Como estamos interligado aos outros através de nossa existência



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COMO ESTAMOS INTERLIGADO AOS OUTROS ATRAVÉS DE NOSSA EXISTÊNCIA por Christof Lindenau

Publicado no Boletim n# 10 - Agosto 1998




COMO ESTAMOS INTERLIGADO AOS OUTROS ATRAVÉS DE NOSSA EXISTÊNCIA

Christof Lindenau


“Meu texto era, de certo modo, um apelo não ao pensar sobre as tantas e quantas instituições, mas um apelo direto a natureza humana”.

Rudolf Steiner em 11 de Junho de 1922 sobre seu texto:

“Die Kernpunkte der sozialen Fragen in den

Lebensnotwendigkeiten der Gegenwart

und der Zukunft”.

(Os pontos cernes da questão social, frente às exigências da atualidade e do futuro)

Elementos sociais para o conhecimento do ser humano

Muitas vezes se falou que a trimembração do organismo social orientado para o impulso da antroposofia não parte de recomendações e divulgações à base de receitas do tipo “pegue isto e faça aquilo“. Não sendo isto o que é então?

A natureza desse trabalho e o espírito impulsionador precisam ser procurados no método do descobrir e inventar. O que precisa ser descoberto: o “status” específico da uma situação social concreta projetada à luz da trimembração. O que precisa ser inventado: o “projeto” em si para o qual a trimembração do caso concreto represente realmente um avanço social. O primeiro é uma questão ligada ao julgar e avaliar, o segundo ligada à fantasia social. Mas ambos – e pouco a pouco isto ficará cada vez mais evidente – somente mostrarão totalmente suas forças vitais quando se conseguir achar o ponto de partida do efeito da relação espírito-alma-corpo do ser humano, mesmo que a partir de conhecimentos elementares.

Em todas as áreas da vida o ser humano se depara hoje com a necessidade de recorrer a si mesmo. Justamente a completa ausência de sucesso, sim, o fracasso de todas tentativas de construir ao longo do tempo um mundo humano digno através da postura contemporânea do pensar e agir tecnocraticamente, sempre remete o homem a si mesmo. Assim também no campo da configuração social. Por isso as perguntas sobre o auto-conhecimento e a auto-consciência aparecem hoje cada vez menos como diletantismo de anseios pessoais ou como advertência moral: ela aparece muito mais em função de uma leitura objetiva dos acontecimentos globais atuais. À queixa, por muitos, da auto-alienação do ser humano no campo social na realidade só pode ser combatido com nada menos do que o seu auto-descobrimento. Somente podemos esperar adicionar um avanço social humano, ao certamente admirável avanço tecnológico, através da consciência de como estamos interligados e entrelaçados no que fazemos ou deixamos de fazer em nosso dia-a-dia com o que outras pessoas fazem ou deixam de fazer em sua plenitude como seres humanos.

Assim, a contribuição que se segue pretende abordar os elementos de uma orientação social para o conhecimento do ser humano.

Um exemplo de como, e em todos os dias do ano, a nossa própria natureza nos leva ao relacionarmos-nos com outras pessoas, é a forma de como naturalmente nós satisfazemos hoje as nossas necessidades. Nós dependemos, nos mais diferentes aspectos, de outras pessoas para satisfazer as nossas necessidades. Para nos vestir e morar, para sair de férias ou viajar, mas também como criança para ser educado, como enfermo tratado, etc, nós – consciente ou inconscientemente – nos utilizamos continuamente do trabalho de outras pessoas. Naturalmente que a água engarrafada que recebemos de uma empresa, cujo motorista nos atende em casa a cada três semanas, nos traz a consciência essas relações de uma maneira mais clara do que a água que nós usamos diariamente da torneira. Mas isso é devido à limitação de nossa atenção normal, e não que também nesse caso não haja as mesmas relações com outras pessoas. Tanto num como noutro caso estamos integrando uma teia de relações sociais devido as nossas necessidades como ser humano.

Mas satisfazer as necessidades não é a única razão para estamos em contato no dia-a-dia com outras pessoas. Há outra razão que surge quando nós, como ocorre em todo trabalho profissional, buscamos com outras pessoas soluções para os problemas que a vida nos apresenta. Pode ser na preparação de um pão, na fabricação de uma roupa, na construção de casas ou carros, no trabalho em uma redação de jornal ou teatro, nas atividades de uma escola ou hospital: sempre cada um de nós vai precisar da cooperação de outras pessoas para tornar frutífero o uso de suas próprias capacidades, mas também suas habilidades e força física para obter sucesso na solução do problema. Temos aqui uma relação humana completamente diferente da mencionada anteriormente. Não pelo lado da satisfação das necessidades, mas ser parceiro de outras pessoas como ser humano na vida social pelo lado de nossas habilidades.

E há um terceiro aspecto na natureza do ser humano através do qual ele se relaciona com outras pessoas. No momento em que, por exemplo, ele participar de um acordo entre pessoas e ele se envolver conscientemente no contexto assumindo direitos e obrigações. Assim ocorre quando ele, como cidadão de um país, reconhece como válida para si uma legislação ou como motorista reconhece como válidas para si as regras do trânsito. Ou quando pessoas entre si fazem acordos ou contratos sobre direitos e deveres, como por exemplo, sobre aluguel ou sobre combinar um encontro. Sob o aspecto social não agem aqui habilidades ou forças como no exercer de uma profissão, nem necessidades específicas – mesmo se normalmente necessidades específicas são a razão de contratos ou acordos. Age aqui somente a responsabilidade dos envolvidos em julgar reciprocamente sobre os direitos e deveres.

Cada um de nós, ou pelo menos todos aqueles que exercem uma vida profissional, se defronta, portanto com outras pessoas de três maneiras diferentes: como ser com necessidades, responsabilidades e habilidades. Para organizar uma vida social civilizada, um pensamento como este, no entanto, só tem validade real se ficar claro que a reflexão sobre si como parceiro social também é valida para o outro. Também o outro se nos apresenta como ser social com necessidades, responsabilidades e habilidades. Mais precisamente: em todo trabalho em grupo não só eu me apresento a ele, mas ele também a mim como alguém com habilidades, e em todo acordo não só eu frente a ele, mas ele também a mim como pessoa com responsabilidades. E assim também com a satisfação das necessidades: não só eu dependo de outras pessoas no aspecto de atender as minhas necessidades – tais como alimentação, vestuário, etc. – mas também os outros dependem de que eu retribua a estes objetos e serviços de terceiros com - o que normalmente chamamos – dinheiro, para que estes também possam satisfazer as suas necessidades.

Observados dessa maneira o tecido das relações sociais que nos une as outras pessoas, reconhecidamente ou geralmente não reconhecidamente, é formado a partir de 3 fios diferentes. Toda relação social, todo complexo estatal, toda instituição que seja estudada sob este aspecto, independentemente do lugar no mundo, se apresenta sempre como um tecido com um desenho diferente, mas sempre esse desenho se origina a partir das três formas de relações sociais descritas anteriormente. Assim como hoje estamos acostumados a falar de uma biosfera que envolve o nosso planeta, assim também podemos falar de uma sociosfera. E assim como a biosfera precisa urgentemente de um tratamento pelo homem devido às destruições através de nossa civilização tecnocrática, a sociosfera também precisa de um tratamento adequado pelos seus habitantes. Mas qual será o tratamento adequado? Com certeza deve ser tal que considere pormenorizadamente as diferenças vitais das três formas de relações entre as pessoas. E esse será o tema do próximo capítulo.



Corpo, alma e espírito – observados sob três dinâmicas diferentes.

O ser humano interage socialmente de três maneiras, e é dessas três maneiras que ele integra o tecido social:



  • como um ser com habilidades para trabalhar em grupo

  • como um ser com responsabilidades para fazer acordos

  • como um ser com necessidades para satisfazer carências

Foi neste sentido que no capítulo anterior mencionou-se a trimembração do tecido das relações sociais, tecido este que em última análise representa a sociosfera terrestre.

Uma reflexão sobre estas três faces da natureza humana e a relação social que se constitui a partir disto, pode ser aprofundada se abordarmos o homem quanto a corpo, alma e espírito. Este capítulo dará uma contribuição neste sentido, e um suporte para a matéria pode ser encontrado nos livros com os princípios básicos da ciência espiritual de orientação antroposófica.

Parece ser mais fácil concentrar inicialmente a atenção na parte corporal da essência do homem. Focando o homem como um ser com necessidades, percebemos, por exemplo, que principalmente as ditas “necessidades básicas” estão diretamente ligadas a sua existência física. Assim sua necessidade por alimentação, roupa, moradia, etc. Mas o que significa isto concretamente?

A alimentação principal dos Massai consiste de sangue fresco de gado batido com leite coalhado, saboreado em cuias pré-lavadas em urina de gado. Pele crua de certas espécies de baleia pertencia originalmente às delícias do esquimó groenlandês. Comparando com o que nós reconhecemos como alimento nós percebemos que o ponto de vista do homem como ser físico não é suficiente para entender o mero dia-a-dia das necessidades corporais.

Mesmo desconsiderando o fato de que o homem para sentir uma necessidade física ter que ser um ser anímico, é necessário para entendê-la também ser um ser espiritual. Assim, para a verdadeira compreensão daquilo que supostamente só sacia uma necessidade física, também é necessário considerar aspectos anímicos e espirituais.

Um ponto de vista como esse, por exemplo, é formado a partir de valores da cultura popular. Sem a consideração minuciosa desses valores, torna-se impossível um projeto social sensato ou uma satisfação dita “material” das necessidades, como tem demonstrado as inúmeras ajudas equivocadas a povos famintos de países do terceiro mundo. Mas isto significa: que também as necessidades de alimentação – e principalmente os pratos mais saborosos – tem sua base tão ancorada às necessidades anímicas e espirituais, que podemos até diferenciar num momento de auto-reflexão o aspecto físico do anímico e espiritual, mas eles sempre vão se apresentar simultaneamente mesmo que com ênfase alternada. Na realidade social, portanto, não é possível desvencilhar as necessidades físicas das anímicas e espirituais. Muito pelo contrário: falar da alimentação somente como um elemento material para satisfazer as necessidades, é ficção baseada em observações erradas de nossa realidade. E o que é válido para as necessidades de alimentação também é válido para roupas e moradia. Também aqui os aspectos físicos considerados devem ser complementados com os aspectos anímicos e espirituais.

Aquilo que dessa maneira precisa ser considerado com respeito às necessidades básicas do corpo deve ser tomado muito mais em conta quando observamos a vida humana em toda sua extensão. Pois não é só das necessidades básicas do corpo que se deve falar, mas também das necessidades básicas anímicas e espirituais, se nós realmente queremos retratar o homem como um ser com necessidades. Assim, por exemplo, toda criança precisa do amor e da doação dos seus pais. E ela sentirá falta se isto não ocorrer. Com isto tem-se um aspecto da necessidade básica, que certamente é de origem anímica, mesmo se a falta ou carência da não satisfação pode se expressar por sua vez no corpo – através da doença. Mas a necessidade de cuidar da alma através de atividades sociais e com bate-papos, cultura e arte é também uma pergunta à biografia geral do homem.

E a mesma coisa é válida para todo tipo de necessidade por conhecimento, formação e aperfeiçoamento nas mais diversas áreas. Esta necessidade renasce no homem como um ser espiritual e pode – pense principalmente na criança e no jovem – muitas vezes só ser satisfeita através do trabalho de terceiros, do qual o indivíduo depende como depende do pão que outros preparam para ele. Aquilo que, por exemplo, um professor realiza para seus alunos, é também uma mercadoria no sentido de um julgamento social, assim também o são os sapatos que são comprados para ele poder ir para a escola. (veja também de Rudolf Steiner “Die Kernpunkte der sozialen Frage”, capítulo 3). No nosso contexto isso significa que a atuação do professor relaciona-se tanto com a necessidade do aluno como a participação dos operários na fabricação dos seus sapatos – esteja isto consciente ou inconsciente para o estudante. A essência da satisfação de uma necessidade só pode ser compreendida se dirigirmos a atenção para o fenômeno de que as pessoas devem ser vistas não só como seres físicos, mas também como anímicos e espirituais.

Algo semelhante ocorre nos fenômenos dos acordos, com direitos e deveres, e com a cooperação nos trabalhos em grupo. Também aqui as pessoas envolvidas não se encontram presentes apenas como seres físicos mas também como seres anímicos e espirituais. Só que as inter-relações de corpo, alma e espírito apresentam entre si sempre uma dinâmica diferente daquela do homem como um ser com necessidades. Isto é mais evidente se primeiramente dirigirmos nossa atenção ao fenômeno da cooperação.

O indivíduo participa, como nós vimos, desses fenômenos contanto que de um lado ele possua habilidades que reforcem ou complementem as habilidades dos outros colaboradores, e por outro lado ele esteja disposto a empregar suas habilidades na mesma tarefa. Se se trata de um trabalho na lavoura ou numa marcenaria, num hospital ou fábrica, numa redação de jornal ou agência de viagem, é no momento irrelevante. Pois sempre se trata de pessoas que juntam suas habilidades, capacidades e forças físicas, para em conjunto fazer algo que sozinho – pelo menos no prazo desejado – não seria realizável.

O corpo humano é considerado nisto tudo por ser através dele, com sua saúde ou doença, resistência ou cansaço, força ou fraqueza, etc., que este se apresenta como instrumento com maior ou menor aptidão a resolver com a habilidade necessária às tarefas apresentadas. Sob o aspecto anímico, por outro lado, temos aqui que lidar com a maneira com a qual é enfrentada a tarefa: se com interesse ou indiferença, com aplicação ou comodismo, com senso de responsabilidade ou simplesmente “ir levando”. E através dessas características da vida anímica, é que as habilidades necessárias para um trabalho se manifestam de diferentes formas sobre o corpo. Essas habilidades em si são, no entanto uma particularidade de natureza espiritual – se estivermos dispostos a não limitar aqui o significado da palavra “espírito” a mera capacidade de pensar ou generalizar no sentido estreito da habilidade de gerar cultura, mas o significado amplo para pelo menos tudo aquilo que é modificado paulatinamente, instintiva ou conscientemente, na natureza da vida sobre a terra.

Olhemos portanto para os fenômenos do trabalho em grupo, ou seja para a participação do homem como ser com habilidades, e perceberemos uma dinâmica que, se compreendida corretamente, se inicia no espírito do homem e através da alma intervém no corpo. E quanto mais a alma e o corpo, de maneira solícita, executarem os movimentos ativos e produtivos a partir do impulso espiritual, melhor será o desempenho como expressão das habilidades disponíveis. O oposto a esse exemplo, como nós vimos, é relativo ao caso do ser humano como um ser com necessidades, na qual a alma e o espírito são considerados quase como – mais ou menos passivos e receptivos – elementos inclusos às necessidades do corpo. Neste caso mostra-se a dinâmica recíproca das relações entre corpo, alma e espírito a partir não do espírito mas do corpo.

Numa terceira dinâmica, também baseada em relações de reciprocidade de corpo, alma e espírito, o ser humano é visto como um ser com responsabilidades. E isto ocorre toda vez que um ser humano faz um acordo, compromisso, fecha um contrato, etc. Neste caso a parte anímica do ser humano começa a se tornar autônoma e engloba neste movimento o espírito e o corpo. O espírito, no entanto, não é considerado aqui como algo que precisa ser desenvolvido ou como elemento produtivo, mas na medida em que o ser humano precisa de uma capacidade de julgamento sobre o em torno do que está se tratando num acordo a ser selado. Pois obviamente um acordo em nossas vidas que possa ser cumprido, por exemplo, sobre a compra de um equipamento complexo ou participação numa tarefa elaborada – só se concretizará se todos os envolvidos forem capazes de julgar, o que cada um tem a ver com isso. Também o corpo não é considerado aqui como elemento a ser alimentado, vestido, etc., nem como ferramenta para uma imediata execução de determinada tarefa. Em compensação ele entra como elemento de expressão, através do qual é manifestada uma concordância ou discordância com o acordo. O ser humano precisa, através do corpo, estar possibilitado a pelo menos exprimir de alguma forma o seu sim ou não. A concordância ou discordância em si, no entanto é algo que demonstra certa autonomia alcançada pelo ser anímico – que é a responsabilidade. Aqui precisa ser considerado que o desenvolvimento para essa autonomia não é somente algo relativo à idade, mas eventualmente pode estar vinculado a hábitos da dependência de todo tipo: por doença, consumo de drogas, etc., e por estes o desenvolvimento se tornar limitado ou até comprometido.

Dessa maneira resulta uma consciência espiritual profunda do ser humano como parceiro social, de nós e do outro, que sempre se relacionará como seres com corpo, alma e espírito. Certamente, se analisarmos os fatos a partir do caminho aqui escolhido, estamos longe de sermos conscientes disso a todo instante de nossas vidas. Mas fizemos um começo, para compreender fenômenos sociais de uma maneira nova. E este começo precisa ser feito se quisermos avançar. Pois sem que nós nos atentemos para o fato, a nossa visão atual de mundo – e com isso nossa visão do homem – está dominada pelo mesmo pensamento que no século passado entrou na Teoria do Conhecimento Marxista.

Ela afirma que, no fundo, a realidade é material, e que nosso diagnóstico simplesmente é um reflexo dessa realidade. E por conseqüência a “base” da verdade de nossas vidas deve ser vista na realidade material, enquanto o reflexo é mera “sobre-estrutura” dessa base. (NT: o reflexo e sobre-estrutura, sob a ótica marxista, carrega o significado de ideologia).

Se agora este “marxismo” é carregado inadvertidamente para dentro do impulso social antroposófico, ele leva, por exemplo, à pretensão de que toda satisfação de necessidades existentes na vida econômica do homem se reduza simplesmente a satisfações materiais, e de que em toda cooperação existente na vida anímica corresponda de maneira semelhante e simplesmente a habilidades criativas culturais com todas as suas conseqüências sociais de inclusive reaquecer velhos preconceitos, etc. A realidade, com isso desconhecida, é outra. Na verdade a interação é sempre com o ser humano como um todo: corpo-alma-espírito. Só que a relação de corpo-alma-espírito entre si é definida por três dinâmicas diferentes, que esquematicamente será sintetizada como segue, e age no homem e como um ser com:

habilidades responsabilidades necessidades











Legenda: E: espírito; A: alma; C: corpo.


Essas três dinâmicas diferentes entre espírito, alma e corpo são em síntese as três diferentes formas – ser com habilidades, responsabilidades e necessidades – como o homem é colocado na sociedade humana e assim na sociosfera terrestre.
Tradução: Christian Folz





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