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CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

43ª Assembléia Geral

Itaici – Indaiatuba – SP 9 a 17 de agosto de 2005

03/43ªAG(Met)
Texto Provisório I

DIRETÓRIO NACIONAL DE

CATEQUESE


Instrumento de Trabalho III
Versão 4

Brasília, 29 de Junho de 2005

APRESENTAÇÃO

É agora o momento favorável,



é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2b)
A catequese vem recebendo da Igreja no Brasil uma crescente valorização. Comprova esta afirmação documentos, cursos, encontros, celebrações, mobilizações, livros, revistas, e tantas outras iniciativas, que se multiplicam e melhoram em qualidade, por este imenso País. Entretanto, a prova mais forte desse apreço está na quantidade de catequistas que se dedicam, com grande paixão, a este ministério vital para a educação da fé, da esperança e da caridade, dos que optam por seguir Jesus Cristo. E, também, são milhares as pessoas, que sem serem denominadas catequistas, o são, de fato, em nossas comunidades eclesiais, pois, na verdade, exercem esta mesma missão.

Neste contexto, o Diretório Nacional de Catequese (DNC) não é apenas um documento, porque o Diretório Geral para a Catequese (DGC)1 da Sé Apostólica, de 1997, explicitamente o solicita. Ele surge em um momento favorável em nossa Igreja, e num agora de necessidades precisas. Primeiramente como confirmação dos acertos na caminhada da renovação da catequese, desde o Concílio Vaticano II (1965), mas, especialmente, desde o Documento Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (CR), de 19832.

Em segundo lugar, como um impulso para novos e significativos passos, principalmente rumo ao aprofundamento e mais criatividade em relação à própria ação catequética. E aqui, é importante mencionar, entre outras, por exemplo: a catequese bíblica, litúrgica, evangelizadora, inculturada, revigoradora da eclesiologia de comunhão e participação; a catequese com adultos; e a catequese com forte carga evangélica para a transformação da sociedade, segundo o Ensinamento Social da Igreja. Há alguns destaques a serem considerados como, por exemplo, as fontes da catequese, a formação de catequistas, o catecumenato como um modelo referencial para os diversos tipos de catequese, a pedagogia de Deus, a centralidade de Jesus Caminho, Verdade e Vida (cf Jo 14,6), a ação do Espírito Santo, a catequese junto à pessoa com deficiência, o princípio metodológico da interação fé e vida e, Maria, mãe e educadora de Jesus e da Igreja.

Este DNC não é fruto de um grupo de iluminados ou peritos, fechado em algum escritório. Milhares de mãos o construíram ao logo de mais de três anos, por meio de um rico processo participativo. E a CNBB, em três Assembléias seguidas, trabalhou e re-trabalhou este texto. Entretanto, o DNC não é documento acabado, porque a catequese é dinâmica, criativa, atenta à necessidades, desafios e potencialidades do mundo e da Igreja. E, sabemos, que a própria Igreja está, sempre em renovação, como aliás, diz o adágio latino “Ecclesia semper reformanda”.

Em terceiro lugar este DNC propõe grandes orientações e linhas de ação para a catequese na Igreja particular que, no Brasil, é marcada pela riqueza da diversidade geográfica, histórica, cultural, étnica e religiosa. Ela tem uma longa e preciosa história, inclusive da catequese, a ser contemplada. E, além disso, tem características que requerem uma adaptação e uma inculturação específica da catequese.

Que Maria, a Estrela da Evangelização e Educadora do Filho de Deus e da Igreja, acompanhe maternalmente o diálogo de fé, que acontece nos grupos de catequese. Que ela os assessore para que, cada catequizando e cada catequista, possam, a seu exemplo, expressar com a vida, o sim generoso ao chamado e ao envio do Senhor. Que ela atraia a força amorosa do Espírito Santo para que, todos e todas, sejam fecundados pela paixão por Jesus Cristo e pelo Reino de Deus.

Como Pastores e Mestres na fé, apresentamos este DNC, como um presente ao nosso povo, reafirmando esta nossa certeza: “ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17,3). E, também, respondendo ao pedido do Papa João Paulo II, de feliz memória, que nos exorta: “O vosso papel principal deve ser o de suscitar e alimentar, em vossas Igrejas, uma verdadeira paixão pela catequese; uma paixão, porém, que se encarne numa organização adaptada e eficaz, que empenhe na atividade as pessoas, os meios e os instrumentos e, também, os recursos financeiros. Podeis ter a certeza disto: se a catequese for bem feita nas vossas Igrejas Locais, tudo o mais será feito com maior facilidade” (CT 63).

Brasília, DF, 29 de junho de 2005.




† Albano Cavallin

Presidente da Comissão de Redação do

Diretório Nacional de Catequese




† Eugênio Rixen

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral

para Animação Bíblico-Catéquetica



SIGLAS E ABREVIATURAS

AG

Decreto Ad Gentes do Vaticano II sobre evangelização dos povos

AS

Apostolorum Successores - Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos (2005)

Catecismo

João Paulo II, Catecismo da Igreja Católica (1992 – 1997)

CD

Decreto Christus Dominus do Vaticano II sobre o episcopado

CDC

Código de Direito Canônico (1983)

CELAM

Conferência (ou Conselho) Episcopal Latino Americano

ChL

João Paulo II, Christifideles Laici sobre a vocação e missão dos leigos

CMM

Dimensão Bíblico-Catequética, Catequese para um mundo em mudança (Estudos da CNBB 73, 1994)

CNBB

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

CR

CNBB, Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo (Doc. da CNBB 26, 2002, 35a. edição; 1a. edição em 1983)

CT

João Paulo II, Exortação Apostólica Catechesi Tradendae (1979)

DCG

Congregação para o Clero, Diretório Catequético Geral (1971)

DGC

Congregação para o Clero, Diretório Geral para a Catequese (1997)

DGAE

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2003-2006 (Doc. CNBB 71)

DNC

CNBB, Diretório Nacional de Catequese (2002-2005)

DV

Constituição Dogmática Dei Verbum do Vaticano II sobre a Revelação

EN

Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a evangelização dos Povos (1974)

FC

Dimensão Bíblico-Catequética, Formação de Catequistas: critérios pastorais (Estudos da CNBB 59) 1990

GREBIN

Grupo de Reflexão Bíblica Nacional

GRECAT

Grupo Nacional de Reflexão Catequética

GRESCAT

Grupo de Escolas Catequéticas

GS

Constituição Pastoral Gaudium et Spes do Vaticano II sobre a Igreja no mundo de hoje.

LG

Constituição Dogmática Lumen Gentium do Vaticano II sobre a Igreja

MPD

Sínodo de 1977 sobre a catequese, Mensagem ao Povo de Deus

NMI

João Paulo II, Novo Millennio Ineunte (em 2001 no término do Grande Jubileu do ano 2000)

P

CELAM, Documento de Puebla(1979)

RICA

Sagrada Congregação para o Culto Divino, Rito de Iniciação Cristã de Adultos (1973 / 2001)

RMI

João Paulo II, Carta Encíclica Redemptoris Missio sobre a validade permanente do mandato missionário (1990)

SC

Constituição Sacrosanctum Concilium do Vaticano II sobre a Liturgia

SCALA

Sociedade de Catequetas Latino-americano

SD

CELAM, Documento de Santo Domingo (1992)

TM

Dimensão Bíblico-Catequética, Textos e Manuais de Catequese: elaboração, análise, avaliação (Estudos da CNBB 53, 1987).

INTRODUÇÃO

Isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos,



para que estejais em comunhão conosco” (1Jo 1, 3a)
a.1) Este Diretório Nacional de Catequese (DNC) é um esforço de adaptação à realidade do Brasil do Diretório Geral para a Catequese, de 1997 (cf DGC 9, 11, 139, 166, 171)3. Nele, portanto, se inspira, fazendo, porém as modificações necessárias que reflitam a caminhada da Igreja e o movimento catequético brasileiro destes últimos 50 anos.

a.2) O documento da CNBB Catequese Renovada Orientações e Conteúdo4 que, desde 1983, vem impulsionando a catequese no Brasil, continua sendo-lhe uma referência fundamental. Mas de 1983 para cá, surgiram situações e documentos do Magistério5, apontando para a necessidade de novas orientações da Igreja para reforçar o impulso da renovação da catequese.

a.3) A Comissão Episcopal de Animação Bíblico-Catequética da CNBB apresentou, então, à Assembléia Geral dos Bispos em 2002, uma proposta, que foi aprovada, de elaboração de um Diretório Nacional de Catequese. Uma comissão especial nomeada pela mesma Assembléia, logo na primeira reunião optou por um trabalho através do processo participativo envolvendo Dioceses, escolas de catequese, e catequistas. O Instrumento de trabalho n° 1 recebeu contribuições da Assembléia da CNBB de 2003, que solicitou que o texto fosse encurtado. Enriquecido, com mais contribuições vindas de todo o país, mas ao mesmo tempo sintetizado, o Instrumento de trabalho n° 2, teve o aval da Assembléia da CNBB em 2004, e com novos enriquecimentos foi preparado e publicado como Instrumento de trabalho n° 3, para a Assembléia Geral da CNBB de abril de 2005. Tendo sido postergada para agosto do mesmo ano, por motivo do falecimento do Papa João Paulo II, de feliz memória, e, também, por motivo da eleição do Papa Bento XVI, houve nova redação integrando as contribuições chegadas até junho de 2005: é o presente Instrumento de trabalho n° 3, em sua quarta versão que está sendo apresentado para apreciação e votação..
1. Os Diretórios na tradição recente da Igreja
a.4) O primeiro Diretório Catequético Geral da Sé Apostólica de 1971 foi publicado por mandato do Vaticano II para “tratar dos princípios e do ordenamento fundamentais da formação cristã” (CD 14)6, o Diretório Geral para a Catequese de 1997 atualizou o anterior. Se o primeiro Diretório (1971) foi uma resposta do Concílio à velha demanda de um catecismo universal, o segundo (1997) veio consagrar o Catecismo da Igreja Católica, surgido entre ambos, em 1992, e oficialmente ratificado em 1997, e seu Compêndio em 2005.

a.5) No Diretório Geral para a Catequese encontramos, sobretudo critérios inspiradores para a ação catequética, e não tanto indicação de normas imperativas, como poderia sugerir talvez a palavra diretório. Os Diretórios tornaram-se quase manuais, vade-mecuns ou compêndios, um conjunto de princípios, critérios e normas de natureza bíblico-teológica e metodológico-pastoral com a função de coordenar a ação pastoral.

a.6)Nosso Diretório Nacional de Catequese, o primeiro do Brasil, segue essa mesma orientação. Pretende não só relembrar princípios e critérios já conquistados, mas, sobretudo, fazê-los avançar, como pede o mesmo DGC: “estimular, para o futuro, estudos e pesquisas mais profundas, que respondam às necessidades da catequese e às normas e orientações do Magistério” (n.º 13).

2. Objetivo e finalidades

a.7) O objetivo geral do Diretório Nacional de Catequese é apresentar a natureza e finalidade da catequese, traçar os critérios de ação catequética, orientar, coordenar e estimular a atividade catequética nas diversas regiões. Ele pretende delinear uma catequese mais litúrgica, bíblica, vivencial, profundamente ligada à mística evangélico-missionária, mais participativa e comunitária.

a.8) As finalidades deste Diretório são:



a) estabelecer princípios bíblico-teológico-pastorais para promover e impulsionar a renovação da mentalidade catequética;

b) orientar o planejamento e a realização da atividade catequética nos diversos regionais e dioceses;

c) coordenar as diversas iniciativas catequéticas;

d) articular a ação catequética com as outras dimensões de nossa pastoral (litúrgica, comunitário-participativa, missionária, dialogal-ecumênica e sócio-transformadora);

e) estimular a atividade catequética, principalmente onde as comunidades sentem mais dificuldade na promoção da educação da fé.

3. Critérios de redação e esquema geral

a.9) Ao se redigir este DNC manteve-se o esquema geral do DGC com adaptações à nossa realidade, refletindo-se o movimento catequético brasileiro destes últimos 50 anos.

a.10) Ele divide-se em duas partes.

a.11) Na primeira, de caráter mais de iluminação, são tratados os fundamentos teológico-pastorais da catequese, a partir da renovação pós-conciliar. Inicia-se apresentando as conquistas do recente movimento catequético brasileiro. A seguir é aprofundado o tema da revelação e catequese, correspondendo à primeira parte do DGC; aí a catequese se apresenta bem dentro da missão evangelizadora da Igreja, como atividade de iniciação à fé. Após ter sido esclarecida a verdadeira tarefa da catequese, se fará, então, uma leitura da nossa realidade brasileira e da história como lugares teológicos da manifestação de Deus, correspondendo à Exposição Introdutória do DGC. A mensagem e conteúdo da catequese são considerados no quarto capítulo, destacando-se a Bíblia, a Liturgia e os catecismos.

a.12) A segunda parte, de caráter mais prático, se compõe de quatro capítulos: primeiramente se analisa a pedagogia catequética tendo como fundamento a pedagogia divina, modelo da educação da fé pretendida pela catequese. Enumeram-se no capítulo sexto os destinatários, considerados como interlocutores no processo catequético; o capítulo sétimo trata do ministério da catequese com seus protagonistas e, por fim, no último capítulo, são analisados os lugares e a organização da catequese na Igreja local.


I Parte: Fundamentos teológico-pastorais da catequese:

1. Conquistas do recente movimento catequético brasileiro

2. A catequese na missão evangelizadora da Igreja

3. Catequese contextualizada: história e realidade

4. Catequese: mensagem e conteúdo




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