Cônego R. Trindade Genealogias da Zona do Carmo



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Cônego R. Trindade



Genealogias




da


Zona do Carmo




Estabelecimento Grafico "Gutenberg"
Irmãos Penna & C.
Ponte Nova - 1943

Genealogias



da

Zona do Carmo

Estamos em frente dum livro de genealogia, ciência cuja importância niguem contesta, e todos consideram como auxiliar precioso da história e até da biologia.....

(Eugênio de Castro. Prefácio da Descendência dos 1os Marqueses de Pombal).
* * *

À memória saudosa

de

FRANCISCO FERREIRA DA TRINDADE

meu Avô materno, a quem ouvi as primeiras noticias dos primitivos povoadores da Zona do Carmo.



dedico o presente trabalho

PREFACIO

Ausencia de História equivale à ausencia de cultura, disse Bernhart (1). Assim é, de fato; e, com razão, povos sem historia são chamados aqueles que se encontram ainda nos limbos da civilisação primitiva. É pela memoria que se mantêm a continuidade e coesão da personalidade humana; analogamente, é pela Historia que se mantêm a continuidade na vida de um povo; e sem essa continuidade não é possivel o progresso cultural.

A História, no conceito de Cicero, é a mestra da vida; no de Diniz de Halicarnasso, a Filosofia em exemplos; no de Polybio, a melhor escola de educação e cultura.

Entretanto, uma nova orientação há, felizmente não seguida ainda entre nós, segundo a qual é preciso preparar uma geração libertada da preocupação histórica, uma geração "que pense inhistóricamente", pois só assim, dizem, poderá ser creadora e não apenas plagiária; só assim poderá plasmar o futuro em que vae viver, libertando-se do epigonismo que é o resultado do culto ao passado. - É essa a verdade? Não.

- Não é exato que o estudo da Historia seja apenas o culto dos grandes homens e só nos consiga preparar epigonos que venham a ser, em regra, mais nocivos que uteis à humanidade.

Certamente, muita razão assistia ao grande Reitor de Harvard University, Charles Eliot, em admoestar-nos : "Um passado brilhante constitue grave perigo, si nos torna contentes com o presente e mal preparados para o futuro". Não menos certo é, porém, que as glórias do passado podem constituir motivos para que nos esforcemos em não decair delas, assim corno a lembrança das desgraças costuma transformar-se em estimulo para futuro reerguimento.

Em qualquer dos casos, a visão do passado é sempre salutar, porque a Historia tem um sentido e assim, pois, do exame do passado se podem deduzir lições e ensinamentos para o futuro.

Louvores, pois, àqueles que se entregam a essa nobre e patriótica tarefa.

Entre as várias ciências auxiliares da História, ao lado do estudo das armas e brazões (Heraldica); do conhecimento das moedas e medalhas (Numismatica); do estudo das inscrições (Epigrufia) dos selos (Spragistica). dos documentos (Diplomatica), das viagens, dos arquivos, etc., figura a Genealogia, isto é, o estudo da origem, propagação e parentesco das familias. E é por aí que começa a História.

Na sua monumental História Universal (2) assinala Weiss os varios graus da evolução por que passa a História no seu conceito e na sua composição, distinguindo, entre o conceito da simples Genealogia e o da Historia, como a compreendemos hoje, tres outros: o cronistico. o analistico e o pragmatico.

Como base inicial tem-se o estudo das familias, é a primeira forma, é o quadro inicial em que se vão articulando os acontecimentos. A Cronica e os Anais assinalam dia a dia, ano a ano, os fátos dignos de nota. Nos Anais tem-se, simplesmente, dos acontecimentos, o que: as festas nacionaes ou populares, os vencedores nos jogos, e ainda os fenomenos naturais, como eclipses; etc. Dos Anais procede a Cronica; nesta, pesquiza-se tambem o como, não porém o porque e o para que. A Cronica e os Anais atendem mais aos fátos que às pessoas.

A Cronica das familias marca a passagem para as Memorias. A Memoria evolue para o modo pragmatico da História.

O pragmatismo não se reduz à simples exposição dos acontecimentos, indaga-lhes tambem as causas e as correlações.
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(1) Sinn der Geschichte.

(2) Weltgeschichte.

Temos finalmente o modo orgânico de conceber e escrever História: A humanidade é um agregado de individuos, não mecanicamente justapostos mas organicarnente combinados, formando no seu conjunto como um ser, como uma vida organica a cujas relações e funções se condicionam, se ajustam e se completam. A História será de certo modo a biografia desse ser Só esse conceito orgânico nos pode dar uma imagem fiel da realidade e corresponder à verdadeira unidade do genero humano. E só dessa maneira pode a História tomar caracter cientifico. Estudam-se as causas dos acontecimentos, as suas correlações, as suas consequencias. o que, o como, o porque, e o para que, verificando como se deram os acontecimentos, porque se passaram assim as cousas e quais as consequências.

A primeira fase reduz-se, pois, a genealogias. Os Egipcios, que se gabavam de ser o povo mais antigo do mundo, começaram a sua História sobre a base das genealogias. As Enneadas heliopolitanas formaram o quadro das dinastias divinas, de que procederam por uma transição facil, no tempo de Menes, as dinastias humanas.

Cousa semelhante se deu em Babilonia: Tomavam a historia particular da cidade para enquadrar nela a historia de todo o país, e as familias principescas, de origens várias, que se tinham sucedido no trono, para formarem o canon dos reis da Caldéa(3). Familias e dinastias, divinas e humanas: tal foi, em suma, o assunto desses primeiros quadros históricos.

E esse não é apenas o plano natural e intuitivo para os primeiros tempos do homem na terra, para a aurora dos tempos históricos; mas, um programa adequado, para qualquer época e qualquer logar, especialmente no caso de paises novos, como o nosso, em que está ainda em formação o conceito organico de História..

É facil compreender quanto podem para o conhecimento do conjunto esses estudos mesmo colhidos em recinto restrito, aparentemente fragmentarios e desarticulados. E há certas conexões históricas, certas relações causais que só por esse meio se podem esclarecer ou mesmo descobrir. Para comprovar ou corroborar o meu asserto poderia citar, só entre nós, muitissimos exemplos. Limitar-me-ei a um apenas, referente ao capitulo mais interessante da História Colonial mineira - a Inconfidência.

Em 1925,. graças ao obsequio de um amigo, antigo colega meu no Seminário de Mariana, Sr. Samuel Soares de Almeida, pude, estando em São João d’El Rey, ler os assentamentos paroquiais relativos á familia de Tiradentes, de que fiz a publicação em meu livro — Inconfidencia Mineira (pags. 119-121). Embora reduzida apenas aos pais e irmãos de Tiradentes essa genealogia esclarece varios pontos da Inconfidencia, como os dous importantes depoimentos do Inconfidente Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, a 12 e a 30 de Junho de 1789, em Vila Rica, relativamente ao episodio de um dicionário francês que o mesmo depoente quizera obter de Tiradentes por compra ou por emprestimo, depreendendo-se, ora que fora vendido por Tiradentes "a um seu irmão”, ora que estava emprestado com "o Pe. Francisco que tem uma botica na Ponte do Rosario”, dicionário que afinal, Salvador Gurgel obteve emprestado por quinze dias. Dessa genealogia, graças ao conhecimento da naturalidade dos pais e avós de Tiradentes, e à posição social do pai e dos irmãos do mesmo se podem deduzir como, fiz no citado livro, varias "conclusões" sobre o herói ; que não serão apenas meras conjecturas, menos ainda presunções arbitrárias, mas constituem informações históricas que só podem ser destruidas mediante provas positivas em contrário, e que, entretanto, vieram desfazer algumas versões erroneas ou pelo menos infundadas, que corriam sobre a matéria.
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(3) Mas pero - Histoire ancienne des peup les de L´Orient classique 1.

Louvores, pois, ao autor do presente trabalho - Genealogias da Zona do Carmo.

Não se trata de um estreiante em História, pois já conquistou brilhantemente as esporas com a publicação da Arquidiocese de Mariana - Subsidios para sua Historia. (3 volumes, São Paulo, Escolas Profissionaes do Lyceu Coração de Jesus, 1928). O titulo dessa obra é modesto, mas grande a valia, pela paciencia e minucia das investigações na consulta de abundante material documentario, pela segurança e elevação da critica, pela serenidade no julgamento e, sobretudo, pelo amor à verdade, essa verdade que deve ser encarada de frente, que não deve ser negada nem mesmo desfigurada ou difarçada, e que é a libertadora do espirito - Et veritas liberabit vos (4).

O novo trabalho confirma a reputação feliz já adquirida pelo aut0or, e traz variados e seguros subsidios para a nossa Historia, desbravando o caminho e coordenando elementos, - isto é, lançando na fase dificil, na fase inicial da obtenção e elaboração do material histórico, as bases para futuras construções. Acresce que o trabalho do Conego Trindade não se reduz a genealogias secas, apenas ricas em nomes de pessoas; pois, são acompanhadas de muitas certidões, escrituras, testamentos, resumos biograficos, multiplos subsidios e contribuições enfim, de que se beneficiarão os que se propuzerem mais tarde a escrever a nossa Historia, da qual muito há ainda a expor e esclarecer.

Embora mais amador que oficial, considero-me do mesmo oficio e posso não só avaliar os esforços e fadigas a que não se poupou o autor para escrever o seu livro, como apreciar e assinalar o merito que ele alcançou, sentindo-me feliz em pôr o meu nome nesta simples apresentação.
Lucio José dos Santos
Belo Horizonte, 20 de Janeiro de 1943. -
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(4) Joan VIII-32.

ABREVIATURAS
F - Filho

N - Neto


Bn - Bisneto

Tn - Trineto

Qn - Teteraneto

Pn - Pentaneto

Hn - Sexto-neto

6n - Sexto-neto

7n - Sétimo-neto

C,c, - Casado com

C..... c. – Casado..... com

C. 1 c. – Casado em las. núpcias

C. 2 c. – Casado em 2as. núpcias

n.p. – neto (a) paterno (a)

n.m. – neto (a) materno (a)

q.d. - que descobri

Sg - Sem geração

Cg - Com geração (não inscrita por falta de dados)

N. ou n. – nascido ou natural de

bat. - batizado

+ - falecido

C. R. – Carta régia

S. L. - Silva Leme - Genealogia Paulistana

FOI HÁ MUITOS anos. Andaria eu pelos doze ou treze do meu nascimento. Viajávamos, meu Avô materno e eu, de Barra Longa para Rio Doce, quando ao romper certa curva, nas proximidades da antiga fazenda do Bueno, Feriu-me de improviso um raio rebrilhante, frechado de baixo, de uma das margens do rio Carmo.

O histórico ribeirão, ao fundo, no vale distante, rolava soluçante; ia a gemer, quem sabe, saudades dolorosas de seus dias de esplendor, de seus enamorados mortos, “daquelas cousas grandes que acabaram”...

O dia - não me Lembra a quadra do ano — era um dia glorioso, alumiado pelos fulgores de um sol que ardia triunfante nas alturas, sobredoirando as coisas e emprestando ao cristal em montes pela praia o raio que me ofuscara.

Não se me apagou mais da memória a paisagem que do Alio do Cabeça Sêca, áquela hora, se desdobrara aos meus olhos de doze anos. A immaginação infantil teria post no panorama cores e majestade porventura exageradas; mas estou a vê-las, com a mesma impressão de outrora, as gupiaras abandonadas, os taludes abertos em rasgões tenebrosos, as terras, derredor, gananciosamente raspadas pelo mineiro primitivo.

A certa curiosidade, menos refreavel,satisfez-me o Avô, bastante versado nas cronicas de sua velha e estremecida Barra Longa: haviam-me impressionado, mais que tudo, os cascalhos amontoados que, lá, abaixo, reverberavam lavadinhos, cintilantes, a luz do sol sem nuvens daquele dia.

— "Foram os antigos..."— E à palavra "antigos", senti animarem-se aos meus olhos certas gravuras de velhos livros, desprenderem-se de suas páginas, descerem a povoar as margens silenciosas do ribeirão. De súbito movimentou se o deserto, multidão imensa de feitio estranho, excitada pela fome maldita do ouro.... Mas o Avô prosseguia —"Aquela risca, além, no morro , que nos está parecendo uma estrada, é um antigo rêgo de oito leguas. Traçou-o e abriu-o, para lavrar todas estas encostas, desde Corvinas até Santana do Deserto, o mestre-de-campo Matias Barbosa da Silva."

E falou-me desse lusitano audaz e distinto, primeiro homem civilizado que, rompendo florestas milenárias e assenhoreando-se de todas aquelas terras, ali se fizera "o mais abastado vassalo da capitania."

Contou-me da fazenda dos Fidalgos; discorreu acerca desses antigos; citou nomes; recordou lendas memorou histórias pitorescas.

Transitávamos agora por defronte do Bueno e, apontando-me o casarão velhissimo, revelou-me que ali vivera, senhor de vultosos haveres, dono das lavras, opulentas outrora, deante das quais pasmara eu, havia pouco, Caetano de Oliveira, trisavô de meu Pai. Ouvi então o caso de uns pleitos memoraveis entre o velho mineiro, meu ascendente, e Antônio Alves Torres aliado a João Francisco Pimenta.

Foi sem dúvida esse bom e saudoso Avô quem me herdou o ardente amor do passado de minha terra natal.

Da lição que esse dia lhe ouvi ficou-me a obsedante preocupação de conhecer bem esses antigos, de levantar do esquecimento os primeiros povoadores da região em que nasci.

Em sua quasi totalidade ai estão êles - seus nomes pelo menos — nas páginas que se seguem.

E ai está como nasceram estas genealogias. Tarde me liberto da preocupação de pô-las por escrito e divulgá-las(*). É que só muito recentemente logrei afinal coligir a documentação sem a qual impossível me fora realizar o projeto longo tempo acalentado.

Contudo, nada mais são as Genealogias da Zona do Carmo que nomes e datas, colhidas aqui e ali, de memórias e de arquivos, ao tempo em que ia eu saciando essa curiosidade que me nasceu na infância.

Das menos nobres não é, como poderá parecer, a ocupação de organizar genealogias.


(*) Delas publiquei, há alguns anos, pequeno ensaio, feito das limitadas informações que pude colher no ambito restrito da freguesia que eu paroquiava.
Moisés no Gênesis nos Números; Esdras nos Paralipômenos, levantaram genealogias várias. O seu Evangelho, abre-o solenemente São Mateus com a árvore genealógica de Nosso Senhor Jesus Christo. São Lucas, a seu turno, ocupa-se no seu dos ancestrais do Divino Salvador(1).

Eclesiásticos distintos, entre nós e em Portugal (para me referir somente aos que escreveram no idioma português), empregaram-se em estudos genealógicos.

De trabalhos tais legou-nos Dom Antonio Caetano de Sousa dezoito volumes, com a historia da familia real e de todas as grandes casas portuguesas.

Transmitiu-nos o piedoso jesuita Padre Antonio Cordeiro, nos dous volumes da Historia Insulana, a descendência dos que, primeiro, desbravaram e povoaram o arquipélago dos Açores.

Jaboatão — Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão — deixou-nos o Catálogo Genealógico e, nele, as origens de todas as grandes familias do norte brasileiro.

Pouco mais de cinco anos há, tirou a lume o jesuita português Luis Moreira de Sá e Costa a Descendência dos Primeiros Marqueses de Pombal, opulentissimo trabalho, em cujas páginas desfilam num cortejo magnifico, que faz pensar na vingança de Deus os netos do truculento Marquês, á frente dos quais se destaca, suave e bondoso, o bispo de Mariana Dom Antonio Maria Correa de Sá e Benevides, acolitado por monsenhores da patriarcal, priores de colegiadas, jesuitas, franciscanos, lazaristas, carmelitas, padres e freiras de várias familias religiosas, todos êles "frutos delicados" da mesma "arvore sombria".(2)

* *

*

Não dá, portanto, o autor destas genealogias por mal consumidas as horas, roubadas a um justo recreio, que empregou na decifração de pulverulentos e carcomidos códices, donde brotou a parte, acaso, menos desinteressante das Genealogias da Zona do Carmo.



* *

*

Aos progênitos da estirpe boa e honrosa que descobriu e povôou a zona do ribeirão do Carmo, entrego o destino de meu livro. Em suas Páginas encontrarão somente motivos de justo desvanecimento. Estou que o hão de perlustrar contentes de seus antepassados.


Mariana, 19 de maio de 1943.
Cônego R. Trindade
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(1) Geni. caps. V, X, XXII, XXV e XXXVI; Num. III e XXVI; 1º Paralip. 1 — e segs.; S.Math. I; S.Luc. III.

(2) Eugênio de Castro remata o excelente prefácio que deu à Descendencia com estas palavras: "Como duma árvore tão sombria nasceram frutos tão delicados? E, á falta de resposta que me satisfaça, acabo por exclamar, como exclamaria um francês: c’ est la vengeance de Dieu!"


TITULO XV

LANAS
-Veio de Baiona, cidade francesa, capital dos Baixos Pirineus, o tronco dos Lanas, família não menos distinta, nem menos disseminada em Minas, do que qualquer das de que me ocupo no presente trabalho.

Vinte e cinco anos havia que eu buscava sem resultado a origem do cognome Lana. Frustavam-se, vexatoriamente para meus pudores de genealogista amador, uma por uma, todas as minhas batidas por cartórios e memórias. Há pouco, porém, ao investigar as raízes de outro cognome, usado por colaterais meus - Costa Santos- deparou-se-me de surpresa a resposta, anciosa e baldadamente solicitada, durante estirados anos, a quantos arquivos e pessoas pude consultar. Tive nesse dia a mais saborosa emoção, que ainda me proporcionaram os meus recreios no campo da genealogia.

Dou não pequeno valor a este descobrimento e, por isto, o titulo em que o revelo, dedico-o à memória de Godofredo Lana, que, no grémio da Congregação Salesiana de São João Bosco,cedo amadureceu para o céu. É uma pobre homenagem de saudades, que tributo ao meu dileto amigo da infância, penhor de minha admiração pelas suas insignes virtudes sacerdotais.

Ofereço-o ainda, como documento de carinhoso afeto, a minha afilhada—Teresinha de Vasconcelos Lana—Hn 52 deste titulo.

JEAN DE LANNE, artista francês, filho de outro Jean de Lanne, mestre de ourivesaria em Bayonne, é o avô de todos os Lanas mineiros e, também, de todos os Costa Santos da zona do Carmo.

Para o Brasil veiu ele ao expirar o século XVII. Em 1696,um amigo foi levar-lhe a La Rochelle, quando embarcava, o abraço de despedidas.

No Rio de Janeiro, onde lhe nasceram os primeiros filhos,

casou com D. MARIA DE JESUS, dali natural. Transferiu-se depois para as Minas tendo residido em Antonio Dias de Vila Rica,em Cachoeira do Campo e em São Bartolomeu. Em Itabira doCampo, no Furquim e em Antonio Pereira, assim como no Serro, encontram-se filhos, genros e netos de Jean de Lanne.

Digam os técnicos se das obras de ourivesaria, que admiramos em igrejas e casas abastadas da região de Ouro Preto e de Mariana, boa porção não teria saido das oficinas do artista francês.

Seu nome, nos documentos que compulsei, aparece grafado, ora Jean de Lanne, ora Jean Delanne. Já no registo de batismo e de casamento de seus filhos e netos o nome vem traduzido João de Lana, e o Lana quasi sempre com n singelo.

Do seu casamento descobri as cinco filhas (*) seguintes :

D. Catarina de Jesus Lana — Cap. I

D. Margarida de Jesus Lana — Cap. II

D. Maria de Jesus Lana — Cap. III

D. Mariana de Jesus Lana — Cap. IV

D. Quitéria de Jesus Lana — Cap. V



Cap. I

F1) D. Catarina de Jesus Lana nasceu na freguesia da sé do Rio de

Janeiro e ali foi balizada a 19 de fevereiro de 1703.

Casou em São Bartolomeu, comarca de Vila Rica, com o sargento mor

Francisco Leite de Brito, n. em Vila do Conde, filho de Fernão de

Brito e de D. Maria Gonçalves, esta, natural de Guidões, bispado do

Porto. Filhos nascidos em São Bartolomeu :

N1) Padre Joaquim Bento de Lana, ordenado a 21 de março de 1759.

N2) Padre Francisco Leite de Brito, ordenado em sede vacante, por

morte de D. Fr. Manuel da Cruz.

N3) D. Ana Rosa da Conceição c. c. Antonio da Costa Santos,nascido

a 23 de outubro de 1723 em Santa Maria Nova de Azurara, termo

da Maia, bispado do Porto. Era filho de José da Costa Santos o

de D.Tomásia Ventura dos Anjos, da mencionada Azurara.

Filhos, os quatro primeiros nascidos em São Bartolomeu, e os

dous últimos em Barra Longa :

Padre Camilo de Lelis Brito § 1º.

Padre Antonio da Costa Santos § 2º.


______________
(*) Ê digno de nota que, não havendo Lanas por varonia, em 80 sobre

100, dos que conheço, se verifique perfeitamente caracterizado o tipo gaulês.O. primogénito do Dr. Inácio Lana, sem embargo dos duzentos anos, que medeiam entre o longínquo avô e ele, seu sexto neto, e um genuíno baionense.

José da Costa Santos § 3º.

Venancio da Costa Santos § 4º.

D. Francisca Maria Angélica § 5º.

João de Lana Brito § 6º.

1º.

Bn1) Padre Camilo de Lelïs Brito ordenado a 17 de março de 1784.



2º.

Bn2) Padre Antonio da Costa Santos, ordenado em sede vacante.Foi

proprietário de uma fazenda no córrego das Lages em Barra Longa.

No livro 4º. de óbitos desta freguesia, a fls. 41, esta registrado

o seu testamento.

3º.


Bn3) Jose Costa Santos, habilitado de genere, c. c. D. Ana joaquim

de Jesus.

4º.

Bn4) Alferes Venancio da Costa Santos. Casou-se em São Gonçalo Rio



Abaixo, quando este lugar era ainda capela filial de Santo Antonio

do Ribeirão de Santa Bárbara.Chamava-se Antonia Maria de Jesus (*) a

sua mulher da qual Teve os filhos :

Tn1) D. Maria Candida de São José c. 1º., a 14 de julho de 1820, c.

Cristovam Dias Duarte, filho de Cristovam Dias Duarte e de

D.Rita Jacinta de Jesus, naturais de São João do Morro Grande;

e 2º., em 1857, c. o capitão José Mariano da Costa e Lana,

viuvo, seu tio. Deste 2º. matr. não houve filhos.

Do 1º. matr. uma filha única q. d.:

Qn 1) D. Cassiana Dias Duarte c. c. Manuel Mariano da Costa

Lana. Geração em Qn 4 abaixo.

(*) Filha José da Costa Mole — F 6 de Mol.

Tn2) Joaquim da Costa Santos c. c. D. Maria Januária, Geração em



Costa Santos-F 2.

5º.


Bn5) D. Francisca Maria Angélica (**) c. c. José da Costa Mole,

F 6 de Mol. Filhos q. d. :

Tn3) D. Ana Joaquina da Conceição c. c. o capitão Miguel Joaquim

Ferreira Rabelo. Sg. Cf. N 4 de Rabelos.

Tn4) Capitão José Mariano da Costa e Lana nascido em Barra Longa. C.

1º., em 1818, c. D. Maria Alvês Xavier, F 2 de Xavier da Costa

e 2º. c. Tn 1 supra. Do 2º. não houve filhos. Filhos :

José Mariano da Costa Lana A

Francisco Mariano da Costa Lana B

Manuel Mariano da Costa Lana C

Inácio Mariano da Costa Lana D

Joaquim Mariano da Costa Lana E

João Mariano da Costa Lana F

D. Maria Luisa Lana G

D. Francisca Maria Angélica de Lana H

Antonio Mariano da Costa Lana I

D. Josefa Maria Angélica de Lana J

Venancio Mariano da Costa Lana K

Luís Mariano da Costa Lana L

Vicente Mariano da Costa Lana M

A –

Qn2) José Mariano da Costa Lana c. a 23-V-1843 c. D. Ana Vieira



de Sousa, N 4 de Vieira de Sousa. Filhos :

Pn1) D. Ana Vieira Lana c. c. Francisco Pena.

Pn2) D. Maria Lourenço Vieira Lana c. c. Domingos de Sousa

Cunha.


- B-

Qn3) Francisco Mariano da Costa Lana batizado a 12-XII-1820,

C. a 18-XI-1845 c. D. Maria da Conceição Leopoldina de

Sá e Castro, filha do guarda-mor Manuel Januário da

Cunha e Castro, Filha;

Pn3) Maria de Castro e Lana

(**) Foi c. c. Sebastião Ferreira Rabelo. Cf. Rabelos -N 3.

- C -

Qn4) Manuel Mariano da Costa Lana c. c. D. Cassiana Dias



Duarte, Qn 1 - retro. Filhos :

Pn4) Dr. José Mariano Duarte Lana a

Pn5) Cristovam Marinno Duarte Lana b

Pn6) Manuel Mariano Duarte Lana c

Pn7) D. Mariana Duarte Lana d

Pn8) D. Guilhermina Duarte Lana e

Pn9) D. Idalina Duarte Lana f

Pn10) Antonio Mariano Duarte Lana g

Pn11) D. Maria Cassiana Alves de Lana h

Pn12) D. Antonia Duarte Lana i

Pn13) D. Raquel Duarte Lana j

Pn14) Afonso Mariano Duarte Lana k


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