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COLÉGIO PIRACICABANO
Beatriz Martins

Julia Pacheco

Thainá Rambaldo

Harry Potter e a Ética

Piracicaba

2011

Beatriz Martins

Julia Pacheco

Thainá Rambaldo


Harry Potter e a Ética

Trabalho apresentado no Colégio Piracicabano como requisito da disciplina Introdução ao Trabalho Cientifico.



Orientador: Prof.° Taitson Leal dos Santos


Piracicaba

2011

Introdução
Harry Potter é uma saga de livros e filmes de altíssima rentabilidade, cuja fama se alastra por todo o mundo.
Tudo começou quando Joanne Kathleen Rowling, uma britânica, durante uma viagem de trem, imaginou histórias mágicas sobre um menino aparentemente normal. Esse seria Harry.
O menino morava com os tios desde que se lembrava. Eles lhe diziam que seus pais haviam morrido em um acidente de carro. Porém, com 11 anos, coisas estranhas passaram a acontecer a sua volta, como por exemplo corujas rondando a casa com cartas estranhas. No dia do seu aniversario, um gigante muito esquisito aparece em sua casa e lhe diz que na verdade é um bruxo, cujos pais foram mortos por um mago malévolo e cruel, chamado Voldemort. Esse bruxo também havia tentado matar Harry, porém por algum motivo misterioso, revelado somente ao fim da saga, o menino sobrevivera, e Voldemort foi aparentemente liquidado. Assim, Harry, a contragosto de seus tios não-bruxos (denominados trouxas na história), foi enviado a Hogwarts, a escola dos bruxos, e lá aprende magias, poções, etc. Nos sete livros, Harry vive situações inusitadas e perigosas, exposto ao constante perigo do retorno de Voldemort, o que realmente acontece no quarto livro da série.
Desde o lançamento de seu primeiro livro, em 1997, a saga já rendeu bilhões de dólares a sua autora, e logo após, aos atores e equipe da produção de seus filmes.
Ao enredo das histórias, é possível fazer a relação de diversos elementos que J. K. Rowling utiliza com elementos filosóficos, míticos, sociológicos, ideológicos, religiosos, etc. Ao realizarmos esse trabalho, buscamos nos aprofundar nos elementos filosóficos, mais especificamente nas teorias sobre ética.
Durante o desenvolvimento do trabalho, abordaremos o conceito de ética a partir de um texto de Platão intitulado “O Anel de Giges”. Tal alegoria ilustra de forma muito interessante a ética bem como a relação com um elemento mágico presente na história, a Capa de Invisibilidade.

O que é ética?
Ao referir-se a ética, é impossível pensar em somente uma definição. A ética vem sendo estudada há muito tempo, variando conforme o contexto histórico e os valores da época. Diversos filósofos e pensadores, desde aproximadamente 2500 anos atrás até os dias de hoje, criaram teorias par definir a ética. A principal base utilizada por eles foi a teoria escrita por Platão, no século V a.C. Portanto, essa será a teoria utilizada como base também para este trabalho.
Ética segundo Platão
Platão, em diversos registros de diálogos com outro filósofo grego, Sócrates, discute sobre as virtudes e a natureza do bem. A virtude seria uma referência à sabedoria, portanto, a virtude é algo que pode ser aprendido. Uma pessoa virtuosa seria uma pessoa que faz o bem, que busca a harmonia e a felicidade para si própria e para o meio. Finalmente, conclui-se que a ética provem de pessoas virtuosas, ou seja, que uma pessoa que pratica ética é aquela que possui ou aprendeu virtudes e as usa em conceito com o meio.



O mito do Anel de Giges
Ainda usando Platão como referência, ele escreve em sua célebre obra A República, uma história fictícia sobre um fazendeiro chamado Giges. Ele usa a metáfora do conto para se referir à ética e o que faríamos se estivéssemos isentos a ela. Segue um trecho desse texto:
“(...) Giges era um pastor a serviço do rei que reinava então na Lídia. Em conseqüência de uma grande tempestade e de um terremoto, o solo tinha se fendido e uma medonha abertura tinha se formado no lugar onde ele apascentava seu rebanho. Admirado com o que via, desceu pela abertura, e conta-se que, entre outras maravilhas, viu um cavalo de bronze, oco, com portinholas e, tendo passado a cabeça através de uma delas, viu um homem que estava morto, segundo toda a aparência, e cuja estatura ultrapassava a estatura humana. Esse morto estava nu; tinha somente um anel de ouro na mão. Giges o pegou e saiu. Ora, tendo-se reunido os pastores como de costume para fazer ao rei o seu relatório mensal sobre o estado dos rebanhos, Giges veio à assembléia, trazendo no dedo o seu anel. Tendo tomado o lugar entre os pastores, girou, por acaso, o anel de tal modo que a pedra ficou do lado de dentro de sua mão e, imediatamente, ele se tornou invisível para os seus vizinhos, e falava- se dele como se tivesse partido, o que o encheu de espanto. Girando de novo o seu anel, virou a pedra para fora e imediatamente tornou a ficar visível. Atônito com o efeito, ele repetiu a experiência para ver se o anel realmente tinha esse poder, e constatou que, virando a pedra para dentro, tornava-se invisível; para fora, visível. Tendo essa certeza, fez-se incluir entre os pastores que seriam enviados até o rei como representantes. Foi ao palácio, seqüestrou a rainha e atacou e matou o rei; em seguida, apoderou-se do trono. (...)”
O mito demonstra como um homem comum, possivelmente bom e justo pode se transformar em um malefício quando não é cercado das regras impostas pela ética, além de ilustrar a teoria de pessoas virtuosas de Platão de modo a supor que Giges não fosse de fato uma delas. Esse texto deixa claras as visões platônicas sobre a ética, além de fazer uma ligação direta com um elemento mágico de Harry Potter: a capa da invisibilidade.

Capa De Invisibilidade Harry Potter
Harry, em seu primeiro ano em Hogwarts, recebe anonimamente um presente de Natal, cujo conteúdo era uma capa de invisibilidade. Essa capa possuía propriedades magias para ocultar qualquer pessoa, animal ou objeto que a usasse. Harry fica intrigado com esse presente, porém ao não ver perigo passou a utilizá-la para tudo. Somente no final da saga ele descobre a verdadeira origem da capa. Tudo começa com uma lenda sobre três irmãos que durante uma viagem tiveram de atravessar uma ponte, quando estavam chegando perto dessa ponte a Morte aparece e, falsamente, os cumprimenta por serem os únicos capazes de atravessar aquela ponte, na qual muitos morreram, o que era na verdade somente um plano da Morte para enganar os irmãos. Então, a Morte os concedeu três pedidos, um a cada irmão, ao passo que o primeiro irmão pediu a Varinha das Varinhas, aquela que derrotaria qualquer bruxo e qualquer outra varinha. Então a Morte foi até um sabugueiro, do qual extraiu sua fibra e dela fez uma varinha com poderes excepcionais. O segundo irmão, no intuito de contrariar a morte, pediu uma forma de ressuscitar os mortos, na esperança de rever sua falecida esposa. A Morte então pega uma pedra da beira do rio e colocando um encantamento na mesma, dá o poder a quem a possuir de ressuscitar qualquer falecido. Já o terceiro irmão, mais humilde, pediu apenas uma capa que pudesse sair dali em segurança sem ser seguido pela Morte, além de ser protegido de outros perigos. De má vontade, a Morte corta um pedaço de sua própria vestimenta e com ele faz uma capa que entrega ao terceiro irmão.
Cada um dos irmãos recebe o seu prêmio e vai embora. Porém, depois de um tempo a Morte leva o primeiro irmão, pois este tanto se gabara de sua varinha que foi morto na calada da noite por um ambicioso bruxo que desejava sua varinha. Já o segundo irmão foi levado pela morte após seu suicídio, pois quando tentou usar a pedra da ressurreição, viu que os mortos não voltavam felizes. Profundamente deprimido por não poder ter sua amada de volta, se matou para se juntar a ela.
A Morte procurou pelo terceiro irmão incansavelmente, porém só o achou quando o próprio decidiu que era hora de partir e deixar a capa a seu filho. O terceiro irmão abraça a Morte como uma velha companheira e não foge dela como os outros irmãos.
O terceiro irmão se chamava Ignoto Perevell, e foi o primeiro dono da Capa da invisibilidade. Depois de sua morte, ela foi passada de pai para filho, até que chega a Harry Potter, seu último herdeiro.
Relação Capa da Invisibilidade – Anel de Giges – Ética
Além da relação explícita de que ambos os objetos tornam as pessoas invisíveis, a capa da invisibilidade de Harry e o anel de Giges de Platão promovem uma reflexão sobre valores éticos e morais. Já era o intuito de Platão, com a alegoria do Anel, proporcionar um estudo sobre a ética e como os homens são vulneráveis a ela. Os dois elementos produzem uma pergunta inevitável: “O que eu faria se fosse invisível?”. A resposta é extremamente subjetiva, dependendo exclusivamente do psicológico de cada um que a responde.
Porém é possível fazer uma importante diferenciação entre Harry e Giges: enquanto Harry usou seu poder de ser invisível para o bem coletivo, ou então para benefício próprio, porém sem prejudicar outras pessoas, Giges usou-o para praticar o mal, cometendo inclusive um assassinato.
O poder de invisibilidade questiona a força da nossa ética, uma vez que nos liberta da obrigação de demonstrá-la. Em uma sociedade, a ética constitui um conjunto de regras a serem seguidas para aceitação geral, uma vez que aqueles que não as seguem são punidos, excluídos ou ridicularizados. Por exemplo, na sociedade capitalista contemporânea, uma das regras éticas nos diz para não roubar, e aqueles que roubam são punidos com a retirada de sua liberdade (prisão). Então, uma vez que você tem o poder de ser invisível, você poderá roubar qualquer coisa e não será punido, pois ninguém poderá ver. Isso é uma tentação extremamente forte, a qual poucos resistem e acabam traindo a sua ética, transformando-a em somente conceitos superficiais.
A ética varia conforme o lugar, o tempo e o contexto no qual ela está sendo estudada. Além disso, é muito influenciada pela cultura de cada povo. Considerando esse conceito e mais a relação entre ambos os objetos com poderes de invisibilidade, conclui-se que o ser humano está constantemente exposto ao desejo de quebrar regras e conceito socialmente pré-estabelecidos, porém a pressão da própria sociedade o reprime e a possibilidade de se ver livre de tal repressão causa alvoroço no interior psicológico do homem, induzindo-o a contradizer seus valores.

Conclusão
Com base em todas as teorias adquiridas, é inegável que a saga Harry Potter tem, e muita, relação com as teorias filosóficas da ética. Além da relação já apresentada entre a Capa da Invisibilidade e do mito do Anel de Giges, as situações criadas por J. K. Rowling estão constantemente incitando um questionamento ético tanto quanto ao comportamento de seus personagens quanto ao nosso próprio comportamento.
Por exemplo, no momento em que Voldemort, o vilão da série, diz “Não existe bem nem mal, só existe o poder e aquelas que são demasiado fracos para desejarem”, uma questão sobre o certo e o errado é imposta. Ele afirma que tudo que existe é o poder, e aqueles que não o detém são fracos e desmerecedores de benefícios. Transportando essa afirmação para a realidade, o que encontramos hoje em dia não é, na maioria dos casos, uma sociedade igualitária na qual o certo e o errado são valorizados, e sim uma massa agressiva lutando para conquistar o poder absoluto. Nessa massa, não há a valorização do que é bom e do que é ruim, contanto o que o poder seja atingido. Portanto, ao pensarmos em valores éticos, tanto o enredo de Harry Potter quando os próprios indícios reais nos mostram como a sociedade está, ao mesmo tempo, presa à ética e totalmente alheia a ela.
Outro exemplo pode ser dado com o final do sétimo e último livro da série, onde Harry, após se entregar a Voldemort como condição de que este pare a guerra que acontecia entre aliados de Harry e de Voldemort, vai para um lugar facilmente comparado pela religião católica com o paraíso. Lá, Harry não sente dor, tristeza ou angústia. É um lugar claro, limpo e confortável, após encontrar seu já falecido amigo, Alvo Dumbledor, e esclarecer algumas questões pendentes, Harry tem de escolher entre ficar naquele lugar bom ou voltar à vida, e, juntamente, à guerra e ao sofrimento. Harry então escolhe voltar para tentar ganhar essa guerra e salvar aos que ama. Porém, antes dessa escolha, Harry se pergunta se valeria a pena ser nobre (e, ao mesmo tempo, ético). Nesse caso, os valores éticos do personagem foram postos a prova, a como este era uma figura heróica e um exemplo de bravura, foi forte o suficiente para manter sua ética de pé ao invés de fugir para sua zona de conforto.
Para o grupo, essa pesquisa foi muito interessante e gratificante. O tema escolhido é atual, jovem e contagiante. Além disso, pudemos entender melhor uma de nossas sagas favoritas, tendo analisado-as com mais atenção e critério. A saga Harry Potter tornou-se para nós são só uma franquia bilionária, mas sim um conjunto de enredos riquíssimos em simbologias e análises.
Referências Bibliográficas

O QUE é ética Disponível em: . Acesso em: 15 maio 2011.


HARRY Potter e as questões morais, éticas e ideológicas de J.K. Rowling Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2011.
FELLINI, Juliano. O anel de Giges: virtude e sensibilidade. Disponível em: . Acesso em: 05 abr. 2011.

PLATÃO - O Anel de Giges Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2011.


ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993, p 283-285.


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