Colegiado dos cursos de bacharelado e licenciatura em geografia projeto pedag



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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS

COLEGIADO DOS CURSOS DE BACHARELADO

E LICENCIATURA EM GEOGRAFIA

PROJETO PEDAGÓGICO

BACHARELADO EM GEOGRAFIA
Reitor: Prof. Antonio Cesar Gonçalves Borges

Vice-Reitor: Prof. Manoel Luiz Brenner de Moraes

Pró-Reitor de Graduação: Profª. Eliana Estrela Povoas de Brito

Diretora do Departamento de Desenvolvimento Educacional:

Profª. Sandra Souza Franco



Diretor do Instituto de Ciências Humanas:

Prof. Sidney Gonçalves Vieira



Coordenadora dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em Geografia:

Profª Rosa Elane Antoria Lucas



Pelotas, Outubro de 2010.

SUMÁRIO

  1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO 03

  2. IDENTIFICAÇÃO DA UNIDADE 03

  3. IDENTIFICAÇÃO DO CURSO 05

  4. REFERENCIAIS DO PROJETO PEDAGÓGICO 10

  5. OBJETIVOS DO CURSO 15

    1. OBJETIVO GERAL 15

    2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 15

  6. PERFIL DO PROFISSIONAL/EGRESSO 16

  7. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES ESPERADAS DO GRADUANDO 17

    1. COMPETÊNCIAS DO BACHAREL EM GEOGRAFIA 18

    2. HABILIDADES DO BACHAREL EM GEOGRAFIA 18

  8. ESTRUTURA CURRICULAR 19

    1. PROPOSTA CURRICULAR 21

    2. LISTAS DE DISCIPLINAS ESPECÍFICAS 25

    3. LISTAS DE DISCIPLINAS COMPLEMENTARES 28

    4. ATIVIDADES COMPLEMENTARES E LIVRES – QUADRO PARA O CÁLCULO DAS 200HS 29

    5. ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS 30

    6. MONOGRAFIA 31

    7. CONCEPÇÃO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE GRADUAÇÃO 31

    8. CONCEPÇÃO DOESTÁGIO SUPERVISIONADO E DO ESTÁGIO NÃO SUPERVISIONADO – REGULAMENTO 40

9. SISTEMA DE AVALIAÇÃO 52

9.1 PROCESSOS ENSINO/APRENDIZAGEM 52

9.2 SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO PROJETO DO CURSO 56

10. INFRA-ESTRUTURA DO CURSO 57

  1. INTEGRAÇÃO COM A PÓS-GRADUAÇÃO 60

  2. ACOMPANHAMENTO DOS EGRESSOS 61

  3. CARACTERIZAÇÃO DO CORPO DOCENTE 62

  4. CARACTERIZAÇÃO DAS DISCIPLINAS 65




  1. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

Universidade Federal de Pelotas – UFPEL

CNPJ: 92.242.080/0001-00

Rua Gomes Carneiro, 1 · Centro ·

CEP 96010-610 · Pelotas, RS


Fone: (53) 3921-1401 · FAX: (53) 3921-1268

  1. IDENTIFICAÇÃO DA UNIDADE

O Instituto de Ciências Humanas (ICH) foi criado poucos meses após a fundação da Universidade Federal de Pelotas, através do artigo 14 do decreto 65.881, de 16 de dezembro de 1969, que aprovou o Estatuto da Universidade. 

  Até 1973, manteve-se exclusivamente como instituto básico, ministrando disciplinas para outras unidades da UFPEL e iniciando os Cursos de Licenciatura Curta de Estudos Sociais e Plena em Moral e Cívica. 

    Em 31 de dezembro de 1980, a portaria 964, autorizou o funcionamento das licenciaturas plenas em História (reconhecida pela Portaria 171, de 7 de março de 1986) e Geografia (reconhecida pela Portaria 319, de 17 de maio de 1989), como complementos à licenciatura curta de Estudos Sociais. 

Em 24 de agosto de 1984 foi criado o Curso de Licenciatura em Filosofia (reconhecido pela Portaria 201, de 7 de fevereiro de 1991), passando a funcionar efetivamente em 1985. O Departamento de Filosofia do Instituto de Sociologia e Política da Universidade Federal de Pelotas começou a desenvolver-se em 1992, a partir do desdobramento do antigo Departamento de História e Filosofia.

No início da década de 1990, implantaram-se os currículos novos dos cursos de licenciatura em História e Geografia com duração de oito semestres. Depois de ultrapassada a fase das licenciaturas curtas em Estudos Sociais, houve uma mudança qualitativa de grande repercussão acadêmica na formação profissional de Geografia. Essas mudanças foram efetivadas graças a melhoria na qualificação do quadro docente, no investimento em ensino, pesquisa e extensão, no aprimoramento da infra-estrutura escolar e fundamentalmente no projeto pedagógico.

A partir de 1998, o Departamento de Geografia e Economia começou a elaborar a proposta de um novo Curso, o de Bacharelado em Ciências Econômicas “, que em agosto de 2000, ingressou a primeira turma, através da Resolução 02/2001 do CONSUN.  O Curso foi reconhecido pela Portaria MEC Nº. 3.799 de 17/11/2004. O Departamento de Economia (DECON) do Instituto de Ciências Humanas da UFPel é o resultado da ampliação do foco do Bacharelado em Economia que, ministrado pelo antigo Departamento de Geografia e Economia (DEGECON), tinha originalmente as lentes voltadas para questões de economia regional.

Em consonância com os eixos norteadores do Projeto Pedagógico da UFPel e com as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação em Geografia (Parecer CES 492/2001), foi em 2004, implementada a reforma curricular das licenciaturas, que expandiu os cursos de Filosofia, História e Geografia para dez semestres. A partir de 2006, iniciou o retorno para a duração de oito semestres. Neste mesmo ano, no primeiro semestre, ocorreu a criação do Curso de Bacharelado em Filosofia.

O ICH passou a dar início aos cursos de pós-graduação, em 1997, cuja primeira turma foi a Especialização em Filosofia. Atualmente, o instituto conta com outros três cursos de especialização, além da Filosofia, Geografia (2002), História do Brasil (2003), Memória, Identidade e Cultura Material (2003), mais recentemente, Antropologia, Conservação e Restauro e o Curso de Museologia.

Na intenção de continuar o compromisso dos cursos com os interesses coletivos, promoção integral da cidadania e o respeito à pessoa, na tradição de defesa e fomento dos direitos humanos, o ICH oferece desde 2006 o Mestrado Interdisciplinar em Memória Social e Patrimônio Cultural.

 O crescimento do número de professores da área de economia do DEGECON com interesses de ensino, pesquisa e extensão nas mais variadas áreas da ciência econômica culminou, então, com o desmembramento, em 2006, do DEGECON em, respectivamente, Departamento de Economia e Departamento de Geografia.

Hoje, o instituto está credenciado para oferecer cursos de Pós-Graduação - nível de Mestrado, como o de História aprovado em (2009) e a Geografia, no ano de 2009, teve sua proposta de Mestrado elaborada pelo Departamento de Geografia, a qual foi enviada, em 2010, para a CAPES e aguarda o parecer.

3. IDENTIFICAÇÃO DO CURSO

Denominação: Bacharelado em Geografia

Modalidade: Presencial

Titulação Conferida: Bacharel em Geografia

Duração do Curso: 4 anos

Carga Horária Total do Curso: 2607 horas

Turno: Noturno

Número de Vagas Oferecidas: 40 vagas anuais

Regime Acadêmico: Semestral

Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Humanas

O curso de Licenciatura em Geografia da Universidade Federal de Pelotas foi reconhecido, por intermédio da portaria 319 do Ministério da Educação e Cultura, de 17/05/1989, publicado no diário oficial, no dia 22/05/1989, para atender a demanda de professores de Geografia da cidade de Pelotas e região.

A Geografia, reunida em Departamento e Colegiado próprio, começa a ser pensada a partir de um referencial único, voltado para a formação do professor de Geografia. O pensamento crítico permeia também as alterações curriculares, comprometendo o curso com a comunidade, por intermédio de uma visão de totalidade que se tem da sociedade.

No momento atual, não podendo fugir as transformações em curso relativamente á educação, consubstanciadas na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), considera-se adequado uma nova reestruturação, que contemple a nova legislação e as transformações do mundo da educação que esta procura atender.

As novas relações de produção, representadas pela globalização da economia e a mundialização da cultura, implicam em transformações que atingem a realidade sócio-espacial, exigindo da ciência geográfica uma nova postura para sua abordagem. A flexibilização do trabalho, a relativização das fronteiras, e, fundamentalmente, a introdução de técnicas de interpretação e ensino baseadas em novas tecnologias, impõem ou exigem mudanças.

A Geografia tem se preocupado cada vez mais em oferecer alternativas para oportunizar o acesso à Universidade de alunos trabalhadores. Com esse intuito, tem voltado sua prática para a comunidade mais próxima, se engajando em projetos que possibilitem a viabilização de tal objetivo. Nesse sentido, iniciou-se em 2007, a primeira turma do curso de Bacharelado em Geografia, demonstrando o interesse institucional na busca da complementaridade acadêmica e, na melhoria da formação profissional, diversificando as oportunidades existentes.

No momento atual, não podendo fugir as transformações em curso, consideramos adequada adoção de uma abordagem na produção científica, que contemple as transformações da realidade e sejam incorporadas pelo ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos pela universidade. As novas relações de produção, representadas pela globalização da economia e a mundialização da cultura, implicam no surgimento de novas relações que atingem a organização socioespacial, exigindo da ciência geográfica uma nova postura para sua abordagem.

A proposta do projeto do curso de bacharelado se propõe a enfrentar novos desafios, a exemplo da interdisciplinaridade, através das vivências e trocas de experiências constatadas e reavaliadas por outros departamentos. Esta vivência interdisciplinar é um processo, interiorizada na postura do pesquisador, a qual se estende ao trabalho de seu grupo de pesquisa. Nesse sentido, o conhecimento adquirido passa a ser socializado, servindo a futuros estudos e avaliações.

Cabe destacar que as novas diretrizes curriculares apontam como condição fundamental para os cursos de graduação a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, a qual deve ser garantida pelas instituições com infra-estrutura física, material e de pessoal, através de espaços institucionais que envolvam alunos de graduação, pós-graduação e profissionais da área. Dessa forma, proporciona o processo de reflexão crítica, trocas de experiências e a integração da universidade com a sociedade.

Várias iniciativas expressam esse compromisso dos geógrafos atuantes na UFPEL. Ao longo dos últimos anos, se concretizou sua decisiva participação na criação dos Laboratórios, como o de Estudos Urbanos, Regionais e Ensino de Geografia (LeurEnGeo), Estudos Agrários e Ambientais (LEAA), de Cartografia e Estudos Ambientais (LACEA), os quais vem subsidiando pesquisas, além de prestar serviços à administrações públicas e à iniciativa privada na região. Com a criação do curso de Bacharelado criaram-se, ainda, os Laboratórios Didáticos, Geoprocessamento, Geografia Física, Informática e Cartografia.

Ênfase especial cabe ainda a proposta encaminhada de criação do Programa de Pós-Graduação em Geografia, nível de Mestrado, em total acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), enquanto interface potencial com o Curso de Graduação em Geografia, uma vez que tem como um de seus principais propósitos a qualificação de profissionais para o exercício de atividades de pesquisa, de assessoria e consultoria, de avaliação e planejamento estratégico, em instituições públicas e privadas, valorizando sempre o resgate da cidadania e a qualidade de vida do homem e da sua comunidade.

Da mesma forma, o curso de pós-graduação lato sensu, oferecido a partir de 2002, assim como cursos de extensão, palestras e seminários, têm oportunizado a formação continuada dos profissionais da área e contribuído, para a qualificação deste projeto político-pedagógico.

A região de abrangência da Universidade Federal de Pelotas apresenta aspectos marcantes e ao mesmo tempo diversos, no tocante ao processo de sua formação. Neste contexto, é fundamental que a região consiga se reconhecer e visualizar para que possa vislumbrar novas estratégias, no sentido de potencializar suas capacidades endógenas, voltadas para a promoção do desenvolvimento. Viabilizar este processo é o papel da Universidade como um todo, e do Curso de Geografia em particular. A Geografia tem como uma de suas tarefas promover a compreensão da organização espacial, mediante a acurada interpretação do processo dialético entre as formas (arranjos ordenados de objetos, as paisagens) e as funções, enquanto expressões do conteúdo social de cada arranjo.

No contexto regional e local, o curso de bacharelado em Geografia da Universidade Federal de Pelotas se insere em um espaço e num momento histórico de grandes transformações. O município de Pelotas conta, segundo as estimativas mais recentes, com mais de 345 mil habitantes, formando, junto com o vizinho município de Rio Grande, um grande pólo de atração econômica e populacional para os municípios da região sul do estado. Esta atratividade se dá naturalmente por fatores, tais como a maior dinâmica do mercado de trabalho, a maior oferta de produtos e serviços. Os investimentos recentes no setor naval e portuário do município de Rio Grande provocaram um aumento nesta atratividade econômica e populacional na região, inclusive no município de Pelotas.

O setor de ensino superior em Pelotas vem passando por grandes transformações, em razão de seu papel como pólo de atração para a população dos municípios vizinhos. A cidade de Pelotas já vinha sendo procurada pelas instituições privadas de ensino superior. Recentemente, através das novas políticas de expansão das instituições públicas de ensino superior, foi criado o IFSUL - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense, com um dos seus campi no município de Pelotas. Além disso, através das mesmas políticas, a própria Universidade Federal de Pelotas expandiu a sua estrutura física, a sua oferta de cursos de graduação e pós-graduação, aumentando de forma considerável o número de vagas disponibilizado. Outros fatores importantes a serem considerados, além da adoção da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como critério de seleção para o ingresso na universidade, também a participação da universidade no Sistema de Seleção Unificada o (SISU); o que tem possibilitado com que estudantes de todo o Rio Grande do Sul, e mesmo de outros estados, procurem a UFPEL para a realização de seus estudos. Para tanto torna-se fundamental o Curso de Bacharelado em Geografia, para dar conta das demandas de expansão social, política e econômica da região.

Segundo as atribuições que lhe compete, regulamentadas na Lei Federal 6.664/1979, o bacharel em Geografia, ou, Geógrafo, está apto ao exercício de funções tais como: a delimitação e caracterização de regiões, sub-regiões geográficas naturais e zonas geoeconômicas, para fins de planejamento e organização físico-espacial; o equacionamento e solução, em escala nacional, regional ou local, de problemas atinentes aos recursos naturais do país; o zoneamento geo-humano, com vistas aos planejamentos geral e regional; a atuação na política de povoamento, migração interna, imigração e colonização de regiões novas ou de revalorização de regiões de velho povoamento, no levantamento e mapeamento destinados à solução dos problemas regionais, entre uma série de outras atividades relacionadas ao planejamento ambiental, urbano rural e regional. No contexto de todas as transformações, anteriormente, citadas, pelas quais o município de Pelotas e a região vêm passando, é fundamental que tanto o município quanto o estado possam contar com profissionais com essas competências.

Entretanto, em função de sua formação, eminentemente, ampla e interdisciplinar, o bacharel em Geografia traz consigo a capacidade de intermediar o diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento, por ocasião da realização de projetos interdisciplinares, representando uma grande virtude em face de um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e especializado. Investir na formação de bacharéis em Geografia para o município de Pelotas é trazer a possibilidade de diálogo não só entre as diversas áreas do conhecimento, mas também entre as diferentes instituições de ensino, pesquisa e extensão aqui existentes.

Do ponto de vista do mercado privado, o aumento do rigor com as questões ambientais, a crescente demanda por recursos naturais e o próprio reaquecimento da dinâmica espacial na região de Pelotas têm tido como consequência uma maior demanda por profissionais especializados na realização de estudos e projetos ambientais. É cada vez maior o número de atividades econômicas condicionadas à realização de licenciamento ambiental para que possam dar início as suas atividades. Também, a demanda por projetos de recuperação de áreas já degradadas, projetos de georreferenciamento de fenômenos espaciais, dentre os mais variados (redes de infra-estrutura, limites de propriedades rurais, criação de mapas interativos georreferenciados e outros). Tudo isso tem dado um novo impulso ao bacharel em Geografia, que, pouco a pouco, tem se tornado uma peça importante no mercado de trabalho privado de estudos ambientais.

Portanto, a fomentação do curso de bacharelado em Geografia da UFPel trará à universidade, à região e mesmo ao estado uma possibilidade de atendimento a uma série de demandas que estão em aberto, e que podem ser, progressivamente, supridas pelos profissionais aqui formados. A tendência para os próximos anos é de uma qualificação cada vez maior dos profissionais, que aqui estão sendo formados, através de investimentos em infra-estrutura (muitos deles já em andamento no âmbito do Departamento de Geografia), da reestruturação curricular e administrativa do curso, do incentivo às atividades de pesquisa e extensão.



4. REFERENCIAIS DO PROJETO PEDAGÓGICO

A profissão de geógrafo foi instituída pela lei nº 6.664 de 26 de junho de 1979 (regulamentada pelo decreto nº 85.138/80) e alterada pela lei nº 7.399 de 04 de novembro de 1985 (regulamentada pelo decreto nº 92.290/86). Atenta à legislação, a estruturação do curso de Bacharelado em Geografia se fundamenta em componentes curriculares organizados no sentido de situar o estudante no interior da sociedade e do mundo em que vive, com uma visão mais ampla e profunda da realidade. Com relação às diferentes abordagens do conhecimento, o Projeto Pedagógico do Curso segue, basicamente, além da legislação federal, as orientações disciplinares da ciência geográfica e as definições do sistema CONFEA-CREA (Conselhos Federal e Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia). O sistema CONFEA-CREA sistematiza a profissão de geógrafo e regulamenta o seu campo de atuação profissional, conforme a resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005.

Para harmonizar os referenciais da Geografia com a normatização profissional, é importante proporcionar situações de aprendizagem que facilitem ao aluno saber pensar sobre o tempo e o espaço da sua vivência, em conexão permanente com o campo de trabalho. A mundialização/internacionalização da economia e das relações sociais e políticas, interpenetradas pela velocidade da informação, seja pela produção ou pela circulação mudam os conceitos de espaço e de tempo, mas também as relações de poder entre as nações e internamente (nas relações); alteram-se os laços de trabalho e acentuam-se as diversidades culturais. O lugar precisa ser conhecido e compreendido em suas ações concretas localizadas, mas referidas ao universal.

Todas essas questões são inseridas nesse projeto de curso por componentes curriculares que se apóiam em matérias específicas, aulas ministradas, estágios, inserção no mundo acadêmico, atividades de laboratório, oficinas de produção de material, trabalhos de campo para observações ou para coleta de informações e a monografia de conclusão de curso. Portanto, como fundamento básico e referencial, considera-se a pesquisa como o princípio educativo.

Os procedimentos pedagógicos adotados consideram que neste mundo (real, mas também virtual) em que estamos vivendo, são necessárias novas práticas. Assim, longe de procurar conformar/enquadrar os estudantes em formas pré-estabelecidas, pretendem libertá-los para ter criatividade, serem críticos, ter acesso às informações e de usar os referenciais teóricos. Assim como o instrumental técnico que estiver disponível, de construir o seu próprio pensamento e estabelecer os elos entre todas as informações, para que possa, assim, produzir o seu conhecimento.

Esses avanços, de um modo geral, significam a busca constante da Geografia e dos geógrafos, no sentido de dar conta de explicar este mundo a cada dia mais complexo e mais conhecido, quer dizer, com um volume cada vez maior de informações colocadas à disposição de mais pessoas. Muito embora seja assim, se torna cada vez mais difícil ser compreendido e analisado. Nessa trajetória as discussões têm se ampliado, na busca de organizar as informações disponíveis, de aprofundar as investigações, de aperfeiçoar o método geográfico, de entender e encontrar técnicas cada vez mais adequadas para compreender a realidade. E por intermédio da Geografia, significa conseguir manejar os conceitos básicos e os instrumentos adequados para fazer a investigação e exposição dos seus resultados com o olhar espacial.

O território não pode ser entendido apenas como substrato físico que sustenta as populações e suas edificações. Ele incorpora a própria sociedade em movimento, pois, ao mesmo tempo em que é a base, ele próprio é agente, pois interfere ativamente nos processos. É o resultado da dinâmica social e é um dos atores dessa dinâmica. Se não se pode entender um Estado que não tenha território e nem fronteiras, não se pode compreender, também, uma sociedade sem o território. Este passa a ser fundamental na explicação da sociedade, e o papel da Geografia torna-se, fundamental. A Geografia tem um instrumental teórico capaz de dar conta da explicação da sociedade concretizada em um espaço construído, do qual resulta uma paisagem. Este território cheio de vida, de movimento da sociedade, precisa ser analisado, interpretado e compreendido.

A contribuição da Geografia com o conhecimento e a interpretação do mundo, no sentido de formar cidadãos que compreendam a realidade, situando-os na dinâmica atual, proporcionando os caminhos possíveis para tornar o mundo mais justo e humano, é uma preocupação constante de quem trabalha com a formação dos profissionais bacharéis.

Essa formação deve ocorrer contemplando duas perspectivas que são fundamentais para um profissional-bacharel e que, como tais, não se colocam hierarquicamente e nem como uma mais ou menos importante do que a outra. A função técnica e a função social são aspectos constitutivos da formação. Se uma requer a fundamentação teórica e a prática no exercício das atividades, com o domínio das técnicas (de pesquisa, do planejamento territorial e da docência), a outra é a base da argumentação, traduzida na relação dialógica, que vai dar a sustentação ao encaminhamento do trabalho.

Nestes termos o fundamental é que o aluno aprenda a fazer a análise geográfica. Além de precisar conhecer a realidade, saber fazer a investigação, ter instrumentais metodológicos para a busca dos dados e a análise, também necessita ter referenciais teóricos que possam dar sustentação à análise, saber manejar o instrumental que lhe permitirá avanços na qualidade das interpretações. Dessa forma, exige um arcabouço teórico dos quais decorrem determinados conceitos que são básicos para a Geografia como desenvolver determinadas habilidades, comuns a todos os profissionais que se integram no mundo do trabalho, e outras específicas da atuação na Geografia. Isto tudo o levará a desenvolver raciocínios geográficos e a aprender a pensar o espaço.

As questões geopolíticas são respostas com novos significados, assim, como a questão da natureza tem que ser redimensionada. Esta precisa ainda ser reconhecida em sua dinâmica interna e considerar uma escala natural para se compreender os seus eventos e as interrelações com as sociedades. Mas, precisa ser também conhecida e analisada pelas possibilidades e restrições que impõe à sociedade e, que lhes são impostas. Isso tudo encaminha a uma discussão ética, em que se devem ter interpretações não só do econômico e do político, incorporando também a razão, o sentimento e a emoção.

As novas linguagens precisam ser incorporadas com maior rapidez para que se possa aprimorar as análises e aprofundar as reflexões. Toda a tecnologia disponibilizada deve ser aproveitada para que se possa conhecer de modo mais amplo a realidade e produzir resultados mais apurados, por mapas, gráficos, cartas, fotografias, imagens e textos.



Os objetivos dos Cursos de Geografia devem estar em sintonia com os princípios filosóficos da sua instituição mantenedora, no caso a Universidade Federal de Pelotas, o Instituto de Ciências Humanas e o Curso de Geografia, formado por professores, funcionários e alunos, tratando como fundamental:



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