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Entretanto, o Centro Espírita faz o que pode e o que deve fazer.

Sem cogitar da crença, da nacionalidade ou de política a que pertença aquele que de um abrigo na enfermaria necessitar, as portas do Hospital estão abertas.

Convidamos o público para assistir, ao meio-dia, de dez do corrente, à modesta inauguração da Casa Hospitalar.

A Diretoria do Centro".

Modesto, mas cumprindo as finalidades para o qual foi criado, o Hospital continua merecendo notas de "O Clarim":

Hospital de Caridade

"Existiam 3

Saiu 1

Entraram 2



Existem 4

Foram aviadas por conta do Hospital 57 prescrições, sem contar os medicamentos homeopáticos e o tratamento magnético dispensado aos enfermos.

Digno de nota, e não poderíamos deixar de registrar nestas colunas, como prova da nossa gratidão ao ilustrado e nosso particular amigo, Dr. Agripino Martins, a inestimável oferta dos seus relevantes e desinteressados serviços ao Hospital, serviços estes que têm sido aproveitados desde a fundação deste Estabelecimento de Caridade". (11/5/1912).

Em "O Clarim", de 24 de dezembro de 1912, os progressos do Hospital:

"Correm animados os festejos em beneficio do Hospital da Caridade.

As prendas oferecidas à quermesse montam 2:500$000 e os objetos ofertados aos leilões atingem a soma de um conto de réis. (...)"


***
"Por indicação dos deputados Dr. Machado Pedrosa, Moraes Barros e Peixoto Gomide, vai ser incluída no orçamento do Estado uma verba de 6:000$000 para a fundação do Novo Hospital".

***
"O Popular", de Araraquara, trouxe um desenvolvido artigo sobre o Hospital da Caridade desta cidade em que faz lisonjeiras referências ao C.E. "Amantes da Pobreza", que penhoradamente agradecemos".

Boas notícias, mas queixas da população local, é o que traz a matéria de 10 de janeiro de 1913:

"Correram animadíssimos os festejos e quermesse em benefício do novo Hospital da Caridade. (...)

A comissão informou que o produto das quermesses atinge a soma de 5:000$000. Parece pouco, mas se levarmos em conta que esta quantia representa a boa vontade da população de fora do Município, principalmente da Capital, veremos bem correspondidos os esforços dos fundadores do Hospital.

Restam agora os srs. fazendeiros do município que, parece-nos, devem ter interesse direto na manutenção do Hospital e veremos se responderão com espírito de altruísmo aos apelos dos desabrigados e infortunados".

E assim, o Hospital ia ganhando a simpatia do Poder Público, pois, apesar do preconceito ao Espiritismo, ninguém poderia deixar de reconhecer naquela obra o valor inconteste que estava adquirindo para a cidade.

Em 15 de fevereiro de 1913, "O Clarim" noticia a doação da quantia de 200$000 (duzentos mil réis) anuais pela Câmara Municipal, ao mesmo tempo em que a Prefeitura cede, provisoriamente, ao Centro Espírita, a espaçosa casa do Largo Municipal de propriedade da Câmara, para onde o transferiram.

Em 11/5/1913 foi eleita a nova Diretoria do Hospital, que ficou assim constituída:

Presidente: Dr. Agripino Martins.

Vice: Francisco da Costa e Silva.

Tesoureiro: Dr. Gastão Laukner.

Secretário: Juvenal Moreira.

Membros da Diretoria: José Antunes da Silveira, Pedro Rossi, Leão Pio de Freitas, Francisco Correa, Manuel Correa de Araújo e Cairbar Schutel.

No entanto, as necessidades eram muitas e o número de doentes aumentava sem que o Hospital tivesse condições de atender. Essas dificuldades, porém, até que seriam contornáveis, mas o Hospital requeria muito tempo de Cairbar, prejudicando as tarefas espirituais e de divulgação da Doutrina, determinando com que o grupo optasse pelo fechamento do Hospital.

Some-se a isso a mágoa do "Bandeirante" de não ter encontrado ressonância na própria população da cidade, obrigando-o a buscar recursos fora, principalmente na Capital.

Em "O Clarim", de 22 de novembro de 1913, duas notas lacônicas e amargas anunciam:
Hospital de Caridade
"O Centro Espírita "Amantes da Pobreza" fechou o Hospital de Caridade, que durante o seu funcionamento foi mantido pelo mesmo Centro".
C.E. "Amantes da Pobreza"
"A Diretoria do C.E. "Amantes da Pobreza" deliberou, até nova resolução, limitar os seus trabalhos à propaganda pela palavra e pela imprensa.

As palestras semanais continuam a realizar-se no Salão da Associação aos domingos às 8 hs. da noite".




XVII
Apreensão de "O Clarim" em 1913
Cairbar Schutel tinha uma afeição especial pelo dia de Finados. Acreditava ele, que era nesse dia onde mais a propaganda espírita deveria ser feita, para levar o consolo que tanto precisavam as pessoas descrentes na sobrevivência do Espírito.

Assim, ele preparava com muito esmero todos os anos uma edição especial para essa data, e muitos exemplares extras para serem distribuídos grátis nos Cemitérios.

O ano de 1913, que marcou uma edição recorde de 40.000 exemplares, no entanto trouxe uma frustração, mas, se bem analisarmos, veremos que, guardadas as devidas proporções, assemelhou-se a um pequeno "Auto-de-fé de Barcelona", consoante à extensão da divulgação que logrou atingir para a Doutrina.

O acontecimento deu-se, por mais estranho que possa parecer, na capital cultural do País, ou seja, São Paulo, conforme noticia "O Clarim" de 8 de novembro de 1913:

"São Paulo, 3 - Meu telegrama de ontem - O delegado Dr. Rudge Ramos não consentiu na distribuição de "O Clarim" no Araçá e na Consolação, apreendendo uns tantos exemplares e nos ameaçando de prisão se insistíssemos. Mesmo assim foram distribuídos cerca de 1500 exemplares, e com felicidade indizível, pois, poucos foram os jogados à rua. A fim de não prejudicar a propaganda, dirigi-me ao Cemitério da 4.ª Parada, cuja afluência era enorme, quase como na necrópole do Araçá, e fiz toda a distribuição, de forma que às 4 hs. da tarde já não havia mais um "O Clarim" para remédio, tanto assim que aqueles jornais (pouquíssimos) que eram encontrados pelo chão, eram apanhados e lidos. (...) Dídymo Pereira"

A reação não se tardou por esperar. Espíritas de todo o Brasil e a imprensa em geral, enviaram protestos veementes às autoridades de São Paulo. Os jornais exploraram e divulgaram bastante o fato, acreditando se daí, ter sido providencial o tiro arbitrário desferido pelo Dr. Rudge Ramos contra o Espiritismo, porque este lhe saiu pela culatra... Nunca se houvera falado tanto sobre a "diabólica doutrina"...

Vejamos alguns fragmentos das matérias:

"O nosso bom amigo e talentoso colaborador, sr. Cairbar Schutel, redator do "O Clarim", tirou uma edição especial de 40.000 exemplares para distribuir grátis nos cemitérios, no dia de Finados.

No Rio, Santos, Campinas, São Carlos, Dourado, Curitiba, e diversas cidades de todo o País, a distribuição foi feita sem o menor incidente; porém, na culta Capital, residência dos "pachás" desta feitoria, já não se deu o mesmo: O Delegado Rudge Ramos proibiu a distribuição nos cemitérios da Consolação e do Araçá!" ("O Alpha", Rio Claro).
"O Clarim" e a Polícia
"Expomos na nossa vitrine o n.° do jornal que se publica em São Paulo, "O Clarim", que nos foi remetido pelo sr. Lins de Vasconcelos.

Esse n.° de "O Clarim" foi em São Paulo proibido de ser distribuído no Cemitério do Araçá no dia 2 de novembro por um Delegado de Polícia, naturalmente influenciado pela arrogância do Clero ignorante". ("Diário da Tarde", Curitiba).


O Delegado proíbe a distribuição de um jornal
"O Delegado de São Paulo proibiu a distribuição de "O Clarim" nos cemitérios do Araçá e Consolação (...)"

("Gazeta de Notícias", São Paulo).


Censura jornalística em São Paulo
"Esteve ontem em nossa redação, uma comissão de redatores de "O Clarim", órgão de propaganda espírita que se edita em Matão, São Paulo.

Compunham a dita comissão os srs.: Dr. Vianna de Carvalho, José Tosta, Alcindo Terra, e Vicente Abreu Costa, os quais mostraram o seguinte telegrama: (...)" ("Correio da Manhã", São Paulo).


Atentado à Imprensa
"(...) acaba de ser vítima das façanhas de um Delegado da Capital que impediu que o mesmo fosse distribuído nos Cemitérios em Finados.

Admiramos que numa cidade adiantada como é São Paulo, hajam autoridades de tal ordem, que violam os sagrados princípios de liberdade da imprensa garantidos pela nossa liberal Constituição.

Proibir a circulação de "O Clarim" por que?

Onde achou esse Delegado arbitrário base para essa resolução? O sr. Chefe de Polícia não teria conhecimento de tal fato?

A "Atualidade" não pode deixar de consignar aqui o seu protesto contra esse ato ilícito daquela autoridade, contra esse ato atentatório aos princípios constitucionais, que verdadeiramente depõe contra os poderes policiais de S. Paulo.

Isso não pode ficar impune: resta que o Dr. Secretário de Justiça e Segurança Pública tome previdência acertadas, para proibir tal abuso de excesso de Poder. ("A Platea", de São Paulo).


A Arbitrariedade de um Delegado
"(...) Tratava-se de um órgão de propaganda espírita e, como tal, escrito em linguagem sã, elevada e inspirada na moral mais pura.

Doutrinário, "O Clarim" pregava a sua crença usando da liberdade de pensamento, segundo garante a Constituição em seu artigo 72.

O mesmo estatuto, estabelece que os Cemitérios terão caráter secular, sendo livres a todos os cultos religiosos, à prática dos ritos em relação aos crentes, desde que não atentem contra a moral pública e as leis.

Em Santos, a distribuição, que foi tão profusa, não encontrou óbice algum (...)

Em outras muitas localidades o modesto colega encontrou igual aceitação e circulou fartamente levando a muitos lares a sua frase de propaganda, que busca alcançar firmar-se não pela violência, pelo "PERINDE AC CADÁVER" do jesuitismo de Loyolla, mas pelo raciocínio, pela lógica; o colega pretende vencer com tais armas que nobilitam a quem as usa. (...)

Pedantesco o moço assim procedeu cerceando em sua liberdade uma folha cujo crime era pregar uma moral verdadeira.

Teria sido essa a causa de sua irritação?

Que lhe proste e caia o castigo de se ver apontado como o único a ter tal procedimento". ("A Tribuna", Santos).

E com toda esta grita, a Doutrina foi colocada tanto mais em evidência que se tal fato atentatório à liberdade não tivesse sido perpetrado.

Mas uma série de boas noticias também fizeram parte do episódio. Vejamos alguns dos telegramas dando conta da divulgação em outras cidades:

"S. Carlos, 3 - A distribuição de "O Clarim" foi feita com toda a regularidade e com a aceitação por parte do público que, confiamos em Deus, há de abrir os olhos à Verdade." Antonio Diniz.

"Dourado, 3 - Mandei distribuir cento e poucos boletins na cidade, setenta na Estação à passagem do Rápido; e o restante eu e um amigo distribuímos aos visitantes na necrópole municipal". Eurípides Rocha.

"Santos, 3 - E com satisfação que dou conta da tarefa que me foi confiada. Começarei dizendo que não me faltou o auxílio de Deus para o bom desempenho da missão de que fui encarregado. Acompanhado de dois amigos, fiz a distribuição de "O Clarim" que eram entregues sempre acompanhados de solicitações "para que lessem em casa com vagar e atenção". O povo, por sua vez, aceitava-o - notando-se no semblante de cada um - um misto de espanto e curiosidade. Assim, foram distribuídos os 3.000 jornais; penso ter cumprido meu dever". Gennaro Millas.

"Capivari, (E, do Rio) 8 - Fiz distribuir os boletins nos cemitérios daqui, de Rio Bonito e de Saquarema. Correu tudo bem". Columbano Santos.

"Jaboticabal, 12 - A distribuição de "O Clarim" aqui foi feita pela manhã, correndo tudo aos nossos desejos. Não vi um só avulso rasgado. Ao saírem do Cemitério, muitos dos que iam recebendo os impressos, os liam em voz alta à sombra das árvores plantadas em redor da necrópole". V. Tamarine.

"S. João Baptista Cachoeiros (Minas), 12 - Fiz profusa distribuição do Boletim que foi aceito com simpatia ou curiosidade". Benedicto Pires Prado.

"Bebedouro, 12 - Distribuí os Boletins no Cemitério, com ótimo resultado, pois o nosso trabalho mereceu a consideração do vigário, que num sermão na Igreja nos excomungou - "a quem fez tantas heresias, a quem distribuiu os impressos" - e, ainda sob pena de excomunhão, proibiu que fossem os jornais lidos. Por aí podemos calcular a salda que os mesmos tiveram e a sofreguidão com que eram lidos". F. Vellozo. (Os grifos são do Autor) .

"Descalvado, 13 - Os 300 Boletins foram insuficientes. Mandamos imprimir mais 650, no mesmo teor. Destes, o C. E. "Fé e Amor" remeteu 150 para Porto Ferreira, e os restantes foram distribuídos nesta cidade. Felizmente ninguém recusou receber os impressos, cuja idéia foi muito aplaudida". José Vitorino.

"Piracicaba, 12 - "O Clarim" aqui fui distribuído sem nenhuma nota desagradável e, penso, com bom resultado". Pedro de Camargo.

"Bahia, S. Salvador, 7 - Fiz a distribuição dos jornais. Não sei ainda o que produzirá as sementes. Aqui reina a indiferença como moléstia dos Tempos". B. Vargão.

Além desses, "O Clarim", também recebeu mais telegramas: "Revista Verdade e Luz", São Paulo; José L. Pereira, Taquaritinga; Raul Ciesta, Valença; Tomaz Aquino, Niterói; Augusto dos Santos, Itabuna; Abel F. Oliveira, Brotas; Elias M. Vargas, S. João do Ariranha; Antonio Alexandrino, Rocinha; Alexandre de Abreu, Ribeirão Preto; Henrique Macedo, São Paulo; Floriano Martins, Rio de Janeiro; Otávio Campos, Sertãozinho; e muitos outros não transcritos nas suas páginas por falta de espaço.

Outro costume do nosso Cairbar, era pagar passagens de trem de ida e volta a cidades perto de Matão para pessoas que iam distribuindo "O Clarim" gratuitamente aos viajantes; ou então, ele próprio ficava na Estação esperando as composições para distribuí-lo durante as paradas.





XVIII
Visitas à cadeia pública

Em julho de 1914 o C.E. "Amantes da Pobreza" estendeu suas atividades à Cadeia Pública de Matão, mais especialmente Cairbar Schutel, que passou a visitar os sentenciados semanalmente e promover comemorações na Páscoa e no Natal com eles.

Este costume, Schutel conservou até o fim de sua vida, sendo que os próprios policiais lhe solicitavam a presença sempre que lá era internado algum "louco", já que com a ausência de Hospitais Psiquiátricos na época, esses infelizes eram jogados nas Cadeias Públicas mesmo.

Benedita de Oliveira, afilhada de Cairbar - não precisamos dizer que batizada antes de sua conversão - e que serviu como sua trabalhadora domestica, conta que "ele gostava de tirar fotografia de gente meio "variada", o senhor sabe, meio louca", e se recorda de muitos casos semelhantes ao que relatamos a seguir.

"Um homem da cidade de Dobrada, que sempre fora normal, pai de seis filhos, vida regrada e sem vícios, um dia, aparentemente sem mais nem menos, largou a enxada, saiu correndo e escondeu-se no mato em posição catatônica.

"Seo" Schutel soube do caso e disse para Mariquinhas:

"Eu vou buscar ele, dar um "passe", para ver se ele fica bom".

"Schutel, você vai é procurar sarna para se coçar" - argumentou a esposa.

"Mas, "seo" Schutel foi e trouxe o homem. Tirou as algemas, D. Mariquinhas ofereceu um prato de comida para ele, que pegou e o atirou na cara dela. O padrinho, sem se abalar, bateu uma foto dele antes de dar um "passe" que, depois de revelada, mostrou nitidamente duas mãos do lado esquerdo do doente. Daí o padrinho fez uma prece, deu um "passe" e a polícia levou ele de volta à Cadeia".

Já apresentando visível melhora, o trouxeram no dia seguinte para outro "passe", e, no terceiro dia, o lavrador já pôde voltar curado para casa, sendo que não se lembrava quase nada do que havia se passado consigo".

D. Antoninha Perche, de quem falaremos adiante, traz boas lembranças dessas visitas:

"Desde a criação da Cadeia Pública, "seo" Schutel, que já era espírita, adquiriu o costume de ir visitar os presos. Ele fazia preleções evangélicas muito apreciadas, dava "passes" e nunca ia lá de mãos vazias. Sempre levava alguma coisinha para eles. Chegaram, essas visitas, a se tornarem famosas, tendo, inclusive, o sr. Martins de Castro, quando foi Prefeito, acompanhado "seo" Schutel em uma delas, ocasião em que foi tirada uma foto e distribuída a diversas pessoas da cidade, retratando o Prefeito, Schutel, o Delegado e os presidiários".

Também José da Cunha dá seu depoimento: "(...)

Muitas vezes ele era chamado pelos policiais para assistir pessoas obsidiadas e, não raras vezes, violentas. Ele fazia suas preces, pedia para abrir a porta e soltar os doentes. Os policiais refutavam, mas ele insistia e garantia que os doentes não iam fazer mais nada. Levava-os então para casa, chamava a médium, D. Sinhá Musa, fazia uma concentração e pedia aos Espíritos que se comunicassem por intermédio da médium. Doutrinava-os e eles voltavam bons para suas casas, para invariável espanto dos policiais".

Além desses, inúmeros outros casos são relembrados por pessoas da época, sendo que, também de outras cidades e até do interior de Minas, traziam obsidiados para serem tratados por Schutel.

A ação de Schutel junto a reeducandos não se limitou à Cadeia Pública matonense, mas às da região, conforme noticia "O Clarim" de 21 de julho de 1917:


Palestras espíritas aos presidiários de Araraquara
"Com a autorização do Exmo. Sr. Delegado Regional, Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Júnior, o nosso companheiro C. Schutel iniciou a série de Palestras morais com os presidiários que cumprem pena na Cadeia de Araraquara.

A primeira palestra, que foi levada a efeito quinta-feira última, versou sobre o tema "A existência da Alma, sua Imortalidade e seu Progresso Infinito".

Ao lado do nosso companheiro; assistindo à preleção que se prolongou por hora e meia; achava-se nosso confrade, sargento Fagundes, Comandante do Destacamento local, que ao encerrar a reunião, dirigiu aos detentos palavras de verdade e consolação. Depois da prece final, quando nosso companheiro Schutel despedia-se de todos, reconfortando-os com palavras animadoras, foi lhe, por um dos presidiários, oferecido um belo ramalhete de violetas em nome de seus companheiros de exílio, que atingem quase ao número de oitenta (...)"


XIX
A cura dos obsidiados
Mas outros casos de cura de obsidiados ficaram famosos, como o que transcrevemos a seguir, relatado pelo jornalista José Romanelli:

"Do seu amor e devotamento aos seus semelhantes, eu relembro aqui a recuperação, por ele conseguida, do Martinho Rodrigues Alves, o Martinzinho, como era popularmente conhecido nas ruas da velha Matão do meu tempo de criança. Era o Martinzinho um pobre marginal sem eira nem beira. Tipo amulatado, de barbicha eriçada e rala, dado ao vício da embriaguez, era alvo da galhofa e do escárnio de toda a gente e, principalmente, dos garotos e dos rapazes que o apupavam formando círculo a seu redor, instigando-o a dançar e a cantar, como incontrolado débil mental que era, chamando-o em altos brados pelo apelido, respondendo o infeliz ao apelo com um característico: - Quióooo - que até hoje ressoa nos meus ouvidos.

E comumente era Martinzinho preso levado para a cadeia sob espadeiradas dos soldados (cenas comuns àquele tempo), todo ferido, vertendo sangue.

Um dia Schutel tomou Martinzinho sob sua guarda e proteção, e conseguiu com o seu carinho e a sua brandura, aquilo que os outros homens não conseguiram pela força e pela violência.

Do ébrio contumaz e inútil fez um homem bom, morigerado e trabalhador.

Nunca mais se viu Martinzinho atirado às sarjetas das ruas servindo de escárnio e de joguete; nunca mais se repetiram aquelas degradantes cenas em que, preso, era arrastado pelos soldados e desapiedadamente espancado.

E sabem todos os meus contemporâneos como terminou seus dias o popular Martinzinho.

Morreu de um colapso à porta da farmácia do Schutel, amparado nos braços do seu protetor e melhor amigo".

Numa sociedade pequena como Matão, esses episódios em pouco tempo corriam de boca em boca e ficavam na ordem do dia por muito tempo.

Isso também ocorreu com o caso da preta Quitéria.

Todos conheciam Quitéria, que por apresentar problema de obsessão, começou a freqüentar o "Amantes da Pobreza", mas por breve tempo, porque o marido deixou de acompanhá-la.

Um belo dia Quitéria sumiu. O marido procurou a por vários dias e não conseguiu encontrá-la, até que um dia apareceu um caçador na Delegacia e disse que tinha visto uma preta imóvel e em estado de inanição na floresta.

"Acho bom vocês irem buscá-la, porque senão vai morrer de fome" - disse a testemunha.

Os policiais foram de carroça no local indicado, viram o estado deplorável da mulher e, incontinenti, mandaram chamar o Schutel.

Cairbar para lá se encaminhou com José Maria Gonçalves e, prontamente, reconheceu Quitéria. A muito custo conseguiram levar a negra para a casa do Schutel.

"Veja a que ponto um Espírito pode deixar uma pessoa - comentou Schutel com Mariquinhas. - "Se não a encontrássemos iam fazê-la ficar assim até desencarnar!"

Aí Schutel chamou Dna. Elvira Perche, Dna. Conceição Ferreira e Dna. Sinhá Musa, a médium, para que viessem dar banho, trocar a roupa e aplicar remédio para mosca varejeira que empestiava a negra.

E assim ficou, Quitéria, muitos dias na casa de Cairbar, tomando "passes", tendo os Espíritos que a perturbavam sendo doutrinados, e, em menos de um mês, seu marido pôde vir buscá-la, totalmente sã e recuperada.

Viveu, ainda, muitos anos a negra Quitéria, sem que qualquer sinal de obsessão voltasse.



XX
A mediunidade de cura de Cairbar
Cairbar Schutel não fornecia apenas os remédios à cura das pessoas, mas ele mesmo, um predestinado nas questões do Espírito, oferecia através de sua mediunidade o tratamento providencial para os males físicos.

José da Cunha foi um dos beneficiados com a mediunidade de cura de Cairbar:

"Não só presenciei, como também fui curado de uma pneumonia dupla por "seo" Schutel, depois de estar desenganado pelos médicos. A doença aconteceu quando eu tinha 8 anos, e depois de 7 ou 8 dias, o médico disse à minha mãe que Eu não passava daquela noite e que ela já podia ir providenciando meu enterro. Depois que ele saiu, "seo" Schutel chegou em casa e minha mãe contou o que o médico havia previsto. Então ele disse: "Já que a ciência materialista se tornou impotente, vamos tentar a espiritual". Eu sentei sem camisa numa cadeira e ele começou a orar e me abanar de cima em baixo dando-me um "passe". Resultado: depois de uns quarenta minutos, a minha febre tinha desaparecido e o perigo de morte também. No dia seguinte, o médico, Dr. Agripino Dantas Martins, surpreendeu-se com minha recuperação e disse: "Tenho a certeza que o Schutel passou por aqui!"

A mãe do Cunha também pode ser citada como exemplo:

"Também houve o caso de minha mãe, que teve uma infecção muito forte e esse mesmo médico uma hora disse: "A ciência chegou ao seu limite". Corremos a chamar o "seo" Schutel, que encontrou-nos todos chorando. Relatamos o que o médico havia dito e contamos que minha mãe pedia insistentemente uma soda limonada bem gelada. Ele falou: "Já que a ciência deu sua última palavra, vamos fazer o tratamento espiritual e depois ela deve comer e beber o que lhe der vontade". Ele fez o "passe" nela e nós providenciamos o refrigerante conforme sua vontade, que ela sorveu com satisfação e adormeceu. Para nossa alegria e surpresa, no dia seguinte ela já estava de pé trabalhando".

Esses casos levaram os Cunha a aproximarem-se cada vez mais de Schutel. A mais relutante foi a avó do Cunha, que converteu-se depois de uma insólita ocorrência mediúnica conforme José da Cunha rememora:

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