Consulta Puerperal de Enfermagem: refletindo sobre Parto e Puerpério



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Consulta Puerperal de Enfermagem: refletindo sobre Parto e Puerpério
Baretta, Monia Graziela1

Casara, Rafaela de Oliveira2

Ravelli, Ana Paula Xavier3
Introdução:

A mulher passa por vários momentos desde a gravidez até o período de pós-parto, chamado de puerpério. Muitos são os medos, angústias, ansiedades, dúvidas, sobre como será o parto. Todavia, grande parte dessas sensações transcorrem nesse momento e acompanham a mulher em todo ciclo gravídico-puerperal.

No pré-natal os profissionais de saúde devem esclarecer sobre todo o ciclo gravídico-puerperal, utilizando uma linguagem popular buscando uma interação e formação de vínculo, pois nesta fase, a mulher encontra-se vulnerável e necessita de muito apoio.

Isso também é válido quanto às informações referentes ao puerpério, pois a mulher passa por um momento de adaptação com a chegada do bebê e com as mudanças que ocorrem em seu organismo.

Com isso percebe-se que com um Pré-Natal de qualidade e humanizado, a mulher estará melhor preparada para enfrentar o momento do Parto e vivenciar de maneira mais harmoniosa e segura o Puerpério.

Diante disso, foi criado em outubro de 2006, o Projeto Consulta Puerperal de Enfermagem, com os acadêmicos do 4° ano de Enfermagem – UEPG, realizado tanto no âmbito hospitalar quanto na Unidade de Saúde Central, onde ocorrem orientações diretas sobre as maiores dificuldades encontradas pelas mulheres que vivenciam o ciclo gravídico-puerperal. Nestes encontros são apresentados folders explicativos com informações sobre o que é o puerpério, alimentação da puérpera, aleitamento materno, traumas mamilares, sendo que outros temas como ingurgitamento mamário, involução uterina, métodos contraceptivos e cuidados com o recém-nascido também são abordados na consulta.


Objetivo:

Revelar a amostragem de 2006 referentes ao Parto e Puerpério advindos do Projeto Consulta Puerperal de Enfermagem.


Metodologia:

A pesquisa é quantitativa do tipo descritiva utilizando na coleta de dados entrevista estruturada e semi-estruturada. O local do estudo foi a Unidade de Saúde Central, localizada no centro de Ponta Grossa, que é referência no atendimento às Puérperas, de forma individualizada e no Hospital Evangélico, no segundo dia de internação pós-parto, de forma individualizada e coletiva. A pesquisa aconteceu no período de outubro a dezembro de 2006, conforme resolução 196/96, COEP 25/2006. As participantes foram mulheres que vivenciaram o período de pós-parto nos referidos meses, e que pertencem à rede pública de saúde.


Discussão:

Durante os meses citados anteriormente, foram realizados atendimentos individualizados no Hospital Evangélico assim como na Unidade de Saúde Central, perfazendo um total de 251 puérperas. Sendo assim, a partir dos itens investigados (faixa etária, estado civil, escolaridade, profissão e história obstétrica) detectou-se o perfil das mulheres atendidas na cidade de Ponta Grossa no que diz respeito ao ciclo gravídico-puerperal.

O ciclo gravídico-puerperal da mulher envolve situações em que a mesma encontra-se vulnerável sujeita a várias complicações e com muitas dúvidas acerca de todas as mudanças que ocorrem nesta fase, e é por este motivo que se faz necessário uma avaliação das informações advindas destas mulheres.

Ao pesquisarmos a Faixa Etária das puérperas envolvidas na pesquisa, observou-se que 58 delas, ou seja, 23% tinham de 13 a 18 anos de idade, 145 mulheres (58%) tinham 19 a 25 anos, dos 26 aos 30 anos de idade totalizaram apenas 3% (8 puérperas), e com 30 anos e mais foram 40 puérperas (16%). Pode-se perceber que a faixa etária predominante é dos 13 aos 18 anos de idade, 23%, o que significa um alto número de gestantes adolescentes, nos levando a concordar com Branden (1998, p.73) que diz: “a gravidez impõe riscos às adolescentes devido à sua imaturidade física e psicológica, à possibilidade de ocorrerem complicações gestacionais, e à inexistência de sistemas de apoio social e financeiro”.

Em relação ao número de gestações, 73% já tinham um ou mais filhos, totalizando 184 mulheres, ao mesmo tempo, detectou-se 27% em sua primeira gestação, perfazendo um total de 67 mulheres primigestas. Dessas 184 multigestas percebeu-se que, predominaram as adolescentes (faixa etária dos 13 aos 18 anos) e as adultas jovens (faixa etária dos 19 aos 25 anos).

Desta forma, os dados nos levam a refletir que, o fato de a adolescência ser uma fase do ciclo vital onde ocorre um processo de maturação biopsicossocial, acaba por interferir quando a maternidade ocasiona na mulher uma “interação entre a crise da adolescência e a crise da gravidez”. Barbosa et al. (2004, p. 598).

No que se refere ao Tipo de Parto, 66% das mulheres tiveram Parto Normal (166) e somente 34% Parto Cesária (85). O local de maior evidência dos Partos da amostragem foi o Hospital Evangélico com 53% (133), seguido do Hospital Unimed Santana, 24%(60) e o Hospital Santa Casa de Misericórdia com 23% (58).

O Ministério da Saúde demonstra um incentivo financeiro e moral às Instituições de Saúde que optarem pelo parto normal, validando os resultados obtidos na pesquisa que mostram a maioria de partos normais predominando sobre os partos cesáreas. Pode-se então afirmar que, atualmente o parto normal vem sendo encarado de forma mais humanizada, pois é fato que o mesmo é um mecanismo fisiológico das mulheres e proporciona inúmeros benefícios as mesmas.

Cabe aqui destacar alguns exemplos sobre os benefícios do parto normal à mulher: a rápida readaptação do corpo à forma pré-gravídica; maior produção de hormônios estimulantes e produtores do leite materno (ocitocina e prolactina), pelo parto normal não ser um procedimento invasivo e, por este motivo tornar-se menos suceptível à possíveis infecções, entre outros.

Dentre as participantes, o Estado Civil das mesmas evidenciou que, 48% são casadas (120 puérperas), 17% são solteiras (44 puérperas), e 32% delas mantêm relação estável com o namorado (80 puérperas), sendo que as demais 3% (7 puérperas) são divorciadas ou separadas. Somando as mulheres casadas com as que tem relação estável encontrou-se 200 mulheres, ou seja, 80% delas, garantindo para o bebê o conviver com uma família nuclear.

Acredita-se que esses números são favoráveis em relação à criação do recém-nascido com o apoio de um parceiro, sejam devido “o homem estar participando cada vez mais do processo da gestação, parto e cuidados com os filhos, evidenciando as necessidades dos homens em refletir mais e expressar seus sentimentos” Silva et al. (2005, p.121).

Quanto a Escolaridade das participantes, observou-se que, 26% delas completaram o Ensino Fundamental (65 puérperas), enquanto 30% (74 puérperas) possuíam o mesmo incompleto. Já o Ensino Médio completo apresentou 24% (61), e incompleto 15% (39 puérperas). Puérperas com nível superior somente 5%,12 delas. Então, as puérperas com o Ensino Fundamental, Médio e Superior completo totalizaram 138 (55%) dos atendimentos e as que não completaram seus estudos totalizaram 113 puérperas (45%).

Os dados revelam que, a maioria das entrevistadas possui escolaridade completa em diferentes níveis, um dado que não comprova a profissionalização das mesmas, pois ao analisarmos o item Profissão, encontramos 70% (175) das puérperas sem uma profissão estável, onde as mesmas descrevem ser “do lar”, enquanto que somente 30% possuem profissões definidas e registradas em carteira. Desta forma demonstra os valores culturais ainda persistentes em nossa sociedade, onde a maioria das mulheres acreditam que devem permanecer em seus lares, ocupando-se apenas com tarefas domésticas e com a criação dos filhos.

Portanto, estes são alguns dos principais dados relevados na pesquisa realizada pelo Projeto de Extensão e Pesquisa “Consulta Puerperal de Enfermagem”. Segundo Santos et al. (2003, p. 340), “a saúde da mãe, antes e durante a gestação, tem um profundo efeito sobre o crescimento e desenvolvimento do feto e o nascimento”.


Conclusão:

Como este projeto possui continuidade, ele nos proporciona a oportunidade de ter uma atividade acadêmica de importância para formação. A pesquisa nos revelou dados sobre a situação em que se encontra o parto e puerpério em Ponta Grossa, e isso nos mostra onde se encontram as falhas e dá um direcionamento nas ações assistenciais e preventivas em saúde.


Referências Bibliográficas:
BRANDEN, P.S. Enfermagem Materno–infantil. 2a.ed. Rio de Janeiro: Reichmann e Affonso Editores, 2000.
SILVA, M. S. et al. O casal frente ao Nascimento do Filho. Revista Nursing, v.82, n.8, p.120-123, mar., 2005.
SILVA, M. O. et al. Vivência do parto normal em adolescentes. Revista Brasileira de Enfermagem, p.596-600, set. /out., 2004.
JANICAS, R.S.V. et al. Contato corporal precoce entre mãe e recém-nascido: opinião do profissional que atende o puerpério imediato. Texto e Contexto Enfermagem, v11, n.1, p.206-221, jan. /abr., 2002.

1 Acadêmica do 4° ano de Enfermagem – UEPG, bolsa extensionista do projeto Consulta Puerperal de Enfermagem.

2 Acadêmica do 4° ano de Enfermagem – UEPG, participante do projeto Consulta Puerperal de Enfermagem.

3 Mestre em Enfermagem, Professora assistente do curso de Enfermagem – UEPG, coordenadora do projeto de extensão Consulta Puerperal de Enfermagem.


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