ComemoraçÕes do dia da região autónoma dos açores horta, 24 de Maio de 1999



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COMEMORAÇÕES DO DIA DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
Horta, 24 de Maio de 1999

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
O Dia da Região Autónoma dos Açores, instituído em 1980, é o dia da celebração da consciência açoriana, que foi construída na afirmação da sua identidade cultural ao longo dos séculos e, finalmente, vertida para o plano institucional, após o 25 de Abril, através da adopção do regime de autonomia político-administrativa e da instalação de órgãos de governo próprio.
Esta evocação, que se fez coincidente com a Segunda-Feira do Espírito Santo, porque nela os açorianos festejam “A Primavera, a Vida, a Solidariedade e a Esperança”, junta-nos, a todos – residentes nas ilhas ou emigrados por toda a parte – num abraço do tamanho do mundo. É o dia da Açorianidade.
Enfatizamos, nesta data, o orgulho de ser açoriano, feito de passado, de presente e de futuro.
Um passado anfitrião atlântico de homens do velho mundo que por aqui passaram sonhando com novos mundos, e um passado de contribuição cimeira para a Portugalidade. Se Guimarães, foi berço da nacionalidade, os Açores, por algum tempo, foram o seu único refúgio. Se em Lisboa se acantonou a centralidade política nacional, houve já açorianos que a assumiram ao mais alto nível do Estado. Se na universalidade do pensamento e da cultura portuguesas emergiram figuras que ultrapassaram fronteiras, lá estavam os açorianos – missionários, teólogos, cronistas, historiadores, humanistas, literatos, artistas, filósofos, politólogos, e até, aventureiros, de uma plêiade que fez jus à interculturalidade que nestas ilhas desde cedo arvorou.
Orgulhamo-nos do presente, fruto jovial do trabalho devotado de múltiplas gerações, que trouxe os Açores ao Mundo, sem que este deixasse de passar pelos Açores. Queremos ter orgulho no futuro que estamos a construir, na herança que vamos legar e que já estamos a usufruir.
Conhecemos as dificuldades que vivemos quando, no passado, se aditaram aos custos da nossa geografia os impostos da indiferença ou do abandono de quem nos devia socorrer ou ajudar. Conhecemos, agora, outras dificuldades, quando, apesar do progresso que nos aporta e da solidariedade que nos chega, os desafios se agigantam e o esforço de todos se reclama cada vez maior.
Vivemos numa luta entre a velocidade com que a era comunicacional nos inclui e o ritmo de progresso económico e social que nos pode proporcionar não sermos excluídos. É nessa batalha de emergência que as nossas instituições políticas e democráticas, desde o Parlamento ao Governo e às autarquias locais, estão, cada uma a seu modo, e dentro de cada uma de forma diferente, empenhadas, certamente, com o seu melhor.
Apesar das contrariedades que tantas famílias açorianas ainda não puderam superar e da volubilidade dos tempos que correm, os açorianos podem alentar justificadamente a esperança da melhoria contínua da sua vida, discutindo apenas a justeza das transformações e a eficiência dos caminhos que estamos decididamente a trilhar com aquela finalidade.
Conservámos valores e resguardamo-nos num espaço onde se pode viver em paz, em segurança e num diálogo, sem muitas altercações, entre o progresso e a natureza. Podemos ser uma Região ainda pobre da União Europeia, mas somos, ainda, uma Região rica de tranquilidade e vivência fraterna, e já, apostada em recuperar o tempo perdido.
Num momento em que, infelizmente, a guerra e a opressão dominam em múltiplas regiões, desde o centro da Europa, à África Lusófona e a Timor, numa sanha incompreensível nunciativa de morte, de fome e de miséria, temos o privilégio de conviver com os países que partilham a paz, a estabilidade social, a ordem pública, a consideração dos direitos e a liberdades individuais, que constituem bens colectivos de inestimável valor a que, felizmente, os açorianos têm acesso.
Minhas senhoras e meus senhores
Neste Dia dos Açores, temos homenageado sempre a memória das gerações, de há um século atrás, que se bateram nobilitariamente, por uma identidade política açoriana, sob a divisa da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos”.
É nossa obrigação, porém, estender, hoje, essa homenagem, volvidos 25 anos da revolução libertadora, aos muitos açorianos insatisfeitos pela Ditadura Centralista e combatentes pela Liberdade, que, com a sua luta persistente, de quase meio século ajudaram a construir a génese da nossa autonomia político-administrativa contemporânea – a Democracia.
A Democracia foi e é o tempo em que germinou e floresce a nossa capacidade de auto-governo, mesmo que nela nunca se apresente como despicienda a vigilância que os autonomistas açorianos devem manter face às tentações seculares centrípetas que intermitentemente contaminam a política portuguesa.
Neste Dia dos Açores, em que releva a unidade, não posso deixar, também, de me referir, com justiça elogiosa, a todos quantos, desde a Junta Regional de 1975 à Sétima Legislatura da Assembleia Legislativa Regional – no governo, na oposição partidária e na sociedade – não se furtaram ao mais alto contributo para os Açores que hoje somos.
Mesmo agora, na política açoriana, quando com vitalidade se confrontam ideias e se rivalizam projectos, se manifestam impaciências ou se cultivam injustificados negativismos, os açorianos, estou seguro, contam com um Governo por eles escolhido que está a honrar os seus compromissos, e com uma oposição parlamentar que, em última instância, também sei que deseja o Bem dos Açores.
É nesta diversidade, que nos acaba sempre por unir quando é preciso, que temos construído o nosso futuro. É, nesta diversidade que, cada um, procurando interpretar o interesse dos Açores, deve procurar construir resistindo à facilidade que representa destruir. Ou seja, recusando o mau uso da Liberdade. Há alturas em que não devemos prejudicar os caminhos para o progresso com divergências que afinal são efémeras.
Minhas senhoras e meus senhores
Esta Sessão Solene de evocação do Dia da Região Autónoma dos Açores ocorre num espaço e numa ilha, com grande significado para a Autonomia e com grande simbolismo para a capacidade de regeneração da sociedade açoriana.
Ao promover esta Sessão Solene, nesta sala da Sociedade “Amor da Pátria”, o primeiro local de funcionamento e de reunião da Assembleia Regional, o Governo presta redobrada homenagem aos pioneiros da Autonomia Democrática.
Ao promovê-la na ilha do Faial, exprime - em simultâneo com os representantes de todas as instituições regionais, e com a presença honrosa de Sua Excelência o Senhor Ministro da República - a solidariedade devida a todos os que, nesta ilha e no Pico, sofreram as consequências devastadoras da crise sísmica de 9 de Julho do ano passado. Não subsistem dúvidas sobre o nosso empenhamento, usando todos os recursos disponíveis, para repor a normalidade afectada e para introduzir novas condições habitacionais e de ordenamento para as pessoas e para as áreas atingidas. Oxalá que essa grandiosa tarefa, para a qual temos contado com o alerta de cidadãos de boa vontade e com o apoio prestimoso do Governo da República, das Forças Armadas, do voluntariado e das instituições particulares de solidariedade social, esteja concluída o mais cedo possível, para descanso e para conforto de todos.
Termino - não sem antes agradecer o brilhantismo e a qualidade que o Dr. António Vitorino emprestou a este momento, através da sua comunicação - saudando todos os açorianos espalhados pelas nove ilhas e pelo Mundo, e deixando-lhes mais uma vez a certeza, em nome do Governo, de que podem continuar a contar connosco. Nós contamos com todos os açorianos.
Viva os Açores.





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