Coleções biológicas



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Coleções Biológicas e Sistemas de Informação

Esse capítulo faz uma análise do tema “coleções biológicas” sob o aspecto da informação.



Índice

1. Introdução 1

2. Escopo do documento 1

3. Marco legal 3

3.1. Cenário Internacional: A Convenção sobre Diversidade Biológica 3

a. 2010 Biodiversity Target 4

b. GTI – Global Taxonomy Initiative 4

c. IPI (International Pollinators Initiative) 5

d. GSPC (Global Strategy for Plant Conservation) 6

3.2. Cenário Nacional 6

a. Acesso a dados 6

b. Acesso a recursos genéticos 7

4. Sistemas de Informação 9

4.1. O Cenário Internacional 9

a. GBIF 9

b. REMIB 10

c. Siamazonia 10

d. Ver Programa África do Sul 10

e. Redes Temáticas 10

f. O Catálogo da Vida: Species 2000 e ITIS 11

4.2. O Cenário Nacional 11

a. Ministério da Ciência e Tecnologia 11

b. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) 12

c. Fapesp - Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo 13

d. APNE 13

e. Checklists e Catálogos de Espécies 13

5. Componentes do Sistema de Dados sobre Espécies e Espécimes 13

5.1. Atores 14

a. Provedores de Dados 14

b. Data custodians (gestores bancos de dados e sistemas de informação) 14

c. Usuários 14

d. Agências Financiadoras 15

5.2. Produtos desejados 15

a. O Catálogo da Vida – Brasil 15

b. Rede de dados de espécimes em coleções biológicas do Brasil 15

c. Banco ou rede de dados de observação em campo 15

d. Redes temáticas 16

e. Desenvolvimento de Aplicativos 16

f. Desenvolvimento de um sistema de preservação de dados de longo prazo (data archive) 16

5.3. Elementos da Arquitetura 16

6. Pontos Fortes e Fracos 17

6.1. Pontos Fortes 17

6.2. Pontos Fracos 17

7. Oportunidades e Ameaças 17

7.1. Oportunidades 17

7.2. Ameaças 18

8. Desafios 18

9. Recomendações 19

10. Metas 19

11. Referências 19




1.Introdução

Historicamente, coleções biológicas (zoológicas, botânicas, microbianas) têm sido repositórios estáticos de informação, catalogando espécimes e realizando atividades de análise sistemática. Com a evolução da ciência e com a demanda por dados sobre espécies e espécimes por diferentes disciplinas e áreas de conhecimento, as coleções não podem mais ser uma mera constatação da existência de determinados organismos no passado. Sua missão deve ser a de documentar, compreender e educar o mundo sobre a vida no nosso planeta, passado e presente. Devem ser centros pró-ativos na pesquisa, educação e conservação da biodiversidade.

A construção desse conhecimento é necessariamente coletiva. A pesquisa e a conservação da biodiversidade requer um tratamento multi e inter disciplinar. Requer também um ambiente de colaboração global. A identificação de uma espécie depende de uma base comparativa de dados e conhecimento. Por este motivo, historicamente há poucos impedimentos ao acesso à informação e ao compartilhamento de dados científicos dessa natureza (Canhos et alii, 2004). A resistência que existe hoje por parte de algumas pessoas em disponibilizarem os dados na Internet, se deve mais ao fato da Internet ser aberta a qualquer pessoa. Muitos pesquisadores têm receio do mau uso, da cópia não autorizada ou de interpretações erradas de seus dados por não especialistas. Aos poucos, com as vantagens nítidas do compartilhamento de dados on-line, essa resistência vem diminuindo.

Os acervos científicos e dados associados devem ser vistos como infra-estrutura de pesquisa. Durante séculos cientistas vem sistematicamente registrando suas observações de pesquisa e publicando os resultados obtidos. Mas não havia, e em muitos casos ainda não há, qualquer preocupação em manter os dados primários ou de disseminá-los a pesquisadores de outras áreas de conhecimento. Nem tampouco há a preocupação em preservá-los para gerações futuras. Com o avanço da tecnologia de informação e comunicação, houve também uma evolução do pensamento e da organização científica, criando diferentes demandas por diferentes tipos de dados ou ainda, graças à integração e a interoperabilidade de sistemas, por diferentes conjuntos de dados.

Com a tecnologia e a própria demanda científica em constante evolução, com o fortalecimento da ciência para o benefício da sociedade, é fundamental promover o livre acesso a dados e informações. O progresso científico depende do acesso pleno a dados e da divulgação científica aberta dos resultados da pesquisa na literatura. Um forte componente de dados e informações acessíveis e em domínio público promove um maior retorno do investimento público, estimulando a inovação e a decisão informada. A integração de dados de diferentes disciplinas, de diferentes espaços geográficos, analisados por pesquisadores também de diferentes disciplinas e de origem cultural diversa, abre o caminho para novas perguntas e para a inovação (ICSU, 2004).

2.Escopo do documento


Usaremos a expressão “coleção de dados” (data collection) adotada pelo National Science Board da National Science Foundation (NSB, 2005). Uma coleção de dados pode deferir de outra em relação

  • à natureza dos dados (textos, números, imagens, sons, vídeos, mapas, etc);

  • ao seu financiamento (instituição governamental, universidade, associações, projetos e programas); e,

  • à sua categoria funcional

  • de pesquisa: servindo aos interesses de um projeto ou de um grupo específico;

  • comunitários: servindo aos interesses de uma comunidade; e,

  • de referência: servindo a um grande segmento da comunidade científica e/ou de educação.

A meta para uma política de informação no campo das coleções científicas é o estabelecimento de uma infra-estrutura de dados de acesso livre e aberto. Para manter um sistema de informação aberto e livre é necessário ter acesso a hardware, software, conectividade, capacitação e recursos. Não se pode exigir de um pesquisador ou até de determinados grupos de pesquisa que eles tenham acesso a todos esses elementos, responsabilizando-se pela manutenção de um sistema por tempo indeterminado, acompanhando toda a evolução tecnológica pertinente e, realizando a sua pesquisa. É importante estabelecer parcerias e competências. A manutenção de bancos de dados e sistemas de acesso público a dados não é tarefa para amadores. Tem que estar nas mãos de pessoas competentes, treinadas para isso, e que tenham na estruturação de sistemas e na preservação e disseminação de dados o seu objetivo.

Muito está se falando de data commons ou public commons (Onsrud et alii, 2004) em contraposição ao movimento de privatização de dados e informações, que promove o acesso aberto a dados e informações baseado na experiência do desenvolvimento de software de código aberto (open source). O data commons procura incluir informações em domínio público e aquelas que podem ter direitos autorais, mas permitem o acesso sem consentimento prévio (open Access). Nesse caso geralmente existe uma licença geral concedida com algumas restrições como a comercialização do dado ou informação. Exemplos de licenças open access incluem o General Public License (GPL)1 e o Creative Commons2.

Pensando em dados de acesso público importante acompanhar o conceito do digital data commons spaces, como um elemento da infra-estrutura computacional necessária para preservação, recuperação e análise de dados, com uma rede de comunicação robusta para acesso global e equipe especializada associada. O digital commons como um conceito, mas também como um elemento da infra-estrutura necessária, poderá viabilizar a participação dos provedores de dados, tanto daqueles que não têm infra-estrutura mínima para abrigar o seu próprio banco de dados como também daqueles que mantém sistemas próprios de informação mas não possuem infra-estrutura e/ou capacitação para manter um sistema global de acesso livre e aberto.

Para o desenvolvimento do digital data commons além das responsabilidades individuais e institucionais é necessário promover uma ação coletiva e coordenada para garantir que as obrigações legais estão sendo obedecidas e respeitadas. Essa ação coletiva deverá também ser responsável pela definição, desenvolvimento e adoção de padrões e protocolos para viabilizar a interoperabilidade de sistemas. É importante também assegurar que as decisões da comunidade diretamente envolvida com a construção da infra-estrutura de dados, levem em conta as necessidades de comunidades externas ao processo, encorajando, sempre que possível o seu acesso livre e aberto.

Em relação aos dados, o trabalho deverá focar:


  • Dados sobre espécimes: coletas depositadas em coleções científicas; e,

  • Dados sobre espécies: dados de observação de campo, checklists, catálogos, redes temáticas (polinizadores, espécies invasoras, etc.).


Figura 1. Infra-estrutura de dados sobre espécies e espécimes (Giovanni, 2005)


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