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"Minha avó, que era portuguesa, tinha três irmãos e um sobrinho padres, o que nos leva à dedução, portanto de como era difícil para ela compreender nossa ligação com o Espiritismo. Mas como ela tinha dois filhos que trabalhavam com Schutel, um no "Clarim" e outro na farmácia, um dia ela foi assistir uma sessão espírita. Muito desconfiada, sentou-se sozinha no fundo do salão, imaginando o engodo que seria aquilo. Num dado momento, inclusive para espanto de todos, ela recebeu um inesperado e forte tapa no rosto que ficou-lhe até a marca. Daí em diante ela tornou-se espírita e dizia:

"Só assim mesmo eu podia ter uma prova para me converter ao Espiritismo!" Posteriormente, ela tornou-se uma grande colaboradora do "Clarim".




XXI
O apego de Cairbar aos animais
Os Perche possuíam um cachorro de nome Pindão, que fora criado desde pequeno cercado de muito afeto. Quando já estava em idade bem avançada, Pindão apareceu com bicheiras nos olhos e estava sofrendo muito. Mariquinhas Perche, que estava doente com pleurite purulenta, viu o cachorro naquele estado e começou a chorar, inconsolável. Seu irmão Zeca, que era prático de farmácia, formado por Schutel, foi chamado para fazer um curativo em Pindão. Sentindo que o caso era sério, e condoído pelo sofrimento do cachorro e o desespero da irmã, Zeca foi até à farmácia do "seo" Schutel para consultá-lo sobre que atitude tomar: se tentava prolongar a vida do animal ou se lhe dava clorofórmio para abreviar o sofrimento. Schutel falou: "Olha Zeca, eu não vou dar palpite nenhum. Você decide o que achar melhor". Zeca, então, resolveu ministrar o clorofórmio.

Alguns meses depois, o casal Schutel, que tinha um gato rajado, de nome Nhonhô, que era o xodó de Dna. Mariquinhas por causa das brincadeiras que promovia com as roupas e novelos de lã da dona da casa, recebe o gato com os olhos pendurados e todo machucado por uma briga em que houvera se envolvido. Schutel pegou carinhosamente o gato no colo, tentou fazer um curativo, examinou a situação delicada do animal, e com muita tristeza no coração disse a Mariquinhas: "Veja como o destino nos prega peças. Ainda outro dia eu me esquivei de dar opinião no caso do Pindão e fugi do problema; hoje não posso e tenho de decidir na mesma situação. Eu sei que parece que não é justo isso, mas a gente não tem coragem de ver os animais sofrerem! Não consigo explicar isso!" E terminou por ministrar o clorofórmio ao bichano.

Nhonhô foi, inclusive, honrado na Revista Internacional do Espiritismo de fevereiro de 1933, que lhe publicou a fotografia com a seguinte legenda: "Nhonhô - nosso amiguinho e companheiro de escritório".

"E Cairbar era assim mesmo. Sensível até ante a dor dos animais. Tratava-os, à maneira de São Francisco de Assis, como se fossem seus irmãos menores" - compara seu biógrafo Machado.

Durante muitos anos quem transportou Schutel foi um burrico muito bem cuidado, e quando o muar caiu doente ele emprestou um guindaste para levantá-lo e poder medicá-lo.

A despeito de todos os esforços de Schutel "veterinário", o muar veio a falecer vitimado por uma generalizada paralisia. Enterrou-o, o dono, com muito pesar.

Com a morte do burro, Cairbar adquiriu um veloz cavalo tordilho a quem logo se apegou. Esse cavalo, que recebeu o original nome de "Cabrito", chegou a disputar parelhas e era muito mimado pelo dono.

Cabrito, que ficava solto no quintal da casa, acostumou-se a pôr a cabeça nas janelas pedindo balas ou açúcar cristal que Cairbar estava acostumado a oferecer-Ihe.

Algumas vezes, o traquino e jovem aprendiz de farmácia, João José Aguiar, trocava o açúcar cristal por algodão com amoníaco e o animal, então, começava a relinchar, focinhar o ar e dar voltas em torno de si mesmo. Cairbar, ingenuamente, comentava com os circundantes:

"Puxa vida! Olha como o Cabrito está alegre e brincando hoje! Que será que aconteceu com ele?"

E nunca descobriu que a "alegria" do Cabrito era com o amoníaco do Joãozinho, que ria-se a valer no fundo da farmácia...

Quando Cabrito começou a ficar velho e cansado, Schutel adquiriu, a muito custo, um Fordeco 28 e aposentou o cavalo.

Alguns anos depois, já muito doente, uma noite Cabrito bateu com as patas na porta da casa de Schutel e este lhe fala, fazendo carinho na cabeça:

"Calma, Cabrito, amanhã cuido novamente de você, está bem?"

No dia seguinte o cavalo apareceu morto e Schutel compreendeu, então, que ele houvera vindo se despedir dele na noite anterior.
***
Rolf era o nome do cão dinamarquês que Cairbar teve em seus últimos anos de vida terrena. Leopoldo Machado relata a amizade entre os dois em seu livro "Uma grande vida".

"(...) Era um cão de raça, todo negro, que um amigo lhe ofertara ainda pequeno.

Tornou-se um cachorro enorme, feroz e carrancudo para toda gente. Mas parecia sorrir para o dono, sentado como gente, a uma cadeira. Era doidinho por pastéis bem feitos, ovos cozidos e sorvete de qualquer espécie. Apreciava essas iguarias todas com intensa alegria de criança!

E como gostava de automóvel!

Passear no carro do dono, no assento traseiro, com garbo de fazer inveja, era o seu fraco. O dono podia ir a negócios - que lhe minguava o tempo para passeios! - mas, as saldas diárias do Cairbar Schutel valiam por excelentes passeios para Rolf.

Naturalmente por haver perdido o hábito de andar na rua, como os outros cães, certa vez um caminhão o pegou. Escadeirou-o, fraturando-lhe uma perna traseira. Schutel sentiu demais o desastre do amigo Rolf. Tratou-o durante meses, com os cuidados e os carinhos de gente boa para com as pessoas queridas. Rolf, tantos foram os zelos do patrão e amigo, que sobreviveu, embora ficasse manco. (...)

De acordo com que relata Juvenal dos Santos, funcionário da Casa Editora, Rolf morreu de tristeza e inanição logo em seguida ao dono.



XXII
Uma herança para Cairbar Schutel
"Mesmo morando distante, Schutel não perdeu contato com a família e, em 1920, ele é incluso na partilha de bens de uma herança de família. Eis o texto do testamento lavrado em Cartório do Rio de Janeiro:

"Líquido remanescente da terça. Importa o líquido do remanescente da terça a quantia de nove contos, trezentos e setenta e oito mil, quinhentos e setenta e um réis. Herança cuja quantia "ex-vi" da verba testamentária folhas vinte e nove, pertence ao filho do inventariador, Henrique Jacques Schutel e a seus netos a saber: Cairbar e Arthur, filhos do herdeiro falecido Anthero; Adelaide, filha da herdeira Dna. Maria Elisa; Henrique, Ernesto, Antero, Maria Elisa, Estanislau e Leonor, filhos do herdeiro Francisco Damas de Souza Schutel; e cabe a cada um a quantia de nove contos (937$897) e trinta e sete mil, oitocentos e noventa e sete. Foram 468.948 1/2 braças quadradas de terras avaliadas a 2 réis = 937$897 a cada um dos netos de Dna. Maria da Glória Schutel (10 herdeiros da terça, inclusive Henrique Jacques Schutel). Em tudo, 4.689,485.

Recapitulação:

restam a favor de H. J. Schutel 4.187,329

Quantidade para 10 herdeiros 4.689,485

Da meação do Dr. Schutel 16.797,804

Além do dinheiro recebido, constava da herança terras em Santa Catarina que, apesar de ter interessados em adquiri-las nessa época, só foram vendidas em 1934. Não conseguimos apurar se coube a Cairbar também uma parte das mesmas, porém foi ele o escolhido para procurador e para vender as terras, conforme se depreende de suas anotações de 24/09/34:
NOTA DAS DESPESAS PARA ESCRITURA DAS TERRAS DE SANTA CATARINA
CIZA .........................................................990$200

IMPOSTOS E MULTAS ............................316$600

CERTIDÕES E GUIAS .................................37$200

CUSTAS DE CARTÓRIO ............................56$000

QUITAÇÃO E SELOS ..................................26$000

PASSAGENS E VIAGENS ...........................30$000

ESCRIT. DISTR. E SELOS ...........................99$000

GRATIFICAÇÃO ARTHUR BECK .............. 50$000 =

1:599$000

Dinheiro ONOFRE

CLEU 1:400$000

RESTA 199$000

C. SCHUTEL


XXIII
A fundação da RIE
Não diríamos ter sido mais um órgão de divulgação espírita no Brasil, mas a Revista Internacional de Espiritismo foi, na realidade, um capítulo todo da história do Espiritismo, já que representou um marco na proclamação das virtudes da nova Doutrina em seu tríplice aspecto: religioso, científico e filosófico.

Sua linha editorial era de sempre manter o alto nível dos artigos, que pendiam mais para o ramo cientifico e experimental dos fenômenos e, como o próprio nome já indicava, internacional, publicava em suas páginas colaborações dos grandes pesquisadores mundiais do Espiritismo e do Animismo da primeira metade do século.

Nome já respeitabilíssimo na Europa quando da fundação da revista, aquele homem simples e humilde do interior não tinha, em absoluto, qualquer ambição de projeção ou de elevar seu nome à fama além-fronteira, mas unicamente propagar a Doutrina do Consolador Prometido por Jesus e de "colocar a candeia à vista de todos". Sim, a luz tinha que brilhar e a R.I.E. seria uma oportunidade de levar aos cultos e poderosos, numa linguagem mais elaborada, as experiências que se realizavam no mundo para se provar a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, objetivo este um tanto diferente de "O Clarim", que,como ele próprio definia, "era feito para os mais humildes e de menos cultura".

E o "sonho" vingou. Hoje já são mais de sessenta anos da Revista Internacional de Espiritismo circulando ininterruptamente, como a grande herança do mestre Cairbar.

A sua garra e pujança sem igual elevaram o nome do Brasil à galeria dos países reconhecidamente espiritualizados do globo e há seis décadas a R.I.E. tem sido a mensageira da Doutrina dos Espíritos pelo mundo.

De muitas lutas, porém, constituiu-se a concretização do projeto da revista.

Com a experiência adquirida, o sucesso e a sedimentação em bases sólidas de "O Clarim", Cairbar Schutel durante longos anos alimentou, no silêncio de sua intimidade, o desejo de editar uma revista nesses moldes.

Era muito arrojo sim, mas uma voz interior o fazia sentir que a obra não estava completa e que ele tinha que procurar atingir um público diferente que com "O Clarim" ele não estava conseguindo.

Foi quando, no início da década de 20, um assíduo leitor seu, Luís Carlos de Oliveira Borges, descendente de tradicional família paulista, Barões de Dourados, da cidade de Dourados, foi a Matão conhecer o editor do jornal que tanto apreciava.

Dessa primeira visita firmou-se uma amizade sólida, sincera, em que prevalecia um mútuo respeito e admiração, pois eram espíritos provindos da mesma forja, de caráter ilibado e idealistas.

Tomando-se de amores pela obra da Casa Editora, Borges principiou a auxiliá-la, reconhecendo em Schutel um espírita de alto coturno, merecedor de seu apoio, já que condições financeiras não lhe faltavam para tal.

Certo dia os dois foram fazer uma viagem a serviço da Doutrina, quando Schutel comentou descompromissadamente com Borges, de quem já era íntimo, do sonho há anos acalentado. O amigo interessou-se e tomou as rédeas da conversa:

"Mas essa propaganda junto a pessoas mais letradas não poderia ser feita através do "Clarim"?"

"O Clarim", Borges, foi feito para os simples. Eu gostaria de ter um material mais profundo, com boa apresentação, para poder chegar nos consultórios dos médicos, nos lares de pessoas ilustradas, enfim, conseguir atingir um público mais específico. E certo que com o "Clarim" já luto com muitas dificuldades, mas quando vejo o volume de correspondência do estrangeiro que recebo com um material tão bom, e que tenho que arquivar sem poder dar divulgação, isso me condói bastante".

"Pois, Schutel, eu vou ajudar você a fazer essa Revista".

"Ora, Borges, o investimento seria muito alto e não acho justo você arcar com essa despesa toda. Seria uma temeridade".

"Eu confio em você. Pelo que o conheço, você tem plenas condições de levar a idéia adiante se tiver suporte material para tal. Por isso, vamos amadurecer essa idéia com carinho".

"Eu recebo correspondência, jornais e revistas da França, E.U.A, Inglaterra, Alemanha, Espanha e inúmeros países com farto material, mas só extraio artigos sobre Espiritismo nas línguas espanhola e francesa, as outras tenho muita dificuldade em conseguir quem traduza, mas contatei com um confrade nosso, Ismael Gomes Braga, do Rio, que se interessou em traduzir do alemão, inglês e italiano. Com ele, já poderemos dar os primeiros passos na parte da Redação".

A conversa desviou-se para outros assuntos da Doutrina, mas o fato é que Luís Carlos Borges já havia encampado a idéia. Pela correspondência enviada por ele a Cairbar Schutel, depois da resolução de se editar o novo periódico, podemos reconstituir os primeiros passos da RIE:

13/1/1925: Luís Borges dá conta de que obteve preços da "Empresa" para a confecção da revista. Foi buscar as provas, porém "o sr. Carvalho respondeu não estarem prontas, só amanhã às 4 horas, apesar de no sábado um outro empregado dizer-me que as procurasse hoje; irei amanhã".

15/1/1925: "Ontem recebi as provas e originais, encontrando muitos erros achei melhor que esta revisão fosse feita por pessoa competente, mesmo pela urgência que temos. Este serviço fica pronto hoje e amanhã entregarei à Empresa M. Lobato. Como uma parte destas provas tem muitos erros, pedirei desta uma segunda prova salvo se o Sr. Carvalho me garantir, responsabilizando se pela boa execução do serviço. Tratarei de zelar o mais possível por tudo. Por estas coisas que estou vendo, calculo o que farão essas tipografias aí pelo interior; por isso se quiser que o segundo número da Revista seja, impresso aqui mande suas instruções que terei muito prazer".

19/2/1925: "Estive dez dias de cama com gripe. Anteontem foi despachado o papel, o conhecimento segue com esta. O clichê feito nas Oficinas do "Estado" custou 6$000 e as que você tiver de mandar fazer, mande-me as fotografias para serem feitas aqui; as encomendas devem ser feitas com antecedência".

5/3/1925: carta de teor íntimo.

19/3/1925: "Fico ciente de que agora você está resolvido a comprar a máquina tipográfica e como sempre lhe falei, é preferível gastar um pouco mais para ficar bem servido. Eu pagarei a máquina; o dinheiro que você tem disponível deve guardar para outras despesas. Se quiser comprar a máquina aí lhe mandarei a importância e o mecânico para deixar a transmissão com comprimento suficiente para esse fim. O que for necessário fazer, desejava aprontar antes da máquina chegar, para não haver demora em seguir a pessoa encarregada de fazer funcioná-la. Recebi a Revista, achei muito boa.

27/3/1925: "Fez muito bem ter dado por mim 50$000 aos pobres, creia que foi distração minha nada ter mandado antes. Remeto-lhe um cheque de 500$000 para descontar aquele dinheiro e empregar o restante como entender. Estimo a velhinha ter passado melhor".

28/3/1925: Seria bom você tornar a falar em Araraquara com a pessoa que quer vender a máquina tipográfica, formato Germânica, máquina alemã adquirida antes da guerra por 12:000$000; você ofereceu 15:000000; quem sabe se por um pouco mais lhe vende; você com essa máquina poderá dispor da pequena que me disse estar necessitando de consertos".

14/4/1925: "O Bromberg recebeu diversas máquinas "Phoenix" de quem é representante e, pelas informações que tive de pessoa entendida sobre essas máquinas, resolvi não esperar mais tempo e comprei uma hoje por 8:550$000; paguei metade a vista e outra metade depois de estar assentada e funcionando, para o que seguirá para aí, quando chegar a máquina, pessoa competente para dar as instruções necessárias. Peço a você me avisar assim que chegue a máquina e achava bom não desencaixotá-la, para isso ser feito na presença da pessoa encarregada do funcionamento. Antes que chegue a máquina desejo mandar uma polia de diâmetro certo, para ser colocada aí na transmissão. Com essa máquina acho que você terá mais sossego. Recebi as "Vozes do Além pelo Telefone". E uma coisa extraordinária. Já li uma vez, vou ler outra e lhe devolvo".

16/4/1925: "Peço ver o lugar onde deve ser assentada a máquina e tomar medida do centro da máquina ao eixo da transmissão para lhe mandar a correia para a mesma. O João foi para o Rio com a família passar algum tempo, falei-lhe das comunicações dos espíritos pelo telefone, disse-lhe que procurasse o Oscar d'Argonnel que seria provável ele obter alguma comunicação".

19/4/1925. Recebi essa carta, mas por ser sábado e já tarde não houve tempo de comprar o papel glacê. Amanhã ou depois mandarei um mecânico aí estudar o meio mais fácil para assentamento da máquina".

21/4/1925: Comprei ontem na casa Júlio Costa & Cia, 12 resmas de papel glacê conforme a amostra. Vão lhe remeter como carga. Era o que tinham, disseram que nestes dois meses receberiam mais. O cheque de 2:200$000 que mandou-me dava para comprar 1.5 resmas e sobrava dinheiro. Vou procurar em outras casas para inteirar as resmas que faltam. Na casa Bromberg perguntaram me se você tinha massa boa para os rolos; se não tem preciso mandar daqui".

6/5/1925: "Os Snrs. Bromberg & Cia disseram-me que lhe remeteram massa para rolos, de uma só qualidade, da melhor, 19,200 Kg., tipo extra Leão. Soube que um redator da "Verdade e Luz" dissera que a Revista luxuosa como apareceu, não pode criar dentes, mas tenho fé em Deus que há de se desenvolver e melhorar cada vez mais e, para isso, Jesus será sempre consigo. Recebi aviso da Casa Bromberg pelo telefone, que a máquina de grampear chegou; hoje mesmo mandarei despachar e juntamente, os rolos de arame".

23/5/1925: "Recebi suas cartas de 8, 16 e 18 do corrente, que respondo. Realmente você é de uma energia rara, enquanto lhe escrevo uma carta recebo quatro e mais; deve se poupar mais, pois já tem tantos serviços inadiáveis. Logo que recebi sua carta de 18, fui à casa Bromberg & Cia. fazer a encomenda da sua lista de tipos, fios de latão e caixas, mas encontrei somente parte; o que não tinham pediram do Rio para remeterem como encomenda. Graças a Deus você conseguiu depois de muita labutação arranjar tipógrafos que sejam constantes e bons, para, ao menos, por esse lado, ter mais descanso. Hoje recebi seu cartão de 22 com mais dois números da Revista e a primeira impressão da inauguração da máquina; que seu funcionamento dê o resultado que necessitamos é somente o que desejo. Junto mando-lhe o clichê e a planta da máquina de grampear".

25/5/1925: "Eu e Cota vamos passando regularmente bem. Bom mesmo nunca se está. Esse tempo já se foi, agora vai-se tenteando, desde que se consiga fazer o mais necessário devemos nos dar por felizes".

26/5/1925: "Junto uma nota do que ainda falta. Disseram-me agora que nem no Rio eles têm. Se você quiser, poderei comprar aqui o que falta. Queira dizer-me onde se encontra e explicar-me, que disto não entendo. Eles não podem avaliar o conserto das peças da máquina de "O Clarim" sem que estejam aqui. É melhor você despachar essas peças para a Casa e me avisar que eu tratarei disso. Mas você está ciente das peças que precisam conserto? ou será melhor ir o mecânico para desmontar a máquina e separar as peças que devem vir? Os clichês foram despachados e as provas seguem com esta. Aquele do Léon Denis achei que não ficou muito bom ".

7/6/1925: "Quando conversamos pelo telefone já estava ciente que Bromberg & Cia já tinham lhe remetido a encomenda que esperavam do Rio. Peço-lhe o favor de mandar a Revista registrada para o sr. Armando de Campos, rua Olga, n.° 51, nesta capital, começando pelo 5.° número, que os anteriores arranjarei dos que ainda tenho aqui e mandar também o "O Clarim", ambas assinaturas por um ano".

Esta carta traz um pequeno P.S.: - "Aqui amanheceu hoje chovendo e esfriou bastante. Recomendações ao pessoal daí".

Como pudemos tomar ciência, a primeira revista não foi impressa na Casa Editora, mas em São Carlos e só saiu em fevereiro de 1925, apesar de ser do mês de janeiro. A partir do 3.° número, a RIE passou a ser confeccionada nas oficinas da Casa Editora como o é até hoje.

Assim que saiu o número inicial da RIE, Cairbar acorreu pessoalmente, e muito entusiasmado, à casa de todos os médicos, engenheiros e advogados de São Carlos, Taquaritinga, Jaboticabal e outras cidades da região araraquarense divulgando a revista.

A maior parte de suas páginas eram ocupadas com transcrições traduzidas e autorizadas dos periódicos "Light", "La Revue Spirite", "Vie d'Outre Tombe", "Hoy"; "The Harbinger of Light" "City News", "Kalpale", "Luce e Ombra", "The Two Worlds", "Luz del Porvenir", "La Tribune de Genéve", "Ghost Stories", "Psychic Science" e assinavam esses artigos grandes pesquisadores do passado como Sir Oliver Lodge, Sir Arthur Conan Doyle, Camille Flamarion, Ernesto Bozzano e muitos outros, com os quais, em sua maioria, Cairbar Schutel mantinha correspondência direta.

Pouco depois da última carta, em junho mesmo, Borges foi acometido de uma grave enfermidade e em poucos dias desencarnou. Schutel, um tanto abatido, comentou:

"E agora? Nosso grande amigo partiu!"

Mas a situação não saiu do controle. Pouco tempo depois, a viúva, Dna, Maria Elisa de Oliveira Borges, envia 25 contos de réis de doação ao "Clarim" e assim o fez periodicamente até seu desencarne, apesar de sua situação financeira não continuar tão estável.

Com esse donativo e mais algumas arrecadações, Schutel reformou o prédio do Centro e construiu um salão para a gráfica, que ainda funcionava numa sala alugada e muito apertada. Essa construção foi feita num terreno que ele tinha vizinho à farmácia e à casa dele.

Do necrológio de Luís Carlos de Oliveira Borges, contido na Revista de julho de 1925, extraímos algumas palavras de Cairbar ao amigo:

"A Revista Internacional de Espiritismo acaba de perder um dos seus mais dedicados obreiros.

Há anos Luís Carlos de Oliveira Borges trabalhava, como um dos chefes de "O Clarim", na divulgação do Espiritismo.

A sua ação era constante, pode-se dizer ininterrupta, conquanto o seu nome não figurasse naquela folha, pois desejava que assim o fosse, não porque lhe faltasse a coragem da fé, mas pela natureza de seu gênio que assim o exigia.

Espírito culto, de virtudes ativas, e de um caráter fora do comum, a par da austeridade que o revestia, sabia ser bom, indulgente e caridoso, daquela caridade de que fala o Evangelho, de ignorar a mão esquerda o que faz a direita.

A ação, entretanto, mais acentuada do ilustre Espírito, se salienta com a fundação desta revista, para a qual ele dedicou todos os seus melhores esforços, a fim de dotar esta publicação de todos os melhoramentos indispensáveis à sua apresentação na arena da imprensa espírita mundial. (...)"

No Plano Espiritual, Borges permaneceu a postos na equipe que auxiliava a confecção da revista, conforme pudemos registrar por inúmeras mensagens psicografadas que se encontram no arquivo do C.E. "Amantes da Pobreza", e, em 20/10/1966, utiliza-se da pena mediúnica de Francisco Cândido Xavier para transmitir alento e coragem aos sucessores de Cairbar na Casa Editora:

"Antoninha, querida irmã.

Deus nos inspire e abençoe. Compreendemos a hora difícil. Hora de rearticulação do nosso trabalho espírita evangélico, para que a obra de Jesus, por nosso querido Cairbar, encontre atualização e sobrevivência.

Antes de tudo entrelacemos as mãos e os corações em serviço. Não esmorecer! Idéia positiva na ação reta e segura. O mundo precisa agora como nunca, do pão espiritual. Em toda parte o espírito humano surge desfalecente à míngua de entendimento e de amor.

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