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Agora é Lula

A esquerda, os trabalhadores, os setores populares, foram os grande vitoriosos da campanha eleitoral no Brasil. Há várias razões para essa afirmação. Lula obteve mais de 39 milhões de voto, ou seja, 46,44% dos votos válidos. Foram mais de 66% de votos dados aos candidatos oposicionistas. A oposição ampliou sua bancada: de 134 deputados passou para 188 e de 17 senadores passou para 27. O PT foi o partido que mais cresceu nas eleições elegendo 91 deputados, 10 senadores e crescendo 63% na representação das Assembléias Legislativas nos estados. Por outro lado, o PFL, o PMDB e o PSDB diminuíram suas bancadas. Se isso não bastasse, dos 12 governadores eleitos em primeiro turno 7 são da oposição. Além disso ainda contamos com a presença do PT no segundo turno de 7 estados e no Distrito Federal. Podemos afirmar que foi a festa das oposições.

Certamente que o maior derrotado nesse processo, até agora, foi o Governo de FHC. O povo, pelo voto, disse não ao Governo que impôs, nas suas duas gestões, a política do FMI. Disse sim a oposição. Não resistiu a onda vermelha que tomou o país. E hoje, o candidato de FHC, o senhor Serra utiliza de todos os subterfúgios para desqualificar Lula e a oposição tentando, de toda a forma, manter a burguesia na condução do Governo Federal. A classe trabalhadora deve dar uma resposta em alto e bom som às manobras de Serra e garantir a maior votação que um trabalhador teve na história elegendo Lula Presidente.

É claro esse processo eleitoral deixa uma série de questões mal resolvidas. Em um determinado momento houve uma pane na apuração do TSE e Lula apareceu com 41 mil votos negativos. O processo computadorizado, absolutamente informatizado, não pode explicar tal fato afirmando apenas que foi um simples erro dos telões que divulgavam os resultados. Os telões divulgavam aquilo que estava no computador. Evidente que este fato pode ter sido conseqüências de uma série de fatos e nada pode ser descartado. Não podemos nos esquecer que Serra superou em muito sua margem percentual nas pesquisas de boca de urna, para cima e Lula também superou sua margem, só que para baixo. Isso nos chama atenção para a fiscalização, atividade que, no segundo turno, será imprescindível.

No entanto, ocorreu uma das possibilidades. Nessas eleições ou Lula ganharia no primeiro turno ou se isolaria na frente para um segundo turno com o candidato tucano. E isso apresenta pontos positivos, pois, será necessário aprofundar o debate, demarcar as diferenças, correr os estados. Há, entretanto, um elemento que, acima de todos, é o mais positivo nesse processo: foi o candidato dos setores populares que saiu na frente no primeiro turno e dirigirá a oposição contra o representante das classes dominantes brasileiras.

Muitos acham que essa campanha se aproxima muito com a de 1989, a primeira campanha presidencial após a ditadura militar, há 13 anos atrás. Mas, tudo indica que há apenas dois fatores que marcam essa identidade: a) as classes dominantes estão desgastadas e divididas; b) Lula vai para o segundo turno. As diferenças, em todos os seus aspectos, são mais evidentes: o principal representante da burguesia vai para o segundo turno das eleições, diferente de 89 que, na oportunidade, o representante era de setores periféricos das classes dominantes, uma oligarquia atrasada e conservadora; é uma eleição semi-geral, que escolhe os representantes dos estados e das instituições eletivas federais, dando dimensão de uma disputa geral, em todos os níveis; o PT sai vencedor eleitoralmente em todos os aspectos, inclusive como o partido que recebeu o maior número de votos; o modelo de dominação do capital atual, o neoliberalismo, vive um esgotamento profundo e é defendido pelo núcleo central da burguesia. Enfim, muitas são as diferenças, mas entre elas, existe também a diferença do que hoje é o PT.

Espera-se dessa campanha a política necessária para romper com as condições atuais pelas quais passa o povo no Brasil. Um governo democrático, popular e comprometido com a soberania nacional, se quiser melhorar efetivamente a vida do povo, terá que suspender o pagamento da dívida externa, não assinar o acordo da Área de Livre Comércio das Américas, restabelecer a soberania sobre a base de Alcântara, recuperar as estatais estratégicas que foram privatizadas, colocar o sistema financeiro sob controle público, quebrar o monopólio dos meios de comunicação de massa, realizar as reformas agrária e urbana, revendo os contratos, acordos e regras que cristalizam a dominação de classe no Brasil.

Essa nunca foi e não será, agora uma tarefa fácil. Ela exige a eleição de Lula para presidente, fato sem o qual não será possível cumprir esses objetivos. Por isto, consideramos que a principal tarefa de todos os lutadores do povo e a missão de cada militante da esquerda e de qualquer outro partido de oposição nos próximos 15 dias é derrotar de Serra, que expressa a continuidade do modelo neoliberal, e eleger Lula presidente da República. E temos tudo para isso, pois, Lula e PT dirigem uma coalizão com todos os partidos de oposição: PDT, PSB, PCdoB, PCB, PPS, PSTU. Todos juntos para garantir que a mudança seja vencedora e os reacionários derrotados.

Por isso afirmamos que a prioridade de todas as entidades filiadas à CONDSEF, até o dia 27 de outubro, é garantir a eleição de Lula. É necessário garantir a presença dos setores populares e da classe trabalhadora no Brasil. É necessário ir para as ruas, fazer atividades de massas, fazer boca de urna, fiscalizar. É necessário agora, mais do que nunca, eleger Lula presidente do Brasil.

Brasília, 17 de outubro de 2002


DIREÇÃO CONDSEF



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