Construindo o conhecimento pela pesquisa



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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA - URCAMP CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CAÇAPAVA DO SUL

CENTRO DE CIÊNCIAS DA ECONOMIA E INFORMÁTICA

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

METODOLOGIA CIENTÍFICA II
Prof. Esp. Elcio da Rosa Lima

CAÇAPAVA DO SUL, RS - 2009

Baseado na Obra

CONSTRUINDO O CONHECIMENTO PELA PESQUISA

Orientação básica para elaboração de trabalhos científicos.

de

Alzira Elaine Melo Leal e Carlos Eduardo Gerzson de Souza



1 - A PESQUISA E SUAS CLASSIFICAÇÕES

A Metodologia tem como função introduzir o acadêmico na temática da construção, sistematização e comunicação do conhecimento, de maneira a prepará-lo para participar do processo de produção científica, mostrando-lhe como trilhar o caminho da pesquisa, ajudando-o a refletir e o instigando a um novo olhar sobre o mundo: um olhar curioso, indagador e criativo.


A elaboração de um projeto de pesquisa e o desenvolvimento da própria pesquisa seja ela uma monografia, dissertação, tese, ou até mesmo um artigo, necessitam, para que seus resultados sejam satisfatórios, estar alicerçados em planejamento cuidadoso, em reflexões conceituais sólidas e fundamentados em conhecimentos já existentes.
Pesquisar é um trabalho que envolve um planejamento semelhante ao de um engenheiro. Ao elaborar uma planta, este precisa saber o que quer fazer, obter os dados, assegurar-se de que possui os materiais necessários e cumprir as etapas requeridas no processo. Um projeto será satisfatório na medida do envolvimento do pesquisador no ato de construir e no emprego de suas habilidades técnicas em sua execução. O sucesso de uma pesquisa também depende do procedimento seguido, do envolvimento com a pesquisa e da habilidade de escolher o caminho para atingir os objetivos propostos.
A pesquisa é um trabalho em processo não totalmente controlável ou previsível. Adotar uma metodologia significa escolher um caminho. O percurso, muitas vezes, requer ser reinventado a cada etapa. Precisa, portanto, não somente de regras e sim de muita criatividade e imaginação.


    1. – O QUE É PESQUISA?

Esta pergunta pode ser respondida de múltiplas formas:


- Pesquisar significa procurar respostas para as indagações propostas;
- É a investigação ou busca minuciosa para averiguação da realidade;
- É o estudo sistemático de um determinado campo do conhecimento, cuja finalidade é a descoberta de algo novo, ou a ampliação de dados já registrados na literatura;
- É a atividade cotidiana, um questionamento sistemático, crítico e criativo, em diálogo permanente com a realidade em sentido teórico e prático;
- É um processo formal e sistemático de desenvolvimento do método, com o objetivo fundamental de descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos;
Logo, conclui-se que pesquisa é um conjunto de ações propostas para encontrar a solução para um problema, e têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se têm informações para solucioná-lo.
Resumindo, pesquisa é um conjunto de investigações e operações que objetiva descobrir novos conhecimentos ou melhorar e aprimorar conhecimentos já existentes.


    1. – CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de classificação são apresentadas a seguir:




      1. Quanto à natureza


Pesquisa Pura, Básica ou Teórica - Objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Não tem por finalidade a utilização prática, mas contribui para o avanço do conhecimento da teoria estudada. Ex.: A origem do Universo.
Pesquisa Aplicada ou Prática - Busca gerar conhecimentos para aplicação prática e dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. Portanto, é desenvolvida tendo–se em vista sua utilização. Ex.: A busca de uma vacina contra a AIDS.
Ao contrário do que se pensa, a pesquisa aplicada depende da pesquisa pura, de natureza teórica. Sem o desenvolvimento de conhecimento conceitual avançado pouco se pode fazer para transformar este saber em uma determinada aplicação tecnológica demandada pela sociedade.


      1. Quanto à forma de abordagem do problema


Pesquisa Quantitativa - Considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e técnicas estatísticas (porcentagem, média, mediana, desvio-padrão, coeficientes de correlação, análise de regressão, etc.).
A pesquisa quantitativa é mais adequada para apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utiliza instrumentos estruturados (questionários). Deve ser representativa de um determinado universo de modo que seus dados possam ser generalizados de projetados para aquele universo.
A pesquisa quantitativa permite dimensionar mercados, conhecer os perfis demográficos, sociais e econômicos de uma população, entre outras possibilidades; realizada a partir de entrevistas individuais, apoiada em um questionário impresso ou eletrônico, é conduzida por um entrevistador ou através de autopreenchimento.
Em todo pesquisa quantitativa, sem exceção, torna-se necessário calcular a margem de erro para o grau de confiança que se pretende. Assim, o cliente pode tomar as suas decisões com a segurança desejada.

Pesquisa Qualitativa - Considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição dos significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Ela não requer o uso de métodos de técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para a coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva e os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem.
A pesquisa qualitativa, que envolve ouvir as pessoas, o que elas têm a dizer, explorando suas idéias e preocupações sobre determinado assunto, analisa os temas em seu cenário natural, buscando interpretá-los em termos do significado assumido pelos indivíduos. Para isso, utiliza se uma abordagem holística que preserva a complexidade do comportamento humano.


1.2.3 – Quanto aos Objetivos
Pesquisa exploratória - Visa proporcionar maior familiaridade com o problema objetivando torná-lo explícito ou construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiverem experiências práticas com o problema pesquisado, análise de exemplos que estimulem a compreensão.
A pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, visando à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores.
Embora o planejamento da pesquisa exploratória seja flexível, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou estudo de caso.
Na maioria das vezes, a pesquisa exploratória constitui a primeira etapa de uma investigação mais ampla. Quando o tema é bastante genérico, torna-se necessário seu esclarecimento e delimitação, o que exige revisão da literatura, discussão com especialistas e outros procedimentos. O produto final desse processo passa a ser um problema mais esclarecido passível de investigação mediante procedimentos mais sistematizados.


Pesquisa Descritiva – Busca descrever as características de determinada população, ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis.
Na pesquisa descritiva, os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira sobre eles. Isso quer dizer que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não são manipulados pelo pesquisador.

Podem-se citar, como exemplos, aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental; as que se propõem a estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade, as condições de habitação de seus habitantes, o índice de criminalidade; aquelas que têm por objetivo levantar opiniões, atitudes e crenças de uma população, bem como descobrir a existência de associações entre variáveis, como por exemplo, as pesquisas eleitorais que indicam a relação entre preferência político-partidária e nível de rendimento e/ou escolaridade. Uma das características mais significativas da pesquisa descritiva é a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática.




Pesquisa Explicativa – É mais complexa porque, além de registrar, analisar, classificar e interpretar os fenômenos estudados, tem como preocupação central identificar seus fatores determinantes. Este tipo de pesquisa é o que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porquanto explica a razão, o porquê das coisas e, portanto, está mais sujeita a erros. São os resultados das pesquisas explicativas que fundamentam o conhecimento científico.

A maioria das pesquisas explicativas utiliza o método experimental que possibilita a manipulação e o controle das variáveis, no intuito de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável dependente, ou o fenômeno de estudo.



1.2.4 – Quanto aos procedimentos técnicos
Pesquisa Bibliográfica – É aquela elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente material disponibilizado na Internet.
Consiste em apresentar e comentar o que outros autores escreveram sobre o tema, enfatizando as diferenças ou semelhanças que existem entre os conceitos. É comum e mesmo desejável aparecerem citações literais de autores que falam sobre o assunto. As citações devem seguir as regras propostas pela ABNT.
A pesquisa bibliográfica constitui-se do ato de ler, selecionar, fichar, organizar e arquivar tópicos de interesse para a pesquisa em pauta. É a base para as demais pesquisas e pode-se dizer que é uma constante na vida de quem se propõe a pesquisar.

Pesquisa Documental – Como o próprio nome diz, elabora-se através de materiais que não receberam tratamento analítico. (documentos em geral).
A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica utiliza-se fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto, enquanto a pesquisa documental utiliza-se de documentos de primeira mão, tais como documentos conservados em órgãos públicos e instituições privadas.

Pesquisa Experimental – É aquela em que se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.
A pesquisa experimental procura entender de que modo, ou por que causas, o fenômeno é produzido. Para atingir os resultados, o pesquisador usa aparelhos e instrumentos que a técnica moderna coloca ao seu alcance, lança mão de procedimentos apropriados e capazes de tornar perceptíveis as relações existentes entre as variáveis envolvidas no objeto de estudo.

Estudo de Caso – O estudo de caso não é uma técnica específica. É uma análise intensiva de uma situação particular.
A preferência pelo uso do Estudo de Caso deve ser dada onde é possível fazer observações diretas e entrevistas sistemáticas.
Caracteriza-se pela capacidade de lidar com uma completa variedade de evidências tais como: dados, documentos, artefatos, entrevistas e observações, e mediante comparação baseada na pesquisa bibliográfica, permite traçar um diagnóstico, dar um parecer, tirar uma conclusão.


Pesquisa Ex-post-facto. (a partir do fato passado) – Significa que neste tipo de pesquisa o estudo é realizado após a ocorrência de variações na variável dependente no curso natural dos acontecimentos.
O objetivo principal dessa modalidade de pesquisa é o mesmo da pesquisa experimental: verificar a existência de relações entre variáveis. Seu planejamento também ocorre de forma bastante semelhante. A diferença mais importante entre as duas modalidades desta no fato de que, na pesquisa ex-post-facto, o pesquisador não dispõe de controle sobre a variável independente que constitui o fator presumível do fenômeno, porque ele já ocorreu. O que o pesquisador procura fazer neste tipo de pesquisa é identificar situações que se desenvolveram naturalmente e trabalhar sobre elas como se estivessem submetidas a controles.
Apesar das semelhanças com a pesquisa experimental, o delineamento ex-post-facto não garante que as conclusões relativas a relações do tipo cauda-efeito sejam totalmente seguras.

Pesquisa-Ação – Quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
No processo da pesquisa-ação, os pesquisadores devem recorrer a métodos e técnicas de grupo para lidar com a dimensão coletiva da investigação, além de técnicas de registro, de processamento e de exposição dos resultados.
Portanto, deve ser preocupação dos pesquisadores a pesquisa teórica, a organização de seminários, a seleção de métodos e das técnicas de pesquisa de campo, a organização dos instrumentos, a aplicação dos instrumentos, o cotejar do saber formal dos especialistas com o saber informal dos usuários.

Pesquisa Participante – É a pesquisa que se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas.
Alguns autores apresentam pesquisa-ação e pesquisa participante como sinônimos. Entretanto, enquanto que a pesquisa ação é especialmente centrada na ação, a pesquisa participante esta comprometida com a redução da relação entre dirigente e dirigidos, logo, centra-se nas relações político-sociais que abrem o espaço para a participação.
A pesquisa participante envolve, além da participação e observação direta, a análise documental, a entrevista, enfim, todo um conjunto de técnicas metodológicas que abrem espaço para o envolvimento dos participantes no processo de investigação.



    1. – O PLANEJAMENTO DA PESQUISA

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas exigências científicas. Para que o estudo seja considerado científico deve-se obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetivação. Para a realização de uma pesquisa científica é imprescindível:




  1. A existência de uma pergunta que se deseja responder;

  2. A elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta;

  3. A indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida.

O planejamento de uma pesquisa depende basicamente de três fases:


- Fase decisória – refere-se à escolha do tema, à definição e à delimitação do problema de pesquisa;
- Fase construtiva – volta-se para a construção de um plano de pesquisa e à execução da pesquisa propriamente dita;
- Fase redacional – envolve-se com a análise dos dados e informações obtidas na fase construtiva. É a organização das idéias de forma sistematizada visando à elaboração do relatório final. A apresentação do relatório de pesquisa deve obedecer às formalidades requeridas pelo meio acadêmico.
Realizar uma pesquisa com rigor científico pressupõe que você escolha um tema e defina um problema para ser investigado, elabore um plano de trabalho e, após sua execução operacional, escreva um relatório final e este seja apresentado de forma planejada, ordenada, lógica e conclusiva.

2 - MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO

2.1 – MÉTODO CIENTÍFICO


A pesquisa científica fundamenta-se em três pressupostos básicos:


  1. Epistemologia (Estudo do conhecimento) – grau de certeza do conhecimento científico é a âncora do fato ou fenômeno a ser investigado, a partir do corpo teórico existente, no qual se incluem subsídios advindos das diversas áreas do conhecimento com suas leis científicas, teorias, axiomas, princípios, escolas, correntes, etc.;




  1. Procedimentos – representando a metodologia, o caminho a ser percorrido para se atingir os objetivos previamente estabelecidos;




  1. Aspectos de normalização – de que trata a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com suas diversas NBRs, e dos requisitos da língua portuguesa, caracterizando-se o texto pela objetividade, clareza, coesão, consistência, imparcialidade.

Método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que devem ser empregados na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico.

2.2 – TIPOS DE MÉTODOS
Entre os tipos de métodos mais comumente usados em trabalhos acadêmicos, citam-se: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético, histórico, comparativo, fenomenológico e outros.
2.2.1 – Indutivo
Galileu foi o precursor desse método através do qual se chega a uma lei geral por intermédio da observação de certo número de casos particulares. A indução é um método válido, porém não é infalível.
Apesar das grandes discussões levantadas no século XIX sobre o assunto, a indução é o método científico por excelência e, por isso mesmo, é o método fundamental das ciências naturais e sociais. Eis um exemplo de método indutivo:
Terra, Marte, Vênus e Júpiter são desprovidos de luz própria.

Ora, Terra, Marte, Vênus e Júpiter são todos planetas.

Logo, todos os planetas são desprovidos de luz própria.
No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações.

2.2.2 – Dedutivo
O método dedutivo leva o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro; por outro lado, é de alcance limitado, pois a conclusão não pode exceder as premissas.
A dedução é um recurso metodológico em que a racionalização ou combinação de idéias em sentido interpretativo vale mais do que a experimentação. Pode-se dizer que é o raciocínio que caminha do geral para o particular. Exemplo de método dedutivo:
Todo mamífero tem um coração.

Ora, todos os cães são mamíferos.

Logo, todos os cães têm um coração.
Os dois tipos de métodos até aqui esboçados têm funções diversas, no dedutivo busca-se explicitar o conteúdo das premissas; no indutivo procura-se ampliar o alcance dos conhecimentos.

2.2.3 – Hipotético-dedutivo
É o método que se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo de inferências dedutivas, testa-se a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipótese.

“(...) desencadeia-se a partir da percepção de uma lacuna nos conhecimentos científicos produzidos em uma determinada área até aquele momento, em função da qual se formula novas hipóteses. Em seguida, através do processo de inferência dedutiva, testa-se as hipóteses”. (FERREIRA, 1998, p.96).


Para Popper (1993), este método constitui-se no caminho para se chegar ao conhecimento, passando pelas seguintes etapas:
- formulação do problema;

- solução proposta consistindo numa conjetura (hipótese);

- dedução das conseqüências na forma de proposições passíveis de teste;

- testes de falseamento – tentativas de refutação pela observação e experimentação.



2.2.4 – Dialético
Do grego dialektos, que significa debate, forma de discutir e debater. A dialética é um debate, onde se procura derrubar o argumento dos adversários, muito empregado na Grécia antiga.
Oliveira (1997, p.67) afirma que o método dialético é “um processo de comunicação que prende muito a atenção das pessoas em virtude da habilidade dos protagonistas”
Ferreira (1998) prefere considerar este método como um enfoque, argumentando que a dialética marxista propõe apresentar como se constitui o empírico, o concreto, partindo de alguns pressupostos dados, sem indicar os caminhos para explicar os fenômenos; por isso, não seria método. Ainda segundo a autora, entre os que concordam que a dialética é um método, não há consenso quanto ao número de leis fundamentais que sustentam o referido método. Apontam três; outros admitem quatro, ora discriminadas:
- ação recíproca, unidade polar ou tudo se relaciona;

- mudança dialética, negação da negação ou tudo se transforma;

- passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;

- interpretação dos contrários, contradição ou luta dos contrários.


Em síntese, o método dialético, também chamado de crítico, constrói-se montando um novo sistema de hipóteses a partir da anulação do sistema anterior.

2.2.5 – Histórico
Consiste na investigação de acontecimentos, processos e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade contemporânea e melhor compreender o papel que atualmente desempenham na sociedade.
Ferreira (1998) acredita que, para compreender a natureza e a função das instituições, dos costumes, das diversas formas atuais de vida social, torna-se necessário pesquisar as raízes históricas, isto é, as origens no passado, uma vez que, por meio da reconstrução artificial e formal dos fatos e fenômenos do passado, o método histórico busca construir uma estratégia para conseguir estabelecer o processo de continuidade e de entrelaçamento entre os fenômenos.

2.2.6 – Comparativo
O método comparativo propõe a realização de comparações entre povos, grupos e sociedades, a partir da identificação de suas diferenças e semelhanças com o objetivo de construir uma melhor compreensão do comportamento humano.
É usado tanto para comparações de grupos no presente, no passado, ou entre os atuais e os do passado, quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento.
“(...) é empregado em estudos de largo alcance (desenvolvimento da sociedade capitalista) e de setores concretos (comparação de tipos específicos de eleição), assim como para estudos qualitativos (diferentes formas de governo) e quantitativos (taxa de escolarização de países desenvolvidos e subdesenvolvidos). Pode ser utilizado em todas as fases e níveis de investigação: num estudo descritivo, nas classificações, permitindo a construção de tipologias e até em nível de explicação, apontando vínculos causais, entre os fatores ausentes e presentes”. (Marconi e Lakatos 1996, p.107)

2.3 – OUTROS MÉTODOS


Marconi e Lakatos (1996); Oliveira (1997); Ferreira (1998); Santos (1999); Cruz e Ribeiro (2003) citam outros métodos utilizados em investigação científica, aqui sintetizados:

2.3.1 – Método Quantitativo
Bastante utilizado em pesquisa e normalmente considerado o único método válido e aceitável sem restrições, o método quantitativo procura garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando margem considerável de segurança quanto às conclusões. É frequentemente aplicado nos estudos descritivos, naqueles que procuram descobrir e classificar a relação entre variáveis, ou na investigação de causa e efeito nos fenômenos observados
Estudos de natureza descritiva pretendem investigar “o que é”, ou seja, descobrir as características de um fenômeno. Desse modo, são considerados como objeto de estudo uma situação específica, um grupo ou um indivíduo. O estudo descritivo pode abordar aspectos de uma sociedade, como:

- descrição da população economicamente ativa, do emprego de rendimentos e consumo, do efetivo de mão-de-obra;

- levantamento da opinião e atitudes da população acerca de determinada situação;

- caracterização do funcionamento de organizações;



- identificação do comportamento de grupos minoritários.
Um exemplo específico seria o estudo de uma organização de sucesso (ou o seu inverso) para mostrar o que foi realizado ou desenvolvido para atingir tal “estado da arte”, como a implantação de um modelo de gestão original ou sua adaptação a novas condições ambientais. Tal investigação visa apenas identificar as possíveis reações do administrador e não se propõe investigar que fatores estariam contribuindo para tais reações, nem estaria interessada em verificar a relação entre as reações do administrador e seu estilo de administrar a organização.
Bastante característico nos estudos quantitativos é o modo de coletar os dados. Para isso, devem ser utilizados instrumentos de pesquisa como questionários, testes padronizados, entrevistas e observações, que também podem ser empregados em outros tipos de estudo. Escolhem-se os instrumentos mais adequados para efetuar a coleta de informações, de maneira que os estudos quantitativos tenham a possibilidade de obter, dos indivíduos pesquisados, respostas passíveis de serem quantificadas, possibilitando o tratamento estatístico que, depois, servirá para verificar a consistência das hipóteses.
Em geral, as variáveis contidas nos métodos quantitativos são apresentadas em uma da formas: escore contínuo, dicotomia artificial, dicotomia verdadeira e categórica.
O escore contínuo obtém-se em testes de inteligência, testes de avaliação e testes padronizados. E, quando se diz que uma variável é contínua, significa que o escore da variável empregados em outros tipos de estudo. Por exemplo, ao medir o QI de uma pessoa, é possível obter teoricamente um escore em qualquer ponto da amplitude.

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