ContribuiçÃo do dca/ufcg ao plano nacional de controle da desertificaçÃo dayane Carvalho da Costa1, José Ivaldo Barbosa de Brito2



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CONTRIBUIÇÃO DO DCA/UFCG AO PLANO NACIONAL DE CONTROLE DA DESERTIFICAÇÃO

Dayane Carvalho da Costa1, José Ivaldo Barbosa de Brito2


ABSTRACT

The objective of this work is to contribute for the National Plan for Desertification Control. Therefore aridity indexes were calculated with the methodology suggested by the United Nations, for all the municipal districts of the Northeast of Brazil. The precipitations data come from INMET, SUDENE, and Regional Meteorological Offices. Potential evapotranspiration was calculated by the Penman-modified-Monteith formula. The meteorological stations data from INMET and from Regional Offices were used to calculate the potential evapotranspiration. For the municipal districts that don't have precipitation and/or evapotranspiration data. They were estimated for interpolation method and multiple regressions. With base in the aridity indexes values small areas are classified as arid climate and large part of the lands of the Northeast are classified with semi-arid and sub-humid drought. In agreement with the definition of desertification of the Nations United the arid, semi-arid and sub-humid drought lands are susceptible to the desertification processes.


Key words: desertification, Northeast of Brazil, drought, aridity indexes


RESUMO

O objetivo principal deste trabalho é contribuir para o Plano Nacional de Controle da Desertificação. Portanto, foram calculados os índices de aridez, conforme metodologia sugerida pelas Nações Unidas, para todos os municípios da Região Nordeste do Brasil. Usou-se dados de precipitação pluvial para o período de 1961 à 1999 proveniente do INMET, SUDENE e Escritórios Regionais de Meteorologia. A evapotranspiração potencial foi calculada, pela equação Penman-modificada-Monteith, utilizando dados de estações meteorológicas do INMET e Escritórios Regionais. Para os municípios que não disponham de dados de precipitação pluvial e/ou evapotranspiração potencia calculada, os mesmo foram estimados por método de interpolação e regressão múltipla. Com base nos valores dos índices de aridez obtidos verificou-se que pequenas áreas são classificadas como tendo clima árido e maior parte das terras do Nordeste são classificadas com semi-árida e sub-úmida seca. Vale salientar que de acordo com definição de desertificação das Nações Unidas às terras árida, semi-árida e sub-úmida seca são susceptíveis aos processos de desertificação.


Palavras-chave: Desertificação, Nordeste, índice de aridez, seca

INTRODUÇÃO
Este trabalho é produto dos esforços desenvolvidos pelo Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em contribuir com o Plano Nacional de Combate a Desertificação. A propósito o interesse pelo estudo da desertificação começou nos anos de 1970 e sua definição produziu considerável controvérsia tendo, como ponto de maior discórdia, o papel do clima e da população nos processos de desertificação. Além disso, pontos como a natureza e o impacto da desertificação na vida das populações atingidas, também foram bastante discutidos. Na realidade, a controvérsia resultou da falta de rigor científico nos estudos dos anos 1970s e nas informações disseminadas pelas Nações Unidas (Nicholson et al., 1998).

De acordo com Nicholson et al. (1998) uma série de artigos e documentos de estudos de caso produzidos, em muitas partes do mundo, em geral, não apresentavam detalhes ecológicos das regiões estudadas, mas apenas hipóteses. As conclusões foram obtidas de miscelâneas de observações sem nenhuma medida ou avaliação sistemática da mudança real dos ecossistemas. O programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PMANU) produziu um mapa de severidade de desertificação, largamente usado, mas este era um mapa de vegetação e clima e não continha nenhuma informação sobre o estágio da desertificação, ou seja, era um mapa que apontava apenas as áreas de risco aos processos de desertificação, e não onde estava ocorrendo o fenômeno.

Um dos eixos principais do problema da definição de desertificação foi a eliminação, em alguns casos de forma intencional, do clima, com um dos possíveis causadores dos processos de desertificação. Entretanto, quase todas, dentre as poucas avaliações reais existentes, estendem-se sobre período de seca ou declínio de chuva; assim, enquanto a desertificação, por si, só foi definida como antropogênica, as evidências usadas para taxá-la tomaram como referência os produtos da variabilidade climática (Nicholson et al., 1998).

Na década de 1980 as Nações Unidas definiram desertificação com sendo a diminuição ou destruição do potencial biológico das terras, podendo levá-las as condições semelhantes às dos desertos. Entretanto, em 1991 o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente adotou como conceito, a degradação das terras em áreas áridas, semi-áridas e sub-úmida seca, devido principalmente aos efeitos antropogênicos. Em 1992, as Nações Unidas modificou, mais uma vez, a sua definição de desertificação, que passou a ser a degradação de terras em áreas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultante de vários fatores, incluindo variações climáticas e atividades humanas. Atualmente esta é uma definição de consenso (Puigdefabregas, 1995).

Em meio à polêmica sobre a definição de desertificação, Charney (1975) conjeturou que, nas áreas onde havia vegetação após o desmatamento, há uma forte tendência ao aumento do albedo, fazendo com que uma quantidade menor de energia fique retida na superfície e, conseqüentemente, a quantidade de calor transferido da superfície para a atmosfera é reduzida. Com isto, há um resfriamento na “coluna” atmosférica acima da área desmatada, fazendo com que os movimentos convectivos sobre a área diminuam de intensidade, o que produz redução na formação de nuvens convectivas e precipitação, conseqüentemente, produzindo, assim, um processo de desertificação.

Esta interação entre a vegetação, precipitação e albedo, resulta no efeito de feedback (realimentação), denominado por Charney (1975) como mecanismo bio-geofísico, que pode gerar instabilidade nas regiões às margens dos desertos, contribuindo para o avanço ou recuo dessas áreas. Que pode acentuar-se ou manifestar-se por influências antropogenéticas. Entretanto, Ripley (1976) mostrou a insuficiência da auto-alimentação do mecanismo bio-geofísico, pois o efeito da evapotranspiração não foi considerado por Charney (1975) em seu modelo, que, de acordo com Ripley (1976) tem papel relevante nos processos solo-planta-atmosfera.

Após os argumentos de Ripley (1976), Charney et al. (1977) reformularam o modelo de Charney (1975) modificando a parametrização dos processos hidrológicos de superfície, e mais uma vez, mostraram que, aumentado o albedo de uma região, haveria diminuição na precipitação. Para tanto, fizeram simulação para a região do Sahel, e constataram que a variação do albedo, de 14% para 35%, contribuiu para o declínio das precipitações naquela região. A mudança no albedo pode ocorrer devido a fatores antropogenéticos, que desequilibram os fatores biológicos e ecológicos, de maneira que a ocorrência de derrubadas e queimadas desestabiliza os solos, deixando-os ressecados e estéreis, agravando-se ainda mais com as secas severas.

Para muitos pesquisadores, um dos fatores que podem produzir mudanças na cobertura vegetal da superfície da Terra é a pecuária extensiva. Hare (1985) descreveu as conseqüências sobre a vegetação e o solo, em áreas onde grandes manadas de animais pastam. Weber et al. (1998) descreveram que, realmente, a criação de gado pode destruir a vegetação e compactar o solo, produzindo um estágio de desertificação, porém afirmaram que esta questão ainda não é bem entendida e que, para cada localidade escolhida para criação de gado, há necessidade de estudos locais, uma vez que o conhecimento da heterogeneidade da pastagem local é crucial para uma avaliação correta dos impactos da criação de gado sobre a dinâmica da vegetação.

Um estudo que trata da relação entre produção agrícola, em escala regional, e cenários de mudanças climáticas, foi realizado por Mavromatis e Jones (1998) que usaram as condições climáticas da parte central da França para realizarem suas simulações. Os diversos cenários de mudança climática foram comparados, em termos de seus efeitos sobre campo de trigo em desenvolvimento. A comparação dos diferentes cenários demostrou a importância das mudanças no clima médio e da variabilidade de curto/longo prazo na previsão da produção agrícola (colheita de cultura) na região estudada; entretanto, os pesquisadores fizeram questão de mencionar que as previsões de produtividade agrícola, baseadas nesta metodologia, devem ser resguardadas como especulativas.
Desertificação no Mundo
Os estudos mais recentes sobre desertificação em Israel foram feitos por Ben-Gai et al. (1998). Eles afirmaram que as mudanças do clima, verificadas na parte central e sul da planície costeira de Israel, estão relacionadas, possivelmente, ao uso das terras para agricultura irrigada, atividade bastante comum naquela região. As áreas cultivadas produziram uma diminuição do albedo da região. Para reforçar as suas afirmações, mostraram que o albedo, nas áreas cultivadas, no sul de Israel é inferior a 0,15; enquanto, nas áreas áridas adjacentes, atingiu 0,35; além disso, observaram também a ocorrência de mudanças na configuração espacial do albedo durante as últimas décadas, quando comparada com os padrões espaciais da década de 1960.

Utilizando os registros de precipitação sobre os Estados Unidos dos últimos 100 anos, para estudar a variabilidade de secas severas, Woodhouse e Overpeck (1998) verificaram que as secas severas do século vinte provocaram grandes impactos na economia, na sociedade e no meio ambiente, principalmente na Grande Planície Central. Constataram que as secas do século vinte eram apenas um subconjunto limitado de secas. Portanto, a partir deste subconjunto e usando registros paleoclimáticos, documentos históricos, anéis de árvores, remanescentes arqueológicos, sedimentos de lagos e dados geomorfológicos, construíram um conjunto de secas severas dos últimos 2000 anos, para os Estados Unidos, incluindo ranges de magnitude e duração. Esses pesquisadores concluíram que no passado ocorreram secas muito severas, possivelmente até mesmo superiores às observadas nas décadas de 1930 e 1950, e conjeturaram que há possibilidade de ocorrência de secas mais severas que as das décadas de 1930 e 1950, em futuro próximo, desencadeada pelo aquecimento tipo efeito estufa, e que no momento as secas são um dos maiores perigos à devastação natural, podendo levar áreas férteis à condição de deserto.

Por outro lado, a dinâmica da vegetação da superfície da terra tem contribuído para modificar, em parte, a configuração da circulação atmosférica e vice versa. Investigando essa interação, Zheng e Eltahir (1998) simularam, por meio de experimento numérico, a sensibilidade das monções na África Ocidental, para perturbações na distribuição meridional da vegetação. No experimento de controle, a distribuição de vegetação representa a cobertura natural no Oeste da África, enquanto os resultados dos experimentos numéricos mostraram que as monções na África Ocidental e, conseqüentemente, a distribuição de precipitação dependem da localização da perturbação da vegetação. Mudanças na cobertura vegetal ao longo da borda entre o deserto do Sahara e o oeste da África tiveram pequeno impacto na circulação de monção simulada, porém o desflorestamento da costa oeste causou um colapso na circulação de monção e um dramático impacto sobre a precipitação regional. Eles concluíram, a partir daí, que o desflorestamento observado no oeste da África é um significante contribuidor das secas prolongadas, que estão ocorrendo naquela região.

A dinâmica da desertificação no continente africano foi investigada por Tucker e Nicholson (1999) através de dados de satélite e de medidas de precipitação na superfície, para estudarem a variação do tamanho do deserto do Sahara, de 1980 a 1997. Com uma combinação de dados de satélite e de superfície, o contorno de precipitação de 200 mm/ano foi mapeado, para a região do Sahara-Sahel. As variações no tamanho do deserto do Sahara foram altamente significativas de ano para ano, porém a tendência de aumento ou diminuição, do tamanho do deserto, não ocorreu de forma sistemática, vista que sua área flutuou de 9.980.000 km2, em 1984, a 8.600.000 km2, em 1994, apresentando, portanto, uma área média de 9.150.000 km2.

Os atuais estágios dos processos de desertificação no continente australiano foram descritos por Pickup (1998). Este pesquisador mencionou que na Austrália a desertificação é, em geral, associada à degradação de terras em áreas agropastoris. Para ele a degradação daquelas áreas é resultado do uso insustentável das terras, decorrente de práticas agrícolas importadas da Europa e aplicadas em regiões de clima bastante diferente do europeu, e apresenta grande variabilidade interanual, que pode aumentar ou até mesmo ativar os processos de desertificação. Vale salientar que os processos de degradação das terras na Austrália começaram no início do desenvolvimento agropastoril, mas o problema ainda continua. A extensão da degradação é muito difícil de ser avaliada, mas os resultados de pesquisa têm mostrado a severidade do problema em todo o País. Embora as áreas de pastagem tenham sido severamente afetadas. O problema também avança sobre áreas fora da zona pastoril. Os cenários de mudanças climáticas sugerem deslocamento na configuração espacial da precipitação, porém o maior impacto vem do aumento da variabilidade climática. Uma mudança substancial na precipitação vem ocorrendo nos último 100 anos, com períodos chuvosos gerando expectativas não realistas sobre o uso da terra e períodos secos, ativando a degradação do solo.
Desertificação no Brasil
No Brasil, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Amazonas Legal (MMA), as áreas consideradas susceptíveis aos processos de desertificação são aquelas abrangidas pelo Polígono das Secas, ou seja, as regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas do nordeste brasileiro.

O primeiro mapa de susceptibilidade à desertificação foi elaborado pelo Núcleo Desert/ IBAMA em 1992, por ocasião da realização da Conferência Internacional sobre o Impacto das Variações Climáticas no Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido-ICID. O Nordeste apresenta grande diferenciação ecológica, com secas e estiagens atingindo grande parte do território. Simplificadamente a região pode ser dividida em 4 grandes conjuntos fisiográficos: Mata, Agreste, Cerrado e Sertão.

A porção semi-árida do nordeste compreende uma área de cerca de 900.000 km2, quase toda no embasamento cristalino e sob forte irregularidade climática. Além disso, verifica-se que o clima e a qualidade das terras apresentam limitações muito fortes para o desenvolvimento de atividades de cunho agropecuário que possam competir com os produtos oriundos de outras regiões. A não ser em algumas áreas específicas e, contando com significativos investimentos em tecnologia, a produtividade agrícola é baixa e a produção incerta.

Atualmente, A Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente e Amazonas Legal vem desenvolvendo o Plano Nacional de Combate à Desertificação. Portanto, este trabalho tem como objetivo principal contribuir com o Plano Nacional através da estimativa do índice de aridez para todos os municípios da Região Nordeste do Brasil.



MATERIAL E MÉTODOS
Os dados de precipitação pluvial utilizados neste trabalho foram provenientes da Superitendêcia para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e dos Escritórios Estatuais de Meteorologia. Enquanto, os dados meteorológicos necessários para o calculo da evapotranspiração potencial, pela equação de Penman Monteith modificada, foram de estações meteorológicas do INMET e de Órgão Regionais e Estaduais de Meteorologia.
O índice de aridez (IA) foi calculado usando a formula sugerida pelas Nações Unidas:
(1)
onde, Pr é a precipitação pluvial média anual (mm/ano) e ETP é a evapotranspiração potencial média anual (mm/ano).

O índice de aridez (IA) foi calculado para todos os municípios da região Nordeste do Brasil, os nomes e as coordenadas geográficos foram obtidos no site do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de um arquivo que contem todas as cidades e vilas brasileiras e estar disponível para download (IBGE,2004).

A ETP foi calculada utilizando a formula de Penman-modificada-Monteith (Rosenberg et al., 1978) e parametrizarções de Allen et al. (1994).

É sabido que muito município do Nordeste Brasileiro não dispõem de postos pluviométricos e a grande maioria não tem estações meteorológicas Portanto, para os municípios que não tinha dados, os mesmo foram estimado por métodos de interpolação tipos: kriging (linear e quadrática) e triangulação w/interpolação linear. Além disso, foi desenvolvido um método de interpolação polinomial de regressão quadrática múltipla, equivalente ao elaborado por Cavalcanti e Silva (1994) para estimativa da temperatura do ar no Nordeste, com a seguinte estrutura:


Var = a0 +a1+a2+a3h+a42+a52+a6h2+a7+a8h+a9h (2)
donde, Var é a variável em questão (precipitação média anual ou evapotranspiração potencial média anual),  é a longitude, em milésimo de grau (oeste negativo, exemplo 40,15’0”W = -40,250),  é a latitude, em milésimo de grau (sul negativo, exemplo 7º25’30”S = -7,425) e h é a altitude em metros.

Vale salientar que para cada estado do Nordeste foram calculados os coeficientes a0, a1, ....................., a9, tanto para precipitação como para a evapotranspiração potencial. Os resultados foram comparados com os obtidos pelos métodos de interpolação: kriging (linear e quadrática) e triangulação w/interpolação linear. O método que melhor representasse cada área do estado era o escolhido para aquela área.

Ainda conforme as Nações Unidas a classificação climática de uma determinada localidade, utilizando o índice proposto, obedece aos seguintes critérios:


Hiper- árido

< 0,03

Árido

Entre 0,03 e 0,20

Semi- árido

Entre 0,21 e 0,50

Sub-úmido seco

Entre 0,51 e 0,65

Sub-úmido úmido

Entre 0,65 e 1,0

Úmido

> 1,0


RESULTADOS E DISCUSSÕES

De acordo com a definição das Nações Unida às terras sujeitas aos processos de desertificação são aquelas classificadas com climas áridos, semi-áridos e sub-úmido secos. Observando a Figura 1 verifica-se que uma grande área da Região Nordeste possui estes tipos de clima. As terras áridas são relativamente poucos apenas dois núcleos na Bahia e um na Paraíba. As terras semi-áridas são predominantes nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. As áreas sub-úmida secas estão presente no Piauí em uma estreita faixa que se estende da Serra da Ibiapaba, no norte, até a divisa com a Bahia, no sul, e apresenta duas incursões para oeste até a divisa com o Maranhão (Figura 1). Ainda são observadas áreas sub-úmida seca no noroeste e extremo sudeste do Ceará, no vale do Piancó na Paraíba. Parte do Agreste da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, no meio oeste da Bahia, na chapada Diamantina e planalto Baiano, além de duas pequenas áreas no estado do Maranhão, uma no município de Barra do Corda e outra no município de Loreto e vizinhança (Figura 1).

O estado do Maranhão é o único do Nordeste que não apresenta áreas semi-áridas e observa-se terras sub-úmida secas apenas na parte central do Estado, principalmente no município de Barra do Corda e uma pequena área no sudeste do Estado em volta dos município de Loreto e São Félix de Balsa (Figura 2a).

Observa-se uma grande área cobrindo todo leste-sudeste com clima semi-árido, exceto uma pequena área no município de Isaías Coelho, paralelo a esta área verifica-se terras classificadas como sub-úmida seca, a qual apresenta duas incursões até a divisa com o Piauí, uma até o município de Ribeiro Gonçalves e outra até Floriano. As demais áreas são Classificadas como úmida ou sub-úmida úmida (Figura 2b).

A maior parte do território do Ceará apresenta clima semi-árido ou sub-úmido seco. As áreas da Serra da Ibiapaba norte, do Maciço de Baturité, da região de Palmácia, parte da faixa litorânea e núcleos isolados não região do Cariri são classificadas como sub-úmida úmida ou úmida. As demais áreas do Estado são classificadas como semi-árida ou sub-úmida úmida, com predominância do semi-árido como mostra a Figura 3a.

Quase todo território do Rio Grande do Norte apresenta clima semi-árido ou sub-úmido seco, as exceções são o litoral leste e serra dos Martins. O Rio Grande do Norte é o único estado do Nordeste em que não há ocorrência de clima úmido (Figura 3b).

A Paraíba apresenta uma área árida, o município de Cabaceiras no Cariri paraibano. Uma grande área com clima semi-árido abrangendo parte do Agreste da Borborema; Cariri; Curimataú; Sertões do Seridó, das Espinharas, do Rio do Peixe, exceto os municípios de Poço dos Dantas e Bernadino Batista que são SUS, e do médio Piranhas, exceto Catolé do Rocha. As áreas sub-úmida seca abrangem parte do Agreste, Agropastoril do Baixo Paraíba, Piemonte da Borborema e Sertões do Piancó, exceto os municípios de Manaira e Santana dos Garotes que são semi-árido, e Alto Piranhas, exceto Nazarezinho (Figura 4a).

No Estado de Pernambuco o Clima de todo o Sertão e do oeste do Agreste setentrional são classificado como semi-árido, as exceções são os municípios de Triunfo, Porção e Brejo da Madre Deus, que são sub-úmido seco. Além dos municípios citados também são sub-úmido seco uma parte do agreste meridional e o leste do Agreste setentrional, exceto Bom Jardim que é sub-úmido úmido. As demais áreas do Estados são classificadas com sub-úmida úmida ou úmida (Figura 4b).

O Estado de Alagoas apresenta uma certa predominância de áreas úmida e sub-úmida úmida. Uma pequena faixa, no Agreste de terras sub-úmida úmida. Uma faixa de terras semi-árida que vai do Vale do Traipu até a Serra das Panelas, cobrindo todo vale do Ipanema (Figura 5a).

Sergipe apresenta aproximadamente metade das terras classificadas como sub-úmida úmida e úmida e a outra metade sub-úmida seca e semi-árida. As áreas semi-áridas estão localizadas no norte do Estado, no Vale do Baixo São Francisco e em áreas isoladas nos municípios de Tobias Barreto e Nossa Senhora Aparecida. Dentro da faixa com clima classificado com sub-úmido seco dois municípios, Monte Alegre de Sergipe e Itabi, são classificados com sub-úmido úmido. Enquanto, na faixa de clima sub-úmido úmido o município de Aquidabã foi classificado com sub-úmido seco (Figura 5b).

Na Bahia são observados dois pequenos núcleos classificados como sendo de terras áridas. Um na parte oeste do Raso da Catarina e o outro nas proximidades do lado leste da represa de Sobradinho. As terras semi-áridas dominam todo norte do Estado, áreas no Vale do Paraguaçu próximo ao município de Milagres e no centro sul do Estado abrangendo o vale do Rio Gavião, parte do alto Rio de Contas e estendendo para oeste até o Vale do Médio São Francisco. Enquanto, que as terras sub-úmida secas cobre todo meio oeste baiano se estendendo para noroeste até a divisa com o Piauí e para sudoeste até a Serra da Capivara (Figura 6). Também são observadas áreas sub-úmida seca na Chapada Diamantina, Serra do Tombador, Planalto Baiano estendendo até a divisa com Minas Gerais, parte da Serra dos Aimorés, município de Itapetinga e parte do Agreste (Figura 6).

CONCLUSÁO

A definição de desertificação de acordo com as Nações Unida è a degradação de terras em áreas áridas, semi-áridas e sub-áridas secas, resultantes de vários fatores, incluindo variações climáticas e a atividades humanas.

De acordo com a definição acima e os resultados obtidos conclui-se que, do ponto de vista climático, o Maranhão possui poucas áreas sujeitas ao processo de desertificação. Enquanto, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará tem a maior parte de seus territórios sujeitos aos processos de desertificação. Os estados do Piauí da Bahia também possuem uma grande área sujeita aos processos de desertificação, mas não tão extensa quanto as dos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Os estados de Alagoas e Sergipe tem aproximadamente metade dos seus territórios favoráveis aos processos de desertificação.







Figura 1- Índice de Aridez no Nordeste do Brasil.



(a)





(b)




Figura 2 – Índice de Aridez (a) no Maranhão, (b) no Piauí.



(a)






(b)



Figura 3 – Índice de aridez (a) Ceará, (b) Rio Grande do Norte.





(a)





(b)




Figura 4 – Índice de Aridez (a) Paraíba, (b) Pernambuco.




(a)





(b)





Figura 5 – Índice de Aridez (a) Alagoas, (b) Sergipe.








Figura 6 – Índice de aridez da Bahia.



REFERËNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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IBGE,2004,http://www.ibge.gov.br/


1 Aluna do Curso de Graduação em Engenharia Civil e Bolsista de iniciação cientifica em Meteorologia do Departamento de Ciências Atmosféricas (DCA) da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Av. Aprígio Veloso, 882, Bloco CL, fone/fax: 0xx833101202, e-mail: dayyanne@hotmail.com

2 Professor de Meteorologia da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, e-mail: ivaldo@dca.ufcg.edu.br


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