Com base nesta problematização, faça um relato reflexivo de alguns episódios de sala de aula



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Encontro30.07.2016
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Com base nesta problematização, faça um relato reflexivo de alguns episódios de sala de aula,

no/do seu cotidiano docente, destacando como você planeja atividades permanentes e

sequenciais de leitura e de escrita. Em seu relato, destaque as seguintes questões, de forma

mais detalhada possível:


a) Quais atividades fazem parte da rotina da sua sala de aula: atividades permanentes,

projeto didático, atividade seqüencial, esporádica? Cite, pelo menos, um exemplo de

cada modalidade.

b) Em seguida, destaque os objetivos, as estratégias didáticas e o material didático

utilizado, referente a cada uma das modalidades: atividades permanentes, projeto

didático, atividade seqüencial, esporádica.

Inicio este relato solicitando permissão para responder ambas questões em um texto.

Baseando no texto de Leal, que considera o papel da escola ajudar o aluno a desenvolver habilidades e atitudes de leitura escrita, tenho procurado, partindo dos interesses das crianças, planejar projetos e atividades que envolvam a função social da leitura e escrita em nosso cotidiano e no cotidiano familiar de forma prazerosa e significativa.

Em nossa turma temos algumas atividades permanentes como a leitura da história na roda depois de nos preparamos para ouvir a história, criando um ambiente propicio para a imaginação e o encantamento. Cantamos a música da história:” Agora uma história bem bonita vou contar, batam palmas quem quiser a esta história escutar, heim, heim, heim, tra-la-lá, heim, heim heim, tra-lalá”. As histórias muitas vezes são escolhidas por mim e outras vezes pelas próprias crianças, principalmente se encontram livros referentes ao projeto desenvolvido em sala. Livros que as crianças trazem de casa, ou encontram na biblioteca da escola ou mesmo de sala. Os gêneros variam desde contos, poesias, narrativas, científicos (a vida dos tubarões), até revistas científicas, histórias em quadrinhos, contos de fadas e “causos” de Pedro Malasartes.

A leitura de livros diariamente de diferentes textos, gêneros vem ampliando o repertório das crianças, inserindo-as mundo da leitura e propiciando a elas o desenvolvimento oral e a narrativa, pois é muito comum em minha turma uma das crianças pega o livro e lê para as demais, imitando a minha forma de contar histórias.

No cotidiano da turma todas as crianças se interessam por livros, portanto a todo o momento tem crianças pegando livros em nossa biblioteca de sala, que possui muitos livros à disposição das crianças. Temos as rodas da conversa feita diariamente, que é outra prática de atividade permanente onde cada criança conta histórias de sua vida, o que aconteceu anteriormente ou pra onde vai, planos da família para o “futuro”. A chamada com crachá, onde no início a professora mostrava o crachá e perguntava “- De quem é este nome que começa com S e termina com Y?” a gora os crachás são expostos na mesa e ao chegar cada criança pega o seu nome e coloca no porta crachá.

Todos os dias fazemos anotações sobre as novidades e o que foi mais “legal” na escola no livro da vida. Este registro é feito pela professora e pelas crianças, sendo ilustrado com desenhos das crianças, fotos, objetos coletados, entre muitas outras coisas. Este registro nos permite a função da escrita no cotidiano escolar e em nossas vidas, pois se esquecemos podemos ler novamente e lembramos, e escrevemos para outras pessoas lerem, professoras de outras turmas, as “tias” da limpeza também gostam de ler...

Toda sexta-feira as crianças levam livros para casa. A escolha é feita em nossa sala, temos livros escolhidos da biblioteca para empréstimos que são trocados a cada mês. As crianças levam estes livros e os pais e irmãos lêem para elas e na segunda-feira, em roda, cada criança que trouxe o livro pode contar aos colegas o que leu. É comum no próximo empréstimo as crianças escolherem levar o livro do colega, pois gostou do que foi lido e mostrado.

Essas atividades permanentes tem por objetivo além das práticas de leitura e escrita, o desenvolvimento da oralidade, da sequencia das histórias narradas, percepção dos diferentes tipos de textos que circulam no cotidiano escolar, e propiciar às crianças momentos prazerosos de fantasias, e um momento único com seus familiares por meio da leitura dos livros pelos familiares com as crianças.

Em nosso cotidiano, fazemos Projetos Didáticos, no início do ano elaboramos um projeto cujo nome era “Seres do Mar”. Nossa turma escolheu ser a Turma do Tubarão, então iniciamos um projeto para sabermos mais sobre os animais que viviam junto com o tubarão. Conversamos sobre as hipóteses das crianças sobre os habitantes dos mares e cada criança escolheu um animal para pesquisar. A pesquisa foi para a casa, mas nem todos trouxeram-na de volta, então levei livros sobre os animais, documentários, DVD’S , notícias e as outras turmas e professoras nos traziam muitos materiais, revistas, outros livros e ganhamos até uma estrela do mar de verdade e uma tartaruga feita de conchinha do mar para colocarmos no painel permanente que fizemos do lado de fora da sala. Temos muitos livros de pesquisa e histórias sobre tubarões, polvos, peixinhos, estrelas do mar, algas, golfinhos, tartarugas... enfim sobre tudo o que era vivo e que vivia nos mares. As crianças até inventaram uma histórias sobre dois tubarões que se transformou em um livro para a turma.

Com todos os conhecimentos que aprendemos, formamos um grande livro sobre tubarões que as crianças falavam e ilustravam, portanto o produto do conhecimento foi sistematizado através do livro e nos registros do livro da vida. Neste momento nossa turma está fazendo um projeto sobre folhas de diferentes árvores e frutos, pois a partir de um passeio no bairro percebemos que existem muitos pés de mangas e bananas, inclusive nesta semana temos um cacho de bananas amadurecendo em nossa área e estamos observando e fazendo anotações das falas , desenhos e fotos no livro da vida. Observando a árvore da casinha vimos desde o momento em que suas folhas caíram, e “nasceram uvinhas” segundo Viviane, pesquisando na internet e observando a frutinha, entendemos que não eram uvinhas, mas a flores que estavam nascendo. Depois nasceram outras formas que segundo Gilvane era “mamão”, pesquisamos novamente e percebemos que eram as painas que iriam sair da casca.







Os conhecimentos e observações são registrados em nosso livro da vida e se tornarão um livro individual para cada criança da turma.

Com estas pesquisas os pais, professora e crianças estão imersos na leitura e escrita participando ativamente, expondo suas experiências e suas descobertas.

Muitas de nossas descobertas são escritas em mural ilustrado com fotos e expostos no corredor da escola, para que outras crianças e adultos possam partilhar o conhecimento conosco, ilustrando a fala de Val e Barros apud LEAL: “Não devemos, também, esquecer que, na produção de textos escritos coletivos, os alunos utilizam seus conhecimentos oriundos das práticas orais de uso da língua”.

No projeto de conhecimento sobre as diferentes árvores, observo uma atividade seqüencial. Após o passeio e a observação da predominância das bananeiras e mangueiras no entorno da escola, sugeri às crianças fazer ma salada de frutas. Uma das crianças disse: “- Eu trago abacaxi” outra “- Eu “trazo” moranguinho” e assim outras foram falando as frutas que queriam trazer. Conversando com eles percebemos que tinham algumas frutas repetidas então concordamos que cada um poderia trazer um tipo de fruta, mas como agente ia saber?

-Tia escreve pra minha mãe senão ela esquece”. Assim foi feito. Elaboramos um bilhete e no final do bilhete tinha o nome da fruta que cada um traria. Todos trouxeram o que escolheram e “bastante”.

Depois de feita a salada de fruta, enquanto ela ficava um pouquinho na geladeira, começamos a escrever o que tínhamos usado para fazer a salada de fruta e o modo de fazer:

- Pica tudinho e coloca na bacia. – Adrian.

- Não! Tem que lavar os moranguinhos”.- Mariana.

-É e tirar a casca do abacaxi. – Elias.

-Depois mistura tudo e coloca o leite. – Gilvane.

– Leite? –indago.

-É! Aquele leite da caixinha que você trouxe.

- Creme de leite, né.- Maria Luiza.

- E leite moça.- José Henrique.

“-Hum!!!! Aí coloca na geladeira e é só comer.” – Ana Ilena.

Depois que escrevi com eles a receita, passei para o computador, imprimi e mandei no caderno de recado de cada criança. Muitos pais vieram me falar que as crianças pediram pra fazer salada de frutas igual a que estava no caderno, que tinham feito na escola.

Ainda como atividade seqüencial, embora esteja em dúvida mesmo depois da ajuda da Ivete e da Gláucia, temos o Tuti, nosso tubarão mascote que cada dia vai para a casa de uma criança. No outro dia a criança traz o caderninho que acompanha o Tuti com o relato sobre as coisas que fizeram juntos. O relato é lido para toda a turma em roda e comentado, pois algumas vezes a “interação” de um dos membros da família é tão intenso que impossibilita que o Tuti vá no próximo dia para a casa de outro amigo, como no dia em que o Totó, cachorrinho do José Henrique, mordeu a boca do Tuti e tivemos que concertá-lo.

Os objetivos do desenvolvimento destes projetos e atividades são o da pesquisa, socialização do conhecimento com outros grupos, turmas da escola, com os familiares das crianças, através da escrita dos murais, das pesquisas desenvolvidas pela turma, de forma significativa e lúdica, além de permitir às crianças a observação de diferentes usos da escrita e leitura em nossa sociedade (receita, pesquisas em internet, livros, revistas, jornais, documentários...).

Como atividades esporádicas temos a escrita de bilhetes para a turma da tarde sobre algo que aconteceu ou o que deixamos de atividade secando para guardarem pra nós...

Temos também os recados nos cadernos quando alguma criança cai e se machuca avisando aos pais do ocorrido.

Atividades com jogos, fazemos o bingo de letras, onde escrevo o nome de cada criança presente em uma tirinha de papel, e distribuo para as crianças, tomando o cuidado de não dar o próprio nome. Com letras grandes de E.V.A que tenho na caixa, tiro uma, aleatoriamente no início e falo o nome da letra, escrevendo as letras que “já foram” no painel. As crianças que possuem aquela letra com o lápis fazem um X na letra, se tiver mais de uma, também faz o X. Quando muitas crianças quase completaram seus nomes, para que o jogo não termine logo, vou escolhendo letras que não tem nos nomes aumentando a expectativa. O primeiro até o sexto vencedor, escrevo o nome no painel e na frente o nome do amigo que ele preencheu. É uma euforia só!

Na educação infantil em geral, é muito presente os jogos de papéis, mamãe filhinho seja com as bonecas ou com as próprias crianças, onde outra criança é o filhinho, isto não implica que ele seja o menor da turma.



Motorista de ônibus e passageiros, através dos jogos de papéis as crianças imitam o mundo adulto, brincadeiras com os fantoches dos três porquinhos e o lobo mau, (as crianças escolhem entre si quem será o porquinho, o lobo mau e começam a contar a histórias com os fantoches de caixinha de elite que fizeram, depois de terminada a história, outras crianças entram no papel de porquinhos e lobo mau), procurando entender seu funcionamento, desenvolvendo a oralidade, a argumentação e principalmente a imaginação nas brincadeiras.



Enfim, com as atividades e projetos proposto a turma desenvolve a leitura e escrita de forma significativa, permitindo a elas sempre brincar aprendendo, pois muitos acreditam que as crianças da educação infantil “só brincam”, na verdade elas brincam e brincando aprendem muito, pois o conhecimento não é imposto, mas é construído e vivenciado.


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