CÂncer e psicossomática



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MONOGRAFIA - PSICOSSOMÁTICA

IBEHE – Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos

FACIS – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo

Curso de Especialização em Psicossomática




CÂNCER E PSICOSSOMÁTICA
Seminário apresentado no

Curso de Especialização em Psicossomática – Turma 182

Orientado pelo Prof. Anderson Zenidarci

Ângela Carero

Margarete Rocha

Maria de Lourdes Barbosa de Arruda

Maria Emilia Cardoso Gadelha

SÃO PAULO

Dezembro 2001

ÍNDICE


1 Introdução 4

2 Histórico 5

3 Considerações básicas 7

3.1 Anatomofisiologia 7

3.2 Psiconeuroendrocrinoimunologia 11

3.3 Etiologia 20



3.3.1 Herança genética 21

3.3.2 Fatores ambientais 22

3.3.3 Fatores psíquicos e sociais 23

3.4 Epidemiologia 31



4 Diagnóstico psicossomático 32

4.1 Bases psicológicas para o desenvolvimento do câncer 32

4.2 Tipos e correlações simbólicas 38

4.2.1 Câncer em Geral (carcinoma) 38

4.2.2 Câncer de Pele 40

4.2.3 Câncer de Pulmão 42

4.2.4 Câncer de Mama 44

4.2.5 Câncer do Colo do Útero 46

4.2.6 Câncer de Próstata 47

4.2.7 Câncer do Estômago 49

4.2.8 Câncer Coloretal 51

4.2.9 Leucemia Aguda 53

5 Aspectos psicossociais 56

5.1 Impacto do diagnóstico 56

5.2 Reação vivencial ao câncer e fases de adaptação 59

5.3 Família 61

5.4 Sexo 65

5.5 Espiritualidade 68



6 Abordagens terapêuticas 71

6.1 Particularidades do câncer infantil 73

6.2 Aspectos psicológicos da cirurgia 75

6.3 Psicoterapia 78

6.4 Psicossomática aplicada ao câncer 83

6.5 Ansiedade 89

6.6 Depressão 94

6.6.1 Depressão no adulto com câncer 95

6.6.2 Depressão na criança com câncer 96

6.7 Dor 101

6.8 Fases finais de doenças graves 102

7 Cura 104

8 Conclusão 105

9 Bibliografia 106

10 Anexo 109

1Introdução

A cada dia tornam-se mais freqüentes os diagnósticos de câncer. Nos países desenvolvidos estas doenças, também chamadas de neoplasias malignas, já representam a segunda maior causa determinante dos óbitos, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Não se trata de uma epidemia. Ocorre que o melhor controle sobre as demais doenças vem permitindo uma vida mais longa, o que abre espaço para o desenvolvimento do câncer. Temos hoje mais de oitocentas doenças agrupadas sob o nome de câncer. Todas resultando do crescimento autônomo e desordenado de uma pequena parte do organismo. Entretanto, na prática médica, cada uma delas é abordada de forma diferenciada e tratada de acordo com seu órgão de origem e extensão no organismo.


Por trás do diagnóstico “câncer” oculta-se um grande padrão que pode se expressar em uma grande variedade de sintomas. Cada um deles afeta toda a existência da pessoa, não importando em qual órgão tenha se originado. Neste ponto, o acontecimento do câncer é demasiado complexo para estar relacionado apenas com o órgão afetado. Sua tendência de propagar-se por todo o corpo mostra que se trata de toda a pessoa. O câncer, sob a forma de fantasma que assombra nossa época, toca não apenas aqueles que são diretamente afetados, mas toda a sociedade, que o transformou em tabu como nenhuma outra afecção. Mais da metade dos afetados pelo câncer morrem, e a taxa em números absolutos de mortes por câncer continua subindo, apesar dos avanços conseguidos pela Medicina. No entanto, graças ao aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico e tratamento, o câncer já não apresenta necessariamente uma sentença de morte. Flagrados em estágio inicial, sessenta por cento dos casos tem cura.
A Medicina organicista ensina a “ler” a enfermidade, do ponto de vista do médico e do laboratório. A Medicina Psicossomática, no caso a Psiconcologia, pretende “ler”, escutar e compreender a enfermidade, o câncer, a partir do paciente. Um exame físico e centenas de determinações bioquímicas e radiológicas podem demonstrar que um homem está “normal”. Uma única entrevista psicossomática adequada pode nos mostrar que esse mesmo homem está gravemente enfermo, caminhando para desenvolver um câncer. Uma outra prova de quanto o câncer tomou-se uma destacada ameaça à saúde de nossa época é o fato de ser ele, dentre todas as doenças, a que nos infunde maior terror. A descrição da doença já traz o selo de nossa avaliação: maligno. 0 infarto do coração, que ceifa mais vidas e confronta as pessoas com a mais pavorosa dor que se conhece, não desperta semelhante horror. 0 câncer necessariamente nos confronta com um tema que está mergulhado ainda mais profundamente na sombra que a dor e que a própria morte. Além disso, nenhum outra doença toma tão clara a relação entre corpo, alma, mente e sociedade como o câncer. Quer partamos do nível celular, da estrutura da personalidade ou da situação social, é possível encontramos padrões semelhantes que são os próprios padrões primordiais, sugestivos da possibilidade de ocorrência da doença.

2Histórico

Não há certamente nenhum exagero em afirmar que há muito o homem tenta estabelecer as causas das doenças. A rigor, desde a antigüidade remota, oriental e ocidental, muitos escritos tentam estabelecer as causas do câncer e, nessa busca, muitos autores observaram que há uma relação entre estados emocionais e predisposição para doenças orgânicas.


Assim, encontramos nos escritos de Hipócrates a afirmação de que o estado de saúde era evidência de que o indivíduo tinha atingido um estado de harmonia entre suas instâncias internas, bem como destas com o meio ambiente. Desse ponto de vista, manter-se saudável é uma questão de reconhecer esse equilíbrio e respeitá-lo através de viver segundo as leis da natureza. Hipócrates afirmava também que o que quer que aconteça na mente afeta o corpo e foi o primeiro a empregar o termo “câncer” na Grécia Antiga, no século V a.C. Observando-se que algumas feridas pareciam penetrar profundamente na pele, comparou-se este comportamento ao de um caranguejo (karkinos em grego, câncer em latim) agarrado à superfície. No entanto, não se pode explicar a origem do nome "câncer" de maneira inequívoca. Mas até mesmo a derivação apresentada pela Medicina, a de uma forma de câncer da mama cujas células devoram o tecido compondo a forma de uma pinça, mesmo isso aponta para uma direção semelhante. Quem quer que tenha cunhado esse nome, encontrou a essência da imagem da doença.
Galeno, no segundo século da era cristã, observava que mulheres deprimidas tinham mais tendência ao câncer do que aquelas de natureza mais animada e bem dispostas. No entanto, essas observações da Medicina seriam eclipsadas pelo grande desenvolvimento tecnológico surgido a partir do modelo cartesiano de pensamento.
Nessa busca tecnicista do diagnóstico, passou-se a perscrutar mais os órgãos e a se dar menos atenção ao paciente e à sua história. Aqui, história entendida não aquela do ponto de vista médico clássico, ou seja, do ponto de vista de coleta de dados anamnésicos ligados à queixa clínica e à evolução da doença, mas à história de vida do paciente, com todos os eventos importantes que possam caracterizar episódios traumáticos, além de sua maneira peculiar de lidar com os eventos de sua existência. Os doentes, antes dos progressos do século XX, eram provavelmente mais ouvidos por seus médicos e, talvez, com mais atenção e cuidado. Esses médicos assinalavam freqüentemente fatores emocionais ligados a perdas importantes ou estados de desesperança que ocorriam antes do aparecimento do câncer.
Já no fim do século XIX, em que era clara a influência cartesiana na Medicina, Freud, em seus Estudos sobre a Histeria, propôs um retorno a uma visão mais integrada do ser. Freud demonstrou que as paralisias histéricas eram destituídas de um substrato neurológico, não restando dúvidas de que seus trabalhos apontavam na direção de uma visão mais integrada do homem, mostrando que acontecimentos da esfera psíquica causavam conseqüências orgânicas.
Ao longo do século XX, a Medicina foi convergindo seu foco para a doença e para o órgão doente em sua profunda intimidade, mas isso levou a descobertas que obrigaram a uma revisão conceitual no que diz respeito a admitir a influência de aspectos emocionais na manutenção do binômio saúde/doença.
Até a descoberta dos hunza, não se conhecia nenhuma cultura que tivesse sido inteiramente poupada do câncer. Admite-se que somente este pequeno povo montanhês do Himalaia, até o contato com a civilização moderna, em meados deste século, jamais soube o que era o câncer. Os traços desse sintoma encontram-se hoje por toda parte, podendo ser detectados até no passado graças aos modernos procedimentos de pesquisa. A presença de tumores foi comprovada até mesmo em múmias incas com 500 anos de idade. Apesar dessa disseminação universal, o câncer tornou-se uma marca distintiva das nações industrializadas modernas. Ele não ganhou terreno de maneira tão fulminante em nenhum outro lugar. 0 argumento de que ele somente é mais freqüente nas nações industrializadas devido ao fato de que as pessoas que nelas vivem atingem uma idade mais avançada é correto no que se refere a algumas culturas, mas não se sustenta por princípio, podendo ser rebatido em vários pontos. Por um lado, há tipos de câncer que atingem o ápice nos anos de juventude, por outro, a própria Medicina tradicional demonstra que determinados tipos de câncer, como o câncer dos pulmões, estão relacionados de maneira inequívoca com hábitos e venenos de nossa civilização. Mas, sobretudo, havia culturas antigas que possibilitavam uma longa expectativa de vida com um baixo risco de câncer. Na cultura chinesa de orientação taoísta, o câncer era extremamente raro, embora a expectativa média de vida das pessoas fosse a mesma da China atual. Viver cem anos era considerado normal.
Sabe-se que antes de serem colonizados, os indígenas que habitavam originalmente a América viviam mais que nas épocas “civilizadas” posteriores. Eles praticamente não conheciam o câncer antes, mas a partir de então, passaram a pagar também esse tributo.
Não bastasse haver mais de oitocentos tipos de neoplasias, tumores idênticos podem responder de formas diferentes ao mesmo procedimento. Apesar de reconhecidas há tanto tempo, foi somente com a descoberta do microscópio que o estudo das doenças malignas pôde evoluir. A partir da identificação da célula como a unidade funcional dos organismos evoluídos, foi possível compreender um pouco melhor o desenvolvimento das doenças malignas.

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