Compreendendo o que é crescer



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CAPÍTULO I
INTRODUÇÃO

Crescimento da Igreja têm sido um tema muito em voga tanto no meio teológico, quanto no meio dos leigos cristãos de um modo geral. Sendo assim, muito tem se falado sobre o assunto, entretanto pouco tem se compreendido sobre o mesmo. Alguns devido à falta de compreensão acabam por alijar-se das discussões, outros possuem uma compreensão errônea que acaba por afetar a aplicação e a transmissão, de forma que a mensagem é negativamente deturpada. São poucos os que realmente possuem um entendimento claro do assunto, no entanto muitas vezes são estes poucos que têm feito a diferença no meio evangélico de modo geral. Não obstante, são estes últimos que contribuem direta e seriamente para a reflexão e mudança de rumos na igreja evangélica atual.

É neste contexto, por exemplo, que Gruner nos diz que “são poucos os ministros ou leigos cristãos que compreendem a verdadeira dinâmica do crescimento da igreja” (Gruner, 1984, p. 8).

Este trabalho não objetiva esgotar o assunto em questão. Visa em primeiro lugar conduzir a um entendimento pleno, correto e integral dos fundamentos inerentes a um crescimento sólido da igreja evangélica. Assim, esperamos obter uma compreensão correta do que é realmente crescer como corpo de Cristo.




  1. Compreendendo o que é crescer

A compreensão do que é crescer, tem sido no geral deturpada e errônea. Muito tem sido falado, porém pouco tem realmente sido compreendido em sua plenitude. Têm havido várias linhas de pensamento, sendo difícil identificar claramente qual delas é a correta.

Alguns pregam que o correto é copiar o modelo de igrejas que crescem, outros acreditam possuir a única visão correta e ainda outros defendem a realização de pequenas adaptações, dando sua própria cara ao projeto. Todavia, existem alguns que acreditam ser melhor encontrar os princípios por trás dos modelos, aplicando-os então na igreja. Qual destas posições é a correta? O que realmente é crescer? Como alcançar um crescimento integral? Estas são alguns dos questionamentos que tentaremos responder ao longo deste estudo.

Para Rick Warren crescer é uma conseqüência e não um fim em si mesmo. Assim sendo, crescimento é o resultado natural de uma igreja sadia e igreja sadia é aquela que mantêm uma mensagem bíblica e uma missão equilibrada. Em segundo lugar, Warren descreve que crescimento não é fruto de um único fator, mas sim de um conjunto de fatores que cooperam entre si.

Já Aguilera vê que crescer é acima de tudo trabalhar ministerialmente, especialmente no que tange ao cumprimento da Grande Comissão. Sendo assim, crescer é envolver toda a igreja no cumprimento da ordem do Senhor: “fazer discípulos”. Diz-nos também Aguilera que crescer é desenvolver a igreja como um todo e não somente um parte dela, um departamento ou ministério. Todavia, para que isto seja realmente uma realidade faz-se necessário o estabelecimento de estratégias específicas, visando tornar a igreja um ambiente efetivamente propício ao crescimento.


  1. O fundamental são os princípios e não os modelos

Um dos grandes problemas do crescimento de igreja reside no fato de que muitos supervalorizam os modelos de igrejas que crescem. Desta forma alguns líderes de igreja repassam seus “modelos de crescimento”, como sendo um princípio universalmente válido para qualquer igreja ou situação. Não obstante, algumas igrejas simplesmente copiam estes modelos, sem preocuparem-se em identificar até que ponto sua realidade assemelha-se à realidade da igreja modelo. No entanto, Schwarz conduz-nos à visão de que o que importa não são os modelos das igrejas que crescem, mas os princípios bíblicos norteadores que se encontram por traz destes modelos, em seu livro ele nos diz que:





Aprender de igrejas que crescem significa observar de perto a sua prática do ponto de vista de princípios universais. Não significa, no entanto, aceitar e adotar incondicionalmente os modelos explicativos que os líderes dessas igrejas querem nos transmitir como o “segredo do sucesso”. (Schwarz, 1996, p. 17)

Vemos em Amitrano que os princípios de crescimento são válidos a qualquer cultura ou denominação. Schwarz, por exemplo, conduziu sua pesquisa baseando-se em princípios, de tal forma que acabou por identificar oito marcas de qualidade comuns a igrejas que crescem de maneira integral e efetiva.

Aguilera também parece valorizar os princípios, especialmente quando nos diz que devemos estuda-los com atenção. Indo mais longe ele nos diz que os princípios são aplicáveis a diferentes igrejas e denominações, acarretando benefícios em todas elas.

Não obstante, Warren diz que métodos são mutáveis, enquanto princípios nunca mudam. Sendo assim, quando um princípio é realmente bíblico ele é universalmente aplicável a qualquer situação e em qualquer lugar.

CAPÍTULO II
ADMINISTRANDO PARA CRESCER

Existe uma forte relação entre o crescimento da igreja e a forma como ela é administrada. Pressupõe-se por crescimento integral uma administração dinâmica, consistente, organizada e também equilibrada, visando o desenvolvimento e o envolvimento de todos e não somente de uma parte do todo.




  1. O aperfeiçoamento dos santos




E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas aos aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. (Ef 4:11,12)

Crescer de forma integral envolve participação de todos e não somente da liderança da igreja. Todos devem ser treinados, capacitados e aparelhados para contribuir no trabalho da igreja. No entanto, na prática não é isto que vem acontecendo nas igrejas de um modo geral. Compete aos pastores e líderes conscientizar e preparar seus liderados, conduzindo-os ao desenvolvimento de “uma mentalidade de crescimento ou reprodutora” (Aguilera, 1995, p. 36).

Caio Fábio expõe, por exemplo, que a liderança deve iniciar uma mobilização no povo de Deus, motivando-os a exercer o sacerdócio universal de forma plena e consistente. Já Moore nos diz que “o plano de Deus é que a Igreja multiplique trabalhadores para a seara” (Moore, 1983, p. 115). Assim sendo, pressupõe-se que compete à igreja não somente ganhar vidas para Cristo, mas também treina-las e envia-las para ganhar outras vidas.

Concordando com Aguilera pode-se dizer que em Ef 4:11,12 temos a descrição da real função do pastor e dos líderes. A eles compete equipar e preparar os santos para o desempenho do serviço do Senhor, edificando o corpo de Cristo, a Igreja. Para Miranda Jesus Cristo é o maior exemplo do que é aperfeiçoar os santos. Jesus ensinou e treinou seus discípulos, capacitando-os ao cumprimento da Grande Comissão.

Schwarz, por sua vez, qualifica a liderança capacitadora como sendo uma das principais marcas de qualidade das igrejas que crescem. Segundo ele estes líderes são bem sucedidos por, “concentrar esforços em capacitar outras pessoas para o ministério” (Schwarz, 1996, p. 22).


  1. Dirigindo-se por ministérios de acordo com os dons

Grande parte das igrejas tradicionalmente tem sido dirigida de forma departamentalizada, sem uma visão integradora e edificante para o todo. A escolha dos líderes de departamento normalmente não leva em conta o perfil, o dom e a paixão de cada um, de forma que não poucas vezes as pessoas estão nos lugares errados. No entanto, a nova visão é de uma organização ministerial, onde não existam mais partes estanques, mas um todo unido e edificante. A escolha dos líderes ou ministros passa a ser feita considerando-se em primeiro lugar o dom e a paixão de cada um. Assim estaremos alocando as pessoas certas, nos lugares certos pelas razões certas, como nos diz o lema da Rede Ministerial de Hybels.

Neste contexto Warren nos mostra que cada crente é um ministro em potencial, possuindo cada um seu grau de importância no corpo. Não existe mais uma mera divisão departamental, mas uma unidade ministerial, onde cada um exerce seu dom de forma a edificar o corpo como um todo.

Todavia, Schwarz alerta que a orientação ministerial pelos dons foi mal interpretada nos últimos tempos. Era tida como um mero modismo ligado a métodos de crescimento de igreja, enquanto na verdade tratava-se de um dos pontos chaves para este crescimento. Já Hybels mostra que para o crente ser frutífero e realizado em seu ministério, ele deve estar contribuindo para a edificação do corpo. Isto vem através do exercício de sua paixão e de seus dons espirituais.




  1. Estruturando a visão com base em propósitos

Por traz de toda igreja existe algo que a dirige ou motiva. Ainda que não esteja explícito ou escrito, este algo realmente existe e direciona o funcionamento da igreja como um todo. Segundo Warren, existem vários tipos de igreja, segundo aquilo que as dirige (tradição, personalidade, finanças, programas, construções, eventos e etc.), no entanto, para ele existe um único modelo bíblico e este é o de uma igreja dirigida por propósitos. O resto é passageiro, porém o propósito de Deus prevalece.

Para a construção de uma igreja sadia e para o alcance de um crescimento pleno, faz-se necessário esclarecer a motivação da existência da igreja. Este esclarecimento, por sua vez, consiste em identifica o que a igreja deve fazer, qual o seu propósito. Para Aguilera “a declaração de propósito confirma e esclarece a filosofia de ministério da igreja” (Aguilera, 1995, p. 71). O propósito deve ser claro e curto o suficiente para ser facilmente lembrado por todos, produzindo benefícios para a igreja e o envolvimento amplo de toda a membresia.

Ao descobrir qual o propósito de Deus, a igreja deve articular-se de forma a estabelecer metas e alvos a serem alcançados. Assim, a declaração de propósitos será o guia para implementação, avaliação e controle dos ministérios, programas e atividades. Em Warren nota-se o estabelecimento de alguns propósitos básicos aos quais a igreja deve atentar, a saber:



  • Amar a Deus com todo coração

  • Amar ao próximo como a si mesmo

  • Fazer discípulos

  • Batizar

  • Ensinar a obedecer

Para serem efetivamente norteadores os propósitos devem em primeiro lugar ser corretamente comunicados à igreja, conscientizando-a de sua necessidade e importância. Em segundo lugar a igreja deve organizar-se em função deles, evitando desvios. E em terceiro lugar os propósitos devem ser integrados a cada área e aspecto da vida na igreja, ou seja, os ministérios devem estar em sintonia.

Deve-se considerar ainda que a aplicação dos propósitos não é algo automático, é lenta e progressiva, no entanto fortalecendo cada dia mais a igreja como um todo.

CAPÍTULO III
ALCANÇANDO A CIDADE

A igreja para crescer precisa sair das quatro paredes. Precisa de estratégias que viabilizem efetivamente o crescimento e o desenvolvimento, alcançando novas vidas para Cristo. Entretanto, não basta alcançar novas vidas, é preciso trabalhar com elas, instruindo-as e solidificando-as nos ensinamentos e princípios bíblicos. É preciso criar oportunidades para que os novos convertidos não somente se integrem ao corpo, mas nele trabalhem, crescendo e amadurecendo em Espírito e em Verdade.




  1. Evangelismo e discipulado

A Grande Comissão descrita em Mt 28:28-20, sintetiza a essência da missão da igreja de Cristo. Para Miranda, “Na missão da igreja a evangelização tem prioridade” (Miranda, 1989, p. 46). No entanto, Moore frisa que não basta evangelizar, deve haver ensino e instrução através do discipulado. Para ele “Discipulado é a forma mais rápida de multiplicar líderes” (Moore, 1983, p. 32).

Discipular deve ser visto como uma tarefe de todos, e não de uma pequena parte do todo. O exercício do discipulado não é obrigação apenas dos pastores e líderes, mas de toda igreja, enquanto corpo de Cristo. Desta forma os resultados serão sólidos e o exercício do sacerdócio universal uma realidade.

Existe, sem dúvidas uma estreita relação entre evangelismo, discipulado e crescimento. O evangelismo traz novas pessoas ao corpo, no entanto é através do discipulado que estes são efetivamente integrados, conduzindo ao amadurecimento e desenvolvimento. Isto fica nítido, por exemplo, nas seguintes palavras escritas por Rosa “Discipular não consiste somente no ato de comunicar as boas novas de salvação, mas também na integração do convertido à igreja local” (Rosa, 1998, p. 7).




  1. Multiplicando-se através dos Grupos Familiares

Hoje não se pode falar de crescimento de igreja sem que se fale também em Grupos Familiares ou, como alguns preferem, Igreja em Células. Existem diversa metodologias e nomenclaturas, no entanto, o princípio é o mesmo: a igreja não se reúne somente no templo, mas também nas casas. No geral a estratégia é boa e edificante, especialmente por conduzir à construção de vínculos de relacionamento e amizade, fomentando a comunhão e a unidade.

Sobre comunhão, Kornfield e Araújo dizem que “Através dos Grupos Familares as pessoas se aproximam mais. Há oportunidade para um conhecimento mais íntimo dos irmãos, nascem laços de amizade; a comunhão fica mais forte.” (Kornfield e Araújo, 2000, p. 57). Assim, na visão de Kornfield e Araújo através dos grupos familiares a evangelização e o discipulado são mais efetivos e completos. Conquanto, acontecem através da construção e solidificação de relacionamentos pessoais.

Conforme At 2:42-47 vemos que a Igreja Primitiva era uma igreja que se reunia nos templos e nas casas. Segundo Neumann, deve ser assim também em nossos dias. “Um dos critérios para existência de uma célula é que esteja integralmente relacionada a uma igreja local.” (Neumann, 1993, p.19). Podemos então dizer que as células ou grupos familiares são importantes, mas em momento algum devem substituir a igreja. Ambas devem estar unidas, contribuindo e convergindo para o crescimento integral do corpo.

Schwarz por sua vez expõe que em sua pesquisa sobre igrejas que crescem, conclui-se que “a multiplicação constante dos grupos familiares e um princípio universal de crescimento da igreja. “ (Schwarz, 1996, p. 32). Todavia, ele diz que a característica marcante destes grupos é a produção freqüente de novos líderes. Nos grupos familiares ou células os cristãos podem exercitar e desenvolver seus dons, aprendendo através do serviço aos demais participantes do grupo.


  1. Oportunizando oportunidades e aproveitando potencialidades

Vimos anteriormente que crescer de forma integral, envolve participação de todos e não somente dos pastores e líderes. Assim sendo, todos devem ser treinados para exercer sua função no corpo.

O corpo humano é composto de vários membros, onde cada um exerce uma função específica, à qual foi destinado. O mesmo acontece com a igreja, enquanto corpo de Cristo, pois cada membro possui uma função específica a desempenhar.

Entretanto, muitas vezes inexistem na igreja oportunidades reais para o exercício pleno do sacerdócio universal. Desta forma, muitos tem sido conduzidos a uma mortificação de seus dons e potencialidades dadas por Deus, pelo simples fato de nunca terem oportunidade de exerce-los efetivamente. À igreja compete não somente identificar os dons, mas também criar oportunidades para que haja um crescimento efetivo do corpo, com a contribuição e envolvimento de todos.




  1. Relacionamento e comunhão

Schwarz aponta que uma das marcas inerentes à igrejas que crescem é o exercício prático do amor fraternal. De acordo com sua visão existe uma “correspondência significativa entre o riso e o crescimento qualitativo e numérico da igreja.” (Schwarz, 1996, p. 36).

A questão unidade é um dos pontos chave para a obtenção de um crescimento integral. Sem unidade não pode haver crescimento, pois unidade esta ligado não somente a intimidade e comunhão, mas especialmente à convergência e busca de um propósito único. Sem unidade o alcance pleno do propósito ou alvo estabelecido pela igreja fica prejudicado, de forma que todo planejamento acaba vindo por terra.

A Igreja Primitiva, por exemplo, é um referencial de crescimento e desenvolvimento. Deus acrescentava dia após dia aqueles que seriam salvos. Todavia, boa parte deste crescimento devia-se ao alto grau de comprometimento, comunhão e amor entre os irmãos que a formavam. Devemos tê-la como um exemplo a ser seguindo ainda em nossos dias, unindo-nos mutuamente para pregar e propagar o amor e as boas novas de Cristo.

Para Neumann “a comunhão bíblica acontece quando as pessoas relacionam-se de tal forma que servem umas às outras, alegrando-se e chorando umas com as outras.” (Neumann, 1993, p. 30). Ele reforça dizendo que as células são ideais para o cumprimento e alcance pleno deste propósito.


  1. Quebrando paradigmas prejudiciais

Para Kivitz paradigmas podem ao mesmo temo “estabelecer limites e referencias de segurança e transformar-se em bloqueios para projetos benéficos. (Kivitz, 1995, p.13). Assim sendo, podemos dizer que ao mesmo tempo que paradigmas traçam limites de segurança, podem também transformar-se em barreiras que retardam e bloqueiam o crescimento e o desenvolvimento.

Schwarz diz que “o maior obstáculo ao desenvolvimento estratégico da igreja são os bloqueios teológicos profundamente arraigados” (Schwarz, 2001, p. 7). Para ele, um desenvolvimento integral da igreja somente pode ser obtido através de mudanças ainda mais radicais que as da Reforma Protestante. É preciso aplicar o que Paulo nos diz em Romanos 12, quando admoesta-nos a provar uma renovação de mente.

Na busca de um crescimento pleno, verdadeiro e integral a igreja deve suplantar as barreiras e bloqueios inerentes aos falsos paradigmas. Na visão de Kivitz a igreja deve espelhar-se na Igreja Primitiva descrita em Atos, “saindo dos limites de culto-clero-domingo-templo” (Kivitz, 1995, p. 97). O culto-clero-domingo-templo são estruturas que cumprem papel de importância para a vida cristã. Nem por isso podemos dizer serem estes limites suficientes, pois não o são.

Já Schwarz apresenta dois outros paradigmas: o tecnocrático e o da espiritualização. O primeiro valoriza extremamente a questão institucional, deixando totalmente de lado o espiritual. Já o segundo enfatiza o espiritual, classificando como sendo totalmente sem importância a questão institucional. Deve haver uma mudança de paradigmas, onde não haja mais a divisão entre tecnocratas e espiritualizantes, mas sim uma visão bipolar onde os dois lados existam juntos em harmonia. Desta forma o corpo estará crescendo e se desenvolvendo de uma forma integral e plenamente sadia.


  1. A plantação de novas igrejas

Schwarz não qualifica a plantação de novas igrejas como uma marca inerentes às igrejas que crescem. No entanto, ele diz que a plantação de novas igrejas é o resultado da existência destas marcas, que identificam igrejas que crescem. Sendo assim, podemos dizer que na visão de Schwarz, igrejas realmente sadias tendem a se reproduzir em outras igrejas, em um processo contínuo e crescente.

Miranda, por sua vez, assevera que “A igreja não precisa somente de um crescimento em número de pessoas, mas também em número de congregações ou igrejas novas” (Miranda, 1989, p. 181). Partindo deste pressuposto ele diz que a vontade de Deus é que ocorra a plantação de novas igrejas e não que a igreja cresça infinitamente sem expandir-se.

A expansão através da abertura de novas frentes é deverás importante. Primeiramente por oportunizar o alcance de vidas que não tinham acesso à igreja sede. Em segundo lugar, por propiciar a abertura de campo para que outros possam contribuir de forma mais efetiva e direta, para com a obra do Senhor. Desta forma o crescimento será mais efetivo e integral em sua plenitude.

CAPÍTULO IV
CRESCENDO COM A BENÇÃO DE DEUS

O crescimento para ser integral deve ser abençoado por Deus. Sem a benção de Deus o crescimento não é real, pois estará firmado unicamente no homem, que é fraco e pecador por natureza.

Quando Deus não encontra-se à frente, não há unidade, compromisso e envolvimento. Sem Deus aquilo que o homem constrói é passageiro e inconsistente. No entanto, quando Deus assume a direção, as portas se abrem, os propósitos são alcançados e o inimigo é plenamente derrotado.


  1. Equilibrando entre qualidade, quantidade e estrutura

Pressupõe-se por crescimento integral um crescimento pleno em todas as áreas. De nada adianta apresentar um crescimento numérico ou quantitativo, se o crescimento qualitativo estiver esquecido. Da mesma forma de nada adianta utilizar-se do subterfúgio da qualidade para explicar a falta de crescimento numérico. Não adianta também desenvolver o lado espiritual esquecendo-se de investir ou aprimorar o institucional. É errado também valorizar o institucional ou organizacional esquecendo-se de trabalhar o espiritual.

Segundo Aguilera “quando uma igreja é saudável, ela cresce em três formas: quantidade, qualidade e estrutura”. (Aguilera, 1995, p. 65). Entende-se por qualidade o crescimento espiritual ou a maturidade obtida pelos membros da igreja. Já por estrutura Aguilera identifica não somente a liderança da igreja, mas também as instalações em si. Com relação à liderança ele diz que esta deve ser treinada e capacitada para comportar e administrar o crescimento, já as instalações devem ser expandidas e aprimoradas, de forma a comportar o crescimento numérico.

Keyes ao citar Tippet enfatiza que “Uma igreja precisa crescer em três dimensões: quantitativamente, qualitativamente e organicamente. Deve haver um equilíbrio neste crescimento.” (Keyes, s/d, p. 4). O próprio Tippet diz que “o crescimento quantitativo e o qualitativo devem caminhar juntos. “ (Tippet, 1970, p. 29)
O crescimento para ser integral deve ser em todos os sentidos. A igreja deve buscar crescer numericamente, todavia, deve também propiciar o desenvolvimento da qualidade ou maturidade de seus membros. Não se esquecendo também de desenvolver as estruturas eclesiologicas e institucionais, de forma a apoiar o crescimento em questão.


  1. O amadurecimento na fé, na espiritualidade e na vida cristã

Conforme vimos a pouco, crescer de forma qualitativa significa amadurecer espiritualmente. No entanto, amadurecer não implica somente em crescer espiritualmente, mas também em fomentar e buscar o crescimento na fé. Amadurecer significa também melhorar as relações na vida cristã, buscando transformar a si mesmo e aos outros, através da prática do amor e da ação do Espírito Santo.




  1. Solidez e compromisso na Palavra de Deus

McGavran demonstra que “o crescimento da Igreja acontece sempre que existe fidelidade dos cristãos em alcançar os perdidos” (McGavran, 2001, p. 29). Segundo sua forma de encarar o crescimento de igreja, ele estabelece que “quem deseja entender o crescimento da Igreja precisa encara-lo como fidelidade a Deus” (McGavran, 2001, p. 28). Assim sendo, a vontade de Deus é que a igreja cresça e fomentar ou buscar este crescimento é ser fiel à vontade do próprio Deus.

Tanto Moore quanto Aguilera enfatizam que crescer deve ser visto como cumprir integralmente a Grande Comissão. Crescer é então cumprir a Palavra de Deus no tocante à ordem de fazer discípulos.

A igreja descrita em Atos dos Apóstolos era uma igreja que primava pelo cumprimento da Grande Comissão, fazendo discípulos em todos os lugares. Por conta disto a Igreja Primitiva deve ser nosso exemplo de crescimento, tendo como base a Grande Comissão e em especial o fazer discípulos. Vejamos, por exemplo, o que nos declara Miranda “temos evidência escriturística de que a igreja do primeiro século funcionava no estrito cumprimento da Grande Comissão” (Miranda, 1989, p. 17). O cerne da Grande Comissão é o fazer discípulos, conduzindo vidas a Cristo.

CAPÍTULO V
CONCLUSÃO

Para concluir, gostaria de utilizar algumas palavras de Donald McGavran, onde ele diz que: “Crescimento de igreja é muito mais do que a ampliação do rol de membros” (McGavran, 2001, p. 16). Conforme vimos na introdução, um dos grandes problemas do crescimento de igreja reside na falta de compreensão para com o assunto, tanto de pastores e lideres quanto de leigos cristãos.

Entrementes, ao estudarmos os fundamentos para o crescimento integral da igreja, procuramos sintetizar idéias e pressupostos sobre o assunto em questão. Objetivamos em primeiro lugar demonstrar que o que realmente importa são os princípios norteadores do crescimento e não o modelo de crescimento. Em segundo lugar, procuramos despertar a compreensão de que para crescer deve haver um envolvimento de todos, visando uma edificação mútua, harmoniosa e conjunta. E em terceiro lugar passamos a verificar que para crescer de forma integral faz-se necessária a benção de Deus, pois crescer integralmente consiste em cumprir a Palavra de Deus seguindo Sua direção.


  1. Nem sempre crescimento vêm de Deus

Pode haver crescimento sem que este seja realmente integral. Pressupõe aqui que crescimento integral é aquele que vêm de Deus, sendo essencialmente equilibrado na Palavra de Deus e na unção do Espírito. Quando dizemos que pode haver crescimento sem que este seja integral, estamos dizendo que muitas vezes o crescimento é estribado unicamente no homem e suas idéias, isto tanto no meio evangélico quanto fora dele.

Schwarz, por exemplo, assevera que não necessariamente igrejas grandes são sadias. Muitas das megaigrejas pesquisadas por ele, encontravam-se enfermas em boa parte dos fatores de qualidade. Estas igrejas crescem em número, no entanto trata-se de um crescimento sem qualidade e quase nada efetivo. Da mesma forma que muitas pessoas entram através da conversão, muitos também saem, pois não encontram um propósito ou diferencial que os faça ficar.

Warren, por sua vez mostra-nos que algumas igreja crescem apenas por transferências de membros e não por novas conversões. A Grande Comissão não consiste em buscar crentes de outras igrejas, mas em evangelizar, converter e discipular não crentes.

Já Oliveira procura mostrar que muitas seitas tem apresentado crescimento vertiginoso. Entretanto não se trata de um crescimento integral, pois contraria a Palavra e até mesmo a essência do cristianismo: morte e ressurreição de Cristo. Vejamos o que ele nos diz sobre o crescimento de algumas destas seitas: “O Espiritismo é, sem dúvida, uma das heresias que mais cresce no mundo hoje.” (Oliveira, 1998, p. 39); “As Testemunhas de Jeová formam uma das seitas que mais crescem atualmente.” (Oliveira, 1998, p. 79); “A Congregação Cristã no Brasil, durante anos esteve entre as igrejas que mais crescem no Brasil.” (Oliveira, 1998, p. 141).

Podemos então concluir que pode haver crescimento sem que este seja de Deus e sem que este seja integral. O crescimento só pode ser visto como integral, aos olhos da Palavra de Deus, quando é estribado nos princípios bíblico norteadores da vida cristã.




  1. Crescer deve ser desenvolver

Crescimento não pode ser visto somente como quantitativo ou numérico. Crescer é em primeiro lugar desenvolver o caráter cristão, através de uma renovação de mente e de uma santificação diária, buscando aproximar-se de Deus. Em segundo lugar crescer é desenvolver a prática do amor fraternal para com o próximo, onde ocorra a edificação e ajuda mútua.

Podemos também dizer que crescer ;e desenvolver as estruturas eclesiásticas. Fomentando o treinamento, a capacitação e o envolvimento de todos, mas também aprimorando a qualidade das estruturas físicas.


  1. A palavra deve ser a base para um crescimento integral

Conforme nos diz a carta de Tiago, a Palavra de Deus não deve ser somente ouvida ou lida. Ela deve principalmente ser vivenciada e praticada, como um testemunho vivo da ação de Cristo no viver humano.

O princípio reformado de Sola Sciptura afirma-nos que “As Escrituras Sagradas constituem-se numa regra completa de fé e prática” (Anglada, 1998, p. 73). A Palavra de Deus é a única regra infalível de fé e prática, esta é a síntese do princípio de Sola Scriptura. As autoridades e tradição são falíveis e até mesmo passageiras, no entanto a Palavra de Deus é infalível e eterna em sua totalidade.

A Palavra deve ser a base ou o parâmetro para o viver do homem de Deus. Ela deve ser vista como norteadora do caráter cristão de modo geral.

Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento integral. Vimos que o crescimento para ser integral deve ser abençoado e dirigido por Deus. Todavia, em se ignorando, reduzindo ou deturpando a Palavra de Deus pode até haver crescimento, no entanto este nunca será integral. Conquanto somente Deus, Pai e Criador, pode trabalhar o homem em sua integralidade.

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São Paulo: Editora Vida.




ANEXOS

ENTREVISTA


José Miguel Mendoza Aguilera nasceu no Chile, na cidade de Lota. É bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo. É Mestre em Ciências da religião pelo Instituto Metodista de Ensino Superior – SBC/SP. Cursou Especialização em Estudos Brasileiros na Universidade Mackenzie. Segundo informações obtidas no site www.cristianet.com.br, é mestrando em Educação Cristã pela Faculdade Teológica Batista de Brasília.

Pastoreou a Igreja Batista no Jardim do Lago e a Igreja Batista em jardim Rodolfo Pirani, das quais foi fundador. Também pastoreou a Igreja Batista Novas da Paz, Igreja Batista em Parque Capuava e a 1a Igreja Batista em Jaboticabal – SP. Atualmente Aguilera faz parte da equipe pastoral da 1a Igreja Batista de Campo Grande-MS, onde vem atuando no Ministério de Ensino e Capacitação Cristã.

É casado com Roseli Kiselar Aguilera e tem três filhas: Tabitha Raisa, Maressa Rachel e Hadassa Nathaly.

Escritor do livro “Dinamizando a Igreja Para Cumprir a Grande Comissão”. Trata-se de um pastor de idéias inovadoras e contundentes.


  1. Em termos de igreja, o que é crescer para você? Qual sua visão de crescimento?

Muitas das perguntas sobre crescimento de igreja devem ser respondidas a luz de uma definição: Entendo que “crescimento de igreja” esta relacionada ao crescimento numérico e de maturidade. É impossível mensurar este crescimento, pois os números nos podem enganar e em termos de maturidade não temos nenhum “medidor” confiável, talvez algumas marcas. Assim o crescimento da igreja vive em um constante dialogo “quantidade vs. Qualidade. Um sozinho não é crescimento. É como uma nota de moeda se faltar um dois lados perde o seu valor. O crescimento da igreja deve ser dinâmico, integral e saudável. Em termos numéricos podemos saber quanto uma igreja cresceu mas em termos de qualidade cabe a cada comunidade “visualizar” com objetivo o “cristão ideal” e nesta tipologia poderá viabilizar aproximadamente como esta a qualidade




  1. Como você vê a contraposição atual entre princípios de crescimento e modelos de crescimento?

Não há contraposição de princípios e modelos, se a definição acima (questão 01) é considerada. Evidente que os meios não justificam os fins. Mas quando temos o “tipo ideal de cristão “declarado pela comunidade local e somente para esta veremos que princípios e modelos não estão em oposição mas em justaposição




  1. Para a obtenção de um crescimento sólido, integral e sadio qual seria o papel do pastor e lideres da igreja?

Entendo que o pastor pelo seu oficio deve ser um treinador e “ensinador”. A luz de Efésios 4:1-13ss tenho que todo pastor é um Mestre. O problema moderno está em que as igrejas pensam que todo cristão que tem um pouco de desenvoltura, um bom domínio na pregação e desenvolvimento pessoal este deve ser “consagrado pastor”, mesmo que seja incapaz de treinar e preparar lideres. Este neo-pastor se torna centralizador. Por isso o pastor-mestre-treinador é peça fundamental para o crescimento da igreja e assim deve ser um homem de visão, descentralizador, treinador, que treina os seus líderes para a obra do ministério e todos treinam a igreja. Um pastor que não se atualiza nas estratégias verá a sua igreja penar. O lidere devem ser: Fiel, Disponível e Ensinavél




  1. Em que os dons e os ministérios podem contribuir para o crescimento da igreja?

A igreja moderna precisa entender (e graças a Deus está começando embora muito incipiente) que os líderes devem ser colocados de acordo aos seus dons. O Corpo de Cristo biblicamente é apresentado funcionando nas bases dos dons e não a base da eleição. Cabe ao pastor-treinador entender que Deus deu para a Igreja “homens-dons” para que esta se auxilie mutuamente. É muito triste e vergonhoso ver algumas igrejas todo fim do ano criando comissões para indicar e correra atrás de pessoas para ocuparem determinados “cargos”. Dificilmente é questionado se existem os “dons” na igreja para estabelecer determinado ministério ou cargo ( particularmente rejeito a nomenclatura “cargo” dá a idéia de peso, de obrigação de “status”. Ministério da a visão bíblica de serviço). Algumas igrejas criam “os cargos” porque a denominação ou outra igreja tem. O ministério dever ser criado havendo o dom. Quando se trabalha nesta filosofia, o crescimento é genuíno e mais fácil de acontecer. Oferecer as pessoas a possibilidade de sentirem-se útil no ministério, pois edificam de acordo as suas ferramentas dadas por Deus, o crescimento virá sem grande “eventos” ou até meio ilícitos




  1. O estabelecimento ou não de propósitos pode influenciar no crescimento da igreja? Por que?

Toda a igreja deve ter os seus propósitos definidos. Nem todas conseguem declarar este propósito. Quando centralizamos nossas atividades dentro de um alvo e desenvolvemos estratégia com destino a este objetivo o crescimento-integral-saudável virá com maior rapidez. A liderança da igreja deve ser inteligente em saber levar o seu povo a um objetivo




  1. Hoje esta muito em voga o assunto dos grupos familiares ou células. Para você existe alguma relação entre eles e o crescimento?

Atualmente faço parte de uma igreja que está em transição para uma igreja em células. Eu particularmente estou vendo esta maneira de ser da igreja como uma resposta ao homem pós-moderno. A maioria dos problemas não são gerados pelo “modelo” que é usado mas na forma que este sistema é implantado. Atualmente estamos no terceiro ano em células. Vivemos na 3a. etapa do processo (criado segundo o nosso contexto) e recém sentimos que estamos na metade do processo. A forma de implantar deve ser feito com sabedoria e inteligência. Somente assim haverá um crescimento integral


7) Vínculos de relacionamento e comunhão são importantes para um crescimento integral?
Sim. Por isso muitas igrejas estão crescendo até rapidamente. Usaram o sistema celular com um método, como uma ferramenta, como um meio e não como um fim. Células trabalha com relacionamentos e comunhão mas não é o fim mas o meio para alcançar outro objetivo MAIOR ainda


  1. Como você vê a dualismo atual entre qualidadeXquantidade e estruturaXespiritualidade, no crescimento da igreja?

Nas perguntas 1 a 4 já falei alguma coisa. Qualidade e quantidade são faces da mesma moeda = crescimento integral-dinâmico-saudável. A estrutura deve facilitar o crescimento integral da igreja e não emperrar. A estrutura está a serviço da igreja. Neste ponto surge a necessidade de organizar uma igreja de acordo aos dons existentes na mesma, desta forma, ela desenvolvera uma espiritualidade bíblica e sadia. Entendo que a igreja terá o seu crescimento espiritual se esta criar uma filosofia de ministério na qual considere os dons ministeriais dado a igreja.




  1. Alguns acham que se esta crescendo, a benção do Senhor esta ali. Será que todo crescimento vem de Deus?

Não. Claro que não. Mas também não podemos dizer que a falta de um crescimento numérico seja a marca de um crescimento qualitativo. A afirmação que muitos fazem que estão mais preocupados como a qualidade e não com números, nada mais é uma mera desculpa para conservar um modelo de igreja tipo “gueto”. Uma igreja sadia ela deve, ou melhor, TEM que crescer, senão esta doente. Em Atos 2:41 temos um acréscimo de um grande numero de cristãos a igreja em Jerusalém. Mesmo não sabendo o tempo que vai de um versículo a outro. Este texto aponta que embora grande a comunidade tinha estratégias para manter uma comunhão



  1. Segundo alguns autores existem paradigmas nas igrejas que prejudicam o crescimento. Qual seria seu ponto de vista sobre a questão?

Fala-se muito em paradigmas, quebrar paradigmas. Mas um paradigma leva muito tempo para se estabelecer como tal. O que hoje esta sendo quebrado não são paradigmas, creio eu, o que está sendo usado hoje são novas maneiras de fazer ou de atuação no mundo. Estes ainda não são novos paradigmas, mas podem chegar a ser. O que se quebrou são idéias, ou preconceitos. Estas idéias ou preconceitos são bloqueadores do crescimento integral dinâmico e saudável


11) A seu ver qual seria a base fundamental para a obtenção de um

crescimento integral?


Entendo que toda estratégia ou base para um crescimento deve ter como fundamento a bíblia. Mas entendo que a “base fundamental” em termos verticais deve ser “preocupação pela necessidade do ouvinte” ou do ser humano. Significa responder as questões que a sociedade ou ser humano deseja ter resposta. O homem pós-moderno tem uma visão diferente do ser humano. Mas nós continuamos com resposta para o homem moderno. Algumas igrejas estão respondendo às questões que ninguém está perguntando. Às igrejas que respondem a estas questões “pós-modernas” crescem e aquelas que não crescem “julgam” suas irmãs apontando desvio da “sã doutrina”
12) Como você classificaria o crescimento da Igreja Primitiva, descrita no livro de Atos?
O livro de Atos é um livro “perigoso”. Alguns querem viver o livro de Atos hoje, isso é uma visão anacrônica da história. Outro grupo aponta o livro de Atos como um livro histórico, com informações do crescimento da igreja. Dois extremos perigosos. O equilíbrio está no meio como diria um filosofo grego. Para mim o crescimento do livro de Atos é “modelo ideal” e o chamo de crescimento “dinâmico-saudável-integral”. Atos aponta para hoje que é possível crescer com qualidade e quantidade. A igreja atendia as necessidades do momento e crescia. O modelo de igreja de Atos está relacionada no fato de que ela estava inserida na realidade. A igreja brasileira precisa ver isto no livro de Atos: é possível crescer desde que a igreja conheça e responda ao homem da sua época. Os milagres, as intervenções divinas poderão surgir neste crescimento mas não é o foco principal.
13) Como a Palavra de Deus poderia influenciar o crescimento da igreja?
Nas duas ultimas respostas apresentei a idéia de crescimento a partir da necessidade do ser humano. A Bíblia responde ao ser humano naquilo que ele procura. A Bíblia não é simplesmente um recipiente de doutrina correta. Embora ela mostre um sistema doutrinário. A bíblia quer tratar o homem no seu todo. Quando apresentamos Deus para o ser humano devemos apresenta-lo como Ele preocupado e tratando o homem na sua totalidade. Estamos secularizados a tal ponto que quando pessoas nos procuram com os seus problemas, apontamos e oferecemos uma série de cartões de: médicos, advogados, pessoas influentes que podem ajudar, etc. Não sou contra isto e deve ser feito. Mas dificilmente apresentamos o Deus que cuida do homem integral. A Bíblia como Palavra de Deus apresenta um Deus que age a favor do homem. Isto está provado na cruz. Se tivéssemos esta visão de Deus que creio ser bíblica, o crescimento virá como conseqüência desta visão. A Bíblia influencia no crescimento desde que descubramos o Deus que age no nosso favor





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