Conquistas históricas marcam a 11ª ediçÃo da cineop



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11ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

22 a 27 de junho de 2016




CONQUISTAS HISTÓRICAS MARCAM A 11ª EDIÇÃO DA CINEOP



Entrega do Plano Nacional de Preservação e avanço de diálogos
entre cinema, TV e educação foram destaques do evento

Num momento de efervescência política no cenário brasileiro, a 11ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto foi impregnada de sentidos e sentimentos de âmbito nacional, em todas as suas frentes de atuação: a Preservação, a Educação e a Memória do audiovisual. Se algo pode ser primeiramente destacado dos 22 debates realizados ao longo de seis dias de evento – com a participação de 67 convidados no centro dos mesas nacionais e internacionais durante o 11º Seminário do Cinema Brasileiro: Fatos e Memória, do Encontro Nacional de Arquivos e do Encontro da Educação: VIII Fórum da Rede Kino –, é o de que as três frentes centrais à mostra se conectaram de forma coesa e enriquecedora.


“Conquistas importantes e históricas foram registradas nesta edição do evento, reafirmando a CineOP como fórum de discussões, encontros, diálogos, e encaminhamento de ações que refletem os anseios do setor da preservação, da educação, para a salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro a favor da nossa memória e identidade nacional”, afirma Raquel Hallak, coordenadora geral da CineOP e diretora da Universo Produção.
Sob o tema “Cinema, TV e Educação em Tempos de Compartilhamento”, a Temática Educação colocou no centro das mesas a hipertecnologização da produção audiovisual e as formas como o fenômeno pode ser bem aproveitado no ensino de cinema nas escolas. Dezenas de projetos foram apresentadas, tanto de difusão, como os cineclubes, quando de realização dos próprios alunos. “As imagens que os estudantes, em parceria com professores, funcionários e pais, têm produzido nas escolas são páginas preciosas da história audiovisual educativa brasileira”, diz Adriana Fresquet, curadora da Temática Educação.
Em 2016, Fresquet percebeu maior participação de outros Estados e a alteração de um perfil até então mais acadêmico para um perfil comunitário na Rede Kino. “Sentimos um crescimento tanto na quantidade quanto na qualidade dos projetos exibidos e também a ampliação da presença de diferentes estratos e instâncias”, afirma ela. “A entidade nasceu fundamentalmente com quatro professoras universitárias e hoje encontramos cineclubistas, produtores, estudantes da educação básica, cozinheiras de uma escola... O perfil da Rede Kino está se abrindo para além da academia.”
Para Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), há muitos desafios e limites a serem ultrapassados, mas também enormes possibilidades em diversas frentes. “Uma delas é o digital, que permite que os aparelhos nas mãos de milhares de pessoas sejam usados e apropriados para a produção. É o trabalho de dar voz àqueles que ainda não a têm, ou seja, se apropriar das tecnologias e fazer cinema, televisão, vídeo e educação”, destacou.
Um ano depois da promulgação da Lei 13006/14, que obriga a exibição de filmes brasileiros nas escolas, o assunto retornou à pauta. Uma das preocupações de professores surgiu na mesa dedicada aos direitos autorais. Rafael de Luna Freire, professor na UFF (RJ), questionou os advogados presentes no debate em relação a mostrar filmes durante aulas ou cineclubes estudantis. “O direito autoral é essencial, ele é o elemento de preservação do item humano da cadeia produtiva da indústria criativa”, disse Cláudio Lins de Vasconcelos, frisando que é dever do Estado adquirir o material audiovisual a ser apresentado nas salas de aulas, assim como é feito com livros didáticos. “Se você exibe aos seus anos um filme baixado da internet, você está cometendo uma infração”, respondeu Lins.
A questão da Lei 13006 /14 é apenas um ponto de dúvida dentre vários outros que ainda circulam nas conversas sobre o audiovisual nas escolas. Uma preocupação ainda maior no momento é a interrupção de diversas políticas e projetos em andamento por conta das mudanças recentes de governo. Com a instabilidade recente do Ministério da Cultura, ainda não se tem a clareza dos procedimentos a serem adotados, conforme se notou em debates durante a CineOP.
MEMÓRIA

Na Temática Preservação, o grande destaque foi o lançamento do Plano Nacional de Preservação Audiovisual, considerada uma conquista da sociedade civil organizada. Após uma década de conversas a respeito, o texto se fixou em conformidade ao Plano Nacional de Cultura (PNC), especialmente em questões relativas a patrimônio cultural e direito à memória. Novamente a grande preocupação a rondar as mesas do Seminário era a incerteza dos rumos políticos do país. “Não contávamos com uma ruptura institucional a essa altura”, disse o curador Hernani Heffner.


Para Laura Bezerra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Preservação Audiovisual), o momento é de resistência. “Apesar de tudo que está acontecendo, não podemos desanimar. Passamos anos articulando este plano e agora ele está em risco, já que estamos presenciando o desmonte de toda uma série de políticas desenvolvidas até aqui. Mesmo assim, precisamos seguir com nossos encaminhamentos”. O plano conta com pontos centrais (Diagnóstico, Objetivos e Ações e Metas) e descreve detalhadamente as principais demandas e movimentos que o setor propõe ao Estado para agir o quanto antes nos trabalhos de preservação.
Como anualmente é feito, a Carta de Ouro Preto foi elaborada apontando a necessidade de manutenção dos projetos e das políticas mais urgentes a serem implementadas, especialmente a partir da entrega do Plano Nacional de Preservação. A ABPA votou ainda sua nova diretoria. Carlos Roberto Rodrigues de Souza (presidente) e Paloma de Melo e Silva Rocha (vice-presidente) vão encabeçar a entidade.
Sob o tema Arquivos de Televisão, as reflexões sobre as mudanças e desafios para o patrimônio audiovisual na era digital vieram através da identificação de elementos e processos a serem considerados para a concepção e planejamento de um projeto abrangente de gestão de fundos audiovisuais na TV. Duas mesas reuniram representantes de emissoras brasileiras comerciais e independentes para apresentarem suas ações de preservação. O que ficou clara é a inexistência de um viés em comum que garanta a continuidade de imagens e sons produzidos originalmente para serem efêmeros e descartáveis, mas que guardam parte significativa da memória audiovisual do país.
Nesse sentido, a programação de filmes se conectou ao tema ao exibir um “Globo Repórter” de 1977 (Retrato de Classe, de Gregório Bacic) e três episódios do seriado O Vigilante Rodoviário, produzidos nos anos 1960 e preservados pelo filho do produtor Ary Fernandes, Fernando Fernandes. Entre a ficção de um programa e o documentário em outro, em comum está a televisão, caracterizada pela velocidade com que produz e descarta seus materiais. “É preciso ser tão básico quanto abrangente ao se pensar nos métodos para arquivar esse material de TV. A cultura e o acesso são direitos da sociedade”, frisou Hernani Heffner.
Em paralelo às discussões da Temática Preservação, a homenagem ao restaurador Chico Moreira relembrou a memória de um pioneiro do setor no país. Dois longas-metragens montados por Chico compuseram a programação: Jango (1984), de Silvio Tendler, e Lost Zweig (2002), de Sylvio Back.
HISTÓRIA
O outro homenageado da CineOP, o cineasta Eduardo Coutinho, dentro da Temática Histórica, teve exibidos diversos de seus documentários. Um deles, o enigmático Um Dia na Vida (2009), teve uma mesa toda dedicada à sua realização e significados. João Moreira Salles, produtor de Coutinho, revelou diversos detalhes e aspectos da personalidade do cineasta, morto em 2014, e leu trechos de seus cadernos de anotações. Salles contou que Um Dia na Vida, que se utiliza de imagens gravadas de programas e publicidades da TV aberta brasileira, é um exercício de reapropriação e reconfiguração de materiais.
“Quando você tira uma coisa de seu lugar de origem e a coloca num outro ambiente, essa coisa muda de relação”, comentou. Salles revelou o plano de Coutinho de reencenar alguns dos programas incluídos no filme, mas acredita que ele desistiu da ideia ao pensar que seria impossível superar a própria natureza do material original.
O Coutinho relembrado na CineOP, conforme explicou o curador Francis Vogner dos Reis é aquele da transição da ditadura à democracia, tão simbolizado por Cabra Marcado para Morrer (1984), filme de abertura do evento. “O filme resgata um fato social e artístico silenciado pelo golpe de 1964 e se aplica a organizar uma experiência de clandestinidade e interdição”, diz Francis.
Outros títulos essenciais – e pouco lembrados como tais – relativos ao período de Abertura política foram apresentados ao público do Cine Vila Rica em cópias restauradas ou em bom estado de conservação. Foram os casos de Eles não Usam Black-tie (1981), de Leon Hirszman, A Próxima Vítima (1983), de João Batista de Andrade, e Extremos do Prazer (1983), de Carlos Reichenbach, três das mais celebradas atrações da mostra. Para o professor João Luiz de Vieira, participante do debate “Os Deserdados da Nova República”, existe uma fissura a assombrar estes e outros filmes realizados no pós-ditadura. “São todos projetos que apresentam figuras fantasmagóricas do trauma social e histórico brasileiro”, afirma.
Essa fantasmagoria detectada por João Luiz Vieira apareceu também em filmes contemporâneos exibidos na mostra, tais como Crônica da Demolição, de Eduardo Ades, que olha para o centro do Rio de Janeiro como um espaço de esvaziamento social e afetivo marcado por acontecimentos do passado; ou Sem Título #2: La Mer Larme, de Carlos Adriano, que resgata fragmentos de imagens do século XIX para se conectar às dores da morte ocorrida no tempo presente. No total, em seis dias de realização, a 11ª CineOP exibiu 91 filmes (19 longas, 7 médias e 65 curtas, 42 deles realizados em contexto escolar) em 34 sessões, entre pré-estreias e retrospectivas, divididos em várias mostras temáticas: Contemporânea, Preservação, Histórica e Educação.
Entre a sala de cinema, a sala de aula e a sala de preservação, a Mostra de Cinema de Ouro Preto reforça a cada ano o seu caráter pioneiro e único de se atentar ao Cinema Patrimônio conjugando todas as camadas necessárias para que o audiovisual seja compreendido, na sua totalidade, como instrumento poderoso de resistência, conquista, aprendizado e choque estético. Tudo ao mesmo tempo – o tempo de agora.

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Serviço:
11ª CINEOP - MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

22 a 27 de junho de 2016


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