Congresso sul-americano de comunicaçÃo juan darrichón unasp campus 2 – sp 23 a 27 de Julho de 2003 definiçÕES



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RELAÇÕES COM OS MEIOS



O PAPEL DOS MEIOS


Nos tempos antigos, quando a vida dependia muitas vezes do capricho de um rei, ser mensageiro real era um trabalho perigoso. O mensageiro que levava boas notícias era recompensado por seus esforços; o mensageiro que levava más notícias perdia a cabeça.

Hoje em dia, somos mais civilizados. Não decapitamos os mensageiros, porém, a todo o momento, estamos atacando-os. Os administradores modernos têm a tendência de contestar os mensageiros e os meios de comunicação de massa que transmitem as notícias do dia, em vez de lidar apenas com o conteúdo das mensagens que esses meios comunicam. Qualquer exemplar de jornal ou revista dá vários exemplos que comprovam esse ponto.

Quando os serviços de cabograma transmitem artigos a respeito da ineficiência governamental, os funcionários do governo afirmam que são vítimas de uma campanha orquestrada pelos meios de comunicação. Quando jornais de prestígio imprimem artigos sobre possível aumento de preços ou distribuição de subornos por representantes de campanhas americanas nos mercados estrangeiros, a reação do comércio interessado é a de acusar os meios de comunicação de serem a causa pela qual o público tem uma impressão negativa quanto ao comércio. Não são muitos os executivos capazes de reconhecer que deveriam interessar-se mais pelo conteúdo das mensagens e não pelos mensageiros.

A causa do problema reside no fato de que são muito poucos os executivos que compreendem o papel dos meios de comunicação de massa na sociedade americana. Em uma sociedade livre como a nossa, os meios de comunicação de massa são entidades independentes, cuja função principal é a de informar as notícias do dia, proporcionar entretenimento, refletir as mudanças culturais e, na coluna apropriada, fazer comentários e editoriais. No desempenho destas funções básicas, supõe-se que os meios são responsáveis, porém, a responsabilidade é difícil de medir; está aberta à interpretação e muitas vezes chega a ser incontrolável. Assim, encontramos diferenças de opinião sobre o papel e grau de responsabilidade dos meios de comunicação.



Um jornal publica um artigo na primeira página, onde informa que a maior companhia da cidade despediu um terço de seus funcionários (o que não havia sido anunciado antes) e pensa em despedir outro terço na semana seguinte.

Outro jornal da cidade publica um artigo similar sobre a redução do número de trabalhadores na companhia mais importante da cidade. A notícia é exata, breve e aparece em uma página interna do segundo caderno do jornal. Os executivos da companhia, ainda que não lhes agrade saber que o jornal publicou a notícia, estão satisfeitos de que este tenha demonstrado responsabilidade.

Até onde foram responsáveis os jornais mencionados e diante de quem deveriam ser responsáveis? É óbvio que há graves conseqüências econômicas quando a fonte mais importante de empregos de uma cidade despede uma parte considerável da sua força de trabalho. Transmitir tais notícias também traz suas conseqüências e mesmo que alguns críticos dos meios de comunicação venham a colocar em dúvida, a maioria dos editores são muito conscientes destas conseqüências quando tomam decisões sobre a cobertura e colocação de notícias. Portanto, é conveniente reconhecer que ainda que poucos administradores gostem de ler, ouvir, falar ou ver notícias negativas sobre suas organizações, a responsabilidade principal dos meios de comunicação de massa consiste em informar as notícias, sejam boas, más ou neutras.

Ao lidar com os meios de comunicação de massa, é necessário compreender essa responsabilidade principal dos meios. Algumas simples diretrizes poderão ajudar:


  1. Vivemos em uma sociedade cujos membros estão mais inclinados em interessar-se pelo conflito que pela harmonia. Não há nenhuma notícia quando uma companhia passa dez anos sem problemas de trabalho. Porém, começa a ser notícia quando se declara uma greve e os funcionários interrompem seu trabalho.

  2. A maioria das pessoas e a maior parte das empresas levam uma vida decente e respeitosa diante da lei. Isso nunca se torna matéria para uma notícia. Porém, quando alguém assalta um banco, quando se descobre que um executivo roubou a empresa, quando uma companhia transgrediu a lei, então haverá muitas notícias e os meios todos irão transmiti-las.

  3. Os serviços de cabograma de grande importância (AP, AFP, DPA, EFE, ANSA e UPI, entre outros) que fornecem o material noticioso em nível estatal, nacional e internacional que aparece nos meios cotidianos, tentam apresentar uma informação equilibrada das notícias, e isto é assim, especialmente quando o fato se refere a diferenças entre dois ou mais partidos ou grupos.

Sem dúvida, os meios não podem proporcionar um equilíbrio quando um partido não se presta a fazer comentários; isso acontece com demasiada freqüência quando as grandes organizações encontram-se em problemas. Em tais casos, os executivos não estão presentes quando os meios de informação desejam entrevistá-los.

Isto pode ser ilustrado claramente com o que aconteceu por ocasião da renúncia de Lee A. Iacocca, quando renunciou ao cargo de presidente da Ford Motor Company, em 13 de julho de 1978, depois de um problema que teve com Henry Ford II, presidente da comissão diretiva da companhia. Esse caso deu lugar a muitas notícias e comentários em todo o país e apareceu na primeira página de muitos jornais, inclusive no New York Times. Depois de dar a notícia na primeira página, o Times dizia que a renúncia havia acontecido depois de dois dias de acalorados debates entre os diretores da companhia.

O terceiro parágrafo do artigo deu uma boa ilustração da ausência dos líderes do comércio, quando os meios de comunicação têm que transmitir notícias de conflitos internos nas empresas:

Não foram encontrados nem o Sr. Ford nem o Sr. Iacocca para fazer a entrevista. A companhia anunciou a renúncia imediatamente e nem mesmo foi possível localizar os executivos de Relações Públicas em suas salas.

Que se deve fazer quando surge um grande conflito interno entre os altos executivos de uma organização? Não há respostas simples para isto. O silêncio talvez seja ouro. Certamente, não se comentem erros, mantendo a boca fechada. Porém, se você não pode ser localizado para entrevista, quando é óbvio que os jornalistas irão fazer perguntas, deve passar aos meios de comunicação as pessoas da área De Relações Públicas; elas são os melhores amigos dos meios quando as coisas vão bem, porém, quase nunca são encontradas quando as coisas vão mal. Ser esta regra verdade ou não depende do tipo especial de relação existente entre o profissional e os meios de informação. Essa relação e suas múltiplas faces serão tratadas na próxima seção.


UM CASAMENTO PARA O BEM OU PARA O MAL


Alguns matrimônios parecem ter sido feito no céu e outros no inferno, porém, a maioria deles parece existir em algum ponto intermediário entre os dois extremos. Na segunda categoria, poderia muito bem ser colocado o casamento obrigatório entre os profissionais de Relações Públicas e os meios de comunicação.

Os meios de comunicação, muitas vezes, referem-se às Relações Públicas em termos pejorativos. Ao passo que o jornalismo se considera uma atividade nobre, protegida pela primeira emenda da Constituição, as Relações Públicas são consideradas uma atividade menos ilustre, protegida apenas pelo engenho daqueles que praticam suas artes mágicas.

Os jornalistas vêem-se a si mesmos como escritores independentes, que só apresentam a verdade e que não têm obrigação com ninguém. Vêem os profissionais de Relações Públicas como instrumentos “alugados”, que processam a verdade para clientes e companhias invisíveis, que os contratam para enganar o público.

Como acontece com a maior parte das idéias, a realidade é obscurecida pelas lentes esfumaçadas, através das quais são filtradas as idéias. Quando são tiradas as lentes, a imagem fica clara.



  1. Há poucos jornalistas verdadeiramente independentes hoje em dia, que têm liberdade absoluta de escrever o que querem. No entanto, os jornalistas, sem dúvida, têm mais liberdade e são mais imparciais que os profissionais de Relações Públicas, pois estes últimos trabalham como defensores e os jornalistas não. Este sentido de liberdade para escrever, ainda que às vezes seja ilusório, permite ao jornalista zombar de seu “primo” nas Relações Públicas. O ato de zombar torna-se uma satisfação mínima para o jornalista, cujos rendimentos são muito menores que os do profissional de Relações Públicas, porém, de qualquer forma, tem nisso uma certa satisfação.

  2. Mesmo que o jornalista não queira reconhecer ou admitir, o jornal, a estação de rádio ou o canal de televisão para o qual trabalha é uma empresa comercial e, como tal, guiada por regras de campo não escritas, que afetam tudo o que é escrito. Quanto menor for a entidade (o jornal, a estação de rádio ou o canal de televisão), mais probabilidades haverá de que se apliquem regras de campo não escritas. Assim, ainda que os jornalistas sejam mais puros que os profissionais de Relações Públicas, sem dúvida, não são tão puros como afirmam ou imaginam ser. Ninguém gosta de enfrentar a verdade quando esta é uma realidade inferior à ilusão. Portanto, se o jornalista tem o prazer de considerar-se a si mesmo puro e vê o profissional de Relações Públicas como impuro, até se pode conceder-lhe este pequeno capricho.

  3. A realidade diz que o jornalista e o profissional de Relações Públicas devem conviver, apesar de suas diferenças. Se ao ler um jornal, ouvir os noticiários das estações normais de rádio e canais de televisão fossem eliminados deles os artigos que chegam de alguma forma de fontes de Relações Públicas, o produto final seria uma versão bem diminuída do original. Poderia até ser feito, porém, a um custo que os proprietários destes meios de comunicação não desejariam ou não seriam capazes de custear. Significaria mais pessoal, folha de pagamento maior e com pouco proveito. É por isso que os meios de comunicação devem usar o material, as idéias e a ajuda do profissional de Relações Públicas. Alguns meios utilizam grande parte do material, a ajuda e as idéias, e muitas vezes usam o material sem fazer as trocas editoriais. Outros meios usam parte do material, a ajuda e as idéias e, com freqüência, trocam o material no processo. Outros meios ainda utilizam o material de Relações Públicas parte do tempo; usam muito pouco material em outros momentos e sempre e realizam grandes trocas editoriais para o que empregam no final. Virtualmente, não há um meio de comunicação que não faça uso do material de Relações Públicas.

  4. No jogo do engenho entre os meios e o profissional, algumas regras são estabelecidas pelos meios e outras pelo profissional, porém, desafortunadamente, não há um livro de regras universais nem árbitros que resolvam as disputas. Talvez seja isso o que torna tão interessante o jogo entre os meios e a habilidade, imaginação e certa quantidade de sorte para julgá-lo. Veja estes exemplos:

  • Não é conveniente para os jornais que o mesmo artigo seja publicado em diferentes sessões. REGRA de procedimento: não mandar o mesmo artigo para editores de duas sessões distintas.

  • Os editores sabem muito bem quem faz anúncios em seus jornais e não gostam de receber lembretes a respeito disso por parte dos profissionais que querem ver publicados seus comunicados na imprensa. REGRA: Faça seus anúncios em todos os meios, porém não use a sua publicidade como chantagem.

  • Os profissionais que querem dar a todos os meios de comunicação a oportunidade de informar as notícias de forma simultânea, emitem um comunicado para que sejam informados dentro de uma data específica. Porém, os editores fazem, muitas vezes, pouco caso dessas restrições e alguns publicarão artigos antes da data especificada. REGRA: Fazer restrições quando for necessário, porém, não com muita freqüência.

  • Os profissionais têm a tendência de favorecer com melhores comunicados de imprensa os jornais de maior circulação, a fim de assegurar-se de que haverá uma exposição máxima. Par acalmar a ira dos jornais de pequeno porte, emitirão algum comunicado para eles, ocasionalmente. REGRA de procedimento: distribuir os comunicados, porém, partilhando-os.

À medida que se leva avante o jogo do engenho entre os meios e o profissional, o profissional experimentado reconhece que ele ganhará algumas vezes e perderá outras. Aprende com rapidez que prometer que uma matéria será transmitida, sem dúvida alguma, por um meio particular, equivale a fazer uma aposta de sorte. Todos os editores sabem que mesmo que ele e o profissional estejam unidos para o bem ou para o mal, na verdade, o profissional não é mais que um hóspede em sua casa. Felizmente para o profissional, o editor reconhece que se as coisas piorarem demasiadamente, ele poderá mudar-se ”para outra casa”, para outro meio onde será bem-vindo.

ALGUMAS REGRAS ELEMENTARES DE PROCEDIMENTO


Passei dois dias trabalhando nesta palestra. Era muito importante advertir nossos empregados de que, se não aumentassem a produtividade no trabalho, estariam em perigo. Custou muito dinheiro à empresa fazer parar o trabalho por uma hora para que eu pudesse falar a todos os empregados, sem descontar deles o tempo e fazer com que vissem a gravidade da situação. Elogiei-os por seu trabalho duro, ofereci provas da competência estrangeira, disse-lhes que todos devíamos trabalhar mais duro ainda. O que consegui com todos os meus esforços? O artigo principal em um jornal sensacionalista, que dizia que eu havia ameaçado os funcionários. Isso foi tudo o que consegui, apesar de todo o meu esforço.”

Comentário do chefe de operações

de uma empresa nacional,

depois de falar com os em pregados

em uma sede local.

Mais de 500 pessoas dedicaram incontáveis horas e esforço para a campanha deste ano. Conseguimos mais dinheiro do que nunca antes havíamos obtido e quase alcançamos nosso objetivo, com uma margem mínima. Não posso entender porque um jornal que depende da comunidade usaria uma manchete dizendo que a United Way não pode alcançar seu objetivo.”

Comentários do presidente da empresa,

de um programa local da United Way.

Quando tínhamos este importante anúncio sobre um produto novo, passamos por grandes problemas para colocá-lo nos canais de televisão locais. Em lugar de fazer o anúncio nos escritórios centrais da companhia em Chicago, organizamos uma reunião de imprensa, aqui mesmo em nossa sede, e demos à televisão tempo suficiente para que revelassem os filmes para apresentá-os no horário das notícias da noite. O que conseguimos? Nada, absolutamente nada. Disseram algo sobre os incêndios e um acidente automobilístico no qual pereceu uma família de seis pessoas.”

Comentário do vice-presidente comercial


de uma companhia nacional.

Três comentários selecionados de três fontes distintas tratavam do mesmo tema: não se pode confiar nos meios para que comuniquem as notícias como deveriam fazê-lo. Este protesto de executivos enfurecidos ouve-se diariamente em todo o país. O que significa, na verdade, é que há uma falta de compreensão das regras do jogo dos meios de comunicação. Como se pode notar, não há um compêndio universal de regras e alguns dos problemas se devem a isto. No entanto, os profissionais veteranos de Relações Públicas já aprenderam a jogar de acordo com as regras, sem necessidade de se ter um manual a respeito delas. Nesta sessão, tentamos estabelecer algumas regras de procedimento que devem ser dominadas, se o profissional quiser obter êxito no jogo dos meios de comunicação.



O espaço é limitado e o tempo inexorável

Só o New York times atrever-se-ia a afirmar que publica todas as notícias que valem a pena e inclusive a revista Times sabe que não pode manter um padrão impossível. Publicar um jornal diário e uma revista de notícias semanal; produzir um noticiário de meia hora; publicar uma revista mensal; emitir um noticiário via rádio de cinco minutos: cada uma dessas atividades requer um processo drástico de eliminação e condensação de informações. Os diamantes não são encontrados já lapidados, em sua forma natural. São o resultado final de um processo no qual entram toneladas de matéria bruta. As notícias que lemos em nossos jornais e que ouvimos pelo rádio ou pela televisão, são o resultado final de um processo similar de classificação e eliminação.

Este processo de eliminação é realizado de todas as formas. Todos os meios, sejam locais, regionais ou nacionais, recebem e processam muito mais notícias do que as que são realmente utilizadas. Aquilo a que denominamos “excesso de ocorrências” é uma inundação de notícias e de informação que invade as agências noticiosas da nação.

Sempre tem sido assim, porém, na atualidade, as exigências de espaço são muito mais rigorosas que antes. Principalmente por razões de custo e economia, o espaço noticioso num periódico de médio porte é limitado. Mais limitado ainda é no rádio e na televisão. Há apenas ao redor de 20 artigos noticiosos que integram os noticiários de meia hora da programação noturna e, assim mesmo, as maiores notícias não chegam a três minutos. Os artigos são reduzidos ao mínimo e na seção de notícias impera uma versão jornalística da teoria do darwinismo social, que conta com a sobrevivência do mais forte.

O darwinismo social diz que apenas os mais aptos e fortes de uma espécie conseguirão sobreviver. A versão jornalística desta teoria agrega uma dimensão temporal ao processo de sobrevivência. Significa tão somente que o artigo “A” pode ter mais valor como notícia que o artigo “B“, porém, se o artigo “A” chegar primeiro à sala da redação, pode ser que seja publicado e sobreviva ao processo de classificação, porque o artigo “B” chegou demasiado tarde para ser incluído.

Portanto, ao se lidar com os meios, devem ser levadas em conta as exigências de espaço e de tempo. Um jornal completo converte-se em um produto pronto num lapso de algumas poucas horas. As datas de entrega para os meios impressos e eletrônicos são inflexíveis. Tanto o jornalista como o profissional de Relações Públicas devem satisfazer a estas datas de entrega para poder sobreviver.


Os editores determinam o que será notícia


Os livros de texto para os jornalistas principiantes definem a notícia de diversas formas, porém, na verdade, cada editor determina o que deve ser notícia e o que não deve. Richard M. Detwiler, assessor de Relações Públicas, dá esta explicação:

A importância nas notícias só é importante no grau em que o editor pense que é importante; e o que o editor crê que é importante não é necessariamente importante.”

A explicação de Detwiler até parece ter sido tirada de “Alice no País das Maravilhas”, porém, tem sentido para qualquer editor e deverá ter sentido para qualquer profissional. Os editores determinam o valor da notícia com base nos longos anos de experiência em medir o que interessará a seus leitores. A maioria deles tem uma idéia muito clara do que interessará aos leitores, ouvintes e telespectadores, e há um grande consenso entre os editores sobre o tema. Uma das principais razões pela qual os antigos jornalistas manejam bem os meios é porque já se tornaram parte desses meios e compreendem a visão que têm os editores de notícias potenciais.

Há, no entanto, muitas variáveis que afetam a cobertura real e a publicação eventual das notícias. Por isso, é perigoso tentar predizer a forma como os editores individuais lidarão com uma notícia em potencial. Considere-se por exemplo, algumas destas perguntas:



  • Que dia da semana é? A mesma notícia terá um tipo de cobertura em um dia de notícias escassas e outro em um dia de muitas notícias.

  • Que hora é do dia? Se você organiza uma reunião de imprensa às 10h30, terá mais probabilidade de aparecer nas notícias da noite que se fizer a reunião às 16h30.

  • Contra que tipo de notícias você está competindo? Você pode ter uma notícia muito boa, que tenha valor em quase todos os aspetos, porém, se ao mesmo tempo aparecem outras notícias importantes, pode ser que a sua notícia não seja transmitida ou seja colocada apenas numa das páginas internas.

  • A sua notícia satisfaz aos padrões do meio? Se sua notícia está escrita de modo corrido e ocupa quatro páginas, não se surpreenda ao encontrá-la reduzida a três parágrafos. Se seu artigo contém matéria abstrata e não visual, não se surpreenda se a televisão não se interessar por ela.

  • Quanto custará ao meio a cobertura do evento? As viagens requerem tempo e dinheiro, assim, não espere cobertura se o evento é realizado distante da cidade.

Cada um dos pontos anteriores tem a ver com o mecanismo de cobrir e manejar as notícias em potencial. É essencial dominar este mecanismo para se obter êxito. Uma vez que se conheça esse mecanismo, haverá pelo menos a segurança de que os editores dêem atenção ao artigo. Imprimi-lo ou retransmiti-lo é outra questão, porém, aqui você terá pelo menos uma oportunidade.

Os meios devem ser cultivados


Se é verdade que cada editor determina o que é notícia e o que não é, então é conveniente conhecer cada um dos editores com quem você tem que lidar. O mesmo princípio é aplicável aos jornalistas-chave e àqueles que realizam trabalhos para os meios impressos e eletrônicos.

Se você tem o costume de enviar comunicações postais a centenas ou milhares de meios, é impossível conhecer pessoalmente todos os que manejam suas notícias. No entanto, como regra geral, cada profissional descobre que há um número limitado de meios e de pessoal nesses meios que têm importância especial para ele. Determinar quem são eles não é uma tarefa particularmente difícil.

PRIMEIRO PASSO: Decidir que público ou públicos são mais importantes para a sua organização.

SEGUNDO PASSO: Averiguar que meios são importantes para este ou estes públicos.

TERCEIRO PASSO: Determinar que jornalistas, editores e outras pessoas que trabalham para estes meios têm importância para você.

QUARTO PASSO: Procurar conhecer estes jornalistas, editores e outras pessoas.

A aplicação do processo anterior de quatro passos é uma questão individual para cada profissional. O processo é aplicável quer a pessoa trabalhe num departamento interno de Relações Públicas de uma organização ou como um assessor para clientes particulares.

Credibilidade não se obtém por acaso


Manejar as perguntas dos meios que colocam o profissional em situação difícil é uma das tarefas mais complicadas para o profissional de Relações Públicas. Estas perguntas não ocorrem todo dia, porém, acontecem com freqüência necessária para ser motivo de preocupação.

Têm uma importância especial se o profissional espera manter um relacionamento respeitoso com os meios. A credibilidade e a confiabilidade são os recursos principais do profissional. Se ele perder um ou ambos os atributos, ver-se-á em dificuldades.

Devem ser consideradas estas sugestões sobre o tipo de respostas a serem dadas aos meios ou o tipo de ação a ser empreendida quando o telefone chama e o jornalista já esboça algumas perguntas difíceis.

Não reaja com demasiada rapidez ou sem pensar na sua resposta cuidadosamente. Uma resposta rápida e mal planejada pode criar problemas. Você ganhará tempo para pensar e para obter uma resposta adequada, se perguntar ao jornalista qual deve ser a data de entrega e que promete comunicar-se com ele antes da data proposta.

Esta é uma reação muito própria de sua parte e em especial quando a pergunta se refere a um assunto sobre o qual você tem pouco ou nenhum conhecimento. Mesmo quando a pergunta refere-se a um tema que você já conheça, o tempo solicitado proporcionará a oportunidade de dar uma resposta adequada.

Sempre que for possível, tente antecipar-se às perguntas. Se você já trabalhou como jornalista ou se pode pensar como um jornalista, ainda que necessite de experiência nesse campo, poderá ser capaz de saber ou de perceber uma pergunta iminente sobre certos tipos de situação.

Se você puder antecipar-se à pergunta, será capaz de encontrar uma resposta apropriada antes que a pergunta seja formulada, e não quando tocar o telefone.

Visualize sua resposta como se já estivesse publicada ou retransmitida. Como muitos profissionais já aprenderam, para sua infelicidade, os jornalistas experimentados podem ter um dia de atividades com muito êxito, apenas utilizando alguns truques para evitar responder perguntas. As respostas, desde as mais simples às mais complicadas, terminam como uma “não resposta” à pergunta. Aí entra o simples “sem comentários”, e o mais complexo “não posso confirmar nem negar isso”. Outra variação da ausência de resposta é esta: “Estamos investigando o caso.” Uma quarta variação adota a forma do profissional desaparecido: “Fulano de tal está ausente”, ou “fulano de tal não se encontra aqui agora”, ou “fulano de tal está fora da cidade”. Às vezes há tantos profissionais que estão fora da cidade e com tanta freqüência em situações complicadas, que alguém pode até perguntar se existe uma convenção permanente de profissionais não localizáveis que se reúnem com regularidade para estar fora da cidade quando deveriam estar respondendo às perguntas dos meios de comunicação.

Porém, os jornalistas estão acostumados a estes truques e podem utilizá-los de tal forma que o profissional de Relações Públicas renuncie ao uso de uma “não resposta” quando a vê publicada ou ao ouvi-la e vê-la retransmitida. Uma só “não resposta” impressa ou retransmitida desperta a suspeita do público de que o profissional está tentando ocultar algo. O profissional pode ganhar, em curto prazo, porém, em longo prazo, o profissional que se omite e não responde às perguntas, perde a credibilidade e dá lugar a uma rápida deterioração em suas relações com os meios.

Manter-se em dia


O profissional de Relações Públicas de sucesso, que afirma ser um expert no que se refere a tratar com os meios, deve manter-se em dia. Como se disse anteriormente, ler, ouvir e olhar são instrumentos essenciais para o profissional. Pode-se aprender mais sobre as necessidades, os desejos e os interesses dos meios ao estar sempre a par destes. Você pode obter conhecimentos de primeira mão sobre as publicações de caráter geral, comercial e especializado, ao lê-las. Um conhecimento similar de primeira mão sobre o rádio e a televisão pode ser obtido ao ouvir e assistir aos programas destes meios de comunicação.

Entretanto, como simplesmente não há bastante tempo durante o dia de trabalho, ou nas horas da noite para se inspecionar todos os meios, ou mesmo uma fração destes, o profissional deve depender das publicações especializadas, que se dedicam às notícias sobre os meios de comunicação e sobre o campo das Relações Públicas. Richard Weiner, assessor veterano em Relações Públicas, elaborou uma lista de boletins e de publicações semanais, mensais e trimestrais, de particular importância para os profissionais de Relações Públicas.


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