Coleções de plantas avasculares e fungos como base de conhecimento para a diversidade biológica brasileira: uma reavaliação



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Coleções de plantas avasculares e fungos como base de conhecimento para a diversidade biológica brasileira: uma reavaliação
Mariângela Menezes1 Leonor Costa Maia² Denise Pinheiro da Costa ³ & Carlos Eduardo de Mattos Bicudo4

1.Departamento de Botânica, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, mmenezes@mn.ufrj.br

2. Departamento de Micologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco, leonorcmaia@yahoo.com.br

3. Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, dcosta@jbrj.gov.br

4. Sessão de Ecologia, Instituto de Botânica, cbicudo@terra.com.br

1. Introdução

Coleções biológicas constituem uma das fontes mais importantes de informações básicas da diversidade biológica, por representarem centros de documentação detalhada e correta sobre os componentes da biodiversidade. Além de base do conhecimento científico, as coleções biológicas apresentam valor histórico e cultural das ciências naturais, fornecendo subsídios para o atendimento à demanda de informações visando à avaliação de impactos ambientais, definição de áreas de preservação e legislação ambiental, dentre outros aspectos (Causey et al., 2004; Chavan & Krishnan, 2003).

Apesar de ser um dos 12 países megadiversos (Brasil, México, Colômbia, Equador, Peru, Austrália, Zaire, Madagascar, China, Índia, Malásia, Indonésia) e que detêm mais de 70% da biodiversidade mundial (Quinn et al., 2002), o Brasil se ressente de um Programa Nacional de Coleções e Acervos Científicos como base para documentação e sustentabilidade da biodiversidade. Inexiste também, no país, um banco de dados e um sistema de informação biológica padrão de forma a permitir a integração e a disseminação das informações armazenadas nas coleções biológicas (Menezes, 2003).

Historicamente, o registro da biodiversidade no Brasil, a exemplo de outros países, tem sido centrado em vegetação terrestre, especialmente angiospermas. Dessa forma, a maior representatividade das coleções botânicas brasileiras é de vegetais vasculares.

Apenas muito recentemente está sendo providenciado, no Brasil, o levantamento adequado das coleções de vegetais avasculares (algas e briófitos) e fungos depositadas em museus e herbários e em coleções de cultura. Dentre as coleções herborizadas, pouco se conhece sobre quais são destinadas apenas a estudo e quais as de referência. Sabe-se apenas que as maiores e melhores coleções são, em nosso país, de propriedade dos governos federal, estadual e mesmo municipal (Bicudo et al., 1998). Existe necessidade premente de um investimento consistente em Ciência, para a identificação dessas instituições como verdadeiros repositórios da diversidade biológica de nosso país. Estes investimentos devem permitir a elaboração de um diagnóstico das condições em que operam e, mais que tudo, da legislação que as identifica e governa. Além disso, devem possibilitar a ampliação e manutenção dos acervos, de modo a torná-los instrumento efetivo para consultas e estudos.
2. Estado da arte e panorama nacional
2.1. Das coleções

De acordo com Peixoto & Morim (2003), o número de espécies de plantas vasculares descritas para o território brasileiro é estimado em 45,3 mil a 49,5 mil, correspondendo aproximadamente a 14% do total de plantas descritas no mundo. Em relação a fungos, estima-se que o planeta abrigue 1.5 milhões, dos quais apenas cerca de 5% são conhecidos ou seja, entre 70,5 mil a 72 mil espécies (Kirk et al. 1995), das quais o Brasil detém 12,5 mil a 13,5 mil espécies descritas (Peixoto & Morim 2003). Para fungos liquenizados, estima-se um total de aproximadamente 2.700 espécies ocorrentes no Brasil (Marcelli, 1997). Do total de 18.300 espécies de briófitas descritas, foram catalogadas no país quase 3200 espécies (Costa & Porto, 2003), enquanto para algas, do total de 23.000 espécies continentais e marinhas descritas no mundo (Guiry et al. 2005), estima-se o total de 10.000 espécies de ambientes continentais (Rocha, 2002) e 975 espécies em ambientes marinhos (Oliveira et al. 1999) brasileiros.

Existem 114 herbários ativos no Brasil, dos quais 23 têm mais de 50 mil exemplares de vegetais vasculares, dos quais cerca da metade detém menos de 20 mil exemplares, totalizando um acervo de pouco mais de 5 milhões de espécimes de plantas (Peixoto & Morim, 2004). Do total de herbários ativos, 59 contam (Fig. 1) com coleções de vegetais avasculares: 19 com coleções de algas, 28 com fungos (desses, 12 também com fungos liquenizados) e, 45 com briófitos (Alves-da-Silva, 2005; Costa & Porto, 2003; Figueiredo & Ribeiro, 2005; Maia, 2003; Marcelli, 1997).

De forma geral, as coleções de algas e as de fungos são bem mais reduzidas e incompletas, quando comparadas a outros grupos taxonômicos, constituindo, com exceção do Herbário URM, cuja coleção é só de fungos e liquens, parte pouco significativa do acervo dos herbários. Entre os fungos, os liquenizados estão pouco representados, tanto no que diz respeito ao número de espécies descritas no Brasil como às coleções depositadas em herbários (Marcelli, 1997). Com relação aos fungos liquenizados foliícolas, uma das coleções mais representativa, depositada por Batista e col. e revisada por Lücking et al. (1998) encontra-se no Herbário URM.

Tal situação reflete não apenas a deficiência quanto ao número de taxonomistas especialistas nesses grupos de organismos, como também traduz que muito do que é coletado, estudado e identificado não é depositado em herbários ou sequer registrado. Há, portanto, discrepância entre os números de táxons publicados e o número de espécies registradas em herbários (Maia, 2003; Menezes, 2003).
Figura 1. Número de herbários com coleção de plantas avasculares e fungos,

ordenados por região.


No tocante às coleções de briófitas, constata-se uma alta diversidade neste grupo de plantas e uma significativa representação em herbários, embora se identifiquem áreas geográficas pouco coletadas (Costa & Pôrto, 2003).

Ainda que se tenha avançado no conhecimento destes grupos de organismos e muitos espécimes tenham sido incorporados às coleções brasileiras, estas ainda não guardam materiais e informações que possam subsidiar um inventário sobre a diversidade deste grupo de plantas, e de fungos, no país. Trabalho exaustivo de catalogação e de identificação de acervos precisa ainda ser realizado.
Algas
É extremamente difícil estimar o número de algas, organismos de difícil identificação taxonômica dada a simplicidade morfológica, a ampla plasticidade fenotípica e o curto tempo de geração que exibem (Norton et al. 1996; Andersen, 1996). Tais aspectos, aliados à ausência de taxonomistas e à aplicação de técnicas de identificação inadequadas, concorreram para que se chegasse quase à estagnação com respeito ao conhecimento sobre a diversidade de espécies no grupo. Por outro lado, embora o uso de técnicas de microscopia eletrônica e de biologia molecular tenha possibilitado um significativo avanço, a partir da década de 1980, no reconhecimento de espécies e níveis hierárquicos taxonômicos superiores, os ficologistas são unânimes em considerar que muitas espécies de algas ainda são desconhecidas. Isso ocorre, em parte, pela carência de sistematas, e em parte pela ausência de coletas em determinadas regiões geográficas ou ecológicas, como por exemplo, nos trópicos (Andersen, 1996). Do número total estimado de 40.878 algas descritas, 16.743 são marinhas, enquanto 24.100 são espécies de águas doces ou terrestres (Katz et al. 2004).

Se por um lado, a dificuldade em estimar números de espécies de algas reflete o pouco conhecimento sobre a sua biodiversidade, por outro se sabe que elas não são encontradas com a mesma diversidade no mundo (Norton et al. 1996). As zonas mais ricas em espécies de macroalgas marinhas estão no Oceano Pacífico, destacando-se as Filipinas como um centro particular de diversidade; quatro das sete áreas mais ricas recaem entre 30 a 60 N ou S do equador (Mediterrâneo, Japão, sul da Austrália) (CDB, 1999 ; Norton et al. 1996). Já as microalgas de ambientes continentais apresentam-se menos conhecidas que as macroalgas marinhas, sendo assumidas, na maioria, como cosmopolitas e ubíquas (Vyverman, 1996). O cosmopolitismo também é destacado para as microalgas marinhas, embora alguns grupos como os dinoflagelados e cocolitoforídeos apresentem maior diversidade em águas tropicais, enquanto que diatomáceas e primnesiófitas são mais diversas em águas temperadas (Norton et al., 1996).

De maneira geral, os herbários (coleções de referência), em escala mundial, são os mesmos que os de vegetais com sementes, embora alguns, como por exemplo, o herbário do Kew, não tenham algas, enquanto outros herbários menores dispõem de importantes coleções de algas associadas com um ou mais pesquisadores. Existem também laboratórios marinhos com importantes coleções de algas e coleções de culturas de microalgas.

O conhecimento sobre a biodiversidade ficológica e a sua representatividade nas coleções biológicas no país ainda é bastante incipiente. Tal situação decorre do número reduzido de taxonomistas, concentrado nas regiões sudeste e sul, ausência de especialistas em determinados grupos taxonômicos de algas, problemas nas estratégias de amostragem, metodologia de identificação e preservação de material. A situação agrava-se pela deficiência da infra-estrutura, falta de bibliografia adequada, com poucas chaves de identificação elaboradas com base em material nacional e a falta de uma política nacional consistente que atenda ao financiamento de projetos em taxonomia.

Avaliações preliminares sobre as coleções ficológicas vêm sendo realizadas apenas recentemente, sejam através de projetos isolados ou em parceria e de eventos científicos. De acordo com os resultados obtidos estima-se que aproximadamente 19 herbários no país apresentam um total de 40.887 amostras (frascos) em meio líquido com microalgas de ambientes continentais.

Entretanto, o conhecimento sobre as coleções de microalgas abrange, principalmente, as algas flageladas (Menezes, 2003) e as diatomáceas (Alves-da-Silva, 2005). O primeiro grupo, restrito às algas flageladas pigmentadas, encontra-se representado por apenas 1769 amostras em meio líquido e depositadas em quatro herbários, com cerca de 560 táxons identificados em nível específico e infra-específico e distribuídos em 4476 registros. O herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (SP) destaca-se pelo maior número de amostras (45% do total das 1769 amostras) e registros (41% do total de 4476 registros). O maior número de táxons de algas flageladas identificado encontra-se também no herbário SP, com 381 táxons, seguido do herbário do Museu Nacional (R), com 292 táxons e Prof. Dr. Alarich R. H. Schultz (HAS), com 261 táxons. Dentre as algas flageladas, o grupo das euglenofíceas é o mais bem representado em todos os herbários, concentrando-se, novamente, no herbário SP (302 táxons), HAS (233 táxons) e R (183 táxons).

Para as diatomáceas, estima-se que do total de 40.887 fracos em meio líquido, 15.471 contêm coleções de diatomáceas além de 7791 lâminas permanentes (Alves-da-Silva). As regiões sul e sudeste destacam-se pelo maior número de herbários (cinco) com coleções de diatomáceas, destacando-se o herbário HAS com a maior representatividade: mais de 9.000 amostras em meio líquido e 5.770 lâminas permanentes.

Quanto aos demais grupos de algas continentais, Sant´Anna (2004) contabilizou apenas cinco herbários com coleções de microalgas organizadas, dois apenas com macroalgas; 10 instituições (Universidade Federal de Alagoas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Acre, Universidade Federal do Mato Grosso, Universidade Estadual de Maringá, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Estadual de Feira de Santana, Universidade de Brasília, Universidade Federal de São Carlos) apresentam coleções de algas continentais apenas vinculadas a projetos, não depositadas em herbários. Os grupos mais bem representados distribuem-se entre as clorofíceas e cianofíceas/cianobactérias.

Com relação a materiais tipo de algas de ambientes continentais, o herbário RB destaca-se com 92 tipos todos do exterior (Figueiredo et al. 2001); seguindo-se o herbário SP com 72 tipos, herbário R com 11 tipos, HAS com cinco e UFB com três, todos do Brasil (Sant´Anna, 2005).

Os herbários que contemplam coleções de macroalgas marinhas são formados principalmente por espécimes nativos oriundos de levantamentos regionais do sudeste ou nordeste brasileiro. Dos 123 herbários ativos no Brasil, aproximadamente 11 apresentam coleções de macroalgas marinhas, destacando-se o herbário da Universidade de São Paulo com a maior coleção, totalizando 21.000 espécimes. O Instituto de Botânica de São Paulo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro apresentam cerca de 15.000 espécimes em cada. Contudo, a maior parte do acervo desta última Instituição constitui-se de coleções mantidas nos laboratórios dos pesquisadores. Este é um reflexo da carência de espaço físico que a maioria dos herbários enfrentam, o que inviabiliza a ampliação dos acervos. No conjunto dos acervos dos 11 herbários, as algas rodofíceas e os ambientes marinhos destacam-se, respectivamente, como o grupo e os ecossistemas mais bem representados nas coleções (Figueiredo & Ribeiro, 2005). Este fato reflete a necessidade de um maior investimento no grupo das clorofíceas em ambientes estuarinos e das feofíceas em ambientes marinhos, principalmente das espécies de menor porte que freqüentemente passam despercebidas nos inventários. Espécimes de determinados grupos precisam ter sua nomenclatura revista segundo os atuais critérios taxonômicos, porém existe uma carência de especialistas no Brasil. O material tipo de macroalgas marinhas brasileiras está disperso em vários herbários e representa menos que 1% das coleções registradas. Como a informatização dos acervos ainda não foi concluída em muitos Herbários, a consulta torna-se difícil e prejudica o intercâmbio entre Instituições que tem acervo numeroso, com exceção à Universidade de São Paulo.

As informações sobre a biodiversidade de microalgas marinhas vinculadas a coleções depositadas em herbários praticamente inexistem. Os estudos preliminares realizados registram apenas o herbário do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (Seção de Plâncton) com 11.136 lotes em líquido de ambientes marinhos e continentais, 277 lotes contendo diatomáceas e 277 lâminas permanentes de diatomáceas. (Alves-da-Silva, 2005).

Algumas instituições, como a Fundação Universidade do Rio Grande, conta com uma coleção de amostras que mais se enquadra como coleção didática, representada por cerca de 1000 amostras quantitativas e 400 qualitativas (rede) oriundas de projetos (Odebrecht, comunicação pessoal). Situação semelhante apresenta o Laboratório de Fitoplâncton Marinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que concentra amostras quantitativas e qualitativas (número não informado) vinculadas a projetos, destacando-se amostras do Projeto REVIZEE.


Fungos
Os fungos são considerados hoje um grupo à parte dos vegetais, entre os quais foram tradicionalmente incluídos. Considerando que em muitos aspectos são semelhantes às plantas, era natural que assim fossem tratados. Ademais, os primeiros botânicos estudavam indistintamente plantas e fungos. No Brasil, os coletores que vieram explorar a nossa flora coletavam também fungos, enviando-os para serem estudados e identificados na Europa. No entanto, com a ampliação dos conhecimentos, as evidencias demonstraram a natureza diferenciada de fungos e plantas, o que levou à separação desses organismos em diferentes reinos (Plantae e Fungi). Com os avanços, inicialmente no campo da microscopia eletrônica e depois na biologia molecular, mesmo os organismos considerados genericamente entre os fungos foram distribuídos em grupos à parte, sendo por isso aceito hoje (Kirk et al. 2001) que muitos estão distribuídos em reinos diversos (Chromista e Protozoa).

No reino Fungi foram mantidos os Chytridiomycota, Zygomycota, Ascomycota e Basidiomycota. Recentemente foi criada uma nova divisão ou filo (Glomeromycota), para englobar os fungos micorrízicos arbusculares, anteriormente classificados entre os Zygomycota. Estima-se que existam cerca de 1,5 milhão de espécies de fungos, das quais pouco mais de 5% são atualmente conhecidas (Hawksworth 1991, 1995). Kirk et al. (2001) calculam que aproximadamente 80 mil espécies foram descritas nos diversos grupos de fungos, a saber: Ascomycota (32.739), Basidiomycota (29.914), Chytridiomycota (914), Glomeromycota (189), Zygomycota (890), Fungos anamórficos (15.945). Comparando-se com a percentagem (70 a 95%) das espécies de plantas vasculares descritas (Groombridge, 1992), a proporção de fungos conhecidos é irrisória. Para Smith & Waller (1992), só nas regiões tropicais pode ser estimado um milhão de espécies desses organismos. A micota dos Neotrópicos, segundo estimativa recente, está representada por 550.000 fungos e 13.500 liquens (http://sciweb.nybg.org/science2/hcol/netr/index.asp)

Uma dificuldade a considerar, é o grande número de espécies “órfãs” ou seja, coletadas, porém não identificadas nem devidamente registradas nos herbários (Hawksworth & Rossman 1997). É possível, como menciona Hawksworth (2001), que a estimativa de 1,5 milhão de espécies seja conservadora, se for levado em conta: a) o número de espécies de plantas vasculares descritas e o número de fungos a elas associados, como sapróbios, parasitas ou simbiontes; b) o número de fungos que estabelecem algum tipo de relação com as cerca de 3 milhões de espécies de insetos; c) os fungos que se encontram em regiões geográficas inexploradas; d) o número de espécies nas regiões tropicais, que deve ser bem mais elevado do que nas regiões temperadas, com base nas quais foram feitas as estimativas.

Além da grande diversidade de espécies, um dos fatores que contribuem para o número relativamente pequeno de registros de fungos é a dificuldade para identificação, considerando a peculiaridade de cada grupo. Pela estrutura morfológica, e pelas estruturas reprodutivas, bastante diversificadas, o estudo taxonômico dos fungos requer conhecimento muito especializado e treinamento por vezes demorado. No mundo inteiro, o número de micologistas está muito aquém do necessário para se fazer uma avaliação mais aproximada da real diversidade de espécies fúngicas. Se há poucos especialistas, a possibilidade de formação de novos estudiosos em taxonomia de fungos também fica limitada.

Em relação a coleções de fungos, há dois tipos: aquelas com fungos vivos (coleções de cultura) e as com fungos herborizados (herbários), sendo que apenas o último tipo será aqui abordado. Os fungos mantidos em coleções de cultura serão tratados juntamente com as demais coleções de microrganismos, considerando que os mantidos em cultura na maioria são microscópicos.

As coleções de fungos, na maioria das vezes, estão em herbários que também guardam plantas, ficando obviamente essas coleções, botânicas e micológicas, em setores separados. Ressalta-se que em alguns dos herbários os registros são feitos de modo peculiar: como alguns substratos (folhas, galhos, etc.), podem abrigar vários fungos ou liquens, é preciso identificar e registrar cada um separadamente. Portanto, tem-se um número para a exsicata (folha, por exemplo, com os diversos fungos e/ou liquens) e outro para o fungo identificado. Como exemplo, no herbário URM o número de exsicatas está em aproximadamente 52000, enquanto o de fungos registrados chega quase a 78000. Esse tratamento diferenciado tem de ser observado para garantir a identidade e registrar cada espécime. Para fungos macroscópicos, mais facilmente individualizados, isso não se faz necessário, sendo usado, porém, o mesmo sistema (número da exsicata e número do fungo) para uniformizar o tratamento. Todo o material é mantido em envelopes ou caixas, dependendo do tamanho, sendo extremamente importante o controle da temperatura e da umidade, para evitar contaminações e ataque de insetos.

No mundo inteiro são registradas coleções de fungos, dada a grande importância e aplicabilidade desses organismos, seja pelo papel desempenhado nos vários ecossistemas onde são encontrados, seja nos diversos setores da atividade humana. Os herbários com as maiores coleções estão na Europa (Royal Botanic Gardens, Kew e Museum National d’Historie Naturelle, Paris, respectivamente com >800.000 e >500.000 espécimens) e nos Estados Unidos (New York Botanical Garden e Cornell Plant Pathology Herbarium, com >500.000 e >400.000 exemplares, respectivamente, dos diversos grupos de fungos). Nos trópicos, destaca-se o Field Museum, na Costa Rica, cuja coleção de fungos, bastante representativa, chega a quase 200.000 exemplares. Outros herbários, no exterior, também mantêm grandes coleções micológicas: Natural Botanical Garden of Belgium (114.000), Arthur Herbarium, Pardue University (100.000); Hyngarian Natural History Museum (90.000); New York State Museum (90.000), New Zealand Fungal Herbarium (70.000). Muitos desses herbários estão informatizados e com os dados a respeito dos fungos registrados disponibilizados.

No Brasil, o número de espécimes herborizados é bem maior que o de fungos em cultura, totalizando 208.000. Mesmo assim, em recente levantamento foi constatado (Maia, 2003) que de todos os herbários do país, apenas 28, entre os mais de 50 que responderam à consulta, mantêm uma coleção de fungos. Os maiores herbários em volume de exemplares de fungos são o URM, em Recife, e o SP, em São Paulo, o primeiro exclusivo para fungos, com mais de 78.000 exemplares e 700 tipos, e o segundo com praticamente a metade desse número (39.500). Em outros quatro herbários (UB, INPA, IAC, HCB), os fungos também estão bem representados (7000 a 20000 exemplares), enquanto nos demais, que constituem a maioria, há poucos registros. O grupo mais representado é o dos Basidiomycota e isso se explica pelo fato de serem, na maioria, macroscópicos. Exceção é o herbário URM, que tem maior número de Ascomycota (607 gêneros, principalmente Hemisphaeriales e Dothideales) foliícolas, estudados primordialmente por Chaves Batista e colaboradores. Este herbário também tem a maior diversidade, com representantes de praticamente todos os grupos de fungos, 90% dos quais identificados até espécie. Alguns herbários, por outro lado, são exclusivos para certos grupos, como é o caso do Herbário UPCB, com quase 2000 exemplares apenas de fungos liquenizados; do herbário UFP, que tem perto de 3000 Myxomycetes, do herbário UB, que tem na maioria microfungos foliícolas, e do IAC, com fungos fitopatogênicos.

A maior parte dos herbários com coleções micológicas (62%) está em Universidades; o restante em instituições de pesquisa ou museus. A região sudeste é a melhor representada, com 32% dos herbários com fungos; seguida pelo Sul (22,7%) e Nordeste (22,7%). No Centro-Oeste e no Norte estão, respectivamente, 13,6% e 9,1% das coleções micológicas herborizadas.

A coleção mais ampla, tanto em número de exemplares quanto de espécies de fungos e liquens encontra-se no Nordeste (Herbário URM), embora esteja no Sudeste a maioria das coleções. Os demais herbários do Nordeste, por outro lado, guardam pequeno acervo de fungos (< 3.000 espécimens/herbário) e em muitos estados dessa região a micota é praticamente desconhecida. No Sudeste, a maior coleção está em São Paulo, onde têm sido despendidos esforços específicos na tentativa de diminuir o desconhecimento sobre a diversidade fúngica (www.biota.org.br/pdf/v2cap02.pdf). Em alguns outros estados do Sudeste e no Sul também há coleções representativas, principalmente de Basidiomycota.

Os números mais uma vez refletem a distribuição dos especialistas. Os maiores pólos em micologia continuam sendo São Paulo e Recife. Outros grupos são encontrados principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Pará e Amazonas, com grupos emergentes, constituídos por jovens taxonomistas, em locais como Feira de Santana (BA), Santa Cruz do Sul (RS), e em outros estados. Em São Paulo, os micologistas com tradição em taxonomia de fungos encontram-se principalmente no Instituto de Botânica e no Instituto Agronômico de Campinas, enquanto em Recife os estudos taxonômicos estão concentrados na Universidade Federal de Pernambuco, sendo também efetuados na Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Das coleções micológicas, quase a metade encontra-se em boa situação quanto à preservação do material, mas no restante a situação é preocupante, porque sem o devido cuidado muito do que está coletado pode ser perdido. Observa-se que na maioria das vezes a Instituição responsável pelo herbário não reconhece o seu valor, e as condições oferecidas para manutenção são muito precárias. Nas Universidades em geral não há dotação própria para o herbário, que fica à mercê da boa vontade das chefias para garantir que os trabalhos sejam mantidos. Também faltam técnicos que dêem suporte às muitas atividades ligadas a um herbário.

De modo geral, dados mais atuais relativos à diversidade fúngica estão disponíveis para São Paulo (Joly et al. 1998), como produto do projeto Biota/FAPESP (www.biota.org.br), e em Pernambuco (Maia et al., 2002; Cáceres & Lücking, 2002), resultado de levantamento de registros sobre a biodiversidade neste Estado. Por outro lado, os fungos mencionados para o semi-árido foram listados (Maia & Gibertoni, 2002) em trabalho preliminar, e uma nova publicação sobre o assunto, resultado do projeto Instituto do Milênio do Semi-árido está sendo lançada (Gusmão & Maia, 2005). Recente avaliação das áreas prioritárias para levantamento da diversidade, em Pernambuco, mostrou que a maioria foi classificada como insuficientemente conhecida com relação aos fungos. O mesmo se aplica para os demais estados nordestinos e, certamente, para os demais estados brasileiros.

A razão dessa pequena representatividade num país megadiverso e com um número certamente muito elevado de fungos (a deduzir pela diversidade vegetal) está, sobretudo, no reduzido número de especialistas. Prova da necessidade de profissionais é o fato de que, em apenas oito dos herbários mencionados, há pessoal qualificado em taxonomia de fungos. Isso faz com que os curadores precisem dedicar mais esforço para criar, aumentar e manter as coleções micológicas, o que nem sempre é possível. As dificuldades para coleta e herborização, dadas as peculiaridades dos diferentes grupos de fungos, também constituem um entrave para o avanço das pesquisas nesse campo. Além disso, mesmo que sejam coletados, não há como identificá-los sem a devida assistência especializada. Também falta bibliografia adequada, com poucas chaves de classificação disponíveis para atender a demanda. Outros fatores como carência de infra-estrutura, falta de incentivo e financiamento para coletas e projetos em taxonomia, contribuem para que os estudos, e conseqüentemente o conhecimento sobre a diversidade de fungos no Brasil, estejam muito aquém do desejável.


Fungos Liquenizados

Com aproximadamente 2.500 espécies ocorrendo no Brasil, os fungos liquenizados estão pouco representados nas coleções em herbários nacionais, estando constituídas principalmente por material não identificado, que poderia em parte ser utilizado em estudos de diversidade e biogeografia, mas que não constituem base de comparação para confirmação de nomes de espécies (Marcelli, 1997).

As maiores coleções existentes no Brasil estão no herbário R, com 2.700 exemplares, e RB, com 3.600 exemplares. Mas além dos problemas acima mencionados, tratam principalmente da micota liquenizada daquele estado e o material não poderia ser citado para São Paulo, abrangendo áreas de restinga e das Serras do Mar e da Mantiqueira de ambos os estados.

Outras coleções que merecem destaque são as do herbário da Universidade Federal de Juiz de Fora (CESJ, MG), com mais de 600 números de fungos liquenizados, oriundos principalmente de regiões da Serra da Mantiqueira e do Caparaó, e na Universidade Federal de Minas Gerais (BHCB, MG), do mesmo porte, com fungos liquenizados do Caraça e da Serra da Piedade, com espécies que também ocorrem em São Paulo. O Instituto de Botânica (SP) de São Paulo (Herbário Seccional de fungos, localizado nas dependências da Seção de Micologia e Liquenologia) conta com uma coleção de cerca de 1.500 exsicatas, cujo principal material está representado por cerca de 200 exsicatas, identificado por Zahlbruckner no início do século, ou coletado por G. Eiten (Marcelli, 1997).

Outras coleções relativamente importantes estão localizadas no herbário ICN, Universidade Federal do Paraná (MBM), INPA, UFG, Museu Paranaense Emílio Goeldi (MG) e Universidade de Brasília (UB). No Nordeste, o herbário URM, da Universidade Federal de Pernambuco tem registrado principalmente fungos liquenizados foliícolas, na maioria coletados por Chaves Batista e colaboradores (47 gêneros e 143 espécies) e ultimamente revisados (Lücking et al., 1998). Por outro lado, as espécies mencionadas para Pernambuco, foram listadas por Cáceres & Lücking (2002), ficando patente a necessidade de novas coletas em toda a região, para ampliação do conhecimento sobre esse importante grupo de organismos. Não é do nosso conhecimento a existência de outras coleções com liquens no Nordeste.
Briófitos
As briófitas incluem os antóceros, as hepáticas e os musgos, atualmente estudados em três divisões: Anthocerophyta, Marchantiophyta e Bryophyta (Shaw & Goffinet 2000). São plantas terrestres, avasculares, que apresentam um ciclo de vida característico, com alternância das gerações gametofítica e esporofítica. Crescem em locais úmidos e sombreados, geralmente como epífitas, ocorrendo desde a base até os ramos da copa de árvores, inclusive sobre folhas, podendo também ocorrer sobre troncos em decomposição, rochas e solo (Pôrto & Germano, 2002).

Distribuem-se em todo o planeta, desde as regiões frias e polares, até as regiões temperadas e tropicais, onde apresentam maior diversidade, especialmente nas florestas úmidas. Ocorrem também em regiões semidesérticas, ou em água doce (lagos, cachoeiras e outros ambiente), embora estejam ausentes em água salgada (Pôrto & Germano, 2002).

São indicadores da qualidade de ar, água e solo, porque são sensíveis a alterações ambientais, sendo consideradas excelentes sensores biológicos no monitoramento de áreas sujeitas à poluição industrial e na indicação de elementos do solo e da água (Delgadillo & Cárdenas 1990; Raven et al., 1996).

Pôrto & Germano (2000) destacam a importância ecológica dessas plantas como pioneiras na colonização de sítios recentemente perturbados; no combate a erosão do solo; como interceptadores de água da chuva, auxiliando na manutenção da umidade dos ecossistemas, p. ex. florestas tropicais úmidas, sendo um dos componentes principais do estrato epifítico (Pócs, 1982; Schofield, 1985).

Em todo o mundo, existem cerca de 18.300 espécies de briófitas, das quais os musgos compreendem aproximadamente 10.000, as hepáticas 8.000, e os antóceros 300 espécies (Schofield, 1985; Shaw & Goffinet, 2000).

A América Tropical apresenta uma brioflora extremamente rica devido a grande variedade de habitats, com aproximadamente 4.000 espécies (2.600 musgos, 1.350 hepáticas e 30 antóceros), em 595 gêneros e 120 famílias. As regiões mais ricas em termos de espécies e endemismo são o Norte dos Andes e o sudeste do Brasil (Gradstein et al. 2001). Contudo, no Neotrópico ainda existem áreas que receberam pouca à exploração briológica, apresentando até o momento, apenas o registro de uma ou poucas coleções (Gradstein et al., 2001).

Para o Brasil, são citadas 3.200 espécies de briófitas (Yano 1981, 1984, 1989, 1995). Para a região nordeste, Pôrto (1996) compilou 437 espécies, embora seja oportuno reconhecer a necessidade de atualização desses dados, com as informações provenientes, principalmente dos trabalhos Cid (2004) e Valente (2005) para a Bahia, e de Germano & Pôrto 2004, 2005 para Pernambuco. Para o estado do Rio de Janeiro, recentemente, Costa et al. (2005) citaram um total de 1.039 táxons.

Briófitas são organismos fáceis de coletar, embora para os não especialistas, difíceis de identificar, principalmente pela falta de ferramentas adequadas para a identificação. Isso, aliado à ausência de taxonomistas levou a estagnação do conhecimento e diversidade de espécies do grupo no Neotrópico. Recentemente, objetivando sanar parte desta lacuna, Gradstein et al. (2001) publicaram um guia de gêneros para as briófitas da América Tropical, apresentando chaves de identificação, ilustrações, morfologia, distribuição e ecologia do grupo, consolidando a informação dispersa e disponível na literatura, bem como a experiência de campo dos autores. Posteriormente, e com base neste guia, Gradstein & Costa (2003) publicaram a flora de hepáticas e de antóceros do Brasil, onde são tratadas 600 espécies. Estes autores comentam que, com a realização de novos levantamentos brioflorísticos, este número deve ser ampliado para 700-750 espécies, ou seja metade da flora de hepáticas da América Tropical. O trabalho contém chaves de identificação, morfologia, distribuição e ecologia e é a primeira ferramenta de identificação de espécies de hepáticas e antóceros elaborada para um país no Neotrópico.

Em geral as coleções de referência são as mesmas dos vegetais com sementes, embora alguns herbários, como por exemplo, o herbário Gèneve, Wien, GOET, PI, etc, dispõem de importantes coleções realizadas por Stephani, Müller, Raddi, Schiffner, entre outros.

O nível de conhecimento sobre a diversidade de briófitas nas coleções brasileiras foi detalhado por Costa & Pôrto (2003), através de uma primeira avaliação das principais coleções depositadas nos herbários do país. A grande maioria dos herbários brasileiros iniciou as coleções de briófitas a partir do final dos anos sessenta, no século XX. Atualmente, estes herbários reúnem cerca 140.000 amostras de briófitas, sendo que praticamente a metade deste acervo encontra-se depositado no herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (Ibt), que conta com coleções de todos os estados e ecossistemas do país. Tal situação decorre do número reduzido de especialistas, concentrado principalmente nas regiões sudeste e sul, e da ausência destes em determinados grupos taxonômicos e áreas do país, situação que vem mudando nos últimos cinco anos.

As regiões sul e sudeste se destacam pelo maior número de herbários (12), com ca. 110.000 coleções de briófitas e com a maior representatividade dos ecossistemas brasileiros (Costa & Pôrto, 2003).

Com relação a materiais tipo de briófitas, se destacam os herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), com diversos tipos estrangeiros; seguindo-se o do Instituto de Botânica de São Paulo (Ibt) e o do Museu Nacional (R), principalmente com tipos brasileiros.



2.2. Da Informatização dos Acervos
Apenas 52% dos herbários brasileiros estão com mais da metade ou com o acervo de vegetais vasculares totalmente informatizado, enquanto que 11% dos herbários sequer iniciaram o processo de informatização (Peixoto & Morim, 2003).

No Brasil, alguns projetos já foram implementados, destacando-se o “Programa de Pesquisas em Conservação Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo – BIOTA-FAPESP”, o “Sistema de Bases Compartilhadas de Dados sobre a Amazônia- BCDAM”, a “Base de Dados Tropicais-BDT”, o “Programa Biota-Pará” (Menezes & Bicudo, 2005).

Para algas, algumas instituições já iniciaram a informatização de suas coleções, podendo-se citar, como alguns exemplos, o herbário do Instituto de Botânica (SP), do Museu Nacional (R), da Universidade Federal de Santa Catarina (FLOR), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (HRJ), da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS). Destaque para os herbários SP (Instituto de Botânica). SPF (Universidade de São Paulo, SP) e JPB (Universidade Federal da Paraíba) que já concluíram a informatização do acervo com a inclusão dos registros de, respectivamente, 13.225, 19.776 e 3632 exemplares. Para as demais coleções, não há informação precisa sobre o número de algas e tipos de dados já incluídos nos seus respectivos bancos de dados (Menezes & Bicudo, 2005). Destacam-se as macroalgas marinhas da coleção da Universidade de São Paulo que está informatizada e incluída no SinBiota e Species Link.

Os programas adotados não são os mesmos, sendo necessário testar a interoperabilidade entre eles. No geral, a informatização das coleções vem sendo realizada através do programa BRAHMS (Botanical Research and Herbarium Management System), como ocorre nos herbários R e UB, e do Acess, usado no herbário SP e UPCB.

As avaliações preliminares realizadas apontam para uma forte heterogeneidade no processo de armazenamento das coleções preservadas em meio líquido ou até mesmo em desidratadas em exsicatas, caixas e livros (coleções históricas), ausência de padronização de protocolos quanto aos dados de campo a serem incluídos nas fichas de coleta e, mesmo ausência de livro de tombo. A necessidade do estabelecimento de um protocolo mínimo de informações a serem fornecidas com os materiais coletados, a fim de permitir a formação de um banco sólido de dados foi recentemente discutida por Menezes & Bicudo (2005), durante a X Reunião Brasileira de Ficologia, que apresentaram proposta de um banco de metadados nacional para coleções de algas depositadas em museus e herbários. A proposta foi discutida como “ampliação das práticas de catalogação bibliográfica tradicional em um ambiente eletrônico” no contexto de objetos digitais e no nível estrutural abrangendo: informações biológicas, geográficas, ecológicas, sobre as coletas e as coleções (Menezes & Bicudo, 2005).

Em relação à organização e acesso à informação das coleções de briófitas, a maioria dos acervos não se encontra informatizada, com exceção dos herbários da região norte (IAN, INPA e MG), que estão em processo de informatização e também utilizando o software BRAHMS (Costa & Porto, 2003).

Para fungos os dados sobre os acervos aparentemente não estão informatizados. Em geral os herbários começam por informatizar os dados das coleções de fanerógamas, possivelmente por serem as mais numerosas. Na maioria dos casos faltam pessoal e infraestrutura para que essa tarefa seja executada.
2.3. Dos Recursos Humanos
A falta de recursos humanos qualificados assume um importante papel na deficiência do conhecimento da biodiversidade nacional e nas dificuldades de manutenção das coleções de vegetais avasculares e fungos, no país. Há necessidade premente de contratação de pessoal para a manutenção das coleções em vários níveis de especialização.

O quadro geral no país mostra um número insuficiente de técnicos para garantir o pleno funcionamento do herbário, incluindo preparo, registro, inclusão, atualização da nomenclatura, armazenamento e conservação das amostras.

No caso das coleções de algas, é preocupante a falta de recursos humanos para organizar e manter as coleções. Praticamente, não existem técnicos com formação adequada para atender as coleções de algas nos herbários brasileiros. Muitas vezes, os próprios taxonomistas, também em número limitado e com demanda de tempo reduzida frente aos demais encargos acadêmicos e administrativos que exercem, tentam desempenhar as funções técnicas. A participação de bolsistas e estagiários tem se tornado uma tentativa de maximizar as atividades desenvolvidas nos herbários, principalmente quando não existem funcionários nas instituições designados para esta função. Entretanto, esta situação além de paliativa, não vem obtendo resultados positivos frente ao número limitado de recursos dos programas de bolsas dos órgãos de fomento e da falta de incentivo das próprias instituições que abrigam as coleções. A extinção do cargo de técnicos para atuarem junto às coleções no quadro de algumas instituições públicas agrava ainda mais as perspectivas de incorporação destes profissionais.

Este quadro se aplica também para as coleções micológicas. Na maioria dos herbários brasileiros não há especialistas em fungos e isso certamente tem dificultado e muitas vezes impedido a ampliação dos acervos. Como mencionado, em apenas oito dos herbários com fungos, no país, há taxonomistas em Micologia na Instituição e só os maiores dispõem de mais de um pesquisador com formação especializada nesse grupo de organismos (Maia, 2003). A situação de fungos liquenizados mostra-se como uma das mais graves. O grupo conta aproximadamente com cinco taxonomistas especialistas para assumirem a função de mapear a biodiversidade desses organismos no Brasil. Outros grupos extremamente carentes de especialistas são os dos Zygomycota e Ascomycota, que praticamente não têm especialistas em atividade, a não ser os ligados à fitopatologia.

Por outro lado, há taxonomistas em todas as regiões do país, com destaque para as regiões sudeste, sul e nordeste, porém sem distribuição equilibrada entre os estados. Maior concentração está nos locais com cursos de Pós-graduação. O de Biologia de Fungos, da Universidade Federal de Pernambuco, se destaca por ser o único exclusivo na formação de micologistas, recebendo alunos de norte a sul do país. Naturalmente em outros programas de pós-graduação, como os de Botânica da USP e da UFRGS, e de Fitopatogia, como o da UFRPE, UnB, UFV, também são formados taxonomistas em fungos. Ao mesmo tempo, os novos pesquisadores que estão sendo formados nesses programas precisam ser contratados, de modo a aplicar e disseminar o que aprenderam, contribuindo efetivamente para diminuir a lacuna no conhecimento sobre a diversidade de plantas avasculares e de fungos no Brasil.

A situação em relação às briófitas é menos grave do que a dos fungos liquenizados. Segundo Costa & Pôrto (2003), na região Norte, os herbários do INPA e MG contam com ca. 15.000 amostras parcialmente identificadas, com representantes predominantemente de Campina e Floresta de Terra Firme. O Museu Goeldi conta com um especialista no grupo e a coleção do INPA foi trabalhada pelo Projeto Flora por diferentes briólogos nacionais e internacionais. No Nordeste, os herbários ALCB e UFP possuem ca. 12.000 amostras parcialmente identificadas, predominantemente da Caatinga, Mata Atlântica e Restinga e quatro especialistas, um na UFPE e dois na UFBA. No Centro-Oeste, os herbários IBGE, UB e UFG são os mais importantes, porém não tem condições de atender a demanda por informações porque as coleções são pequenas, e embora recentemente a região passou a contar com um especialista, grande parte das coleções ainda estão depositadas nos herbários do sudeste (R, RB e SP). A região Sudeste detém coleções significativas nos seus herbários (ca. 87.000), seja em números totais de exemplares e/ou em representatividade do grupo na região (CVRD, GFJP, HRJ, MBML, R, RB, SP, SJRP e UFJF), com muitas coleções do início do estudo da botânica no Brasil e representantes dos principais ecossistemas do país (Cerrado Manguezal, Mata Amazônica, Mata Atlântica e Restinga). Atualmente, existem sete especialistas nesta região. Finalmente, na região Sul, os herbários mais importantes são ICN, MBM e PACA, com ca. 24.000 amostras de ecossistemas como Campo Sulino, Mata de Araucária e Mata Atlântica, e grande parte das coleções identificadas, sendo que a única especialista no grupo se aposentou recentemente



3. Estratégias a serem adotadas

As estratégias e metas aqui apresentadas tiveram por base as propostas elaboradas em 1998, pelo grupo de trabalho temático sobre Identificação, monitoramento, avaliação e minimização de impactos negativos, como parte da Estratégia Nacional de Diversidade Biológica, visando atender os artigos 7° e 14 da CDB, por solicitação do MMA/FNMA/GEF (para maiores detalhes consultar Bicudo et. al. 1998).


  • Incentivo à capacidade instalada nas instituições governamentais para produzir inventários taxonômicos dos diversos grupos de plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos (incluindo os liquenizados).

  • Reprodução da capacidade instalada nas instituições governamentais multiplicando-a, tantas vezes quantas forem necessárias, para concretizar os inventários taxonômicos dentro de um prazo máximo a ser estabelecido de comum acordo com os pesquisadores.

  • Multiplicação das vias e facilidades para capacitação dos recursos humanos que permitam levar a cabo e bom termo o inventário da biodiversidade brasileira, através da modernização de coleções biológicas e a consolidação de sistemas Integrados de informação sobre a biodiversidade no país.

  • Abertura de cargos suficientes nas instituições governamentais, que permitam a absorção dos recursos humanos antes mencionados.

  • Aparelhamento adequado e suficiente das instituições governamentais envolvidas com o inventário da diversidade de plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos.

  • Incentivo à iniciativa privada para investir no inventário da diversidade biológica do país, bem como na manutenção e ampliação das coleções biológicas, oferecendo-lhe vantagens específicas para tanto.

  • Gestão para que os governos federal, estadual e municipal realizem investimentos condizentes com as necessidades do inventário da diversidade de plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos.

4. Metas gerais para consecução das estratégias


  1. Capacitação, de no mínimo 100 profissionais especialistas a cada 3 anos, em todo o território brasileiro, para a realização de estudos taxonômicos e o monitoramento do impacto ambiental sobre plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos, utilizando também a capacidade já instalada nas instituições governamentais.

  2. Aparelhamento imediato, de maneira adequada e suficiente, no mínimo das principais instituições governamentais nacionais envolvidas com estudos de taxonomia e depositárias das principais coleções biológicas, as quais constituirão núcleos de excelência para o inventário da diversidade de plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos.

  3. Criação de ações (programas ou linhas específicas de financiamento) nas instituições oficiais de fomento à pesquisa, tanto federais quanto estaduais (CNPq, FINEP e FAPs) e, inclusive, nas prefeituras municipais, com a finalidade única de investir significativamente na reprodução da capacidade instalada nas instituições oficiais e sua multiplicação, quantas vezes forem necessárias, para concretizar os inventários taxonômicos de plantas avasculares (algas e briófitos) e fungos, num período não superior a 10 anos.

  4. Criação de possibilidades de fixação nas instituições governamentais dos recursos humanos acima capacitados, divididas em três grupos de acordo com as necessidades regionais: curto prazo (3 anos), médio prazo (5 anos), longo prazo (10 anos).

  5. Criação de mecanismos que possibilitem incentivar a iniciativa privada a investir no inventário da diversidade biológica do país, através da manutenção e ampliação das coleções biológicas, oferecendo-lhes vantagens (fiscais ou de qualquer outro tipo) específicas para tanto.


5. Orçamento Estimativo (tabela 1)
Para microalgas há de se considerar que um mesmo frasco (correspondente a exsicata) pode apresentar número de espécies e espécimes variados. Além disso, em geral, as microalgas são conservadas em meio líquido utilizando-se distintas soluções totalmente inadequadas à preservação do material em coleção (Menezes, 2003). Alguns ficólogos vêm discutindo como forma alternativa de substituição do material em meio líquido a reprodução por fotografias de material vivo e fixado (microscópio com sistema de aquisição de imagens) com vistas à elaboração de uma fototeca, incluindo material tipo ou não. Teríamos, então, o registro do material associado a uma foto no processo de informatização das coleções. Pode-se estimar que o tempo gasto para capturar uma imagem de um espécime seja de 8 minutos. Se, cada frasco apresentar em média 10 espécies, teremos um total de aproximadamente 02:30h para capturar, no mínimo, dois exemplares/espécie. Teríamos, então, por dia, um total de três frascos analisados, com 30 espécies e 60 espécimes com imagens capturadas. Com quatro técnicos, a fototeca de um conjunto de 1000 frascos (10.000 espécies e 20.000 espécimes) estaria pronta, no período máximo de um ano, para posteriormente ser incluída no banco de dados. O valor calculado para cada imagem digitalizada com as informações das respectivas etiquetas incluídas no banco de dados é de R $ 2,00, o que totaliza R$ 40.000,00 (incluídos os encargos sociais). Fungos apresentam situação semelhante às microalgas, uma vez que é possível encontrar, por exemplo, numa só folha mais de 10 ou 20 fungos e/ou liquens. No caso de macroalgas, briófitas e fungos pode-se estimar, com base nos custos de informatização indicado no documento de plantas vasculares (Barbosa, Vieira & Peixoto, 2005), um custo médio de R$ 1,50/exsicata.

Considerando as diferenças regionais e os diferentes portes dos herbários, optou-se por considerar um custo médio de R$ 1,50 por espécime/exsicata. É importante lembrar que tais valores são aproximados e que a Instituição precisa dispor de infra-estrutura adequada para informatização.

É importante destacar que o valor estimado acima considerou apenas os aspectos da morfologia externa e com base em microscopia óptica, não se incluindo portanto estudos através de técnicas especiais, como p.ex. dados sobre morfologia interna, microscopia eletrônica e biologia molecular.
Agradecimentos
As Dras. Célia Leite Sant’ Anna, Dra. Sandra Maria Alves-da-Silva, Kátia Pôrto e Márcia A.de Oliveira Figueiredo pelas informações e valiosas sugestões.
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Siglas dos herbários
ALCB: Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA

BHCB: Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

CESJ: Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG

FLOR: Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

HAS: Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

HCB: Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz, RS

HRJ: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ

HUEFS: Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA

IAC: Instituto Agronômico de Campinas, Campinas, SP

ICN: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS

INPA: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM,

JPB: Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB

MBM: Museu Botânico Municipal de Curitiba, Curitiba, PR

MP: Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA

PACA: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS

PEUFR: Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, PE

R: Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ

RB: Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, RJ

RFA: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ

SP: Instituto de Botânica de São Paulo, São Paulo, SP

SPF: Universidade de São Paulo, São Paulo, SP

UB: Universidade de Brasília, Brasília, DF

UFG: Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO

UFP: Universidade Federal de Pernambuco (Depto. de Botânica), Recife, PE

UFMA: Universidade Federal do Maranhão, São Luis, MA

UPCB: Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR

URM: Universidade Federal de Pernambuco (Depto. de Micologia), Recife, PE

Tabela 1- Orçamento Estimativo



Ações

Custo estimado

Total (R$)

3 anos







Workshops regionais *

5 reuniões (R$ 15.000,00/reunião)

75.000,00

Programa de bolsas (em diferentes níveis) para formação de taxonomistas em avasculares e fungos

IC= 50 X 21x12x241,00= 3.036.600,00

M= 60x21x12x855,00 = 12.927.600,00

D= 100x14x12x1267,00 = 21.285.600,00


37.249.800,00

Programa para capacitação/ treinamento básico em taxonomia de avasculares e fungos

5 cursos (1 curso/região/grupo taxonômico) x 2.750,00




41.250,00

Melhorar as condições de armazenamento dos espécimes, sistema elétrico e prevenção de incêndios *

23 herbários de referência 100.000,00/herbario)



2.300.000,00

Ampliação dos equipamentos de informática dos herbários

1 computador + impressora + scanner (4000,00) (2.500,00)/ 15 coleções




154.500,00

Ampliação dos equipamentos para avasculares e fungos

1 microscópio com epifluorescência, contraste-de-fase, DIC, sistema de aquisição de imagens /10 herbários referência




730.000,00

Literatura especializada avasculares e fungos




100.000,00

Promover a visita de especialistas aos herbários para trabalhar com os acervos *

Passagens 12 especialistas por ano x 3 anos (36 x 2.000,00)

Diárias p/36 pessoas x 5 dias x 148,45



72.000,00

Capacitar técnicos de apoio nas coleções, incluindo pessoal especializado em bioinformática *

5 cursos (1 por região) – R$ 5.000,00


75.000,00

Programa de coletas *

6 áreas/5 regiões/12 coletasx 2.000,00 /ano

7.200.000,00

5 anos







Criação de páginas de todos os herbários brasileiros *



36.000,00

Compartilhamento de informação sobre material tipos de plantas avasculares e fungos

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Informatização dos acervos de avasculares e fungos dos herbários

R$ 1,50 x 671.000 exsicatas

1.006.500,00

10 anos







Implantação do Herbário Virtual *





1.500.000,00

* comum a todas as plantas (vasculares, avasculares) e fungos



Catálogo: cgee -> documentos
documentos -> Iniciativa internacional de polinizadores
documentos -> Coleções de plantas vasculares: diagnóstico, desafios e estratégias de desenvolvimento
documentos -> Xilotecas Brasileiras: panorama atual e contextualização Introdução
documentos -> ColeçÕes de invertebrados não-hexapoda do brasil: panorama atual e estratégias para sua consolidaçÃO
documentos -> Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (cgee)
documentos -> Ariane Luna Peixoto
documentos -> Sistemática: tendências e desenvolvimento, incluindo impedimentos para o avanço do conhecimento na área
documentos -> Coleções biológicas e sistemas de informação
documentos -> ColeçÕes entomológicas brasileiras – estado-da-arte e perpectivas para dez anos
documentos -> Propostas de estratégias e ações para a consolidação das coleções zoológicas brasileiras


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