Contribuição Luiz Felipe / Lisboa



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Tema 10

Que argumentação Clausewitz empregou para demonstrar que a subordinação política da guerra é uma conclusão lógica e não uma hipótese de partida?



Contribuição Luiz Felipe / Lisboa
C
lausewitz



Clausewitz começa seu estudo definindo conceitualmente a guerra como “um ato de força para compelir o inimigo a fazer a nossa vontade”. Desta definição decorreram 3 “interações” que levariam necessariamente a um exercício extremo de violência:





  • O lado que usa a força sem constrangimentos ganha vantagem sobre o outro, que é obrigado a imitá-lo;

  • O objetivo da guerra, para ambos os lados, é desarmar o inimigo; e

  • A guerra demanda, para ambos os lados, o máximo de dispêndio de todos os meios disponíveis e de toda a força de sua vontade.

Porém, Clausewitz verificou, em seus estudos históricos, que as guerras nunca haviam sido de violência absoluta. Ao contrário, elas sempre terminavam antes que atingissem estes extremos. Constatou em seus estudos sobre as guerras que:




  • Nunca eram um ato isolado de pura força;

  • Nunca consistiam em um único espasmo de extrema violência; e

  • Seu resultado nunca era final, pois tendiam a terminar antes do desarmamento total de um dos lados.

Verificando que na prática os resultados eram diferentes do desdobramento lógico do seu conceito inicial, incorporou teoricamente as diferenças entre o conceito e a realidade.

Neste ponto, transparece o rigor científico do seu método. Definindo um conceito, extraindo as conseqüências lógicas, confrontando-as com a realidade e incorporando as diferenças à formulação teórica.

Clausewitz foi refinando seu pensamento no intuito de buscar incorporar as diferenças entre a guerra como conceito e a guerra como história. Do “porque” as guerras não atingem os extremos da violência, ele desenvolve a mais completa investigação sobre o fenômeno bélico.

Em seus estudos históricos ele verificou, como razões moderadoras do emprego da violência:


  • que a guerra era a província da incerteza e do acaso;

  • a presença de fatores morais;

  • uma “trindade paradoxal” entre povo, governo e forças armadas;

  • que o combate era a atividade essencial;

  • a assimetria entre defesa e ataque;

  • o fenômeno da fricção;

  • o ponto culminante do ataque; e

  • principalmente, que ela sempre se subordinava aos propósitos políticos.

A resposta as suas indagações é lógica e decorrente de uma série de fatores por ele identificados dentre os quais principalmente o de que a “a guerra é a continuação da política por outros meios” demonstrando, portanto, a subordinação lógica da guerra a política.

A argumentação de Clausewitz aparece, portanto, no rigor científico com o qual confronta conceito e realidade, incorporando as diferenças práticas a sua teoria e partindo do conceito que a guerra levava a um extremo da violência para chegar a conclusão lógica da subordinação da mesma a política.
Tema 10
Que argumentação Clausewitz empregou para demonstrar que a subordinação política da guerra é uma conclusão lógica e não uma hipótese de partida?
Contribuição Aquino

Clausewitz não partiu do axioma da subordinação da guerra à política e sim utilizou-se de argumentação dialética e construiu um sistema onde elaborou a teoria da guerra, alicerçando esta teoria a partir de uma reflexão abstrata sobre o absoluto da violência da própria guerra. Ao iniciar seu trabalho reconhecia claramente o perigo da guerra total, onde não haveria lugar para os políticos civis.

Para entender o autor é preciso entender o seu método de estudo. Em lugar de transformar seus pensamentos em regras rígidas e invariáveis, tratava a questão dialeticamente, evitando afirmativas categóricas e qualquer tendência para o dogmatismo. A cada instância, verificava todos os aspectos de um dado problema, examinava criticamente suas relações intrínsecas e comparava as vantagens e desvantagens de todas as linhas de ação. Para cada idéia apresentava um contra-argumento.

Assim, a obra “Da Guerra” é caracterizada por três elementos: trabalho filosófico resultante de um processo dialético de pensamento e exame do assunto, segundo, é um trabalho científico-militar, onde examina as questões fundamentais da guerra e, finalmente, é um trabalho político na medida que não estuda a guerra como um fenômeno isolado, mas sempre como um instrumento da política.

Clausewitz rejeitava a idéia mecanicista da guerra e argumentava que a teoria provia um meio para se organizar a evidência empírica. Em uma primeira aproximação estuda a experiência histórica e depois analisa desde a guerra de guerrilha até a guerra absoluta, esta última uma abstração filosófica descrevendo a guerra ideal, inexistente. Justamente ao estudar a inexistência da guerra absoluta é que descobre a subordinação da guerra à política como será demonstrado a seguir.

Clausewitz começa seu estudo definindo conceitualmente a guerra como “um ato de força para compelir o inimigo a fazer a nossa vontade”. Deste axioma decorreram 3 “interações” que levariam, necessariamente, a um exercício extremo de violência:


  • O lado que usa a força sem constrangimentos ganha vantagem sobre o outro, que é obrigado a imitá-lo;

  • O objetivo da guerra, para ambos os lados, é desarmar o inimigo; e

  • A guerra demanda, para ambos os lados, o máximo de dispêndio de todos os meios disponíveis e de toda a força de sua vontade.

Dentro da dialética à tese da guerra total como guerra ideal segue-se a antítese de que, mesmo na teoria, a guerra é sempre influenciada por forças externas a ela que podem inibir a escalada para a violência total. Estabelece-se, assim uma primeira relação dialética.

A segunda maior relação dialética que atravessa os oito livros de “Da Guerra” está contida na asserção de que a guerra real é um composto de três elementos, a chamada trindade paradoxal, quais sejam: povo, forças armadas e governo. Para se entender uma guerra é necessário o estudo e a utilização de todos os três elementos.

Clausewitz verificou, em seus estudos históricos, que as guerras nunca haviam sido de violência absoluta. Ao contrário, elas sempre terminavam antes que atingissem estes extremos. Constatou em seus estudos sobre as guerras que:



  • Nunca eram um ato isolado de pura força;

  • Nunca consistiam em um único espasmo de extrema violência; e

  • Seu resultado nunca era final, pois tendiam a terminar antes do desarmamento total de um dos lados.

Verificando que na prática os resultados eram diferentes do desdobramento lógico do seu conceito inicial, incorporou teoricamente as diferenças entre o conceito e a realidade.

Neste ponto, transparece o rigor científico do seu método. Definindo um conceito, extraindo as conseqüências lógicas, confrontando-as com a realidade e incorporando as diferenças à formulação teórica.

Clausewitz foi refinando seu pensamento no intuito de buscar incorporar as diferenças entre a guerra como conceito e a guerra como história. Do “porque” as guerras não atingem os extremos da violência, ele desenvolve a mais completa investigação sobre o fenômeno bélico.

Em seus estudos históricos ele verificou, como razões moderadoras do emprego da violência:



  • que a guerra era a província da incerteza e do acaso;

  • a presença de fatores morais;

  • uma “trindade paradoxal” entre povo, governo e forças armadas;

  • que o combate era a atividade essencial;

  • a assimetria entre defesa e ataque;

  • o fenômeno da fricção;

  • o ponto culminante do ataque; e

  • principalmente, que ela sempre se subordinava aos propósitos políticos.

Portanto, por meio de uma postura dialética e da aplicação do rigor científico com o qual confronta sua teoria com a realidade, Clausewitz alcançou as respostas para as suas indagações, identificando uma série de fatores que inibiam a violência do fenômeno bélico.

Esta resposta é lógica e decorrente de uma série de fatores por ele identificados dentre os quais principalmente o de que a “a guerra é a continuação da política por outros meios” demonstrando, portanto, a subordinação lógica da guerra a política.

A argumentação de Clausewitz aparece, portanto, no rigor científico com o qual confronta conceito e realidade, incorporando as diferenças práticas a sua teoria e partindo do conceito que a guerra levava a um extremo da violência para chegar a conclusão lógica da subordinação da mesma a política.

Seu maior mérito é apresentar uma visão filosófica e abstrata da guerra, considerando-a um instrumento da política e totalmente subordinada a ela.

TEMA 10 - QUE ARGUMENTAÇÃO CLAUSEWITZ EMPREGOU PARA DEMONSTRAR QUE A SUBORDINAÇÃO POLÍTICA DA GUERRA É UMA CONCLUSÃO LÓGICA E NÃO UMA HIPÓTESE DE PARTIDA?


Contribuição Cupello

Bibliografia:

- EGN- 214 -Guia de Estudos Estratégicos

- On War - Michael Howard e Peter Paret (disponível na biblioteca)

INTRODUÇÃO
Clausewitz começou seu estudo definindo a guerra conceitualmente como: " ... um ato de força para compelir nosso inimigo a fazer a nossa vontade". E, ao formular, inicialmente, os alicerces de sua teoria da guerra, baseando-se em uma reflexão abstrata, assumiu como ponto de partida que a guerra era violência absoluta, sem limites.

Entretanto, mais tarde, quando dedicou-se à produção e revisão de uma série de estudos históricos, confrontou-se com o fato de que a violência absoluta que sua teoria inicial propugnava inexistia, pois a violência nas guerras fora sempre controlada, diminuída e limitada. A partir de então, com grande coragem moral, debruçou-se sobre as limitações de suas idéias, reavaliando-as a partir de um confronto entre elas e os fatos revelados por seus estudos.


DESENVOLVIMENTO

Clausewitz iniciou seus estudos definindo a guerra conceitualmente como: " ... um ato de força para compelir nosso inimigo a fazer a nossa vontade". As consequências lógicas desse conceito são aquilo que ele chamou de "as três interações", que levariam a um exercício extremo de violência nesta concepção de guerra:



  1. O lado que usasse a força sem constrangimentos levaria vantagem sobre o outro, que seria obrigado a imitá-lo, abandonando suas perspectivas e mecanismos de moderação, ou seria levado a aceitar uma luta desigual, em que sua derrota seria mais provável;

  2. O objetivo da guerra seria desarmar o inimigo, o que levaria ambos os lados a antecipar-se, empregando um máximo de força para privar o inimigo de suas armas; e

  3. A guerra demandaria, para ambos os lados, o máximo dispêndio de todos os meios disponíveis e de toda a força de sua vontade, para evitar os riscos e as consequências de se ver desarmado pelo inimigo.

Deste modo, o próprio fato de que a guerra era um ato de força determinava, em função do efeito que produzia no inimigo e que sua reação produzia em nós, as três tendências acima, que logicamente determinavam um exercício imoderado e simultâneo do máximo de força disponível em qualquer sociedade. Todavia, em seus estudos históricos, Clausewitz deparou-se com o fato de que as guerras nunca haviam sido espasmos de violência absoluta. Ao contrário, as guerras sempre terminavam antes que se atingisse os extremos de violência que o seu conceito exigia. Assim, as guerras até então ocorridas:



  • nunca eram um ato isolado de pura força;

  • nunca consistiam em um único espasmo de extrema violência; e

  • seu resultado nunca era final, pois terminavam antes do desarmamento completo de um dos lados.

Mas Clausewitz observou que havia pausas na guerra, e que essas pausas eram causadas por fatores como:



  1. a superioridade da defesa sobre o ataque;

  2. a fricção, decorrente de falhas, erros, medo, acidentes e cansanço (dificuldades intrínsecasde qualquer ação militar); e

  3. a falta de informações que permitam a ambos os oponentes avaliar todos os fatores em jogo (conhecimento imperfeito da situação).

Essas tréguas frequentes na guerra afastam-na cada vez mais do absoluto e aproximam-na de um jogo de poder, que envolve o cálculo de probabilidades, das vantagens e desvantagens. E, ao envolver um jogo de interesses, consequentemente, passa a ser um instrumento da política. Assim, Clausewitz concluiu que a guerra não é somente um ato político, mas uma continuação da política por outros meios.

Ao analisar a guerra como um ato político, concluiu que a guerra é, apenas, uma parte das relações políticas e, por conseguinte, não tem sentido como coisa independente. Esse fenômeno encontra-se vinculado à vida das sociedades e ao seu propósito político de várias formas :


  • seja em sua capacidade produtiva, seja como fornecedora de contingentes;

  • seja em termos de seu interesse quanto ao que está em jogo;

  • seja ainda em sua capacidade de sustentar os socialmente responsáveis por combater

A guerra, portanto, é um fenômeno de conjunto, onde nela predominam uma surpreendente Trindade. Os três elementos que compõem essa Trindade (paradoxal) não podem ser separados dentro da análise desse fenômeno. A guerra passa a ser estudada como um fenômeno composto por 3 elementos (Trindade Paradoxal): a violência (impulso cego, ódio), o jogo das probabilidades e do acaso e, finalmente, a razão, que a subordinação à política e a torna seu instrumento. O primeiro destes três elementos diz respeito ao Povo, o segundo às Forças Armadas e o terceiro ao Governo;

Assim, a razão, o terceiro elemento da Trindade, é a principal responsável pela subordinação do emprego da violência à política, evitando, assim, que o emprego da violência cega e irracional chegue ao seu estágio máximo - a guerra absoluta.

Clausewitz demonstrou a subordinação do emprego da violência à razão, lembrando que, em função mesmo de seu conceito, a guerra não pode ser separada do seu propósito político, ou seja, a "nossa vontade" que se quer que o inimigo cumpra. Essa vontade transcende as organizações militares, alojando-se no processo do inter-relacionamento político das diversas sociedades. Nesse sentido, há uma continuação lógica entre política e guerra, já que esta última é apenas uma das formas pelas quais equacionar os interesses conflitantes entre os Estados, interesses que são a matéria tanto de uma quanto de outra. . E uma das razões que impede a ascensão aos extremos na guerra é o fato de que o propósito que leva à guerra nunca é o único propósito político de um Estado - por mais importante ou vital que este propósito seja. Deste modo, o tempo todo, os custos e riscos da continuidade da guerra, a necessidade de continuidade de outras atividades que não a guerra, a probabilidade de que outros objetivos sejam ameaçados por uma excessiva debilitação, tudo isto leva os governantes a não empregarem a totalidade de seus recursos e forças num único empreendimento.



A chave do entendimento da teoria, portanto, portanto, em analisar a interação constante que existe entre estes três elementos: Povo (violência cega), o jogo das probabilidades e do acaso (Forças Armadas) e razão (política).

CONCLUSÃO


Clausewitz demonstrou que a política é a condutora dos fatos que levam à guerra, determinando seu propósito, evolução e fim; e que a guerra, portanto, é um instrumento da política e não tem sentido fora do mundo político. Deste modo, julgo que a questão militar deve sempre subordinar-se à questão política e nunca sobrepujá-la, pois se isto acontecer, a guerra tornar-se-á irracional, sem sentido e finalidade.

Face ao exposto, podemos afirmar que Clausewitz demonstrou a subordinação política da guerra por meio de uma conclusão lógica, não a assumindo como um ponto de partida, como o fez inicialmente sobre o absoluto da sua violência.



FRASES CHAVES PARA DESENVOLVER O TRABALHO:


  • Definição: "Ato de violência destinado a forçar nosso adversário a submeter-se a nossa vontade".

  • Uso ilimitado da força;

  • O objetivo é desarmar o inimigo;

  • Na realidade não é um absoluto de violência;

  • A guerra absoluta é uma abstração;

  • A guerra nunca é um ato isolado;

  • Há um jogo de probabilidades entre as ações na guerra, e cada um dos contendores esforçar-se para prever as ações do oponente;

  • Se todas as nossas considerações concentram-se num cálculo de probabilidades, a partir das ações de pessoas e determinadas circunstâncias, há um objetivo político que é o mobil inicial do fenômeno;

  • A guerra não consiste num só golpe, sem duaração;

  • E o objetivo político não explica as "pausas da guerra", a interrupção momentânea das ações;

  • Só há uma causa capaz de deter a violência, e ela consiste na vontade de um dos oponentes;

  • A superioridade do ataque sobre a defesa é uma das causas das pausas da guerra;

  • Uma segunda causa reside no conhecimento imperfeito da situação;

  • As tréguas frequentes na guerra (as pausas) afastam o fenômeno do absoluto de violência inicial e aproximam-no do cálculo das probabilidades, e a guerra transforma-se num jogo;

  • O fator moral contesta as probabilidades;

  • A guerra é a continuação da política por outros meios;

  • A guerra é um ato político e não tem sentido como uma coisa independente;

  • A guerra passa a ser estudada como um fenômeno composto por 3 elementos (Trindade Paradoxal): a violência (impulso cego, ódio), o jogo das probabilidades e do acaso e, finalmente, sua subordinação à política, que a torna um instrumento da razão pura;

  • O primeiro destes três elementos diz respeito ao Povo, o segundo às Forças Armadas e o terceiro ao Governo;

  • O fenômeno, então, consiste numa Teoria em que estes três elementos (Trindade Paradoxal) interagem constantemente, e não pode ser compreendida se analisar-mo-los separadamente;

  • E a razão, um dos elementos, é que subordina a guerra à política.


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