Comunicação Social e Educação Ambiental para a Comunidade da Bacia do Sapiantã Avaliação dos resultados



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Comunicação Social e Educação Ambiental para a Comunidade da Bacia do Sapiantã

Avaliação dos resultados



PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPEVI

Carta convite nº 36/05 – Programa de Comunicação Social e Educação Ambiental para comunidade da Bacia do Sapiantã

Contrato Administrativo nº 25/05

Breve histórico do projeto


O trabalho proposto, visto inicialmente como uma questão de sensibilização e conscientização da população local para a utilização racional e amigável do Rio Sapiantã mostrou-se mais complexo e cheio de variantes, uma vez que o maior problema da região está ligado a saneamento básico.

Foram desenvolvidos trabalhos que fornecessem informações sobre o meio socioambiental, a interação do homem com o meio, o resultado de suas ações e direitos básicos constitucionais. Desta forma, o objetivo do projeto de educação ambiental para a população adulta é, além de educar, mostrar ao cidadão que ele deve exercer seus direitos com base em informações concretas.

A população mostrou-se interessada e preocupada com a recuperação da área, o que tornou o trabalho de educação ambiental muito proveitoso. O treinamento de agentes multiplicadores abordou os conceitos das principais áreas cobertas pela ação socioambiental, além de oferecer estratégias de abordagem, manutenção do interesse e solução de problemas durante a condução da formação dos agentes. Professores da rede municipal de ensino, alunos e representantes da comunidade integravam o corpo de participantes, afim de que as informações alcancem o maior número de pessoas da comunidade.

O trabalho com as crianças foi extremamente gratificante uma vez que o material utilizado conseguiu aproximá-las da cultura local. Optou-se pela utilização de um personagem que falasse a linguagem dos alunos, ao mesmo tempo em que personificasse os anseios de mudança da população face à situação constatada de degradação do manancial. A criação de “pontos de contato” na história do sapo que sai de sua terra e “vai parar” em Itapevi, na bacia do Sapiantã e o encontra sujo e poluído com esgoto e ações humanas, serviu para aproximar o conteúdo de educação ambiental com o cotidiano dos estudantes. Pelas avaliações das escolas, pode-se constatar a eficiência do método áudio-visual adotado – inclusive com a utilização de música tema para o sapo -, e do alcance dos objetivos de sensibilização quanto à adoção de uma postura mais responsável.



Ficou claro, também, que nada do que foi feito terá a validade necessária para se tornar um instrumento de mudança na cultura local de convívio amigável com o meio se não se tornar uma ação continuada e progressiva, que atinja todas as turmas de todas as escolas do município. Caso isto não ocorra, estaremos efetivamente trabalhando problemas gerais com ações pontuais, uma vez que a situação do Sapiantã se repete em grande parte das bacias e mananciais de todo o país. Resolver o problema verificado na região de influência da ETA, sem estender a solução para as demais regiões do município não propiciará a preservação do manancial, uma vez que ele pode ser degradado ao longo de seu leito, em outros bairros.


Avaliação do Curso de Formação de Multiplicadores em Programas Socioambientais


Os resultados objetivados foram alcançados dentro das dimensões de avaliação de desempenho dos multiplicadores:

  1. Entendimento básico dos problemas: Foi observada a evolução do entendimento da complexidade dos problemas socioambientais, através dos níveis progressivamente crescentes das discussões levadas a cabo ao longo dos cinco encontros do programa de formação. Parte-se da premissa de que o primeiro passo para a atuação bem sucedida dos multiplicadores é o perfeito entendimento dos problemas e dos conflitos que possam surgir no estabelecimento de prioridades – principalmente as de curto prazo – para auxílio / apoio das comunidades com relação aos problemas sociais em geral (desemprego, educação, saúde, qualidade de vida etc.). Com isto é de fundamental importância o aprofundamento da discussão dos temas e interesses envolvidos. O grupo de multiplicadores formandos evidenciou este entendimento.

  2. Condução de estratégias de ação condizentes com a realidade socioambiental encontrada: Também foram absorvidas as diversas abordagens propostas para o encaminhamento de ações no meio socioambiental. Isto foi evidenciado pelo resultado de pequenas dinâmicas utilizadas para a construção de cenários onde se caracterizaram problemas socioambientais específicos e se puderam discutir diferentes formas de condução da ação corretiva / preventiva. Ressaltou-se a importância da recuperação de elementos significativos do dia-a-dia das comunidades a fim de se poderem ancorar ações cujas justificativas e prioridades claramente se apoiavam na realidade das pessoas afetadas / comprometidas no processo.

  3. Capacidade de auto-organização e disciplina: Com a aplicação de pequenas tarefas de levantamento e definição dos problemas socioambientais vividos no meio social próximo dos formandos, se pode perceber que o grupo atingiu uma boa resposta do ponto de vista de iniciativa e organização. Estas habilidades são fundamentais para que cada multiplicador possa agir com segurança e alta probabilidade de ver seu trabalho alcançar sucesso.

Cabe uma observação final quanto ao perfil dos formandos: eram principalmente professores da rede pública, mas estavam presentes alunos e membros das associações de pais de algumas escolas. A integração do grupo e a motivação geral permitiram que se avaliasse o desempenho de todos como médio-superior, independentemente do papel social de cada um.

Resultados colhidos junto às comunidades atendidas pelo projeto de comunicação socioambiental do Rio Sapiantã


O resultado inicial do projeto é visível já nas relações sociais e ambientais que se estabeleceu com a comunidade que mora próxima ao rio Sapiantã, os mutirões de limpeza dos córregos que desembocam no rio são mais freqüentes. Estes mesmo moradores já usufruem o nome Sapiantã como um referencial da região. Estão também se organizando para reivindicar as necessidades da comunidade e também já questionam o uso das imediações do ponto de captação de água da SABESP como área de lazer.

Contudo há situações que dependem de decisões políticas que emanam dos anseios da comunidade, ações dos poderes municipais e estaduais, como a drenagem dos esgotos domésticos de toda a Bacia do Rio Sapiantã.

Ocorreu a redução do volume de lixo e da atividade de pesca, bem como da utilização do poço de captação para lazer aquático pelas crianças que receberam as palestras.

Segundo a avaliação dos educadores que participaram das palestras junto às escolas, houve receptividade dos educandos com participação nas atividades pós-palestras. Os educando se identificaram como responsáveis pelo quadro atual do Rio Sapiantã e ao mesmo tempo sentiram-se no dever de contribuírem com a melhoria da qualidade de vida na escola, no bairro e na cidade de Itapevi. Estes fatos estão presentes nos relatórios e relatos dos alunos, coordenadores, diretores e membros da comunidade. Os agentes socioambientais participaram em muitas palestras e interagiram contribuindo para coleta dos dados na comunidade. Desta forma se sentiram mais tranqüilos quanto ao trabalho a ser desenvolvido após as palestras.


Continuidade


O sucesso dos resultados do projeto, aliado aos excelentes materiais produzidos (gráficos e áudio-visual), nos mostra que a continuidade do projeto em um primeiro momento no próprio município de Itapevi e posteriormente nas comunidades vizinhas, é imperativo.

Primeiramente porque a história e a música do “Sapo Sapiantã” já se tornaram conhecidas de parte da comunidade, abrindo caminho para a disponibilização de todos os conteúdos de educação ambiental aos interessados, de forma a ampliar o impacto de uma comunicação dirigida e já aceita como “deles”. A ação de desenvolvimento de material interativo, musical e lúdico para a sensibilização da comunidade mostrou-se capaz de despertar no povo de Itapevi o orgulho e a auto-estima há muito relegadas a segundo plano, tamanho o descaso com que os problemas sociais e ambientais foram tratados pelas administrações passadas.

Além disso, apesar de termos dobrado o número de cartilhas educacionais impressas, a quantidade é ínfima frente à demanda.

Este trabalho com as crianças, juntamente com a integração dos agentes socioambientais e as associações de moradores de bairros da área de abrangência da Bacia do Sapiantã, certamente tornará o Município de Itapevi um modelo de sucesso em projetos de comunicação social e educação ambiental.



CONSIDERAÇÕES SOBRE A PARCERIA

O CNDA, como entidade ambientalista, se sente honrado em participar de ação tão promissora e capaz de produzir resultados tão compensadores. Na qualidade de representante da sociedade civil organizada, o CNDA está comprometido com a continuidade e extensão deste programa aos demais bairros do município, bem como escolas municipais e estaduais da região. O apoio do Fehidro em mais esta empreitada certamente demonstra o papel de fomentador das iniciativas de governos e da sociedade civil em prol da compensação e recuperação dos mananciais existentes no estado.

O apoio encontrado na Prefeitura de Itapevi, principalmente na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, na figura dos senhores Jaci Tadeu e Fernando Avance (Secretário e Chefe de Gabinete, respectivamente), e na Secretaria de Educação e Cultura, demonstram o compromisso da Prefeita Drª. Ruth Banholzer com o Meio Ambiente e o desenvolvimento social do município, conforme pudemos identificar em nossos contatos.

O papel de apoiador técnico-financeiro do Fehidro representa bem o comprometimento do Governo do Estado de São Paulo com a temática ambiental, tornando as ações em cada município mais efetivas e transformadoras.


Encerramento


No dia 13 de dezembro de 2005, foi oferecido para os formandos do curso de agentes socioambientais multiplicadores, diretores de escolas municipais e membros da comunidade, um café da manhã de encerramento das atividades para que todas as partes do projeto pudessem interagir com os materiais e resultados alcançados em todas as fases.

Estiveram presentes no evento representantes do Executivo e Legislativo Municipal (Secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, representando a Prefeita, o Secretário de Educação e dois Vereadores), além de lideranças de bairro, diretoras e professoras de 25 escolas municipais, Coordenadores pedagógicos, lideranças de bairros (Monte Serrat e Bela Vista), além de membros da comunidade e a diretoria da UEI – União Estudantil de Itapevi.

No ato foram distribuídas as cartilhas e o CD-ROM com a animação e música do Sapo Sapiantã e exemplares do livro “A Fórmula”, de autoria do Coordenador geral da organização, que aborda a matéria terceiro setor.

O áudio-visual criado para as palestras foi apresentado para todos, seguido dos resultados do projeto.



A iniciativa de unir população, educadores e poder público, segue a filosofia da organização que somente a união produz resultados eficazes.

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