Contexto geral da pesquisa 7 Justificativa 9 Problema de pesquisa 14



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Sumário


Sumário 1

Apresentação Geral 3

Contexto geral da pesquisa 7

Justificativa 9

Problema de pesquisa 14

Significados e Sentidos 16

Metodologia de Pesquisa 20

A perspectiva sócio – histórica 23

A abordagem sócio histórica e a pesquisa qualitativa 26

Os sujeitos 34

Instrumentos de pesquisa 36

Referencial Teórico 38

Relação Universidade-Escola – A formação de professores 39

Uma nova escola 40

Novos tempos 41



A prática reflexiva 44

O professor pesquisador e o pesquisador acadêmico 48

O Ensino como Trabalho 49

Análise inicial – I 56

O estágio. O que é ? Qual a importância do estágio ? 57

Contribuições do estágio / estagiário para o professor parceiro / escola 61

Contribuições para o estagiário 66



Sugestões de melhoria do estágio 68

O que é ser bem recebido no estágio? 73

Por que os professores não recebem estagiários? 74

O trabalho do professor parceiro 76

Relação teoria e prática 80

Sobre a Educação 81

Análise Inicial – II 82

Alunos 87

Estágios 89

Professor 92

Considerações pós análise (iniciais/parciais) 95

Encaminhamentos 98

Referências Bibliográficas 99

Anexo 1 – Entrevista Ad e 1º Quadro auxiliar de análise 106



Relatório de Qualificação – 04/2010

Monica Abrantes Galindo
O estágio supervisionado: significados e sentidos atribuídos pelo professor parceiro

Apresentação Geral


Embora a legislação tenha definido alterações que consideramos importantes em relação aos estágios, alterações ligadas principalmente ao aumento da carga horária de atividades relacionadas com a prática docente dos cursos de formação de professores, os estágios supervisionados têm sido, tradicionalmente em muitos casos, praticados de modo burocrático, sem ligação com as outras disciplinas do curso de formação do professor e muitas vezes, têm se resumido à observação de aulas ou uma entrevista com os professores em serviço. Além disso, o estagiário, quando recebido na escola, é freqüentemente visto como um estorvo às rotinas estabelecidas (PIMENTA e LIMA, 2004). Diante desse quadro, vários autores (PIMENTA e LIMA, 2004; Jordão, 2005; Abib, 1997) discutem e apontam a necessidade de, indo além das questões legislativas e de carga horária, ressignificar o estágio.

O estágio supervisionado tem como principais envolvidos os estagiários, os professores responsáveis pela matéria relacionada à metodologia ou prática de ensino na Universidade e o professor da escola que recebe esses estagiários, além dos alunos dessa escola que, de alguma maneira, também entram em contato com o estagiário.

Os estagiários muitas vezes entendem que seu papel seja colher dados na escola para denunciar suas falhas e insuficiências ou para criticar o trabalho que ali se desenvolve, gerando, algumas vezes, situações desconfortáveis e embaraçosas para os professores que os recebem. Fontana e Pinto (2002 apud PIMENTA e LIMA, 2004, p.116) propõem uma mudança de enfoque, sugerindo que os alunos reconheçam sua própria presença e seu papel no local de estágio. Dessa forma, o período de estágio, ainda que transitório, é um exercício de participação, de conquista e de negociação do lugar do estagiário na escola. Talvez esse lugar do estagiário na escola possa ser também um lugar de estagiário que, como aluno, também ensina, já que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (FREIRE, 1996, p.23) .

Os professores responsáveis por estágios nas universidades enfrentam uma série de dificuldades no desenvolvimentos dessa atividade. Na tradição da universidade e nos órgãos que normatizam o ensino superior os docentes são valorizados pela quantidade de pesquisas e publicações muito mais do que por suas atividades e a qualidade destas na graduação. Essa distorção e fragmentação entre o ensino, a pesquisa e a extensão reflete-se nas condições objetivas para a realização de estágios colaborativos, integrados e coletivos voltados tanto para os objetivos de formação inicial dos alunos da universidade como para a possibilidade da formação continua dos profissionais da escola (PIMENTA e LIMA, 2004, p. 181)

Os professores da escola que recebe os estagiários recebem denominações diversas. São chamados, por exemplo, de professor tutor (JORDÃO, 2005), professor parceiro (OLIVEIRA, 2006) ou formadores de campo (PERRENOUD, 2002) . O termo parceiro pode soar hipócrita, se considerarmos que na maioria dos casos o professor da escola não se sente parceiro e nem é tratado como tal. Entretanto, gostaríamos de usar esse termo para fazer referência ao professor da escola, com a intenção premeditada que, mesmo que esse professor parceiro ainda não seja efetivamente um parceiro, ele possa um dia tornar-se. Não que acreditemos que o nome possa ser o determinante das ações, mas que seu uso colabore, no mínimo, oferecendo uma oportunidade de revisão e de reflexão sobre o assunto.

Pimenta (2004, p.115) considera a importância da participação dos professores das escolas que recebem os estagiários nesse processo formativo, no qual esses assumem, ou pelo menos podem assumir, também a função de “supervisores” (ou orientadores) do estágio. O que aponta para a necessidade de rever o estatuto dos professores das escolas nos projetos de estágio, hoje considerados muito mais como contexto do que como atores influentes no desenvolvimento desse projeto. Revisão essa que precisa considerar a importância e as potencialidades do estágio e, conseqüentemente, a necessidade da constituição de tempos e espaços para o desenvolvimento e o envolvimento dos professores com essas atividades. Envolvimento que precisa ir além da disposição para o trabalho voluntário, tanto sob o aspecto dos ônus, quanto dos bônus, ou seja, é preciso que também as esferas relacionadas com o trabalho do professor sejam envolvidas nessa conscientização para que os mesmos sejam remunerados e cobrados na realização de atividades ligadas ao estágio.

Nas pesquisas que têm como tema o estágio supervisionado, poucas vezes o professor parceiro é ouvido, e mesmo quando isso ocorre, na maioria dos casos, ele não é o principal informante e nem sua relação com esse estágio é o foco principal dos estudos e das observações.

Nessa direção é que queremos focar nossa pesquisa. O estágio supervisionado tendo como objeto principal o professor parceiro, considerando, principalmente as possibilidades desse estágio se constituir, também para esse professor, uma oportunidade de formação continuada e trazendo contribuições para a escola. O que tem feito esse professor que recebe os estagiários? Os estagiários têm contribuído de alguma maneira com ele e com a escola? Como? Por que alguns professores recebem estagiários e outros não? Como esses professores recebem esses estagiários? Sintetizando, que sentidos e significados dão a essa atividade de receber estagiários em sua sala?

Embora nos pareça que haja um certo consenso sobre a importância do estagio, suas possibilidades de contribuição para a formação inicial do professor e, até mesmo sobre as possibilidades de formação continua para o professor formador da Universidade (PIMENTA e LIMA, 2004, p.114), muito pouco se observa sobre a relação do professor parceiro com os estagiários, com o professor parceiro e com o estágio em si. Nossa hipótese é que o estagio tem potencialidade de ser também um importante instrumento de formação e capacitação do professor que recebe esse estagiário em sua sala. Assim, o estágio não se restringe a ser um ponto de chegada e de partida entre o curso de formação para o magistério e a educação continuada (LIMA,1995) para o professor iniciante. Talvez, ele também pode ser considerado, como um motivador para a reflexão do professor parceiro em seu processo de formação e desenvolvimento.

Além disso, ainda quando o foco é o estagiário, a necessidade de olharmos para o professor parceiro e a escola também se impõe. Já que a ação (ou falta de ação) desse professor que recebe os estagiários em sua sala pode ser determinante na qualidade do estagio a ser desenvolvido e vivenciado pelos professores em formação.

Mesmo quando se trata do estágio como articulador da Universidade com a Escola, o olhar é habitualmente do ponto de vista da Universidade e da importância do estágio na formação inicial do licenciando e não, do ponto de vista da Escola e das possibilidades do estágio como momento de formação do professor que recebe os estagiários ou das contribuições que o estágio pode trazer para essa Escola.

Embora o estágio supervisionado seja uma atividade diretamente ligada à formação do licenciando ele é também um espaço de convívio que não se restringe unicamente a essa formação. O estágio é momento de encontro entre diferentes instituições - a escola básica e a universidade - e diferentes agentes - os professores, alunos e gestores da escola, os professores da universidade e os estagiários. Nesse sentido, é espaço de atuação e vivencia de diferentes visões e significados de cada agente sobre seu papel, sua importância, possibilidades de contribuições etc.

Uma das considerações dos alunos ao final dos estágios, levantadas por Pimenta (2004, p.107) foi a urgente necessidade de uma parceria mais viva e eficaz entre a Universidade e a Escola e a reestruturação do estágio e da prática de ensino como disciplinas dos cursos de licenciatura. No sentido das considerações dos estagiários, a própria realização do estágio na Escola pode ser a oportunidade de efetivação de uma parceria mais produtiva e objetiva, como por exemplo, o estágio sendo o momento ou o motivo para o convite de professores para seminários em conjunto; a proposta do uso do HTPC1, no caso da escola pública, para a discussão de assuntos relacionados com o estágio; a possibilidade do professor participar de reuniões ou aulas na Universidade etc.

Assim uma outra possível forma de observar o estágio sob o ponto de vista do professor parceiro, estaria relacionada com a possibilidade de um estreitamento da relação da Escola com a Universidade.

Não estaria o estágio sendo pouco aproveitado no sentido de seu potencial de ser mais uma via de comunicação Universidade-Escola e Escola-Universidade? Não seria o caso de que a forma de realização do estágio estivesse levando em conta, intencionalmente, também o papel da Universidade como colaboradora na formação dos professores em serviço, os estagiários como elo dessas possibilidades e os professores como porta-voz de mais uma das faces da realidade vivida na escola? Os professores que aceitam receber estagiários em suas salas não poderiam se constituir em um grupo que também se dispusesse a iniciar um trabalho reflexivo voltado para a sua própria formação, assim como, para a formação do estagiário? O “grupo” professor-parceiro, estagiário, professor da Universidade já não tem, a princípio, uma certa aproximação (através do estágio) que permitiria o desenvolvimento de pesquisas sobre o ensino, a aprendizagem, o ensinar e o aprender? O professor-parceiro em serviço como “tutor” ou “supervisor” do estagiário não pode ter nessa situação uma posição privilegiada para o olhar e o pesquisar de sua própria prática? A presença do estagiário, como um “outro” que não é professor e que também não é aluno não poderia ser desencadeador de reflexões importantes também para o professor da sala?

Assim, considerando o estágio como um espaço já consagrado de contato entre a Universidade e a Escola consideramos importante conhecer os significados e sentidos que são construídos pelos professores parceiros em seu relacionamento com o estagiário que recebe em sua sala. No contexto de estágio supervisionado da Licenciatura de Física com a intenção de conhecermos um pouco mais as idéias, tensões e possibilidades de trabalho que podem ser desenvolvidas ou aperfeiçoadas, tentaremos nos aproximar também dos sentidos dados pelos professores da universidade e os estagiários.

O momento atual de mudanças de legislação tem exigido um olhar mais atento para o estágio supervisionado e o conhecimento das idéias de seus participantes é elemento essencial para a construção de um espaço mais produtivo para todos.

A questão básica que nos orienta é : Quais são os significados e sentidos que dão os professores parceiros, os estagiários e os professores universitários ao estágio supervisionado?

Em termos de formação, o estágio é habitualmente considerado essencial na formação inicial e suas contribuições para essa formação também habitualmente discutidas. Quanto ao professor-parceiro e à escola que recebe esses estagiários o olhar tem sido um pouco menor embora se discuta e se proclame a necessidade de parcerias Universidade-Escola mais efetivas. Mas para que os projetos de estágio levem em conta o papel do professor parceiro é preciso conhecer um pouco mais esse professor, o que ele já tem feito e como percebe esse processo de recepção de estagiários em sua sala de aula.

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