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Sustentar a divulgação do esclarecimento espírita é manter luz que dissipe as trevas.

Indiscutivelmente nada de bom conseguiremos sem sacrifício. Reconheçamos assim a necessidade de abnegação.

O "pouco" de "muitos" realiza o "máximo".

Sejamos um por todos e todos por um. Revigoremos quanto nos seja possível a seara do conhecimento superior que nos foi confiada.

Mais tempo, mais atenção, mais esforço, mais amor.

Não nos dirigimos com tamanha exigência ao seu coração generoso de missionária da verdade ou a companheiros outros de Matão.

Falamos a todos. Conversamos pelos fios da alma com todos aqueles amigos do nosso campo de bênçãos, a fim de que o serviço se eleve ao nível justo.

Auxiliemo-nos. Creiamos na Bondade Divina e na Bondade Humana. Na orientação suprema da vida, o Amor Infinito do Criador, na condução dos círculos de trabalho terrestre, o Poder da Fraternidade na criatura.

Ergamos o coração e defraudemos a bandeira de nosso programa renovador. Muitos ouvirão a nossa voz e, qual ocorria ontem, acontecerá o inesperado e, mais uma vez, observaremos a resposta da compreensão e do altruísmo, amparando-nos os braços.

Sem dúvida, o que tem sido feito é um prodígio de amor, entretanto, temos a realizar outros prodígios de trabalho para que os desígnios do Senhor se cumpram com segurança.

Para a frente! Novos dias raiarão oferecendo-nos mais amplas oportunidades de criar o bem e fazer luz.

Reunamo-nos todos no campo a lavrar os mais experientes e os mais favorecidos, os mais verdes na convicção e os que conheçam de perto a provação ou a dificuldade. Todos somos uma família só e, pela solidariedade, as riquezas de Deus serão eqüitativamente divididas por nossas mãos.

Daqui, do Mundo Espiritual, em que tantas conquistas nos reconfortam e tantas responsabilidades novas nos pesam nos ombros, rogamos a cada um de nossos companheiros para que a divulgação do Espiritismo Cristão nos mereça mais elevada quota de entendimento e de auxílio.

A idéia é como a planta nobre - cultivada, aperfeiçoa-se, enriquecendo pela produção mais intensa, a felicidade do mundo: mas se esquecida, será sufocada fatalmente pelo mato inculto.

Estejamos unidos na campanha da luz espiritual. Em verdade, sublime é o socorro às exigências do corpo, no entanto, é justo não esquecer que as exigências da alma se reportam à vida eterna e, por isso mesmo, são mais prementes.

Nosso Cairbar se mantém a postos - herói do ideal e da atividade, da pregação e do exemplo. Trabalhemos. Reunidos aqui nesta manhã de esperança e confraternização, saudamos em sua "presença-ausente" toda a nossa família de seareiros do bem, começando pelos mais experientes, em nosso Cunha até chegar, dentre os mais novos, ao nosso Wallace.

E daqui, do nosso painel espiritual, todos se nos associam aos votos de amor fraterno, iniciando, dentre os mais conhecidos, pelo nosso Campeio, e pelo nosso Costa, até encontrar, entre os obreiros anônimos aqui presentes, a personalidade de nosso irmão Benjamim Rachid desencarnado em Matão, e que amanhã, 20 de novembro, completará 35 anos de vida espiritual.

Todos nos envolvemos na onda de alegria e confiança, fé e paz, de maneira a proclamar a nossa confiança no futuro.

Querida irmã, Jesus jamais nos abandona. Dele, o Senhor, continuamos a ouvir, entre reconhecidos e renovados: - "Eis que estou convosco até o fim dos séculos".

Receba, querida irmã, com todos os nossos irmãos de ideal e de luta, o nosso abraço de carinho e gratidão.

Luís Borges"

Depois do desencarne de Cairbar, a família do Dr. Augusto Militão Pacheco fez um substancioso donativo com o qual foram levantados outros dois salões: um para o Centro, outro para a Oficina; o que foi muito importante, porque pôde-se estocar papel durante a guerra e assim a revista e o jornal não tiveram interrompidas as suas circulações. Outros confrades também foram bastante generosos, como Dr. Arnold de Mello que cooperava regularmente com a Casa Editora e o Centro Espírita.

As traduções da revista eram feitas inicialmente por Ismael Gomes Braga, do Rio de Janeiro e, posteriormente, por Severiano Ivens Ferraz, de São Paulo, e Watson Campello, de Monte Azul, além de Cairbar que fazia algumas delas.

Campello, após o desencarne de Cairbar, mudou-se para Matão, casou-se com Antoninha Perche e foi um dos esteios da revista a partir de então.



XXIV
Associação "São Vicente de Paulo"
Esta Associação, como o próprio nome já nos induz pensar, era de orientação católica, foi fundada em maio de 1907, e tinha por princípios estatutários o auxilio a pessoas carentes, idosas e doentes, principalmente os hansenianos (leprosos).

Acredite se quiser, mas Cairbar pertenceu a ela muitos anos e até o cargo de Presidente ocupou. Foi, sem dúvida, uma lição a toda a comunidade de que devemos exercer a caridade em qualquer circunstância sem nos preocuparmos com o rótulo. O "Pai da Pobreza de Matão" foi convocado a mais esta missão e, sendo ela de amor ao próximo, não titubeou em aceitá-la.

Não conseguimos apurar o que houve exatamente no histórico da entidade, mas, segundo soubemos, seus integrantes não estavam conseguindo cumprir com a finalidade primordial da instituição, que era a assistência aos hansenianos, sendo que o único a se "aventurar" ao relacionamento com eles era Cairbar.

Quem, então, convidar para participar da entidade? O Schutel, claro.

E, assim, parece que houve um desmembramento em duas entidades e Schutel foi galgando postos até chegar a Presidente de uma delas, por absoluta falta de quem quisesse assumir o encargo.

"O Clarim" regularmente noticiava as atividades da Associação e o número de 7 de Junho de 1919 assim se expressou:

"Realizou-se domingo último, a constituição da nova Diretoria desta Associação, cujo mandato foi confiado aos srs.: Presidente, Professor Florestano Libutti; Vice, Dr. Agripino Martins; Tesoureiro, Martins de Castro; Secretário, Cairbar Schutel.

A Beneficente Sociedade está promovendo festejos populares, com o intuito de reforçar os seus cofres e estender mais a sua ação em proveito dos necessitados.

Já muitas prendas têm sido ofertadas e acham-se expostas na vitrine da Alfaiataria Vicente Luca desta cidade".

Em 20/08/1925, o jornal "A Comarca", de Matão, publicou o balancete e breve relatório das atividades da Sociedade:

Associação S. Vicente de Paulo

"O distinto farmacêutico Sr. Cairbar Schutel, operoso Presidente desta bela instituição de caridade, pede-nos a publicação do seguinte:

O balancete social do mês de Julho é o seguinte:
Déficit transportado do mês de Junho 464$380

Arrecadação deste mês 75$000

Donativo de d. Dona Goulart 10$000

Donativo do sr. Geraldo Tomaselli 10$000

idem do sr. Lindolpho de Carvalho 20$000

idem de um anônimo 5$000 =

584$380
Distribuição a diversos 122$000

Porcentagem ao cobrador 10$500 =

132$500
Pelo que se verifica, a Sociedade viu o seu déficit diminuído, mas ainda o mesmo se acha em 451$000.

O movimento social permaneceu intacto sem que pudéssemos contar um número a mais no quadro social.

A Diretoria da Associação, apesar de tudo, mantém a deliberação dos Estatutos, continuando a socorrer com 5$ mensais cada um dos morféticos pedintes que passam por esta cidade, prestando assim não só aos mesmos, como à população, esse serviço.

Pela Diretoria, Cairbar Schutel".

Cairbar Schutel tinha um carinho todo especial pelos hansenianos. Tratava-os de irmão para irmão sem o preconceito com que a sociedade lhes impinge desde tempos imemoriais.

Certa ocasião um doente de Hansen bateu à sua porta e ele atendeu:

"O que você quer?"

"Quero um calçado".

"Mas o meu não serve para o senhor".

"Como não serve?". E mostrando um arremedo de pé enrolado num desgastado couro, completou: "Esse aqui foi o senhor que me deu o ano passado!"

Cairbar deu um risadão gostoso pela arapuca que a si próprio armara, entrou em casa e pegando um par de sapatos novos que tinha comprado para sua próxima viagem a São Paulo deu para o pedinte, dizendo:

"Tome este também, quem tem dois tem um, quem tem um não tem nenhum".

E o doente saiu transbordante de felicidade.

Era assim como ele agia normalmente com todos esses doentes que andavam perambulando pelos arranchamentos fora da estrada, injustamente repelidos pela sociedade. Sabiam eles que no "seo" Schutel encontravam um amigo, alguém que os tratava como seres humanos.




XXV
Casos vividos por Cairbar
Cairbar costumava ir algumas vezes a São Paulo fazer compras e visitar amigos.

Estava sempre impecável, trajado com primor, cabelo e cavanhaque bem aparados, roupas da moda; além disso seu porte era altivo e sua fisionomia séria.

Assim é que, um dia, ele desceu do trem na Estação da Luz, todo elegante, de chapéu coco e sobretudo na mão, quando nota que por onde passa ensaiam palmas e batem-lhe continência... homenagem a ele? Não... apenas o confundiam com o Presidente Washington Luís.

Será que demoraram para lhe contar?


***
Em 1936 era Prefeito de Matão o Sr. Aparício da Silva Coelho, de família tradicional da cidade e irmão de Dna. Inês, uma senhora católica, muito caritativa e dedicada à comunidade.

Um belo dia resolveram formar uma comitiva e falar com Schutel, que os recebe na farmácia.

"Seo" Schutel, nós estamos aqui para fazer uma visita pro senhor".

"Que prazem Vocês querem ir até em casa tomar um cafezinho?"

"Não, obrigado - responde o Prefeito, com ar de sem jeito - nós viemos aqui para fazer um convite ao senhor. Como o senhor foi o fundador da 1.ª Capela de Matão, e nós estamos fazendo uma campanha para reformar a Igreja, que está caindo aos pedaços, gostaríamos de saber se o senhor pode contribuir com a campanha".

Schutel, surpreso pelo despropósito do pedido, responde:

"Olha, vocês não vão ficar contentes com a resposta que eu vou dar, por isso é melhor eu não dizer nada ".

Parecendo que ali estavam preparados para tudo, alguém da comitiva intercede:

"Pode dizer, "seo" Schutel, nós queremos ouvir".

"Querem ouvir mesmo?"

"Queremos".

"Pois bem, eu colaboro no que estiver ao meu alcance. Só que com uma condição".

"Qual?"

"Na frente da Igreja vocês colocam em dizeres bem grandes: "Esta Igreja é para analfabetos". É isso o que eu tenho a dizer".



"Ah! "seo" Schutel... que brincadeira... até logo"

E alguém que houvera escutado o diálogo na farmácia comenta:

"Seo" Schutel, que coragem do senhor!"

"Meu filho, falei isso com muito respeito e com a liberdade de quem já pertenceu àquela Igreja, mas disse exatamente o que penso, pois se eles lessem, estudassem de fato os Evangelhos, veriam que são analfabetos espirituais".

Não se tem mais notícia de outro pedido destes a Schutel.
***
Certa feita, era imperiosa a presença de Cairbar em Araraquara para solucionar um caso de falta de papel para as publicações da Casa Editora.

O tempo estava ameaçador e tudo levara a crer que forte tempestade se aproximava, porém se Cairbar não fosse naquele dia a revista sairia naquele número com grande atraso.

Não titubeou. Pegou o seu Fordeco 28, cor azul, que possuía para trabalhos da Doutrina e dirigiu-se para Araraquara. E saiba-se que em 36 ou 37 as estradas não eram asfaltadas e os automóveis não tinham a segurança que têm hoje.

No caminho, o previsível: violento temporal desabou. Relâmpagos, trovões e ventos fortíssimos faziam o Ford balançar como um pêndulo.

Chegou a Araraquara encharcadíssimo; lama por todos os lados, mas feliz por não ter tido acidente algum.

Resolvidos seus negócios, apressa-se em tomar o caminho de volta, sob o protesto dos amigos, que repreendiam-no pela imprudência, ao que ele justificou-se:

"No meio da procela eu tinha a vista e o pensamento voltados para Deus, grato por ter me proporcionado mais uma dificuldade a vencer no cumprimento do meu dever. Passei, por isso, pela tempestade, como se tivesse navegando num mar calmo, sob céu azul, sem nuvens carregadas".
***
Logo após Getúlio Vargas ter vencido a Revolução de 1930, Matão recebeu uma comitiva grande de São Paulo, integrada por elementos de proa do acontecimento, como Francisco Morato, Duque Estrada e outros, todos de lenço vermelho no pescoço, numa caravana de 4 ou 5 carros. A finalidade era a nomeação de Prefeitos para as cidades do Interior.

O primeiro lugar a irem em Matão foi à farmácia:

"Cairbar Schutel esta aí?"

"Não, está na casa dele" - responde João José Aguiar.

"Chame-o, por favor".

Schutel veio, surpreso com a visita, e Duque Estrada foi quem falou em nome do grupo:

"Temos ótimas informações a respeito do senhor, inclusive que foi o 1.° Prefeito de Matão, e por isso queremos entregar-lhe a Prefeitura da cidade. O senhor aceita?"

"Senhores, eu agradeço imensamente a visita e o convite, mas possuo um jornal, uma revista, a farmácia, e por isso não disponho de tempo para tal. No entanto, posso ficar como conselheiro para orientá-los no que for necessário e dar a minha contribuirão como cidadão. Sugiro que procurem outros correligionários, pois aqui em Matão existem muitas pessoas capacitadas para tal".

A comitiva então agradeceu muito, tomou nota de outros endereços e partiu.

O político há muito tempo já havia dado lugar ao missionário...


***
Depoimento de João José Aguiar:

"Minha família era muito católica. Um dia "seo" Schutel foi em casa me convidar para trabalhar com ele, mas meus pais me preveniram: "Olha, você vai trabalhar lá, "seo" Schutel é muito bom, mas não leia os livros dele e nem freqüente o Centro Espírita, porque aquilo é muito perigoso e deixa as pessoas loucas". As professoras de catecismo, Dna. Verônica e Dna. Vicência, me chamaram e disseram a mesma coisa. Eu, ainda infantil, deixei-me levar por essas advertências; mas, com o tempo, eu observava que ele só fazia o bem, só praticava a caridade, traziam doentes de longe, até de Minas Gerais para ele "tirar" espíritos. Se tinha um preso mais agitado ou obsidiado, o delegado mandava chamá-lo. Não negava nada para os pobres e um dia vi uma família de Carangola-MG viajar até aqui só para conhecê-lo. Sabe o que ele respondeu? "Ah! Então vocês não vieram conhecer ninguém". Então, que perigo poderia haver num homem desse? Nenhum, claro. Aí, pouco a pouco fui me interessando pelo Espiritismo até me tornar espírita, porque quem tinha um exemplo como Cairbar Schutel no dia a dia como eu, não poderia nunca ficar indiferente .

O mesmo João J. Aguiar tornou-se o parceiro de Cairbar em suas idas a Araraquara nas quartas-feiras. De 1935 a 37 eles faziam nesse dia esse roteiro: pegavam o "pé-de-bode" no fim da tarde, iam para o Centro Espírita dirigido por Silvio Goulart de Faria, às vezes o próprio Cairbar fazia as preleções, davam alguns "passes" e vinham embora; não sem antes passarem na Brasserie Esplanada para comer a apetitosa coxa de galinha tão a seu gosto e comprar doces para Dna. Mariquinhas.

Também no fim de noite era de seu gosto preparar ele mesmo uma sopa ou um engrossado de fubá com folhas de couve. E prosear informalmente. Dizem que era uma delícia. Os dois...


***
Certa ocasião Cairbar contou o número de pessoas à mesa: 13. E obtemperou, pilheriando: "Victor Hugo gostava do número 13, eu cheguei a Matão num dia 13 de agosto de ano bissexto, agora somos 13 comensais. Imaginem se eu e Victor Hugo fôssemos supersticiosos! "

Até alguns anos atrás, contava-se entristecedoramente, que quando um brasileiro chegava na Europa e perguntava a alguém se conhecia o Brasil, essa pessoa logo dizia: "Sim, Brasil, cuja Capital é Buenos Aires".

Se ainda hoje essa ignorância a propósito de nosso país permanece ou não, não sabemos, mas o fato é que desde o começo do século uma pequenina cidade do interior de São Paulo é conhecida na Europa: Matão. Por causa de quem? De Cairbar Schutel, naturalmente.

Atentemos para um breve trecho da carta que o Dr. Agripino Dantas Martins, então residente em São Paulo, envia a Schutel:

"Soube ontem, por conhecidos nossos, que ao Professor Briquet, que ontem voltou da Europa, perguntaram em Paris, se conhecia Cairbar Schutel, de Matão". (03/03/1937)

Menos ruim se confundissem Rio de Janeiro com Matão, mas, infelizmente, o era com Buenos Aires.

Antes da fundação do "O Clarim", Matão possuía apenas um pequeno posto do Correio; pós "O Clarim" o posto subiu três vezes de categoria até chegar a agência.

Pode-se ter desse fato um termômetro para se conhecer com exatidão a grande obra de Cairbar, segundo comentários encontrados em correspondência de Pedro de Camargo (Vinícius) a Angel Aguaroud do Rio de Janeiro.


***
Cairbar gostava muito de fazer experiências. Ele tinha vontade de fotografar os espíritos, mas nunca chegou a obter grande coisa nesse trabalho. Ele fazia suas experiências com dona Sinhá, que era uma médium excelente, Antonio Alves, José Dias, Quintiliano, Calixto, enfim, com todo aquece pessoal que formava entre seus primeiros companheiros. As fotografias eram tiradas no escuro e as máquinas movimentadas com magnésio. O local das sessões era uma casa que tinha sido uma relojoaria e possuía três portas com fechaduras enormes que davam para a rua. Sabendo que as experiências eram feitas ali, o padre reuniu os marianos, seus fiéis, para que fossem lá sondar e verificar o que é que eles estavam fazendo. Quando puseram os olhos nos buracos das fechaduras da casa, de repente, no meio da escuridão da loja, acendeu aquela luz intensa do "flash" e os fiéis saíram em disparada, indo contar ao padre o que tinham visto. O caso serviu como subsídio à intensificação das campanhas feitas pelo padre contra Cairbar, porque, na realidade, segundo os marianos "o diabo andava soltando faíscas de fogo na escuridão daquela casa..."


XXVI
Fundação da "Associação Comercial de Matão"
Conforme registra o periódico "A Comarca" de 05/05/1935, Cairbar Schutel, como o comerciante mais antigo de Matão, secretariou a reunião que fundou a Associação Comercial de Matão:

"(...) Aberta a sessão, o sr. Cairbar Schutel deu a palavra ao Prof. Victorino Prata Castello Branco que expôs os fins da reunião, discorrendo longamente sobre as vantagens da unificação das classes conservadoras.

Esclarecida a assembléia sobre os fins da reunião convocada, procedeu-se à eleição, por aclamação, de uma Diretoria provisória que dirigirá a organização e a legalização da futura "Associação Comercial de Matão".

Os trabalhos decorreram na maior cordialidade e animação, sendo aclamados os seguintes comerciantes:

Presidente, Abrahão José Kfouri; Vice-Presidente, Henrique Rodrigues Lopes; 1.° Secretário, Antonio Lian; 2.° Secretário, Jorge Cecchetto; 1.° Tesoureiro, José Martins Ribeiro.

Abrahão José Kfouri assumiu a direção dos trabalhos, mandando lavrar uma ata da referida reunião, ata esta que foi assinada por todos os presentes.

Foi aberta então uma lista para receber os primeiros donativos dos sócios fundadores, cuja relação publicaremos no próximo número.

A referida lista ainda está aberta e à disposição dos comerciantes locais, assim como do Turvo e de Dobrada, a fim de que todos possam contribuir com a sua parte em favor do patrimônio inicial da novel associação de classe.

É, pois, uma realidade a "Associação Comercial de Matão", órgão coordenador dos ideais dos comerciantes locais e defensora da classe em todas as ocasiões em que se fizer mister a sua interferência".

Fica, pois, a dever a nosso Cairbar, Matão, mais um reconhecimento pelo seu pioneirismo e seu interesse pela comunidade matonense.



XXVII
A posição de "O Clarim" quanto à "Constituinte Espírita Nacional"
O dia 31 de março de 1926 marcou a realização do Congresso Constituinte Espírita Nacional, no salão nobre do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, sob o patrocínio da Federação Espírita Brasileira, e ao qual compareceram representantes de mais de 300 entidades espíritas e de toda a imprensa leiga carioca.

A intenção do referido Encontro era conseguir a adesão dos espíritas à idéia de se formar a Liga Espírita do Brasil, que passaria a orientar o movimento espírita nacional.

Se o conceito de união e fraternidade que poderia trazer ao seio da família espírita brasileira era bom, por outro lado talvez se tornasse um "Cavalo de Tróia" que contivesse em seu bojo pretensões de certas entidades em colocar o movimento espírita brasileiro sob sua tutela; possibilidade vislumbrada por Cairbar Schutel e seus companheiros de Redação do "O Clarim", que foram taxativamente contra.

Presidiu às sessões da Constituinte Dr. Gustavo Farnese, desembargador da Corte de Apelação, e tomaram parte nos trabalhos muitos nomes representativos do movimento espírita: Dr. Lameira de Andrade, Dr. Coelho Neto, Dr. Leal de Souza, Dr. Joaquim de Melo, Dr. Américo Werneck, Dr. Canuto de Abreu, Dr. Florentino de Abreu Ramos, Dr. Cândido Demazio Filho e outros.

"O Clarim" assumiu posição contrária à formação da Constituinte conforme se depreende do artigo publicado em suas páginas em 17/04/1926:

"Tão agradáveis nos são traçar as boas notícias, quão desagradáveis o são as más. Entretanto, as boas como as más precisam chegar ao conhecimento dos nossos leitores a quem temos obrigação de orientar em face de todo o movimento espírita que vem se operando no nosso país.

O assunto da atualidade, que é transmitido de jornal em jornal, repercutindo sob uma ou outra forma na imprensa espírita e que, como era de prever tem prejudicado por certa forma os créditos da nossa Doutrina, é o célebre Congresso para a formação de uma "Constituinte" que dirija todo o movimento espírita no Brasil.

Parece, segundo as notícias de "O Jornal" e da "Gazeta de Notícias" que esse "Congresso" tem sido o mais singular que a história registra.

Felizmente essa reunião não mereceu a aprovação dos espíritas orientados e folgamos imensamente ter nos precavido de tomar parte em tão heterogênea reunião (...)"

Em seguida, a reportagem prossegue transcrevendo notícias de outros jornais, dando conta do tumulto generalizado de que se constituiu as sessões do Congresso, e finaliza:

"Finalmente, é de se lamentar que todas essas ocorrências se verificassem em nome do Espiritismo, que é tão responsável por isso como a Medicina pelos que não a compreendem".

Talvez por prudência e por saber o peso que tinha no movimento espírita nacional, Cairbar não mais se manifestou pelas páginas do "O Clarim", quiçá para não criar uma cisão no seio do movimento doutrinário.

Sua atuação no caso, portanto, restringiu-se a essas declarações e à pequena nota na RIE no mesmo teor.


XXVIII
A "Coligação Pró-Estado Leigo"
"O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como direito natural e a reclama para si e para todo o mundo. Respeita toda a convicção sincera e pede a reciprocidade.

Da liberdade de consciência, resulta o direito de livre exame em matéria de fé. O Espiritismo combate o principio da fé cega que impõe ao homem a abdicação do seu próprio juízo. Ele diz que a fé inabalável é somente a que se conforma com a razão face a face em todas as idades da Humanidade.

Allan Kardec".
A "Coligação Nacional Pró-Estado Leigo" foi fundada em 17 de maio de 1931, tendo por sede o Rio de Janeiro, mas formada com o apoio de milhares de brasileiros congregados em um sem número de Igrejas, associações religiosas, humanitárias, culturais e filosóficas do país que visava, fundamentalmente, defender uma série de direitos dos cidadãos conquistados na Constituição de 1891, mas que com as mudanças políticas tendiam a ser derrubados, notadamente o estabelecimento do Catolicismo Romano como Religião Oficial do Estado.

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