Contribuição dos Parques Urbanos e Áreas Verdes como Atrativos Turísticos em Curitiba – Paraná



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III Encontro da ANPPAS

23 a 26 de maio de 2006

Brasília – DF
Contribuição dos Parques Urbanos e Áreas Verdes como Atrativos Turísticos em Curitiba – Paraná
Jaqueline Aparecida Mendes van Kaick

Letícia Peret Antunes Hardt

Leonardo Tossiaki Oba
Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana – PPGTU

Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR



Resumo
Com o objetivo precípuo de verificar a contribuição dos parques e áreas verdes como atrativos turísticos em Curitiba, Estado do Paraná, o estudo se baseia na análise genérica das funções destes espaços e em pesquisa bibliográfica, documental e de campo sobre estes componentes na cidade. Com a investigação limitada a 10 locais selecionados em função da representatividade de suas características para a análise em questão e pelos resultados encontrados a partir da aplicação de questionários, de forma experimental, a um grupo determinado de turistas, mesmo considerando-se a amostra reduzida, verifica-se que os parques e áreas verdes de Curitiba atendem, de forma geral, às expectativas destes visitantes, pois todos recomendam a sua visitação. Depreende-se, também, que a imagem da cidade relacionada à questão ambiental reforça o afluxo turístico, atraído, inclusive, pela pressuposta qualidade de vida proporcionada por extensas áreas verdes na malha urbana.

Introdução
Recentes transformações econômicas, sociais e culturais têm produzido alterações no modo de tratamento das questões relacionadas a parques e áreas verdes nas cidades brasileiras. Por um lado, mudanças comportamentais têm revigorado o uso dos parques, por outro, novos papéis têm sido atribuídos às áreas verdes pelos agentes responsáveis pela gestão urbana.

Justamente a partir dessa nova configuração de cenários para os parques, considerados como elementos de estratégias de conservação ambiental e de dinamização da economia urbana, o presente estudo pretende investigar o posicionamento dos instrumentos de planejamento da cidade frente à possibilidade de sua utilização para o fomento do turismo.

Assim, utilizando Curitiba, no Estado do Paraná, como estudo de caso, objetiva-se verificar a contribuição dos parques urbanos como atrativo turístico para a cidade. Nesse sentido, tem-se como hipótese norteadora da presente pesquisa que, embora a literatura e a pesquisa documental não confirmem que a função de atrativo turístico foi fator determinante para a criação dos parques da cidade, há indícios de que estes espaços contribuem significativamente para o incremento desta atividade.

Portanto, com este direcionamento para a investigação, é adotada uma metodologia desenvolvida a partir de pesquisa bibliográfica, documental e de campo, a fim de apresentar subsídios que contextualizem a análise e a posterior discussão sobre os resultados encontrados.

A opção pela abordagem do tema se dá justamente por entender-se, conforme sugere Reis (2001, p. 20), que:

apesar da valorização dos parques sobre diferentes aspectos da comunidade, sua criação e desenvolvimento parecem estar mais ligados a questões como educação ambiental e preservação do meio ambiente do que propriamente para atender às expectativas das pessoas que os utilizam.

Por outro lado, a Prefeitura Municipal de Curitiba salienta que um dos aspectos fundamentais da política de áreas verdes na cidade é, justamente, a afirmação da recreação e do lazer como fatores indispensáveis ao equilíbrio físico e mental do ser humano e ao seu desenvolvimento, não sendo, no entanto, sua finalidade única (PMC, 2005).

A partir destas assertivas, vale salientar que, ao se considerar as diferentes hipóteses usualmente aceitas para explicar os fatores que determinaram a criação dos parques de Curitiba, percebe-se a necessidade de se investigar com maior rigor se a função de fomento ao turismo também faz parte das contribuições que estes espaços trazem à cidade.


Funções dos Parques Urbanos e Áreas Similares

Em uma perspectiva histórica, a criação continuada dos parques e áreas verdes de Curitiba inicia ao final da década de 60, com a implementação do Plano Diretor da Capital. Teve continuidade, com a Lei Municipal de Zoneamento de Uso e Ocupação do Solo de 1975, quando os parques e bosques municipais passaram a representar um dos pilares de sustentação da política ambiental do município. A implantação e gestão destes espaços são fatores que têm consolidado a identidade de Curitiba como “Capital Ecológica” e como referência em qualidade de vida.

Desde o início do ciclo dos grandes parques de Curitiba, a Prefeitura Municipal vem empreendendo esforços no sentido de priorizar a criação de novas áreas verdes na cidade (PMC, 2005).

Além de proteger florestas nativas e demais maciços vegetais, os parques garantem a preservação do sistema natural de drenagem, das matas ciliares e da fauna ribeirinha, além da constituição de barreiras naturais tanto para a ocupação indevida de áreas sujeitas a enchentes quanto para a instalação de depósitos de lixo.

Outra função dos parques consiste em assegurar o controle e a redução das cheias, inclusive pela formação de lagos que contribuem para a amenização dos efeitos das chuvas abundantes, para o controle da drenagem superficial e para o impedimento do carreamento de partículas para o leito dos rios, reduzindo o processo de assoreamento.

Ainda podem ser arrolados outros benefícios, como: oferta de lazer e realização de atividades esportivas para moradores do entorno e demais freqüentadores; desenvolvimento de ações de educação ambiental, pesquisa científica e conservação de ambientes naturais; culto às tradições da região, por meio da criação de parques e bosques temáticos, valorizando a cultura curitibana e homenageando as etnias que ajudaram a formar a cidade; e, também, estruturação de atrativos turísticos. Segundo Andrade (2001, p. 119) a produção de parques, bosques e elementos arquitetônicos emblemáticos existentes nessas áreas colaborou para o incremento dos investimentos e da arrecadação da cidade, como por exemplo, pelo turismo”.

Esta visão conservadora para a época já buscava conquistar melhor qualidade ambiental na cidade (ANDRADE, 2001). Oliveira (1996, p. 75) ressalta que “a função desses parques, no momento em que foram idealizados, uniu, de um lado, a antiga idéia ‘de dar água à cidade’ [...] e, de outro, uma solução técnica encontrada para combater enchentes na cidade [...]”.

Na concepção de Furegato (2005), os parques urbanos, dada a facilidade de acesso, permitem a freqüência e utilização não apenas de moradores locais, mas também de visitantes e turistas. Esta função é ainda maior quando o parque oferece outros elementos, como equipamentos, serviços e atrações. Não só os parques urbanos, mas vários outros elementos da paisagem urbana, raramente são planejados e construídos exclusivamente em função do turismo; em primeira instância, estes espaços são planejados para uso dos habitantes locais e sua utilização por turistas decorre de diversos fatores, a exemplo da valorização cultural, marketing, favorecimento da situação geográfica e modismo, além do vínculo afetivo que se estabelece entre moradores e seu meio urbano, constituindo “uma ênfase na forma mais que na função, uma ênfase nos projetos urbanos mais que nos planos gerais, buscando melhorar a imagem urbana mediante a criação de novos espaços ou a revitalização de espaços antigos” (GARCIA, 1996, p. 33).

Para que as pessoas desfrutem dos benefícios do lazer realizado nos parques, deveriam ser atraídas para realizar atividades nestes ambientes. Alguns atributos podem ser considerados para tornar um parque mais valorizado, combinando ofertas de: atividades sociais, acesso adequado, conforto e imagem marcante, tornando-o um ambiente atrativo para as pessoas.

De acordo com Menezes (1996), em Curitiba, a implantação dos parques urbanos tem atendido a causas variadas, especialmente aquelas ligadas às necessidades ambientais e ecológicas, mas também tem se apresentado como alternativa de lazer e como atrativo turístico.

Macedo (1999) considera, porém, que se as preocupações ambientais e com a economia do turismo têm propiciado o surgimento de razoável número de parques públicos nas cidades brasileiras, a maioria dos projetos não está vinculada a processos de planejamento que articulem sua construção com as necessidades sociais. Como resultado, o surgimento de novos parques públicos, em muitos casos, ao invés de representar maior democratização das oportunidades de lazer e recreação, tem contribuído para agravar os desequilíbrios na distribuição de bens e serviços que marcam as cidades brasileiras (REIS, 2001).

Se, por um lado, as mudanças de comportamento têm reforçado a utilização dos parques pelas populações urbanas, ao mesmo tempo, novos papéis têm sido atribuídos a estas áreas pelos agentes envolvidos nos processos urbanos. Neste sentido, Barcellos (2006) identifica duas vertentes de ações: na primeira, tem-se o uso dos parques nas estratégias de conservação ambiental; na segunda, constituem elementos de dinamização da economia urbana.


Metodologia e Resultados da Pesquisa
Como anteriormente comentado, foi realizada pesquisa bibliográfica, documental e de campo, sendo esta última baseada na aplicação de questionários, de forma experimental, a uma amostra reduzida de 31 turistas que utilizavam a Linha Turismo (Figura 1), sistema de transporte público com “jardineiras” – ônibus diferenciados que percorrem um itinerário especialmente planejado para o turismo urbano em Curitiba.

Atualmente, Curitiba dispõe de vários parques urbanos e áreas similares (PMC, 2005). Neste estudo, porém, a investigação se limita à análise de 10 locais, ilustrados na Figura 1, selecionados em função tanto da sua proximidade a Linha Turismo quanto da representatividade de suas características para a pesquisa em questão. Adiante, é apresentada a descrição sintética dos parques analisados, apoiada em dados de PMC (2005).



Figura 1: MAPA DE PARQUES E ÁREAS SIMILARES EM CURITIBA COM DESTAQUE PARA OS OBJETOS DA PESQUISA

Fonte: Elaborada com base em IPPUC (2006)


O nome do Parque Barigüi tem origem indígena e significa “rio do fruto espinhoso”, em alusão às pinhas das araucárias nativas, ainda remanescentes. A antiga “sesmaria” pertencente a Martins Mateus Leme foi transformada em parque, em 1972, pelo Prefeito Jaime Lerner. Por sua localização, próxima ao centro da cidade, e sua diversidade de infra-estrutura, o Barigüi, com área de 1.400.000 m², é o parque mais freqüentado de Curitiba.


Assim como a maioria dos demais parques da cidade, faz parte de uma política municipal de proteção de fundos de vale, com os objetivos de evitar o assoreamento e a poluição dos rios, proteger a mata ciliar e impedir a ocupação irregular das suas margens, tornando estas áreas abertas à utilização pública.

No Parque Barigüi, a população encontra diversas opções de lazer, seja na prática de esportes, no churrasco de domingo, nas feiras do pavilhão de exposições, no Museu do Automóvel ou simplesmente nas caminhadas por um dos circuitos à beira do lago.

O Jardim Botânico, inaugurado em 1991, funciona como centro de pesquisas da flora do Paraná em uma área de 278.000 m². Contribui para a conservação de remanescentes urbanos de floresta nativa, para a educação ambiental, especialmente pela formação de espaços representativos da flora brasileira, e oferece alternativas de lazer para a população.

O nome oficial representa uma homenagem à urbanista Francisca Maria Garfunkel Rischbieter, uma das pioneiras no trabalho de planejamento urbano de Curitiba.

Mais de 40% de sua área total correspondem a remanescente de Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), típico da vegetação regional, com nascentes que formam lagos, onde trilhas conduzem o visitante a maior contato com a natureza numa área bem próxima do centro da cidade.

Sua principal atração consiste em uma estufa de ferro e vidro, com 420 m2, inspirada no Palácio de Cristal de Londres. Seu interior abriga exemplares vegetais característicos de regiões tropicais. Um jardim baseado em princípios franceses de composição paisagística emoldura a estufa com canteiros geométricos, cujo plantio e manutenção são realizados por crianças carentes da região, que, desta forma, treinam para uma futura profissão e aprendem as primeiras noções de ecologia.

O Passeio Público é a mais antiga área verde municipal de Curitiba, com 69.285 m². Criado por Alfredo D´Estragnolle Taunay, quando presidente da Província do Paraná, foi inaugurado em 1886, tendo origem na drenagem de um terreno pantanoso. Passou por várias transformações ao longo do tempo, sendo anteriormente conhecido como “Jardim Botânico”.

Comportando a função de primeiro zoológico da cidade, foi palco de fatos marcantes na vida cultural e no folclore curitibanos. Corresponde à área verde mais central da cidade, com implantação de equipamentos em meio a diversas espécies vegetais nativas e alóctones. Outras atrações consistem no terrário que, em área de 156 m2, abriga 40 animais, entre serpentes e lagartos de espécies exóticas e raras, e no aquário, com 30 variedades de peixes de rios e ornamentais, inclusive da região amazônica e da África.

O Parque das Pedreiras, com 103.500 m², foi criado em 1990 em homenagem a Paulo Leminski, poeta e escritor curitibano, que inaugurou o espaço cultural que leva o seu nome. Tal espaço consiste em um grande auditório ao ar livre, com capacidade para até 30 mil pessoas, estabelecido no local onde, no passado, funcionava a pedreira municipal e a usina de asfalto. O espaço é dotado de infra-estrutura para a realização de grandes shows, com palco fixo com 480 m2, favorecido por boas condições acústicas proporcionadas por um paredão de rocha maciça. A Ópera de Arame, teatro de forma circular, completa o parque, com estrutura tubular, transparente, inserida no interior da cratera originada de uma pedreira desativada e rodeado por lagos, cascatas e vegetação abundante.

O Parque Tanguá, cujo nome indígena tem o significado de “baía das conchas”, se estende por 235.000 m² e se caracteriza por uma região de pedreiras desativadas e topografia acidentada, característica da porção norte da cidade. Oferece variadas áreas de lazer com lagos, pistas, ciclovias e um túnel encravado na rocha, unindo dois dos seus lagos.

Situado nas antigas pedreiras da família Gava, junto ao rio Barigüi, entre os municípios de Curitiba e Almirante Tamandaré, este parque, inaugurado em 1996 pelo Prefeito Rafael Greca, preserva a natureza num local destinado inicialmente para abrigar uma usina de reciclagem de caliça e lixo industrial.

Em 1998, foi inaugurado pelo Prefeito Cássio Taniguchi, o Jardim Poty Lazzarotto em homenagem ao eminente artista plástico, contando com portal de acesso, cascata e canteiros e espelhos d’água traçados ao estilo francês, de onde se projeta o mirante de 65 m de altura, sob a forma de terraço elevado em meio à cobertura arbórea. Nos três pisos do mirante, encontram-se distribuídos decks metálicos, torres para observação e locais para serviços de apoio.



O Parque Tingüi, criado em 1994 com área de 380.000 m², representa uma homenagem ao povo indígena que primeiro habitou a região de Curitiba. Integra um projeto mais abrangente da Prefeitura de Curitiba, que prevê a implantação de um parque linear em toda a extensão do rio Barigüi.

Obra de saneamento e preservação ambiental, o Parque Tingüi alterna em sua pista de caminhada, paisagens de lagos, pontes e mata nativa, ao longo do curso d’água principal.

O parque também abriga o Memorial Ucraniano, com a réplica de uma igreja daquela etnia, onde são realizados eventos culturais e exposições. No Memorial, podem ser encontrados: palco, portal, mirante, monumento em forma de “pêssanka” (ovo pintado à mão em filigranas para saudação à Páscoa) e campanário, dentre outros elementos, baseados no estilo que caracterizam as construções da Ucrânia, de caráter histórico-cultural, constituindo homenagem à influência da cultura ucraniana na história de Curitiba.

Em 19 de abril de 2000, em homenagem ao descobrimento do Brasil, foi inaugurada a Praça Brasil 500 Anos, estruturada no formato de um disco de 15 m de diâmetro, destacando a importância dos antigos descobridores.

Desde 1972, cultura, criação e natureza são valorizados em torno do lago do Parque São Lourenço, com área de 203.918 m². Com a grande inundação de 1970 e conseqüente rompimento da represa do São Lourenço, então pertencente à fábrica de adubos Boutin, foi desenvolvido um projeto para regularização das vazões das águas do rio Belém e aproveitamento da área ao redor, com reciclagem de uso de uma antiga fábrica de cola.

A velha fábrica, cuja chaminé de tijolos à vista pode ser avistada à distância, e seu maquinário, hoje transformado em esculturas, formam o “Centro de Criatividade”, uma oficina de artes. Sua instalação ocupou cinco pavilhões da antiga fábrica, reciclados e adaptados para abrigar suas funções. Atelier de artes e ofícios, auditório, espaço de exposições e biblioteca compõem o apoio à criatividade.

No parque, entre remanescentes de floresta com araucária, a ciclovia circunda o lago, servindo como interligação entre o Parque da Barreirinha, ao norte, e o Bosque João Paulo II, no centro da cidade.

O Bosque Alemão, criado em 1996, situa-se em área de fundo de vale com 38.000 m2, no Jardim Schaffer, onde, no final do século passado, a família que deu nome ao bairro era responsável por famosa leiteria na região. Conta com equipamentos relacionados à cultura germânica, em homenagem à etnia que se estabeleceu no século XIX, a partir de 1833.

Dentre seus equipamentos, destaca-se o “Oratório de Bach” – réplica de uma igreja presbiteriana de estilo neogótico que existia no bairro do Seminário, abrigando sala de concertos, lanchonete com produtos típicos e espaço para a Guarda Municipal.

Do jardim externo, projeta-se a passarela ligada ao mirante, situado sobre a “Torre dos Filósofos”, de 15 m de altura que, como outros componentes construídos, possui estrutura em troncos de eucalipto. Descendo a torre, chega-se ao “Caminho dos Contos”, trilha no interior do bosque que conduz o visitante à outra extremidade, no ponto mais baixo do terreno. No percurso, que expõe em azulejos a história de “João e Maria”, de autoria dos Irmãos Grimm, situa-se uma biblioteca denominada “Casa da Bruxa” (ou “Casa de Contos”), espaço reservado para desenvolver o interesse pela leitura no público infantil. Diariamente, crianças visitam o espaço e participam da “Hora do Conto”, leitura teatralizada de histórias infantis.

Ao final da trilha, tem-se o pórtico que reconstitui o frontão da Casa Milla, que, construída no início do século na Rua Barão do Serro Azul, representa um dos principais exemplares da arquitetura da imigração alemã. A varanda utilizada na réplica é a original.

O Bosque Zaninelli foi criado a partir de uma área verde regenerada naturalmente após ter sido utilizada, desde 1947, para exploração de granito, o que originou um paredão de rocha e lagos. Foi decretado bosque municipal de preservação em 1992, com área de 37.000 m².

Inaugurado com a presença do pesquisador francês Jacques Ives Cousteau, tem como atração principal a Universidade Livre do Meio Ambiente (UNILIVRE), edificação de 874 m² em estrutura de madeira de 15 m de altura e balanços de 3 m para apoio da rampa helicoidal. O intuito da obra consiste na adequada integração entre arquitetura e natureza. A Universidade tem por objetivo repassar conhecimentos sobre o meio ambiente à população em geral Compreende um local específico onde as pessoas podem debater livremente questões sobre ecologia e, ao mesmo tempo, aprender sobre novos temas e práticas que visem aprimorar a qualidade de vida dos centros urbanos. Outras atrações locais são constituídas pela mata nativa, pela passarela no túnel vegetal que desemboca frente à pedreira, pelo espelho d’água do lago de aproximadamente 120 m de extensão, pelo pequeno auditório ao ar livre e pelo mirante.

O Bosque João Paulo II, inaugurado em 1980, com área de 48.000 m², não só marcou a passagem do Papa por Curitiba, como oferece uma homenagem à colônia polonesa. Por seus caminhos internos, encontram-se sete casas típicas polonesas em forma de aldeia, construídas no início da colonização da etnia na região de Curitiba, por volta de 1878, tendo sido relocadas para o bosque. Na primeira casa, a mesma visitada pelo Papa, foi instalada a capela em homenagem à Virgem Negra de Czestchowa, padroeira da Polônia. Nas demais, pode-se conhecer móveis e utensílios da época da primeira imigração. Na trilha em meio ao bosque, encontra-se uma escultura do Papa João Paulo II e um monumento em homenagem a Nicolau Copérnico. O artesanato, à venda no local, permite a aquisição das famosas pêssankas.

O projeto teve como prioridade a preservação da mata nativa, além do plantio de novas mudas de pinheiros (Araucaria angustifolia). Outro destaque são os plátanos (Platanus orientalis), com porte desenvolvido e introduzidos no local há dezenas de anos.

Na pesquisa de campo, realizada junto aos turistas por meio do questionário elaborado, a maioria dos entrevistados é do sexo feminino (64,5%). Verifica-se que grande parcela dos respondentes (77,5%) encontra-se nas faixas etárias de 26 a 40 (45,2%) e de 18 a 25 anos (32,3%). A maior parte possui formação em ensino superior completo (41,9%), sendo surpreendente a presença de pós-graduados (22,6%). As pessoas provenientes de outros estados correspondem a 83,8% do total da amostra.

As informações e sugestões de pessoas que moram (42,5%) ou já conheceram Curitiba (22,5%) são as principais responsáveis pelo conhecimento da cidade pelos entrevistados. Todavia, 32,0% deles estavam em Curitiba por motivos profissionais ou de estudos.

A maioria informou que teve interesse em visitar a capital paranaense devido à sua divulgação como “cidade modelo” (36,0%); como conseqüência, as áreas verdes e os parques também foram lembrados com relativa expressão (28,2%).

Todos os entrevistados visitaram pelo menos dois parques ou áreas similares, destacando-se o Jardim Botânico como o espaço mais procurado (18,6%), aparentemente pela sua imagem intensamente veiculada e pela sua proximidade ao centro da cidade. Tanto o Passeio Público, o mais central, quanto o Parque Barigüi, o de maior visitação pela população curitibana, aparecem em segundo lugar, com 15,0% cada.

As vias, a sinalização turística e os meios de locomoção para acesso aos parques e áreas verdes são considerados de ótima qualidade na opinião de 61,3% dos turistas, assim como a sua infra-estrutura por 58% dos respondentes. Por outro lado, a divulgação dos parques e áreas verdes foi considerada deficiente por 54,8% dos entrevistados. Verifica-se, portanto, que mesmo com a extensiva veiculação destes atrativos para meios externos, persistem inoperâncias locais nas informações disponíveis para os turistas.

Os respondentes consideraram o respeito e cuidado com a fauna e flora (32,3%) e, por decorrência, a sua conservação (24,0%), como aspectos positivos nos parques e áreas verdes de Curitiba. Mas a falta de equipamentos de lazer, a exemplo de playground e equipamentos para a prática de exercícios físicos, foi citada por 45% dos entrevistados como o principal aspecto negativo.

Mesmo assim, a visita aos parques e áreas verdes de Curitiba atendeu às expectativas dos turistas (96,8%) e todos os entrevistados recomendariam a sua visitação.
Conclusões

O processo de produção dos parques e áreas verdes em Curitiba criou espaços de lazer com atratividade, com grande empatia por parte da população e dos turistas, pois todos os entrevistados recomendam a sua visitação.

Os parques passam a representar lugares de maior proximidade com os elementos naturais, mesmo que sejam percebidos de maneira artificializada ou apenas enquanto cenário para uma situação idealizada. O parque, agora como simulacro da natureza, é dotado de novo significado, uma vez que é identificado como moralmente benéfico e enobrecedor, com a natureza distante e ameaçada (SARTI, 2001).

Os resultados das ações realizadas em Curitiba ao longo do tempo, e que só agora parecem consolidados, têm sido comumente explorados pela administração pública, que, por meio de linha de ônibus especial (“jardineira”), tem transformado os mais importantes parques da cidade em cotados pontos turísticos. Das 21 paradas deste roteiro, 11 constituem parques ou áreas verdes, representando uma solução relativamente incomum nas cidades brasileiras.

De fato, as preocupações ambientais e com a economia do turismo têm propiciado o surgimento de razoável número de parques públicos nos centros urbanos do país.

A partir da caracterização das possibilidades que estes espaços podem oferecer em termos de fomento ao turismo em Curitiba, os resultados demonstram que, do ponto de vista estrutural, tais áreas são adequadas para receber visitantes, bastando apenas que sejam melhor exploradas pelo planejamento urbano e por políticas públicas direcionadas para o seu potencial turístico.

Desde a década de 70, Curitiba tem passado por avanços físicos, culturais, ambientais e econômicos (SEBRAE/PR, 2005). Há alguns anos, a cidade vem apresentando importante crescimento em termos de turismo receptivo. De 2000 a 2003, esse aumento representou 58% no número de turistas. O turismo de negócios vem sendo o principal motivo das viagens a Curitiba, e este tipo de turismo vem crescendo gradativamente, devido à infra-estrutura já existente, à localização estratégica e aos índices de desenvolvimento apresentados pela cidade.

Nesta perspectiva, a disponibilidade de áreas verdes, especialmente parques, como fator de qualidade de vida e ambiental pode ser considerada como um dos fatores de desenvolvimento para atração de turistas para a cidade, ainda mais reforçada pela mídia governamental que disseminou a idéia de “Capital Ecológica”.



Para a devida consolidação dos resultados da amostra reduzida, recomenda-se a ampliação da amostragem para níveis superiores de consistência estatística.

Referências
ANDRADE, R. V. O processo de produção de parques e bosques de Curitiba. Curitiba: 2001. Dissertação (Mestrado em Geografia) Setor de Ciências da Terra, Universidade Federal do Paraná.
BARCELLOS, V. Q. Novos papéis do parque público: o caso dos parques de Curitiba e do Projeto Orla de Brasília. Programa de Pós-Graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Disponível em: Acesso em: 10 fev. 2006.
FUREGATO, M.C.H. Parque urbano Orquidário Municipal de Santos / SP: equipamento de lazer e turismo. Revista Eletrônica Paisagem, Lazer e Turismo. Disponível em: . Acesso em: 27 out. 2005
GARCIA, F. E. S. O city marketing de Curitiba: cultura e comunicação na construção da imagem urbana. In: OLIVEIRA, L.; DEL RIO, V. (Orgs.) Percepção Ambiental: a experiência brasileira. São Carlos: Editora da Universidade Federal de São Carlos; Studio Nobel, 1996.
IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. Mapas temáticos. Disponível em: . Acesso em: 24 fev. 2006.
MACEDO, S. S. Quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo: Quapá, 1999. (Coleção Quapá)
MENEZES, C. L. Desenvolvimento urbano e meio ambiente: a experiência de Curitiba. Campinas.:Papirus, 1996.
OLIVEIRA, M. Meio ambiente e cidade: áreas verdes públicas de Curitiba. Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente, no 3. Curitiba: UFPR, 1996. p. 73-87.
PMC – Prefeitura Municipal de Curitiba. Secretaria Municipal do Meio Ambiente / Departamento de Parques e Praças. Áreas Verdes. Disponível em: . Acesso em: 27 out. 2005.
REIS, R. S. Determinantes ambientais para a realização de atividades físicas nos parques urbanos de Curitiba: uma abordagem sócio-ecológica da percepção dos usuários. Florianópolis: 2001. Dissertação (Mestrado em Educação Física). Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina.
SARTI, A. C. Propostas para delimitacao de um parque peri-urbano para a cidade de Rio Claro (SP). Rio Claro: 2001. Dissertacão (Mestrado em Conservacão e Manejo de Recursos) Centro de Estudos Ambientais, Universidade Estadual Paulista.
SEBRAE/PR– Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Paraná. Os números do Turismo no Mundo, no Brasil e no Paraná 2003. Disponível em: <http://www.sebraepr.com.br/servlet/page?_pageid=796&_dad=portal30&_schema =PORTAL 30>. Acesso em: 10 nov. 2005.


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