Comando do Coração Millionaire in Command Catherine Mann Nascido em berço de ouro, destinado a um novo amor



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Comando do Coração

Millionaire in Command

Catherine Mann


Nascido em berço de ouro, destinado a um novo amor.

Embora Kyle Landis tivesse recebido treinamento para executar as missões mais perigosas, não estava preparado para o desa­fio de ser pai. Quando Phoebe Slater anuncia que a criança de quem ela estava cuidando era filho dele, Kyle não vê motivo para duvidar. Como um Landis, ele não fugiria de suas obrigações. 0 casamento era a única alternativa. Porém, uma vez que ambos estivessem unidos pelos laços do matrimônio, Phoebe conse­guiria ser a esposa ideal que Kyle esperava?



Disponibilização:

Projeto Revisoras




Tradução Silvia Moreira


HARLEQUIN

2013
Querida leitora,

Escrever sobre um militar é algo especial para mim, pois sou casada com meu próprio herói da Força Aérea. Certamente comemoramos muitos retornos ao longo dos anos, ainda que em nenhum deles meu marido tenha experimentado o mesmo choque de Kyle Landis ao encontrar um bebê ines­perado. Ao mesmo tempo em que Kyle assume o comando da situação, ele precisa encontrar um meio para conquistar o coração de Phoebe Slater.



Boa leitura!

Catherine Mann

www.CatherineMann.com

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.á.r.I.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: MILLIONAIRE IN COMMAND

Copyright © 2009 by Catherine Mann

Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire
Projeto gráfico de capa:

Nucleo i designers associados

Arte-final de capa:

O de Casa

Editoração eletrônica:

EDITOR1ARTE

Impressão:

RR DONNELLEY



www.rrdonnelley.com.br

Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

FC Comercial Distribuidora S.A.

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171, 4o andar

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380

Contato:

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


CAPÍTULO UM

Os convidados da festa de boas-vindas ao herói mi­litar milionário desfilavam em trajes requintados pe­los jardins do clube de campo, enquanto apreciavam os canapés e a champanhe servidos em bandejas de prata. No jardim, as árvores e palmeiras altas eram iluminadas por tochas, complementadas pelo luar do céu estrelado.

Bastava olhar ao redor para saber que a maioria da­quelas pessoas de alta classe podia pagar uma babá.

Na mesma festa, Phoebe estava presente com um bebê de cerca de cinco meses no colo. Estava com o vestido preto básico com que costumava comparecer aos coquetéis condizentes com sua posição de profes­sora de História da Universidade da Carolina do Sul. Claro que a mochila canguru não era um acessório que usava nessas ocasiões.

— Fique firme, querida. Espere mais alguns instantes e dou o seu jantar antes de dormir — disse Phoebe, ajus­tando a mochila nos quadris.

As ondas quebravam a distância, e a orquestra, que tocava rocks antigos, naquele momento executava um clássico de Billy Joel. Até mesmo o governador do es­tado estava dançando na pista de madeira, montada so­bre a areia, com a esposa. Distraída que estava, Phoebe acabou tropeçando numa pedra do caminho e prague­jou baixinho.

Era uma festa destinada aos formadores de opinião e famosos no mundo da política. Enquanto soltava o sal­to preso entre duas pedras, Phoebe lembrou que não estava ali para fazer poses sociais, mas sim para encon­trar com o pai do bebê, Nina.

A busca seria mais fácil se ao menos soubesse como ele era. Fazia cerca de dois meses que a amiga e ex-companheira de quarto na universidade, Bianca — a mãe biológica de Nina —, havia contado que Kyle Lan­dis era o pai do bebê. Ela havia pedido que Phoebe to­masse conta da criança numa noite em que comparece­ria a um jantar de um grupo de teatro na Flórida, Bianca já tinha voltado ao seu corpo depois da gravidez e insis­tira que aquele evento a ajudaria a melhorar de vida e assim proporcionar mais segurança ao bebê.

Quem poderia prever que ela não voltaria mais?

Phoebe abraçou Nina determinada a prover para aquela criança uma vida mais estável. No entanto, an­tes de tudo, precisava encontrar Kyle Landis, alguém que nunca tinha visto pessoalmente. Tinha esperança de identificá-lo pelo crachá no uniforme da Força Aé­rea, mas quase todos os homens estavam de uniforme de gala, com medalhas douradas brilhando à luz do luar. Nina adormeceu e Phoebe amparou sua cabecinha com a mão. Depois olhou para aquele mar de rostos desconhecidos, iluminados com a luz das estrelas e dos tocheiros. Havia apenas uma fotografia antiga como re­ferência, agora no fundo da sacola com fraldas, e não incomodaria o sono de Nina para procurar.

Kyle costumava aparecer nos jornais frequentemen­te quando o pai, já finado, era senador. Logo em segui­da sua mãe e irmão também entraram para a política. A família, no entanto, mantinha Kyle afastado dos holo­fotes da mídia para preservar sua segurança, já que, vez por outra, era enviado para zonas de guerra.

De uma hora para a outra, havia centenas de pessoas muito próximas umas das outras e não estava fácil dife­renciá-las. Não era a intenção de Phoebe se expor, mas teria de pedir ajuda para encontrar...

— Posso ajudá-la?

Uma voz profunda soou às costas dela, como se ti­vesse lido seus pensamentos, aveludada e sexy, envolta pela brisa do mar. Aquele garçom devia ganhar boas gorjetas com aquela voz. Quando se virou para pedir um guardanapo, pois tinha esquecido a fralda de pano do bebê, ficou petrificada.

Ali estava o capitão Kyle Landis em carne e osso bem à sua frente. Os cabelos escuros estavam cortados no estilo militar, os olhos azuis ressaltavam na pele bronzeada, provavelmente pelo sol do deserto do Orien­te Médio. O rosto contava com traços fortes, principalmente o maxilar bem marcado que lhe conferia uma aparência máscula.

Phoebe pensou que deveria ter ao menos suposto que Kyle era atraente. Além dos traços físicos, ele era filho de uma família sulista de posses — um homem lindo, rico e com uma voz sensual. A farda azul que vestia era impecável, no peito havia muito mais medalhas do que qualquer um que já tivesse visto, menos do pai adotivo, um general.

As chances de ele encontrá-la em meio a tanta gente era maior, pois como convidado de honra ele tinha a obrigação de dar atenção a todos os presentes, assegu- rando-se de que estavam se divertindo.

— Posso ajudá-la? — ele repetiu, segurando um copo de uísque.

Uma senhora apressada passou por eles, esbarrando em Phoebe e deixando um rastro de perfume forte que fez com que Nina espirrasse. Phoebe ajustou melhor o bebê no colo, desejado estar em casa em sua cadeira de balanço em vez de ter de enfrentar aquele homem.

— Na verdade não preciso de ajuda. Vim aqui para encontrar você.

Desculpe-me, sei que já a conheço, mas não me lembro de onde. — Kyle sorriu de lado, provocando uma covinha no rosto.

A covinha e o comentário a teriam seduzido se Bian­ca não a tivesse prevenido que Kyle tinha um senso de humor sutil. Phoebe não pertencia àquele ciclo de pes­soas de alta classe, mas era inteligente e determinada. E tinha de pensar rápido no que dizer antes de ele chamar um dos seguranças.

— Não estou aqui por minha causa.

Kyle olhou para os lados antes de focar aqueles olhos azuis no rosto dela novamente.

— Qual dos meus amigos você está acompanhando? Não temos muitas chances de conhecer suas esposas.

— Não sou casada.

Mas tinha sido. Procurou disfarçar a pontada que sentira no coração pela lembrança de Roger, evitando que isso desviasse seu foco.

Kyle olhou para Nina. Não, seria muito se a reco­nhecesse. Na verdade ele sequer sabia de sua exis­tência.

Bianca tinha decidido que teria o bebê, mesmo não sabendo se queria criá-la ou não, e não contaria ao pai. Entretanto, tinha se acovardado e certamente não que­ria que a família dele mandasse um recado para a frente de batalha, chamando-o de volta. Mesmo porque difi­cilmente teria conseguido se aproximar dos Landis. Para Phoebe tinha sido um desafio e tanto chegar até ali, mas nem os portões de ferro dissuadiram sua deter­minação. Bianca tinha dado algumas dicas para ela en­trar na propriedade e, por sorte, ninguém averiguou se ela era mesmo a esposa do cozinheiro.

Nada a deteria, pelo menos não agora que Kyle tinha voltado para casa. Alguém precisava contar a ele sobre aquela “pequena” responsabilidade que Bianca deixara para trás.

— Será que podemos conversar em algum lugar mais calmo?

— Lamento, mas minha mãe me levará de volta pela orelha se eu tentar escapar da minha festa de boas-vindas. — Kyle se aproximou um pouco mais e concluiu:

— Podemos nos encontrar mais tarde?

Os olhos claros de Kyle estavam fixos em Phoebe, evidenciando o forte interesse.

Phoebe ficou sem jeito, imaginando se ele a estaria mesmo paquerando. Tinha se preparado para tudo, me­nos aquilo.

— Espere um pouco, você entendeu errado — disse ela, levantando a mão para afastá-lo.

Mesmo que deixasse o telefone, ele poderia levar uma semana ou mais para entrar em contato e Phoebe não podia perder todo esse tempo aguardando.

Nina não tinha tempo.

Ela bateu nas costas do bebê, rezando para que ela continuasse dormindo. A última coisa que queria era um berreiro no meio da festa.

— Preciso apenas de cinco minutos para falar com você longe de curiosos. Prometo que não levarei mais do que isso e depois você pode voltar para a festa. Por que não me acompanha até a porta de saída? Assim você confirma que não vou mesmo ficar mais do que o necessário.

— É justo — concordou Kyle, deixando o copo numa mesinha. — Você precisa de ajuda com o bebê?

Phoebe se afastou por instinto e acabou batendo era uma coluna, quase derrubando um vaso.

— Ei, não precisa se assustar — disse ele rindo. — Nunca fui muito fã de crianças, apesar de ter praticado bastante ultimamente com meu sobrinho.

Então Nina tinha um primo. Era estranho, mas Phoe­be imaginou as crianças brincando juntas. Nina precisa­va muito de um lar e uma família que a amasse. E quan­to antes conseguisse esclarecer tudo, melhor para Nina.

— Estamos bem, mas obrigada pela preocupação. In­dique o caminho e nós o seguiremos.

— Avise se mudar de ideia.

Virando as costas largas, Kyle tirou os cálices das mãos de dois adolescentes que se serviam de champa­nhe e colocou na bandeja de um garçom. Dali seguiu por um corredor até uma alcova vazia onde havia um banco de ferro e outras duas colunas com vasos de flo­res. Dali o barulho da festa não era ensurdecedor, a não ser pelos risos altos de um casal que se esquivou para dentro de um quarto. Ali onde estavam não havia tanta privacidade, apenas uma treliça com plantas que divi­dia ambientes.

Phoebe colocou a bolsa no banco e ajeitou a mochila canguru nos ombros.

— Você se lembra de alguém chamada Bianca Thompson?

— Sim, por que a pergunta? — O olhar de Kyle pas­sou de amigável para desconfiado.

Duas mulheres apareceram de repente, uma delas se­gurando uma cigarreira de prata e a outra sorrindo logo atrás.

— Ah, desculpem-nos — disse a moça, escondendo a cigarreira.

— Sem problemas, senhoras — Kyle as tranquilizou voltando a expressão amigável. — Acredito que haja ou­tro banco ao ar livre logo adiante.

— Obrigada, capitão. — A mulher abriu um sorriso, movimentando a coxa de modo a exibi-la pela fenda do vestido.

Logo as duas desapareceram dali com a mesma ra­pidez que seu perfume doce, e Phoebe voltou a aten­ção a Kyle.

— Você não nega que conhece Bianca?

— A conversa não está tomando um rumo bom. — Kyle coçou o pescoço antes de continuar: — E melhor parar de... Como é mesmo seu nome?

— Phoebe...

Ela parou o que dizia quando um garçom passou por onde estavam, na certa procurando um lugar para fugir um pouco do trabalho. Phoebe ficou com pena do rapaz, desejando-lhe sorte, pois seria difícil en­contrar um lugar tranquilo naquela festa. Em seguida afrouxou a alça da mochila, que se tomava cada vez mais pesada. Como o movimento sentiu o perfume doce do xampu de bebês e sentiu o coração apertar, lembrando-se de como aquele encontro com Kyle era importante.

— Meu nome é Phoebe Slater. Bianca foi minha companheira de quarto na universidade, mas nunca perdemos o contato.

Apesar de ter demorado a se acostumar com a com­panhia durante os últimos dois meses, ela ainda não acreditava como Bianca tivera coragem de deixar a fi­lha e não olhar para trás.

— Muito prazer, Phoebe — disse ele com a sobrance­lha arqueada numa clara insinuação de que sua paciên­cia estava no limite.

O tempo das apresentações e justificativas tinha aca­bado. Jamais chegaria o momento ideal de fazer uma revelação bombástica. Phoebe resistiu à tentação de sair correndo dali. Nina não era sua filha, mas a amava como se tivessem o mesmo sangue. Além do mais, aquela era sua única chance de ser mãe — apesar de por tão pouco tempo. Quando o marido, que amara mais que a própria vida, morrera, todas as esperanças de ter um filho se foram junto com ele.

Nenhum oficial garboso e de olhos azuis a dissuadi­ria de proteger Nina, nenhuma socialite a afastaria de sua missão. Estava disposta a tudo para garantir o futu­ro daquela criança.

Assim, respirou fundo e resolveu seguir com o pla­no, mesmo que com isso arrumasse um inimigo.

— Esta é Nina, sua filha.

Ah, não, mais uma interesseira. O barulho da festa re­meteu Kyle ao zumbido das aeronaves militares. Tinha trabalhado no serviço de inteligência durante sua car­reira como militar da Força Aérea, mas nem a vasta experiência o ajudava a decifrar a mulher à sua frente.

No momento em que vira Phoebe Slater passar pelos seguranças, foi arrebatado por sua beleza única. Desde aquele minuto não tinha sido capaz de desviar os olhos da moça de pele clara, cabelos loiros e uma boca bem desenhada, que não precisava de batom para ser sexy. O bebê tinha desviado sua atenção por alguns segun­dos, mas logo em seguida prendia-se a outro traço do rosto delicado de Phoebe. Gostava da maneira como ela estava vestida, sem adornos chamativos, mesmo as­sim percebia que se tratava de uma mulher intrigante e talvez não tão simples quanto parecia.

E se ela não fosse uma golpista, mas sim uma louca desiludida?

Kyle cruzou as mãos fechadas em punhos nas costas, feliz por não ter escolhido um lugar mais recolhido, como fora sua vontade.

— Senhorita, agora tenho certeza de que nunca nos encontramos antes dessa noite e posso afirmar que nun­ca passamos uma noite juntos. — Kyle não tinha dúvi­das de que não a esqueceria caso contrário. — Por mais bonitinha que seja sua filha, ela não é minha.

Phoebe respirou fundo para se manter calma e conti­nuar a conversa:

— Ela não é minha filha. Eu só estou tomando conta para a mãe — Bianca Thompson — enquanto ela está fa­zendo um curso de teatro e cinema na Flórida. Eu já disse, mas vou repetir, Bianca e eu estudamos juntas. Ela seguiu para a carreira de atriz, enquanto eu me tor­nei professora de História. Mas isso não é o mais im­portante. Vim aqui porque Nina precisa de um pai, pois já está com cinco meses.

Kyle sentiu um frio na espinha. Lembrava-se muito bem da noite em que dormira com Bianca Thompson, mas tinha se protegido, como sempre. Fazia um ano que a tinha conhecido, mas por um impulso de momen­to foram para a cama um pouco antes de ele partir para servir no Afeganistão. A história de Phoebe batia com o tempo transcorrido.

Ele olhou para Nina, que acordara e piscava seus lin­dos olhos azuis, iguais aos de sua mãe e irmãos... Dro­ga! A aparência da família não era tão singular assim, além do que muita gente tinha olhos azuis também. Sem contar que a fortuna da família Landis era de conheci­mento geral. Havia pouco tempo seu irmão mais novo tinha sido processado para assumir a paternidade de uma criança, cuja mãe tinha sido sua namorada.

Kyle balançou a cabeça para retomar o controle da conversa, que tinha que terminar logo, pois aquele era um assunto que precisava ser cuidado longe dos ouvi­dos da imprensa e do governador da Carolina do Sul, presentes à festa. Mas antes de tudo, precisava pesqui­sar quem era aquela mulher misteriosa.

— Senhorita...

— Slater. Meu nome é Phoebe Slater — disse ela, ba­lançando o corpo e afagando as costas do bebê.

Era de se admitir que Phoebe tinha jeito com crian­ça. Ele bem sabia como era difícil manter um bebê quieto ao observar o irmão e a cunhada.

— Está certo, srta. Slater. Vamos conversar outra hora, sem uma orquestra tocando e pessoas nos inter­rompendo a toda hora...

— E esta é Nina — Phoebe interrompeu e virou-se de lado para que o rosto de Nina ficasse visível.

Era um bebê lindo de fato, mas isso não vinha ao caso naquele momento.

— Acho que isso não é hora para...

— E a mãe dela chama-se Bianca Thompson.

Kyle já tinha ouvido a informação, mas a repetição do nome de Bianca o levou a olhar para Nina de novo. Ela não tinha os cabelos vermelhos como a mãe, mas castanho-escuros, igual aos dele.

— Onde está Bianca? Por que ela não está aqui falan­do comigo no seu lugar?

As suspeitas começavam a afligi-lo, enquanto tenta­va juntar todas as peças daquele quebra-cabeças, antes que o caso viesse a público. A festa de boas-vindas ti­nha sido muito bem planejada por sua mãe, o evento tinha uma importância especial por também marcar o término de sua carreira militar. Dali a duas semanas, assumiria a presidência da Fundação Landis Interna­cional, portanto, a última coisa que desejava era decep­cionar a família, que para ele tinha importância vital.

Por um breve instante, olhou novamente para Nina e para a mulher que a segurava.

— Minha função era tomar conta de Nina apenas até Bianca se estabelecer na Flórida. Mas as semanas se transformaram em meses. Quando ela parou de li­gar, fiquei tão preocupada que fui à polícia para avisar de seu desaparecimento. Com isso ficou público que sou responsável por Nina, por enquanto. Porém, se o caso não se resolver logo — Phoebe sentiu um aperto no coração —, ela será entregue para o Conselho Tute­lar para adoção.

Era difícil saber até onde Phoebe chegaria com aque­la história. No entanto, até mesmo uma conversa com uma louca era mais interessante do que os papos breves com pessoas que estavam na festa mais pela comida de graça e pela chance de cruzar com alguns políticos in­fluentes. Phoebe Slater estava longe de ser uma pessoa cansativa.

— Então você quer que eu assuma essa criança sem provas de que você está mesmo dizendo a verdade?

— Terá de acreditar em mim! — exclamou Phoebe, arregalando os olhos.

Kyle ficou preocupado com a reação dela. Se fosse uma louca, a criança corria perigo e aquilo mudava tudo.

— Pensando bem, acho melhor eu ficar com o bebê até resolvermos essa situação.

— Você está duvidando de mim, não é? Muito inteli­gente de sua parte — disse ela, inclinando-se para o lado a fim de buscar alguma coisa dentro de uma volumosa sacola de fraldas.

O corpo curvilíneo de Phoebe evidenciava-se cora os movimentos desajeitados e não passou despercebi­do. Será que ela era mesmo uma professora universitá­ria? Ele não se lembrava de ter tido uma professora tão bonita na época de escola. Pena que a tinha conhecido numa situação daquelas.

Phoebe endireitou o corpo e o encarou.

— Muito bem, capitão Landis, eu já previa que fosse me pedir uma prova. E faz muito bem — disse ela, puxan­do uma pasta da sacola. — Aqui está a certidão de nasci­mento, algumas fotos e uma carta com firma reconheci­da de Bianca me nominando responsável por Nina. Inclui também uma cópia da minha licença de motorista.

Ele pegou a pasta e abriu, colocando-se de costas, mais perto da luz, para que ninguém visse o que estava fazendo. A primeira página continha várias fotos de Bianca Thompson segurando um lindo neném de gran­des olhos azuis. Sentiu um calafrio ao olhar a certidão de nascimento com seu nome no campo “pai” da crian­ça. Prendeu a respiração de susto. Verdade ou não, pre­cisava de um tempo para processar seu nome naquele contexto. E pensar que, dias atrás, ele e os irmãos con­sideraram perpetuar o nome da família Landis com mais filhos e novos casamentos.

A última folha era uma cópia da carteira de motoris­ta de Phoebe Slater. A foto 3x4 não lhe fazia jus, para se dizer o mínimo. Ali estava uma moça com olhos ex­pressivos, sem sorrir, mas era ela mesma, sem sombra de dúvidas.

Fechando a pasta, Kyle concluiu que aquilo tudo não provava nada. E a razão pela qual Bianca não o procu­rava ainda continuava sem explicações. Havia deixado vários números de telefone com ela. Além do mais, se estivesse fora do pais, ela podia ter entrado em contato com algum membro da família, apesar de todas as difi­culdades.

Quanto mais pensava no assunto menos coerência fazia. Se aquela menininha fosse mesmo sua filha, as­sumiria a paternidade. Um Landis nunca fugia de seus deveres. Mas pela segurança da própria criança, era preciso investigar a veracidade daquela alegação, bem como investigar aquela mulher mais a fundo.

— Preciso de tempo para avaliar tudo isso. Não pos­so simplesmente levar um bebê para casa só porque você está dizendo que é minha...

Phoebe riu, baixando a cabeça e permitindo que os fios loiros lhe escondessem parte do rosto.

— Não é nada disso, você não entendeu disse ela, colocando uma mecha para trás da orelha. — Bianca deixou bem claro que você não está interessado em qualquer compromisso, e eu amo esta garotinha de todo coração. — Phoebe apoiou o rosto na cabeça de Nina, demonstrando inquestionável carinho maternal. — Que­ro ser a mãe dela, adotá-la se possível.

Kyle deveria se sentir aliviado, mas alguma coisa não fazia sentido naquela história. Sua intuição aguça­da pela experiência vivida em batalha parecia gritar que ele estava pisando em terreno minado.

— Então, por que você está aqui?

— Estou aqui para evitar que o Conselho Tutelar de­cida ficar com Nina — respondeu Phoebe, quase atrope­lando as palavras antes de concluir: — Vim para pedir a você que se case comigo.



CAPÍTULO DOIS

Phoebe mordiscou o lábio, arrependendo-se de ter lançado a “proposta” de um jeito tão abrupto, bem dife­rente do que tinha ensaiado mentalmente.

Bem, tarde demais para recolher as palavras, mesmo que fosse possível. Ao fundo, a voz suave do cantor, acompanhado por uma melodia lenta, soava enquanto ela aguardava a decisão de Kyle. Blasfemou contra Bianca por ter desaparecido, ao mesmo tempo em que rezava para que a amiga de tantos anos não tivesse en­trado em uma fria, ou algo pior.

Enquanto isso, era preciso encontrar o maior número de aliados que pudesse achar. E tomara que Kyle se encaixasse naquela categoria. Examinou o rosto dele à procura de alguma evidência, mas ele era bom em es­conder as emoções.

O momento era de apreensão, e ela jurou que perma­neceria de boca fechada. Afinal, ela era a racional, en­quanto Bianca, a impulsiva.

Kyle passou a mão nas costas de Nina sobre o tecido da mochila, num gesto protetor. Os brilhantes do anel de formatura reluziam à luz bruxuleante das velas.

— Posso segurá-la no colo? — pediu.

Phoebe ficou tão aliviada que mal percebeu estar bo­quiaberta. Não tinha sequer considerado a hipótese de ele manifestar vontade de segurar a filha.

Apesar da pouca luz, notou que ele estava ressabia­do, temendo pela segurança de Nina. Como se ela cor­resse algum período. No entanto, não poderia culpá-lo se a achasse louca, a julgar pela maneira intempestiva como tinha proposto casamento.

— Não sou maluca, como deve estar pensando. Sou a última pessoa do mundo que prejudicaria Nina. — disse ela, dando um passo para trás, ninando o bebê, quando ele bai­xou as mãos ao longo do corpo. — Lamento se fiz uma proposta fora de hora e lugar, mas achei que você não me ouviria se eu agisse diferente. Não tenho tempo de ser sutil.

— Será que existe um jeito sutil de pedir um estranho em casamento?

Phoebe fingiu não perceber o sarcasmo naquelas pa­lavras.

— Sei que não vai demorar muito para o Conselho Tutelar tirar Nina de mim, já que não consegui localizar Bianca. Só preciso de um tempo para arrumar essa situ­ação da melhor maneira para Nina.

Não havia muito mais o que se fazer. Até então, Nina não tinha ninguém além de Phoebe e... aquele homem. O pai.

— Ainda acho que você não está em seu juízo perfeito, mas estou ouvindo o que tem a dizer — disse ele, cruzan­do os braços sobre o peito e observando-a com reserva.

Será que daquela forma estaria bloqueando a passa­gem para que ela não fugisse? Verdade ou não, Phoebe sentiu que precisava dizer alguma coisa rápido.

— Ok, talvez a ideia do casamento tenha sido de­mais, mas estou desesperada. — Retirar a proposta era uma atitude prudente, pelo menos para manter Phoebe longe da camisa de força. — A minha maior preocupa­ção é a segurança de Nina. Ela já teve que superar a ausência tão inesperada de Bianca.

— É muito coisa para ser digerida — disse ele, impas­sível, mas a observando atentamente.

Kyle estava agindo como um militar, pois não estava pensando como o pai de Nina, mas sim como alguém preocupado em preservá-la de uma possível ameaça.

A demora em decidir alguma coisa estava deixando Phoebe com os nervos à flor da pele.

— Bem, se você tiver alguma outra ideia para mantê-la longe do Conselho Tutelar...

— Desculpe se estou sendo lento demais em assimi­lar tudo, mas entenda que até uma hora atrás eu nem sabia que era pai — disse ele, erguendo a sobrancelha.

— Se você tivesse mantido contato com Bianca, tal­vez... — Phoebe mordeu a língua para não continuar com a acusação, pois sabia que queria apenas extrava­sar a frustração de presenciar sua última esperança se esvair.

— Não sou culpado por Bianca ter mantido a gravi­dez em segredo — defendeu-se ele, unindo as duas so­brancelhas numa só. — Isso se o que você estiver dizen­do for verdade. Você precisa entender que acabei de chegar de uma guerra.

— Sinto muito. Você está certo. De fato, é muita in­formação e não quero parecer belicosa. — Phoebe per­cebeu que tinha sido muito agressiva e procurou enten­der o lado dele.

— Brigas não nos levarão a lugar nenhum — disse ele, recuperando o controle.

— Estou de pleno acordo.

Kyle continuava próximo a uma planta com ramos que iam até o chão, que Phoebe achou que pareciam tentáculos para segurá-la no lugar.

— Não importa o que já aconteceu, precisamos ela­borar um plano de ação daqui para a frente. Mas não quero conversar num lugar onde qualquer um possa nos ouvir. Há pelo menos uma meia dúzia de repórteres cobrindo este evento que minha mãe organizou para celebrar minha volta.

Kyle tinha razão. Por mais que a imprensa pudesse ajudar a encontrar Bianca, traria também o Conselho Tutelar atrás de Nina. Era uma situação muito delicada, e ela precisava manter o equilíbrio.

Ao menos ainda estavam conversando. Talvez ele tivesse alguma ideia para resolver a situação, caso con­trário, ela podia voltar ao assunto de casamento, mas com um pouco mais de tato. Está certo que a maneira de abordar aquela possibilidade tinha sido ostensiva demais, mas não era um total despropósito. Aquela era pelo menos a enésima vez que Phoebe tentava se con­vencer de que se casar não seria loucura. Mesmo sa­bendo que, se possível fosse, seus pais ressuscitariam para dissuadi-la do plano.

Ela já havia pensado em tudo. Muita gente vinha a Las Vegas diariamente pelas mais distintas razões, in­clusive para se casar. Os votos do casamento não repre­sentavam nada para a maioria, e para ela seria a mesma coisa.

Uma pessoa passou por onde eles estavam trazendo Phoebe para o presente. Tinha de tomar todo o cuidado com a imprensa, conforme Kyle havia dito. Apesar da luz fraca, foi possível identificar uma senhora que pa­rou onde eles estavam.

— Ah, meu querido, eu estava procurando você — disse uma senhora loira, aparecendo sob a luz da tocha e colocando a mão com unhas cuidadosamente esmal­tadas de branco no ombro de Kyle.

Tratava-se de Ginger Landis Renshaw, mãe de Kyle. Mesmo que Phoebe não a reconhecesse por suas faça­nhas políticas como senadora, depois secretária de Esta­do, acharia que os dois eram parentes pela semelhança dos traços físicos. Os dois tinham cor de cabelo diferente, mas o formato do rosto e o sorriso eram iguais.

Ginger estava muito bem para os 50 e poucos anos. Olhou para Phoebe e passou a mão sobre o vestido de noite Chanel, sem disfarçar a curiosidade.

— Os convidados estão perguntando por onde você anda.

— Mamãe, precisamos arrumar uma sala vazia para conversar. E precisa ser agora — disse Kyle, saindo da frente de Phoebe para que ela e Nina ficassem visíveis.

Os olhos de Ginger, que até então brilhavam de curiosidade, ficaram mais escuros com a preocupação.

— O que houve?

— Não posso dar explicações agora, mamãe — disse ele com urgência na voz. — Precisamos levá-las para uma sala com porta, de preferência.

Ginger empertigou-se e se encarregou da situação com a mesma eficiência que a fizera ganhar respeito nos tempos de secretária de Estado. A habilidade polí­tica continuava a ser seu forte, agora trabalhando como embaixadora dos Estados Unidos em um pequeno, mas poderoso, país da América do Sul.

— Claro, venham.

Ginger os guiou pelo jardim por um caminho escon­dido que levava direto para a administração do clube. Bastou apenas um aceno de mão para que o gerente do local corresse para abrir um dos escritórios.

Phoebe a seguiu sem se importar em esconder o es­panto com aquela mulher que facilitava tanto as coisas sem nenhum esforço. Seja o que Deus quiser. Era me­lhor deixar o receio de lado. Estava disposta a enfrentar quem quer que fosse por Nina, mas tinha esperanças de encontrar uma aliada em Ginger.

A porta foi fechada assim que todos entraram na sala, onde a mobília de madeira escura se agigantava no ambiente. O ar estava pesado, impregnado pelo cheiro de lustra-móveis misturado ao perfume das flo­res frescas.

Ginger fez um gesto na direção de uma cadeira de balanço.

— Sente-se, querida. Até os pequenos bebês ficam pesados quando os carregamos por muito tempo.

Phoebe piscou, surpresa. Não seria muito inteligente desobedecer a Ginger e, além disso, estava com os pés latejando. Mesmo assim não baixaria a guarda por nem um minuto. Naquele momento, contar com o apoio de Ginger era tão importante quanto ganhar a confiança de Kyle.

Ginger fuzilou o filho com um olhar questionador.

— Mamãe, ao que parece deixei um filho aqui quan­do fui para o Afeganistão.

Apesar da noite louca e confusa, Kyle sabia que qualquer um de sua família reagia de pronto a uma crise.

Mal o filho tinha anunciado a possibilidade de aque­la criança ser sua, e Ginger já acionou sua assistente e reuniu o restante da família. O assunto era importante demais para ser mantido em segredo.

Os quatro irmãos, dois dos quais eram casados, lota­ram a pequena sala. Sebastian, um dos irmãos, sentou-se à mesa de madeira, passando seus olhos de águia pelos documentos que Phoebe tinha apresentado. Os outros estavam com as atenções voltadas à direção da cadeira de balanço, onde Phoebe dava mamadeira para um bebê pequenino.

Kyle andava de um lado a outro atrás da mesa de madeira, inquieto. Sebastian era um ano mais novo, mas parecia mais velho por causa de sua esperteza e sobriedade. E tudo do que precisavam naquele momen­to era de sua calma.

— Esta é sua filha? — Sebastian questionou Kyle, fe­chando a pasta com os documentos.

Kyle parou de andar e apoiou-se no outro canto da mesa.

— Existe uma grande possibilidade de ser sim.

Era uma hipótese que o atingiu com a mesma força do míssil que tinha abatido sua aeronave no Afeganistão.

— Pelos meus cálculos o bebê pode ser mesmo fruto da semana que passei com Bianca, a mãe dela — informou Kyle, deslizando o dedo pela ponta do nariz, sem jeito.

— Uma semana inteira? — Sebastian perguntou em um raro momento de humor.

— Eu saí com Bianca no intervalo de minhas via­gens. Nenhum de nós estava interessado em manter um relacionamento sério — respondeu Kyle, sem vontade de continuar o relato.

— Bem, você nunca se interessa por relações longas. — Sebastian voltou a atenção para os papéis.

Verdade: Kyle não era conhecido por ter namoros sérios, mas pelo menos era sincero.

— O mais irônico de tudo é que, apesar dessa minha fama, Phoebe me propôs casamento.

— Acho que entendo a lógica dela — disse Sebastian com sua voz grave mas baixa, que mesmo quem esti­vesse perto não ouviria com nitidez. — Se ela conhece a sua fama, não precisará se preocupar, pois você não vai se apegar a ela ou ao bebê.

— A proposta foi feita no desespero. Phoebe confir­mou que não pensou bem antes de falar e me disse para pensar em alguma outra solução. Você tem algu­ma ideia?

Sebastian passou as mãos sobre o rosto muito pare­cido com o de Kyle.

— O primeiro passo será confirmar se o bebê é seu mesmo. Bem, não sou de achar que um bebê pareça com um dos pais, mas tenho de admitir que ela lembra um Landis.

— Alguém tem ideia de quanto tempo leva o resulta­do de um teste de paternidade? — indagou Kyle, ainda incerto com o rumo das coisas.

— Nunca precisei de uma prova dessas — assegurou Sebastian, olhando para a mulher com, visível afeição.

O filho dos dois nascera havia poucos meses. A gravi­dez tinha sido uma surpresa depois que tinham perdido uma filha adotiva, que certamente instigara a vinda de um filho legítimo.

— Jonah deve saber.

O irmão mais novo, Jonah, sempre fora o mais en­diabrado de todos. As histórias eram tantas que ficava difícil distinguir a verdade da mentira. Kyle sempre o compreendera melhor do que o restante da família, ape­sar de sua vivência militar o ajudar a controlar os im­pulsos rebeldes do irmão. Mas mesmo assim, ele ainda aprontava.

— Quanto antes resolvermos isso, melhor — disse Kyle.

— O que você sabe sobre ela? — perguntou Sebastian, inclinando a cabeça na direção de Phoebe, que, com uma toalha no ombro, levantava Nina para arrotar.

— Absolutamente nada. — Antes de prosseguir, Kyle pegou a pasta e folheou os documentos. — Nunca a vi antes, mas as fotos de Bianca parecem verdadeiras.

— Conheço um detetive particular que poderá checar toda essa história amanhã de manhã. O fato de ela morar e trabalhar por perto facilita bastante — disse Sebastian, retomando a pasta e espalhando as folhas sobre a mesa.

— Tudo me parece autêntico, mas logo teremos certeza.

Mas nada seria resolvido tão cedo quanto esperavam.

— Por enquanto estamos presos — disse Kyle, bai­xando a voz, apesar de nenhum dos presentes estar prestando atenção aos dois. — Ou ela é uma amiga de­votada e está mesmo dando apoio a Bianca, nesse caso precisando mesmo de ajuda, ou é uma louca, e para a segurança do bebê é melhor que fique por aqui.

— Tome cuidado. — Sebastian se inclinou na direção de Kyle. — Há muito dinheiro em jogo.

— Vocês, homens, são tão cínicos — disse a esposa de Sebastian, olhando por cima do ombro.

Droga! E eles podiam jurar que estavam falando bai­xo. Será que Phoebe também tinha ouvido? Não que estivessem falando algo de suma importância, mas se­ria melhor que o comentário tivesse ficado entre eles apenas. Ela devia saber que seria investigada.

Ashley, esposa do mais velho dos irmãos, Matthew, deu um passo à frente, mostrando a ligeira protuberância de seu ventre, antes de dizer:

— Acho que eles têm razão em se preocupar. Já ouvi contar casos tristes sobre como as pessoas po­dem ser cruéis quando se trata das necessidades de uma criança.

— Quem você está condenando? A mãe do bebê ou Phoebe? — indagou Jonah, sentado com a perna apoia­da no braço de outra cadeira de balanço.

Com a mão no encosto da cadeira de Phoebe, Ginger fuzilou cada um dos filhos com um olhar, o mesmo que já havia intimidado várias pessoas e que não enfraque­cera com o passar dos anos.

— Lamento que tenha que ouvir isso. Meus meninos deviam ser mais gentis.

Kyle observou quando Ginger se inclinara na dire­ção de Phoebe, dizendo-lhe frases bem escolhidas. Não havia dúvida de quem era a diplomata da família.

— Não estou ofendida — garantiu Phoebe. — Na ver­dade, estou aliviada por vocês serem tão práticos com esta questão. Isso é um bom presságio para Nina, e eu não tenho nada a esconder.

— Desculpe-me, mas isso tudo me parece falso — dis­se Jonah. — Você não seria a primeira a querer nos apli­car o golpe do baú.

— Não estou aqui por dinheiro. — Phoebe bateu nas costas de Nina e depois a deitou em seus braços. — Eu só preciso de tempo. Não quero que o Conselho Tutelar a coloque para adoção antes de encontrar a mãe dela. Se isso for impossível, eu gostaria de adotá-la.

Jonah puxou a gravata já desfeita e aproximou-se de Phoebe.

— Então deixe nas mãos da Justiça. Se você for a melhor solução, o bebê fica com você.

Ginger se aproximou, interrompendo a conversa, sinalizando para Jonah sair da cadeira e chamando Ashley para se sentar. Ashley sorriu e soltou um sus­piro de alívio.

— Nós não estávamos esperando por isso, mas tive sorte.

Phoebe passou a mão na cabecinha de Nina, uma ter­nura que contrastava com a preocupação de seu rosto.

— Sua história é melhor do que a de Nina?

— Minhas irmãs de criação e eu morávamos na casa da tia Libby. A mãe biológica, Claire, queria ficar com elas, mas era jovem demais e não tinha dinheiro. Os pais de Starr eram criminosos e se recusaram a ceder a custódia. Meus pais também me deram para adoção. — A quietude de Ashley de repente se transformou em fúria conforme falava. — Nem todas as meninas que fi­caram com tia Libby tinham vindo direto dos pais bio­lógicos. A maioria dos pais de criação são bem-intencionados e amorosos, mas um tanto... — Ela balançou a cabeça contrariada.

Pela experiência de ter passado os últimos seis anos de sua vida como militar, protegendo os outros, Kyle tinha vontade de pegar Nina e mantê-la a salvo do mun­do. Será que esses sentimentos seriam mais fortes, caso ficasse provado que ela era sua filha?

— Não quero correr o risco de Nina cair em uma casa com pessoas que não a amam nem por um dia — disse Phoebe encostando o rosto na cabecinha do bebê.

— Você tem razão — Ashley concordou. — Algumas pessoas não têm muita escolha, mas Nina terá opções melhores.

— Já pedi para minha assistente marcar o teste de pa­ternidade — informou Ginger.

— Em um final de semana? — Phoebe ficou surpresa, provavelmente por não ter compreendido bem a habilida­de da mãe de Kyle em mover montanhas se necessário.

— O resultado chegará antes que os escritórios do Conselho Tutelar abram na segunda-feira — informou Ginger, brincando com um dos anéis de brilhantes que tinha nos dedos.

Phoebe teria tempo suficiente para se certificar de que queria mesmo ficar com Nina, pensou Kyle. Com as mãos nas costas, numa típica pose de militar comentou:

— Vocês todos estão tão certos de que a criança é minha que acho que devo levar as coisas dela para mi­nha ala da nossa casa.

— Como assim? — Phoebe exigiu, arregalando os olhos. — Nina e eu estamos bem alojadas em um hotel, mas agradeço sua boa vontade.

— Mesmo que a chance de ela ser minha filha seja remota, não vou deixar que saia daqui com ela — disse Kyle, colocando a mão no trinco da porta.

Apavorada, Phoebe olhou ao redor e abraçou Nina com os dois braços.

— Não vou deixá-la aqui.

— Não espero que deixe mesmo. — Ninguém se afas­taria antes que ele obtivesse algumas respostas. — Vocês duas ficarão comigo em casa.


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