Concurso de admissãO 2000



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COMANDO DA AERONÁUTICA
ACADEMIA DA FORÇA AÉREA

CONCURSO DE ADMISSÃO 2000



CADERNO DE QUESTÕES DA PROVA DE PORTUGUÊS



CÓDIGO 43


INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA




  1. TEMPO DE DURAÇÃO

    1. 3 horas, para resolução da prova, mais 15 minutos para o preenchimento do Cartão de Respostas.




  1. MATERIAL PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA

    1. prancheta, caneta esferográfica azul ou preta, lápis preto nº 2 ou tipo B, borracha, apontador e Cartão de Identificação do candidato.

    2. Observação: é proibido o uso de qualquer instrumento como: régua, calculadora, relógio-calculadora, dicionário eletrônico, telefone celular ou qualquer outro aparelho eletrônico.




  1. CONFERÊNCIA E IDENTIFICAÇÃO DO CADERNO DE QUESTÕES

    1. confira o Caderno de Questões quanto a possíveis falhas na impressão e, no caso de ser encontrada qualquer falha que prejudique a leitura ou compreensão, comunique imediatamente ao fiscal;

    2. o Caderno de Questões deverá ser identificado com os dados do candidato;

    3. todas as 40 questões têm o mesmo valor (0,25 pontos) e, para efeito de correção e apuração do resultado, valerão somente as alternativas marcadas no Cartão de Respostas.




  1. P

    REENCHIMENTO DO CARTÃO DE RESPOSTAS





    1. use somente caneta esferográfica azul ou preta;

    2. o número de inscrição do candidato e o código da prova deverão ser marcados no Cartão de Respostas, conforme o exemplo ao lado;

    3. as respostas deverão ser marcadas no Cartão de Respostas, preenchendo-se todo o espaço do círculo que contém a alternativa, conforme o exemplo abaixo;









    1. serão consideradas válidas, na correção, somente as questões com apenas uma alternativa (a, b, c ou d) assinalada no Cartão de Respostas, computando-se como erradas as que fugirem dessa norma.



NOME DO CANDIDATO






NÚMERO DE INSCRIÇÃO DO CANDIDATO





ASSINATURA








FITA VERDE NO CABELO



(Nova velha estória)
Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia:  “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiínhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.

Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:

 “Quem é?”

 “Sou eu...”  e Fita-Verde descansou a voz.  “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.”

Vai, a avó, difícil, disse:  “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.”

Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.

A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo:  “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.”

Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
 “Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!”
 “É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...”  a avó murmurou.

 “Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!”

 “É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta...”  a avó suspirou.

 “Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?”

 “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha...”  a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.

Gritou:  “Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!”

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

Guimarães Rosa


  1. Observe.

“Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço.”


Nesse momento do conto, constata-se


    1. a realidade se impondo à imaginação.

    2. a completa tomada de consciência de Fita-Verde.

    3. a perda definitiva do juízo da protagonista.

    4. o desencantamento provocado pelo trajeto em tudo diverso à expectativa da menina.



  1. Ao lermos o texto, vamos percebendo um intrincado jogo de oposições, fundamentais para o levantamento temático do conto. Assinale a alternativa que melhor formula essas oposições.




    1. ilusão/desilusão; medo/enfrentamento; aconchego/desamparo; vida/morte

    2. juízo/ausência de juízo; bem/mal; esperança/desesperança; alegria/ tristeza

    3. presença/ausência; vermelho/verde; próximo/distante; ignorância/conheci-mento

    4. juízo/ausência de juízo; imaginação/ realidade; vida/morte; conhecido/ desconhecido




  1. Há identidade entre “Fita Verde no cabelo” e o romance Grande sertão: veredas, do mesmo autor, na medida em que (, )




    1. como a personagem que atravessa o bosque, tomando um caminho louco e longo, Riobaldo, praticamente, se funde com sua “travessia” pelo sertão.

    2. assim como Diadorim em seu diálogo final com Riobaldo, a avó de Fita-Verde pressente a morte e demonstra temê-la numa última conversa recheada de pavor.

    3. o tema é tratado com invenção libérrima numa linguagem recheada de diálogos que estilizam o falar regional, mas misturada à linguagem culta, em síntese criadora e original que atinge a mais alta poesia.

    4. além da preocupação com os aspectos materiais do mundo, por meio da seleção lexical indicativa e descritiva do espaço/ambiente que recupera com fidelidade aspectos da paisagem brasileira, há, também, a preocupação com o universo humano.


  1. No texto, as expressões juízo, fita verde e Lobo têm, respectivamente, a seguinte conotação:




    1. maturidade, insânia e mal.

    2. responsabilidade, inocência e morte.

    3. discernimento, fantasia e desconhecido.

    4. capacidade de julgar, liberdade e perigo.


  1. Observe.

“Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.”


A morte da avó representa para Fita-Verde


    1. a ruptura com o universo humano, com toda a sua complexidade.

    2. a quebra da relação do indivíduo com o seu lugar de origem e suas raízes.

    3. a perda da segurança, o sentimento de fragilidade ante um mundo novo e incógnito.

    4. o rompimento com a sociedade na qual, por meio dela e nela, o indivíduo se expõe e vive seus dramas coletivos.




  1. Além do diálogo estabelecido com o conto “Chapeuzinho Vermelho”, há uma passagem no texto que alude a um dos episódios, assimilados pela imagística popular,
    que celebrizaram o clássico Dom Quixote.
    Assinale-a.




    1. “Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós.”




    1. “E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso.”




    1. “A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.”




    1. “Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiínhas flores...”


  1. Observando o texto, é correto afirmar que apresenta discurso




    1. direto somente.

    2. direto e indireto livre.

    3. indireto livre somente.

    4. indireto e indireto livre.


  1. Assinale a alternativa em que a palavra em destaque resulta de derivação imprópria.




    1. “Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez.”

    2. “Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam...”

    3. “Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas...”

    4. “E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso.”




  1. Está corretamente empregado o verbo da alternativa

    1. Se o caçador se dispor a caçar o lobo, a avó da menina escapará de suas garras.

    2. A avó de Fita-Verde disse:  remedio essa situação, mesmo tendo apanhado um ruim defluxo.

    3. Fita-Verde responde:  não compito com o lobo que conhece muito bem o longo e tenebroso caminho da floresta.

    4. Os lenhadores não se entendiam com o feroz animal e lhe diziam:  não intermedie você nos avisos que a mãe dá a Fita-Verde.




  1. Leia.

“A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.”


No excerto acima, a quebra do paralelismo semântico provoca um efeito estilístico. Assinale a alternativa em que essa mesma ruptura compromete o estilo da frase.


    1. Os livros de Guimarães Rosa são anti-intelectuais, isto é, sobrepondo a intuição e a inspiração sobre a razão.

    2. Nascido em Cordisburgo, em 1908, o grande escritor brasileiro, Guimarães Rosa, além de mineiro era diplomata.

    3. Em Guimarães Rosa, a palavra é valorizada não tanto pelo significado como também pelos seus sons e formas.

    4. Em Grande sertão: veredas, o grande chefe, Joca Ramiro, destaca-se como protetor de Riobaldo e que lhe serve de guia.




  1. Leia o período abaixo.

Fita-Verde resolveu tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso.



Fita-Verde encontrou borboletas, avelãs e plebeiínhas flores.
Assinale a alternativa em que as idéias acima estão organizadas num só período coerente e coeso e expressam relação de causa e conseqüência.



    1. Assim que Fita-Verde resolveu tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso, encontrou borboletas, avelãs e plebeiínhas flores.




    1. Fita-Verde encontrou borboletas, avelãs e plebeiínhas flores, posto que resolvesse tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso.




    1. Ainda que Fita-Verde resolvesse tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro encurtoso, encontraria borboletas, avelãs e plebeiínhas flores.




    1. Na medida em que resolveu tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso, Fita-Verde encontrou borboletas, avelãs e plebeiínhas flores



  1. Assinale a passagem em que a coerência temporal encontra-se comprometida.




    1. “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.”




    1. “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.”




    1. “Saiu atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós.”




    1. “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”.




  1. Assinale a alternativa em que há incoerência.



    1. Em todas as gerações, os jovens criaram gírias para que os mais velhos não pudessem entendê-los. A gíria é também uma maneira de sentir-se parte de um grupo, algo muito importante para os adolescentes.


    1. Nos últimos 500 anos, o português usado no Brasil desenvolveu-se de forma distinta do idioma falado em Portugal. Isso não quer dizer que os brasileiros falem errado. Falam de acordo com uma gramática brasileira.


    1. À medida que as pessoas começaram a usar o e-mail em vez de falar pessoalmente ou pegar o telefone, os mal-entendidos foram se multiplicando. Isso aconteceu porque muita gente que usa a internet não estava habituada a escrever antes do surgimento dela.


    1. O governo brasileiro deveria tomar medidas para proteger os idiomas dos índios da Amazônia. Pois, se não há mais resquícios da sociedade indígena, se eles estão numa favela bebendo cachaça o dia inteiro, seria mais útil ensinar a eles o português, para ajudá-los a conseguir um emprego.




  1. Leia


O grande amor


Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Haja o que houver

Há sempre um homem para uma mulher

E há de sempre haver

Para esquecer um falso amor

E uma vontade de morrer

Seja como for

Há de vencer o grande amor

Que há de ser no coração

Como um perdão para quem chorou.


Sobre o texto acima, é correto afirmar que


    1. possui interdependência entre elementos argumentativos e descritivos, os quais são transformados em poesia.




    1. narra, poeticamente, a história de um personagem que conseguiu esquecer um falso amor quando encontrou um grande amor.




    1. apresenta um narrador que expõe seu ponto de vista sobre o relacionamento amoroso, usando o procedimento de auto-referência.




    1. expressa a idéia, por meio de elementos discursivos, arranjados numa linguagem poética-argumentativa, de que o verdadeiro amor sempre vence.




  1. “A literatura que se produziu nos anos 30 e nos anos 40 basicamente gravitou em torno da difícil realidade gerada pela ditadura que se instalou no Brasil a partir de outubro de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Cada autor passou a refletir essa época de agonia à sua maneira. Assim, por exemplo, ao lado de uma literatura regionalista, que fez realçar a região focalizando o problema social, também apareceu uma literatura urbana, muito intimista, em que a narração se construiu por registros de atmosferas. A poesia enveredou, no segundo tempo modernista, para a crítica social e para o entendimento das relações conturbadas do homem com o universo.”

Samira Youssef Campedelli


Tomando por base a leitura do texto, pode-se afirmar, sobre esse período de nossa literatura, que


    1. entre os autores “muito intimistas” não pode faltar o nome de Raquel de Queiroz com o romance Caminho de pedras, em que o enfoque psicológico sobrepõe-se ao social.

    2. Grande sertão: veredas e Os sertões estão entre as obras desse decênio que fazem realçar uma dada “região focalizando o problema social”.

    3. o modo típico de um escritor regionalista, dessa “época de agonia”, conceber a personagem pode ser exemplificado pela caracterização de Paulo Honório.

    4. o maior expoente dessa poesia que envereda para o “entendimento das relações conturbadas do homem com o universo” e para a “crítica social” é João Cabral de Melo Neto.




  1. Assinale a alternativa que apresenta concordância verbal correta.



    1. Falam-se entre 4000 e 6800 idiomas na Terra. Poderão haver menos de 1000 em 100 anos. Em 300 anos não mais do que 24.



    1. É possível que se faça implantes de células humanas no cérebro de animais para que a comunicação entre estes e os seres humanos melhore.



    1. No português existe sons anasalados, e o final das palavras não é pronunciado por completo. Quem fala espanhol fica completamente perdido com essas peculiaridades.



    1. A influência do inglês em nosso idioma está cada vez maior, haja vista os programas de televisão e os milhares de filmes e músicas que invadem nossas fronteiras desde o final da II Guerra.




  1. Leia as observações abaixo a respeito de Grande sertão:veredas.

I – A história é narrada, durante três dias, a alguém culto, que toma notas, mas que não aparece explicitamente no corpo da narrativa. As falas desse homem da cidade não são reproduzidas no livro. Sabemos de suas intervenções somente por meio das respostas de Riobaldo.

II – Como se trata da longa fala de um fazendeiro do noroeste de Minas Gerais, que foi jagunço e não teve muito estudo, a linguagem do livro é marcada por expressões típicas do lugar em que vive o narrador-perso-nagem, por provérbios e exemplos tirados do seu cotidiano rural.

III – Quanto à estruturação do romance, não há divisão em capítulos. O início se dá com um travessão, marcando a fala de um personagem  Riobaldo  fala essa que só é interrompida quando ele acaba de contar a história.

IV – As histórias contadas por Riobaldo desenrolam-se no sertão, o espaço síntese onde as ações humanas são refletidas. Nele, cada rio, cada vereda, cada árvore ou pássaro, sem deixarem de pertencer ao mundo natural, mantêm profunda correspondência com a esfera humana. Daí a preocupação do autor com uma delimitação geográfica precisa, que o mantém fiel aos nomes de rios e cidades existentes na região.
Com relação ao romance de Guimarães Rosa, estão corretas as assertivas



    1. I e IV.

    2. I, II e III.

    3. I, III e IV.

    4. II, III e IV.




  1. “E Maria Mutema, sozinha em pé, torta magra de preto, deu um gemido de lágrimas e exclamação, berro de corpo que faca estraçalha. Pediu perdão! Perdão forte, perdão de fogo, que da dura bondade de Deus baixasse nela, em dores de urgência, antes de qualquer hora de nossa morte. E rompeu fala, por entre prantos, ali mesmo, a fim de perdão de todos também, se confessava.”

Nesse episódio de Grande sertão: veredas, Maria Mutema confessa ter




    1. assassinado o marido e provocado a morte do vigário.

    2. despejado chumbo derretido no ouvido do vigário, enquanto este dormia.

    3. matado o marido de desgosto ao confessar seu amor pelo vigário.

    4. mantido um relacionamento pecaminoso com o finado vigário, com o qual teve três filhos.

Texto para as questões 19 e 20.


“Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho que Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é.”
Grande sertão: veredas, Guimarães Rosa



  1. Sobre o excerto são feitas as seguintes considerações:

I – A palavra “raiva” aparece três vezes com a mesma função sintática.

II – A palavra “raiva”, na oração subordinada adverbial temporal, e a palavra “idéia” são objetos diretos.

III – “de alguém” e “da gente” são, respectivamente, complemento nominal e adjunto adnominal.


Dessas considerações é(são) verdadeira(s)


    1. I e II.

    2. I, II e III.

    3. somente a II.

    4. somente a III.




  1. Considerando a norma culta da língua, ao substituirmos o verbo “lembrar” por “esquecer” no excerto “me lembrei dum conselho”, não seria aceitável o seguinte:




    1. esqueci um conselho.

    2. esqueci-me um conselho.

    3. esqueceu-me um conselho.

    4. esqueci-me de um conselho.




  1. Assinale a alternativa que apresenta incorreção quanto ao emprego do pronome relativo.




    1. Situado no norte de Minas Gerais, mas podendo estar em toda parte, o sertão é o reino onde formas de vida rústicas e uma paisagem selvagem e bela se espelham e por vezes se transfiguram.




    1. No texto, a mistura de romance e narrativa oral toma forma de um monólogo na fala de um velho sertanejo, Riobaldo, que narra sua vida de aventuras a um interlocutor da cidade.




    1. O sertão é o vasto campo da guerra jagunça, mas, ao mesmo tempo também, o espaço da travessia solitária de um herói de romance que se interroga sobre o sentido da existência.




    1. Ao abrir-se o livro, o ex-jagunço surge como um contador de casos, especulando sobre a existência do demônio, que pode estar misturado em tudo e cuja a sombra se intromete no interior de sua própria consciência.




  1. Leia.

I – “A parança que foi  conforme estou vivo lembrado  numa vereda sem nome nem fama, corguinho deitado demais, de água muito simplificada.”

II – “...penetrar no universo do grande sertão é trilhar as veredas da poesia e, com Riobaldo, propor-se grandes questionamentos.”

III – “Após a batalha, os jagunços pararam para descansar num curso d’água orlado de buritis.”

Observando as relações entre as expressões grifadas, é correto afirmar que ocorre




    1. homonímia entre I e II e antonímia entre I e III.

    2. polissemia entre I e II e sinonímia entre I e III.

    3. paronímia entre I e II e homonímia entre I e III.

    4. homonímia entre I e II e sinonímia entre II e III.



  1. Leia o excerto abaixo extraído de uma suposta entrevista com Riobaldo, personagem de Grande sertão: veredas.

“Mire e veja o leitor e a leitora: se não houvesse Brasil, não haveria ‘Grande sertão: veredas’, não haveria Riobaldo. Deviam ter pensado que pelo menos para isso serviu. E o resto é silêncio. Ou melhor, mais uma pergunta senhor Riobaldo. O que é silêncio?


R  O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.”

Alberto Pompeu de Toledo, Veja


No trecho acima, predominam as seguintes funções da linguagem:


    1. poética e fática.

    2. fática e conativa.

    3. expressiva e poética.

    4. conativa e metalingüística.

Texto para as questões 24 a 26.


“Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”
Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis



  1. Sobre o fragmento em questão, pode-se afirmar que




    1. explicita o modo de composição da obra em questão, feita em estilo “obscuro e truncado”, além de reticencioso, de tal modo ambíguo, que quase prejudica a compreensão do sentido.

    2. revela a visão artística do autor para quem a literatura, por estar restrita a um público letrado na Europa e composto, principalmente, pela ala feminina, deveria atender ao gosto desse leitor.

    3. expressa, por meio da ironia e desdém, a visão que Machado tinha da sociedade e do próprio leitor de seu tempo, cuja frivolidade se espelhava no gosto pelas narrativas esvaziadas de complexidade ou de apelos à reflexão.

    4. a excessiva preocupação com as aparências e com “angariar as simpatias da opinião” conduzirá a narrativa, seus avanços e recuos, e será essa a lente que ditará a melhor conduta e, por conseguinte, o destino de Brás Cubas.




  1. O termo “nimiamente” pode ser substituído, sem alterar o sentido do texto, por




    1. mormente.

    2. sobejamente.

    3. sequiosamente.

    4. paulatinamente.




  1. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a correta classificação morfossintática dos termos em destaque.




    1. pronome demonstrativo e predicativo; pronome relativo e sujeito; pronome pessoal e objeto direto; pronome relativo e objeto direto

    2. pronome pessoal e predicativo; pronome relativo e objeto direto; pronome demonstrativo e objeto direto; pronome relativo e sujeito

    3. pronome pessoal e adjunto adnominal; pronome relativo e predicativo; pronome demonstrativo e sujeito; pronome relativo e sujeito

    4. pronome demonstrativo e adjunto adnominal; conjunção e objeto direto; pronome pessoal e sujeito; pronome relativo e objeto direto



  1. Observe.

“Marcela ofereceu-me polidamente o


1

refresco; minha resposta foi dar com a mão

no copo e na salva; entornou-se-lhe o líquido
2

no regaço, a preta deu um grito, eu bradei-

-lhe que se fosse embora. Ficando a sós,
3

(...) disse-lhe que ela era um monstro (...)

que me deixara descer a tudo...”

4
Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis


Assinale a alternativa em que a função sintática do termo sublinhado está incorreta.


    1. (1) objeto indireto

    2. (2) adjunto adnominal

    3. (3) sujeito

    4. (4) sujeito

Texto para as questões 28 e 29.

“E dizendo isso abraçou-me com tal
1

ímpeto, que não pude evitá-lo. Separamo-nos


2

finalmente, eu a passo largo, com a camisa


amarrotada do abraço; enfadado e triste. Já

não dominava em mim a parte simpática da

sensação, mas a outra. Quisera ver-lhe a

miséria digna, contudo, não pude deixar de

comparar outra vez o homem de agora com o

de outrora, entristecer-me e encarar o abismo



que separa as esperanças de um tempo da
3

realidade de outro tempo...”



  1. Assinale, entre os fechos seguintes, o que sintetiza o capítulo “O abraço”, de Memórias póstumas de Brás Cubas, vindo a completar com coerência e adequação o episódio acima envolvendo Brás Cubas e Quincas Borba.




    1. “ Ora adeus! Vamos jantar, disse comigo.

Meto a mão no colete e não acho o relógio. Última desilusão! O Borba
furtara-mo...”


    1. “Tirei a carteira, escolhi uma nota de cinco mil-réis,  a menos limpa,  e
      dei-lha. Ele recebeu-ma com os olhos cintilantes de cobiça. Levantou a nota ao ar, e agitou-a entusiasmado.

In hoc signo vinces! bradou.”


    1. “ Procure-me, disse eu, poderei arranjar-lhe alguma coisa.

Um sorriso magnífico lhe abriu os lábios.  Não é o primeiro que me promete alguma coisa, replicou, e não sei se será o último que não me fará nada.”


    1. “Cuidei que o pobre diabo estivesse doido, e ia afastar-me, quando ele me pegou no pulso, e olhou alguns instantes para o brilhante que eu trazia no dedo. Senti-lhe na mão uns estremeções de cobiça, uns pruridos de posse.

 Magnífico! disse ele.”


  1. Sobre as orações subordinadas sublinhadas, é correto afirmar que




    1. 1, 2 e 3 são adverbiais.

    2. 2 é adverbial consecutiva.

    3. 2 e 3 são adjetivas restritivas.

    4. 3 é adjetiva restritiva com pronome relativo em função de objeto direto.

Texto para as questões 30 a 31.


“Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio, tinha nojo de si mesma.”
Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis


  1. Transpondo o verbo “custar” para a primeira pessoa do singular, considerando a norma culta da língua, ter-se-á




    1. Custei muito aceitar a casa ...

    2. Custou-me muito aceitar a casa ...

    3. Custei-me muito a aceitar a casa ...

    4. Me custou muito a aceitar a casa ...



  1. A forma “farejara” exprime um processo




    1. em curso ou prolongado, equivalendo a tendo/havendo farejado.

    2. que ocorreu antes de outro processo e corresponde a tinha/havia farejado.

    3. concluído e localizado num momento ou período definido do passado, equivalendo a tem/há farejado.

    4. que estava em desenvolvimento quando da ocorrência de outro, equivalendo a teria/haveria farejado.




  1. Os trechos a seguir, de Memórias póstumas de Brás Cubas, foram, quando necessário, intencionalmente adulterados. Observe-os.

I - Meu pai era homem de imaginação; escapou à tanoaria nas asas de um calembour. Era um bom caráter, meu pai, varão digno e leal como poucos.

II - Ela tinha agora a beleza da velhice, um ar austero e maternal; estava menos magra do que quando a vi, na vez passada, numa festa de São João, na Tijuca.

III - Creio que prefere mais a anedota do que a reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem.


Dir-se-á que apresentam, respectivamente,


    1. cacófato, eco e pleonasmo.

    2. solecismo, cacófato e hiato.

    3. obscuridade, eco e barbarismo.

    4. galicismo, cacófato e solecismo.

Texto para as questões 33 a 35.



Comunhão

Péricles Eugênio da Silva Ramos

O homem que pensa é uma dádiva,

é como o pão,

é como os rios.


O homem que pensa é franco e generoso,

é pura chuva,

tem o coração voltado para os outros.
O homem que pensa é fonte e hóstia,

é musgo e noite,

é cor de sangue, cor de Sol a pino.
o homem que pensa é justo e solidário:

o pensamento é trigo

a partilhar na mesa dos convivas;

o pensamento não é fruto, é todo o horto das nogueiras.


o pensamento é comunhão: bebei do vinho,

que esse é o vinho do Homem que não morre;

o pensamento é comunhão

e se oferece para que o homem seja mais humano

e viva mais humanamente:
a Lua não é Lua quando não é vista,

porém é Lua, e Lua mais terrena e mais perfeita

quando fulgura, cheia, em pleno céu,

a dar-se toda no ato de brilhar,

a desfazer-se em luz por sobre todos.


  1. Em “esse é o vinho do Homem que não morre”, a expressão grifada é exemplo de




    1. perífrase.

    2. hipérbole.

    3. eufemismo.

    4. paronomásia.



  1. Analisando a oração “que pensa” no texto, observamos que é adjetiva




    1. restritiva, pois a capacidade de pensar é tida como algo inerente a todos os homens.

    2. restritiva, pois a palavra homem nesse caso tem seu sentido individualizado, delimitado.

    3. explicativa, pois o texto refere-se apenas àqueles homens que pensam, e não a todos os homens.

    4. explicativa, pois apenas explicita uma idéia que já sabemos estar contida no conceito de homem.




  1. Leia.

“O homem que pensa é fonte e hóstia”

“e se oferece para que o homem seja mais humano.
Analisando os termos em destaque no texto, assinale a alternativa que aponta, respectivamente, aqueles de função sintática análoga à de cada uma das orações acima assinaladas.


    1. franco/ humano

    2. terrena/ do vinho

    3. do vinho/ para os outros

    4. dos convivas/ em pleno céu




  1. Quanto ao romance São Bernardo de Graciliano Ramos, é incorreto dizer que




    1. um dos aspectos marcantes da obra é o seu caráter de auto-análise: Paulo Honório procura entender a si mesmo e o que fez de sua vida.

    2. a professora Madalena, esposa de Paulo Honório, passa a se interessar pela vida de miséria e agruras dos empregados da fazenda e a interceder por eles.

    3. o protagonista, ao fazer um balanço de seu relacionamento com Madalena, afirma que, se pudesse recomeçar sua vida com ela, tudo aconteceria de novo.

    4. a linguagem prolixa e rebuscada do narrador-personagem revela um homem de muitas ações, obcecado pela vida agreste e pela luta em busca de riquezas e poder.




  1. Leia o excerto abaixo tendo como referência a leitura de São Bernado.

“ Por que é que sua sobrinha não procura marido?

(D. Glória) Melindrou-se:

 Minha sobrinha não é feijão bichado para se andar oferecendo.

 Nem eu digo isso, minha senhora. Deus me livre. É um conselho de amigo. Garantir o futuro...”
Sobre esse excerto são feitas as seguintes afirmações:
I - Os travessões marcam a mudança de interlocutor no diálogo, e o ponto de interrogação expressa o tom irônico e provocador típico de Paulo Honório.
II - Os dois-pontos anunciam a entrada do interlocutor, e a vírgula isola o aposto.
III - As reticências expressam a interrupção da fala nervosa e desconexa do interlocutor.
IV - A vírgula após “isso” isola o vocativo, e os travessões podem ser substituídos por aspas.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)


    1. I, II e III.

    2. I, III e IV.

    3. II apenas.

    4. IV apenas.




  1. Leia.

“...enquanto escrevia a certo sujeito de minas, recusando um negócio confuso de porcos e gado zebu, ouvi um grito de coruja e sobressaltei-me.”


Em relação à imagem do “pio da coruja”, que aparece repetidas vezes em São Bernardo, a única afirmação incorreta é que ela


    1. traduz o abandono em que se encontra a fazenda.

    2. evoca a lembrança de Madalena.

    3. traz à tona sentimentos de culpa e remorso para Paulo Honório.

    4. expõe um dado do mundo exterior que afeta o mundo subjetivo da personagem.



  1. Observando a regência dos verbos, assinale a alternativa em que o emprego do pronome oblíquo está em desacordo com a norma padrão da língua.




    1. Azevedo Gondim chamou-lhe patriota.




    1. Senti-me obrigado a informar-lhe o ocorrido.




    1. O político pediu-me as fotografias, observou-as e, ao se retirar, pagou-mas.




    1. Não queria presenciar a decadência de São Bernardo, assistir-lhe seria demasiado penoso.



  1. Quanto aos poemas de A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que eles traduzem a(o)




    1. luta e a participação consciente do poeta nos acontecimentos de seu tempo.




    1. posição política e social do poeta, por isso são de pouco lirismo existencial.




    1. autoconfiança do poeta e nos surpreendem por rejeitarem o ceticismo e a ironia.




    1. conflito angustiante da consciência, devido ao sentimento de culpa que persegue o poeta, por não participar das lutas sociais de seu tempo.




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