Contação de Histórias



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Querido evangelizador, abaixo compartilhamos algumas dicas sobre “Contação de Histórias”, não tendo porem a pretensão de darmos uma receita, mas sim, uma pista sobre a direção a seguir.

Um farol que nos guiará a diretrizes significativas para um melhor

entendimento da arte de contar historias.

Apenas um começo para um longo caminho a ser trilhado por aqueles que desejam passar os ensinamentos de nosso querido Mestre através de historias.

Muito há que ser pesquisado e estudado, uma vez que antes de qualquer coisa, o “Contador” deve se preparar, não pode contar uma história sem ter o preparo psicológico, de voz, corpo, gestualidade, respiração, etc., e esses itens devem serem muito bem trabalhados e explorados por quem quiser se aprofundar na arte de contar histórias, pois contribuem com

grande relevância nessa grandiosa tarefa.


“A criança. à medida que se desenvolve, deve aprender passo a passo a se entender melhor; com isto, torna-se mais capaz de entender os outros, e eventualmente pode-se relacionar com eles de forma mutuamente satisfatória e significativa.

Para encontrar um significado mais profundo, devemos ser capazes de transcender os limites estreitos de uma existência autocentrada e acreditar que daremos uma contribuição significativa para a vida - senão imediatamente agora, pelo menos em algum tempo futuro.

Este sentimento é necessário para uma pessoa estar satisfeita consigo mesma e com o que está fazendo. Para não ficar à mercê dos acasos da vida, devemos desenvolver nossos recursos interiores, de modo que nossas emoções, imaginação e intelecto se ajudem e se enriqueçam mutuamente.

Nossos sentimentos positivos dão-nos força para desenvolver nossa racionalidade; só a esperança no futuro pode sustentar-nos nas adversidades que encontramos inevitavelmente.”



BRUNO BETTELHEIM

A psicanálise dos contos de fadas”



DICAS PARA CONTAR HISTORIAS

Sejam bem-vindos !

Hoje começamos uma jornada em direção à magia escondida por detrás das histórias, contos, fabulas e que as transformam  em algo especial... encantador... MÁGICO!

Sim, porque elas,  precisam ganhar VOZ...

Sair do papel para vir ao mundo. Só assim elas  se vivificam e passam a existir verdadeiramente.

Este é o desafio dos “Contadores de Histórias”, estas "Gentes das Maravilhas" como eram chamados nos tempos antigos.

INTRODUÇAO
Este trabalho tem por objetivo apontar algumas contribuições na contação de histórias para o desenvolvimento das crianças em sala de aula.

Dentre elas, podemos citar algumas: suscitar o imaginário infantil, responder indagações, enriquecer o vocabulário, favorecer a reflexão crítica, respeitar os turnos de fala, auxiliar na leitura e na escrita, conhecer aspectos da própria cultura e possibilitar a interação social.


Contar histórias para as crianças possibilita suscitar o imaginário infantil, responder perguntas, encontrar e criar novas idéias, estimular o intelecto, descobrir o mundo imenso dos conflitos, das dificuldades, dos impasses, das soluções.

É ouvindo histórias que se pode sentir emoções como: raiva, tristeza, irritação, pavor, alegria, medo, angustia, insegurança e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a significância e verdade que cada uma delas faz ou não brotar.

Contar histórias implica também em desenvolver todo o potencial crítico da criança, pois através da audição de histórias a criança é levada a pensar, questionar e duvidar, estimulando desta forma o seu senso crítico. Com isso, entendemos que a oralidade da comunicação se coloca para além do texto escrito.
A força da história é tamanha que narrador e ouvintes caminham juntos na trilha do enredo e ocorre uma vibração recíproca de sensibilidades, a ponto de diluir-se o ambiente real ante a magia da palavra que comove e enleva. A ação se desenvolve e nós participamos dela, ficando magicamente envolvidos com os personagens; mas sem perder o senso crítico, que é estimulado pelos enredos.

Podemos ainda falar da constituição das historias para confirmarmos a sua importância no

desenvolvimento das crianças.
O conto constitui uma memória da comunidade - maneira de ver o mundo, esperanças e medos, anseio de transcendência - possibilitando sua transferência às novas gerações. O jovem aprende quais os valores do clã. Através dos contos, a criança descobre uma ética, as regras entre membros dos dois sexos: o interditado, o permitido e o desejável. A criança aprende não somente as leis da comunidade, as regras a serem cumpridas com os amigos ou com os inimigos, mas também as que regem a vida do homem no planeta e sua natureza. Aprende que existem ações perigosas e outras benéficas, que algumas são elogiadas e outras punidas. Descobre a relação entre causa e conseqüência, o papel do tempo no envelhecimento e a inexorabilidade da morte (BAJARD apud PATRINI, 2005, p. 18)”.
A IMPORTÂNCIA DAS HISTÓRIAS
As historias nos arrancam do tempo e do espaço comuns e nos transportam para um reino onde os sentimentos humanos têm o poder de transformar a realidade.

No mundo das historias, os sentimentos podem fazer com que as pessoas comuns tenham força suficiente para sobrepujar qualquer dificuldade e conquistar um príncipe ou uma princesa. As historias conservam a esperança de que, mesmo que o mundo possa ser complicado e assustador, o mal deve ser combatido para que o amor verdadeiro possa triunfar no final.

Assim com o ato de contar historias, pretende-se ajudar o individuo, a entender melhor o seu dia-a-dia, cercado de limitações, frustações, conflitos, auxiliando sua adaptação à vida ou problemas rotineiros, facilitando assim a comunicação entre a criança e o adulto ou qualquer classe de individuo (ouvinte da historia).

O contar história ocorre em toda parte do mundo, este impulso de contar histórias nasceu do homem, no momento em que sentiu necessidade de se comunicar uns com os outros.

O ser humano deseja comunicar-se, deseja dizer algo para aqueles que o cercam.

A história não se concentrada em um único objetivo, ela tem várias funções que podem despertar e influenciar em seu ouvinte estimulando diversas áreas.

Enumeramos abaixo a importância das histórias em cinco aspectos:

1ª) Recreativo – é um suave divertimento para as crianças.

2ª) Educativo - a história pode educar, pois guardamos na memória tudo que ouvimos.

3ª) Instrutivo – podemos colher muitos ensinamento e informações.

4ª) Religioso – ensino religioso e educação religiosa dos povos.

5ª) Físico – as histórias oferecem ações benéficas para pessoas enfermas.

Outro ponto, Bettelheim, justifica a importância do conto no desenvolvimento psicológico das crianças.

Para ele os contos de fadas além de tratarem de problemas universais, ajudam a lidar com problemas psicológicos nas fases de integração da personalidade.


SELEÇÃO DAS HISTÓRIAS INFANTIS
A história tem uma contribuição significativa para a criança, desta forma ela não pode ser improvisada.

A narrativa só terá sucesso se esta for planejada, organizando o desempenho do narrador.

É imprescindível fazer uma seleção inicial, levando em conta, entre outros fatores, o ponto de vista literário, o interesse do ouvinte, sua faixa etária, suas condições sócio–econômicas.

A história deve ser bem escolhida, o contador não deve escolher uma história se essa não lhe agrada, pois não conseguirá passar a emoção para a criança.

Antes de sensibilizar o ouvinte o conto preocupa em sensibilizar o contador, desta forma é imprescindível que haja relação entre o conto e o contador.

Pode-se comparar a escolha da história e a sua contação com um quadro artístico e uma peça musical.

A história é o mesmo que um quadro artístico ou uma bonita peça musical: não poderemos descrevê-los ou executá-los bem se não os apreciarmos. Se a história não nos desperta a sensibilidade, a emoção, não iremos contá-la com sucesso. Primeiro, é preciso gostar dela, compreendê-la, para transmitir tudo isso ao ouvinte. Há quem diga: “Não gosto de contar histórias tristes, que devo fazer?” A resposta óbvia é: “Não as conte. Escolha o que gosta de contar”.

A seleção das histórias deve se encaixar com o interesse do público ouvinte, e esta deve apresentar diversos fatores que vão de encontro com a necessidade das crianças, por esse motivo é importante salientar: Antes de contar uma história, precisamos saber se trata de assunto interessante, bem trabalhado. Se é original, se demonstra a riqueza de imaginação e se consegue agradar as crianças.”

A história é um alimento para a imaginação e deve ser dosada de acordo com sua estrutural cerebral.

É relevante pensar na maturação de cada criança e o estágio emocional que a criança se encontra.

A história tem que alcançar a criança sem haver saturação.

Sob esta perspectiva deve-se considerar, não só a história que irá contar, mas também a duração da história é muito relevante. O contador deve ter em mente o tempo de duração de uma história pensando em cada faixa etária.


AS DIFERENTES FORMAS DE CONTAR HISTÓRIAS
A história infantil infiltrada dentro da escola precisa ser entendida como meio pedagógico e para tanto se faz indispensável uma responsabilidade por parte dos professores para que não aborde a leitura de uma historia tão simplesmente, mas com objetivo para compor a formação da criança.

Contar historias é um ritual mágico entre o contador e seus ouvintes.

Esse ato socializa e cura, possibilita novas descobertas, torna as vivencias mais transformadoras.

Não se conta uma boa história sem antes haver um preparo prévio para tal tarefa. Desta forma se faz necessário estudar o que vai contar e mais do que isso é escolher a forma como essa história chegará à criança.

“Estudar a história é ainda escolher a melhor forma ou o recurso mais adequado de apresentá-la”

Em cada história pode se desenvolver uma apresentação diferenciada, dando riqueza e tornando-a mais viva, mais rica e interessante, podendo de forma criativa cativar a criança já no primeiro contato, chamando sua atenção.

A apresentação da história pode ser feita de várias formas, de acordo com os artifícios ou recursos empregados pelo narrador.

Assim as histórias não têm um único jeito para se narrar, mas pode e deve ser contada utilizando vários recursos e artifícios para que chame mais a atenção de seu expectador. Dentre esses recursos, apresentamos alguma delas:


◊ História em simples narrativa;

◊ História com interferência;

◊ História cantadas;

◊ História com sombrinhas;

◊ História com flanelógrafo;

◊ História em teatrinhos de varas;

◊ Histórias com marionetes;

◊ História com fantoches, etc.


A simples narrativa é a mais fascinante de todas as formas, a mais antiga, tradicional e autêntica expressão do contador de histórias. Não requer nenhum acessório e se processa por meio da voz do narrador, de sua postura.

É necessário organizar o corpo da história, podendo a criança entender por completo, portanto uma história deve ter sempre começo, meio e fim.

Abaixo a estrutura da narrativa, com seus elementos:
1) Introdução – formado pela parte inicial da história. (A introdução diz quando, onde e quem);

2) enredo – é a sucessão dos episódios, os conflitos que surgem e a ação dos personagens;

3) Clímax ou ponto culminante – surge como resultante única, e bem destacada de todos os eventos e conflitos que formam o enredo. E o ápice, onde o ouvinte muitas vezes prende a respiração, aguardando os próximos acontecimentos;

4) Desfecho – é o desenrolar da trama. O desenlace final da história.

O momento reservado para a contação de uma historia deve ser planejado pelo evangelizador.

Qual a criança que não gosta de ouvir uma historia? Trata-se de um momento especial.

Por isso fazem um rebuliço. Então preparar as crianças para a história também é essencial, e não deve ser contada com as crianças agitadas.

Uma sugestão seria colocar uma música no momento que antecede a contaçao da história, isso exerce um efeito mágico. Outro recurso é gastar a energia dos ouvintes: o contador tem todo um preparo de aquecimento de voz, gestualidade, etc., antes de iniciar a contação, então pode-se envolver os ouvintes nesses exercícios: Cantar, dizer trava-linguas, exercícios de respiração, exercícios corporais planejados, etc., tudo isso facilita a concentração dos ouvintes na hora da contação da história.

Teremos em seguida no primeiro momento as chamadas fórmulas clássicas iniciais.

Em segundo momento as fórmulas clássicas conclusivas que dão ênfase para o que irá começar e finalizar uma história. Explicitaremos a seguir no que consiste estes dois momentos.

No primeiro momento as frases iniciais, que os contadores de histórias preferem utilizar como:


◊ Era uma vez...

◊ Havia, antigamente...

◊ No tempo em que os animais falavam...

◊ Num reino muito rico e muito bonito...

◊ Quando Nosso Senhor andou pelo mundo...
Estas frases não devem divagar sem sentido algum, mas deve ser um canal para transmitir as crianças que estes prelúdios significam a narrativa de alguma historia muito interessante.

Assim como é importante o inicio, o mesmo valor é a finalização, que é o segundo momento.

No segundo momento as frases conclusivas como:
◊ Eles se casaram e foram muito felizes...

◊ E os dois viveram muito felizes...

◊ Viveram ricos e felizes por muito tempo...

◊ Houve festanças a valer no dia do casamento... sendo todos felizes...

◊ Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato...
O PAPEL DO CONTADOR DE HISTÓRIAS
Há pessoas que cultivam esta arte e procuram se desenvolver e se especializar para fazer desta arte reconhecida e aceita.

Há muitos anos atrás, eram os responsáveis em preservarem as tradições orais de seu povo. Tinham um logo preparo, anos de estudo devido a grande responsabilidade que tinham em mãos de perpetuarem suas crenças, alguns eram os responsáveis também de transmitirem as noticias e promoverem a diversão das pessoas.

O papel de um contador de histórias não se restringe apenas a um determinado espaço, mas sim aonde encontre pessoas que estão dispostas a ouvi-lo.

Contar histórias é uma arte, mas para muitos, uma profissão, por conseguinte requer certa tendência inata, uma predisposição latente, aliás, em todo educador, em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças.

“Contar histórias é uma arte porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser”.

O contador tem papel fundamental. É muito importante para a formação de uma criança.

Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um bom leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo. Todo bom contador de histórias deve ser também um bom ouvinte de si mesmo, do mundo e de outras pessoas. O contador deve ser sensível para ouvir e falar.

Sendo assim, a história quando contada seja ela por quem quer que seja, deve vir do coração, buscando ao narrar contar e encantar aquele que ouve. O texto do contador de história precisa encantar o seu ouvinte.

É preciso que o ouvinte saia da realidade do seu dia-a-dia e se transporte para um outro espaço interno, seu, um espaço onde no seu imaginário ele vai construir os cenários, as situações que o contador sugere.

O contar é o uso simples e harmônico da voz.

O simples fato de ler um livro não significa contar uma boa história, existem algumas características que devemos levar em conta para sermos bons contadores: viver a história, ter confiança em si mesmo, ter espírito inventivo, muita originalidade, poder de impressionar e atração pessoal.

A arte de contar histórias possui segredos e técnicas, depende de certa tendência inata, mas que pode ser desenvolvida, cultivada.

O contador de histórias precisa estar consciente que a história é a mais importante, pois ele é apenas o transmissor, desta forma é necessário buscar conhecimento e se preparar para que a história chegue da melhor forma para a criança, por isso o contador deve estar preparado e buscar segurança que é adquirida na certeza que conhece a história, e o sucesso da narrativa vai depender também do seu preparo com relação ao seu corpo, gesto, expressão, olhar, voz, entonação, ritmo, relação com o ouvinte.

Conhecer a história, ter domínio da técnica traz naturalidade e segurança para quem conta.

Para que isso aconteça o contador vai escolher a história que mais mexe com ele, é como se o conto escolhesse o contador, assim automaticamente o contador teria mais apropriação na hora da contação da história. “É preciso ter tempo para sonhar os contos, isto é, ruminá-los interiormente, mas também é preciso ter a oportunidade de praticá-los, senão podem ser esquecidos”.

Contador preparado, não deve significar ser saliente, pois é a historia que deve ser destacada para que haja interação com a criança ouvinte.

*SOBRE A PESSOA DO CONTADOR INTERFERIR NA APRESENTAÇÃO: aí vai mais um segredo – o narrador deve estar consciente de que importante é a história, ele apenas conta o que aconteceu, emprestando vivacidade a narrativa, cuidando de escolher bem o texto e recriando – na linguagem oral, sem as limitações impostas pela escrita. A história é que sugere o melhor recurso de apresentação, sugere inclusive as interferências feitas por quem a conta.

Lembrando porem que nunca se deve mudar o sentido da historia, a sua mensagem.

“O compromisso do narrador é com a história, enquanto fonte de satisfação de necessidades básicas das crianças”.

“Um bom contador (e leitor) de história não se avalia pela quantidade de livros lidos e sim pela intensidade com que ele faz as suas leituras e releituras, pelo modo com que lê e trata as histórias e os livros”.

“O Narrador é a entidade que conta uma história. É uma das três pessoas em uma historia, sendo os outros o autor e o leitor/espectador. O leitor e o autor habitam o mundo real. É função do autor criar um mundo alternativo, com personagens e cenários e eventos que formem as historias. É função do leitor entender e interpretar a historia. Já o narrador existe no mundo da historia (apenas nele) e aparece de uma forma que o leitor possa compreendê-lo.”

Ao contar doamos o nosso afeto, a nossa experiência de vida, abrimos o peito e compactuamos com o que o conto quer dizer. Por isso torna-se fundamental que haja uma identificação entre narrador e o conto narrado.

A medida que o contador amadurece, vai percebendo o quanto as histórias escolhidas por ele, revelam de seu interior.
A RELAÇÃO DAS CRIANÇA COM AS HISTÓRIAS
As histórias podem ser um grande aliado do educador em suas várias possibilidades.

O contar histórias pode divertir, estimular a imaginação, quando bem contada pode atingir outros objetivos, como: educar, instruir, conhecer melhor os interesses pessoais, desenvolver raciocínio, ser ponto de partida para trabalhar algum conteúdo programático, assim podendo aumentar o interesse pela aula, favorece a compreensão de situações desagradáveis e ajudando a resolver conflitos e agrada a todos independente de idades e classe social.

Haja vista que a criança irá ouvir uma história e se envolverá com os seus personagens ao se identificar com eles levando do fictício daquela história para a vida real, para sua própria vida através do processo de identificação com os personagens, a criança passa a viver o jogo ficcional projetando–se na trama da narrativa. Sob essa perspectiva é que a criança irá experimentar e poderá viver temporariamente vários sentimentos dos personagens da história, podendo com isso ter suas experiências sem correr nenhum risco.

Sob este assunto, Bettelheim, afirma que a estória abre visões gloriosas que permitem à criança vencer sentimentos momentâneos de absoluta desesperança. De forma a creditar na estória e fazer uma visão otimista dela, uma parte da sua experiência do mundo, por isso a criança necessita ouvi-la muitas vezes.

E afirma ainda que: Escutando repetidamente um conto de fadas e sendo dado tempo e oportunidade para demorar-se nele, uma criança é capaz de aproveitar integralmente o que a estória tem a lhe oferecer com respeito à compreensão de si mesma e de sua experiência do mundo. Só então as associações livres da criança com a estória fornecem-lhe o significado mais pessoal, e assim ajudam-na a lidar com problemas que a oprimem.
A criança internaliza algumas inquietações e sentimentos que mexem com seu ser e a história é parceira para ajudar a criança nesta situação.

Acredita-se que, “a arte de contar histórias nos liga ao indizível e traz respostas às nossas inquietações”. Mas esta chegará diferente para cada ouvinte, e não provocará a mesma sensação nas pessoas que as ouvem.

É a história da vida de cada um que determinará com que cores e com que música ela vai soar.

Cada criança tem sua especificidade e apresenta necessidades diferentes das outras.

É nessa perspectiva que a história irá alcançar cada criança de modo diferente permitindo a cada uma buscar para si aquilo que é necessário e prazeroso.

Levando em consideração isto, a historia deve ser levada a sério, exigindo cuidados, uma vez que exercerá influencias em todas as pessoas que a ouvem.

É preciso levar a sério algo que provoca relevante impressão e exerce grande influência sobre as crianças. Assim, os grupos de ouvintes foram se multiplicando, expandindo-se: filhos, sobrinhos, alunos, no aconchego do colo, na sala de aula, em livrarias, crianças de creches, orfanatos, enfermos, incapacitados física ou mentalmente.

Em todas essas crianças pode-se perceber o mesmo brilho nos olhos, o sorriso iluminado no rosto – “Conte de novo!”, “conte outra vez!” desta forma a história exerce grande influencia sobre a vida daqueles que a escutam.

As crianças escutam uma mesma história, mas irão sentir algo diferente uma das outras, cada um experimentará de forma diferente, pois nem mesmo o contador irá contá-la da mesma forma que já havia contado, pois o ambiente as pessoas e até mesmo o estado de espírito do contador influenciarão em sua performance.

Cada performance nova, coloca tudo em causa. A forma se percebe em performance, mas a cada performance ela se transmuda.

Todos ganham com a contação de histórias, sejam os ouvintes que durante as histórias foram instigados a pensar, cria e recriar, seja o contador que teve que recriar e conhecer mais histórias. E mesmo se pensarmos na escola, os alunos, os professores, todos terão uma aula mais atrativa e motivadora ao utilizar das histórias. A história faz todos sorrirem, a aula passa a ser divertida e gente grande volta a ser criança.
QUESTIONAMENTOS:
O QUE SÃO AS HISTORIA E PORQUE QUE CONTA-LAS? O QUE EU QUERO ATINGIR QUANDO EU CONTO? Isso é muito importante saber quando se escolhe uma historia.

Contar uma historia é falar por imagens, e essa é a forma que chegamos mais diretamente ao ser humano.

As historias trabalham com uma gama de valores muito grande: aspectos éticos, morais, psicológicos, educacionais, etc.

Esses aspectos são muito importantes, pois visam colocar a “casa” em ordem, mexer com a nossa vivencia interna e tentar colocar as coisas de forma que a gente comece a ver esse significado na vida.

Lidam com os problemas íntimos que todos os seres humanos tem e enfrentam, propiciando as suas soluções. Mostra a vida sentida a partir do interior de cada um. Ajudam as crianças a enfrentar os desafios, organizando esse mar de sentimentos, de emoções que vem do seu intimo, destacando valores sem serem moralistas*(quando escolhemos historias que valorizam as virtudes).

A vida tem uma natureza problemática, e com o auxilio das historias podemos ajudar a criança a amadurecer com segurança.


QUAL O OBJETIVO DAS HISTORIAS?

Tem como objetivo a formação do ser humano, o desenvolvimento sadio da personalidade do ser humano, buscando desta forma um significado para a vida de cada um.





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