Comunistas exigem poder em Angola. Golpe ameaça Azevedo



Baixar 142.44 Kb.
Página1/4
Encontro01.08.2016
Tamanho142.44 Kb.
  1   2   3   4

Data/pg: 01/11/1975 p. 21

Manchete: “Comunistas exigem poder em Angola. Golpe ameaça Azevedo”

Fonte: FP- REUTERS/LATIN- AP- UPI- DPA- O GLOBO

Assunto: A matéria trata da recusa de Pinheiro de Azevedo, Primeiro-Ministro português, juntamente com militares moderados, em entregar o poder “à facção esquerdista MPLA” e isto poderia provocar golpe de Estado em Portugal, segundo funcionários governamentais. Acrescentaram que a URSS estava pressionando em favor do MPLA, mas o governo anunciou que iria cumprir o Acordo de Alvor, que previa uma coalizão entre os três movimentos.

Destaca também que em Uganda, o Presidente Idi Amin convocou uma reunião de emergência para que fosse discutida a guerra civil em Angola.






Data/pg: 02/11/1975 p. 26

Manchete: “MPLA garante que manterá Luanda”

Fonte: FP- DPA- O GLOBO

Assunto: A matéria é sobre a declaração de um porta-voz do MPLA, na qual garantiu que a FNLA era incapaz de derrotar seus efetivos que guarneciam Luanda. Acrescentou que a frente de combate na região estava a cerca de 30 quilômetros da capital e, desmentiu os êxitos anunciados pela FNLA no entroncamento rodo ferroviário de Lucala, uma das mais importantes áreas estratégicas do país.




Data/pg: 03/11/1975 p. 11.

Manchete: “Charais teme nova crise por causa de Angola”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: Para o Comandante da Região Militar do Centro, Brigadeiro Franco Charais, o grande problema português era Angola, e na data marcada para a independência poderia ocorrer um ajuste político-militar em Portugal. Entendia que no contexto mundial, Angola tinha muito mais importância que Portugal. Segundo suas palavras, os interessados imperialistas - da direita e da esquerda - travavam uma encarniçada disputa pelas ex-colônias. Assim, do ponto de vista da política em Portugal, Charais acreditava que "um golpe da direita tinha mais possibilidade de triunfo, devido ao apoio social que lhe tem dado os sucessivos erros da esquerda".

Em seguida, a matéria ressalta o apoio de 150 mercenários brancos em combates no dia anterior (02/11) na tomada de Benguela pela FNLA-UNITA. O objetivo foi definido não só pela conquista imediata de um porto importante, mas pelo passo adiante na busca da tomada de Luanda antes do 11 de novembro, uma vez que pretendiam impedir a declaração de auto-independência do MPLA, como único detentor do poder.



OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Globo, dia 03/11/1975, p. 18, com a manchete “Charais: problema português em Angola”.




Data/pg: 03/11/1975 p. 18

Manchete: “Angola: confusão e medo no êxodo dos portugueses”

Fonte: Marcelo Pontes enviado especial

Assunto: A matéria destaca que fogo ateado na lata do lixo por portugueses que esperavam há dias por vagas em avião para Lisboa, assustou os passageiros do Aeroporto Militar de Luanda. Mais de 200 mil pessoas já foram evacuadas desde o inicio da guerra, por uma gigante ponte aérea, que mobilizou quase 20 companhias de vários países, durante dois meses. Segundo cálculo de Leonel Cardoso, Alto Comissário português, ficaria em Angola só aqueles considerados progressistas – gente que tivesse interesse no jogo da guerra, ou exagerado apego aos negócios, talvez menos de 100 mil pessoas.

Ressalta também que com o encerramento da operação de resgate terminou a fase que Luanda viveu quase que exclusivamente em função dos caixotes de bagagens. Oficialmente, era permitido levar 35 quilos na ponte aérea ou despachar 3 metros cúbicos em navio. A previsão era que sobrassem no porto aproximadamente 60 mil metros cúbicos de carga.

A matéria afirma que o pavor da guerra estava estimulando a corrupção. Portugueses começaram a pagar propinas para garantir o embarque de suas bagagens. Também no aeroporto o clima de desconfiança era grande, já que o MPLA limitou em 185 dólares por pessoas a saída de dinheiro para o exterior, na tentativa de evitar a evasão de divisas.

Por fim, a matéria esclarece que, além da TAP participaram da ponte aérea: Swissair, Lufthansa, Aeroflot (soviética), Seaboard, TIA, ONA, Perfect Tours (todas americanas), Matinair (holandesa), Sata e Balair (suíças), Interfluig (RDA) e Royal Air Force (inglesa).






Data/pg: 04/11/1975 p. 10.

Manchete: “Moscou decide reconhecer Governo do MPLA em Angola”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A pequena matéria da conta da indicação de que a URSS reconheceria uma declaração unilateral de independência em Angola pelo MPLA., exatamente no momento em que a OUA ainda tentava os últimos esforços para chegar a uma conciliação entre os três movimentos, o que foi entendido, para a diplomacia africana, como um aprofundamento da dificuldade de se conquistar uma saída negociável entre todos os interessados.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Globo, dia 04/11/1975, p. 22, com a manchete “Angola: URSS intervém em apoio a facção marxista”.




Data/pg: 04/11/1975 p. 10.

Manchete: “A Guerra de Angola S.A.”

Fonte: Elio Gaspari

Assunto: É destacado na reportagem como a ação externa (da URSS, EUA, China, África do Sul, Zâmbia, etc.) era importante para compreender o quadro do conflito angolano. Como o autor ressalta, no suporte de armamentos, mantimentos, logísticos e até mesmo no serviço de inteligência, e até mesmo no serviço de inteligência, a matéria-prima angolana parecia ser apenas os angolanos. Citando um informe de inteligência da UNITA sobre o MPLA, fica claro para o autor o suporte de diversos países estrangeiros ao movimento de Neto, mas também certo grau de dificuldades internas no tocante ao nível dos quadros políticos e também na luta pela influência e pelo Poder.




Data/pg: 05/11/1975 p. 9.

Manchete: “Neto pede ajuda para expulsar mercenários”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria faz referência ao pedido de Agostinho Neto, dirigida ao presidente de Uganda, Idi Amim, para que os países africanos colaborassem para rechaçar a crescente invasão de Angola por mercenários sul-africanos, do Zaire e portugueses. Segundo Neto, após a saída da comissão da OUA a duas semanas anteriores, os ataques estrangeiros aumentaram consideravelmente. Para Idi Amim, como presidente também da OUA, apesar de disposto a ajudar o MPLA, declarou que continuava favorável a um Governo de unidade nacional.




Data/pg: 05/11/1975 p. 16

Manchete: “MPLA diz que assumirá o poder total em Angola”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria destaca a declaração de Agostinho Neto em que confirmava que o MPLA assumiria no próximo dia 11 o controle sobre toda Angola. Denunciou o fato do país ter sido invadido por mercenários da África do Sul, do Zaire e de Portugal e pediu armamentos a OUA para que fossem repelidos os ataques. Afirmou que os objetivos das ofensivas seria recolonizar Angola e estabelecer um governo dominado pelos brancos. Amin respondeu dizendo que o programa da OUA era “lutar contra o imperialismo”, mas a organização era favorável a um governo de união nacional entre os três movimentos e rejeitava, desta forma, qualquer declaração de independência unilateral, como pretendia o MPLA.

Esclarece também que em Luanda o clima era tenso. A polícia militar do MPLA tinha invadido hotéis onde estavam hospedados jornalistas estrangeiros para interrogá-los, tendo exigido provas de que estavam no país efetivamente para cobrir as festividades da independência.






Data/pg: 06/11/1975 p. 12.

Manchete: “Zaire denuncia Congo por invasão a Cabinda”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria trata da denuncia do Zaire de que tropas do Congo entraram maciçamente em Cabinda, enclave angolano controlado pelo MPLA. Sobre o conflito em Angola propriamente, a matéria ainda ressalta a continuidade dos combates nas cercanias de Luanda entre MPLA e a FNLA. FNLA e UNITA também travam lutas em outras regiões, como no Norte, com o objetivo de atacar outras localidades dominadas pelo MPLA, como Benguela. A seis dias da independência, Savimbi e Roberto disseram ao presidente Amim que estavam dispostos a acabar com aquela guerra civil. Entretanto, o MPLA continuava apontando para declaração unilateral de independência.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Globo, dia 06/11/1975, p. 19, com a manchete “Tropas do Congo invadem Cabinda”.




Data/pg: 06/11/1975 p. 12.

Manchete: “MPLA prepara independência”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria destaca os preparativos festivos do MPLA para declarar a independência de Angola, então futura Republica Popular de Angola, através da solenidade que contaria com representantes de 44 países, numa posse seguida da leitura da Lei Constitucional da nova República, de bandeira vermelha, negra e amarela. Na cidade, eram esperados fogos de artifícios e iluminação especial. Para os dias anteriores, as Forças Armadas portuguesas esperavam retiram seus últimos homens de Angola.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Globo, dia 06/11/1975, p. 19, com a manchete “MPLA não faz acordo com outros grupos de Angola”.



PARAMOS AQUI!



Data/pg: 07/11/1975 p. 12.

Manchete: “Líderes angolanos ameaçam dividir o país”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: Representantes da FNLA e da UNITA disseram ao presidente da OUA, Idi Amim, que suas organizações só declarariam independência se o MPLA declarasse unilateralmente a independência em seus territórios, afirmando sua disposição em formar um partido da união nacional, que integrasse os três movimentos. No dia 05/11 a OUA fez um apelo para que o MPLA entregasse o policiamento da cidade a tropas da OUA, mas tudo já indicava que Agostinho Neto não abriria mão da Capital Luanda.

OBS: Matéria de conteúdo semelhante no Globo, dia 07/11/1975, p. 20, com a manchete “Facções angolanas admitem criação de governo conjunto”.




Data/pg: 07/11/1975 p. 12.

Manchete: “A cidade-fantasma da UNITA”

Fonte: Elio Gaspari

Assunto: O autor nessa reportagem mostra a situação precária do reduto da UNITA, Nova Lisboa, uma cidade quase abandonada em que tudo faltava, até pessoas. Fica evidente sua intenção de mostrar a fragilidade do movimento.




Data/pg: 08/11/1975 p. 20

Manchete: “Luanda pode ser bombardeada”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria é sobre a advertência dada pelo MPLA, na qual, afirmava que os 550 mil habitantes de Luanda deviam preparar-se para os pesados bombardeios que seriam lançados nos próximos dias pela UNITA e pela FNLA. Ao mesmo tempo, teria ordenado estado de alerta para todos os reservistas civis e convocado médicos e enfermeiros. A mobilização teria sido decidida quando os movimentos se enfrentaram pela posse de Quifandongo, a 19 quilômetros ao norte de Luanda. O MPLA afirmou que conseguiu rechaçar seus rivais, mas perdeu os portos de Lobito e Benguela.

Também destaca que a informação da Rádio Kampala, segundo a qual o MPLA, a UNITA e a FNLA teriam aceitado “com pequenas emendas” um plano de paz que incluía: cessar fogo imediato, neutralização de Luanda, envio de uma força da OUA que assegurasse o fim dos combates, estabelecimento de um governo provisório conjunto até a redação de uma constituição. O MPLA, porém, acelerou a preparação de Luanda para a festa do dia 11, tendo dado mostras de sua pretensão de declarar unilateralmente a independência.






Data/pg: 08/11/1975 p. 20

Manchete: “No Rio, africanista diz que Angola viverá crise socioeconômica”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria trata de algumas palavras ditas a respeito do caso de Angola pelo Professor Richard Pattee, catedrático da Universidade Laval da cidade de Quebec (Canadá) e autor dos livros: “Portugal em África” (1959), “Portugal na África Contemporânea” (1960), “África do Sul, vizinha de Portugal” (1973), “A Rodésia” (não distribuído). Afirmou que o povo angolano começaria a viver a mais séria crise socioeconômica de sua história, devido à desunião dos três movimentos.

Defendeu que existia uma crise de consciência muito grande na Europa em relação ao colonialismo, contudo afirmou não participar dela, pois acreditava que a maioria das colônias ocidentais não tinham condições de sobreviver independentemente, já que, faltava estrutura política, recursos financeiros e meios próprios. Por fim, afirmou que independência é uma palavra oca.





Data/pg: 09/11/1975 p. 26

Manchete: “Amin diz que angolanos aceitam governo conjunto”

Fonte: FP- ANSA- AP- DPA- REUTERS/LATIN- UPI- O GLOBO

Assunto: A matéria ressalta o anúncio feito por Idi Amin, Presidente da OUA, no qual, afirmou que os três movimentos concordavam na formação de um governo provisório de coalizão e na troca de prisioneiros da guerra civil. Contudo, a rádio de Kampala teria dado voz a uma porta-voz do MPLA que defendeu que sua organização jamais reconheceria as rivais FNLA e UNITA. Por outro lado, a FNLA também teria divulgado comunicado afirmando que não podia garantir a segurança dos convidados do MPLA para independência unilateral.




Data/pg: 09/11/1975 p. 27

Manchete: “Angola: paz difícil às vésperas da independência”

Fonte: Marcelo Pontes exclusivo para O GLOBO

Assunto: A matéria informa que a última esperança de pacificação estava nos resultados concretos que pudessem obter os representantes dos três movimentos que participavam da reunião de emergência da OUA em Kampala, Uganda. Contudo, o próprio Alto Comissário português, Leonel Cardoso acreditava que as possibilidades de paz eram escassas. Lisboa insistia no cumprimento nos Acordos de Alvor .




Data/pg: 09/11/1975 p. 10.

Manchete: “África dá apoio à independência de Angola”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: A matéria trata do pedido da Nigéria para o adiamento da independência de Angola, pois entendiam que era fundamental definir melhor a situação antes da independência. Entretanto, o presidente da OUA declarou que o governo independente seria formando por representantes dos três movimentos, o que garantiria a pacifica transição de Angola.




Data/pg: 09/11/1975 p. 10.

Manchete: “Silveira pode assistir as cerimônias em Luanda”

Fonte: Jornal do Brasil

Assunto: Trata da confirmação da presença de um represente brasileiro, o Embaixador em Luanda Ovídio de Mello, a cerimônia de independência de Angola e da possível ida do próprio chanceler Azeredo da Silveira, caso houvesse convite para tal.




Data/pg: 09/11/1975 p.10.

Manchete: “Angola dois dias para a independência”

Fonte: Elio Gaspari, do Jornal do Brasil

Assunto: Na primeira parte da matéria, é transcrita uma entrevista com o Secretário das Relações Exteriores da UNITA, Jorge Sangumba. Ao longo da conversa, tratam do conflito entre os movimentos, dos apoios externos, da atuação de militares portugueses nas fileiras dos movimentos, dos números alarmantes da guerra civil, apenas naquele último ano. A respeito da possível declaração unilateral pelo MPLA, o secretário acreditava que haveria em seguida uma união nacional, pois entendia que a questão nacional deveria ser resolvida por um acordo político, e que as conversações não aconteciam pois Neto não se dispunha a tal ação. A respeito do poder militar da UNITA, o secretário afirmou que tinham poder ofensivo, mas não eram contra o MPLA, mas sim contra "a sua clique dirigente que estava se atrelando aos russos".

Já na segunda parte da matéria, são declarações do Sr. Garcia Neto, secretário de Relações Exteriores do MPLA. Avaliando a posição do futuro governo independente angolano, e considerando a proclamação unilateral do MPLA, o secretário afirmava que respeitando a soberania, não intervindo nos assuntos internos angolanos e favorecendo o desenvolvimento de laços sociais e econômicos na base de benefícios mútuos, todos os países seriam bem vindos como parceiros, até mesmo Portugal, para o qual ele não via porque não manter relações em um outro patamar de condições. Quanto ao Brasil, entendia também que respeitando as condições fundamentais, seria um grande parceiro, cuja cooperação seria muito importante.







Data/pg: 10/11/1975 p. ?

Manchete:”Guerra Civil ameaça Angola no dia da independência”

Fonte: O GLOBO

Assunto: A matéria esclarece que a um dia da independência Lisboa ainda não sabia para quem entregaria formalmente o poder. Em várias capitais africanas e ocidentais houve diversas “manobras diplomáticas” que tentavam promover uma coalizão provisória, porém, pareceram ter pouco êxito.

Informa também que o MPLA afirmou que obteria o reconhecimento imediato de 80 nações, todavia o fato da OUA defender um governo tripartite comprometia suas possibilidades internacionais de apoio.

Ressalta que Idi Amin, Presidente da OUA, ameaçava romper relações diplomáticas com a URSS, devido à interferência deste país em favor do MPLA.

Destaca que Vitor Crespo, Ministro português responsável pela descolonização, afirmou que a FNLA e a UNITA mostravam-se “receptivos” às propostas da OUA, todavia o MPLA não vinha dando mostras de estar muito disposto a comprometer-se. O estabelecimento de um governo tripartite impediria a internacionalização do conflito, já que, o MPLA vinha tendo o apoio dos soviéticos e da República Popular do Congo; a FNLA dispunha de amplo apoio do Zaire, Pequim e Washington e a UNITA (forte nas duas províncias agropecuárias – chave do país) contava com as simpatias do Mercado Comum Europeu e algumas nações africanas, além da ‘boa vontade’ da África do Sul.


  1   2   3   4


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal