Colégio estadual “eron domingues”



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COLÉGIO ESTADUAL “ERON DOMINGUES”


ENSINO FUNDAMENTAL, MÉDIO E NORMAL


PROPOSTA PEDAGÓGICA CURRICULAR

DISCIPLINA DE HISTÓRIA

ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO


MARECHAL CÂNDIDO RONDON

2010

JUSTIFICATIVA

A História como conhecimento busca entender de que modo os seres humanos se organizaram e viveram no passado até os dias atuais, assim, propõe pesquisar a vida dos seres humanos em sociedade no passado e presente possibilitando compreender a interdependência entre o conhecimento cientifico e as experiências vivenciadas diariamente pela humanidade.

Nesse contexto podemos conhecer a História da humanidade em tempos e lugares diferentes, levando em consideração as condições de vida, sua maneira de pensar, agir e organizar, considerando as heranças recebidas daqueles que viveram anteriormente, além de se preocupar com os problemas atuais contribuindo para compreensão do momento que estamos vivendo, devendo considerar em suas dimensões amplas que envolvem a formação cultural.

Buscando atingir estes propósitos, as amplas tendências historiográficas, atualmente, tem nos brindado com constantes e profícuos debates acerca da problemática que se refere a inclusão de novos objetos, novos problemas, novas abordagens voltadas as varias facetas da produção humana.

Dentre as tendências historiográficas, a Nova Esquerda Inglesa, elegeu a classe trabalhadora como personagem central de seus estudos empíricos. Os conceitos de classe social e de luta de classes, fundamentais no pensamento marxista, foram ampliados por essa corrente, porque seus estudos não reduzem a explicação histórica ao aspecto econômico. Percebem a classe trabalhadora a partir do conceito de experiência, o que envolve, dialeticamente, o econômico, o cultural e o social. Conceitos fundamentais do marxismo tiveram significação ampliada para a ciência histórica, como, por exemplo, o de luta de classes, que passou a reconhecê-la no interior de uma mesma classe e não somente entre as classes1.

Ainda de acordo com as Diretrizes Curriculares, os historiadores da Nova Esquerda Inglesa, pautam seus estudos na experiência do historiador, na sua dimensão social e investigativa, o que possibilita novos questionamentos sobre o passado, a partir dos quais têm surgido novos métodos de pesquisa histórica.

Essa concepção de História, como experiência de homens e mulheres e sua relação dialética com a produção material, valoriza a possibilidade de luta e transformação social, reforçando a ideia que a construção da história é feita por sujeitos na realidade socialmente vivida.

Desse modo, a disciplina de história prioriza uma história viva e coloca o aluno diante de um problema para a investigação, pois fazer história significa lidar com a sociedade, objeto dinâmico e em constante transformação, onde ele (o aluno) reconhece os seus próprios condicionamentos sociais e sua posição como agente e sujeito da história2 portanto, a história é uma experiência que se concretiza no cotidiano, porque é a partir dela que constrói-se o hoje e o futuro.



OBJETIVOS GERAIS

Compreender a realidade na sua diversidade e múltiplas dimensões temporais. Destacando-se os compromissos e as atitudes de indivíduos, de grupos e de povos na construção e reconstrução das sociedades, procurando valorizar o intercambio de ideias, sugerindo a análise e o dialogo na formulação de perguntas, na construção de relações entre o presente e o passado e no estudo das representações, especialmente confrontando-a e relacionando-a com outras realidades históricas e, assim passam a fazer suas escolhas e estabelecer critérios para orientar suas ações.

Ampliar os horizontes de referência temporal dos alunos, de suas capacidades de explicação histórica e de suas atitudes de respeito e compreensão à diversidade cultural das sociedades e da sociedade brasileira em particular.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Buscando atingir os objetivos gerais, é necessário que os alunos sejam colocados diante de situações que exigem o desenvolvimento de atividades que proporcionam o aluno a:



  • Identificar relações sociais no seu próprio grupo de convívio na localidade, na região, no país, e outras manifestações estabelecidas em outros tempos e espaço;

  • Situar acontecimentos históricos e localiza-los em sua multiplicidade de tempos;

  • Reconhecer que o conhecimento histórico é parte do conhecimento interdisciplinar;

  • Compreender que as histórias individuais são parte integrante da história coletiva;

  • Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles, continuidade, conflitos e contradições sociais;

  • Questionar sua realidade, identificando problemas e possíveis soluções, conhecendo formas político-institucionais e organizações da sociedade civil que possibilitam modos de atuação;

  • Dominar instrumentos de pesquisa escolar e de produção de texto, aprendendo a observar e escolher informações de diferentes paisagens e registros escritos, iconográficos, sonoros e materiais;

  • Valorizar o patrimônio sócio-cultural e respeitar a diversidade social, considerando critérios étnicos;

  • Valorizar o direito de cidadania dos indivíduos, dos grupos e dos povos, como condição de efetivo fortalecimento da democracia, mantendo-se o respeito as diferenças e a luta contra a desigualdade;

  • Formar um cidadão consciente, crítico, capaz de entender o processo histórico nas suas diferentes dimensões;

  • Ter iniciativa e autonomia na realização de trabalhos individuais e coletivos;

  • Compreender de que um mesmo conceito adquire significados diferentes segundo momentos históricos e perspectiva às quais se encontram filiados;

  • Confrontar versões e interpretações sobre o mesmo acontecimento histórico.


CONTEÚDOS ESTRUTURANTES

No ensino de História, as dimensões da vida humana constituem enfoques significativos para o seu conhecimento, assim, os conteúdos estruturantes para o Ensino Fundamental e Médio serão trabalhados em cima de três enfoques:



  • Relações de trabalho

  • Relações de Poder

  • Relações Culturais



CONTEÚDOS BÁSICOS

5ª série


  1. A experiência Humana no Tempo

  2. Os sujeitos e suas relações com o outro no tempo

  3. As culturas locais e a cultura comum



6ª série


  1. As relações de propriedade

  2. A constituição histórica do mundo do campo e do mundo da cidade

  3. As relações entre o campo e a cidade

  4. Conflitos e resistências e produção cultural campo/cidade

7ª série


    1. História das relações da humanidade com o trabalho

    2. O trabalho e a vida em sociedades

    3. O trabalho e as contradições da modernidade

    4. Os trabalhadores e as conquistas de direito


8ª série

1. A constituição das instituições sociais

2. A formação do Estado

3. Sujeitos, Guerras e Revoluções



1ª série do Ensino Médio

1. Trabalho escravo, servil, assalariado e trabalho livre

2. Urbanização e industrialização

2ª série do Ensino Médio

1. O Estado e as relações de poder

2. Os sujeitos, as revoltas e as guerras
3ª série do Ensino Médio

1. Movimentos sociais, políticos e culturais e as guerras e revoluções

2. Cultura e religiosidade

METODOLOGIA

Para que os objetivos propostos sejam alcançados os alunos deverão, pela mediação do professor, apropriar-se criticamente dos conteúdos históricos fundamentados em vários autores, pelos manuais didáticos ou textos historiográficos referenciais, entrando, assim, em contato com vários procedimentos de produção do conhecimento histórico, envolvendo-se assim, num processo ativo de aprendizagem, construindo e reconstruindo conhecimentos.

Por isso, o ensino da História de ser assumido como investigação em História e vinculada a vivência do aluno, isto é, o saber oriundo da experiência social, uma vez problematizado, será fonte de interrogações, de problemas a serem estudados, usando os seguintes procedimentos metodológicos:


  • Questionar os alunos sobre o que eles sabem, quais suas idéias, opiniões, dúvidas e/ou hipóteses sobre o tema em debate e valorizar seus conhecimentos;

  • Propor novos conhecimentos, fornecer novas informações, estimular a troca de informações, promover trabalhos interdisciplinares;

  • Desenvolver atividades, promover trabalhos interdisciplinares;

  • Desenvolver atividades com diferentes fontes de informações (livros, jornais, revistas, filmes, fotografia, objetos, textos, vestimentas, etc.) e confrontar dados e abordagens;

  • Ensinar procedimentos de pesquisa, consulta em fontes bibliográficas, organização das informações coletadas, como obter informações de documentos, como proceder em visitas e estudo do meio e como organizar resumos;

  • Promover estudos e reflexões sobre a presença na atualidade de elementos matérias e mentais de outros tempos e incentivar reflexões sobre as relações entre presente e passado, entre espaços locais, regionais, nacionais e mundiais;

  • Promover estudos e reflexões sobre a diversidade de modos de vida e de costumes que convivem na mesma localidade;

  • Debater questões do cotidiano e suas relações com contextos mais amplos;

  • Utilizar diversos documentos e fontes históricas, disponibilizadas nos meios eletrônicos, como a TV Multimídia e o Laboratório do Paraná Digital.



AVALIAÇÃO

A avaliação em História tem uma função diagnóstica, resgatando a compreensão construtiva da avaliação educacional, visto que possibilita uma nova tomada de decisão sobre o objetivo avaliado, permitindo uma “parada” para se pensar a prática e a ela se retornar. Não se deve levar somente em conta, nesta “parada”, a situação de aprendizagem dentro da sala de aula, mas entender como avaliação um contexto mais amplo que faz parte do projeto pedagógico. É preciso obter informações úteis a respeito dos avanços feitos pelos alunos e na avaliação é preciso verificar o que é básico, o que é fundamental, para que o aluno avance no caminho da aquisição do conhecimento.

Avaliar significa dizer que o que está acontecendo na relação ensino-aprendizagem, o quanto foi possível avançar, o que vai bem e o que precisa melhorar na direção do que foi considerado central para a aprendizagem dos alunos. É preciso ter uma visão de conjunto da disciplina de História e ter clareza de onde quer se chegar com o trabalho. Portanto, a avaliação deve estar a serviço da aprendizagem de todos os alunos, permeando o conjunto das ações pedagógicas, e não como elemento exterior a este processo.

Na avaliação em história, é interessante propor aos alunos atividades que possibilitam a apreensão das ideias históricas dos estudantes em relação ao tema abordado: desenvolver a capacidade de síntese e redação de uma narrativa, atividades que permeiam ao aluno expressar o desenvolvimento de ideias e conceitos históricos: atividades que revelam se o educando se apropriou da capacidade de leitura de documentos com linguagens contemporâneas, como: cinema, fotografias, histórias em quadrinhos, música e televisão, relativos ao conhecimento histórico.

Quanto aos conteúdos estruturantes, é necessário investigar como os estudantes compreendem as relações de trabalho no mundo contemporâneo, as suas configurações passadas e a constituição do mundo do trabalho em diferentes períodos históricos, considerando os conflitos inerentes a essas relações.

No que diz respeito às Relações de Poder, é preciso investigar como os estudantes compreendem essas relações que se apresentam em todos os espaços sociais. Também deve diagnosticar como eles identificam, localizam os espaços decisórios e os processos históricos que as constituíram.

Referente às Relações Culturais, é importante investigar se os estudantes reconhecem a si e aos outros como construtores de uma cultura comum, consideradas as especificidades de cada grupo social e as relações entre eles. Deverá entender como eles compreendem a constituição das experiências culturais dos sujeitos ao longo do tempo e das permanências e mudanças nas diversas tradições e costumes sociais.

Para o Ensino Fundamental e Médio, a avaliação da disciplina de História, nestas diretrizes, considera três aspectos:



  • A investigação e a apropriação de conceitos históricos pelos estudantes;

  • A compreensão das relações da vida humana (conteúdos estruturantes);

  • O aprendizado dos conteúdos básicos? Temas históricos e específicos.

Ainda é possível avaliar através de diferentes atividades, tais como: leitura, interpretação e análise de narrativas históricas, pesquisas bibliográficas, sistematização de conceitos históricos: produção de narrativas históricas, pesquisas bibliográficas, sistematização de conceitos históricos, apresentação de seminários, entre outras.

Tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio, após a avaliação diagnóstica, o professor e seus alunos poderão revisitar as práticas desenvolvidas até então, de modo que identifiquem lacunas no processo pedagógico. Essa ação permitirá ao professor planejar e propor outros encaminhamentos para a superação das dificuldades constatadas.

Na disciplina de História devem identificar processos históricos, reconhecer criticamente as relações de poder neles existentes, bem como intervirem no mundo histórico em que vivem de modo a se fazerem sujeitos da própria História3.

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HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO. Vários Autores. Curitiba. Seed-PR. 2006.

1 PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes curriculares de História para a educação básica. Curitiba, 2006. p. 27.

2FENELON, Déa Ribeiro. A Formação do profissional de História e a realidade do ensino.Tempos Históricos. Vol 12. 1º semestre. 2008 p.23-35

3PARANÁ. Secretária de Estado da Educação. DCE – História Curitiba. p. 82/83.2209



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