Contexto histórico



Baixar 71.23 Kb.
Encontro28.07.2016
Tamanho71.23 Kb.
INTRODUÇÃO
Nietzsche foi um grande filósofo que teve a coragem de expor questões antes nunca vistas. Ele contrariou idéias tidas como comuns na época e teve a ousadia de dizer que Deus não existia, quando a maior parte das pessoas era cristã. Criticou, ainda, Sócrates e Platão, a metafísica e a “moral dos escravos”, como ele mesmo se referia como sendo a mentalidade dos derrotados. Algumas de suas teorias incluem, ainda, a teoria do eterno retorno, o Dionisíaco e o Apolíneo, e o “Super Homem”. Nietzsche é considerado também um marco na psicologia, pois muitas de suas obras tratam de fenômenos típicos desta ciência. Porém, o mais importante da filosofia nietzschiana é a sua idéia de vida e a sua consciência de que existem valores especificamente vitais. Nesta expressão valores vitais encerram-se duas das idéias que vão dominar a filosofia posterior. Nietzsche é uma das origens da filosofia dos valores e da filosofia da vida.

CONTEXTO HISTÓRICO

Nietzsche nasceu em 1844, ano em que se desenvolvia e se expandia a primeira fase da Revolução Industrial (1780-1860). A partir de 1860, o aço suplantou o ferro, a eletricidade e o petróleo superaram o vapor e a Alemanha, país de origem desse grande filósofo, tornou-se uma das principais áreas de


concentração industrial.
Em 1848, um ano antes do pai e do irmão de Nietzsche morrerem, Karl Marx e Friedrich Engels inscreveram os seus nomes como os mais influentes
revolucionários da História Contemporânea ao publicarem O Manifesto
Comunista, que por sua vez encerrou a idéia da ditadura do proletariado. Foi
nesse mesmo ano que eclodiu uma crise do capitalismo na Europa
Centro-Ocidental devido às inúmeras revoluções liberais que ocorriam a todo
tempo.
Após o Congresso de Viena, existiam 38 Estados independentes que formavam a Confederação Germânica. A política internacional era coordenada por uma Dieta que se reunia em Frankfurt, sob a presidência da Áustria que,
juntamente, com a Prússia, era o estado mais importante. E foi na Prússia
que surgiu um governante chamado Guilherme I que ao fazer uma reforma
radical em suas forças armadas, convocou como ministro um hábil político
chamado Bismark, que entre outros cargos já tinha ocupado o de embaixador na
Rússia e na França. E foi devido a esse ato que a Prússia consegui vencer
três guerras e unificou a Alemanha em 1870. Essa guerra pela unificação teve
como conseqüência o Tratado de Frankfurt, no qual a França perdeu a Alsácia
e parte da Lorena e ainda teve de pagar uma pesada indenização. Nietzsche
participou da guerra como enfermeiro, mas acabou adoecendo, com disenteria e
difteria. Essa doença pode sido a origem dos problemas de saúde que o
atormentou por toda a vida. Logo, ocorreu a Guerra Civil Francesa, e
queimaram-se os arquivos do museu do Louvre, localizado em Paris, Nietzsche
ficou inconsolado, pois considerou um crime contra a cultura.
No séc XIX, houve uma grande expansão colonial européia, em busca de
mercados e de matérias-primas, bem como pontos estratégicos nas colônias.
Esse movimento ficou conhecido como Imperialismo. A Alemanha, devido aos
problemas de sua unificação política, apareceu tardiamente como
colonialista, na África. Os alemães conquistaram Togo, Camarões, o Sudoeste
Africano Alemão e a África Oriental Alemã. Após a Primeira Guerra Mundial, a
Alemanha perdeu suas colônias.
De 1871 até a morte de Nietzsche que ocorreu em 1900, a Europa viveu um
período de relativa paz, conhecido como Bela Época. Os progressos
científicos e tecnológicos, as reformas sociais, a elevação do padrão de
vida, os progressos democráticos, o incremento da instrução de massa e o
expansionismo europeu no mundo denotavam o apogeu da Europa liberal e
capitalista.

BIOGRAFIA E OBRAS DE NIETZSCHE
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1884 na Saxônia, que era província do império da Prússia. Tanto o seu culto e delicado pai Karl Ludwig quanto os seus dois avós eram pastores protestantes e o próprio Nietzsche pensou em seguir a mesma carreira.

Em 1849, seu pai e seu irmão faleceram. Em razão dos tristes acontecimentos sua mãe mudou-se com a família para Naumburg, onde Nietzsche cresceu, em companhia da mãe, duas tias e da avó. Aos 13 anos obteve uma bolsa de estudos e foi para um internato excelente em Pforta, no qual haviam estudado figuras famosas tais como o poeta Novalis e o filósofo Fichte. Datam dessa época suas leituras de Schiller (1759-1805), Hölderlin (1770-1843) e Byron (1788-1824); ressaltando que sob essa influência e a de alguns professores, Nietzsche começou a afastar-se do cristianismo. Excelente aluno em grego e brilhante em estudos bíblicos, alemão e latim, seus autores favoritos, dentre os clássicos, foram Platão e Ésquilo. Durante o último ano em Pforta, escreveu um trabalho sobre o poeta Teógnis (séc. VI a.C.). Partiu em seguida para Bonn, onde se dedicou aos estudos de teologia e filosofia, mas, influenciado por seu professor predileto, Ritschl, desistiu desses estudos e passou a residir em Leipzig, dedicando-se à filologia. Ritschl considerava a filologia não apenas história das formas literárias, mas estudos das instituições e do pensamento. Nietzsche seguiu-lhe as pegadas e realizou investigações originais sobre Diógenes Laércio (séc. III), Hesíodo (séc. VIII a.C.) e Homero. A partir desses trabalhos foi nomeado, em 1869, professor de filologia em Basiléia, onde permaneceu por dez anos. A filosofia somente passou a interessá-lo a partir da leitura de O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer (1788-1860). Nietzsche foi atraído pelo ateísmo de Schopenhauer, assim como pela posição essencial que a experiência estética ocupa em sua filosofia, sobretudo pelo significado metafísico que atribui à música.

Em 1867, Nietzsche foi chamado para prestar o serviço militar, mas um acidente em exercício de montaria livrou-o dessa obrigação. Voltou então aos estudos na cidade de Leipzig. Nessa época teve início sua amizade com o compositor Richard Wagner (1813-1883), que tinha quase 55 anos e vivia então com Cosima, filha de Liszt (1811-1886). Nietzsche encantou-se com a música de Wagner e com seu drama musical, principalmente com Tristão e Isolda e com Os Mestres Cantores. A casa de campo de Tribschen, às margens do lago de Lucerna, onde Wagner morava, tornou-se para Nietzsche lugar de "refúgio e consolação". Na mesma época, apaixonou-se por Cosima, que viria a ser, em obra posterior, a "sonhada Ariane". Em cartas ao amigo Erwin Rohde, escrevia: "Minha Itália chama-se Tribschen e sinto-me ali como em minha própria casa". Na universidade, passou a tratar das relações entre a música e a tragédia grega, esboçando seu livro O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música.

Em 1870, a Alemanha entrou em Guerra com a França. Nessa ocasião, Nietzche serviu o exército como enfermeiro, atividade que não durou muito, pois logo adoeceu, contraindo difteria e disenteria. Essa doença parece ter sido a origem das dores de cabeça e de estômago que acompanharam o filósofo durante toda a vida. Nietzsche restabeleceu-se lentamente e voltou a Basiléia a fim de prosseguir seus cursos.

Em 1871, publicou O Nascimento da Tragédia, a respeito da qual se costuma dizer que o verdadeiro Nietzsche fala através das figuras de Schopenhauer e de Wagner. Nessa obra, considera Sócrates um "sedutor", por ter feito triunfar junto à juventude ateniense o mundo abstrato do pensamento. A tragédia grega, diz Nietzsche, depois de ter atingido sua perfeição pela reconciliação da "embriaguez e da forma", de Dioniso e Apolo, começou a declinar quando, aos poucos, foi invadida pelo racionalismo, sob a influência "decadente" de Sócrates. Foi assim que Nietzsche estabeleceu a distinção entre o apolíneo e o dionisíaco. Ele trata da Grécia antes da separação entre o trabalho manual e o intelectual, entre o cidadão e o político, entre o poeta e o filósofo, entre Eros e Logos. Para ele, a Grécia socrática, a do Logos e da lógica, a da cidade-Estado, assinalou o fim da Grécia antiga e de sua força criadora. Nietzsche pergunta como, num povo amante da beleza, Sócrates pôde atrair os jovens com a dialética, isto é, uma nova forma de disputa (ágon), coisa tão querida pelos gregos; respondendo que isso aconteceu porque a existência grega já tinha perdido sua "bela imediatez", e tornou-se necessário que a vida ameaçada de dissolução lançasse mão de uma "razão tirânica", a fim de dominar os instintos contraditórios.

Seu livro foi mal acolhido pela crítica, o que o impeliu a refletir sobre a incompatibilidade entre o "pensador privado" e o "professor público". Ao mesmo tempo, esperava-se com seu estado de saúde: dores de cabeça, perturbações oculares, dificuldades na fala. Interrompeu assim sua carreira universitária por um ano. Mesmo doente foi até Bayreuth, para assistir à apresentação de O Anel dos Nibelungos, de Wagner. Mas o "entusiasmo grosseiro" da multidão e a atitude de Wagner embriagado pelo sucesso o irritaram.

Terminada a licença da universidade para que tratasse da saúde, Nietzsche voltou à cátedra. Mas sua voz agora era tão imperceptível que os ouvintes deixaram de freqüentar seus cursos, outrora tão brilhantes. Em 1879, pediu demissão do cargo. Nessa ocasião, iniciou sua grande crítica dos valores, escrevendo Humano, Demasiado Humano; seus amigos não o compreenderam. Rompeu as relações de amizade que o ligavam a Wagner e, ao mesmo tempo, afastou-se da filosofia de Schopenhauer, recusando sua noção de "vontade culpada" e substituindo-a pela de "vontade alegre"; pois isso lhe parecia necessário para destruir os obstáculos da moral e da metafísica. O homem, dizia Nietzsche, é o criador dos valores, mas esquece sua própria criação e vê neles algo de "transcendente", de "eterno" e "verdadeiro", quando os valores não são mais do que algo "humano, demasiado humano".

Nietzsche, que até então interpretara a música de Wagner como o "renascimento da grande arte da Grécia",mudou de opinião, achando que Wagner inclinava-se ao pessimismo sob a influência de Schopenhauer. Nessa época Wagner voltara-se, ao mesmo tempo, a recusa do cristianismo e de Schopenhauer. Para Nietzsche, ambos são parentes porque são a manifestação da decadência, isto é, da fraqueza e da negação. Irritado com o antigo amigo, Nietzsche escreveu: "Não há nada de exausto, nada de caduco, nada de perigoso para a vida, nada que calunie o mundo no reino do espírito, que não tenha encontrado secretamente abrigo em sua arte; ele dissimula o mais negro obscurantismo nos orbes luminosos do ideal. Ele acaricia todo o instinto niilista (budista) e embeleza-o com a música; acaricia toda a forma de cristianismo e toda expressão religiosa de decadência" .

Em 1880, Nietzsche publicou O Andarilho e sua Sombra: um ano depois apareceu Aurora, com a qual se empenhou "numa luta contra a moral da auto-renúncia". Mais uma vez, seu trabalho não foi bem acolhido por seus amigos; Erwin Rohde nem chegou a agradecer-lhe o recebimento da obra, nem respondeu à carta que Nietzsche lhe enviara. Em 1882, veio à luz A Gaia Ciência, depois Assim falou Zaratustra (1884), Para Além de Bem e Mal (1886), O Caso Wagner, Crepúsculo dos Ídolos, Nietzsche contra Wagner (1888). Ecce Homo, Ditirambos Dionisíacos, O Anticristo e Vontade de Potência só apareceram depois de sua morte.

Durante o verão de 1881, Nietzsche residiu em Haute-Engandine, na pequena aldeia de Silvaplana, e, durante um passeio, teve a intuição de O Eterno Retorno, redigido logo depois. Nessa obra defendeu a tese de que o mundo passa indefinidamente pela alternância da criação e da destruição, da alegria e do sofrimento, do bem e do mal. De Silvaplana, Nietzsche transferiu-se para Gênova, no outono de 1881, e depois para Roma, onde permaneceu por insistência de Fräulein von Meysenburg, que pretendia casá-lo com uma jovem finlandesa, Lou Andreas Salomé. Em 1882, Nietzsche propôs-lhe casamento e foi recusado, mas Lou Andreas Salomé desejou continuar sua amiga e discípula. Encontraram-se mais tarde na Alemanha; porém, não houve a esperada adesão à filosofia nietzschiana e, assim, acabaram por se afastar definitivamente.

Em seguida, retornou à Itália, passando o inverno de 1882-1883 na baía de Rapallo. Em Rapallo, Nietzsche não se encontrava bem instalado; porém, "foi durante o inverno e no meio desse desconforto que nasceu o meu nobre Zaratustra".

No outono de 1883 voltou para a Alemanha e passou a residir em Naumburg, em companhia da mãe e da irmã. Apesar da companhia dos familiares, sentia-se cada vez mais só. Além disso, mostrava-se muito contrariado, pois sua irmã tencionava casar-se com Herr Foster, agitador anti-semita, que pretendia fundar uma empresa colonial no Paraguai, como reduto da cristandade teutônica. Nietzsche desprezava o anti-semitismo, e, não conseguindo influenciar a irmã, abandonou Naumburg.

Em princípio de abril de 1884 chegou a Veneza, partindo depois para a Suíça, onde recebeu a visita do barão Heinrich von Stein, jovem discípulo de Wagner. Von Stein esperava que o filósofo o acompanhasse a Bayreuth para ouvir o Parsifal, talvez pretendendo ser o mediador para que Nietzsche não publicasse seu ataque contra Wagner. Por seu lado, Nietzsche viu no rapaz um discípulo capaz de compreender o seu Zaratustra. Von Stein, no entanto, veio a falecer muito cedo, o que o amargurou profundamente, sucedendo-se alternâncias entre euforia e depressão. Em 1885, veio a público a Quarta parte de Assim falou Zaratustra; cada vez mais isolado, o autor só encontrou sete pessoas a quem enviá-la. Depois disso, viajou para Nice, onde veio a conhecer o intelectual alemão Paul Lanzky, que lera Assim falou Zaratustra e escrevera um artigo, publicado em um jornal de Leipzig e na Revista Européia de Florença.

Depois de 1888, Nietzsche passou a escrever cartas estranhas. Um ano mais tarde, em Turim, enfrentou o auge da crise, escrevendo cartas ora assinando "Dioniso", ora "o Crucificado". Acabou sendo internado em Basiléia, onde foi diagnosticada uma "paralisia progressiva". Provavelmente de origem sifilítica, a moléstia progrediu lentamente até a apatia e a agonia. Nietzsche, sem a noção de quem era e de onde estava, faleceu em Weimar, em 25 de agosto de 1900.

Dentre as principais obras deixadas por Nietzche, estão O Nascimento da Tragédia, que é uma original análise da cultura grega, colocando em contraste o claro elemento apolíneao da sobriedade clássica e as forças dionísicas, mais sombrias e instintivas; Humano, Demasiadamente Humano, uma coletânea de aforismos, rica em elementos psicológicos; Assim falou Zaratustra, um longo poema ¨ditirâmbico¨, no qual o super-homem de Nietzche fez sua aparição. Em Aurora e A Gaia Ciência estão presentes críticas soberbas da civilização ocidental, de seus valores e de sua psicologia, bem como de seus dilemas. Em Para Além de Bem e Mal, Nietzsche revela o desejo de uma Europa unida para enfrentar o nacionalismo ("essa neurose") que ameaçava subverter a cultura européia. Por outro lado, quando confiou ao "louro" a tarefa de "virilizar a Europa", Nietzsche levou até a caricatura seu desprezo pelos alemães, homens "que introduziram no lugar da cultura a loucura política e nacional... que só sabem obedecer pesadamente, disciplinados como uma cifre oculta em um número". No mesmo sentido, Nietzsche caracterizou os heróis wagnerianos como germanos que não passam de "obediência e longas pernas". E acabou rompendo definitivamente com Wagner, por causa do nacionalismo e anti-semitismo do autor de Tristão e Isolda: "Wagner condescende a tudo que desprezo, até o anti-semitismo".

Outra obra importantíssima foi Ecce Homo, na qual Nietzche faz uma interpretação de sua própria filosofia, que não se coaduna com o racionalismo e o nacionalismo germânicos. Por fim, vale a pena citar suas anotações publicadas com o título Vontade de Potência, que sofreram adulterações cometidas pela sua própria irmã na época em que Nietzche estava em grave estado de loucura. Nela, ele exorta os operários a reagirem ¨como soldados¨, apesar de recusar o socialismo. Esta obra foi publicada como a última e mais representativa de suas obras.



PENSAMENTO DE NIETZSCHE


  • O DIONISÍACO E O APOLÍNEO.

Da Grécia antiga, Nietzsche separa os dois protótipos opostos e típicos, o Apolíneo e o Dionisíaco, correspondentes aos deuses Apolo e Dionísio, o primeiro, simbolizando a serenidade, a clareza, a justa medida, o equilíbrio, o racionalismo; o segundo, a impulsividade, o desregramento, a intemperança, a vitalidade excessiva, a vontade de viver, não obstante os dissabores encontrados.

Há indivíduos apolíneos e dionisíacos, há cidades apolíneas e dinonisíacas, assim também como há períodos da história em que se notam traços de uma ou de outra dessas duas tendências.



  • O ETERNO RETORNO

Nietzsche depende em certa medida do positivismo da época; nega a possibilidade da metafísica; além disso, parte da perda da fé em Deus e na imortalidade da alma. Mas essa vida que se afirma, que pede para ser sempre mais, que pede eternidade no prazer, voltará uma vez e outra. Nietzsche utiliza uma idéia procedente de Heráclito, a do eterno retorno das coisas. Tudo o que acontece no mundo repetir-se-á igualmente vezes e vezes. Tudo voltará eternamente com todo o mal, o miserável e vil. O homem, porém, pode ir transformando o mundo com a vontade de poder, o bem supremo da vida, e transformando-se a si mesmo, mediante uma transmutação de todos os valores e encaminhar-se para o super-homem. Para ele, o bem é forte , o débil é o mal. Por isso, a compaixão é o mal supremo.

  • O SUPER-HOMEM

Nietzsche opõe-se a todas as correntes igualitárias, humanitárias e democráticas da época.O máximo bem é a própria vida, que culmina na vontade de poder. O homem deve superar-se, terminar em algo que esteja acima de si, como o homem está acima do macaco: esse é o super-homem.

  • A MORAL DOS SENHORES E A MORAL DOS ESCRAVOS

Nietzsche tem especial hostilidade pela ética kantiana do dever, como pela ética unitária e também pela moral cristã. Nietsche valoriza unicamente a vida, forte, sã, impulsiva, com vontade de domínio. Assim distingue dois tipos de moral. A moral dos senhores é a das individualidades poderosas, de vitalidade superior, exigentes para consigo mesmas; é a moral da exigência e da afirmação dos impulsos vitais. A moral dos escravos, em contrapartida, é a dos débeis e miseráveis, a moral dos degenerados; é regida pela falta de confiança na vida. Pela valorização da compaixão, da humildade, da paciência, etc. É uma moral de ressentidos, que se opõe a tudo que é superior e por isso afirmam todas as igualdades.

  • VALORIZAÇÃO DA GUERRA

Nietzsche, na sua valorização do esforço e do poder, é um dos pensadores que mais exaltou o valor da guerra; a guerra parece-lhe a oportunidade para que se produza uma série de valores superiores, e espírito de sacrifício, a valentia, a generalidade, etc. Para ele, bondade, objetividade, humildade, piedade, amor ao próximo, constituem valores inferiores, impondo-se sua substituição pelo risco, orgulho, personalidade criadora.

  • FILÓSOFOS

Para ele, um tipo de filósofo encontra-se entre os pré-socráticos, nos quais existe unidade entre o pensamento e a vida, esta “estimulando” o pensamento, e o pensamento “afirmando” a vida. Mas o desenvolvimento da filosofia teria trazido consigo a progressiva degeneração dessa característica, e, em lugar de uma vida ativa e de um pensamento afirmativo, a filosofia ter-se-ia proposto com tarefa de “julgar a vida”, apondo a ela valores pretensamente superiores, medindo-a por eles, impondo-lhe limites, condenando-a. Em lugar do filósofo-legislador, isto é, crítico de todos os valores estabelecidos e criados de novos, surgiu o filósofo metafísico. Essa degeneração, afirma Nietzsche, apareceu claramente com Sócrates, quando se estabeleceu a distinção entre dois mundos, pela oposição entre essencial e aparente, verdadeiro e falso, inteligível e sensível. Sócrates inventou a metafísica, diz Nietzsche, fazendo a vida aquilo que deve ser julgado, medido, limitado, em nome de valores superiores como o Divino, o Verdadeiro, o Belo, o Bem. Com Sócrates, teria surgido um tipo de filósofo voluntário e sutilmente “submisso”, inaugurando a época da razão do homem teórico, que se opôs ao sentido místico de toda a tradição anterior.

  • CRÍTICA À METAFÍSICA E AO CRISTIANISMO

Para ele, porém, a metafísica não tardaria a encontrar seus limites. Diz ele: “essa sublime ilusão metafísica de um pensamento puramente racional associa-se ao conhecimento como um instinto e o conduz incessantemente a seus limites onde este se transforma em arte”. Por essa razão, Nietzsche combateu a metafísica, retirando do mundo supra-sensível todo e qualquer valor eficiente, e entendendo as idéias não mais como “verdades” ou “falsidades”, mas como “sinais”. A única existência, para Nietzsche, é a aparência e seu reverso não é mais o Ser, o homem está destinado à multiplicidade, e a única coisa permitida é sua interpretação.

A crítica dele à metafísica tem um sentido ontológico e um sentido moral: o combate às idéias socrático-platônicas é, ao mesmo tempo, uma acirrada luta contra o cristianismo.

Segundo ele, o cristianismo concebe o mundo terrestre como algo “ruim, transitório”, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se de um “platonismo para o povo”, de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo,continua ele, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor, à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida.

Nietzsche propôs a si mesmo a tarefa de recuperar a vida e transmutar todos os valores do cristianismo. Ele traz à tona, por exemplo, um significado esquecido da palavra “bom”. Em latim, significa guerreiro, significado esquecido pelo cristianismo. As palavras, segundo ele, sempre foram inventadas pelas classes superiores e, assim, não indicam um significado, mas impõe uma interpretação.



  • CONCEPÇÕES DE ESTADO

Nietzsche foi, ao mesmo tempo, um antidemocrático e um antitotalitário, Afirmou ele que, “ a democracia é a forma histórica da decadência do Estado”, entendendo por decadência tudo aquilo que escraviza o pensamento, sobretudo um Estado que pensa em si em lugar de pensar na cultura. Para ele, o Estado tem origem terrível, sendo criação da violência e da conquista. Para ele, o Estado está sempre interessado em cidadãos obedientes e tem, portanto, tendência a impedir o desenvolvimento da cultura livre, tornando-a estática e estereotipada.

NIETZSCHE E O DIREITO

Nietzsche retira o fundamento da natureza e do homem, como base para um conhecimento verdadeiro. Para ele, em se tratando de conduta humana, não há como distinguir uma conduta justa de uma injusta seja qual for o critério. O que se produz sobre o mundo são interpretações, não há nada que possa garantir uma identidade entre o pensamento e o ser. O que apontamos com Nietzsche é que o conhecimento não decorre de algo inato ao sujeito que o empurre para conhecer. O homem não nasce com o instinto do conhecimento, o conflito histórico entre os saberes dá como resultado o conhecimento. Mostra esse autor que não sabemos nada das coisas mesmas, embora acreditemos que saibamos.

Todo conhecimento ou saber se apresenta como perspectivo como um ponto de vista, emerge de relações de poder, o direito como um saber, resulta de relações de poder e trata-se de uma invenção. Neste caso, o direito é uma produção histórica, produzido a partir de um confronto de saberes e um deles foi o vencedor. Pode-se dizer que em cada momento histórico, se reconheceu um conjunto de normas como direito, e aquele que se institucionalizou foi o direito vencedor. Não que ele tivesse uma essência dada e que fosse "descoberta", mas antes foi inventado em determinado momento histórico por obscuras e inconfessáveis relações de poder.

Pois dizer que certas normas são de direito e outras não, significa a criação de um critério para o agir humano, em que se desvela o que é certo e o que é errado, montando-se o direito sobre o que for considerado certo. Apontamos segundo Nietzsche que não existe um fundamento nem na natureza nem no homem que garanta a elaboração do certo, ou seja, do direito. Existe um direito institucionalizado, mas este não é o direito, pois existem outros direitos que foram sujeitados nas relações de poder que foram travadas histórico-socialmente e não venceram. Os direitos são particulares, quando alguns se institucionalizam ganham universalidade. Como o filósofo cita: "(...) como se na natureza além das folhas houvesse algo, que fosse ‘folha’, uma espécie de folha primordial, segundo a qual todas as folhas fossem tecidas, desenhadas, recortadas, coloridas, frisadas, pintadas, mas por mãos inábeis, de tal modo que nenhum exemplar tivesse saído correto e fidedigno como cópia fiel da forma primordial".

  Para Nietzsche existem direitos particulares. Postular a existência do direito no universal significa produzir um direito conceitual, formulado a partir da igualação do desigual, significa exigir a universalidade de uma conduta humana a partir de um valor que existe idealmente, fora do mundo das práticas sociais, mas que por ser um mundo racional, em si, independente do homem, serviria de fundamento para o agir humano.

Para Nietzsche o direito se define socialmente. Cada sociedade, cada grupo social em seu determinado momento histórico define o seu direito. Pois este se apresenta como uma convenção social, produzido a partir de relações de poder.

Na tática utilizada por Nietzsche contra a moral, vemos sempre uma procura pelo significado da filosofia, em vez de falar já em nome desta. Considera filosófico aquilo que consegue acompanhar o jogo de força da vida sob a intenção de afirmá-la mediante o pensamento. A filosofia teria se mostrado incapaz disso, embora aparentemente tenha demonstrado o contrário. Para se manter nesse equívoco, teria ela investido num saber estratégico, em armadilhas e espreitas contra a afirmação trágica. Zaratustra percebe estes dois lados de se tratar o problema do sentido para o real. Ele diz: "É inquietante a existência humana e ainda sempre sem qualquer sentido: um farsante pode torná-la uma fatalidade". Esta afirmação informa o sentido de começo, mas de um começo trágico. Quer dizer: nem há possibilidade de um sentido essencial-ontológico, nem do nada como sentido. Por isso qualquer sentido pode ser, com direito, o sentido da realidade. Ao mesmo tempo, isso significa, por fim, que este direito é falso. Nunca pode existir enquanto a verdade, apesar dessa condição de desequilíbrio próprio e inevitável da existência. Em conseqüência disso, ouvimos depois do próprio Zaratustra o seguinte: "Pensai até o fim os vossos sentidos". Nisso se percebe o caráter do pensar trágico. Ele é o adestramento na afirmação do todo do mundo. A filosofia terá de teorizar um sentido para a vida a partir dessa falta de equilíbrio da existência; a partir dessa verdade que não é verdade alguma nem poderá vir a ser depois.

Nitzsche tinha uma ética aristocrática,  um desprezo pelo homem (ao qual ele se refere como "a doença de pele da Terra"), defendia o direito dos "fortes" de escravizar ou mesmo assassinar aqueles por ele qualificados de "fracos" e "falhados”.


A história da humanidade é um processo pelo qual os homens
recebem mais e mais controle sobre a natureza exterior e a sua própria
natureza. Nietzsche pretendeu reverter este processo, mergulhar novamente o homem numa natureza em que só existem relações de força e de poder. Nietzsche pretendia substituir a força do direito pelo direito da força. Nos livros "Zaratustra", o "Anti-Cristo" e "Para Além do Bem e do Mal", observa-se que a utopia de Nietzsche é uma sociedade de super-homens, e este, não é o Homo sapiens melhorado, mas uma outra espécie do gênero Homo, distinta da nossa.

O fascínio doentio de Nietzsche pela força e pelo poder (para ele, tudo na natureza são relações e combinações de forças) não permitiu que ele enxergasse um fato banal: que na natureza viva também há relações de cooperação e de intercâmbio. Por isso, para este filósofo o amor e a compaixão são sintomas da fraqueza. Na natureza, os fortes são os que sobrevivem, os fortes são os aptos. Ora, não há ser vivo mais apto que o vírus, um organismo extremamente simples. A inspiração de Nietzsche despreza o amor, a democracia e propõe uma sociedade aristocrática, tal aptidão nada mais é que a aptidão do desprezível parasita. Nietzsche era um homem fraco, doente, celibatário, amargurado. Há quem diga que o super-homem nietzcheano nada mais é que um subproduto da luta do filósofo contra a sua própria fraqueza.


Nietzsche é um anti-humanista radical, o maior opositor dos ideais iluministas (igualdade, liberdade, fraternidade), o profeta da barbárie totalitária, o maior reacionário de todos os tempos.


CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS

Friedrich Nietzsche escreveu Crepúsculo dos Ídolos em 1888 e nele tratou suas opiniões sobre Sócrates, sobre a razão na filosofia, sobre a moral como contranatureza, sobre a liberdade, entre outros assuntos.



  • O Problema de Sócrates

Nietzsche expõe claramente sua repulsa em relação a Sócrates e Platão, para ele, ambos são instrumentos da dissolução grega, sintomas de caducidade. Questiona-se se a ironia de Sócrates é uma expressão de revolta, se seria um ressentimento plebeu e também se a dialética seria apenas uma forma de vingança. Nietzsche critica que Sócrates aparece como médico, um salvador, quando na verdade é um erro dos filósofos e moralistas pensar que podem simplesmente "sair" da doença; o sair está fora de suas forças, aquilo que se escolhe como remédio, como salvação, é apenas, uma forma de alterar a expressão e não eliminá-la propriamente. Acreditava portanto, que Sócrates era um mal-entendido, que a racionalidade a qualquer preço, a vida clara, consciente, sem instinto era apenas uma doença e não um caminho de retorno à virtude, à saúde como defendia Sócrates.

  • A Razão na Filosofia

Ao tratar da razão na Filosofia diz que entramos em um grosseiro fetichismo quando trazemos à consciência as pressuposições fundamentais da metafísica da linguagem, ou seja, da razão. Explica que os filósofos concluíram que a segurança, a certeza subjetiva na manipulação das categorias da razão não poderiam provir da empiria pois a empiria inteira, está em contradição com elas. Promove grande contradição em quatro teses que tratam do mundo aparente, do mundo real e suas opiniões acerca do assunto. Retrata no livro também, seis curtas opiniões acerca de como o "verdadeiro mundo" a acabou por se tornar fábula.

  • Moral como Contranatureza

Para Nietzsche o problema do valor da vida é um problema inacessível a nós, pois seria preciso ter uma posição fora da vida e, por outro lado conhecê-la tão bem quanto um, quanto muitos, quanto todos que a viveram. Conclui que a vida nos obriga a instituir valores, a vida mesma valora através de nós; disto se segue a contranatureza de moral que capta Deus como contraconceito e condenação da vida, é apenas um juiz de valor da vida. O indivíduo é um pedaço de fado, uma lei a mais, uma necessidade amais para tudo o que vem e será. A ele dizer: "Modifica-te!" significa desejar que tudo se modifique, até mesmo o que ficou para trás. A moral, na medida em que condena em si, e não a partir de referências da vida, é um erro específico, com que não se deve ter nenhuma compaixão. Acredita que os imoralistas (como ele) têm o coração escancarado para toda espécie de entender, procuram a honra em ser afirmativos.

  • Os Quatro Grandes Erros

Critica a liberdade inteligível de Kant a qual dizia que ao homem ninguém dá suas propriedades, nem Deus, nem a sociedade, nem seus pais e antepassados, nem ele mesmo. A fatalidade de seu ser não é dissociável da fatalidade de tudo aquilo que foi e que será. Para ele, nós inventamos o conceito "fim", mas na realidade falta o fim. É-se necessariamente um pedaço de fatalidade, não há nada que pudesse julgar, medir, comparar, condenar nosso ser, pois isso significaria condenar o todo. O conceito "Deus" tinha sido até então a máxima objeção contra a existência, dizia que negamos Deus, negamos a responsabilidade em Deus e com isto somente redimimos o mundo.

  • Os Melhoradores da Humanidade

Em todos os tempos se quis melhorar o homem e isso se chamou de moral, mas sob a mesma palavra se escondem as mais diversas tendências. Tanto o "amansamento" da besta homem como o aprimoramento de um determinado gênero de homens é determinado melhoria. Segundo Nietzsche para falar fisiologicamente, no combate com a besta o tornar-doente pode ser o único remédio para enfraquecê-la. Isso a Igreja entendeu: corrompeu o homem, enfraqueceu-o, mas teve a pretensão de tê-lo melhorado.

  • Incursões de um Extemporâneo

Anti-Darwin - julga que no combate à vida Darwin parece mais afirmado do que provado. Para a Escola de Darwin sobrevive sempre o mais forte, entretanto o aspecto global da vida não é a situação de indigência, a situação de fome, mas antes a riqueza, a exuberância, e até mesmo o absurdo esbanjamento, portanto esse combate termina, ao contrário do que a Escola de Darwin deseja, em desfavor dos fortes. Para Nietzsche as espécies não crescem em perfeição, os fracos se tornam sempre de novo senhores dos fortes. Para ele Darwin esqueceu do espírito, e os fracos têm mais espírito.

Schopenhauer - o último alemão que merece consideração; ele interpretou, nesta ordem, a arte, o heroísmo, o gênio, a beleza, a grande simpatia, o conhecimento, a vontade de verdade, a tragédia, como fenômenos derivados da "negação" ou necessidade de negação da "vontade" - para Nietzsche a maior falsificação psicológica de moedas que, descontando o cristianismo, há na história. Portanto Schopenhauer é o herdeiro da interpretação cristã, só que soube aprovar também o recusado pelo cristianismo, os grandes fatos culturais e ainda chamá-los bons em um sentido cristão.

L'art pour l'art - o combate contra a finalidade na arte é sempre contra a sua subordinação à moral. L'art pour l'art significa "que o diabo leve a moral!" A arte é o grande estimulante a viver, mas também traz muito do que há na vida de feio, duro e problemático. Nietzsche diz que os filósofos pregam muitas vezes uma ótica pessimista e que, por isso, precisa apelar para os artistas mesmo.

Cristão e Anarquista - quando o anarquista reclama por direito e justiça, ele está apenas sobre a pressão de sua incultura, que não sabe conceber por que propriamente ele sofre; alguém tem que ser culpado por ele se sentir mal. O lamentar em nenhum caso serve para algo, provém da fraqueza. Imputar seu mal-estar a outros, como fazem o anarquista e o cristão, não faz diferença alguma, o que há de comum é que alguém tem que ser culpado pelo sofrimento de ambos. Quando o cristão condena, calunia o mundo, ele o faz pelo mesmo instinto pelo qual o trabalhador anarquista condena a sociedade.



Conceito de Liberdade - o valor de uma coisa não está às vezes naquilo que se alcança com ela, mas naquilo que por ela se paga, no que ela nos custa. As instituições liberais deixam de ser liberais tão logo são alcançadas. Essas mesmas instituições enquanto ainda são combatidas propiciam de fato a liberdade, de uma maneira poderosa. Liberdade significa que os instintos viris, que se alegram com a guerra e a vitória têm domínio sobre outros instintos.

  • O Que Devo aos Antigos

Nietzsche diz não dever nada aos gregos, para ele, nada se aprende com os gregos, seu modo é estrangeiro demais; diz também que eles não podem ser para nós o que são os romanos, pois ninguém teria aprendido nada se não fossem os romanos. Entretanto em relação a Platão se diz um cético radical, o qual nunca foi capaz de sentir admiração pelas idéias platônicas, pois para ele a dialética platônica é assustadoramente autocomplacente e infantil e que para ela ter qualquer efeito atrativo teria que nunca ter lido bons franceses. Para falar de Platão usa a palavra "alta trapaça" ou idealismo e diz ainda que ele é um covarde diante da realidade, que refugia-se em seu ideal.


Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal