Como Ensinar o Carácter (pp. 83-102), capítulo 8 do livro o caso da Educação para o Carácter – o papel da escola na aquisição de valores e virtudes How to teach Character in “The Case for Character Education – The Role of the school in teaching values and



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Como Ensinar o Carácter (pp. 83-102), capítulo 8 do livro

O Caso da Educação para o Carácter – O Papel da escola na aquisição de valores e virtudes

How to teach Character in “The Case for Character Education – The Role of the school in teaching values and virtue”

By B. David Brooks, nd Frank G. Goble


Em proporção, à medida que a estrutura de um governo dá força à opinião pública, é essencial que a opinião pública seja esclarecida.

George Washington
Como podem as escolas realizar a tarefa da educação para o carácter e para os valores éticos? Talvez o ponto de partida lógico para os professores e administradores seja familiarizarem-se com a informação contida neste livro e em outros deste tipo. Precisam de se familiarizar com as leis do seu estado e do país no que se referem à educação dos valores. Devem conhecer a história da educação para o carácter e os benefícios resultantes dessa mesma instrução. Precisam de descobrir o que outros educadores estão a fazer e que programas estão disponíveis.

A Californian School Boards Association (CSBA) criou uma equipa de missão para a tarefa da educação para o carácter, e em Agosto de 1982, este grupo emitiu um relatório intitulado “A Reawakening: Character Education and the role of the School Board Member” (O redespertar da educação para o carácter e o papel dos membros do Conselho Escolar). A “Ética” declara o relatório “pode e deve ser ensinada As escolas partilham esta responsabilidade com toda a sociedade… embora os pais sejam os principais modelos das crianças, os professores são os segundos. Os professores devem reforçar os sinais que permitam às crianças distinguir entre o que está certo e o que está errado. A nossa sociedade (e todas as sociedades ao longo dos séculos) estabeleceu códigos de ética comuns a todos”.

A estrutura de missão aconselhou os Conselhos Escolares da Califórnia a seguirem os seguintes passos para promoverem a educação para o carácter nas escolas:


  • Os conselhos de escola devem assumir a responsabilidade da educação para o carácter. Historicamente, a educação pública para todos na América tem sido justificada pela necessidade de existirem numa sociedade democrática cidadãos alfabetizados, informados e morais .

  • O eleitorado tem acusado as escolas de desprezarem a educação para o carácter. Portanto, baseado nos precedentes e na exigência da comunidade que a escola serve, devemos assumir a liderança na reafirmação do papel das escolas na educação para o carácter.

  • Os conselhos escolares devem conduzir uma avaliação de necessidades na comunidade. Reconhecemos que cada comunidade é única. Portanto, cada distrito deve envolver a sua comunidade na determinação da necessidade da educação para o carácter e na direcção que o programa deve tomar. Os conselhos escolares devem diligenciar para que se estabeleçam normas padrão aceitáveis de comportamento das escolas. Sustentamos a seguinte declaração feita no relatório sobre a violência e o vandalismo (violence and vandalism report) publicado pela CSBA em 1982, relativamente à falta de disciplina:

Se aprendemos alguma coisa ao longo dos anos, é que é quase impossível impor princípios. Todos os grupos que sejam afectados por estes princípios devem aceitá-los de bom grado. Disciplina e políticas de controlo devem ser desenvolvidas e implementadas pelo pessoal da escola, pelos pais e pelo trabalho cooperativo dos estudantes. A comunicação não deve falhar. A política de disciplina deve dar direcções firmes e positivas. As regras das escolas e os seus regulamentos devem identificar princípios de comportamento que sejam claros, concisos, e facilmente entendidos por pais, professores e alunos. A meta final deve ser educar os estudantes para que tenham auto-domínio e sejam auto dirigidos.”

Os conselhos escolares devem desenvolver políticas e directrizes que permitam aos estudantes atingirem as metas da educação para o carácter.


Herbert C. Mayer, enquanto presidente da American Viewpoint, disse que o ponto de partida para a educação para carácter era o reconhecimento de que os valores são algo que não é inspirado e apanhado e portanto devem ser ensinados. Esta organização desenvolveu e testou um bem sucedido curso de educação para o carácter em Ossining, Nova Iorque. Uma das conclusões foi de que esta abordagem não deve ser dogmática nem punitiva. Embora assim , Doctor Mayer disse,“…pode ser preferível para o vazio/vácuo moral que frequentemente existe ,embora haja desvantagens no treino de crianças das gerações passadas com disciplina excessiva, esses jovens sabiam o que se esperava deles. Podem não ter percebido porque era esperado que fizessem algumas coisas, mas sabiam que tinham de as fazer, ou sofreriam as suas consequências. Tinham um código de comportamento apesar de lhes ter sido imposto. Hoje, muito poucos dos nossos jovens têm qualquer coisa com semelhança com um código de moral. Literalmente, não sabem o que é certo e o que é errado.”

Dr. Mayer continuou dizendo que ensinar ou promover a educação para os valores, actualmente não é difícil. Ele numerou quatro passos: “Identificação de um valor, exame do mesmo, escolha ou rejeição dele em relação a um ponto de vista e a sua prática no dia-a-dia.”

O seu pessoal da American Viewpoint, trabalhando em cooperação com os professores da escola de Ossining, desenvolveu um conjunto de linhas orientadoras para a educação para o carácter.


  • É evidente e imperativo a necessidade de ensinar às crianças valores morais e éticos.

  • A sala de aula é uma das melhores situações em que este ensino pode ser feito. A educação para os valores deve estar no contexto dos estudos sociais e não deve ser uma disciplina adicional.

  • Devem ser encontrados materiais apropriados para suplementar o currículo regular.

  • O método tradicional de “moralizar”, deve ser evitado.

  • Valores específicos devem ser ensinados no tempo apropriado do desenvolvimento da criança.

  • O programa deve combinar experiências reais, experiências vividas estimulantes, leituras, discussões e prática. Os professores devem ser encorajados a experimentarem e a estarem alertas para situações desejáveis.

  • Deve haver uma educação para os valores directa para que se mudem os comportamentos.

As linhas orientadoras de Ossining têm-se mantido ao longo do tempo.

No entanto, as actuais discussões relativas aos métodos de ensinar educação para o carácter incluem a discussão sobre se a educação para o carácter deve ser uma disciplina independente ou se deve fazer parte e ser infundida noutra, como por exemplo os estudos sociais.

Uma das respostas a esta questão defende que este tema deve começar por ser ensinado como assunto em disciplina em todos os níveis de ensino e depois então infundido em todas as disciplinas do currículo geral.

Argumenta-se que os alunos devem primeiro dominar a linguagem e os conceitos para depois relacionarem estes conhecimentos com as outras disciplinas a que são expostos. É difícil para alguns estudantes e até mesmo para alguns professores discutirem questões relacionadas com valores quando não conhecem e não estão alertados para os conceitos e princípios destes conteúdos.

Dentro do movimento da reforma educacional há fortes sugestões de que o bom carácter deve ser ensinado intencionalmente e explicitamente.

Em Caught In The Middle, Educational Reform for Young Adolescents in Califórnia Public Schools, as seguintes recomendações estão presentes:

1. Professores, conselheiros, organizadores de currículos, e aqueles que providenciam o seu treino profissional devem propor questões relacionadas com debates de temas morais e éticos dos adolescentes e elevá-los a um nível mais elevado de preocupação. A atenção deve ser dada aos ideais do trabalho árduo, das responsabilidades pessoais, da honestidade, da cooperação, da auto-disciplina, da liberdade, da apreciação da diversidade humana, e da importância da educação. Questões relacionadas com a realidade, a verdade, a bondade, e a beleza devem ser trazidas para o primeiro plano, ser o âmago dos estudos, escolhidos e explorados curricularmente, incluindo, mas não os limitando à literatura, história, civismo, ciência e artes visuais. Formas de atingir esta meta incluem:

a. Revisões dos guias curriculares e dos materiais cujo foco de atenção são os valores morais razoáveis e escolhas éticas.

b. Provisão de tarefas que envolvam os estudantes e os levem a pensar acerca das lutas morais e éticas com que se debateram personalidades literárias e históricas e o potencial significado dessas experiências na formação dos seus próprios ideais.

c. Provisão de oportunidades de formação para os professores, conselheiros e administradores que lhes permitam responder às questões éticas e morais dos jovens adolescentes, interligando estas questões com os focos das outras disciplinas curriculares.

2. Directores, professores e conselheiros devem demonstrar, por exemplo, através de conselhos e de instruções, a forma como decisões pessoais são influenciadas pelo raciocínio moral baseado nos ideais pessoais e profissionais.

3. Directores, professores, conselheiros e pais devem encorajar e guiar os alunos no desenvolvimento de uma visão daquilo que esperam ser quando adultos, e a considerarem a forma como esta visão está relacionada com as escolhas morais e éticas que fizerem enquanto jovens adolescentes. As figuras literárias e históricas estudadas através do currículo geral, assim como as experiências pessoais e as auto-observações do que eles próprios fazem, podem ajudar a atingir esta meta.


EDUCAÇÃO DO CARÁCTER

PRINCÍPIOS, PROCESSOS E PRÁTICA

A educação para o carácter, como educação e prática de valores como é normalmente referida, era historicamente função da família com o apoio das escolas. Geralmente, era dito às crianças o que estava correcto e o que estava errado e quando elas questionavam o porquê desta classificação era-lhes respondido pelos pais ou professores “Porque eu digo que é assim!” ou “Faz apenas o que eu digo” ou “ As crianças são para ser vistas e não ouvidas.”. As crianças aprendem a ser honestas. Quando são desonestas, aprendem-no em casa e na escola, simultaneamente.

Se analisarmos os anos 50 e 60, percebemos que foi nestas épocas que se começou a questionar a autoridade dos pais. Jovens pais, professores universitários, psicólogos e professores começaram a explicar às crianças os motivos para se ser respeitoso, honesto e gentil. Se não o conseguissem fazer de forma satisfatória, sentiam-se culpados e as crianças fariam as suas próprias coisas. Com isto, a era do Dr. Spock, como alguns a referem, caracteriza-se pela ideia de que as crianças podiam decidir o que fazer por elas próprias, sem terem em conta as consequências pessoais e sociais das suas acções. Aos pais era ensinado que as crianças tinham que aprender a fazer escolhas, mas também sugerido que todas as opções eram OK. O processo de selecção é que era importante e significativo e não a escolha em si.

É claro, muitos actores influenciaram estes tempos de mudança. Quanto mais permissivas as atitudes dos pais, maior influência tinham as escolas e a sociedade nesta nova maneira de pensar, de se comportar e de valorar.

Simultaneamente, muitos departamentos de educação de várias universidades começaram a sugerir que a educação era livre de valores. Aos estudantes que pretendiam ser professores era ensinado que a função dos professores era ensinar os alunos a tomarem decisões mas sem fazer juízos e sem apontar as boas decisões e as más decisões. Como resultado disto, começou a valorizar-se apenas o processo da tomada de decisão, desprezando o conhecimento de como se deve tomar determinada decisão. Tudo se tornou relativo à situação ( ética situada).

Líderes já experientes em educação para o carácter reconhecem as falácias e os perigos da clarificação de valores e começam a procurar uma estratégia para regressar à forma sistemática de educação para os valores.

Contudo, a sociedade não estava preparada para abandonar o processo juvenil de decisão - acção, e regressou à era do “Faz porque eu digo para fazeres!”.

Enquanto era inapropriado, se não impossível regressar a uma época anterior, havia, nas mentes de muitos, a necessidade de descobrir um equilíbrio. Na opinião de muitos, incluindo os autores, o processo de decisão - acção era apropriado e necessário. No entanto, emergiu a percepção de que mesmo assim e necessário que os pais e educadores incutam os princípios de correcto e de errado.
THE THREE P’S OF CHARACTER EDUCATION

O pensamento corrente sugere que na consideração de como promover a educação para o carácter é importante seguir três elementos básicos. Estes componentes ou elementos consistem nos princípios, no processo e na prática.


Princípios:

Os Seis Pilares da Educação para o Carácter da Character Counts Coalition são excelentes exemplos do estabelecimento de princípios sobre como um currículo pode ser criado. Da concordância básica sobre princípios como confiança, responsabilidade, justiça, afecto e cidadania um, pode desenvolver-se um currículo básico. À medida que as lições forem sendo criadas, outros sub-princípios podem ser incluídos dentro da estrutura de cada princípio principal.

Por exemplo, dentro de confiança, um currículo que explore a honestidade, integridade, o cumprimento de promessas e a lealdade pode ser usado para expandir o principio básico.

Numa outra abordagem, Thomas Lickona baseia o seu trabalho em apenas dois princípios. No seu livro, Educating for Character o seu foco são duas características do carácter , o respeito e a responsabilidade. Ele acentua que dentro da estrutura do trabalho destes dois princípios há outros valores que podem ser incluídos.

Embora hajam diferentes abordagens de ensino de princípios de bom carácter, é importante percebermos que esses princípios são as pedras basilares de um programa de educação para o carácter e não podem ser ignorados, ou considerados como conceitos que as crianças já conhecem quando entram na escola.

O sentido que se deve ter em conta é que muitos, se não a maioria dos estudantes que entram na escola, não têm ideia do significado destes princípios; muito menos capacidade de traduzir estes ideais no seu comportamento.


Processo: o segundo elemento ou componente de uma educação para o carácter eficaz é o processo: A STAR, um modelo para resolver problemas de ordem ética, fornece uma ferramenta para examinar alternativas e as consequências pessoais e sociais de certas atitudes.

O modelo STAR é ensinado aos alunos com o objectivo de lhes fornecer uma ferramenta que lhes permita reflectirem acerca das suas potenciais atitudes e escolher a melhor alternativa possível. É também uma ferramenta válida na mediação entre pares, de resolução de conflitos e um meio para analisar acções do passado. O processo consiste em quatro passos básicos: Stop (Parar), Think (Pensar), Act (Agir), Review (Rever).

Há outros exemplos deste tipo de modelos de resolução de problemas. Por exemplo, já Young People’s Press, nos seus Books of Responsability (Livros de Responsabilidades), usam um processo similar intitulado STOP. No entanto, analisaremos e ilustraremos o processo STAR.

Segue-se um exemplo de como este modelo pode ser utilizado para resolver um problema. O processo de instrução é para ensinar os alunos a:



Stop: Despenderem o tempo necessário para analisarem a atitude que pretendem tomar, ou que já tomaram.

Think: Mentalmente, fazer uma lista das opções que poderiam tomar numa determinada situação.

  1. Quais eram as minhas alternativas?

  2. Que comportamento devo seguir?

  3. Quais serão as consequências?

Ou fazer uma lista das atitudes tomadas.



  1. Quais poderiam ter sido as minhas alternativas?

  2. O que é que eu fiz?

  3. Quais serão as consequências?


Act: Escolher a melhor alternativa e agir de forma apropriada. Estou a escolher __________________. Ou apontar a acção que escolhi. Eu escolhi ________________.
Review: Questionar, “Será que a minha atitude me vai aproximar ou afastar dos meus objectivos e como irá a minha decisão afectar os outros?” ou perguntar, “A minha atitude aproximou-me ou afastou-me dos meus objectivos e como terá afectado os outros?”
Exemplo 1: Depois de um incidente.

Um rapaz no pátio de uma escola STAR é visto a empurrar outro rapaz. O supervisor aproxima-se dele e segue-se o seguinte diálogo:


Supervisor do recreio: Vamos STAR o que se passou entre ti e o Joey.

Rapaz: Ok. Eu empurrei-o porque ele me tirou o chapéu.

Supervisor do recreio: Paraste e pensaste antes de o empurrares?

Rapaz: Não.

Supervisor do recreio: Vamos fazer isso agora, para saberes o que fazer da próxima vez que acontecer O que farás da próxima vez?

Rapaz: Vou para e pensar.

Supervisor do recreio: Vais pensar sobre o quê?

Rapaz: Sobre maneiras de resolver o problema

Supervisor do recreio: Quais é que poderão ser?

Rapaz: Eu podia empurrá-lo e recuperar o meu chapéu ou podia ir chamar-te.

Supervisor do recreio: O que aconteceria, em cada uma dessas situações?

Rapaz: Provavelmente arranjaria outra vez sarilhos se o empurrasse. Se te chamasse, recuperavas o meu chapéu e já não haveria sarilho

Supervisor do recreio: Ok! Então vamos rever o que aconteceu agora

Rapaz: Como não te chamei tive que ficar sentado durante cinco minutos no banco do STOP.

Exemplo 2: Planear com antecedência

Faltam dois minutos para a aula acabar.

Professora: Turma! O que significa STAR?

Turma: Stop, Think, Act e Review!

Professora: Boa! Vamos imaginar que está um dólar caído no chão. Usem o segundo passo de STAR e escolham o que fariam.

Estudante A: Podia agarrar na nota e pô-la no bolso.

Professora: Vamos rever essa escolha. Quais poderiam ser as consequências dessa atitude?

Estudante B: Ficaria feliz porque tinha um dólar.

Estudante C: Pois… mas a pessoa que o perdeu ficava triste ou em sarilhos.

Professora: Haverá outra alternativa?

Estudante D: Apanhá-la e entregá-la.

Professora: Vamos rever essa escolha. Quais poderão ser as consequências se a entregares?

Estudante E: Se ninguém a reclamar, posso reavê-la.

Estudante F: A pessoa que a perdeu sentir-se-ia bem.

Estudante G: Eu sentir-me-ia bem porque a tinha devolvido.

Professora: Sendo assim, qual é que vos parece a melhor alternativa?

Turma: Devolvê-la!

Professora: Ok! Boa! Vamos para o recreio.


Prática: A terceira componente do programa para uma educação para o carácter eficaz é traduzir os princípios para práticas de comportamento que deva ser tomados pelos alunos. Não é diferente da matemática. O professor ensina os princípios e conceitos e os estudantes vão ao quadro, completam fichas de trabalho e fazem trabalhos de casa como meio de aperfeiçoarem estas competências.

Um Currículo, Aptidões de Responsabilidade, proporcionam aulas focadas em comportamentos mensuráveis que podem ser praticados e fomentar responsabilidade pessoal e social. Esteja preparado, seja pontual, seja um realizador, estabeleça metas, etc. todos estes ideais têm influência no tipo de carácter e consequências que causam impacto a nível individual e social. Estas práticas derivam dos princípios acima citados.


Por Exemplo:

Traduzindo o princípio fundamental, Respeito, na prática os professores podem discutir o significado do respeito e a forma como isso afecta o individuo, a turma, a escola ou a sociedade. À turma é dada a oportunidade de discutir a importância de se ser respeitoso e os benefícios de um comportamento respeitador.

Os alunos podem então utilizar a STAR para observar uma situação e determinarem as consequências positivas e negativas dos comportamentos de respeito e de desrespeito.

O professor pode usar a seguinte situação como exemplo. Alguém te desrespeita, insultando-te e chamando nomes feios. Qual o processo que precisas de fazer antes de reagir?

Uma das respostas possíveis que um aluno pode dar será, “Vou parar e pensar acerca das minhas alternativas A, B e C, o comportamento que vou ter e quais serão as consequências. Saberei que quando fizer a minha escolha, actuarei de acordo com a minha escolha. Actuo consoante a minha decisão, Se decidir seguir um determinado comportamento, assim sou responsável por ele. Devo dispor de algum tempo para rever as minhas acções perguntando-me a mim próprio, “Será que as minhas acções me farão ficar mais próximo ou mais distante de atingir as minhas metas (responsabilidade pessoal) e como será que o meu comportamento afectará as pessoas que estão à minha volta (responsabilidade social)?”

Claro que nenhum aluno dará uma resposta neste tipo de linguagem académica. As crianças não utilizam este tipo de linguagem. O importante é que desenvolvem um processo de pensamento, uma linguagem, que suportará a resolução de problemas de ordem ética.

A partir desta discussão, o professor pode agora levar a turma ou os alunos, individualmente, ao próximo nível. Isto é, a passagem da ideia para a sua concretização, comportamento observável. Por exemplo, poderá ocorrer a seguinte discussão.

Professor: Que competências de responsabilidade podem praticar, de forma a mostrarem respeito?

Estudantes: Podemos ser pontuais para que os professores possam iniciar as aulas a horas.

Podemos ouvir os outros em silêncio.

Podemos prestar atenção enquanto o professor está a falar.
Depois de desenvolvida uma lista, os alunos podem praticar os comportamentos e o professor deve reconhecer e reforçar as acções positivas dos seus alunos. Nalguns casos, a turma pode afixar esta lista como um lembrete dos comportamentos respeitadores eleitos.

Um segundo exemplo que integra os 3P’s de uma educação para o carácter eficaz encontra-se noutro currículo, intitulado LESSONS IN CHARACTER.

Young Peoples’s Press de San Diego, na Califórnia, adoptou os Seis Pilares da Educação para o Carácter que foram definidos na Conferência de Aspen (Aspen Conference) e refinados pelo CHARACTER COUNTS COALITION de Josephson Institute of Ethics e desenvolvido como um currículo baseado na multiculturalidade.

NEstas LESSONS IN CHARACTER os três elementos da educação para o carácter listados acima e um largo leque de histórias infantis multiculturais são utilizadas para ilustrar os princípios incorporados nos Seis Pilares do Carácter: Confiança, Respeito, Responsabilidade, Justiça, Afectividade e Cidadania.

O currículo LESSONS IN CHARACTER está dividido em três elementos ou componentes. Como foi mencionado acima, o primeiro consiste nos princípios que são baseados nos Seis Pilares. O segundo consiste em actividades de pensamento que fomentam o desenvolvimento de uma linguagem e de conceitos associados a estes valores e o terceiro relaciona-se com a prática de comportamentos observáveis como ser um bom vizinho, ser uma pessoa que partilha, ser uma pessoa educada e honesta.

As planificações das aulas de educação para o carácter, incluem uma unidade para cada um dos seis pilares. Dentro de cada unidade há quatro lições que se concentram na definição e na prática da lista de princípios na escola, em casa e na comunidade.

Por exemplo, subjacente ao pilar da Responsabilidade, há uma terceira unidade que é Ser um Estabelecedor de Metas. Dentro destas há quatro aulas.
Lição 1

IDEIA PRINCIPAL:

Estabelecer metas é um processo que passa por três etapas. Seguir estes passos ajuda-nos a atingir o nosso objectivo.
OBJECTIVOS DOS APRENDENTES:

Os alunos irão:



  • Definir o tempo limite para atingirem determinado objectivo

  • Listar os passos a seguir neste processo

  • Discutir as vantagens de estabelecer metas

  • Identificar pessoas que podem ajudar a alcançar os seus objectivos


Lição 2

IDEIA PRINCIPAL:

Estabelecer metas em relação à escola pode ajudar-nos a fazer importantes melhoramentos no nosso desempenho e nas nossas relações com os outros.
OBJECTIVOS DE APRENDIZAGEM

Os alunos irão:



  • Identificar áreas nas quais possam estabelecer metas para eles próprios, na escola

  • Utilizar o estabelecimento de metas como um processo de resolução de problemas

  • Estabelecer metas pessoais, em relação à escola



Lição 3
IDEIA PRINCIPAL:

Quando estabelecemos metas, podemos fazer melhoramentos em nós próprios e na nossa vida, e podemos tentar várias maneiras de fazer as coisas. Saberemos como utilizar o nosso tempo de maneira útil, e saberemos o que podemos esperar que aconteça. Aqueles que estabelecem metas sentem-se confiantes e sabem que estão à altura de fazer cumprir as suas promessas.


OBJECTIVOS DE APRENDIZAGEM:

Os alunos irão:



  • Relatar sentimentos para serem ou não estabelecedores de metas

  • Discutir os benefícios pessoais de serem estabelecedores de metas

Lição 4
IDEIA PRINCIPAL:

Estabelecer metas em casa pode ajudar-te a resolver problemas ou a fazer melhorias. Estabelecer metas ao nível da comunidade contribui para o bem-estar geral.


OBJECTIVOS DE APRENDIZAGEM:

Os alunos irão:



  • Identificar áreas nas quais podem estabelecer metas em casa e na comunidade

  • Estabelecer uma meta específica para eles próprios relacionada com a vida familiar

  • Falar com os membros da sua sociedade acerca dos seus trabalhos e de como o estabelecimento de metas pode ser uma ajuda para toda a comunidade.

Cada uma destas IDEIAS PRINCIPAIS e OBJECTIVOS DE APRENDIZAGEM são seguidas pelas ESTRATÉGIAS DE ENSINO que incluem o pensamento e a acção.

O guia de gestão do professor também sugere um projecto de turma que reporte para a IDEIA PRINCIPAL. Por exemplo, este Pilar em particular, Responsabilidade, e as aulas relacionadas com o estabelecimento de metas tem o seguinte projecto de turma:

Pedir aos alunos que mencionem uma meta para toda a turma trabalhar. Escrever esta meta no Poster. Depois trabalhar colectivamente para preencher os pontos de controlo (checkpoints) enquanto a turma realiza cada passo em direcção aos conhecimentos adquiridos no estabelecimento de metas.

Fornece-se um cartaz com uma área para escrever a meta. Durante esse mês, a turma trabalha com o objectivo de alcançar esta meta. Os estudantes vão registando os progressos que fazem, através deste processo, no cartaz. Isto, claro, é um exemplo de tradução do princípio ou conceito da acção ou da prática.
SERÁ QUE A EDUCAÇÃO PARA O CARÁCTER DEVE SER UMA DISCIPLINA ?

Muitos educadores acreditam que a instrução para o carácter deve ser criada no currículo global em vez de ser tratada como uma disciplina separada. Isto pode ser um ideal digno, e certamente foi o caso há muitos anos atrás nos dias de McGuffey Reader. “Tão recente como há vinte e cinco anos atrás”, declarou o Dr. John Silber em 1980, “a educação para a cidadania, ou seja, a educação das crianças baseada na moral e no dever cívico, era o foco central de toda a educação primária e secundária. Era sobre isto que a educação tratava.”

O problema da ideia de os valores serem englobados no currículo é que isto obrigaria a uma revisão muito dispendiosa da maioria dos textos e manuais escolares, utilizados actualmente. Infelizmente, os conteúdos dos valores e do carácter desapareceram de muitos textos escolares. Durante os últimos 25-30 anos muitas editoras desvalorizaram o conteúdo moral em prol de factos e acontecimentos concretos. Assim sendo, é necessário perguntar: “Se a educação para o carácter é tão importante como ler, escrever, e fazer contas, como os autores insistem, então porque não deve ser leccionada especificamente, sistematicamente e de forma individual?”

Um segundo problema é a ideia errada de que a educação para o carácter é ensinada em turmas sem a necessidade de um plano específico. Quando se pergunta aos professores se ensinam a honestidade, por exemplo, eles geralmente respondem afirmativamente. No entanto, quando lhes é pedido que especifiquem este tipo de ensinamento acabam por afirmar que este surge a partir de um acto desonesto. Quando lhes é pedido um plano deste tipo de aulas não conseguem apresentar nem estabelecer um. A temática, ciências, estudos sociais e a leitura não são leccionados ao acaso, nem a educação para o carácter deveria ser tratada dessa maneira. Uma boa educação para o carácter deveria ser ensinada deliberadamente.

A educação para o carácter, sistemática e individual, não significa que esta área seja dada esquecendo as outras áreas académicas. Todas as áreas académicas podem contribuir para a fomentação de um bom carácter. O ensino “individualizado” dos princípios, processo e práticas de bom carácter é o primeiro passo que pode conduzir à inclusão no currículo geral e na cultura da escola.

Exemplos da história ou o estudo de vidas de grandes homens e mulheres são métodos de educação para o carácter que já foram utilizados nas escolas americanas e que ainda se utilizam em muitos países. Uma das razões pelas quais as escolas americanas já não recorrem ao estudo da história, de acordo com Benson e Engeman, é que “John Dewey opôs-se expressamente a isso em Democracy in Education”.


«… inclui comentários nas virtudes e vícios do tema da biografia; O Lives of the Saints já foi utilizado na educação religiosa. O currículo da escola militar descreveu os feitos corajosos dos seus antigos alunos, e as escolas públicas britânicas em Inglaterra, no século dezanove fizeram renascer a moralidade trazida de volta pelos antigos para o terreno, para encorajar os alunos a um mais elevado e mais corajoso ideal de serviço público. As ordens religiosas comemoraram os seus membros defuntos mais devotos; as histórias dos títulos morais de Lincoln podem inspirar os jovens interessados na política; e a biografia de Parson Weem, de George Washington foi historicamente imprecisa, mas as histórias que ele contou podem ter ajudado muitos Americanos a viver vidas melhores. McGuffey’s Readers, muito usados nas escolas públicas Americanas no último século, incluem um conjunto de histórias que são exemplos de coragem, honestidade, gentileza, e outras qualidades morais.»
Antes da Segunda Guerra Mundial, todas as crianças japonesas em idade escolar memorizavam códigos de ética, e isto era reforçado diariamente na sala de aula com instrução formal do carácter. Esta instrução consistia principalmente em representações de histórias e biografias. Reed Irvine descreve um típico texto imprimido no Japão para utilizar nas escola japonesas do Hawaii:
O texto inicia-se com uma história que realça o respeito pelos pais e a importância das crianças evitarem comportamentos que possam conduzir à desgraça das suas famílias. Isto é seguido de um capítulo sobre Abraham Lincoln que valoriza a sua honestidade, bondade e sentido de justiça. Segue-se uma biografia de James A. Garfield, uma história inspiradora sobre a sua luta contra a pobreza, uma história que provavelmente nunca foi lida por um estudante americano fora das escolas japonesas do Hawaii durante várias gerações. Este conto de Garfield baseia-se no sacrifício feito pelo seu irmão mais velho, para permitir que James frequentasse a escola, e mostra como James pagou a sua dívida empenhando-se na escola e no trabalho. Outro exemplo de homens de carácter incluído neste texto é Herbert Hoover, Almirante Togo, que ganhou fama na guerra Russo-Japonesa, e o descobridor da febre amarela, Dr. Naguchi…
Assim que a linguagem específica ou que os princípios de um bom carácter se tornam numa parte integrante da cultura da escola surgirão muitas oportunidades para o uso de currículos suplementares e de materiais que enriquecerão o ensino das aulas regulares.

Uma enorme colecção de biografias que pais e professores podem utilizar como ferramenta para ajudar as crianças a entenderem os princípios e valores pessoais básicos chama-se Value Tales.( Contos com Valores). Este programa consiste em vinte livros ilustrados bastante atractivos. Cada livro é sobre uma personagem histórica especifica e enfatiza um valor ou característica pessoal: a vida de Louis Pasteur ensina o valor de acreditarmos em nós próprios; a vida de Helen Keller ilustra a determinação; a história dos irmãos Wright ilustram a paciência e por aí adiante.

Adicionalmente, há imensos livros suplementares que podem ser utilizados na escola e em casa. Os livros de William Bennett que relatam virtudes, valores e paternalismo constituem recursos importantes. Outros livros como 20 Teachable Virtues de Unell e Wycokoff e 50 Practical Ways to Take Our Kinds Back from the World de Michael J. McManus são alguns dos exemplos da crescente biblioteca de material de apoio.
A ESCOLA COMO UMA ILHA

Em muitos casos, a educação para o carácter está confinada a uma turma, a um conselheiro, a um curso singular ou deixado ao critério dos professores, individualmente. Como resultado, esta ausência de coesão faz diluir a eficácia de um currículo para o carácter mais sistemático.

Actualmente a escola pode ser pensada como uma ilha. Em muitos casos é a ilha mais pacifica, segura e apoiante que as crianças experimentam. Ajuda pensar que a escola tem uma linguagem e uma cultura própria. Se a linguagem da ilha é de desdém pelos alunos e seus comportamentos, então o comportamento geral daqueles que habitam nesta ilha reflectirá essas atitudes que estai de acordo com a linguagem. Se, por outro lado, a linguagem promove uma cultura de carinho, honestidade, respeito, então a maioria dos estudantes e do pessoal procederão de acordo com estes.

Assim, a aproximação óptima para uma educação para o carácter eficaz é adoptar uma abordagem escolar vasta. Esta abordagem deve incluir estes elementos fundamentais.




    1. a escola deve ser vista como uma ilha com a sua própria linguagem e cultura. Enquanto for verdade o que a escola fizer, estender-se-á à família e à comunidade, permanecendo a ideia de que a escola está também separada do mundo exterior. A escola pode criar o seu próprio ambiente pró - carácter. Relativamente à educação para o carácter uma abordagem temática pode ser utilizada para o pessoal e para os estudantes como foco num principio em particular, como a honestidade ou o respeito.

    2. as componentes instrucionais do currículo do carácter devem ser:

  1. relacionadas com o tema geral da escola.

  2. ensinadas como uma disciplina separada mas também infundida no currículo geral.

  3. Todo o pessoal deve estar consciente de qual o tema da escola e explorá-lo.

    1. o ênfase deve ser dado em como os estudantes traduzem os princípios em comportamentos sociais.

As abordagens da educação para o carácter podem variar de escola para escola, de sala de aula para sala de aula. Não menos importante, está a tornar-se claro que o carácter e os valores são leccionados deliberadamente, e cada vez este tipo de práticas tem mais aderentes. A precaução é a de que a educação para o carácter que é invisível, não tem planos de aulas, e não inclui princípios, processo e práticas é muito provavelmente ineficaz.



Alguém disse um dia que “qualquer coisa que esteja em todo o lado, não está em lado nenhum”. A educação para o carácter que é percebida para estar em todo o lado está condenada a ser menos eficaz do que a educação para o carácter que é específica, que tem objectivos, uma componente de avaliação que reforça o bom carácter de estudantes e de pessoal.
Recapitulando

  1. Existem muitas formas de ensinar o carácter. Estas incluem infusão, exemplos, modelação e instrução directa.

  2. O movimento de reforma das escolas em vários estados está a incluir a educação do carácter como um importante elemento da reforma das escolas públicas.

  3. A educação do carácter tem três elementos. São referidos como os Três-P’s.

  4. Os Três-P’s consistem em Princípios, Práticas e Processos.


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