ordem de 60%. O processo de secagem da erva-mate pode ser lento ou rápido, sendo lento utilizam-se, atualmente, secadores de esteira (Fig. 5) em substituição aos antigos barbaquás e carijos. O secador de esteira apesar de se basear no conceito do barbaquá diferencia-se por ter uma estrutura mais mecanizada com sensíveis reduções de mão-de-obra. Para secagem rápida são utilizados secadores automáticos (EMBRAPA, 2008).

Figura 5 - Secadores de esteira.

Fonte: GOOGLE IMAGENS. Secadores de esteira de erva-mate, 2008.
7.1.4 Armazenamento
Normalmente, para o mercado interno, a erva-mate é embalada e comercializada de imediato, garantindo assim a coloração verde tão apreciada pela maioria do mercado. Todavia, o produto destinado à exportação na maioria dos casos sofre um armazenamento por período longo, onde a erva é cancheada, embalada em sacos, em depósito por um período mínimo de 6 meses e nunca superior a dois anos. Neste período há uma transformação no produto que se torna de cor amarelada que é apreciada pelo mercado externo (EMBRAPA, 2008).
7.1.5 Peneiramento
O processo de cancheamento da erva-mate é feito através de soques (cochos e estoques) ou por cancheadores mecânicos. Após seu cancheamento, a erva-mate tem sua umidade retificada e sofre uma limpeza por meio de peneiras, ventiladores, filtros e coletores de pó, dando origem aos seguintes subprodutos: pó, goma, folha, talos, palitos. A erva, separada por peneiras, nos diferentes tamanhos, segue para diferentes depósitos, dos quais são retiradas as quantidades necessárias para composição das misturas (tipos comerciais), nos misturadores (Fig. 6) (transportadores em forma de hélice). A seguir, deposita-se a erva-mate padronizada em uma tulha em linha com a empacotadora que faz a pesagem automática e encaminha os pacotes para a colagem e enfardamento (EMBRAPA, 2008).

Figura 6 - Misturadores de erva-mate.

Fonte: GOOGLE IMAGENS. Misturadores de erva-mate, 2008.
7.1.6 Preparação do chá mate tostado
A erva-mate padronizada para ser tostada passa por um sistema de forno com fogo indireto semelhante ao que se usa para torrefação de café, para então dar origem ao chá mate tostado. Após tostado o mate passa por um processo de extração, por água quente e vapor sob pressão, em colunas extratoras, onde são retirados os sólidos solúveis. O líquido extraído (extrato) é adoçado transformando-se em xarope. O extrato é desidratado em contato com ar quente transformando-se em mate solúvel (EMBRAPA, 2008).

Na figura 7 ilustra-se um fluxograma das fases para o beneficiamento da erva-mate para chimarrão.


Colheita → corte

Sapeco→ chama direta→ fermentação



↓ pré-secagem+fracionamento



Secagem→ fogo indireto → erva-mate cancheada



↓ Secadores de esteira

Armazenamento→ cancheada → embalada em sacos



Peneiramento→ diferentes tamanhos→ misturada→ padronizada

↓ Cancheadores mecânicos

Preparação do chá mate tostado→ tostada→ extração



xarope
Fig. 7 - Fases para o beneficiamento da Erva-Mate para Chimarrão.

Fonte: Própria autora, 2008.
7.2 Erva-mate “in-natura''
No processo “in natura”, a erva-mate é constituída por folhas e ramos obtidos pela poda da erveira não podendo ser artificialmente colorida, esgotada no todo ou em parte, alterada, adicionada de ingredientes e misturada com outros vegetais. A folha é formada pelo limbo e pecíolo, os quais resultam, após o processo industrial, em fragmentos, goma e pó. Os ramos são cada uma das divisões e subdivisões do galho (BALDO, 2008).


7.3 Rendimento Industrial
Normalmente, após todas as operações de pós-colheita a erva-mate sofre uma redução em seu peso. O rendimento varia conforme o solo, a região, a idade da planta, o estado de maturação das folhas, condições do processo e, principalmente, conforme as técnicas de manejo do erval. Nos ervais plantados, a erveira adulta atinge mais de 4 metros de altura e um diâmetro máximo de copa de 3 metros. Isso contribui com um alto rendimento ao corte. A produtividade média das árvores estabiliza-se aos 10-12 anos, sendo a média em torno de 15  a 20 quilos (uma arroba) por árvore. Erveiras nativas de maior porte, chegam a dar de 80 a 180 quilos (6 a 12 arrobas) de matéria verde por árvore, em podas a cada 3 anos. O rendimento em erva-seca é ao redor de 40% da colheita da erva verde (AMBIENTE BRASIL, 2008; EMBRAPA, 2008).




8 Consumo e Exportação da Erva-Mate
Até o início da Primeira Guerra Mundial, o mate manteve-se como uma das economias do Paraná, com mais de 90 engenhos destinados ao beneficiamento da erva-mate, que era exportada para o mercado platino. Após, o mercado da erva-mate foi superado pelo da madeira que assumiu a condição de principal produto comercializado no Estado.

Os principais consumidores internos do mate brasileiro são os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante a década de 1970, o Rio Grande do Sul apresentava-se como o principal estado produtor do mate brasileiro. A partir dos anos 70 o Paraná aumenta sua participação na produção nacional, sendo hoje o principal estado produtor, seguido por Santa Catarina (PARQUE HISTÓRICO DO MATE, 2008).

O setor ervateiro gaúcho destina sua produção industrial ao maior mercado consumidor de chimarrão brasileiro que é o Rio Grande do Sul, com cerca de 90%. Atualmente, a erva-mate gaúcha encontra-se em alguns nichos de mercado no nordeste brasileiro, bastante tímido diante da potencialidade de mercado existente. O fluxo de comercialização de erva-mate folha verde no Estado do Paraná, principal produtor brasileiro em volume e qualidade, além de atender empresas ervateiras do próprio estado, atende o estado do Rio Grande do Sul, fornece, ainda, matéria-prima ao segmento industrial ervateiro exportador, cuja participação percentual está em torno de 25%. Em 2005 foram exportadas em torno de 31.000 toneladas da mercadoria mate. Os valores somaram a importância de US$ 25 milhões, do qual 92% destinam-se ao Uruguai, principal parceiro comercial brasileiro (DE ALMEIDA, 2008).

As exportações do mate brasileiro cancheado e beneficiado destinam-se principalmente para o Uruguai e a Síria, sendo estes nossos principais mercados. A erva-mate é exportada cancheada, beneficiada, solúvel e em extrato/essência/concentrado.

A maioria da erva-mate ofertada hoje provém do processo mecânico, onde todas as operações são efetuadas automaticamente e em pouquíssimo tempo, desde o sapeco até o empacotamento do produto. O processo manual vem sendo abandonado gradativamente, pois par o pequeno produtor conseguir atingir as vantagens do processo mecânico, o sistema de cooperativa é o meio mais viável, uma vez que diminui o preço das instalações fazendo-se o cancheamento mecânico em conjunto.

A erva-mate é submetida a normas legais para o processamento industrial, desde a área produtiva até atingir o consumidor final. São estabelecidas pelo Governo Federal, através do Ministério da Saúde e do IBAMA e pelo Governo do Estado do Paraná, através da Secretaria da Saúde e da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A portaria nº 118, de 12 de novembro de 1992, do IBAMA regulariza a exploração e a comercialização da erva-mate. A exploração da erva-mate deve seguir técnicas que visem aumentar a produção de folhas e diminuir os danos aos ervais. Acerca da comercialização (bruta, semi-elaborada ou beneficiada), a portaria estabelece os seguintes tipos e padrões: bruta verde, cancheada não padronizada, cancheada padronizada, cancheada padronizada semi-elaborada e beneficiada (chimarrão ou chá).

A erva-mate destinada ao mercado interno deve apresentar na embalagem a identificação do fabricante, o número de registro no IBAMA e a menção do nome, tipo e padrão do produto, já a destinada ao mercado externo deve obedecer, além da legislação nacional, àquela relativa às relações comerciais internacionais.

As pessoas físicas ou jurídicas envolvidas no beneficiamento e/ou comercialização da erva-mate são obrigadas a fornecer ao IBAMA anualmente, até 15 de fevereiro, informações sobre o consumo e produção (PARQUE HISTÓRICO DO MATE, 2008).




9 Legislação para a Erva-Mate
Segundo a Secretária de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério da Saúde a Portaria nº 234, de 25 de março de 1998 revogada pela Resolução - RDC nº 303, de 07/11/2002 infere que o produto será designado Erva-Mate ou Mate, seguido de sua classificação quanto à sua forma de apresentação, tecnologia de obtenção e forma de preparo sendo classificada em Chimarrão quando a erva-mate cancheada e padronizada é moída e preparada para consumo com água quente. Ao referir-se à porcentagem de folhas, será padronizada em:

Padrão Nacional 1 (PN-1), quando no processamento a erva-mate é passada na peneira de malha de 10mm, resultando no mínimo em 70% de folhas e no máximo em 30% de outras partes do ramo.

Padrão Nacional 2 (PN-2), quando no processamento a erva-mate é passada na peneira de malha de 10mm, resultando no mínimo em 60% de folhas e no máximo em 40% de outras partes do ramo.

Padrão Nacional 3 (PN-3), quando no processamento a erva-mate é passada na peneira de malha de 10mm, resultando no mínimo em 50% de folhas e no máximo em 50% de outras partes do ramo.

Nas características gerais de composição e qualidade para a erva-mate chimarrão tem-se que a erva-mate é constituída pelas folhas e outras partes do ramo, adequadamente dessecados, ligeiramente tostados ou não, partidos ou moídos. A erva-mate não pode ser artificialmente colorida, esgotada no todo ou em parte, alterada, adicionada de ingredientes e misturada com outros vegetais.

Quanto às características sensoriais, seu aspecto deve ter folhas e outras partes do ramo fragmentadas e secas. Deve ter cor verde e seus matizes a amarelo pardo, com odor e sabor próprios. As características físico-químicas encontram-se abaixo na tabela 4.


Tabela 4 - Características físico-químicas da erva-mate

Características físico-químicas

Quantidade

Umidade

Máximo 10g/100g

Resíduo mineral fixo

Máximo 7g/100g

Resíduo mineral fixo insolúvel em solução de

ácido clorídrico a 10%v/v

Máximo 1,0g/100g

Extrato aquoso

Mínimo 25g/100g

Cafeína

Mínimo 0,5g/100g

Fonte: RDC nº 303, de 07/11/2002, ANVISA.
Suas características microbiológicas seguem a mesma resolução a qual define que para chimarrão, utilizar-se-á as características microbiológicas definidas para produtos a serem consumidos após o emprego do calor.

As suas características microscópicas também são expressas em quadro segundo a mesma Resolução - RDC nº 303, de 07/11/2002, dada pela ANVISA.


Tabela 5 - Características microscópicas da erva-mate

Características microscópicas

Quantidade

Fragmentos de insetos próprios da cultura

Máximo10/10g

Fragmentos de outros insetos

Ausência em 10g

Insetos e ácaros inteiros, vivos ou mortos

Ausência em 200g

Excrementos de animais

Ausência em 10g

Pêlos de animais

Ausência em 10g

Elementos histológicos estranhos

Ausência em 5g

Sujidades pesadas

Máximo 150mg/10g

Cristais de açúcar e de similares

Ausência em 10g

Cristais de açúcar e de similares

Ausência em 10g

Fonte: RDC nº 303, de 07/11/2002, ANVISA.

Quanto à aditivos intencionais, ingredientes e coadjuvantes de tecnologia não será permitido o uso no produto erva-Mate. Tratando-se de contaminantes orgânicos e inorgânicos estes também não devem estar presentes em quantidades superiores aos limites estabelecidos pela legislação específica em vigor.

A erva-mate deverá ser produzida, manipulada, processada, acondicionada, armazenada, conservada e transportada conforme as Boas Práticas de Fabricação, atendendo a legislação específica em vigor. Para acondicioná-la devem ser usadas embalagens adequadas para transporte, armazenamento e comercialização conferindo ao produto a proteção adequada. Fica proibida a exposição à venda e a comercialização do produto a granel ao consumidor final.

Seus pesos e medidas devem assim como a rotulagem deve estar de acordo com a legislação específica em vigor. Além disto para a rotulagem, deve ainda constar, obrigatoriamente: o padrão nacional da Erva-Mate seguido da expressão "MÍNIMO EM... DE FOLHAS E MÁXIMO EM... DE OUTRAS PARTES DO RAMO", com os seus respectivos valores percentuais, no painel frontal; nome científico da erva-mate; instrução de preparo de forma clara e legível; não será permitida qualquer informação que atribua indicações medicamentosas e/ou terapêuticas, de forma direta ou indireta.

A Resolução - RDC Nº 302, DE 07 de novembro de 2002, complementa a legislação citada à cima ao estabelecer que para a higiene, os produtos devem ser processados, manipulados, acondicionados, armazenados, conservados e transportados conforme as Boas Práticas de Fabricação, atendendo a legislação específica, obedecendo ainda, conforme a legislação específica, as características macroscópicas, as características microscópicas, as características microbiológicas, utilizando as características definidas para produtos a serem consumidos após a adição de líquido com emprego de calor, quando as instruções de preparo indicarem o uso exclusivo de água quente.  




10 Conclusão
Maiores investimentos em pesquisa, quanto as novas perspectivas de mercado, são precisos a fim de aprofundar o conhecimento técnico e científico sobre a erva mate e, ao mesmo tempo, evitar a pressão excessiva sobre os ervais nativos, na busca de aumento de produção e produtividade.

A erva-mate, a qual é tão apreciada e bebida por tanto tempo pelos gaúchos, na forma de um chimarrão, esta se revelando uma fonte de compostos bioativos que beneficiam a saúde de quem ingere, podendo inclusive se tornar uma fonte de extração desses compostos, para diversas aplicações, como medicamentos ou mesmo suplementos dietéticos. Mas, é de fundamental importância encontrar uma solução adequada no que se refere à contaminação por HPAs durante o processamento, através de estudos que possam desenvolver alterações nas etapas críticas, impedindo que a erva-mate seja uma fonte de carcinógenos. Além disso, consumidores devem estar atentos aos riscos de usar uma água com temperatura excessivamente elevada para o preparo do chimarrão. Dessa forma, este hábito irá contribuir também para um estilo de vida mais saudável, fornecendo fitoquímicos bioativos capazes de atuar na prevenção de inúmeras patologias que reduzem expectativa de vida da população.




11 Referências
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BALDO. O mate e as novas técnicas. Disponível em: <http://www.baldo.com.br/br/historia.html> Acesso em: 04/06/2008.
BALDO. Usos da erva-mate. Disponível em: <http://www.baldo.com.br/br/ciencia.htm>. Acesso em: 24/03/2008.
BALLUS, C. A. Erva-mate: uma importante fonte de compostos bioativos. Informativo Conselho Regional de Química, Porto Alegre, n. 106, p.6-7, fev. 2008.
BRASIL. Resolução - RDC nº 302, de 07 de novembro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento técnico para a fixação de identidade e qualidade do composto de erva-mate.
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DE ALMEIDA, N. G. Secretaria de estado da agricultura e do abastecimento – Departamento de economia rural. Erva-mate: Tendência de mercado – safra 2006. Disponível em: <http://celepar7cta.pr.gov.br/SEAB/deral.nsf/fef9bc43c12d0fe8032566c1006ce9e5/34e4791728ece2be8325717000708913/$FILE/ERVA%20tendencia%20mercado%202006.pdf.>. Acesso em: 20/05/2008
EMBRAPA-CNPTIA. Sistemas de produção. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br>. Acesso em: 04/03/2008.
ERVA-MATE. Benefícios da erva-mate. Disponível em: <http://www.erva-mate.com/beneficios_da_erva_mate.htm>. Acesso em: 12/05/2008.
ESMELINDRO, M. C.; TONIAZZO, G.; WACZUK, A.; DARIVA, C.; DE OLIVEIRA, D. Caracterização físico-química da erva mate: influência das etapas do processamento industrial. Ciência e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v.22, n.2, p.199-204, maio/ago. 2002.
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