Conflitos militares entre cristãos e muçulmanos na região de Astúrias no século VIII



Baixar 15.61 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho15.61 Kb.
Conflitos militares entre cristãos e muçulmanos

na região de Astúrias no século VIII

Tatiana Saggin Rodrigues da Silva (Mestrado IFCS – UFRJ)

Este trabalho pretende apresentar e analisar, algumas características que marcaram o início do processo de Reconquista dos cristãos em Astúrias, no norte da Espanha no século VIII. Tendo em vista que as campanhas militares foram significativas contra os muçulmanos, deve-se evidenciar como foram organizadas as batalhas neste momento de resistência e reconquista cristã no território asturiano. Nesta perspectiva, o estudo tem como objetivo mostrar brevemente as campanhas militares de Pelayo e Afonso I nesta região de dominação cristã.

Alguns autores como José Mattoso analisaram o “reino asturiano como sucessor do Império Visigótico e, portanto, como legítimo responsável por uma recuperação do território peninsular, num empreendimento simultaneamente religioso e político”.1
A invasão muçulmana, no século VIII, iniciou-se no sul da Península Ibérica, e os muçulmanos adquiriram um maior poder político e militar frente aos cristãos no norte da Península. Nos séculos VIII – XI, dá-se o nascimento de vários reinos cristãos (Astúrias, Cantábria, Leão, Castela, Navarra e Catalunha), tendo todos um denominador comum, a oposição aos muçulmanos. Será na perspectiva do primeiro reino cristão que a pesquisa se desenvolverá.

O primeiro reino cristão concentrou-se nos montes das Astúrias e na Cantábria, localizadas ao norte da península hispânica. Contudo, os muçulmanos foram em direção ao norte, onde foram derrotados pelos cristãos. A primeira batalha de que se tem notícia na região asturiana foi em 718 e pode ser considerada como o início da organização de resistência cristã na Península Ibérica. Num primeiro momento, distinguem-se dois núcleos: o de Cantábria e o de Astúrias. Este último foi onde se concentrou a resistência aos muçulmanos e, também, local de tradição monárquica.2

As primeiras notícias que os historiadores espanhóis encontram sobre as origens dos conflitos entre cristãos e muçulmanos, são confusas e contraditórias. No entanto, através das crônicas cristãs do século IX e das crônicas muçulmanas mais antigas, pode-se chegar a estabelecer alguns relatos com maior precisão. Da mesma forma, alguns escritores do século X, contam que o primeiro a reunir os fugitivos cristãos na Hispânia, depois dos árabes terem se apoderado da península no século VIII, foi o primeiro rei asturiano, chamado Pelayo (718-737).

Este rei cristão asturiano, juntamente com seu exército, derrotou os muçulmanos na batalha de Covadonga (monte na região asturiana). A situação dos muçulmanos foi complicada, considerando-se a dificuldade do acesso: tiveram um grande prejuízo com os soldados que estavam morrendo de fome. De modo geral, historiadores árabes não relatam com precisão esta derrota muçulmana, mas, em contrapartida, várias crônicas cristãs descrevem como ocorreu a batalha de Covadonga, considerando que a atitude de Pelayo nas Astúrias e, o êxito desta campanha militar em Covadonga, foi o início da resistência cristã na hispânia medieval no século VIII.

A situação de guerra é um estado permanente; o rei é chefe guerreiro, cujo prestígio depende em grande parte das suas vitórias militares.

Vários reis governaram com notável habilidade as Astúrias, originando uma dinastia cristã que se firmou com Afonso I, o Católico. O novo rei asturiano, com seu poder político guerreiro, resistiu vitoriosamente a uma ofensiva dos muçulmanos cordoveses. Desta forma, Afonso I aproveitou a ocasião para consolidar seu reino em Leão e Astorga, ocupadas pelos muçulmanos, ampliando assim os limites do reino cristão. Entretanto, Afonso I não tinha homens nem armas para ocupar tudo, destruiu fortalezas e povoados, levando para o interior das montanhas tudo quanto pudesse ser transportado e utilizado. Algumas destas terras do interior, que estavam pouco povoadas, receberam assentamento dos cristãos vindos da Meseta. O governo de Afonso I durou de 739 – 757.

A Crônica de Afonso III afirma que depois de enumerar as cidades que o seu antecessor, Afonso I teria conquistado, depois de haver exterminado todos os árabes que as ocupavam, trouxe os cristãos consigo para a sua pátria.

Em suma, no reino de Astúrias encontra-se o início de uma organização monárquica que visa reforçar seu poder militar, contra os muçulmanos do sul da Península Ibérica.


Autores clássicos como: Américo Castro, Angel Gonzáles Palencia, Ramón Menendez Pidal, Fray Justo Pérez de Urbel e Luis G. de Valveavellano analisaram este momento histórico através de uma ideologia positivista (contribuição ideológica).

recentemente, devido, sobretudo às cuidadosas investigações de José Angel García de Cortazar e de José Mattoso juntamente seus discípulos, foi possível começar a encontrar alguma base concreta sobre a documentação da região cantábrica. Foi então através destes autores contemporâneos (críticos) que analisaram o poder cristão no norte peninsular que a pesquisa melhor se desenvolveu.

BIBLIOGRAFIA



CASTRO, Américo. España en su Historia: cristianos, moros y judíos. Buenos Aires: losada, 1948.
GONZÁLES PALENCIA, Angel. Moros y cristianos en España medieval. Madrid: Estudios Historicos-Literarios, 1945.
MATTOSO, José. História de Portugal. Lisboa: Estampa, [?].
MENENDEZ PIDAL, Ramón. Eslabón entre la cristandad y el Islam. Madrid: Espasa-Calpe, 1977.
PÉREZ DE URBEL, Fray Justo. España Cristiana – comienzos de la Reconquista (711-1038). In: MENÉNDEZ PIDAL, Ramón. Historia de España. España Cristiana (711-1038). Madrid: Espasa-Calpe, 1956.
VALVEAVELLANO, Luis G. de. Historia de España: De los orígenes a la baja Edad media. Madrid: Bárbara Braganza, 1973.


1 MACÍAS, Santiago. Resenha dos factos políticos. In: MATTOSO, José. História de Portugal. Lisboa: Estampa,? p.443.

2 PÉREZ DE URBEL, Fray Justo. España Cristiana – comienzo de la Reconquista (711-1038). In: MENENDEZ PIDAL, Ramón. Historia de España. España Cristiana (711-1038). Madrid: Espasa-Calpe, 1956. p.21.





©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal