Congresso sul-americano de comunicaçÃo juan darrichón unasp campus 2 – sp 23 a 27 de Julho de 2003 definiçÕES



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CONGRESSO SUL-AMERICANO DE COMUNICAÇÃO







JUAN DARRICHÓN


UNASP - CAMPUS 2 – SP

23 A 27 de Julho de 2003



DEFINIÇÕES

Há duas décadas, uma definição comumente aceita para RELAÇÕES PÚBLICAS era a seguinte: “FAZER O BEM E INFORMAR ÀS PESSOAS O QUE FEZ.”

Vinte anos depois, em um mundo cada vez mais complexo, pode-se ver que esta definição também poderia ser aplicada aos métodos de demonstração e explicação no primeiro ano do ensino fundamental.

A compreensão nessa área exige uma análise mais profunda do termo e serão vistas aqui várias definições, pois é importante saber, com clareza, o que se entende por RELAÇÕES PÚBLICAS.



Uma das primeiras definições de Relações Públicas foi desenvolvida pela Public Relations News, no primeiro boletim de notícias semanal sobre esta atividade e tem resistido à prova do tempo e às mudanças ocorridas nesse campo.

John Marston, autor do livro Relações Públicas Modernas (New York – Mcgraw-Hil, 1979) adiciona duas palavras – “E COMUNICAÇÃO” – a essa definição e aparece entre parêntesis na seguinte declaração:

“As Relações Públicas constituem a função administrativa que avalia as atitudes do público, identifica a política e os procedimentos de uma organização de interesse público e executa um programa de ação (e comunicação) para ganhar a compreensão e a aceitação do público.

Nesta definição, notamos o seguinte:



  1. A responsabilidade da função de RELAÇÕES PÚBLICAS recai sobre a administração. O termo “administração” é usado em sentido geral para cobrir todos os tipos de administração e não somente de comercio; aplica-se também tanto a instituições e organizações lucrativas como não lucrativas.

  2. A função e o processo estão vinculados a um procedimento ordenado e o resultado final é uma definição que proporciona uma análise passo a passo das Relações Públicas em ação.

PRIMEIRO PASSO: Avaliação das atitudes do público.

SEGUNDO PASSO: Identificação da política e dos procedimentos de uma organização de interesse público.

TERCEIRO PASSO: Execução de um programa de ação e comunicação para provocar a compreensão e aceitação do público.

A seguir, as definições segundo alguns experts na área:



Byron Christian

Esforço consciente para estimular ou influenciar as pessoas, principalmente por meio da comunicação, para que julguem favoravelmente uma organização, respeitem-na, apóiem-na e lhe prestem ajuda nos momentos de transtorno e dificuldades.



Bertrand R. Canfield:

As Relações Públicas constituem uma filosofia da administração, expressada em planos e práticas que sejam de interesse público. Constituem também uma função da administração que aprecia a opinião pública, faz planos e promove meios de comunicação que tornem conhecidos ao público a política e as operações de uma instituição, para assegurar sua compreensão e boa vontade.



L. Salleron:

As Relações Públicas são, inicialmente, o conjunto dos meios utilizados pelas empresas para criar um clima de confiança em seu pessoal, nos meios com os quais entra em contato e, de modo geral, com o público, tendo em vista garantir a atividade que desenvolve. Em última análise, tem como objetivo adquirir, desenvolver ou manter uma boa clientela.



Raymond Miller:

As Relações Públicas são um cuidadoso estudo das causas e dos resultados da conduta humana.



Rex Harlow

As Relações Públicas são uma ciência e uma arte que estudam o árduo problema de como um indivíduo ou uma instituição podem coexistir com outros indivíduos e outras instituições.



Daniel Boomfiel:

As Relações Públicas constituem a gentil arte de permitir que outros indivíduos se acomodem à nossa própria trajetória.



Scott Cutlip e Alcen Centre em sua obra Efective Public Relations (Relações Públicas Eficazes) dizem que as Relações Públicas “são o esforço planejado para influenciar a opinião por meio de um bom caráter e uma execução responsável, baseados em uma comunicação em duas direções, mutuamente satisfatórias.”

A definição anterior define o processo de como um esforço planejado (e deixa no terreno da conjectura o saber quem é responsável por desempenhar a atividade), que utiliza a comunicação em duas direções para provocar o resultado final de influenciar a opinião. A frase “bom caráter” é estranha por ser um pouco vaga, já que geralmente se relaciona caráter com as pessoas, mais que com as organizações e porque a maioria pensa em Relações Públicas aplicadas às organizações. Por isso, os autores dessa definição vêem o bom caráter e a execução responsável como elementos essenciais para influenciar a opinião pública.

Em suas três definições do termo, a terceira edição do Webster´s New International Dictionary descreve as Relações Públicas desta forma:


  1. a promoção de simpatia e boa vontade entre uma pessoa, empresa ou instituição e outras pessoas, público especial ou a comunidade em geral, mediante a distribuição de material explicativo, desenvolvimento de intercâmbio amistoso e avaliação da reação pública;

  2. o grau de compreensão e boa vontade alcançado entre um indivíduo, organização ou instituição e o público;

  3. a arte ou a ciência de desenvolver a compreensão e a boa vontade recíproca.

O autor da definição de Relações Públicas que aparece no dicionário Webster visualiza primeiro o resultado final que se busca (a promoção de simpatia e boa vontade) e considera as partes implicadas como uma pessoa, empresa ou instituição, por um lado, e vários tipos de público do outro lado. O ponto de contato entre os dois grupos é alcançado de três maneiras: 1) mediante a distribuição de material explicativo; 2) desenvolvimento de intercâmbio amistoso (que denota uma aparente nostalgia pela boa vizinhança) e 3) avaliação da reação do público. A referência às Relações Públicas como uma arte ou ciência indica a polêmica muito difundida quanto a haver uma base científica para a atividade ou se a prática é uma obra de artesanato. A diferença da definição de Cutlip e Centre em relação às outras no dicionário Webster é de que não se faz menção da execução aceitável. Nenhuma das duas definições menciona algo a respeito da responsabilidade de desempenhar a função de Relações Públicas dentro de uma organização.

Assim, ao serem consideradas todas as definições anteriores, pode-se ver que nelas existe um enfoque implícito das Relações Públicas como um processo contínuo. A função é desempenhada ao avaliar as atitudes do público e ao comunicar a opinião desse público aos líderes ou à administração das organizações. A política e os procedimentos são comparados a essas atitudes e opiniões do público e, quando for necessário, essas políticas e procedimentos talvez devam ser substituídos ou modificados, se não estiverem de acordo com o interesse público. Então, os responsáveis pela função de Relações Públicas colocam em prática um programa planejado, que inclui a comunicação de ações e políticas do público de uma organização, para dar origem à boa vontade, ao entendimento e à aceitação.



RESUMO:

Ainda que as definições citadas anteriormente possam diferir-se em seu foco sobre certos elementos, todas elas têm muito em comum. De acordo com estas definições, as Relações Públicas abarcam os seguintes elementos:



  1. Um esforço planejado ou função administrativa.

  2. A relação entre uma organização e seus públicos-alvo.

  3. Avaliação das atitudes e opiniões do público.

  4. A política, procedimentos e ações de uma organização enquanto se relacionam com esses públicos.

  5. Os passos adotados para assegurar essa política, procedimentos e ações devem ser de interesse público e socialmente responsáveis.

  6. Execução de um programa de ação ou de comunicação, ou ambos.

  7. Desenvolvimento de simpatia, boa vontade, entendimento e aceitação como o principal resultado final que se busca com as atividades de Relações Públicas.

Estas definições dão a entender que as Relações Públicas constituem um processo dinâmico e contínuo, porém, raras vezes, a ordem em que são descritas. As pessoas que afirmam que as Relações Públicas são uma arte e não uma ciência, assinalam que as atividades e os programas de Relações Públicas não são realizados em uma situação controlada em laboratório e, sim, que ocorrem em situações da vida real entre variáveis que se alteram constantemente.

Um exemplo simples demonstrará porque a dinâmica de uma situação torna difícil ou impossível provocar uma reação de laboratório de causa e efeito na programação de Relações Públicas: O profissional “A” transmite uma mensagem cuidadosamente preparada, cuja intenção é a de acalmar os temores do público por causa do aumento de preços dos produtos da organização A. O profissional reenvia a mensagem aos meios de comunicação na forma de um comunicado de imprensa. No dia em que a mensagem deve ser distribuída ocorre um terremoto; há centenas de mortos e milhões de dólares de prejuízo.

A notícia do terremoto ocupa a primeira página dos jornais e a mensagem de esclarecimento enviada perde-se nas últimas páginas. Os desastres naturais não só sepultam pessoas e propriedades, como também todas as demais notícias.

TERMOS QUE SE CONFUNDEM COM RELAÇÕES PÚBLICAS

Como se trata de um conceito relativamente novo em comparação com algumas funções que já existem há mais tempo, as Relações Públicas confundem-se freqüentemente com propaganda, vendas, comercialização e promoção de produtos, imprensa e publicidade. As Relações Públicas, como já foi citado anteriormente, abarcam, às vezes, cada uma dessas áreas de atividade, assim, abrangem mais que cada uma individualmente.

A publicidade ocupa-se principalmente da venda de produtos, serviços ou ambos e implica no uso do espaço ou tempo pago nos meios de comunicação. A propaganda pode ser utilizada na fase de comunicação do processo de Relações Públicas, não para vender o produto de uma organização e sim para criar a imagem dessa empresa como uma entidade. A isto se costuma denominar “propaganda de serviço público” ou “institucional” e pode ser realizada juntamente com a propaganda do produto ou apenas ela. A publicidade, quando usada com fins de Relações Públicas, tem por objetivo “vender” (aplicando o termo em sua forma mais direta) uma organização, comunicar aspectos específicos das atividades de uma empresa ou emitir, por escrito, mensagens especiais que promovam a compreensão clara no público.

As vendas, a comercialização e a promoção de produtos ocupam-se diretamente da distribuição de venda de bens, serviços ou ambos. Em muitos casos, como os administradores não entendem muito bem a função, espera-se que as atividades e os programas de Relações Públicas tenham um efeito direto sobre a venda de bens, serviços, ou ambos também. Certamente, esta expectativa não está de acordo com o resultado final que se busca com as Relações Públicas: boa vontade, entendimento e aceitação. Além disso, o conceito de que a atividade de Relações Públicas deveria e pode ter um resultado direto sobre as vendas (promover o aumento das vendas) não é fraco e, sim, perigoso para que o profissional de Relações Públicas o proponha como tal. Por exemplo, seria possível esperar que os motoristas saiam de seu caminho normal para comprar a gasolina X, pelo fato de a companhia petrolífera X ter tomado medidas para reduzir a contaminação? Seria de se esperar que as mulheres comprem mais desodorantes Y porque a fábrica que os produz fez um esforço especial para contratar um maior número de mulheres em posições administrativas? Como se pode provar que a quantidade de dólares especificada em orçamento designado a combater a contaminação ou a empregar mulheres tenha dado lugar a um aumento específico nas vendas?

Sem dúvida, isto não quer dizer que as Relações Públicas não tenham nada a ver com as vendas, a comercialização e a promoção do produto. Ao contrário, o uso inteligente das Relações Públicas pode ser de grande ajuda nas três áreas, porém, na maioria das vezes, de maneira indireta. Como uma função de assessoria, designada a ajudar os departamentos e atividades de linha, as Relações Públicas podem contribuir, e de fato contribuem, para o aumento das vendas, a comercialização e a promoção do produto.

Em algumas organizações, grande parte das atividades de Relações Públicas dedica-se à promoção do produto, porém a meta essencial na maioria das empresas deveria ser o desenvolvimento de uma boa vontade, o entendimento e a aceitação. Ocorreria assim um aumento nas vendas de bens, de serviços ou de ambos, porém, de maneira indireta.



Agência de imprensa e publicidade são termos muitas vezes considerados sinônimos, porém, há algumas diferenças entre eles. A agência de imprensa interessa-se principalmente por captar a atenção mediante truques e sucessos imaginários (muitas vezes extravagantes) que induzem os meios de comunicação a fazerem uso deles. Ao pessoal da imprensa estão associados principalmente o mundo dos espetáculos e o campo do entretenimento, seja como representantes de organizações relacionadas com a área ou de pessoas que buscam manter seu status de celebridade em primeiro plano. A filosofia do cliente de jornalista ou pessoal da área talvez possa ser mais bem exemplificada pela forma como se expressou um deles: “Não me importa o que digam de mim, sempre e quando escrevem bem o meu nome.”

A propaganda, que é o que se poderia considerar muito bem como o VÁSTAGO mais legítimo da agência de imprensa, consiste em proporcionar informação, notícias e artigos sobre uma organização ou pessoas. Assim como a publicidade vende mercadorias, a propaganda vende idéias, ideologias e estilo de vida.



BASES DAS RELAÇÕES PÚBLICAS

A base científica fundamental das Relações Públicas constitui-se na Psicologia, na Psicologia Social e na Sociologia (bases psico-sociológicas). Podemos dizer, principalmente, que em Psicologia estudaremos o homem como indivíduo: seu caráter, sua personalidade, etc. Em Psicologia Social, estudaremos o mesmo homem quando se integra em um grupo e em Sociologia analisaremos os grupos quando se integram.

Estes conhecimentos vão nos possibilitar atuar em Relações Públicas convencendo e não vencendo. As boas Relações Públicas devem ter sempre em vista, primordialmente, o interesse dos demais, para depois conseguir o próprio interesse.

OBJETIVOS E EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES PÚBLICAS

Entre os problemas mais importantes que surgem em nossos dias, figura o das relações interpessoais. Os conflitos que se originam entre os seres humanos ocupam mais colunas dos jornais que todos os demais assuntos juntos. Indubitavelmente, a comunidade está construída sobre todo tipo de diferenças e todo grupo humano tem que resolver diariamente o problema de conciliar atitudes que permitam a coincidência de pontos de vista comuns. Não é novo, sem dúvida, o problema das Relações Humanas; e assim é o fato de que cada vez maior é o número de pessoas que reconhecem o problema e procuram buscar uma solução.

Com respeito à sua evolução, as Relações Públicas ainda não encontraram suas verdadeiras limitações. Com base na definição que nos foi dada, podemos ao menos assegurar que a compreensão do termo RELAÇÕES PÚBLICAS é superior ao das Relações Industriais, Relações com o Pessoal, Segurança, propaganda, publicidade, etc., porque não poderá haver Relações Públicas efetivas, enquanto aquelas não solucionem os problemas que lhes são próprios.

Esta é a razão pela qual se tem denominado as RELAÇÕES PÚBLICAS de FILOSOFIA DA ADMINISTRAÇÃO.



ALCANCE DAS RELAÇÕES PÚBLICAS

Tendo em vista todo o universo que abrange a definição de relaçÕES públicas, é evidente que todas as empresas ou instituições requerem e necessitam das idéias e das atividades de Relações Públicas ou do conjunto de departamentos da empresa para o seu constante e favorável desenvolvimento. Não obstante, esta última alternativa deve ser descartada, pois se perderia o objetivo concreto da atividade de Relações Públicas, já que passaria a ser em cada um dos distintos departamentos um objetivo secundário, subordinado ao objetivo principal de cada um deles.

Esta é a razão pela qual é necessária a criação de um DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES PÚBLICAS, pela importância que tem de centralizar tais atividades e eliminar qualquer perturbação que essas atividades possam criar no desenvolvimento normal do restante dos departamentos.

A centralização da atividade permite:



  1. Definir a responsabilidade.

  2. Fixar tarefas que aliviem o trabalho de outros setores.

O caráter do Departamento de Relações Públicas é o de PRESTAR SERVIÇO. Procura sempre melhorar a participação humana das empresas, sugerindo, orientando, informando e animando.

FUNÇÕES

As funções do Departamento de Relações Públicas, na verdade, estão relacionadas ao caráter universal que tem esta atividade dentro da empresa. Não obstante, podemos estabelecer quatro grandes atividades:



  1. Investigar e analisar a informação.

  2. Planejar as Relações Públicas de toda a empresa.

  3. Desenvolver as comunicações.

  4. Realizar a tarefa de Consultor da Direção Executiva da Empresa.

DEFINIÇÃO DA ÁREA DE ATIVIDADE

De tudo o que foi apresentado anteriormente, fica claro que não se pode nunca planejar nenhum trabalho promocional de Relações Públicas sem definir antes, claramente, o seguinte:



  1. Quais são as pessoas diretamente interessadas na operação do projeto.

  2. Se há outras pessoas que possam estar interessadas ou afetadas menos diretamente.

Com a grande complexidade da vida moderna, é cada vez mais difícil localizar qualquer transação destinada unicamente às pessoas que tenham relação direta com o assunto. O normal é que o número de pessoas interessadas aumente, além dos simples receptores de serviços ou produto a que se relacione.

A maioria dos problemas sobre os quais se pesquisa a opinião pública ou esta se manifesta espontaneamente, tem um caráter menos geral.



Granch Conclui:

  1. O “público” é um agrupamento de indivíduos que varia em proporção e forma de composição, cada vez que é examinado.

  2. Este corpo complexo pode subdividir-se mental ou analiticamente, de tal forma, que é possível realizar uma medição científica das opiniões sustentadas em cada uma das subdivisões.

  3. Os resultados dessa análise podem ser verificados em termos da totalidade do “público”, diante do qual se pode adotar a adequada atividade em matéria de Relações Públicas.

A opinião é simplesmente a expressão de uma atitude a respeito de um tema em controvérsia. A opinião implica na controvérsia ou na disputa, enquanto o fato significa a aceitação geral. O fato no qual uma pessoa crê pode representar apenas uma opinião para outra. A atitude é a forma em que se reage diante de uma situação ou proposição determinadas. Os termos “atitude” e “opinião” são empregados muitas vezes indistintamente, o que dá origem a interpretações equivocadas.

Wiebe disse: “As opiniões servem para ajustar as atitudes às exigências da situação social, porém, uma vez realizada tal adaptação, parece como se as opiniões se convertessem em componentes do processo, constante e gradual, da retificação das atitudes”.

A opinião expressa por uma pessoa representa a soma das atitudes pessoais sobre uma questão específica a debater, mesmo que esteja regulada pelo grau de interesse demonstrado por essa pessoa em relação à aprovação coletiva da opinião que manifestou.

A opinião pública é o resultado do agrupamento das diversas opiniões individuais sobre assuntos públicos. Os assuntos públicos são aqueles que afetam os grupos humanos e não apenas um indivíduo. O público é um grupo de indivíduos interessados nos mesmos assuntos. A opinião pública é a acumulação das opiniões individuais sobre um assunto que se debate publicamente e que afeta um grupo humano. E ao propor essa ampla definição, McCarmy estabelece três categorias principais:



  1. A opinião pública é, em seu sentido mais amplo, a vida de uma nação ou o que os sociólogos denominam a “cultura” de um povo.

  2. A opinião pública é a disposição de ânimo prevalecente de um povo ou pelo menos uma parte considerável deste.

  3. A opinião pública é o conjunto de opiniões individuais procedentes de um grupo humano, cuja atenção centraliza-se em um indivíduo, objetivo, preferência ou aversão comuns.

De acordo com E. L. Bernanys, ter a capacidade de influenciar na opinião pública exige conhecimento total do comportamento social e individual, assim como da comunicação humana; é lidar com os meios de transmitir uma mensagem à consciência do homem.

Ao dirigir-se aos diferentes públicos, o expert deve saber que os temas devem estar formados do conteúdo das investigações que previamente tenham sido realizadas. Por exemplo, quando se afirma que um povo é leal a certas crenças básicas, tais como a liberdade, a justiça e a igualdade, então estes devem ser os pontos aglutinantes ao se apelar à opinião pública desse determinado povo.

A ciência da semântica é também muito útil neste campo. As palavras são atalhos, diz Bernanys, que levam à compreensão humana, se bem que é preciso utilizar-nos eficazmente delas, dando-lhes significado e peso. Nunca será demais destacar que as palavras só são eficazes quando são respaldadas pelos atos.

Canfield afirmou que, do ponto de vista das Relações Públicas, o público é um grupo com um interesse comum. Uma opinião é o que alguém pensa ou crê a respeito de algo sujeito a uma controvérsia. Portanto, a opinião pública pode ser definida como o que um grupo de pessoas com interesses comuns pensa coletivamente a respeito de algo sujeito a controvérsias.

Uma parte do público está composta de pessoas que estão afetadas por uma empresa comum, com interesses similares e que estão conscientes de sua mútua dependência. Do ponto de vista das Relações Públicas de uma sociedade anônima, há vários setores importantes de público, incluindo clientes, empregados, acionistas provedores e distribuidores que têm um interesse comum e da qual dependem por questões de salários, dividendos, pedidos ou benefício. Do ponto de vista de uma organização de serviço social, sem fins lucrativos, os principais setores de público são os membros ou contribuintes, assim como os empregados, provedores e a comunidade em que a instituição opera. Uma organização comercial ou profissional inclui no seu público os seus membros e empregados. Cada um destes setores de público varia em quantidade, desde duzentos, trezentos e a milhares de pessoas.

OS PÚBLICOS DISTINTOS DE UMA COMUNIDADE

Um erro generalizado é considerar o público como um complexo massivo e monolítico. É absurdo pensar que 35 milhões de argentinos constituem uma unidade de cidadãos que não gastam dinheiro, não compram, não vendem nem emitem opiniões sobre os temas da atualidade e esperam nossa chegada para que os convertamos em opinião pública.

O povo ou a comunidade compõe-se de muitos públicos, de grupos de afinidade com interesses distintos, sem se organizarem, com suas preferências e aversões em matéria de música, modas, literatura, política, religião, etc., etc.

Uma olhada às preferências do consumidor é suficiente para se advertir quanto aos riscos que se correm ao preparar campanhas gigantes de publicidade, destinadas aos diversos públicos do país. Um produto que em S. Paulo tem sólida aceitação, em Cuiabá não recebe a menor atenção. Muitos dos fracassos das campanhas publicitárias e de Relações Públicas devem-se à suposição de que é possível moldar a opinião pública tomando como modelo, por exemplo, a própria cidade de S. Paulo.

Os esforços por nos comunicarmos de forma persuasiva com o grande público são, em geral, ineficazes e muitas vezes inúteis. O público, em sua totalidade, é complexo e heterogêneo. Dentro dessa massa existem públicos menores, que podem ser definidos e, portanto, podem ser influenciados.

Teoricamente, o numero de públicos diferentes equivale ao número de combinações de indivíduos dentro de uma comunidade. Porém, o número de públicos-alvo para uma determinada campanha é relativamente pequeno e manejável. Isto quer dizer que os públicos podem ter uma importância vital para o êxito ou fracasso de uma campanha.

Os meios que os indivíduos empregam para se transformarem a si mesmos em “públicos”, são diversos: meios políticos, partidos, meios religiosos, nas igrejas, meio social, entidades sociais distintas (clubes, ligas, etc.), meios econômicos, associações comerciais, sindicatos, agricultores e outros. Um indivíduo pode pertencer e pertence a diversos públicos simultaneamente. Assim, é perigoso querer classificar rigidamente o povo como “empregados”, “comerciantes”, “profissionais”, quando, em realidade, esse povo ou comunidade desempenha muitas funções. Antes de tudo, somos indivíduos. As pessoas que se aderem a muitos públicos dão estabilidade a essa força vital, A OPINIÃO PÚBICA.

Os cidadãos agrupam-se, separam-se, voltam a se reunir para formar públicos cujas opiniões sobre questões definidas são claras e específicas.

Quando queremos nos comunicar com os indivíduos de um grupo, os apelos aos interesses do grupo em uma situação específica darão resultados admiráveis e reveladores. Wilbur Schraam, diretor do Instituto de Pesquisas de Comunicação da Universidade de Illinois, disse: “As diversas funções que desempenhamos e os valores e atitudes que colocamos em jogo são determinados em grande medida pelos grupos a que pertencemos.” As relações que uma pessoa mantém com seu grupo constituem a base da maior parte das comunicações que essa pessoa transmite ou recebe.

O cidadão moderno tem muitos interesses. Pode ser, simultaneamente, eleitor, contribuinte, católico, maçom, conservador, membro do Rotary, comerciante, membro da Câmara de Comércio, empresário, pai, pescador e consumidor. Cada uma destas “inscrições de membro” exige uma lealdade particular. A importância da questão a ser resolvida determinará em cada caso a lealdade que deve prevalecer, mesmo que todas elas afetem as atitudes latentes do interessado. Em um dado momento, um indivíduo é um pedestre que atravessa a rua e repreende ou acusa “esses motoristas loucos”. Dali a pouco, dirigindo seu próprio veículo a caminho de casa, buzina a toda hora, reclamando “desses estúpidos pedestres que nunca olham por onde andam”. Ambos os papéis contribuem para formar a opinião do indivíduo a respeito das novas leis de trânsito. Por esta razão, podem entrar em conflito “as lealdades” de uma pessoa a determinados públicos a que pertence.

As pessoas também reagem como componentes de grupos não organizados. Alguns sociólogos descrevem-nas como “multidões”, outros como “massas”. Pode-se dizer que o “público” não organizado compõe-se de um número de pessoas que se interessam pela mesma coisa, ao mesmo tempo. É certo que sob as condições da sociedade moderna, o comportamento das massas adquire o mesmo tipo de exclamações de mocinhas encantadas, ao se verem diante de cantores e artistas de sucesso. Hoje em dia, pratica-se a publicidade massiva da produção massiva, para atrair a atenção das massas.

É por isso que as pessoas vestem os mesmos tipos de roupa, dirigem os mesmos modelos de carro, brilhantes e aerodinâmicos, e idolatram as mesmas estrelas do cinema e da televisão. A força da influência da “massa” é uma questão que provoca debates acalorados nos círculos intelectuais.

Certamente, esta influência é grande, tanto por estar ligada à opinião, como também aos costumes e valores.

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