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SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA
PROF. DR. JOÃO CARLOS NORDI

CONTEÚDO DA AULA


  • Nomenclatura botânica;




  • Identificação;




  • Classificação

Período I = habitus das plantas;

Período II = sistemas artificiais;

Período III = sistemas naturais;

Período IV = sistemas filogenéticos.


  • O que é classificação ?



  • Por que classificamos ?



  • Alguns exemplos cotidianos de classificação:

1- mercado

2- biblioteca



Sistemática vegetal - agrupa as plantas dento de um sistema baseando-se em suas características morfológicas internas e externas, suas relações genéticas e suas afinidades (Barroso 1978).
Hipótese : Existem relações genéticas entre as plantas e se os vegetais atuais descendem de outros existentes ou já extintos.
Premissa : Ocorreu uma evolução dos caracteres das plantas, durante o desenvolvimento da história da terra, estando estas atualmente mais aperfeiçoadas
1. Nomenclatura botânica – relaciona-se com a utilização correta dos nomes das plantas.
Possui um conjunto de princípios, regras e recomendações aprovados nos Congressos Internacionais de Botânica e publicados nos Códigos de Nomenclatura Botânica.

Capítulo I.

DOS TAXA E SEUS GRUPOS

Artigo 3


3,1 Os principais grupos dos

taxa em seqüência descendente

são:

Reino (regnum)



Divisão ou filo (divisio, phylum)

Classe (classis)

Ordem (ordo)

Família (familia)

Gênero (genus)

Espécie (especie)

Assim, cada espécie é fixa a

um gênero, cada gênero a

uma família, etc.

2. Identificação - é a determinação de um táxon, como idêntico ou semelhante a outro já conhecido



Literatura específica ou comparação com outro de identidade conhecida
Estampa
Diagnose; Descrição
Chaves de classificação

3. Classificação – localizar uma planta ainda não conhecida, dentro de um sistema de classificação.
Tipificação – Typus espécime conservado num herbário, a partir da qual se fez uma descrição original.

Holotypus. Paratypus, Isotypus, Syntypus e Lectotypus
Reino: Plantae

Divisão: Spermatophyta

Subdivisão: Magnoliophyta (Angiosperma)

Classe: Magnoliatae ou Magnoliopsida

(Dicotiledônea)

Subclasse : Asteridae

Ordem: Gentianales

Família: Apocynaceae

Subfamília: AsclepiadoideaeHolótipo = um espécie designado pelo autor da espécie;
Parátipo = outro espécime citado pelo autor junto com o holótipo;



Isótipo = duplicata do holótipo;
Síntipo = cada espécie designada pelo autor, considerados simultaneamente tipos, sem apontar o holótipo;



Lectótipo = é o elemento a ser designado quando falta o holótipo;



Neótipo = novo tipo, pertencente ao mesmo táxon, porém proveniente de outra coleta. Só é usado quando não existem isótipo, parátipo e síntipo


CLASSIFICAR É AGRUPAR, TOMANDO-SE POR BASE AS CARCTERÍSTICAS QUE APRESENTAM EM COMUM
A classificação é uma característica inata ao ser humano e que, embora possamos não nos aperceber, é essencial à nossa sobrevivência.



  • Cada uma das classificações utiliza um caráter.

Assim, a informação que transmite é mínima e possui um valor de previsão muito limitado, ou seja, infere-se muito pouco quando se observa qualquer membro de um grupo.


  • A quantidade de informações dependerá do número de caracteres utilizados. Este fato permite-nos distinguir entre dois tipos de classificações: Naturais e Artificiais.




  • Classificação artificial - agrupa elementos com base num caráter, ou em poucos caracteres.




  • Classificação natural – agrupa os elementos com base no somatório de caracteres exibidos.



Um sistema de classificação poderá ser construído com diferentes objetivos. Cada

um deles terá um princípio filosófico e normativo distinto e irá empregar distintos

conjuntos de caracteres

Ao longo da história surgiram diversos sistemas de classificação, que podem ser agrupados em quatro categorias:


Período I = habitus das plantas;
Período II = sistemas artificiais;
Período III = sistemas naturais;
Período IV = sistemas filogenéticos
Período I – Classificações baseadas no habitus das plantas


  • Menos elaborados, embora se pensasse que ele refletisse afinidades naturais.




  • Árvores, arbustos, ervas, trepadeiras,etc., consistiam os grupos principais de plantas. Atendiam às necessidades do homem: alimentação, medicinal, construção, etc.




  • Theophrastus (370-285 a.C), “Pai da botânica”. Persistiu até meados do século XVIII.




  • TEOPHRASTUS (Grécia 370 – 285 aC): Historia plantarum (História das plantas), em nove livros (originalmente dez).



  • De causis plantarum , em seis livros (originalmente oito). Estes tratados constituem a mais importante contribuição à ciência botânica de toda a antiguidade até ao Renascimento.



CAIO PLÍNIO SEGUNDO (23 – 79 d.C.):Terminou de escrever Historia naturalis

em 37 volumes, a única de suas obras que chegou até a atualidade, um tratado

de História Natural, por isto cognominado de o Naturalista, onde

relatou todo o conhecimento científico até oinício do cristianismo, com citação sobre 35.000 fatos úteis.

SANTO ALBERTO MAGNO (1200 – 1280 d.C.): Foi físico e químico, estudou astronomia (astrologia), meteorologia, mineralogia, zoologia, botânica, escreveu livros sobre tecelagem, navegação, agricultura. Produziu um sistema de classificação que reconhecia Monocotiledôneas e Dicotiledôneas e separou as plantas vasculares das não vasculares.

Fase dos herbalistas:


  • Discórides (séc. I a.C.) – Médico do exército romano = descreve 600 spp, suas propriedades medicinais, forma de utilização. Obra de referência até o séc. XVI.




  • Séc. XVI - Renascentismo – Invenção da Imprensa na Europa.




  • Otto Brunfels (1464 – 1534) – início do estudo científico das plantas. Ordenação em grupos semelhantes e terminologia científica botânica.

PRIMEIROS TAXONOMISTAS


Consideraram mais o valor intrínseco da planta do que seu valor nutritivo ou medicinal
1º Taxonomista Vegetal
1500 spp classificadas pelo hábito e

nos tipos de frutos e sementes.


De Plantis (1583)
Influenciou Tournefort, Ray e Lineu

JOHN RAY (1628 – 1705): produziu um sistema de classificação, no qual, plantas com aspectos semelhantes foram agrupadas, conseguindo diferenciar Monocotiledôneas de Dicotiledôneas, dando ênfase especial ao número de cotilédones


JOSEPH PITTON DE TOURNEFORT

(1656 – 1708): Criou um sistema de classificaçãobaseado nas características

da corola, mais acessível e menos confuso comparado ao de John Ray.Classificou 9.000 spp, 698 gêneros e 22 classes.Sua classificação vigorou até apublicação dos trabalhos deLineu.
Período II – Sistemas artificiais baseados em caracteres numéricos

  • Tem como objetivo situar a planta dentro de uma classificação e contribuir para sua identificação, sem a preocupação de mostrar relações de afinidades.




  • O mais conhecido é o de Lineu, publicado na obra “Species Plantarum”, conhecido como “sistema sexual” (ESTRUTURAS REPRODUTORAS – Nº. DE ESTAMES)




  • Fundador da Taxonomia Moderna e do sistema atual de nomenclatura para plantas e animais.

  • Estruturas reprodutivas




  • Nomenclatura binomial




  • Species Plantarum



Período III – Sistemas naturais baseados nas formas e relações entre as plantas


  • Aparece na segunda metade do século XVIII e permanecem até o surgimento do darwinismo. Os botânicos da época firmavam-se no dogma da constância e da imutabilidade das espécies.




  • Crescimento da Morfologia Vegetal, novas coleções originadas dos trópicos e melhoria dos instrumentos óticos

  • Grande número de plantas vivas, sementes e coleções herborizadas.


Utilizam muitos caracteres para construir grupos.
Família Jussieu: 3 irmãos e 1 sobrinho.
Em 1789, em plena Revolução Francesa, publica o seu “Genera plantarum secundum ordines” (Reconhece 100 ordens de plantas, hoje famílias).
Esse sistema era muito superior ao sistema artificial de Lineu e foi

fundamental para as classificações naturais atuais.


Primeiro Sistema Natural de classificação, reflete o parentesco entre as espécies. Devido ao avanço dos conhecimentos sobre Anatomia e Morfologia comparada


Família De Candolle


  • Na obra “Prodromus systematis naturalis regni vegetabilis” tentou descrever todas as espécies conhecidas de plantas.




  • Os primeiros 7 volumes desta obra foram publicados pelo autor e, os últimos 10, escritos por diferentes autores e editados pelo seu filho Alphonse de Candolle (1806- 1893).




  • Este trabalho permanece até hoje como obra de referência mundial para muitos grupos de plantas (58.000 espécies de Dicotiledôneas, agrupadas em 161 famílias).

CHARLES DARWIN (1859): “A Origem das Espécies” , evolução orgânica. Seleção Natural. Desenvolvimento da Fitopaleontologia, dando indicações diretas sobre os antepassados das plantas atuais, constituiu-se na base mais importante da Sistemática Filogenética, ou seja, de um Sistema Natural de Classificação




Com as publicações de:


  • Wallace (teoria evolucionista) e




  • Darwin (The origen of species by means

of natural selection – 1850), finaliza o período dos sistemas naturais de classificação

PERÍODO IV – Sistemas filogenéticos

  • Procuram usar todas as informações disponíveis no momento a respeito dos taxa envolvidos, procuram relacioná-los segundo sua afinidade baseada em ancestralidade e descendência.



Problema = Falta de registros fósseis impedem a reconstrução das vias evolutivas
ENGLER (1964), CRONQUIST(1964, 1981, 1988) – Mais conhecidos



  • Não usaram metodologia cladística, por isso são chamados de sistemas gradistas (Clado = grupo de organismos originados e um único ancestral comum);




  • Subdivide as Angiospermas em Monocotiledôneas e Dicotiledôneas;




  • Considera as Monocotiledôneas mais primitivas que as Dicotiledôneas, mas na última edição do “Syllabus der Pflanzenfamilien”, em 1964, as Mono são tratadas depois das Dico.


ENGLER (1846 – 1930)


  • Chaves para determinação de

gêneros;


  • Amplas diagnoses para as famílias;




  • Descrições das características mais

importantes dos gêneros

CHARLES EDWIN BESSEY (1845 – 1915)


  • A evolução tanto pode ser uma progressão como

regressão dos caracteres;


  • A evolução não abrange todos os órgãos ao

mesmo tempo. De um modo geral temos os

caracteres mais primitivos e evoluídos, com relação:




  1. ao hábito (porte);

b) a estrutura do vegetal;


c) flores,frutos e sementes.


ARTHUR CRONQUIST (1919 – 1992)

Sua classificação foi baseada em :

1. Caracteres anatômicos;

2. Ausência ou presença de endosperma;

3. Composição química;

4. Morfologia dos órgãos reprodutores.


Foi adotada por Barroso (1978, 1984 e 1986), divergindo em alguns pontos.


Dividida em 2 grandes grupos:
Monocotiledôneas:

  • -Raízes fasciculada;

  • -Folhas com nervuras paralelas (paralelinervea);

  • -Sementes com 1 cotilédone;

  • -Flores trímeras (ou múltiplas de 3) -Ciclo de vida curto (por causa da raiz pequena);

  • -Crescimento Primário.


Exemplos: Gramíneas, arroz, milho, cereais, centeio, trigo, aveia, cana, palmeiras.
Dicotiledôneas:

  • -Raíz axial ou pivotante;

  • -Folhas com nervuras reticuladas;

  • -Flores Tetrâmeras ou pentâmeras(múltiplas de 4 ou 5);

  • -Semente com 2 cotilédones;

  • -Ciclo de vida longo;

  • -Crescimento secundário.

Exemplos: leguminosas (amendoim, feijão, soja, lentilha e ervilha), ipê, jacarandá, roseiras, paineira.



Angiosperm Phylogeny Group APG (1998)
O livro didático “Plant Systematics phylogenetic approach” de 1999 de Walther S. Judd et al. foi o primeiro a incorporar os recentes avanços na filogenia molecular. Este segue a proposta de classificação apresentada pelo grupo de filogenia das angiospermas – APG, publicada em 1998
Nos dias de hoje, a grande maioria dos taxonomistas que realizam trabalhos filogenéticos, recorrem às técnicas moleculares.
O seqüênciamento de bases do DNA do genoma nuclear e de organelas

(cloroplastos e mitocôndrios), analisado sob o prisma da parcimônia como na

Cladística, trouxe novas perspectivas e abordagens na elaboração de classificações


BIBLIOGRAFIA



  • Barroso et al. 2002. Sistemática de Angiospermas do Brasil. Vol.1. 2ª ed. Viçosa, UFV. 309p.




  • http:// www.plantamed.com.br/DIV/taxonomia.htm




  • http://www.cenargen.embrapa br/recgen/sibrargen/

TaxoSISTEMA.pdf



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